30 de março de 2017

A transposição do abismo gramatical

danilo moraes
Um fato característico da Reforma foi o retomo à interpretação histórica e gramatical das Escrituras. Esse método contrapunha-se radicalmente ao esquema de interpretação bíblica que vinha sendo utilizado havia séculos: a concepção que desprezava o sentido gramatical normal dos termos e permitia que os leitores atribuíssem a palavras e frases o significado que desejassem.
                                 
As palavras, expressões e frases da Bíblia adquiriram muitos significados na Idade Média, e a objetividade foi-se perdendo. “Então, como a Bíblia podia ser uma revelação divina clara?”, perguntavam os reformadores.
Eles argumentavam que Deus havia transmitido sua verdade por escrito, empregando palavras e frases cujo sentido normal, evidente, o homem deveria ser capaz de compreender. Portanto, quanto melhor entendermos a gramática bíblica e o contexto histórico em que aquelas frases foram inicialmente comunicadas, tanto mais compreenderemos as verdades que Deus quis transmitir-nos.
Por que a interpretação gramatical é importante?
Vários fatores destacam a importância de atentar para a gramática bíblica (os significados de palavras e frases e a maneira como são combinadas).
A natureza da inspiração
Se cremos que a Bíblia foi verbalmente inspirada, então acreditamos que cada palavra nela contida é importante. Talvez nem todas as palavras e frases tenham a mesma importância, mas todas elas têm uma finalidade. Do contrário, por que Deus as teria incluído?

A interpretação gramatical é o único método que respeita integralmente a inspiração verbal das Escrituras. Se uma pessoa não acredita que a Bíblia foi verbalmente inspirada, seria uma contradição e no mínimo estranho se ela se preocupasse com os aspectos gramaticais.
O objetivo da exegese
O objetivo da exegese bíblica é descobrir o que o texto diz e quer dizer, e não atribuir-lhe outro sentido. Como disse João Calvino: “A primeira preocupação do intérprete é permitir que o autor diga o que ele realmente disse, em vez de lhe impor o que acha que ele devia dizer”. Os pensamentos são expressados por meio de palavras, e as palavras são os elementos que constituem as frases. Assim sendo, para descobrir os pensamentos de Deus, precisamos estudar suas palavras e como elas são combinadas nas frases. Se negligenciarmos os significados das palavras e a maneira como são empregadas, não teremos como saber quais interpretações são corretas. A afirmação de que é possível atribuir à Bíblia o sentido que se deseja só é verdadeira quando se despreza a interpretação gramatical.
O problema da comunicação
Já se constatou que um cidadão brasileiro comum usa 30 000 palavras por dia em conversas normais. É muita conversa! Quando mais uma pessoa falar, maior será a probabilidade de ser mal interpretada. Um orador ou escritor pode ser mal interpretado se os ouvintes ou leitores não souberem exatamente o que ele quis dizer com determinada palavra ou frase. Às vezes, numa conversa, uma pessoa diz para a outra: “Ah, eu pensei que você estava querendo dizer isso”. Fica mais fácil comunicar o que se quer dizer acrescentando outras palavras.
Nossa meta no estudo bíblico é descobrir com a maior exatidão possível o que Deus quis dizer com cada uma das palavras e frases que colocou nas Escrituras. Para muitos leitores, o problema agrava-se pelo fato de a Bíblia ter sido escrita em outras línguas. Como, então, poderemos conhecer exatamente o significado sem saber hebraico, aramaico e grego?
Suponhamos que você abra uma Bíblia escrita em alemão e leia o seguinte: “Denn also hat Gott die Welt geliebt, dass er seinen eingebomen Sohn gab, auf dass alie, die an ihn glauben, nicht verloren werden, sondem das ewige Leben haben”. Se você não souber alemão e quiser conhecer o sentido das palavras, há duas opções. Uma é aprender alemão. A outra é pedir que alguém que saiba alemão traduza a frase para você. Por qualquer uma das alternativas você saberá que se trata de João 3.16.
O mesmo acontece com a interpretação bíblica. Nossa intenção é chegar o mais perto possível do sentido original. Para tanto, precisamos aprender as línguas originais ou, se isso não for possível, recorrer a quem as conheça. Estudantes da Bíblia, comentaristas, professores e pregadores que sabem hebraico, aramaico e grego podem ser fontes úteis de informação para ajudar-nos a entender o significado das Escrituras nas línguas em que foram originalmente escritas.
Não queremos dizer com isso que uma pessoa não pode conhecer, estimar e ensinar a Bíblia sem conhecer aquelas línguas. Deus já usou muitos expositores capazes que não sabiam hebraico, aramaico nem grego para pregar e ensinar as Escrituras. E a vida espiritual de muitas pessoas que não conheciam as línguas originais já foi grandemente abençoada ao estudarem uma tradução da Bíblia na sua língua. A questão, entretanto, consiste em ser possível alcançar uma precisão maior quando se conhecem as línguas bíblicas. Essa era a preocupação dos reformadores: procurar entender com a maior exatidão possível o que Deus quer dizer ao homem mediante sua revelação escrita. É por esse motivo que a atenção aos princípios da interpretação gramatical é tão importante.
Que vem a ser interpretação gramatical?
Quando falamos de interpretação gramatical da Bíblia, referimo-nos ao processo de tentar descobrir seu significado por meio da verificação de quatro aspectos: a) o significado das palavras (lexicologia), b) a forma das  palavras (morfologia), c) a função das palavras (partes do discurso) e d) a relação entre as palavras (sintaxe).
Quando tratamos do significado das palavras (lexicologia), preocupamo-nos com: a) a etimologia — origem e evolução das palavras —, b) o emprego — como elas são usadas por um mesmo autor e por outros escritores —, c) sinônimos e antônimos — de que forma termos semelhantes e opostos são empregados — e d) o contexto — como as palavras são usadas em diferentes contextos.
Quando tratamos da formação das palavras (morfologia), procuramos conhecer sua estrutura e como esta influi no significado. Por exemplo, perto tem sentido diferente de preto, apesar de se usarem as mesmas letras. A palavra bem adquire novo significado quando pluralizada: bens. A função das palavras (partes do discurso) diz respeito ao papel das diferentes formas. A preocupação é com os sujeitos, os verbos, os objetos, os substantivos, etc., como veremos mais adiante. A relação entre as palavras (sintaxe) é o modo como as palavras são associadas ou unidas para formar expressões, orações e períodos.
Como se descobre o significado das palavras?
Existem quatro fatores que determinam o significado de uma palavra: a etimologia, o emprego, os sinônimos e antônimos e o contexto.
Examinar a etimologia das palavras
Etimologia diz respeito à origem e à evolução das palavras. Os alvos da etimologia são: a) recuperar o sentido elementar da palavra em questão e b) descobrir como evoluiu.
Às vezes os elementos de uma palavra composta ajudam a revelar seu significado. Pode-se ver isso no caso da palavra “hipopótamo”, que deriva de duas palavras gregas: hippos — “cavalo” — e potamos — “rio”. Logo, esse animal é uma espécie de cavalo de rio. A palavra grega ekklêsia, que é normalmente traduzida como “igreja”, vem de ek (“para fora”) e kalein (“chamar ou convocar”). Por isso, no Novo Testamento passou a significar aqueles que eram chamados a sair do grupo dos ímpios para integrar um conjunto de crentes. O sentido original de ekklêsia era o de uma congregação de cidadãos gregos convocados por um apregoador público para tratarem de assuntos comunitários.
O termo grego makrothymia, cuja tradução é “paciência” ou “longanimidade”, é formado por makros — “longo” — e thymia — “sentimento”. Na combinação dessas duas palavras o “s” caiu e o significado é o de um sentimento de longa duração, ou seja, controlar os próprios sentimentos por muito tempo. “Paciência” é uma boa tradução.
No século XVIII, Johann Emesti (1707-1781) advertiu contra o uso da etimologia como método confiável. Ele escreveu o seguinte:
O emprego oscilante das palavras, que ocorre em todos os idiomas, dá margem a alterações frequentes de sentido. São poucas as palavras em qualquer língua que sempre conservam [seu] significado elementar. Portanto, o intérprete precisa tomar muito cuidado para não incorrer numa exegese etimológica precipitada, que normalmente engana muito.
Pode acontecer de uma palavra que sofreu uma evolução assumir um sentido totalmente diferente do original. A derivação a partir do radical de uma palavra quase nunca serve para se chegar ao seu sentido, pois os significados mudam. Por exemplo, o sentido etimológico de entusiasmo é o de “estar possuído por um deus”. Evidentemente, o sentido hoje é bem diferente do original, formado pelos elementos em e deus. A palavra “adeus” deriva de “Deus o acompanhe!”, mas poucos têm esse sentido em mente quando dizem “adeus” para alguém.
O verbo comprar origina-se do latim comparare, mas os sentidos de “comprar” e “comparar” hoje são obviamente muito diferentes. Só é possível entender a conotação atual porque o bom comprador compara os produtos antes de adquiri-los. “Tratante”, no falar de antigamente, não passava de “pessoa que trata de negócios”, mas o caráter desonesto de alguns negociantes (“tratadores”) ocasionou a degeneração de sentido. “Libertino” não passava de “filho de escravo liberto”.  “Caderno”, do latim quaternum, já não designa a folha de papel dobrada em quatro; nem “secretário”, o “confidente”, “depositário de segredos”. “Pedagogo” está longe de ser o antigo “escravo que conduzia crianças à escola”.  Diante de frases como “Da imbecilidade” de sua natureza não desconfiava, porque conhecia suas forças”, “O povo italiano é um povo hipócrita e “Sinto muito nojo pelo mal que lhe sucedeu”, certamente ficaríamos estupefatos, não soubéssemos se tratasse de frases arcaicas, impraticáveis na linguagem moderna. Imbecilidade nada mais designava do que a “fraqueza”, sentido latino, etimológico; hipócrita, em sua etimologia, é “aquele que é ator por natureza, dado a exibições espetaculares”, e nojo, transposto para os dias atuais, daria “pesar” ou até “luto”.  Os significados dessas palavras mudaram bastante com o passar do tempo.
O significado original do termo grego eirerie era paz, antônimo de guerra; depois, veio a significar paz interior ou tranquilidade; depois, bem-estar, e no Novo Testamento é comumente empregado em referência a um bom relacionamento com Deus. É evidente, então, que “a etimologia da palavra não diz respeito a seu significado, mas à sua história”.
Às vezes uma palavra adquire sentido completamente diferente daquele dos elementos que a compõem. A palavra santelmo (“chama azul que nas tempestades principalmente aparece no topo dos mastros dos navios por causa da eletricidade”) tem significado diferente do original: “Santo Elmo” (santo invocado nessas ocasiões), em que “Elmo” entra em lugar de “Ermo”, alteração de “Erasmo”. Quando uma pessoa veste um pulôver, é bem provável que não associe o nome do agasalho com o ato de puxar ou mover alguma coisa sobre outra. Mas, no original inglês pull over, que deu origem ao termo, o sentido literal é esse. “Fidalgo” pouco tem que ver com “filho d’algo”, e “embora” só vagamente lembra “em boa hora”.
Na Bíblia, uma palavra não deve ser explicada à luz de sua etimologia em nossa língua, o que equivaleria a colocar nas Escrituras o que ali não se encontra. Por exemplo, a palavra bíblica “santo” não deriva de “saudável”. Em termos etimológicos, as palavras hebraica e grega para “santo” não significam saúde espiritual. Da mesma foram, o termo grego dynamis (“força”) também não significa dinamite. Afirmar que Paulo estava pensando em dinamite quando escreveu Romanos 1.16 — “pois não me envergonho do evangelho, porque é a dinamite de Deus para a salvação de todo aquele que crê...” — é fazer uma “etimologia reversa”. “Dinamite” não se enquadra bem com o que Paulo quis dizer, pois “a dinamite explode e arrasa as coisas, fende rochas, abre buracos, destrói o que está a seu redor”. Contudo, o sentido de dynamis é o de força espiritual dinâmica, ativa, viva.
Às vezes acontece de o intérprete bíblico verificar o sentido de uma palavra no grego clássico e supor que o mesmo seja conservado no Novo Testamento. Essa atitude, contudo, pode às vezes levar a sentidos incorretos. Por exemplo, euangelion, no grego clássico, significava a “recompensa por boas novas” dada a um mensageiro. Além disso, os escritores clássicos Sócrates e Xenofonte empregavam essa mesma palavra com o sentido de “sacrifício por uma boa mensagem”, e, posteriormente, ela veio a significar “a boa mensagem”. No Novo Testamento, adquiriu o significado especial de “as boas novas da salvação” em Jesus Cristo.
Descobrir o emprego das palavras
Como já dissemos, normalmente a etimologia de um termo não ajuda a esclarecer seu significado. Portanto, precisamos descobrir como o autor costuma empregá-la. Essa prática é chamada de usus loquendi (lit, o uso feito por quem fala). Expressando de outra forma, qual era o sentido mais comum da palavra quando o autor a utilizou? A maneira em que ele a empregou dentro de seu contexto quase sempre ajuda a esclarecer o sentido.
Isso tem importância especial porque uma palavra abrange sentidos diferentes dependendo de como é empregada. Por exemplo, o termo casa apresenta sentidos diferentes nas três frases seguintes: “ele foi para casa”, “ela casa amanhã”, “o número tem duas casas decimais” e “ela pregou o botão mas não fez as casas”. O verbo correr pode aplicar-se a muitas coisas que envolvem movimento ou ação. Nós dizemos que corremos apressadamente, que um rio corre ao longo da estrada, que um arrepio corre por nossa espinha, que uma circular correu entre os presentes, que as lágrimas correram por nosso rosto, que o tempo corre, etc. Pode-se correr o olhar por um documento, correr um trabalho na impressora, correr o risco de perder o emprego, entre outras coisas. Cada utilização transmite uma ideia um pouco diferente. A palavra mesa também possui variedade de usos. Pode significar uma peça de mobília, o lugar em que a refeição é servida, o presidente e os secretários de uma assembleia (“a mesa da câmara”), alimentação (“casa de mesa farta”) ou um altar para comunhão.
No Novo Testamento, a palavra “chamado” aparece pelo menos de duas maneiras. Nos evangelhos sinópticos, o “chamado” divino significa o convite de Deus; já Paulo fala em “chamado de Deus” querendo dizer o gesto de Deus de conceder-lhe um título e uma comissão (“chamado para ser apóstolo”, Rm 1.1), a obra de salvação divina (8.28, 30) ou ainda o enfático convite de Deus para os cristãos (“... nos chamou com santa vocação...”, 2 Tm 1.9).
A palavra grega pneuma (“espírito”) deriva de pnéo (“respirar”), mas na Bíblia raramente o sentido é esse. Significa também vento, atitude, emoções, natureza espiritual, íntimo (em contraposição ao corpo físico), seres imateriais como anjos e demônios e o Espírito Santo. Um estudo da palavra sarx (“carne”) mostra que ela também possui variedade de sentidos, entre os quais a condição humana (Rm 3.20), o corpo humano (2 Co 12.7), os músculos do corpo humano (Lc 24.39) e a natureza ou tendência pecaminosa do homem (Rm 8.6, 7,13; Ef 2.3).
Como veremos mais adiante, o contexto normalmente, mas nem sempre, ajuda a esclarecer o significado de uma palavra. É importante analisar as diversas situações em que o termo é utilizado.
Primeiramente, analise como o mesmo autor emprega a palavra em questão num mesmo livro. Se o contexto não esclarecer o sentido da palavra, procure saber como o autor utilizou-a em outros trechos do livro. A palavra profetas, em Efésios 2.20, está falando dos profetas do Antigo Testamento ou do Novo? Examinando como Paulo emprega profetas em outros trechos de Efésios — em 3.5 e 4.11 — fica claro que nesses versículos ele estava referindo-se aos profetas do Novo Testamento. Assim, é provável que o sentido seja o mesmo em 2.20.
Em segundo lugar, repare como o autor usa a palavra em questão nos outros livros que escreveu. A análise do uso que João faz de luz e trevas em 1 João ajuda a esclarecer o emprego que faz dessas palavras em seu evangelho e em Apocalipse.
Em terceiro lugar, veja como outros autores bíblicos utilizaram o termo. Por vezes, o emprego que um autor fez da palavra em determinado contexto pode não revelar seu sentido exato, e talvez ele nem volte a usá-la no mesmo livro ou em outros escritos. Portanto, é bom estudar como ela foi empregada em outros livros da Bíblia. Quando se tenta descobrir o significado da palavra hebraica ‘alma (se é “moça” ou “virgem”), em Isaías 7.14, vale estudar as oito ocorrências do termo no Antigo Testamento (Gn 24.43; Êx 2.8; 1 Cr 15.20; SI 68.25; Pv 30.19; Cn 1.3; 6.8; e no título do salmo 45).
Não se quer dizer com isso, porém, que o significado de uma palavra seja sempre o mesmo. Em 2 Pedro 3.10, stoicheia significa “elementos”, isto é, os componentes básicos do universo. Já em Hebreus 5.12, stoicheia quer dizer verdades elementares, básicas; dificilmente o sentido seria de componentes básicos do universo físico. Essa mesma palavra pode assumir ainda outro sentido um pouco diferente em Gálatas 4.3, 9 e Colossenses 2.8, 20.
Em quarto lugar, repare como a palavra é empregada fora da Bíblia. No Antigo Testamento hebraico, cerca de 1 300 palavras só aparecem uma vez.  Elas são chamadas de hapax legomena, cujo significado literal é “falada uma vez”. E cerca de 500 palavras do Antigo Testamento só aparecem duas vezes. Assim sendo, seu significado não pode ser conhecido mediante a comparação com seu emprego em outros trechos da Bíblia. O que pode nos ajudar a descobrir o significado é verificar como foram empregadas em outros escritos, que não a Bíblia. Em Provérbios 26.23, o termo hebraico sprg, que é um hapax legomenon, foi traduzido por “escórias de prata” na ARA. Já a Nova Versão Internacional traduz por “verniz”, com base no uso dessa palavra em ugarítico, língua muito parecida com o hebraico. Este sentido parece se encaixar melhor no contexto do versículo. Os estudiosos da Bíblia também descobriram que o emprego de palavras árabes e aramaicas com correspondentes no Antigo Testamento hebraico às vezes podem ajudar-nos a decifrar seu significado.
A utilização de palavras em grego koinê (comum) fora do Novo Testamento às vezes ajuda na verificação do sentido de um termo nesse documento. Por exemplo, a palavra ataktos foi traduzida com o sentido de desordem em 2 Tessalonicenses 3.6, 11. Talvez isso se deva ao peso dessa palavra no grego clássico, onde era usada em referência a soldados que abandonavam as fileiras e que, portanto, eram considerados desordeiros. Mas, nos papiros, mais próximos da época neotestamentária, a palavra ataktos é usada em referência ao menino que “mata” aula na escola. Assim, nos versículos citados acima o sentido seria mais de “preguiçoso”, e não de “desordeiro”.
Descobrir os significados das palavras semelhantes, (sinônimos) e opostas (antônimos)
Perceber a diferença entre uma palavra e seus sinônimos pode ajudar a reduzir o número de significados possíveis. É importante não atribuir a determinada palavra o sentido de seus sinônimos, mas sim procurar descobrir como as palavras apresentam variações de sentido. As vezes essas variações não são claras, pois os sinônimos podem ter sentido praticamente idêntico. Em Romanos 14.13, contudo, Paulo fala de “tropeço” e “escândalo”. Escândalo (skandalon, em grego) significa um tipo de ofensa grave, algo que prejudique seriamente outra pessoa. Já tropeço (proskomma) significa uma ofensa leve, algo que incomoda outra pessoa. Evidentemente, Paulo estava dizendo que não queria prejudicar outro crente, nem séria, nem ligeiramente.
Em Colossenses 2.22, preceitos sugere as leis que devem ser obedecidas e doutrinas, as verdades nas quais se deve crer.
Perceber como uma palavra difere de seu sinônimo ou antônimo pode ajudar a esclarecer seu significado. Em Romanos 8.4-9, a palavra “carne” diz respeito ao corpo físico (em contraste com o espírito humano) ou à natureza pecaminosa (em contraste com o Espírito Santo)? A resposta está na comparação entre “carne” e “espírito”. Os versículos 6, 9 e 11 dão a entender que “espírito” significa o Espírito Santo, não o espírito humano. Portanto, nos versículos de 4 a 9, o sentido de “carne” provavelmente é o de natureza pecaminosa.
Em 6.23, “morte” quer dizer morte espiritual, não morte natural, pois contrasta com vida eterna.
Examinar o contexto
O exame do contexto é extremamente importante por três razões. Em primeiro lugar, as palavras, as locuções e as frases podem assumir sentidos múltiplos, como já vimos, e o estudo de seu emprego em determinado contexto pode auxiliar-nos a descobrir qual dentre vários significados é o mais provável. Em segundo lugar, os pensamentos normalmente são expressos por uma sequência de palavras ou de frases, ou seja, por elementos associados, não isolados. “O sentido de qualquer termo específico quase sempre é determinado pelos elementos que o precedem e sucedem.”  Em terceiro lugar, desconsiderar o contexto normalmente acarreta interpretações falsas. Os missionários gostam de usar Salmos 2.8 — “pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por tua possessão” — para ilustrar sua expectativa de conversões nos campos das missões. Entretanto, o versículo anterior deixa claro que se trata de Deus Pai falando a Deus Filho.
A interpretação bíblica deve levar em consideração vários tipos de contexto. Em primeiro lugar, há o contexto inicial. Normalmente, a frase em que a palavra foi usada esclarece seu sentido. O substantivo pena pode significar pena de ave ou sentimento de solidariedade, mas na maioria dos casos a frase esclarece o sentido.
Vejamos sete significados da palavra grega kosmos, que costuma ser traduzida por “mundo”:
a. a totalidade do universo criado, no qual a terra, os céus, os corpos celestes, etc.;
b. a “terra” em contraposição ao céu ou céus;
c. a “humanidade”, ou seja, o “mundo” de pessoas;
d. a mortalidade; a “vida no mundo”;
e. os seres (humanos e sobrenaturais) rebeldes a Deus, assim como seus domínios, em oposição a Deus;
f. o conjunto de elementos terrenos e sociais (entre os quais alegrias, posses e preocupações);
Os seis versículos abaixo, salientando que somente um desses sentidos encaixa-se em cada versículo e que o contexto imediato da frase normalmente esclarece o sentido.
a. “Porque Deus amou ao kosmos de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).
b. “Não ameis o kosmos nem as cousas que há no kosmos. Se alguém amar o kosmos, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no kosmos, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do kosmos” (1 Jo 2.15, 16).
c. “Não seja o kosmos das esposas o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário” (1 Pe 3.3).
d. “... e agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse kosmos” (Jo 17.5).
e. “... e os que se utilizam do kosmos, como se dele não usassem; porque a aparência deste kosmos passa” (1 Co 7.31).
f. “Porque nada temos trazido para o kosmos, nem cousa alguma podemos levar dele” (1 Tm 6.7).
A questão aqui é que, em geral, cada ocorrência de uma palavra normalmente só aceita um dos significados possíveis, e este frequentemente é determinado pelo contexto — no caso desses versículos, pelo contexto imediato.
Outro exemplo seria a palavra fé, que pode significar confiança em Deus, fidelidade, um conjunto de verdades ou anuência intelectual. Judas 3 e Gálatas 1.23 empregam fé num desses quatro sentidos; Romanos 3.3 com outro desses sentidos; Romanos 1.17 e Efésios 2.8 com ainda outro dos quatro significados e Tiago 2.18 com mais outro sentido. Leia os versículos citados e procure descobrir o sentido de fé em cada uma dessas situações.
Como já foi dito, a palavra salvação ou salvos nem sempre significa libertação do pecado. Temos abaixo cinco tipos de emprego:
a. segurança ou libertação de circunstâncias difíceis;
b. saúde física e/ou emocional;
c. libertação de Israel da opressão inimiga;
d. libertação da condenação do pecado através da morte vicária de Cristo;
e. libertação total da existência do pecado.
Leia todos os versículos relacionados abaixo e escreva nas linhas em branco a letra correspondente à definição acima.
             Êxodo 14.13 _____________________________
             Lucas 1.71 _______________________________
             Lucas 18.42 _________________________
             João 3.17 ___________________________
             Atos 15.11 __________________________
             Atos 16.30 __________________________
             Atos 27.20 __________________________
             Romanos 5.9 ________________________
             Romanos 13.11 ______________________
             Filipenses 1.19 (o sentido literal de “libertação” é “salvação”.)
                                       ______________________
             Tiago 5.15 __________________________
Os estudantes da Bíblia também devem ter em mente que a palavra lei possui vários significados, os quais podem ser determinados quase sempre por seu emprego na frase. Em Romanos 2.14 e 8.2, lei significa “princípio”. Em João 1.17, 45, refere-se ao Pentateuco, que são os cinco primeiros livros da Bíblia. Lei, em Mateus 22.40, significa, provavelmente, todo o Antigo Testamento menos os Profetas. Essa mesma palavra, em Romanos 2.12 e 8.3, refere-se ao código mosaico.
Vejamos mais um exemplo. É comum a ideia de que a expressão “nos últimos dias” (e “a última hora”) fala da mesma era sempre que é empregada. Mas, em Hebreus 1,2, 1 Pedro 1.20 e 1 João 2.18, parece significar toda esta era da igreja, enquanto em 1 Timóteo 4.1,2 Timóteo 3.1, 2 Pedro 3.3 e Judas 18 dá a entender que se trata dos últimos dias da era da Igreja.
Acredita-se que a palavra grega parousia quase sempre se refere ao arrebatamento. Os contextos mostram como seu sentido etimológico de “presença” está associado a três situações: a) a presença física de pessoas (1 Co 16.17; 2 Co 7.6, 7; 10.10; Fp 1.26; 2.12), b) a presença de Cristo nos ares no momento do arrebatamento (1 Co 15.23; 1 Ts 2.19; 4.15; 5.23; 2 Ts 2.1; Tg 5.7, 8; 2 Pe 3.4; 1 Jo 2.28) ou c) a presença de Cristo na terra com seus santos logo após a tribulação (Mt 24.3, 27, 37, 39; 1 Ts 3.13; 2 Ts 2.8, 9; 2 Pe 1.16; 3.12).
O contexto do parágrafo ou do capítulo pode ajudar a esclarecer uma palavra, expressão ou frase cujo sentido não tenha ficado claro na oração em que é usada. Por exemplo, em João 2.19, Jesus falou sobre “destruir o templo”, e no versículo 21 João explica que o templo ao qual Jesus se referira era seu corpo. Em 7.37, 38, Jesus afirma que do interior do crente “fluirão rios de água viva”. No versículo seguinte, o apóstolo explica que Jesus estava falando do Espírito Santo.
O “fogo” mencionado em Mateus 3.11 (“ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”) é sinônimo de dinamismo espiritual? Em outras palavras, será que João Batista estava dizendo que Jesus daria às pessoas fervor espiritual? O fato de a palavra “fogo” ter sido mencionada tanto no versículo anterior quanto no posterior (vv. 10, 12) dá a entender que o versículo 11 também fala de fogo no sentido literal. O que se conclui é que Jesus haveria de batizar alguns com o Espírito Santo, no momento da conversão (1 Co 12.13), e que a outros caberia a punição eterna no inferno.
Outro contexto que precisa ser levado em conta na interpretação bíblica é o livro em que a palavra, expressão ou frase aparece. Citamos como exemplo 1 João 3.6-10, que não pode estar dizendo que um cristão nunca peca, como se vê pelo que João escreveu na mesma epístola, em 1.8, 10 e 2.1. Quando entendemos que, em todo o livro de Tiago, o apóstolo destaca exemplos de fé autêntica, fica mais fácil entender seu comentário sobre fé e obras, em 2.12-25. O que ele queria dizer é que a verdadeira fé é evidenciada pelas obras, pelo menos em certo ponto da vida do cristão. Caso sua pretensa “fé” não tenha produzido nenhum fruto em toda a sua vida, é óbvio que essa “fé” não era autêntica e não pode salvá-lo. Fé “sem obras” (v. 20), ou seja, a concordância mental que não é acompanhada por uma mudança de vida é uma fé falsa, sendo inútil ou morta (vv. 20-26).
Os contextos de passagens paralelas também ajudam a esclarecer o significado de determinadas palavras e frases. Passagens paralelas podem ser paralelos verbais, onde aparece uma palavra ou palavras, expressões ou frases idênticas ou semelhantes, ou então paralelos conceituais, onde ideias idênticas ou semelhantes são expressas com outras palavras. Existem paralelos muito próximos entre trechos de 1 e 2 Reis e 1 e 2 Crônicas, entre vários relatos dos evangelhos, entre passagens de Romanos e Gálatas, entre trechos de Efésios e Colossenses, entre certos versículos de 2 Pedro e Judas, entre alguns textos de Daniel e Apocalipse e entre passagens isoladas (e.g, cf. Is 2.2-4 com Mq 4.1-3; Rm 4.3 com Hb 11.8-19; e Mt 11.12 com Lc 16.16).
Outro contexto a ser considerado é a Bíblia como um todo. Por exemplo, Filipenses 2.12 (“desenvolvei a vossa salvação”), que, a princípio, dá a entender que é possível alcançar a salvação por meio de obras. A palavra hebraica ’anush é traduzida em Jeremias 17.9 por “desesperadamente corrupto”. Mas seu emprego em outras partes do Antigo Testamento indica que o sentido é de gravemente adoecido. (Leia 2 Sm 12.15; Jó 34.6; Is 17.11; Jr 15.18; 30.12, 15; Mq 1.9.) Portanto, com base no contexto do Antigo Testamento como um todo, a New International Version está correta ao oferecer a seguinte tradução: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e impossível de ser curado, quem o conhecerá?”.
Será que Eclesiastes 9.5 — “...os mortos não sabem cousa nenhuma...” — está falando do descanso da alma, da concepção de que os mortos só recobrarão a consciência quando ressuscitarem? Não, porque seria uma contradição com os outros versículos que ensinam que os mortos têm consciência (Lc 16.23, 24; 2 Co 5.8; Fp 1.23). Interpretado tendo em mente a Bíblia como um todo, o versículo de Eclesiastes não está falando de um estado de inconsciência. Como então deve ser entendido? O contexto do parágrafo indica que os mortos não tomam mais conhecimento nem parte em coisas experimentadas nesta vida, como as emoções do amor, o ódio, a inveja e os acontecimentos cotidianos (Ec 9.6), nem são recompensados (v. 5).
A atenção ao contexto da Bíblia como um todo implica duas verdades.
1. Um texto obscuro ou ambíguo nunca deve ser interpretado de forma que contradiga outro texto de sentido claro. A expressão “os que se batizam por causa dos mortos”, em 1 Coríntios 15.29, não deve ser interpretada com o significado de que uma pessoa pode ser salva depois de morta. Seria uma contradição ao claro ensinamento de Hebreus 9.27 e de outros versículos.
2. Não se deve dar preferência a uma interpretação complexa, elaborada ou obscura em detrimento de outra simples, mais natural. Quando Jesus disse, em Mateus 16.28, “Em verdade vos digo que alguns aqui se encontram que de maneira nenhuma passarão pela morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino”, é óbvio que não estava referindo-se ao futuro reino milenar, pois todos aqueles com quem falou morreram. Então, a explicação mais simples e natural é que estava referindo-se ao antegozo de seu reino ocorrido em sua aparição no monte da transfiguração, apenas seis dias depois (17.1-13). A interpretação normal de “Deus enviou seu Filho” (G14.4) é que Jesus era o Filho de Deus desde a eternidade, e não que ele se “tornou” o Filho quando nasceu ou quando foi batizado.
Como este capítulo trata do significado das palavras (lexicologia), devemos lembrar os seguintes princípios:
1. Geralmente, uma palavra não tem o mesmo significado original, e nem sempre os elementos que a compõem determinam seu sentido.
2. Os significados de palavras em nossa língua não devem ser transportados para os textos bíblicos.
3. Uma mesma palavra pode ter significados diversos em todas as suas várias ocorrências na Bíblia.
4. Cada palavra ou expressão normalmente só tem um significado, que é indicado por seu emprego na frase e/ou em um ou mais contextos.
5. Um mesmo termo da Bíblia nem sempre possui o mesmo sentido.
6. Não se deve atribuir a uma palavra todos os seus possíveis significados em qualquer situação. O contexto de uma declaração normalmente determina o único sentido pretendido dentre todos os vários possíveis. Por outro lado, é preciso admitir que às vezes existe ambiguidade.
Em João 1.5, o apóstolo escreveu que as trevas não prevaleceram contra a luz. O termo grego katalambario pode significar tanto “abranger” quanto “prevalecer”. Este pode ser um caso em que João optou deliberadamente pela ambiguidade, e os dois sentidos seriam então possíveis. Um exemplo semelhante é a palavra ariothen (3.3), que pode significar “do alto” ou “de novo”. É concebível que haja um duplo sentido aqui,  ou seja, que o novo nascimento vem tanto do alto de Deus) como acontece “de novo” (i.e., um segundo nascimento espiritual em comparação com o primeiro nascimento natural). Quando Paulo afirmou que “toda mulher [...] que ora, ou profetiza, com a cabeça sem véu, desonra a sua própria cabeça” (1 Co 11.5), qual era o alvo da desonra? Seu marido (que é o cabeça da mulher, v. 3) ou sua cabeça física? Será que pretendeu dar um duplo sentido aqui, querendo dizer que tanto o marido (vv. 7-12) quanto a cabeça da mulher (w, 13-15) eram desonrados? Essas observações sobre ambiguidade não anulam o princípio do significado único, conforme já discutido. Devemos adotar um só sentido, a não ser que o contexto apresente um forte motivo para fazermos o contrário.
Qual a relação da estrutura (morfologia) e da função (partes do discurso) das palavras com a interpretação bíblica?
A morfologia trata da flexão das palavras, ou seja, de como elas são formadas ou conjugadas. Por exemplo, quando acrescentamos um “s” ao substantivo concreto, “lança”, temos o seu plural, mas, quando lhe acrescentamos a desinência “-r”, temos o verbo “lançar”, ou, acrescendo-a do sufixo “-mento”, temos um substantivo abstrato: “lançamento”. O pronome “nós” é um pronome do caso reto, ao passo que “nos”, do caso oblíquo. O verbo “corro” está no presente, mas, trocando-se o “o” final por “i”, fica no pretérito perfeito. É evidente que a maneira como as palavras são formadas reflete seu significado. A palavra “louva-a-deus” possui significado completamente diverso de “louva a Deus”. Uma única letra pode modificar consideravelmente o significado de um termo, como no caso de “seção”, “sessão” e “cessão”.
No grego e no hebraico, o sentido das palavras também é modificado por meio de flexões no início, no meio ou no final dos vocábulos.
A morfologia é uma parte significativa do aspecto gramatical da interpretação, buscando atentar para cada detalhe das Escrituras, em virtude de sua inspiração verbal.
Visto que a interpretação gramatical diz respeito à gramática da Bíblia, é útil conhecer as partes do discurso. São oito ao todo, agrupadas em duas famílias. A família dos “substantivos” inclui os substantivos, os pronomes, os adjetivos e as preposições. A família dos “verbos” trata dos verbos, dos advérbios, das conjunções e das interjeições.
A família dos “substantivos”
O substantivo é uma palavra com que se nomeia algo, como, por exemplo, uma pessoa (Jesus), um lugar (Éfeso), uma coisa (sangue), um conceito ou ideia (redenção, graça, bênção, paz) ou uma ação (ascensão). Quanto ao número, o substantivo é classificado em singular (coração) ou plural (olhos). Quanto ao gênero, pode ser masculino (Jesus), feminino (mulher), epiceno (a baleia macha, a baleia fêmea), comum de dois gêneros (o jovem, a jovem) e sobrecomum (membro). Quanto ao grau, pode ser aumentativo ou diminutivo.
O pronome é uma palavra que substitui um substantivo e faz referência a elementos citados ou subentendidos. Pode ser pessoal (eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas), possessivo (meu), demonstrativo (este), indefinido (outro), interrogativo (que?) e relativo (que, quem, o qual, cujo).
O adjetivo é uma palavra que modifica (caracteriza de alguma forma) um substantivo ou pronome. Pode designar tamanho ou quantidade (uma cidade grande; cinco pães) ou uma qualidade ou característica (um Salvador maravilhoso; uma grandiosa salvação; uma oração fervorosa).
A preposição é uma palavra que acompanha outras para formar uma “locução prepositiva”. As preposições podem indicar uma variedade de relações, como vemos abaixo, em exemplos tirados de Efésios:
Instrumento: pelo seu sangue
Companhia: com Jesus
Lugar: nele; na terra; em Éfeso
Benefício: para a sua glória
Movimento de: dos mortos
Movimento para: aos céus; subiu às alturas
Direção: subiu às alturas
 Origem: a Palavra de  Deus
Característica: o Pai da glória; o Espírito Santo da promessa; o dia da redenção
Identidade: o penhor da nossa herança
Posição: sobre todos; à sua destra
Difusão: através de todos
Acesso: às regiões inferiores
Oposição: contra as ciladas do diabo
Conformidade: segundo a carne
Tempo: antes da fundação do mundo

A família dos ‘‘verbos"
O verbo designa uma ação ou um estado de um substantivo ou pronome. Os verbos variam em tempo (passado, presente, futuro), voz (ativa, passiva, reflexiva) e modo (indicativo, imperativo, subjuntivo).
Exemplo de verbo no passado é “correu”. Exemplos do presente são “corre”, “corremos” e “estou correndo”. Um exemplo de verbo no futuro é “correrá”. Em Efésios 1.3-9, encontramos uma série de exemplos de verbos no passado: “nos abençoou” (“nos tem abençoado”), “nos escolheu”, “nos predestinou”, “nos concedeu”, “derramou sobre nós”. (O pronome “nos” que aparece em muitos desses exemplos não faz parte do verbo; funciona apenas como objeto.)
Paulo usou o tempo presente em 3.14: “Eu me ponho de joelhos”. Temos um exemplo de verbo no futuro em 6.16: “... com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados...”.
A “voz” do verbo indica se a ação é ativa, passiva ou reflexiva. Na frase: “Deus enviou seu Filho”, o verbo “enviar” está na voz ativa. Já na frase: “O Filho foi enviado por Deus”, o verbo “enviar” está na voz passiva. Em “nos escolheu nele” (Ef 1.4), o verbo está na voz ativa e, em “no qual fomos também feitos herança” (v. 11), o verbo está na voz passiva.
O modo indica o tipo de ação, enquanto o tempo sugere o momento da ação. Por exemplo, “corri” é uma afirmação no modo indicativo. “(Que eu) corra” corresponde ao modo subjuntivo, “Corre!” é uma ordem (modo imperativo). Em Efésios 4.1, Paulo declara: “Rogo-vos, pois, eu...”, e no versículo seguinte expressa várias determinações, sendo a primeira delas que os efésios andem “com toda humildade e mansidão”.
Os advérbios são mais uma das partes do discurso. O advérbio é uma palavra que modifica ou caracteriza de alguma forma um verbo, um adjetivo ou outro advérbio. Pode indicar modo: ele falou calmamente; ele orou intensamente; ele andou depressa. Os advérbios também podem indicar lugar: “ele foi para fora”, “ele fugiu para lá”, “ele caiu aqui”. Um advérbio também pode indicar intensidade: “ela comeu muito”. Pode ainda dar uma indicação de tempo”: “ele veio cedo”, “hoje sois salvos”, “ele correu ontem”. Os advérbios podem indicar fim ou resultado, como no seguinte exemplo: “ele correu para perder peso. (Neste caso, “para perder peso” é uma oração subordinada adverbial, cuja função é caracterizar o verbo “correr”.) Um exemplo de advérbio em Efésios 1 é “gratuitamente” (v. 6). Em 4.3, “diligentemente” é um advérbio que modifica o verbo “esforçar”. Em 5.2, “em amor” modifica o imperativo “andai” indicando como se deve proceder. Os advérbios também podem ser negativos: “nem deis lugar ao diabo” (4.27), “de maneira alguma te deixarei” (Hb 13.5), “não temerei” (v. 6).
As conjunções são elementos que ligam palavras, locuções ou orações.
Temos abaixo alguns exemplos de vários tipos de conjunções, todos tirados de Efésios:
Aditiva: e (1.22)
Adversativa: Mas (2.4, 13); antes (3.28); porém (5.8)
Alternativa: nem ... nem (5.4); ou ... ou (5.5)
Conclusiva: Portanto (5.7); pois (5.5)
Causal: sendo (porque é) (2.4); porque (6.12)
Condicional: se é que (4.21)
Final: para que (4.28); afim de (1.12); para (1.18)
Temporal: depois que (1.13); até que (4.13); quando (3.4)
Comparativa: como (4.32; 5.25)
Conformativa: segundo (4.21); como... assim (5.24)
As interjeições são palavras que exprimem um estado emotivo: dor (ai! ui!), alegria (ah! eh!), desejo (tomara!), admiração (puxa! quê!), animação (eia!), aplauso (bravo!), aversão (ih! chi!), apelo (olá!), silêncio (psiu!).

Para que conhecer as partes do discurso?
A função gramatical de uma palavra numa locução ou numa frase influencia seu significado. A palavra “casa”, sozinha, pode ser um substantivo, um verbo ou um adjetivo. Na frase “A casa foi pintada”, é um substantivo. Já em “ele casa mês que vem”, é um verbo. A capacidade de uma palavra possuir vários significados é chamada de polissemia. Outro exemplo de polissemia é a partícula “com”, que apresenta três sentidos diferentes nas seguintes frases: “ele comeu com sua esposa”, “ele comeu com garfo” e “ele comeu com prazer”. Na primeira frase, “com” transmite a ideia de companhia; na segunda, de meio e na terceira, de emoção.
Os exemplos abaixo podem mostrar como o conhecimento de certos fatos sobre as partes do discurso das expressões e das frases bíblicas pode auxiliar na interpretação.
1. Em Jó 21.2, 3a, os verbos ouvir e tolerar estão na segunda pessoa do plural, o que significa que Jó estava falando com seus três amigos. Mas, em 3b, o verbo hebraico traduzido por zombar está no singular (i.e., “zombe”), o que equivale a dizer que ele estava falando com Zofar.
2. A diferença entre descendente (singular) e descendentes (plural) é um elemento importante na argumentação de Paulo, em Gaiatas 3.16.
3. Na expressão “dos apóstolos e profetas”, em Efésios 2.20, só existe um artigo os. Ele não se repete antes da palavra “profetas”. Assim, trata-se de um único fundamento formado de apóstolos e profetas, e não de dois fundamentos.
4. 1 Coríntios 3.9 está dizendo que nós somos cooperadores de Deus ou que cooperamos uns com os outros e pertencemos todos a Deus? A resposta é esta última, pois no grego o termo de Deus está no caso genitivo (possessivo). Literalmente: “somos cooperadores pertencentes a Deus”.
5. Em Apocalipse 3.10, a preposição grega ek significa “fora de”, não “através de”, como alguns acham que deveria ser traduzida. Portanto, é um forte argumento a favor do arrebatamento que precederá a tribulação.
6. O pronome ele, em Daniel 9.27, vem precedido da expressão “um príncipe, que há de vir” (v. 26), e não da palavra Messias. Então, quem fará aliança com muitos será o Anticristo (concepção do pré-milenarismo), e não Cristo (concepção do amilenarismo).
7. Em Efésios 2.13-22, o tempo aoristo (passado) foi empregado nas frases que expressam o que foi realizado com a morte de Cristo (“fostes aproximados”, v. 13; “de ambos fez um”, v. 14; “tendo derrubado a parede da separação”, v. 14; “evangelizou paz”, v. 17). Mas o presente foi utilizado para expressar as implicações de sua morte para os crentes (“fazendo a paz”, v. 15; “ambos temos”, v. 18; “bem ajustado, cresce”, v. 21; “estais sendo edificados”, v. 22).
8. O presente pode exprimir uma verdade permanente (“porquanto nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade”; Cl 2.9), um fato contínuo (“... aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”; Fp 3.20), um fato repetido (“quando vedes aparecer uma nuvem no poente, logo dizeis...”; Lc 12.54), um hábito (“todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado”; 1 Jo 3.9) ou um acontecimento futuro (“repartem entre si as minhas vestes”; SI 22.18).
9.  O primeiro verbo de Romanos 3.23, “pecaram”, está no tempo aoristo (ação passada indefinida), podendo assim ser traduzido como “todos pecam”, que refletiria um ato cometido em qualquer momento. O segundo verbo, “carecem”, está no presente e deve ser traduzido por “estão sempre aquém” ou “estão aquém”.
10. No hebraico, o tempo perfeito exprime ação completa, seja ela passada, presente ou futura (normalmente passada). (O imperfeito exprime uma não concluída.) Então, por que o tempo perfeito é usado com frequência quando se trata de acontecimentos proféticos? Porque esses acontecimentos têm cumprimento (desfecho) tão certo, que o perfeito encaixa-se bem. Ele é chamado de “perfeito profético”. Esses verbos costumam ser traduzidos no passado, como acontece em Isaías 53.2-9, por exemplo.
11. Podemos perceber a importância das conjunções em Efésios 4.11 (ARC). As primeiras quatro ocorrências da conjunção “e” correspondem à mesma partícula grega (de), mas a quinta (entre “pastores” e “doutores”) é outra partícula (kaí), que pode ser mais bem traduzida por um hífen (“pastores-doutores”).
12. As conjunções “pois”, “porque”, “porquanto”, “por isso”, etc. precedem o motivo da afirmação ou afirmações anteriores. Em Romanos 8, essas conjunções (grego, gar) aparecem 15 vezes. Em 1.15-18, as razões vão-se acumulando: Paulo estava “pronto a anunciar o evangelho” (v. 15) “pois” não se envergonhava (v. 16), “porque é o poder de Deus para a salvação” (v. 16), “visto que a justiça de Deus se revela no evangelho” (v. 17).

Como a relação entre as palavras (sintaxe) facilita a interpretação da Bíblia?
A palavra “sintaxe” vem do grego syntassein, “colocar em ordem”. Na definição dos dicionários, sintaxe é a disposição das palavras de maneira a formarem locuções, orações ou períodos. É um ramo da gramática.
Dificilmente uma palavra isolada transmite uma ideia completa. Como os tijolos de uma construção, as palavras são elementos isolados que juntos formam frases, que são as unidades elementares do pensamento. Sozinhas, as palavras “homem”, “grande”, “bola” e “bateu” não expressam nada de significativo, por isso precisam ser agrupadas. Mas a maneira como forem agrupadas pode alterar o sentido, como podemos ver nas frases abaixo:
“O homem estraçalhou feio o carro.”
“O carro estraçalhou feio o homem.”
“O homem estraçalhou o carro feio.”
“O homem feio estraçalhou o carro.”
“O carro feio estraçalhou o homem.”
Locuções
A locução é um pequeno grupo gramatical de vocábulos sem verbo. Quando estudamos as preposições, vimos diversos exemplos de locuções prepositivas. Vejamos alguns casos de locuções prepositivas no primeiro capítulo de Colossenses: “da parte de Deus nosso Pai” (Cl 1.2); “para com todos os santos” (Cl 1.4); “debaixo do céu” (Cl 1.23).
Outro tipo de locução é a locução verbal, composta por um verbo auxiliar mais o infinitivo, o particípio ou o gerúndio de um verbo principal. Os verbos no gerúndio costumam terminar em “-ndo”. Vejamos alguns exemplos em Efésios: “com o qual podereis apagar” (6.16), “para que possais resistir” (6.13) e “mas procurai compreender” (5.17). Em Colossenses, temos: “não vos deixando afastar da esperança” (1.23), “grande luta venho mantendo por vós” (2.1) e “tudo isso tem sido sombra das cousas que hão de vir” (2.14).
Efésios 1.4, 5 apresenta-nos um problema de interpretação que gira em tomo de uma locução adverbial. A questão é a seguinte: a locução “em amor” acompanha o pensamento do versículo 4, que diz que Deus nos escolheu nele em amor, ou está ligada à ideia do versículo 5, modificando assim a expressão “nos predestinou”? Algumas versões da Bíblia associam a locução ao versículo 4, enquanto outras a associam à ideia do versículo 5. Provavelmente, a versão mais correta é a que estabelece a relação com a obra divina de predestinação (v. 5), de forma que a frase começaria assim: “Em amor ele nos predestinou...”.
Orações
A oração é uma unidade gramatical de palavras composta de sujeito (a pessoa, o lugar, a coisa, o conceito ou ideia, ou a ação) sobre quem se fala e de predicado (o verbo que caracteriza a ação, o estado ou a condição). “Cristo morreu” é uma oração, pois é uma unidade gramatical com um sujeito (Cristo) e um predicado (morreu). Muitas orações também possuem um objeto, como no caso de “Ele nos escolheu” (Ef 1.4).
Esses dois exemplos — “Cristo morreu” e “Ele nos escolheu” — são chamados de orações independentes, o que equivale a dizer que cada pensamento fica completo por si só. Existem também as orações subordinadas, que “dependem” das principais ou das independentes para possuir um significado completo. Em Colossenses 1.3, Paulo utiliza esses dois tipos de oração. “Damos sempre graças a Deus” é uma oração independente. O sujeito é subentendido, “nós”; o predicado é “damos sempre graças a Deus”; “sempre” é um advérbio; e “Deus” é um substantivo, objeto do verbo “dar”. A oração “quando oramos por vós” é dependente pois, sozinha, não expressa ideia completa. Ela depende de uma oração principal para ter sentido. É fácil identificar uma oração subordinada, porque, quando você tenta enunciá-la, ela não fica completa. Existem muitos tipos de orações subordinadas.
Causais: “... porque morrestes...” (3.3)
Concessivas (em que se admite um fato); “Pois, embora ausente quanto ao corpo... (2.5)
Comparativas: “... como se vivêsseis no mundo...” (2.20)
Condicionais: “... se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes...” (1.23)
Finais: “a fim de viverdes de modo digno” (1.10)
Conformatívas: “Ora, como recebestes [...] assim andai nele” (2.6); ”... segundo fostes instruídos por Epafras...” (1.7).
Temporais: “Quando Cristo [...] se manifestar...” (3.4)
Períodos
Em termos de estrutura, os períodos podem ser simples ou compostos por coordenação ou subordinação. Um período simples possui somente uma oração independente (pelo menos um sujeito e um predicado). Temos um exemplo em Colossenses 3.2: “Pensai [vós] nas cousas lá do alto...” Um período composto por coordenação tem no mínimo duas orações independentes (e coordenadas). Vemos um caso no versículo 19: “Maridos, amai a vossas esposas, e não as trateis com amargura”. Um período composto por subordinação tem pelo menos uma oração principal e uma subordinada. “Damos sempre graças a Deus” (1.3) é uma oração independente e “desde que ouvimos” (v. 4) é uma oração subordinada.
Os períodos podem encerrar:
Declaração — de um fato, opinião, reclamação, emoção, observação, etc. As declarações podem ser afirmações (aspecto positivo) ou negações (aspecto negativo).
Interrogação — para levantar uma dúvida.
Ordem — para expressar uma determinação ou mandamento (uma ordem com negação é uma proibição).
Pedido — solicitação de alguma coisa.
Desejo — para expressar uma vontade.
Na interpretação de certos versículos, é importante perceber se temos declarações, perguntas ou ordens, ou se a finalidade é outra. (Lembre-se de que chamamos a isso de modo do verbo.)
Jesus disse, em João 5.39: “Examinais as Escrituras”. Trata-se de uma afirmação ou de uma ordem? Em 12.27, ele disse: “... Pai, salva-me desta hora”. Foi uma declaração ou uma pergunta?
Atos 2.38 mostra-nos a importância dos diversos aspectos sintáticos. Esse versículo possui várias interpretações e dá a entender que o batismo nas águas é um requisito para a salvação. Uma observação importante, só percebida no grego, é que o verbo arrepender está no plural, assim como vossos, que precede pecados. O interessante é que batizado e cada um de vós referem-se a um uso no singular. Parece, então, que a frase “e cada um de vós [sing.] seja batizado em nome de Jesus Cristo” deve ser considerada uma afirmação parentética. A ideia principal, então, é a seguinte: “Arrependei-vos [pl.], para remissão dos vossos [pl.] pecados”. Essa ordem está de acordo com muitas outras no Novo Testamento. Assim sendo, a determinação do batismo é dirigida a cada um, dando a entender que quem se arrepende deve passar então pelo batismo nas águas. Vendo por esse ângulo, o versículo não entra em conflito com outras passagens bíblicas.
Ordem e repetição das palavras
A ordem das palavras também exerce importante papel na sintaxe e não deve ser desprezada na interpretação bíblica. Em nosso idioma, a ordem das palavras é significativa. “Deus é amor” e “amor é Deus” são frases que contêm as mesmas palavras, mas a ordem muda o sentido.
Em grego, pode-se salientar uma palavra, locução ou oração colocando-a no início da frase (e às vezes no fim), em vez de obedecer à sequência normal de sujeito, verbo e objeto. Por exemplo: “no qual” (nele) inicia Efésios 2,21, ganhando assim ênfase; normalmente, a locução estaria após o verbo “cresce”.
Em 1 Coríntios 1.17, o advérbio “não” foi colocado no início da frase grega, para reforçar o aspecto negativo.
Em hebraico, a sequência normal das palavras é a seguinte: verbo, sujeito, objeto. Assim, se o sujeito ou o objeto vêm primeiro, a ênfase recai sobre ele. Em Isaías 1.14, a ordem é objeto, verbo e sujeito; assim, o primeiro recebe a ênfase: “As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece...”. O hebraico também mostra ênfase por meio da repetição. Um exemplo disso é “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos” (6.3).
Resumo
A interpretação gramatical consiste em atentar para as palavras bíblicas e seu emprego. Embora às vezes possa parecer um trabalho algo complicado e técnico, é imprescindível para entendermos a Bíblia corretamente.
A seguir, um resumo dos passos sugeridos para uma interpretação gramatical adequada.
A. Maneiras de descobrir o significado de uma palavra:
1. Examine sua etimologia, até mesmo o significado original e quaisquer outros significados que surgiram a partir dele.
2. Descubra como a palavra é empregada:
a. pelo mesmo autor no mesmo livro;
b. pelo mesmo autor em outros livros da Bíblia;
c. por outros autores na Bíblia;
d. por outros autores em outros documentos.
3. Descubra como são empregados os sinônimos e os antônimos.
4. Analise os contextos:
a. o contexto imediato;
b. o contexto do parágrafo ou do capítulo;
c. o contexto do livro;
d. o contexto de passagens paralelas;
e. o contexto da Bíblia como um todo.
5. Verifique qual dos diversos sentidos possíveis melhor se enquadra na ideia da passagem.
B. Maneiras de descobrir o significado de uma frase:
1. Analise a frase e seus elementos, reparando nas classes de palavras ali contidas, no tipo de período que é, nas orações que o compõem e na ordem das palavras.
2. Descubra o significado de cada palavra-chave (volte aos cinco pontos do item acima) e o modo como elas influenciam o sentido da frase.

3. Analise a participação de cada elemento da frase na ideia transmitida pelo todo.