3 de março de 2017

RALPH L. SMITH - A história da teologia do Antigo Testamento (Parte 1)

A história da teologia do Antigo Testamento

A teologia do Antigo Testamento: uma disciplina moderna com raízes antigas

A história da teologia do Antigo Testamento é longa, fascinante e sinuosa. Embora essa disciplina em sua forma moderna mal tenha 200 anos, suas raízes remontam ao próprio Antigo Testamento. Muitos estudiosos do Antigo Testamento datam o início do estudo moderno da teologia do Antigo Testamento com a palestra inaugural de Johann Philipp Gabler na Universidade de Altdorf em 1787. Até a época de Gabler a igreja não fazia distinção entre teologia dogmática e teologia bíblica ou entre teologia do Novo Testamento e teologia do Antigo Testamento. Gabler pensava que se deviam fazer essas distinções. Embora ele não tenha escrito uma teologia do Antigo Testamento, estabeleceu os princípios básicos e o método pelos quais seria possível escrever uma teologia bíblica e uma teologia do Antigo Testamento. Gabler era racionalista e provavelmente estava irritado com o que considerava uma força repressora que a igreja exercia sobre a exegese e sobre a interpretação das Escrituras.

Naquela época talvez só um racionalista poderia pedir ou teria pedido de fato uma separação entre teologia dogmática e bíblica. A separação que se seguiu teve um efeito distorcido. Em vez de estabelecer as doutrinas do Antigo Testamento de modo mais claro, as primeiras teologias do Antigo Testamento filtraram o material teológico do Antigo Testamento com as lentes do racionalismo.

É provável que o primeiro livro a usar o título Teologia do Antigo Testamento tenha sido Theologie des Alien Testaments de G. L. Bauer, publicado em Leipzig em 1796. Bauer também era racionalista; Hayes e Prussner disseram que Bauer avaliava continuamente o material do Antigo Testamento segundo os padrões de sua interpretação racionalista da religião. Desviou-se do seu caminho “para destacar os elementos mitológicos, lendários ou miraculosos nas escrituras hebraicas e para rejeitá-los como superstições de uma raça primitiva”.[1] [2] Joseph Blenkinsopp disse que Bauer obteve a distinção de escrever a primeira teologia do Antigo Testamento e, ao mesmo tempo, de rejeitar como indignos de maior atenção cerca de quatro quintos do Antigo Testamento.2

Lançando a semente da teologia do Antigo Testamento

Para que se possa entender os problemas da teologia do Antigo Testamento e os debates sobre ela, precisa-se começar não com Gabler, mas com o próprio Antigo Testamento. E depois deve-se rastrear a história do uso teológico que vários grupos têm feito do Antigo Testamento através dos séculos.

Os últimos autores do Antigo Testamento fizeram uso teológico de alguns dos escritos mais antigos. Zacarias se referiu várias vezes aos ensinos dos “primeiros profetas” (veja Zc 1.4; 7.7, 12). Ageu devia conhecer a profecia de Jeremias de que Deus retiraria seu “anel do selo” da mão de Jeconias (Jr 22.24-25), quando disse que o Senhor faria de Zorobabel, neto de Jeconias, como um anel de selar (Ag 2.23). Jeremias falou de uma nova aliança (Jr 31.31-34). Outros profetas falaram de um novo êxodo (Is 43.1452.12 ;48.20 ;52.12) e de um novo Davi (Jr 23.5־ 6; Ez 34.23.37.24-27). O precursor do Messias seria uma “vinda” de Elias (Ml 4.5-6).

A comunidade de Qumran interpretava teologicamente o material do Antigo Testamento. Escreveram comentários sobre alguns livros do Antigo Testamento e cantavam hinos baseados em temas do Antigo Testamento. Viam a si mesmos como pessoas que estavam vivendo nos últimos dias e acreditavam que o Antigo Testamento estava sendo cumprido em algumas de suas experiências.

Existem semelhanças e contrastes entre o método de interpretação de Qumran e o usado no Novo Testamento. Ambos reinterpretavam o Antigo Testamento de acordo com sua própria situação. Ambos acreditavam que as profecias do Antigo Testamento continham algo misterioso, cujo significado era revelado a seus líderes (o mestre da justiça no caso da comunidade de Qumran e Jesus para os cristãos do primeiro século). Nenhuma comunidade criou eventos para se adaptar às Escrituras, mas ambas interpretaram as Escrituras de modo que elas se encaixassem nos seus eventos da época.

A principal diferença entre a interpretação do Antigo Testamento em Qumran e a dos autores do Novo Testamento está em o povo de Qumran ainda esperar pelo Messias. No Novo Testamento as pessoas afirmavam que ele já tinha vindo. Além disso, os escritores do Novo Testamento entendiam que os gentios estavam incluídos na promessa abraâmica (Rm 9.24-26; IPe 2.10). Tal aplicação das Escrituras do Antigo Testamento —estendendo aos gentios privilégios iguais dentro da aliança abraâmica— teria sido inaceitável para a seita de Qumran.[3]

O Novo Testamento fez uso teológico do Antigo Testamento. Dos 27 livros do Novo Testamento, apenas Filemom não mostra nenhuma relação direta com o Antigo Testamento. Henry Shires disse que se todas as influências do Antigo Testamento fossem retiradas do Novo Testamento, este iria “consistir de trechos pequenos e sem sentido”.[4] Os escritores do Novo Testamento nunca questionam a natureza escriturística do Antigo Testamento; tampouco elaboram um sistema teológico a partir dele.[5]

Jesus falou com autoridade, originalidade, novidade e liberdade ao lidar com as Escrituras do Antigo Testamento. Ele se colocou acima delas; não considerava o Antigo Testamento completo ou a última palavra de Deus, mas aceitava-o como as primeiras palavras de Deus. Jesus disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5.17).

Em cinco exemplos no Sermão do Monte, Jesus colocou sua autoridade acima da Lei, não para anular ou ab-rogar a Lei, mas para preenchê-la com um significado mais elevado e pleno (Mt 5.21-22, 27-28, 33-35, 38-39, 43-45).

Paulo fez uso teológico do Antigo Testamento. Sustentou sua doutrina de justificação pela fé fazendo referência a Habacuque 2.4 (veja Rm 4.3; G1 3.6). Fez citações a partir de vários salmos como evidência de que “todos pecaram” (Rm 3.10-18). Outros escritores do Novo Testamento fizeram uso teológico do Antigo Testamento (lPe 1.10-12; Hb 1.1; 10.1), mas em nenhum lugar apresentam uma teologia do Antigo Testamento. Mateus, por exemplo, referiu-se a muitas passagens do Antigo Testamento para tentar convencer os judeus de que Jesus era o Messias.

A igreja primitiva derrotou o marcionismo e reteve todo o Antigo Testamento como suas Escrituras, mas não concentrou toda a sua atenção nele. A igreja continuou a pesquisar as Escrituras, mas não escreveu comentários sobre ele como fez a comunidade de Qumran. Jesus, não o Antigo Testamento, era o centro da fé da igreja primitiva.

Quando Paulo se tomou o apóstolo dos gentios, surgiu uma contenda sobre a necessidade de exigir dos convertidos gentios a observância das leis judaicas no Antigo Testamento. O concilio de Jerusalém decidiu que as leis da aliança de Moisés não deveriam ser aplicadas aos cristãos gentios. “Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais: que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde” (At 15.28-29).

Muitos antigos pais da igreja não mantiveram a perspectiva neotestamentária do Antigo Testamento. Envolveram-se em amargas controvérsias com alguns judeus e com grupos heréticos antigos. Usavam o Antigo Testamento para defender sua fé e como uma fonte para seu ensino, mas ao fazê-lo recorriam muitas vezes ao uso excessivo de alegoria e tipologia.

O autor da Epístola de Barnabé (cerca de 130 d.C.) considerava o Antigo Testamento um livro de parábolas e um depósito de mistérios que não podiam ser entendidos pelos judeus nos tempos do Antigo Testamento. Barnabé encarava o bode emissário (Lv 16.10) como um tipo de Cristo. A lã escarlate com que ele era coroado apontava para o manto escarlate de Cristo em seu julgamento. Barnabé encarava a novilha vermelha de Números 19.2-3 como um tipo de Cristo. Para ele, os 318 homens no exército de Abraão apontavam para a crucificação, pois o número “trezentos” em grego é representado pela letra tau, que tem a forma de uma cruz. Os números “dez” e “oito”, totalizando dezoito, são representados pelas letras iota e eta, as duas primeiras letras no nome de Jesus.

Tais extremos na interpretação do Antigo Testamento eram uma característica dos primeiros séculos da igreja cristã. Só uns poucos lugares, como a escola de Antioquia (e mesmo ali apenas por curto tempo), viram algum esforço real por interpretar o Antigo Testamento à luz de seu contexto histórico. A teologia do Antigo Testamento em seu sentido moderno não poderia existir em tal ambiente religioso.

O Antigo Testamento não teve melhor sorte na Idade Média do que teve nos tempos mais antigos. Na realidade, ele foi quase completamente ignorado ou esquecido. Os textos gregos e hebraicos não constituíam mais a base do estudo bíblico. Mesmo os estudiosos liam apenas a antiga versão latina (a Vulgata). A Idade Média enfatizava a autoridade da igreja, não da Bíblia. Os estudiosos simplesmente sistematizavam o que os pais da igreja haviam dito, dando pouca atenção às Escrituras. A igreja nada fazia para encorajar a pesquisa ou a busca de novas verdades na Palavra. O mundo medieval era estático. O menor desvio de qualquer ensino da igreja naqueles dias traria sobre a cabeça do inovador a condenação da igreja, condenação que os cristãos medievais temiam mais do que qualquer outra coisa.

Na Idade Média os estudiosos ensinavam que toda passagem das Escrituras tinha quatro significados: literal ou histórico; alegórico ou teológico — aquilo em que devemos crer; moral ou tropológico — o que devemos fazer; e espiritual ou anagógico — para onde estamos nos dirigindo. Pode-se ver um exemplo dos quatro significados nos vários sentidos atribuídos à palavra “maná”. Literalmente, maná era o alimento que Deus fornecia de modo miraculoso para os israelitas no deserto. Alegoricamente, era o sacramento bendito na eucaristia. Tropologicamente, era a substância espiritual diária da alma mediante o Espírito de Deus que nela habita. E anagogicamente, ele se tomou o alimento das almas benditas no céu — a “visão beatífica” e a união perfeita com Cristo. Essa era a situação na igreja romana desde cerca de 800 até 1500. Esse tipo de hermenêutica não podia produzir uma teologia do Antigo Testamento.

A longa e escura noite do período medieval terminou com o início da Renascença. A Renascença começou provavelmente na Itália pouco depois de 1300 como um avivamento do aprendizado acerca de artes, ciências e literatura clássica do mundo antigo grego e latino. Espalhou-se para outros países durante os séculos subsequentes (1400 a 1600) e marcou a transição do mundo medieval para o moderno.

Uma característica distintiva da Renascença foi a redescoberta do valor e da individualidade das pessoas. Na Idade Média o indivíduo era um dente de engrenagem na maquinaria da humanidade. Reventlow conta que, para alguns, a Renascença foi o clímax na história do espírito humano. Trazido à vida pela redescoberta da antiguidade, a Renascença encontrou as forças do novo individualismo em toda parte —na política, na arte e na educação. Fluiu o entusiasmo por estética, liberdade de pensamento, seriedade moral, paixão desenfreada, desejo de vingança sangrenta e ascetismo —tudo junto, numa justaposição inimitável. Podemos também encontrar nessas atitudes o germe de uma alienação firmemente arraigada da religião tradicional.[6]

O que acontecia com o Antigo Testamento em meio a tudo isso? Foi redescoberto como um dos “clássicos”. Alguns estudiosos judeus haviam mantido certa familiaridade com a Bíblia Hebraica. Um judeu convertido, Nicolau de Lyra (cerca de 1340), defendia um novo método de interpretar as Escrituras. Lyra dizia que o significado literal ou histórico era o único significado verdadeiro das Escrituras. Lyra parece ter influenciado Martinho Lutero em seu rompimento com a visão quádrupla da interpretação da Bíblia. Lutero, porém, começou com um princípio bem diferente daquele que busca o sentido literal de cada passagem das Escrituras.

É provável que John Wycliffe tenha influenciado a visão de Lutero acerca da Bíblia mais do que Lyra. Wycliffe (1328-1384), formado em Oxford e monge agostiniano, seguia o ensino de Agostinho segundo o qual a verdadeira igreja era composta por aqueles que Deus escolheu para a salvação e não necessariamente pelos que estão na Igreja Católica Romana. Baseado nesse ensino, a filiação numa igreja visível e a participação em seus sacramentos nada tinham que ver com a salvação. Isso tomava desnecessário todo o sistema católico. A denúncia amarga de Wycliffe contra o papa como o Anticristo e contra os pecados do clero preparou o caminho para a revolta. Mesmo efeito teve o seu apelo à Bíblia como autoridade última.

Lutero, assim como Wycliffe, enfatizou não tanto o significado literal das Escrituras, mas a autoridade das Escrituras acima da autoridade do papa e da igreja. Continuou a usar a alegoria ao interpretar o Antigo Testamento e não fez nenhuma distinção entre a autoridade dos dois Testamentos. Para ele, o Antigo Testamento continha a plena revelação de Cristo. No prefácio à edição de 1523 de sua tradução, escreveu:

Aqui (no Antigo Testamento) encontrarás as faixas e a manjedoura em que Cristo está deitado —pobres e de pequeno valor são as faixas, mas caro é o Cristo, 0 tesouro que nelas está deitado.[7]

De novo, na mesma obra, escreveu:

Moisés é a fonte de toda a sabedoria e entendimento, da qual jorra tudo o que é conhecido e dito por todos os profetas. O Novo Testamento também flui dele, e nele está fundado. —Se desejas interpretar bem e com segurança, toma Cristo para ti; pois ele é 0 único homem ao qual tudo se refere. Assim, portanto, não vejas ninguém no sumo sacerdote Arão, senão somente Cristo.[8]

Isso parece alegoria ou tipologia, e é mesmo. Mas ao reivindicar que se deixasse a Bíblia falar por si, Lutero fez avanços em relação àqueles vieram antes dele.

João Calvino foi mais longe que Lutero na aplicação do princípio de que toda passagem bíblica tem apenas um significado literal. Calvino lançou os alicerces para a exegese histórica insistindo que toda passagem bíblica deve ser interpretada de acordo com seu próprio contexto histórico. De fato, Calvino era um expositor tão histórico dos profetas, a ponto de seus adversários referirem-se a ele como “o judaizante Calvino”. No tratamento doutrinário do Antigo Testamento, porém, ele tomou uma posição tão rígida quanto a de Lutero.

Para Calvino, a diferença entre os Testamentos não estava em suas doutrinas, mas em suas forma. Calvino cristianizou o Antigo Testamento de tal maneira que quase perdeu a visão da novidade do evangelho. Para ele, a diferença entre as duas revelações estava apenas no nível de clareza. Uma vez que nem a Reforma detectou a verdadeira relação entre os Testamentos, nenhum reformador tentou escrever uma teologia do Antigo Testamento.

Um período de escolasticismo protestante veio imediatamente após a Reforma. Em seus vigorosos debates com os católicos romanos, os protestantes desenvolveram um autoritarismo tão rígido quanto o da igreja romana, com a única diferença de que os protestantes tinham na Bíblia a sua autoridade final. Contestavam com firmeza qualquer pessoa ou movimento que desafiasse sua visão das Escrituras, chegando até mesmo a alegar que toda palavra e toda letra do texto original era inspirada —incluindo os pontos vocálicos do hebraico.

Em 1538 um estudioso judeu, Elias Levita, desafiou essa visão e sustentou que os pontos vocálicos não faziam parte dos textos hebraicos originais. Johann Buxtorf e seu filho, da Universidade de Basiléia, debateram duramente por muito tempo para defender a visão ortodoxa, mas no final perderam a causa. Sabemos agora a partir de descobertas como a dos manuscritos do Mar Morto que o texto hebraico original não tinham sinais vocálicos. Estes foram inventados pelos massoretas entre 500 e 800 d.C.

Para os católicos, o “argumento a partir das Escrituras” começou pouco tempo depois de 1500, na época do Concilio de Trento. Começou principalmente como uma resposta à controvérsia com os protestantes ou nas controvérsias entre jesuítas e dominicanos. Joseph Blenkinsopp deu a entender que uma das razões pelas quais a Bíblia foi dividida em versículos nesse período foi “o propósito de fornecer munição rápida para fins de controvérsia”.[9] [10]

Além de Lutero e Calvino, outros grupos desafiaram a visão tradicional das Escrituras, incluindo os anabatistas e socinianos. Os anabatistas em geral rejeitavam o Antigo Testamento como autoridade para os cristãos, alegando que ele era um livro destinado apenas para os judeus. Acreditavam também que o Antigo Testamento não contém nenhuma crença em imortalidade do indivíduo." Os socinianos admitiam o caráter divino do Antigo Testamento, mas sustentavam que agora ele era apenas de interesse histórico e não essencial para a doutrina cristã.[11]

Os anabatistas e socinianos foram os primeiros de muitos a tentar romper com a tradição em direção a uma abordagem mais objetiva do Antigo Testamento —um tratamento que conduz por fim à verdadeira teologia do Antigo Testamento. Pouco depois de 1600 George Calixtus negou que o Antigo Testamento contém a doutrina da trindade. Outros tentaram voltar à Bíblia como fonte principal de sua teologia. Desses, os mais proeminentes foram Cocceius (1603-1669), líder dos pietistas, e G. C. Storr, fundador da “Antiga Escola de Tübingen”.[12]

Juntamente com esses homens e movimentos, as universidades se tornaram centros para publicação de textos-prova —(dieta probaníia) extraídos de todas as partes da Bíblia para sustentar a doutrina ortodoxa. Dentan disse que embora a maioria das obras escritas a partir desse ponto de vista fosse inexpressiva e artificial no tratamento da Bíblia, esses livros “continham a semente do interesse a partir do qual se devia desenvolver o estudo da teologia bíblica, e o último deles, um tratado por Carl Haymann (1768), era de fato intitulado Biblische Theologie”.[13]

A germinação e o crescimento da teologia do Antigo Testamento

Se a semente do interesse na teologia bíblica pode ser vista nas obras dos que usaram textos-prova para sustentar a doutrina ortodoxa, ela foi nutrida pelos que usaram textos-prova para criticar a ortodoxia. O método de textos-prova nunca poderia produzir uma verdadeira teologia do Antigo Testamento. A teologia do Antigo Testamento é basicamente uma disciplina histórica e descritiva. Só depois da descoberta dos princípios histórico-gramaticais de interpretação é que poderia ser escrita uma verdadeira teologia do Antigo Testamento. Isso não ocorreu até a Era da Razão.

A Era da Razão foi uma consequência da Renascença e da Reforma. Os cruzados tinham redescoberto os clássicos gregos na ciência e na filosofia. Os pioneiros da ciência moderna, orientando-se a partir dos antigos clássicos gregos, começaram a desafiar as teorias tradicionais acerca do universo. Copémico (1473­1543) insistiu que o sol, não a terra, era o centro do universo; e Sir Isaac Newton (1642-1727) via o mundo como uma máquina movida por leis naturais. Os deístas ingleses, tais como Lord Herbert de Cherbury e Thomas Hobbes (1588-1679), não negavam a existência de Deus, mas excluíram da história e da natureza a revelação, os milagres e o sobrenatural.

O deísmo inglês não sobreviveu, mas o racionalismo alemão, sim. J. D. Michaelis (1717-1791) e J. D. Semler (1725-1792) foram figuras fundamentais na aplicação dos princípios do racionalismo à Bíblia. A Era da Razão descobriu o princípio histórico-gramatical de interpretação das Escrituras, desenvolveu habilidades e instrumentos apropriados para a pesquisa e libertou da autoridade da igreja e do estado os estudiosos da Bíblia e os teólogos.

Johann Philipp Gabler foi o primeiro racionalista a clamar por uma disciplina de teologia bíblica em separado das outras. Acreditava que muita confusão no mundo cristão era provocada em grande parte pelo uso impróprio da Bíblia e pelo fato de os ministros da igreja não fazerem distinção entre a teologia dogmática e a religião histórica simples da Bíblia. Em sua palestra inaugural na Universidade de Altdorf, em 30 de março de 1787, intitulada “De iuso discrimine theologiae biblicae et dogmaticae regundisque recte utriusque fmibus” (“Da distinção correta entre as teologias bíblica e dogmática e da determinação adequada dos alvos de cada uma delas”), Gabler pediu a separação das duas disciplinas. Por essa razão, ele é muitas vezes chamado o pai da teologia bíblica.

Para Gabler, a teologia dogmática é didática e normativa em caráter e ensina o que um teólogo em particular decide acerca de uma matéria de acordo com seu caráter, tempo, idade, lugar, seita ou escola. A teologia bíblica é histórica e descritiva em caráter, transmitindo o que os escritores sagrados pensavam acerca de assuntos sagrados.

Gabler estabeleceu os princípios para fazer a teologia bíblica. Disse que o teólogo bíblico deve primeiro estudar cada passagem das Escrituras separadamente de acordo com os princípios histórico-gramaticais de interpretação. Segundo, deve comparar as passagens específicas das Escrituras umas com as outras, observando diferenças e semelhanças. Terceiro, deve sistematizar ou formular ideias gerais sem distorcer o material nem obliterar distinções.

Gabler inspirou muitos estudiosos a escrever teologias bíblicas. G. L. Bauer (1755-1806) foi o primeiro a publicar uma teologia do Antigo Testamento.[14] A organização desse livro em três seções —teologia, antropologia e cristologia— mostrou que Bauer continuava a depender das rubricas da teologia dogmática. Sua interpretação dos dados bíblicos, porém, era ingenuamente racionalista. “Qualquer idéia de revelações sobrenaturais de Deus por meio de teofanias, milagres ou profecias deve ser rejeitada, uma vez que essas coisas são contrárias à razão sadia e podem-se encontrar facilmente seus paralelos entre os povos.[15]

O campo da teologia bíblica foi ocupado quase exclusivamente por racionalistas durante cinquenta anos depois da palestra de Gabler. Os racionalistas libertaram a teologia bíblica da influência desordenada da teologia dogmática, mas colocaram-na imediatamente debaixo da tirania do racionalismo.

A influência da filosofia sobre a teologia do Antigo Testamento pode ser sentida no afastamento de W. M. L. de Wette do racionalismo extremo. Com a publicação de Biblische Dogmatick em 1813, tentou colocar-se acima tanto do racionalismo como da ortodoxia para alcançar uma unidade mais elevada da fé e do sentimento religioso. De Wette recebeu forte influência de Jacob Fries, seu professor e colega na Universidade de Jena. Fries, tal como Schleiermacher, foi educado pelos irmãos morávios e tinha fortes sentimentos religiosos. O pensamento de Fries, porém, era mais kantiano. Pode-se ver a influência de Kant também na obra de de Wette. Para de Wette, revelação significava “qualquer idéia religiosa verdadeira expressa em linguagem ou símbolo”.[16] Tais idéias verdadeiras, segundo de Wette, não podem aparecer sem o Espírito de Deus atuando mediante a razão. O pensador, portanto, deve sempre estar consciente da dependência desse poder mais elevado.

Três filósofos extraordinários que trabalharam na Europa durante a primeira parte do século XIX exerceram um efeito tremendo sobre a teologia do Antigo Testamento. Foram eles Friedrich Schleiermacher (1768-1834), pai da teologia moderna, George Wilhelm Hegel (1770-1831) e Soren Kierkegaard (1813­1855). Schleiermacher foi um influente pastor em Berlim, que fez do sentimento de dependência a base da fé cristã. Schleiermacher tinha um baixo conceito do Antigo Testamento. “Para ele, foi por mero acidente histórico que o cristianismo se desenvolveu do solo do judaísmo.”1

Hegel foi colega de Schleiermacher e de de Wette na Universidade de Berlim. A característica mais importante da filosofia de Hegel é a sua natureza dialética. Para Hegel, todas as coisas no mundo têm o seu oposto, toda tese, a sua antítese. Cada tese e antítese se juntam para formar uma síntese, que se torna uma nova tese para um estágio mais elevado de pensamento ou ser. Assim, segundo Hegel, a idéia do desenvolvimento de um estágio mais baixo para um mais alto era a chave para a compreensão do segredo do universo. O efeito de tal filosofia revolucionou nosso entendimento de quase todas as áreas da vida, incluindo o estudo da teologia do Antigo Testamento.

A teoria de desenvolvimento de Hegel foi quase imediatamente aplicada ao Antigo Testamento por seu aluno e colega, Wilhelm Vatke, que publicou Biblische Theologie em 1835. Por causa de seu estilo e terminologia filosóficos e de sua visão extremamente nova e crítica do Antigo Testamento a obra não teve aceitação geral. Embora sua influência não tenha sido notada por quase 25 anos, essa aplicação da filosofia de Hegel ao estudo do Antigo Testamento levou ao estabelecimento, por Wellhausen, da moderna hipótese documentária do Pentateuco e, por fim, à morte da teologia do Antigo Testamento.

Seren Kierkegaard, o “Dinamarquês Melancólico”, rejeitou a dialética de Hegel com sua ênfase no racionalismo em favor de uma ênfase existencial na experiência. A questão central para Kierkegaard era: “Que significa ser cristão —na cristandade?” Ele via no Cristianismo a verdade que os homens não conseguem descobrir por si mesmos. Kenneth Scott Latourette disse sobre Kierkegaard:

Ele rejeitou de modo veemente o hegelianismo com suas tentativas de alcançar a verdade mediante a razão humana. Para ele, falar da racionalidade do cristianismo era traição, porque isso sujeitava a auto- revelação do Deus infinito a padrões humanos. Cristianismo, sustentava, não pode ser verificado pela mente humana; é um escândalo, uma pedra de tropeço, para nossas faculdades intelectuais. Dava ênfase ao caráter paradoxal do cristianismo. A nota central da fé cristã é Deus no tempo; isso, contudo —declarou— é pura contradição, pois Deus é eterno por definição. Diante de Deus o homem é sempre um pecador e tanto o seu melhor como o seu pior se colocam debaixo do julgamento de Deus e precisam do perdão divino. Entre o Deus sem pecado e o homem pecaminoso abre-se um profundo abismo. Contudo, o paradoxo é resolvido em Deus e por Deus. O que é impossível para a razão humana foi feito por Deus. O Eterno entra no tempo: o Filho de Deus se toma encarnado, unindo os dois elementos irreconciliáveis, Deus e homem. Fez isso incógnito e em fraqueza. A cruz é uma ofensa tanto para a razão do homem como para o seu senso moral. Pelo salto da fé sacrificamos nosso intelecto e aceitamos o que Deus fez por nós. Kierkegaard foi atingido pelo contraste entre “cristandade” e as exigências de Cristo. Para ele a cristandade é uma ilusão prodigiosa: ela matou o cristianismo.”



Os conservadores entraram no campo da teologia bíblica cerca de 50 anos após a palestra de Gabler. O primeiro conservador no campo da teologia bíblica foi E. W. Hengstenberg. Ele foi educado na tradição reformada e exposto a fortes influências racionalistas como estudante da Universidade de Bonn. Reagindo ao racionalismo extremo da universidade, experimentou mudança marcante em sua visão em 1823 quando entrou na escola Missionária de Basiléia. Em 1824 foi da escola Missionária para a Universidade de Berlim. Já era profundamente piedoso, “cheio de zelo pela ortodoxia e pronto para combater com forte mão toda forma de erro”.[17] [18]

O pietismo contava com o favor da corte real de Frederick William III (1770-1840), de modo que a promoção de Hengstenberg foi rápida e fácil. Em 1825 tomou-se membro do corpo docente de Berlim, opondo-se aos colegas Vatke, Schleiermacher, Bleek, Hegel e Neander. Em 1827 começou a publicação de “Evangelical Church Review”. Era dedicado defensor do rei e de outras causas conservadoras. Seu ódio à democracia e ao governo constitucional levou-o a apoiar os estados do sul dos EUA em defesa da escravidão e a condenar amargamente o presidente Lincoln.[19]

Hengstenberg não escreveu nenhuma teologia do Antigo Testamento, mas publicou Christology of the Old Testament, em 4 volumes, um comentário sobre as profecias messiânicas do Antigo Testamento. A publicação dessa obra marcou um vigoroso e novo despertar da visão estritamente ortodoxa da Bíblia. Hengstenberg rejeitava qualquer idéia de progresso real na revelação, quase não fazendo distinção entre os Testamentos e apresentando uma interpretação “espiritual” das profecias do Antigo Testamento que quase ignora qualquer consideração de sua referência original.[20]

H. A. C. Havemick, aluno de Hengstenberg e jovem professor em Kõnigsberg, escreveu Vorlesungen über die Theologie des Alien Testaments (1848), obra bem conservadora com algumas percepções novas e estimulantes. Ele exigia o uso dos métodos históricos objetivos no estudo do material, mas reconhecia que estes por si não dariam resultados adequados. O estudante deve ter uma “atitude teológica” que vem por meio da fé e da experiência. Havemick disse que Deus revela a si mesmo não em idéias abstratas, mas numa série de atos que formam um todo orgânico em desenvolvimento.

Neste último ponto Havernick estava muito perto de outro extraordinário estudioso conservador desse período, J. C. K. von Hofmann (1810-1877), de Erlangen. Von Hofmann foi um dos pilares na formação da história da salvação, ou Heilsgeschichte, escola do século XIX. Segundo Hofmann, a Bíblia é um registro linear da história da salvação em que o Senhor ativo da história é o Deus triúno, cujo propósito e meta é redimir a humanidade. Em seu livro Promise and Fulfillment, von Hofmann argumentou que o Antigo e o Novo Testamentos mantêm entre si a relação de profecia e cumprimento, mas destacou que Cristo foi o cumprimento de toda a história de Israel. A abordagem da fé bíblica segundo o ponto de vista da história da salvação tem exercido tremenda influência através dos anos e pode ser vista em obras de estudiosos mais recentes como G. E. Wright e Gerhard von Rad.

Gustav Friedrich Oehler (1812-1872), de Tübingen, dominou o estudo do Antigo Testamento até 1875. Aluno de Steudel, um racionalista, recebeu forte influência de Hegel. Criticou seu professor por não ver que a religião hebraica tinha apresentado crescimento orgânico. Publicou seu Prolegomena to Old Testament Theology em 1845, mas seu livro mais longo sobre a teologia do Antigo Testamento foi publicado postumamente por seu filho, Theodor Oehler, em 1873. Apresentou o material em três partes: Mosaísmo, Profetismo e Sabedoria. O livro Old Testament Theology de Oehler foi a primeira obra do gênero a ser traduzida para o inglês (1874-1875).

A morte da teologia do Antigo Testamento e o triunfo da Religionsgeschichteschule

O ano de 1878 marca o início do período de fracasso da teologia do Antigo Testamento. Naquele ano Julius Wellhausen publicou seu Prolegomena zur Geschichte Israels, culminação lógica da abordagem genética e desenvolvimentista da história da literatura e religião de Israel. Baseando sua obra na de Graf e Keunen, que o precederam, Wellhausen afirmou que os profetas do Antigo Testamento viveram antes da outorga da Lei. Ele chegou a essa conclusão em parte por meio de seu estudo do Antigo Testamento, ao julgar que os livros de Josué, Juízes, Samuel e Reis mostram pouco conhecimento das leis do Pentateuco, e em parte por causa de sua pressuposição de que todas as coisas se movem do simples para o complexo e da liberdade para o autoritarismo.

Wellhausen acreditava que a religião do Antigo Testamento desenvolveu-se a partir da religião natural. Por trás dos sacrifícios e rituais de Israel estavam as festas agrícolas de seus vizinhos pagãos. Ele pensava que o antigo estágio agrícola da religião de Israel ainda podia ser visto nas fontes mais antigas da literatura de Israel.[21] Segundo Wellhausen, Deuteronômio fez com que essas festividades agrícolas parecessem históricas e as amarrou à história da redenção.

Ele não encontrou apenas uma teologia no Antigo Testamento, mas muitas teologias diferentes, todas seguindo a linha de desenvolvimento. A teologia que se encontra agora no Pentateuco é uma retroprojeção da fé posterior de Israel sobre o período mais antigo. Embora algumas teologias do Antigo Testamento continuassem a ser publicadas depois da obra de Wellhausen, eram em grande parte resultantes do período anterior.

Nos países de língua inglesa bem pouco havia sido feito no campo da teologia bíblica antes de Wellhausen. A primeira obra extensa em inglês sobre teologia do Antigo Testamento foi The Theology of the Old Testament de A. B. Davidson, publicada em 1904. Embora tenha alguns aspectos indesejáveis, em grande parte por ter sido editada postumamente por um ex-aluno, continua uma obra útil. Se Davidson tivesse editado seu próprio livro, poderia ter-lhe dado outra forma. Ele dá a entender isso muito bem quando diz no capítulo inicial:

[...] embora falemos em teologia do Antigo Testamento, tudo o que podemos tentar é apresentar a religião ou as idéias religiosas do Antigo Testamento. Da forma como se viam na mente do povo hebreu e expostas em suas Escrituras, essas idéias não constituem por enquanto nenhuma teologia. Não existe nelas nenhum sistema de nenhuma espécie. [...] Não encontramos uma teologia no Antigo Testamento; encontramos uma religião. [...] Somos nós mesmos que criamos a teologia quando damos a essas idéias e convicções religiosas uma forma sistemática ou ordenada.

Portanto, nosso assunto é na realidade a História da Religião de Israel representada no Antigo Testamento.[22]

Ainda assim, Davidson apresentava suas aulas em forma de teologia sistemática e organizou seu livro do mesmo modo.

Duas outras obras importantes sobre a teologia do Antigo Testamento foram publicadas nesse período de “hibernação”. The Religious Ideas of the Old Testament, de H. Wheeler Robinson, e The Religious Teachings of the Old Testament, de A. C. Knudson, foram publicadas em 1913 e 1918 respectivamente. Nenhum desses livros é abrangente nem tinha sobre si o título “teologia do Antigo Testamento”. Ambos seguem os padrões da teologia sistemática na apresentação do material.

Vários volumes sobre a religião de Israel foram publicados durante esse período, tais como os escritos por R. L. Ottley, The Religion of Israel;[23] Karl Marti, The Religion of the Old Testament;[24] W. Ο. E. Oesterley e Theodore E. Robinson, Hebrew Religion: Its Origin and Development;[25] [26] e Harry Emerson Fosdick, A Guide to Understanding the Bible? Todos esses volumes seguiram a abordagem desenvolvimentista de Wellhausen até o movimento chegar à sua conclusão lógica. Walter Eichrodt disse que o livro de Fosdick representava o fim de uma era.

O autor escreveu, para dizer francamente, o obituário de toda uma corrente de abordagem erudita e método de investigação. [...] Embora nenhum estudioso treinado de hoje vá negar a grande importância do princípio evolucionário na história, muito menos o seu valor em elucidar muitos fenômenos aparentemente enigmáticos da literatura bíblica, temos hoje viva consciência do perigo de pressupor a evolução unilinear das instituições ou idéias.[27]

James Smart disse que a teologia do Antigo Testamento “adoeceu, morreu e foi sepultada silenciosamente quando começava o século XX”.[28] As causas da morte ou do fracasso da teologia do Antigo Testamento são várias. A obra de Wellhausen, uma das principais causas, dava ênfase à variedade de teologias no Antigo Testamento e negava destaque à sua unidade. Outra causa foi a reação contra os estudiosos mais antigos que enxergavam no texto suas pressuposições teológicas em quantidade excessiva. Nesta nova era, os estudiosos tentavam ser totalmente objetivos em sua abordagem das Escrituras. O terceiro fator que causou a morte da teologia do Antigo Testamento foi a falta generalizada de interesse na teologia per se no início do século XX. Os estudiosos do Antigo Testamento voltaram sua atenção antes para o estudo da arqueologia, das línguas semíticas e das religiões comparadas.

Por quase vinte e cinco anos depois de Davidson publicar seu Old Testament Theology em 1904, fez-se muito pouco nesse campo. Mas no começo da década de 1930 uma nova corrente de dados começou a aparecer, corrente que se tomou um verdadeiro dilúvio por volta de 1950.5.








2 Hayes e Prussner, 69. 


[2] Blenkinsopp, "Old Testament Theology and the Jewish-Christian Connection”, 3. 


[3] Veja discussão sobre como a comunidade de Qumran usava o Antigo Testamento em Ralph L. Smith, Micah- 

Malachi, WBC 32, 179-180; e F. F. Bruce, Biblical Exegesis in the Qumran Texts. 


[4] Finding the Old Testament in the New, 15. 


[5] VejaC. H. Dodd, According to the Scriptures, 12. 


[6] Veja H. G. Reventlow, The Authority of the Bible, 10. 


[7] Citado por G. F. Oehler, Theology of Old Testament, 24. 


[8] Citado por Oehler, 2. 


[9] A Sketchbook of Biblical Theology, 6. 


" Veja Emil G. Kraeling, The Old Testament Since the Reformation, 22. 


[11] Ibid., 40. 


[12] Dentan, Preface to Old Testament Theology, 16-17. 


[13] Ibid., 418. 


[14] Theologlt des Allen Testaments, Leipzig, 1796. 


[15] Dentan, Preface to Old Testament Theology, 27. 


[16] Biblische Dogmatick, 25. 

11 Dentan, Preface to Old Testament Theology, 35. 


” Nineteenth Century in Europe, 143-144. 


[18] A. H. Newman, A Manual of Church History II, 556. 


[19] Ibid., 558. 


[20] Dentan, Preface to Old Testament Theology, 41. 


[21] Prolegomena to the History of Israel, 83-120. 


[22] The Theology of the Old Testament, 11. 


[23] Cambridge: The University Press, 1905, 3* ed. 1926. 


[24] Trad. G. A. Bienmann (New York: G. P. Putnam’s Sons, 1907). 


[25] London: SPCK, 1930. 


[26] New York: Harper and Brothers, 1938. 


[27] Eichrodt, "Review: λ Guide to Understanding the Bible, 205. 


[28] "The Death and the Rebirth of Old Testament Theology", 1.