30 de janeiro de 2017

R. K. HARRISON - Leis de Purificação

harrison danilo moraes
b. A purificação depois do parto (12:1-8)

Alguns comentaristas acharam dificuldade com esta seção das leis da purificação, visto que parece designar como impuro o ato do par­to que foi o resultado do mandamento de Deus no sentido de ser fru­tífero e multiplicar (Gn 1:28). Visto que os filhos eram considerados uma herança e dádiva da parte de Deus (SI 127:3), e uma mulher frutí­fera era considerada bendita por Deus (cf. SI 128:3), pareceria algo surpreendente que o nascimento de um filho fosse considerado uma circuns­tância pecaminosa que precisasse, portanto, de expiação. A legislação, porém, trata das secreções que ocorrem no parto, e são estas que tornam imunda a mãe. Logo, o Capítulo deve ser lido no contexto do capítulo 15, que também trata das secreções do corpo.

1-4. Quando uma mulher tiver um menino, é imunda no que diz respeito ao seu lar por um período de sete dias, assim como ocorria com a sua menstruação. No oitavo dia, o filho era circuncidado (cf. Gn 21:4), mas outros trinta e três dias teriam de passar antes de a mulher poder participar mais uma vez da adoração no santuário. A circuncisão tinha sido instituída por Deus como sinal da Sua aliança com Abraão (Gn 17: 12). Era praticada também, por razões diferentes, entre os povos semi­tas ocidentais, inclusive os amonitas, os moabitas, os árabes e os edomitas, mas não ocorria entre os filisteus, os cananeus, os assírios ou os babilônios. O rito era normalmente levado a efeito com uma faca de pe­derneira, pelo pai, mas ocasionalmente a mãe oficiava (Êx 4:25). Por este ato, o filho do sexo masculino era formalmente iniciado no corpo do povo da aliança. Na dispensação cristã, o batismo tem sido consi­derado por muitos como sendo o equivalente neotestamentário da cir­cuncisão, mas os paralelos são por demais superficiais e restritos para serem inteiramente convincentes ou válidos.

A circuncisão no oitavo dia é ideal do ponto de vista da medici­na, sendo que depois daquele período o desenvolvimento nervoso e vas­cular da criança torna a resseção uma intervenção mais dolorosa. Além disto, crianças recém-nascidas são suscetíveis à hemorragia até ao quin­to dia da vida, devido a níveis inadequados no corpo de vitamina K e de protrombina, sendo que estes dois elementos são importantes na coa­gulação. Já no oitavo dia o nível da protrombina estabilizou-se em 100%, fazendo com que seja uma ocasião apropriada para a circuncisão. Sus­tenta-se também que certos benefícios médicos são desfrutados por aqueles que praticam a circuncisão. Por exemplo, a resseção remove a causa da fimose, uma condição dolorosa e embaraçosa, e evita qualquer acúmulo de esmegma que normalmente seria depositado entre a corona glandis e o prepúcio. Smegma praeputti, produzido por homens adultos, tem sido revelado como poderoso agente carcinogênico, e é frequentemente culpado pela incidência do câncer uterino. Os homens circuncida­dos supostamente experimentam um ritmo mais controlado de excita­ção sexual do que os demais, e raras vezes, ou talvez nunca, padecem o câncer raro do órgão masculino.

O ato da circuncisão não purificava a criança, visto que o nenê já era cerimonialmente limpo ao nascer. A purificação à qual se submetia a mãe era rigorosamente o resultado das secreções que acompanhavam o nascimento. Os corrimentos envolvem detritos de tecidos, mucosa e san­gue, e são chamados os lóquios. Duas etapas são normalmente experi­mentadas depois do parto, a primeira (lochia cruenta) sendo manchada com sangue, ao passo que a segunda (lochia alba) tem uma aparência mais pálida, e está livre do sangue. A não ser que haja alguma retenção dos ló­quios no útero, o corrimento é frequentemente de duração comparati­vamente curta, mas pode durar até seis semanas em certas circunstâncias. As leis da purificação depois do parto, portanto, abrangem o período máximo de tempo que os lóquios poderiam continuar.

28 de janeiro de 2017

Povos menos conhecidos do Antigo Testamento

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danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica



VICTOR P. HAMILTON: Puro e Impuro Levítico 11—15

victor hamilton danilo moraes
Puro e Impuro Levítico 11—15 

Em meio ao capítulo 10, somos informados de que uma das funções do sacerdote é “fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo, e [...] ensinar [...] todos os estatutos que o Senhor lhes tem falado...” (vv. 10,11) O sacerdote, portanto, é tanto celebrante como educador, tanto liturgista como instrutor. 

Mesmo aqui, fica claro que Arão está subordinado a Moisés. A distinção entre sagrado e profano, puro e impuro, que se segue nesses três capítulos, não é idéia de Arão. Nem são distinções ela­boradas em conjunto por Arão, Eleazar e Itamar. Eles devem en­sinar aquilo que Deus falou a Moisés (v. 11). Os capítulos come­çam com “falou o Senhor a Moisés e a Arão” (11; 13) ou “falou o Senhor a Moisés” (12; 14). Moisés podia ouvir sozinho; Arão, ape­nas na companhia de Moisés. 

Em Levítico 10.10, aparecem quatro palavras-chave hebraicas, que se destacam ao longo dos cinco capítulos: (1) “santo” (cõdes); (2) “profano” (hôt)\ (3) “imundo/impuro” (tamey, e (4) “limpo/puro” (tâhôr) — em especial as duas últimas. Duas falam do que é dese­jável (santo e limpo/puro), duas do que é indesejável (profano e imundo/impuro). “Santo” e “limpo/puro”, as duas palavras positi­vas, não são exatamente sinônimos. O mesmo acontece com “profano” e “imundo/impuro”. Podemos perceber que as duas primeiras não são intercambiáveis, pois, apesar de a Bíblia chamar Deus de “santo” nunca o chama de “puro”. Existem versículos nos quais Deus diz: “Santos sereis, porque eu, o Se­nhor, vosso Deus, sou santo”1. Não existe versículo em que se leia: “Puros sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou puro”. E claro que nada nem ninguém é santo sem ser limpo e puro. Nada nem ninguém pode ser santo e impuro ao mesmo tempo. Por outro lado, algo ou alguém que seja “profano” pode ser puro ou impuro. 

É questionável se o oposto mais exato de “santo” é “profano” ou “impuro”. Alguns afirmam que “profano” é o melhor antônimo (ver Lv 10.10), enquanto outros defendem “imundo/impuro”. Miller conseguiu um interessante meio-termo: “embora o oposto da san­tidade seja o comum ou o profano, seu adversário é a impu­reza. 

27 de janeiro de 2017

Ramote-Gileade

antigo testamento danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

ROY B. ZUCK - A interpretação bíblica — o que é e por que fazê-la

exegese hermeneutica danilo moraes

A interpretação bíblica — o que é e por que fazê-la


Certo executivo estava de viagem bem longe de casa. Solteirão, trabalhava como alto funcionário num importante órgão do governo. Para ser mais exato, era o tesoureiro encarregado de todos os recursos financeiros daquele departamento.
Retomando da Palestina, seguia por uma estrada deserta a sudoeste de Jerusalém. Como havia quem conduzisse o veículo, pôde ir lendo. Enquanto em voz alta, reparou que um homem a seu lado escutava a leitura. O homem perguntou ao viajante se compreendia o que estava lendo.
O leitor era um etíope, oficial da corte de Candace, rainha da Etiópia (At 8.27). Filipe, a quem Deus havia orientado que se encontrasse com o oficial, juntou-se a ele no caminho de volta à Etiópia (vv. 26-29). Filipe iniciou um diálogo com o homem fazendo uma pergunta ligada à interpretação bíblica: “Compreendes o que vens lendo?” (v. 30). O tesoureiro respondeu: “Como poderei entender, se alguém não me explicar?” (v. 31). Depois de convidar Filipe a subir na carruagem, o africano perguntou se, em Isaías 53.7, 8, o profeta estava referindo-se a si mesmo ou a outra pessoa. Sua pergunta revelou que precisava de ajuda para interpretar a passagem. Filipe explicou que o trecho falava de Jesus. No final da conversa, o africano aceitou o Senhor como seu Salvador.
Esse diálogo no deserto acentua duas coisas. Primeiramente, a mera leitura das palavras de uma página da Bíblia não significa necessariamente que o leitor compreende seu significado. Dentre as muitas etapas do estudo bíblico, a primeira é a observação do que a Bíblia diz. É importante saber o que o texto afirma de fato. Mas, às vezes, essa observação pode gerar dúvidas sobre o sentido do que foi lido. Muitas pessoas ficam confusas quando leem trechos da Bíblia, sem saber ao certo qual o significado do texto, ou então acabam interpretando-o erroneamente.
Em segundo lugar, o episódio do evangelista e do eunuco mostra que uma orientação adequada ajuda as pessoas a interpretar o que leem na Bíblia. A pergunta “compreendes o que vens lendo?” indicava a possibilidade de o leitor não estar entendendo, mas, também, que era possível entender. Aliás, quando o tesoureiro pediu que lhe explicasse a passagem, estava reconhecendo que, sozinho, não era capaz de entendê-la corretamente e que sentia necessidade de ajuda para interpretá-la.
Vários meses depois que Neemias concluiu a reconstrução dos muros de Jerusalém e os israelitas haviam-se instalado em suas cidades, o escriba Esdras leu para a congregação no “livro da lei de Moisés” (os cinco primeiros livros da Bíblia). O povo  havia-se reunido em frente à Porta das Águas (Ne 8.1). Esdras leu na lei desde o amanhecer até o meio-dia (v. 3). Os levitas também leram na lei em voz alta, “claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia” (vv. 7.8). Em consequência, todos do povo alegraram-se, “porque tinham entendido as palavras que lhes foram explicadas” (v. 12).

Por que a interpretação bíblica é importante

26 de janeiro de 2017

A data de Deuteronômio

arqueologia antigo testamento
danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica


25 de janeiro de 2017

Mitani

danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

TREMPER LONGMAN III - A vida de José - Gênesis 37—50

tremper longman danilo moraes
A vida de José  - Gênesis 37—50 

Chegamos agora ao último toledot de Gênesis, o toledot (ou “história da família”) de Jacó (Gn 37.2). Mantendo o padrão que já vimos até agora, o toledot de Jacó tem como foco os filhos de Jacó. Dentre todos os filhos de Jacó, é a história de José que ouvimos de modo mais completo, embora observaremos uma curta interrupção com um relato sobre Judá (Gn 38). Denominarei esta secção de história ou relato de José, pelo fato de ele ser seu prin­cipal protagonista. Uma das primeiras coisas que os estudiosos observam quando começam a ler a história de José é a mudança no estilo e na qualidade literários. Enquanto as narrativas patriar­cais consistem de episódios curtos e vagamente ligados entre si, a história de José tem a característica de um conto ou pequeno romance. Embora existam cenários diferentes, o enredo é mais coerente do que aquilo que vimos até agora. Também há uma coerência temática, o que se observa, em parte, pelo emprego frequente do termo “abençoar”/“bênção” ao longo do relato. Não somente José é abençoado, mas aqueles ao seu redor também o são. Afinal, Deus estava com ele. 

Lembre-se, José não é um dos patriarcas. Mais tarde gera­ções irão se referir ao “Deus de Abraão, Isaque e Jacó”. Note que José não é incluído nesta lista. A história de José provê uma ponte entre os patriarcas e o relato do êxodo, oferecendo uma explica­ção sobre, antes de mais nada, como os israelitas chegaram ao Egito. Embora não seja ele mesmo um patriarca, José é, clara­mente, o recipiente das promessas patriarcais feitas a Abraão. Frequentemente leremos que Deus esteve “com ele”, abençoan­do-o e àqueles que estavam em sua presença. 

O tema do relato de José (Gn 50.19-20). Para realmente enten­dermos a história de José, temos de começar perto do fim, pois ele próprio pronuncia o tema de sua vida. Depois da morte de Jacó, os onze irmãos, que anteriormente haviam maltratado o agora poderoso irmão José, estão preocupados que José tenha esperado até esse momento para se vingar deles. Eles se ofere­cem para servi-lo, desde que não lhes faça mal. José fica ofendido e responde, dizendo: “Não temais; acaso, estou eu em lugar de Deus? Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” (Gn 50.19, 20). Aliás, na medida que refletimos sobre a vida de José tal como é narrada em Gênesis 37—50, ficamos impressionados com a verdade dessa declaração. De uma perspectiva humana, a vida de José se parece com uma série de golpes duros sem nenhum sentido. José, porém, enten­de que sua vida tem um significado imenso. 

15 de janeiro de 2017

R. K. HARRISON -Diferenciando animais limpos e imundos

harrison danilo moraaes antigo testamentoDIFERENCIADOS OS LIMPOS E OS IMUNDOS 

Esta seção trata das questões da vida diária, que teriam uma aplicação importante à pureza cerimonial. Para os hebreus antigos, serem santos, distintivos e sacerdotais no seu caráter não era um ideal abstrato, mas, sim, uma realidade que podia ser atingida, que tinha dimensões práticas na vida de todos os dias. A lei, portanto, ofe­rece diretrizes pormenorizadas para o benefício da comunidade, de tal maneira que todas as formas possíveis de contaminação possam ser evi­tadas.

a. Espécies limpas e imundas (11:1-47)

Visto que o alimento é básico para a sobrevivência humana, é natu­ral que as considerações dietéticas apareçam em primeiro lugar nas ques­tões práticas. A determinação daquilo que é puro ou impuro não re­presenta o acúmulo da sabedoria folclórica, mas, pelo contrário, é rece­bida diretamente de Deus por Moisés. Como tais, estes estatutos estão revestidos do mesmo tipo de autoridade que os regulamentos sacrificiais. Se é que a nação há de ser um reino de sacerdotes e um povo santo, a observância destas regras dietéticas é obrigatória.

1-4. A lista começa numa nota positiva, e trata daquilo que é permissível como alimento entre os animais terrestres. É enunciado um princípio simples que qualquer pessoa pode aplicar, a saber: qualquer animal que tem as unhas completamente fendidas e que rumina, é apro­priado para o consumo humano. Qualquer outro mamífero é imundo, e não deve ser comido. Esta regra é um substituto compreensivo para a enumeração algo mais detalhada das espécies na matéria coresponden­te Deuteronômio 14. A fim de eliminar os casos incertos, a lei declara que se um animal tiver apenas uma das duas exigências declaradas, não se deve comê-lo. Destarte, o camelo é excluído, porque não tem unhas completamente fendidas, pois tem uma almofada de tecidos em baixo que lhe dá tração excelente na areia, mas que impede o animal de ter unhas completamente fendidas.

Deuteronômio e a forma de estabelecer alianças

arqueologia danilo moraes
Bíblia de Estudos Arqueológica

1 de janeiro de 2017

Herança no antigo Oriente Médio

arqueologia danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica