25 de fevereiro de 2017

VICTOR P. HAMILTON - Um Manifesto de Santidade - Levítico 17—27

victor hamilton
Um Manifesto de Santidade - Levítico 17—27 

Os críticos consideram que esses últimos capítulos de Levítico, com exceção do 27, já existiram em algum momento como um có­digo legal independente, sendo apenas posteriormente enxertado em P, tal qual o Livro da Aliança é considerado uma inserção no texto de Êxodo. 

Essa “descoberta” foi feita ao fim do século XIX pelo estudioso alemão August Klostermann. A essa parte de Levítico ele deu o nome de Heiligkeitsgesetz, “Código de Santidade” (habitualmente designado nos dias de hoje com o símbolo “H”). 

Até pouco tempo, predominava o consenso de que o Código de Santidade havia aparecido primeiro e que os Sacerdotes [P] havi­am-no juntado depois a seus próprios escritos, a fim de formar o que atualmente conhecemos como a segunda metade de Levítico. Alguns estudiosos de hoje, graças à interpretação vanguardista de Knohl1, invertem a ordem cronológica de P e H, sugerindo que as tradições dos sacerdotes são anteriores ao Código de Santida­de; de modo que a H suplementaria, senão “corrigiria”, P. Aqueles que defendem essa tese se afastam de modo inevitável da data tradicionalmente atribuída aos textos de P, passando-os de um período posterior ao exílio babilónico para um período imediatamente posterior à construção do Templo de Salomão. Assim, aca­ba-se com uma teoria JEPD2, em vez de JEDP3. 

Não obstante opiniões pessoais contrárias a essa abordagem dos últimos capítulos de Levítico, a observação é com certeza vá­lida. Nesses últimos capítulos, o leitor encontra uma clara ênfase na santidade como estímulo de conduta e estilo de vida, num ní­vel não verificado nos capítulos 1—16. Além disso, todas as refe­rências a “santo/santificado/sagrado/consagrado” nesses capítu­los dizem respeito ao santuário. A única exceção é 11.44,45, que faz referência à santidade demonstrada pelo povo de Deus naqui­lo que comem ou não. Em contrapartida, em 17—27, a órbita mais restrita de santidade de 1—16 é ampliada a fim de abarcar todos os israelitas. Poderíamos considerar isso uma “laicização” da san­tidade , tornando-a um estilo de vida que incumbe a todos. Como era de se esperar, o principal enfoque de 1—16 é a forma como o povo de Deus deve adorá-lo: no santuário sagrado de Deus, por meio do ministério de seus servos consagrados/santos. Nos capí­tulos 17—27, o enfoque principal não é tanto a maneira como o povo de Deus deve adorá-lo, mas o modo como devem viver. Aque­les que adoram a um Deus santo desejam uma vida santa, apro­priando-se dos recursos disponibilizados por esse Deus para que tal objetivo seja alcançado. Comentei anteriormente que a raiz hebraica q-d-s aparece 150 vezes em Levítico (como verbo, subs­tantivo ou adjetivo). Sua divisão ao longo do livro é interessante. Veja a tabela 11. 

E obvio que, em relação aos dezesseis primeiros capítulos, os últimos onze apresentam uma utilização bem mais extensa de palavras derivadas de q-d-s. Nessa relação, (em ordem decres­cente) os capítulos 27, 22, 21 e 23 empregam a raiz com mais freqüência (66 das 85 ocorrências). Nenhum dos dois primeiros capítulos dessa seção, 17 e 18, fazem uso da raiz. 

Em Levítico, o povo de Deus recebe por diversas vezes chama­dos à santidade em forma de ultimato. Temos, por exemplo, “vós vos santificareis e sereis santos, porque eu sou santo” (11.44,45); “Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (19.2): “santificai-vos e sede santos, pois eu sou o Senhor, vosso Deus” (20.7); “e ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo” (20.26). O fato de esses versículos não estarem restritos àquela época nem obscurecidos por uma revelação mais ampla é evidenciado pela liberdade de Pedro ao utilizá-los, sem qualquer alteração, no con­texto de sua mensagem cristã para uma comunidade de crentes (ver 1 Pe 1.15,16). 



Nos quatr o exemplos citados no parágrafo anterior, observa­mos que cada chamada à santidade vem acompanhada por uma sentença explicativa: “pois eu sou o Senhor, vosso Deus” ou “por­que eu, o Senhor, sou santo”. Não é por acaso que essas ordens são sempre dadas pelo próprio Senhor, falando de forma direta na primeira pessoa. Em Levítico, não vemos Moisés ou Arão dizendo em parte: “Sereis santos porque Deus é santo”. E o próprio Deus que estabelece um padrão, e Pedro cita a Deus, não Moisés! Seria um grande erro ler alguma dessas sentenças como ameaças: “È melhor ser santo, senão...!” Em vez disso, devemos lê-las como convites divinos. E claro que escolher uma maneira profana de vida tem suas conseqüências. Deus, contudo, não procura nos in­timidar e assustar a fim de levar-nos à santidade. Ele busca nos atrair, exibindo sua própria natureza como modelo e referência. 

E lógico que a frase “sereis santo como Deus é santo” não signi­fica sermos tão santos quanto Deus. A expressão é vista por toda a Bíblia. Jesus, por exemplo, diz: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48). Vemos muitas des­sas comparações em 1 João: “se andarmos na luz, como ele na luz está” (1.7); “Aquele que diz que está nele também deve andar como ele andou” (2.6); “E qualquer que nele tem esta esperança purifi­ca-se a si mesmo, como também ele é puro” (3.3); “Quem pratica justiça é justo, assim como ele é justo” (3.7); “creiamos [...] nos amemos [...] segundo o seu mandamento” (3.23). 

Certamente, o que Levítico afirma é que apenas Deus é intrinsecamente santo. Ele é a origem e a fonte de tudo que é santo. Além disso, diz-nos Levítico, Deus não apenas liberta o povo do cativeiro, mas também deseja levá-lo a um estilo de vida digno daqueles que servem a um Deus santo. Embora Êxodo tenha sua ênfase no âmbito da salvação e da libertação, ele também estabe­lece as bases para a santificação (ver Êx 19.6; 22.31), a qual volta a ser abordada nesses capítulos de Levítico. A medida que cami­nharmos por eles, poderemos ver o que exatamente está envolvi­do nessa vida em santidade. 

Apesar de todas as diferenças de enfoque entre os capítulos 1—16 e 17—27, é preciso também perceber as semelhanças. En­tre os dois conjuntos de capítulos, existem partes corresponden­tes entre si. Tem-se, por exemplo, os capítulos 1—7 (atos de ado­ração), que correspondem aos 23—25 (momentos da adoração); os capítulos 8—10 (ministério sacerdotal) estão relacionados aos 21— 22 (regras sacerdotais); os capítulos 11—15 (vida limpa) combi­nam com os trechos 18—20 e 26—27 (vida santa). 

Além desses, há outros temas comuns a ambas as seções. Den­tre outras, vemos relatos recorrentes de situações que tornam a pessoa impura/imunda. Tais textos, habitualmente, não sempre, são acompanhados por medidas a serem adotadas para a remo­ção dessas impurezas. Em Levítico, a primeira situação envol­vendo impurezas aparece em 5.2,3 e a última em 22.4-8, além de muitas outras entre elas, mas não são todas idênticas. Em certo aspecto, as circunstâncias que produzem impurezas em 17—27 parecem mais graves que as relacionadas em 1—16. Como menci­ona Kugler4, a impureza relatada em 1—16 diz respeito, em sua maior parte, ao que entra, sai ou toca o corpo de alguém. Por ou­tro lado, já a impureza tratada em 17—27 lida principalmente com o que a pessoa faz com seu próprio corpo. Isso pode explicar a existência de penalidades para infrações nessa área: o infrator devia ser “extirpado” (ou a descendência do infrator era interrom­pida ou a pessoa era impedida de se reunir a seus pais na vida após a morte). Em 1—16, esse uso do verbo kârat, “extirpar”, apa­rece apenas quatro vezes (7.20,21,25,27); enquanto, em 17—27, treze vezes (17.4,9,10,14; 18.29; 19.8; 20.3,5,6,17,18; 22.3; 23.29). Além disso, 17—27 é o único trecho em que o verbo aparece em sua forma mais severa: “eu [Deus] a extirparei do seu povo” (17.10; 20.3,5,6). Para mencionar uma segunda frase, a expressão “profanar o nome de Deus” aparece por seis vezes em 17—27 (18.21; 19.12; 20.3; 21.6; 22.2,32), porém nenhuma vez em 1—16. 



Comendo Carne, mas com Cautela (17) 

Como não podia deixar de ser, essa parte de Levítico, que lida com a prática da santidade, começa com algumas regras alimen­tares. Embora não achemos forma alguma da raiz hebraica q-d-s nesse capítulo em particular, já pudemos observar em outros con­textos das Escrituras (ver a explanação sobre Levítico 11) a santi­dade vinculada à escolha dos alimentos consumidos. 

A sucessão entre os capítulos 16 e 17 parece ser proposital. Em primeiro lugar, ambos destacam a utilização do sangue (de um animal). O capítulo 16 trata da mais sagrada utilização para o sangue: introduzi-lo no Santo dos Santos. O capítulo 17 fala de seu uso mais profano: ingeri-lo ao comer carne. Em segundo lu­gar, Levítico 16.29 é o primeiro versículo do livro a afirmar que o assunto em questão diz respeito a todos: “nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós”. Apesar da mesma frase, ou algo semelhante, aparecer em 18—25 (18.26; 19.10,33,34; 20.2; 22.18; 23.22; 24.16,22; 25.23,35,47), é no capítulo 17 que ela apa­rece com mais freqüência (vv. 8,10,12,13,15). 

Como disse Menahem Haran5, as leis dessa parte de Levítico dizem respeito a assuntos cotidianos da comunidade e/ou do indi­víduo. Há um mínimo de explanações e questões ritualísticas; Levítico 17 ilustra isso. Como deve o crente comer carne (um item para poucos) e a que lugar deve levar seus sacrifícios? 

São feitas duas restrições principais. Em primeiro lugar, ne­nhum animal sacrificial devia ser imolado fora do santuário (vv. 3,4). Muito já se discutiu acerca do contraste entre esses dois versículos e Deuteronômio 12.15: “poderás matar e comer carne nas tuas cidades” (ARA), e sentimentos similares em Deuteronô­mio 12.21: “comerás dentro da tua cidade” (ARA). O que Levítico proíbe, Deuteronômio permite. 

A visão de críticos que consideram P posterior a D é encarada, aqui, com certa estranheza ou, pelo menos, como uma regra sa­cerdotal que poderia ser rotulada como um rematado absurdo. Efetivamente, a lei estaria proibindo a ingestão de carne para a maior parte de Israel. Equivaleria a dizer que a missa só poderia ser celebrada na Basílica de São Pedro. O que seria feito, então, dos católicos que vivessem longe de Roma? 

Gordon Wenham6 é feliz ao comentar que “Tal lei [ou seja. Levítico 17.3-7] podia vigorar [...] quando todos viviam próximos ao santuário, como durante a peregrinação pelo deserto. Após se estabelecerem, já não era viável que todo abate estivesse restrito ao Tabernáculo. Isso teria forçado que todos que vivessem longe do santuário se tornassem vegetarianos”. 

No deserto, Deus ensinou ao povo que o Tabernáculo era um lugar especial, único e separado de tudo o mais no acampamento. Tratava-se da essência daquele organismo. Não se podia oferecer sacrifícios de forma indiferente e casual, em qualquer lugar que o adorador considerasse apropriado ou conveniente. Apenas uma casa era a casa de Deus. (No tocante a esse tópico, vale a pena pesquisar o interessante comentário de Yehezkel Kaufmann7.) E possível harmonizar as duas passagens se compreendermos que, em Levítico 17, o assunto é a imolação de animais especificamen­te para sacrifícios diante de Deus; enquanto, em Deuteronômio 12, o assunto é o abate de animais para consumo. 

A segunda restrição acerca do abate de animais era que, antes de qualquer consumo, todo sangue deveria ser drenado. A proibi­ção se refere a comer, não beber, o sangue. Essa regra já tinha aparecido em Levítico (3.17; 7.26, como em Dt 12.16,23). Na ver­dade, tal impedimento já vinha desde Gênesis 9.4 e dizia respeito a toda a humanidade, não apenas aos israelitas. Isso poderia ex­plicar o porquê de Tiago e os outros apóstolos, ao se reunirem em Jerusalém para deliberar sobre o que era necessário aos cristãos não-judeus, terem deixado de lado a observância das regras ali­mentares de Levítico e Deuteronômio, mas não a proibição do san­gue (At 15.20,29). 

Discute-se muito se Levítico 19.26 fala sobre o mesmo assunto: “Não comereis coisa alguma com sangue”. Essa tradução, no en­tanto, é bastante liberal. O hebraico diz simplesmente: “Não comereis sobre o sangue”. A mesma expressão aparece em 1 Samuel 14.32,33 e Ezequiel 33.25. Talvez isso diga respeito a um ritual pagão, em que o sangue era oferecido a divindades sub­terrâneas8 , ou ao erro de se derramar sangue no chão em vez de sobre o altar. 

Pureza Sexual (18—20) 

O capítulo 18 está repleto de frases com “não farás”. O capítulo 19 está igualmente cheio de frases com “farás”, “não farás” e “não faças”. Dessa forma, a idéia de santidade é formulada tanto de forma positiva como negativa. O capítulo 20 contém penalidades para todas as infrações referidas nos capítulos 18 (sexuais) e 19 (religiosas). Tais sanções incluem pena de morte pelas mãos do povo, ou diretamente por Deus, se a comunidade eventualmente falhar, no caso de culto a Moloque (20.2-5). 

Práticas religiosas proibidas, como feitiçaria e adivinhação, são punidas com morte pelas mãos de Deus (20.6). Para relações se­xuais ilícitas, a pena podia ser a morte nas mãos da comunidade (“certamente morrerão” [20.10-16]), morte nas mãos de Deus (“se­rão extirpados” [20.17-19]) ou ausência de filhos (“sem filhos mor­rerão” [20.20,21]). E possível que, ao dizer que Deus “extirpa” al­guém (vv. 3,5,6), o texto não queira dizer que Deus põe fim à vida dessa pessoa. Isso é especialmente verdadeiro para os versículos 2 e 3, onde, após lermos que “o povo da terra o apedrejará com pedras” (v. 2), encontramos a seguinte frase: “e [eu] o extirparei do meio do seu povo” (v. 3). Ser “extirpado”, portanto, pode ser diferente de “ser morto”, considerando que a primeira é efetuada por Deus; e a segunda, por seres humanos. Ser “extirpado [por Deus]” poderia ser (a) perder a posteridade (SI 109.13) ou (b) ter negada a vida no mundo vindouro, ficando impedida qualquer reunião entre a pessoa e seus ancestrais. 

Mais uma vez, o texto enfatiza que a conduta dos israelitas deve ser moralmente superior a de seus vizinhos pagãos (18.3). Israel não estabelece seus padrões sexuais a partir de Canaã ou Egito. Os critérios morais, que regulam a vida em comunidade dos crentes, não são firmados pelos incrédulos. 

Nesse comentário de Cyrus Gordon9, pode-se ter uma idéia do entendimento e da abordagem dadas às questões sexuais pelas religiões pagãs: “O estudante moderno não deve cometer o erro de pensar que os orientais da antigüidade tinham qualquer dificul­dade em conciliar a idéia de divindade com a prática de trapaças, subornos, zombarias e maneirismos homossexuais”. Se isso des­creve a vida de seres divinos, será que a vida das pessoas comuns ficava muito atrás, ainda mais considerando que as pessoas re­tratam seus deuses como semelhantes a si mesmas? 

Seria um equívoco concluir que tais proibições eram essencial­mente reações contra práticas dos vizinhos de Israel. Ao falar so­bre a questão da homossexualidade, John Oswalt10 observa: “O raciocínio por trás desses princípios morais [de Levítico 18 e 20] não é apenas uma reação a um estilo de vida que, por acaso, não era partilhado pelos hebreus [...], tais atividades eram mais exa­tamente proibidas por derivarem e surgirem de uma cosmovisão radicalmente oposta à defendida pela Bíblia [...]. Elas represen­tam uma perspectiva comum tanto em relação ao sexo como ao mundo, ou seja, a falta de limites”. 

A maior parte do capítulo 18 se dedica a listar relações inces­tuosas (vv. 6-18), mas vemos outros delitos sexuais (vv. 19-23): relações sexuais com uma mulher durante o período menstrual (talvez por não servir para reprodução?) (v. 19); adultério (v. 20); sacrificar crianças a Moloque, um deus adorado por alguns dos vizinhos de Israel (v. 21; ver 2 Rs 23.10); homossexualismo mas­culino (v. 22); bestialismo (v. 23). 

Nota-se que, para pelo menos dois dos relacionamentos proibi­dos nos versículos 6-18, nem sempre houve proibição. Levítico 18.9 afirma: “A nudez de tua irmã [...] não descobrirás”. Ainda assim. Abraão casou-se com Sara, sua meia-irmã (Gn 20.12; ver 2 Sm 13.13, quando Tamar diz a seu irmão Amnom: “Ele [rei Davi] não me negará a ti”). Levítico 18.18 declara: “E não tomarás uma mulher com sua irmã, para afligi-la, descobrindo a sua nudez com ela na sua vida”. Isso, contudo, foi exatamente o que fez Jacó (Gn 29.16-30). Trata-se de uma prova indireta da antigüidade das tra­dições patriarcais. O que foi um dia legal, passou a ser ilegal (ver Kaufmann11). 

A gravidade dos delitos relacionados nos capítulos 18 e 20 é expressa pelo uso do verbo “vomitar” em ambos — o mesmo verbo utilizado para descrever o que o peixe fez com Jonas (Jn 2.10): “e eu visitei nela a sua iniqüidade, e ela vomitou os seus moradores” (18.25, ARA); “Guardai, pois, todos os meus estatutos [...] para que vos não vomite a terra, para a qual eu vos levo para habitar nela” (20.22). 

Levítico, sem muito alarde, passa de declarações apodícticas contra o sexo ilícito (18) para outras, igualmente apodícticas, acer­ca da santidade (19). De maneira básica, o capítulo 19 é uma cole­tânea de leis rituais e morais, sendo que muitas se encerram com a frase: “Eu sou o Senhor, vosso Deus”. Essa oração aparece 14 vezes nesse capítulo (enquanto cinco vezes no 18 e apenas duas vezes no 20). O uso repetitivo dessa frase enfatiza o fato de que essas leis estão enraizadas em Deus e em seu santo caráter; não são o produto de alguma assembléia ou facção teológica. 

A santidade é definida nesses capítulos em termos de santida­de social. Em outras palavras, ela é demonstrada de forma mais clara nos relacionamentos do indivíduo. Pouco se fala nesse capí­tulo sobre questões privadas ou particulares de uma vida reclusa. 

A santidade envolve o relacionamento com os pais (v. 3), as crian­ças (v. 29), Deus (vv. 4-8,26-28,30,31), os pobres e estrangeiros (vv. 9,10,15,33,34), as mulheres (vv. 20-22), o próximo e a paren­tela (vv. 11-18,35,36), os mais velhos (v. 32), os animais (v. 19), a terra (vv. 19,23-25)e os deficientes (v. 14). 

Cada seção indica uma reação diferente por parte de quem vive em santidade: obediência aos pais e a Deus; respeito pelos mais idosos; atenção às necessidades físicas dos mais pobres; dizer a verdade; estar acima da tentação da injustiça. 

O versículo mais memorável desse capítulo é o 18b: “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Ele é citado nove vezes no Novo Testamento (Mt 5.43; 19.19; 22.39; Mc 12.31,33; Lc 10.27; Rm 13.9; G1 5.14; Tg 2.8). O mesmo sentimento está contido em versículos como 1 João 4.20: “Se alguém diz: Eu amo a Deus e aborrece a seu irmão, é mentiroso”. Conforme Levítico 19, porém, não basta amar o próximo como a si mesmo; deve-se também amar desconhecidos e viajantes como a si mesmo (vv. 33,34). O forasteiro não deve ser psicologicamente excluído. 

Pureza Sacerdotal (21—22) 

Nesses dois capítulos, fala-se do sacerdote como ser humano e cidadão. Os seguintes aspectos são salientados: a limitação do nú­mero de pessoas pelas quais o sacerdote pode guardar luto e o tipo de mulher com que ele pode se casar (21.1-9); no caso do sumo sa­cerdote, as restrições são ainda mais rígidas nesse último aspecto (21.10-15); no caso de deformidades físicas, permanentes na maio­ria dos casos, o indivíduo fica impedido de exercer o sacerdócio (21.16-24); enquanto temporariamente imundo, o sacerdote fica proibido de comer dos sacrifícios, conforme a explicação encontra­da em 13-15 (22.1-9); quais membros da família do sacerdote têm o direito de comer das coisas sagradas (22.10-16); que animais im­perfeitos são inaceitáveis para o sacrifício (22.17-30). 

E curioso que o capítulo 21, antes de tratar qualquer outro fato relativo ao sacerdócio, aborde primeiramente morte, o luto e en­tão o casamento. Era de se esperar que a ordem fosse inversa: primeiro o casamento, depois a morte e o luto. E vemos a mesma ordem tanto para o sacerdote como para o sumo sacerdote — sa­cerdote: morte e luto (21.1-6), casamento (21.7); sumo sacerdote: morte e luto (21.10-12), casamento (21.13-15). E bem possível que o objetivo de Levítico 21, ao iniciar por restrições quanto por quem o sacerdote poderia prantear (no caso do sumo sacerdote, nem mesmo por seus próprios pais!), seja dissociar a fé bíblica de qual­quer tipo de adoração ou contato corn os mortos — uma idéia que predominava no antigo Oriente Médio e uma prática em que os sacerdotes tinham um papel de grande importância. 

Todos esses regulamentos têm em comum o fato de que Deus “santifica/torna santo” o sacerdote (21.8,15,23; 22.9,16,32). O sacerdote, portanto, deve ser “santo”. De um modo geral, tais padrões são exclusivos e aplicados apenas ao clero de Israel. E claro que. em qualquer época, o chamado de Deus à santidade deve ser indubitavelmente exemplificado na vida daqueles que “[levam] os utensílios do Senhúr”12. Se estes não estabelecerem um padrão, como a congregação conseguirá demonstrar uma vida santa? 

Nessas regras para os sacerdotes, vemos mais uma vez que a santidade não é alcançada por meio de um afastamento da socie­dade. A santidade diz respeito ao relacionamento do indivíduo com sua família, cônjuge e empregados domésticos, e também a sua própria aparência física. 

As Festas Sagradas (23) 

Pessoas podem ser santas. Sacerdotes podem ser santos. Lu­gares e construções específicas podem ser santos. Essa seção adi­ciona certos dias e festas do calendário à lista. Dentre elas temos o Sábado (v. 3); a Páscoa e a Festa dos Pães Ázimos (vv. 4-8); a oferta das primícias que crescem na primavera, feita pelos agri­cultores a Deus na forma de um feixe de trigo, o qual recebe sua parte na colheita antes de qualquer outro (vv. 9-14); a Festa das Semanas ou Pentecostes (vv. 15-22); a Festa das Trombetas (w. 23,24); o Dia da Expiação (vv. 26-32); a Festa dos Tabernáculos (vv. 33-44). Parte de uma vida em santidade é, conforme Levítico 23, deixar nas mãos de Deus o controle de nossa agenda semanal (v. 3) e anual (vv. 4-44), orientando nosso trabalho a partir da adoração, e não o contrário. 

Esses dias santos eram para ser felizes. Freqüentemente, po­rém, os dois conceitos são mantidos isolados um do outro. E possí­vel ser santo e ao mesmo tempo infeliz; ou, embora perverso, fe­liz. O povo de Deus, ao menos na Festa das Semanas ou Pentecos­tes, devia se alegrar “perante o Senhor” (v. 40). 

Na maior parte desses dias, todo trabalho era suspenso (vv. 7,8,21,25,35,36), ou seja, tudo que se relacionava à profissão ou ao meio de vida do indivíduo, excetuando-se trabalhos mais leves que eram realizados, por exemplo, ao redor da casa. Já no Sábado (v. 3) e no Dia da Expiação (vv. 28,30,31), não era permitido abso­lutamente trabalho algum. Era um momento em que as famílias deviam ficar unidas. Hora de demonstrar generosidade e ajudar os pobres (v. 22). 

Afirmar que todos os dias são santos provavelmente redunda­ria no conceito de que nenhum dia é santo. Podemos ver parte da importância dessas festas judaicas nos profetas pós-exílicos. O povo de Deus viveu cativo durante setenta anos. Durante três quartos de século, não celebrou a Páscoa, o Pentecostes ou a Fes­ta dos Tabernáculos. Imagine um cristão que fosse impedido de celebrar o Natal, a Sexta-Feira Santa ou a Páscoa por um período tão longo! O Senhor então enviou dois interessantes profetas, cujos nomes simbolizavam a mensagem que traziam. Um foi Zacarias: “lembrado de Deus” ou “o Senhor lembrou”. Será mesmo? Pode­mos ter certeza de que ele não nos esqueceu? O segundo foiAgeu: “o festivo” ou “minhas festas”. Imagine... após setenta anos sem celebrar nenhuma festa, chegou-lhe um novo pastor chamado Reverendo Festas! Ambos os nomes falam da promessa e da fide­lidade de Deus. 

O Lugar Santo e o Nome Santo (24) 

Em relação ao Tabernáculo, dois pontos são mencionados. O primeiro é a necessidade de se utilizar azeite puro na iluminação do Tabernáculo (vv. 1-4). O segundo são os pães da propiciação que, consistindo em 12 pães de trigo (pelas doze tribos) arruma­dos em duas fileiras de seis unidades, deviam ser substituídos todo Sábado (vv. 5-9). Lemos, por quatro vezes, que esses procedi­mentos na tenda da congregação devem s er observados “continu­amente” (tâmid)\ ou seja, todos os dias, no caso dos versículos 1-4 (o acendimento do menorá do anoitecer ao alvorecer), e semanal­mente, no caso dos versículos 5-9 (quando os sacerdotes comem os pães sagrados). 

Vemos então a história de um homem mestiço que blasfemou contra o Nome (vv. 10-16). Tal infração exigia pena de morte, a qual era aplicada pela comunidade e não por um verdugo encapuzado (vv. 14,16). 

O capítulo encerra-se com uma seqüência de leis. E bastante óbvio o porquê de a primeira dessas leis, que fala sobre o crime cometido por uma pessoa ao matar outra (v. 17), vir aqui. Ela aparece logo após o relato do blasfemo que é apedrejado até a morte por seu crime. Nem sempre é ilegal tirar uma vida huma­na. Especialmente interessante é o ressurgimento da lex talionis para quem é aleijado por uma outra pessoa (vv. 19,20, ver Ex 21.23,24), ampliando sua aplicação a fim de atender tanto o es­trangeiro como o israelita (v. 22). Jacob Milgrom13 comenta-, “[o fato de] aquela lex talionis [...] ser estendida ao estrangeiro é uma das grandes realizações morais da legislação sacerdotal. Não ape­nas erradicou-se toda diferença entre poderosos e indefesos, mas também entre israelitas e não-israelitas”. A santidade autêntica suplanta todo paroquialismo e preconceitos tão característicos de uma vida iníqua. 

Os Anos Sabático e do Jubileu (25) 

Dois importantes anos são discutidos nesse capítulo: o Ano Sabático (vv. 1-7), a cada sete anos; e o Ano do Jubileu (vv. 8-55), a cada cinqüenta anos. 

O cerne do Ano Sabático é deixar a terra descansar a cada sete anos. Outros aspectos são mencionados em outras partes das Escrituras. Êxodo 23.10,11 afirma que o Ano Sabático é para o bem do pobre. Deuteronômio 15.1-11 diz que é para os devedores e para o perdão de suas dívidas. Ao deixar a terra descansar por um ano a cada sete, o povo de Deus é lembrado que a terra, pre­sente do Senhor a seu povo, precisa vez por outra de um descanso sabático, tal qual lhes é concedido semanalmente. Aprendem tam­bém a confiar em Deus para suas necessidades ao longo desse período. Como disse Kawashima, a promessa presente nos versículos 5-7 de que todos (proprietários, escravos, trabalhado­res, animais) comeriam a mesma comida, uma comida que cres­ceria naturalmente durante o Ano Sabático, evoca Gênesis 1, quan­do todas as coisas vivas partilhavam da generosidade de Deus. O Ano Sabático, portanto, não é um ano de fome, mas uma época em que todos retornam ao paraíso graças à fiel provisão divina para a necessidade de todos. 

O nome “Jubileu” é uma transliteração da palavra hebraica yobel (v. 10), que pode ser igualmente traduzida por “carneiro” ou “chifre de carneiro”, cujo som anuncia o início do Ano do Jubileu. Tal como no Ano Sabático, a terra devia descansar (vv. 11,12). As propriedades vendidas deviam ser devolvidas ao proprietário ori­ginal (vv. 25-55) sem qualquer compensação ao presente dono. A propriedade das terras devia ser equilibrada a cada cinqüenta anos. Encontramos o embasamento teológico disso no versículo 23: “porque a terra é minha”. Ele é o Deus da terra e das relações econômicas. 

No Ano do Jubileu, de maneira bem mais ampla que no Ano Sabático, Deus coloca seu povo em uma situação potencialmente ainda mais devastadora, na qual as pessoas precisam confiar nEle. No quadragésimo nono e no qüinquagésimo ano, nada é semeado. E se o quadragésimo oitavo ano tivesse sido um ano de seca? Iria Deus sustentá-los por três difíceis anos (como nos versículos 20 e 21)? Há um paralelo entre essa história e o relato de Êxodo 16, quando Deus instrui seu povo a não recolher maná no Sábado, providenciando o dobro do suprimento diário no sexto dia para que sobrevivessem durante o sétimo. 

Ao parente daquele que, por uma ou outra razão ficasse pobre, cabia resgatar as dívidas daquela pessoa (vv. 25-28,35-38,47-55). Era também proibido ao credor cobrar juros ou lucrar com a hos­pedagem de tal pessoa (vv. 35-38); e não era permitido que o deve­dor fosse tratado como escravo, caso a pobreza o forçasse a se entregar como escravo. 

Os versículos 24-55 usam as palavras “resgate, resgatar e resgatador” dezoito vezes (vv. 24,25,26[2x],30,31,32,33,48[2x], 49[3x],51, 52, 54). O verbosa/(“resgatar”) e os substantivos goel (“resgatador” e “resgate”) só voltam a aparecer em Levítico no capítulo 27 (nove vezes: vv. 13,15,19,20[2x],27,28,31,33 — na verdade, doze vezes se contarmos os versículos em que a raiz apa­rece duas vezes (w. 13,19,31), característica essa que não é apa­rente na tradução em português). Misturadas a todas essas refe­rências a resgates em 25.24-55, encontramos algumas esparsas ao Ano do Jubileu (vv. 28[2x],30,31,33,40,50,52,54). Obviamente, a lei do resgate parece ser uma opção melhor que o Ano do Jubileu. Pa­rece preferível, por exemplo, recuperar uma propriedade tão logo a situação financeira o permita ou ter um parente próximo que o faça, que esperar até o próximo Ano do Jubileu, principalmente se faltam décadas. 

Ronald Sider14 acertadamente comenta: “O fato de a trombeta que anuncia o Ano do Jubileu soar antecipadamente, no Dia da Expiação, não é uma mera coincidência (25.9)! Reconciliar-se com Deus é precondição para que haja reconciliação com irmãos e ir­mãs. Por outro lado, uma reconciliação genuína com Deus leva, inevitavelmente, a uma transformação de todos os outros relacio­namentos”. Mais uma vez, a verdadeira santidade transborda sobre os relacionamentos interpessoais — nesse caso, em especial os pobres, endividados ou escravizados. 

Os Dois Caminhos (26) 

Os dois caminhos são uma comparação entre o estilo de vida que traz as bênçãos de Deus (vv. 3-13) versus o estilo de vida que traz a ira de Deus (vv. 14-46). Levítico 26 poderia ser chamado de o “apelo” de Levítico. Esse capítulo funciona para Levítico tal qual Deuteronômio 27 e 28 funciona para Deuteronômio. As bênçãos possuem três aspectos: chuva suficiente para a colheita (v. 4), paz na terra (v. 6) e, acima de tudo, a presença de Deus (v. 11). A ira de Deus inclui circunstâncias que vão de enfermidades e doenças (v 16) até a guerra (vv. 23-29), cujas conseqüências são pragas, fome e canibalismo. 

Votos Religiosos (27) 

Seria mais exato dizer que esse capítulo lida com o cancela­mento de votos religiosos, não sua feitura. Existe então espaço na fé do Antigo Testamento para uma “dessantificação” legítima? Esse capítulo responde que, em certos casos, sim. 

1. Pessoas podem ser resgatadas (vv. 1-8). 

2. Somente animais impuros podem ser resgatados (vv. 9-13). mas não animais puros que podem ser ofertados. 

3. Casas podem ser resgatadas (vv. 14,15). 

4. Terras podem ser resgatadas (vv. 16-25). 

5. Somente os primogênitos impuros podem ser resgatados (w. 

26,27) . 

6. Nenhuma “coisa consagrada” (pessoa, animal ou terra) pode ser resgatada (vv. 28,29). 

7. O dízimo das colheitas pode ser resgatado, mas não o dízimo dos animais (vv. 30-33), pois podem ser oferecidos ao Senhor (como no item 2). 

Em cada caso, se a pessoa desejar recuperar o que havia sido dado a Deus, deverá acrescentar 20% ao valor do item (vv. 13,15,19,27,31). Essa deve ser a forma de a Bíblia dizer que o compromisso de um voto, dando algo ou alguém a Deus, não deve, tal qual o casamento, “ser assumido de forma negligente ou im­prudente”. O capítulo pode ser um adendo aos capítulos 17—26, como sugerem muitos estudiosos, pois Levítico 26.46 soa como uma conclusão. Caso seja um adendo, é ainda assim um fantásti­co e adequado adendo, não apenas aos capítulos 17—26, mas tam­bém aos capítulos 1—26. O capítulo 26 se concentra em recompensas/punições para a obediência/desobediência. Já no 27 não há uma única palavra sobre recompensas. Não há nada como: “Aquele que fizer um voto em especial receberá minha bênção”. Levítico se encerra com o inestimável privilégio de atos puros de adoração e devoção a Deus, motivados não por qualquer promes­sa de prosperidade (aliás, você ficaria 20% mais pobre), mas tão somente pelo amor por Deus e seu santuário. 

O capítulo 26 anunciou os votos de Deus para o povo. Nada seria mais apropriado que dedicar o capítulo seguinte aos votos do povo para Deus. No âmago da religião e da santidade, temos promessas e compromissos: de Deus para mim e de mim para Deus. 

O Código de Santidade (Lv 17—27) 

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11 The Religion of Israel. Traduzido por M. Greenberg. Chicago: University of Chicago Press, 1960, pp. 318,319. 

12 Isaias 52.11b. (N. do T.) 

13 “Lev. 17-26, The Holiness Source”. EncJudrt 11, 1971, p. 146. 

14 Rich Christians in an Age of Hunger: A Biblical Study. Downers Grove. 111.: InterVarsity Press, 1977, p. 89.