12 de outubro de 2017

J. A. THOMPSON - O PRIMEIRO DISCURSO DE MOISÉS: O QUE DEUS FEZ (1:1-4:43) (Parte 2)

antigo testamento danilo moraes
AS CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS, PARA ISRAEL, DOS ATOS LIBERTADORES DE DEUS (4 :1-40)

O primeiro discurso de Moisés atinge seu clímax neste capítulo. O paralelo entre a estrutura literária do capítulo e a dos tratados de suserania do antigo Oriente Próximo é digno de nota. O autor do tratado é sanções do tratado — bênçãos e maldições - são mencionadas, teste­munhas são invocadas (26) e a obrigação de transmitir o conhecimento do tratado à geração seguinte é afirmada (10). Embora estes elementos do tratado de suserania do Oriente Próximo não estejam dispostos em for­ma legal rígida, estando antes entretecidos na fibra do discurso sem preo­cupações formais estritas, todos podem ser claramente discernidos.

a. O apelo para ouvir e obedecer (4:1-8).

A expressão introdutória Agora pois se refere ao recitativo anterior. É preparatória para o apelo a ouvir e obedecer, como se al­guém dissesse “Agora pois, à luz dos atos libertadores de Deus, vocês deveriam obedecer os Seus mandamentos” (cf Êx 19: 5; Dt 10: 12; Js 24: 14, etc.).

1. Moisés instruíra o povo nos estatutos e mandamentos de Deus e instou com eles para que atentassem para eles e os pusessem em prática. A obediência resultaria em bênção, que significava vida e posse da terra. Nesse contexto, a vida provavelmente se refere apenas à vida física, em contraste com a morte e a destruição que seriam o resultado da desobediência. O princípio aqui declarado se tomou conhecido como o prin­cípio deuteronômico. É afirmado várias vezes em Deuteronômio, mas também é encontrado em outras partes do Velho Testamento, quer dire­tamente quer por inferência.

2.De acordo com o padrão dos tratados de suserania do Oriente Próximo e dos antigos códigos legais, a aliança não deveria ser alterada de modo algum (Cf. Mt 23:16-26; Mc 7:9-13.)

3,4. Uma ilustração vivida do fato de que a desobediência à lei de Deus traz destruição e morte é agora oferecida. Em Baal-Peor (Bete-Peor, 3: 29) Israel se envolvera com a idolatria do deus Baal de Peor (Nm 25: 1-9). Quando certos homens israelitas se ajuntaram sexualmente a mulhe­res moabitas, praticaram ritos idólatras e adoraram o deus Baal. O casti­go que se seguiu foi entendido como consequência de tal culto idólatra. Aqueles que permaneceram fiéis em face da tentação escaparam à praga e estavam vivos ao tempo do discurso de Moisés.

5,6. A significância deste evento é que por meio dele Israel foi advertido de que o único meio de sobrevivência na nova terra era a abso­luta fidelidade à aliança de Javé e obediência aos estatutos e ordenanças de Javé que Moisés lhes dera. Na verdade, a sobrevivência nacional esta­va em jogo, pois Javé, que trouxera à existência a nação e lhe dera uma terra em que habitar, poderia destruí-la se ela rejeitasse Seriam em Israel qualidades especiais de sabedoria e entendimento. Aí esta­va a única reivindicação de reconhecimento que Israel possuía entre as nações.

7,8. Moisés fez duas deduções: primeira, que o fato de ter Deus dado Sua lei a Israel indicava uma intimidade de relacionamento entre Ele e Israel que não existia em qualquer outra religião; segunda, que a lei de Javé, que superava todas as outras leis em justiça, deveria ser o orgu­lho de Israel (cf. Salmos 119; 147: 19, etc.). A superioridade da lei israe­lita poderia ser demonstrada com base numa comparação com outros có­digos legais do mundo antigo, e também no fato de que qualquer lei vin­da de Javé se apoiava na justiça do próprio Deus, de quem a lei era apenas um reflexo.

b. A aparição de Deus no Monte Horebe (4:9-14)

Um segundo evento do passado é relembrado. A referência a esta­tutos e ordenanças (8) fez lembrar a experiência do povo de Deus no Mon­te Horebe (Sinai) registrada em Êxodo 19: 16-19; 20: 18, 19. Duas carac­terísticas centrais daquela experiência são aqui destacadas: primeira, que Deus fizera suas palavras conhecidas a Israel; segunda, que Israel aprendera que, embora Deus estivesse presente no Sinai e falasse do meio das nuvens, Ele não se revelara em forma física. Israel fora instruído, portanto, que nenhuma representação física de Javé era necessária em seu culto. Nisto Israel diferia radicalmente de seus vizinhos idólatras (Êx 20: 3-6). Este era um fato que Israel não deveria esquecer.

9.As duas ordens guarda-te a ti mesmo e guarda diligentemente a tua alma são introduzidas por uma partícula enfática (raq), tão somente, que normalmente tem um significado restritivo. A frase guarda-te a ti mesmo ocorre em muitos contextos em Deuteronômio. A forma verbal é basicamente reflexiva em seu significado, de modo que a ordem é diri­gida a Israel em sentido pessoal. Em várias passagens, como acontece aqui, Israel recebe a ordem de cuidar para não esquecer o que Deus fizera por ele (cf. 6: 12; 8: 11). Em outros lugares a nação é exortada a cuidar em não seguir práticas pagãs (13: 20), não oferecer holocaustos em luga­res não-autorizados (12: 13), não negar ao levita ou ao próximo o que lhes é devido (12: 19; 15: 9), etc. Tais quebras da aliança eram uma ofensa ao Senhor e seriam merecedoras de Seu juízo. Os grandes eventos de Horebe deviam ser guardados cuidadosamente para não serem esquecidos. Além do mais, a transmissão fiel da história aos filhos era obrigatória para Israel (cf 6: 20; Êx 13: 8, 14). O apelo a Israel para que se lembre e não se esqueça dos atos salvadores de Deus é repetido diversas vezes em Deuteronômio, pois eles eram a base da alegação israelita de ser o povo de Deus e a base sobre a qual Deus desafiara Israel a entrar em aliança com Ele. O mesmo princípio se aplica no Novo Testamento, onde os atos de Deus em Cristo são fundamentais para a igreja e formam a base do apelo divino para que os homens adotem um novo relacionamento com Ele. Estes também devem ser ensinados aos filhos dos cristãos.

10.As palavras aqui mencionadas eram as dez palavras, isto é, os dez mandamentos (4: 13; 5: 22). Algo mais que 0 simples escutar de palavras havia acontecido em Horebe. Os atos salvadores de Deus revelados no êxo­do e a declaração subsequente das estipulações de Sua aliança, tinham como objetivo provocar uma reação de obediência em Israel. A única resposta adequada da parte de Israel era temer a Deus, isto é, reverenciá-lo, reconhecendo Sua soberania. Havia uma conexão íntima entre adora­ção e vida pois a reverência se expressaria através de adoração e obediência. Por outro lado, o caminho da irreverência diante de Deus era o caminho da morte (30: 15—20). O verbo temer e o substantivo correspon­dente têm uma conotação rica em Deuteronômio e em todo o Velho Tes­tamento. Tanto o verbo quanto o substantivo podem indicar o medo típico dos escravos e são às vezes usados para descrever aqueles que pe­caram (Gn 3: 10; Pv 10: 24; cf. At 24: 25; Hb 10:27,31; Ap 21:8). Com maior frequência, porém, a referência é a um medo santo, ou reverência, resultante da percepção que o crente tem do caráter de Deus. O “temor do Senhor” é um dos temas dominantes do Velho Testamento. Deve ser reconhecido como a resposta apropriada do homem a Deus. É conce­dido por Deus e permite ao homem reverenciar a pessoa de Deus, obe­decer os Seus mandamentos e detestar 0 mal (Jr 32: 40; Hb 5: 7). É o princípio da sabedoria (SI 111: 10), o segredo da retidão (Pv 8: 13), o dever básico do homem (Ec 12: 13). É apresentado como uma das carac­terísticas do Messias (Is 11: 2, 3). Em todas as épocas o povo de Deus foi exortado a cultivar o temor do Senhor e a andar nele (SI 34: 11; Jr 2: 19; At 9: 31; 10: 2; Ef 5: 21; Fp 2: 12). Gentios que aderiam à sinagoga eram chamados “tementes a Deus” (At 10: 2; 13: 16, 26). Em Deuteronômio, particularmente, o verbo ocorre em 4: 10; 5: 29; 6: 2, 13; 8: 6; 10:12,20; 14:23; 17:19; 28:58; 31:12,13, etc. 31

10.Palavras humanas são inadequadas para descrever a glória e a terrível majestade de Deus. O máximo que podemos fazer é lançar mão de expressões simbólicas. Este versículo poderia ser traduzido A montanha ardia em chamas até o próprio céu, escuro com as mais densas nuvens (JPSA).

11.Quando Javé Se revelou o povo ouviu a voz das palavras mas não viu aparência alguma. Assim, a idolatria foi rejeitada para sempre. Esta era uma característica fundamental da fé israelita em todas as épocas. Foi, é claro, na Palavra encarnada que Deus falou Sua última palavra (Jo 1:1,14; Hb 1:1,2).

13,14. Em Horebe também Deus ofereceu ao povo a Sua aliança. Há uma identificação parcial, nesta passagem, entre a aliança e o decálogo. A aliança, todavia, é mais ampla que suas estipulações. Por outro lado, entretanto, a aceitação da aliança comprometia Israel a obedecer as suas estipulações. Parte da evidência de que Israel aceitara a aliança era o fato de viver segundo os mandamentos de Javé. Em época bem mais recente, Tiago viria a dizer: “Mostra-me a tua fé sem as obras, e eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé” (Tg 2:18).

A redação das estipulações da aliança num documento era normal em tratados seculares e, na medida em que Moisés viu na aliança um pa­ralelo com o tratado secular, houve por bem registrar as estipulações da aliança num documento ou em documentos como as tábuas de pedra. Foi, tarefa de Moisés instruir o povo nas estipulações da aliança de modo que Israel pudesse ter um padrão de vida na nova terra. Uma ênfase in­devida nas leis, entretanto, poderia levar a uma externalização da alian­ça, como se tudo o que Deus pedisse fosse obediência a leis. É certo que isso ele exigia, mas a aliança era essencialmente um relacionamento. As leis precisavam ser escritas internamente, no coração, para que as boas novas não se perdessem nas leis (cf. Jr 31:3134־). O livro de Deuteronômio- mio como um todo adverte contra este perigo (cf. 6:4-9).

Foi proposto recentemente que o paralelo entre a aliança sinaítica e os tratados de suserania do antigo Oriente Próximo também foi preservado neste detalhe das tábuas de pedra. Quando um tratado secular era estabelecido, faziam-se duplicatas do documento, sendo uma delas retida pelo suserano e a outra pelo vassalo. Uma cópia era guardada no templo de um dos deuses do suserano e outra no templo de um dos deu­ses do vassalo. Por ser Javé, ao mesmo tempo, o Suserano da aliança e o Fiador do voto de Israel, somente um santuário era preciso para o de­pósito das duas duplicatas do tratado. Uma posição alternativa à de Meredith G. Kline é a que afirma que as duas tábuas foram utilizadas para acomodar todo o material que precisava ser registrado. Seja qual for a explicação, as duas tábuas foram guardadas na arca (Êx 25: 16, 21; 40: 20; Dt 10:2).



c.Os perigos da idolatria (4:15-31)

Pelo fato de Deus não Se ter revelado de forma física, Israel não deveria representa-lo de forma física. Desobedecer o mandamento di­vino neste assunto era invocar sobre si o juízo divino. É interessante no­tar que esta passagem é um comentário detalhado sobre o segundo mandamento.

16,19. Alguns dos objetos que os homens possivelmente poderiam usar em adoração idólatra são aqui alistados. Exemplos da maioria de­les, se não de todos, poderiam ser encontrados nas religiões dos cananeus, dos egípcios, dos hititas, etc. Divindades astrais, também, eram reconhe­cidas em muitas regiões muito antes da época de Moisés e, certamente muitos séculos antes do aparecimento dos assírios, de quem, segundo muitos eruditos, Israel as teria adotado. Os hititas incluíam regularmen­te certas divindades astrais entre as listas de deuses que eram invocados em seus documentos de tratado para servirem como fiadores do trata­do. 

Quando à questão da distribuição dos povos da terra pelas várias regiões, consultar o comentário sobre 32: 8. Presumivelmente, nas regiões por onde foram distribuídos os homens adoravam deuses variados.

20.A posição peculiar de Israel é agora definida. Deus tirara a na­ção da fornalha do Egito para ser Sua própria herança. A expressão povo de herança (lit. “sua própria possessão”) ocorre em outras passagens tam­bém (7: 6; 14: 2; 26: 18; Êx 19: 5, etc.). O reconhecimento de sua alta posição à vista de Deus deveria ter tido profundas consequências em seu comportamento.

21,22. O juízo que caiu sobre Moisés era uma advertência a Israel quanto às consequências de qualquer comprometimento de sua lealdade absoluta a Javé. Cf. 1:37; 3:26.

23, 24. A possibilidade de que Israel viesse eventualmente a supor­tar seu próprio juízo era sombria. Javé era um fogo devorador, um Deus zeloso (cf 5: 9; 6: 15; Êx 34: 14). O termo zeloso não tem a conotação de ciumento ou invejoso, indicando antes um interesse profun­do e ativo na justiça surgido da santidade de Javé. Devido a tal zelo Javé não podia sequer contemplar o compromisso de Israel com qualquer ou­tro deus. Assim, todas as formas de idolatria eram proibidas.

25-28. Havia o perigo de que o desfrute prolongado das bênçãos da terra resultasse em esquecimento das exigências da aliança, e como resultado, depois de muitos anos, Israel se voltasse à idolatria, provocan­do Javé à ira. Se isso acontecesse, entrariam em operação as maldições da aliança, aqui definidas como morte da nação (26), afastamento da terra (26) e dispersão dos israelitas entre as nações (27). As maldições deste capítulo são semelhantes às do capítulo 28, embora seja a quebra do segundo mandamento a questão tratada, não a violação de toda a lei. Isso, entretanto, seria sintomático da rejeição interior da soberania de Javé. O céu e a terra são invocados como testemunhas da declaração de tais juízos por parte de Javé (30: 19; 31: 28; cf Mq 6: 1, 2). Se tais juízos viessem de fato a cair sobre Israel e a nação fosse exilada, os isra­elitas viram a servir outros deuses em terras estranhas, trocando o Deus vivo, que podia agir em seu benefício, pelas criações sem vida e insensí­veis do próprio homem. Na verdade, mais de uma vez na história de Is­rael partes de seu povo foram levadas para o exílio, notadamente depois da queda de Samaria (2 Rs 17:6) e da queda de Jerusalém (2 Rs 24:14s; 25:10ss.). A advertência divina encontrou assim sua reali­zação.

29-31. Mesmo no sofrimento do exílio Deus poderia ser buscado e encontrado. Uma característica que distinguia a aliança de Javé dos tratados seculares era o fato de um rebelde poder voltar (“arrepender- se”) para Javé e ser perdoado, tendo assim a perspectiva de começar uma nova vida de obediência. No campo secular a rebelião raramente era tra­tada com misericórdia, mesmo se houvesse demonstração de arrependimento. A natureza de Javé, entretanto, era muito diferente da dos reis deste mundo. Ele era um Deus misericordioso, sempre consciente de Sua aliança. Depois da loucura de Israel e de seu castigo Deus concederia o arrependimento, de modo que além do cumprimento das maldições jazia a possibilidade de restauração. A expressão nos últimos dias não precisa ser entendida escatologicamente, mas simplesmente com o sen­tido de “no futuro”. Assim, Javé é um Deus consumidor para o rebel­de (24) mas um Deus misericordioso para o penitente.

Não há necessidade de interpretar estes versículos, como têm fei­to alguns comentaristas, como uma adição pós-exílica ao texto de Deuteronômio. A afirmação é perfeitamente geral e deveria ser entendida no contexto da prática amplamente utilizada de fazer cativos na guerra. Prisioneiros cananeus são representados em monumentos egípcios ante­riores a Moisés, por exemplo. A possibilidade de um eventual cativeiro.



d. Israel, o povo escolhido (4:32-40)

Em que bases poderia Israel ter esperança de restauração? Havia duas: a misericórdia de Deus (31) e o fato de Israel ser um povo favore­cido. Ambos os versículos, 31 e 32, começam com a partícula kí, pois, portanto, e oferecem uma resposta à pergunta. À luz de tais fatos Israel deveria permanecer obediente e desfrutar das bênçãos que Deus planeja­ra para Seu povo.

32, 33. Moisés perguntou ao povo se qualquer outra nação além de Israel, desde a criação do mundo, jamais tivera provas tão claras e di­retas da existência de seu Deus e sobrevivera. O contato direto com a divindade estava eivado de graves perigos. No entanto, maravilha das maravilhas, o abismo entre a santidade de Deus e a rebeldia e o pecado de Israel foi vencido. Isto seria causa de eterna reverência e admiração em Israel (Gn 32: 30; Êx 3: 6; 19: 21; 20: 19; 33: 20; Jz 6: 22, 23; 13: 22). O fato do povo de Israel ter permanecido como um grupo identificável, apesar de ter vivido espalhado entre as nações por mais de dois mil anos é um dos fenômenos mais notáveis da história.

34.Mais uma vez Javé fez 0 que nenhum outro deus poderia fazer. Ele libertou Seu povo das mãos de um poderoso soberano terrestre, con­frontando-o com vários testes e exibindo diante dele sinais e maravilhas, realizando poderosos atos de salvamento perante seus próprios olhos. Para Israel, a prova da existência e da graça de Deus vinha do que Ele fizera por Seu povo tanto quanto de qualquer declaração do fato feita por um profeta. Os atos redentores e salvadores de Javé eram fundamen­tais à fé israelita.

35.As frases Javé é Deus e nenhum outro há senão Ele dão expres­são ao simples fato de que em Israel somente Javé devia ser Soberano {cf. versículo 39). Não havia outro poder no universo que pudesse de­terminar os destinos dos homens sobre a terra. Se tal ponto de vista não é um monoteísmo plenamente desenvolvido, certamente é monoteísmo prático. Não há razão, entretanto, para se duvidar que tal ponto de vis­ta simples e pragmático fosse bem antigo na história de Israel. 

36-39. As duas características do amor de Javé por Israel e a elei­ção dos israelitas são aqui enfatizadas. Elas são reiteradas muitas vezes em Deuteronômio. A capacidade que Javé demonstrou de instruir ou dis­ciplinar o povo (36), de amar a seus antepassados, de escolher seus des­cendentes e libertá-los do Egito (37), e de expulsar os habitantes de Canaã para dar sua terra a Israel (38) leva à conclusão de que Ele é Deus do céu e da terra. Nenhum outro tem tais poderes.

40. Com base nisso, Israel deveria reconhecer a soberania de Javé e obedecer as estipulações de Sua aliança. O resultado de tal reação se­ria o desfrute da bênção de Deus sobre aquela geração de Israelitas e to­dos os seus descendentes. As milagrosas demonstrações de misericórdia no passado e a perspectiva de bênçãos futuras poderiam ser apresentadas enfaticamente como a base de uma avaliação séria da alegação feita por Javé de ser o único soberano sobre toda a terra.

AS CIDADES DE REFÚGIO SÃO SEPARADAS (4:4143)



Pelo fato de Moisés não aparecer falando nesta passagem, mas ser mencionado na terceira pessoa, estes versículos são às vezes considera­dos como um apêndice. Uma comparação com Números 35: 1-14־ suge­re que Moisés aparece aqui executando uma ordem divina. Três cidades foram indicadas na Transjordânia, uma em cada um dos setores, sul, cen­tro e norte, para providenciar asilo para o homem que cometesse homi­cídio involuntário (çf 19: 1-13). Em sociedades nômades a possibilidade da vingança do sangue agia como um freio sobre os homens. Em socieda­des estabelecidas, entretanto havia trâmites legais para o julgamento de tais indivíduos. Até que tais processos fossem estabelecidos, alguma pro­visão deveria ser feita, semelhante àquela descrita nesta passagem. Pare­ce não haver razão de duvidar que tal prática seja antiga e que seria o ti­po de provisão feita por Moisés.