2 de abril de 2017

RALPH L. SMITH - O reavivamento da teologia do Antigo Testamento

REAVIVAMENTO ANTIGO TESTAMENTO

O reavivamento da teologia do Antigo Testamento

O que causou essa súbita mudança na teologia do Antigo Testamento? O que a trouxe de volta à vida? A principal causa da mudança na teologia e nos estudos bíblicos foi a “precipitação radioativa” da Primeira Guerra Mundial. Antes de 1917, a atitude que prevalecia no mundo ocidental era de confiança no progresso inevitável. As pessoas podiam erguer-se por seus próprios esforços de qualquer crise e transformá-la em meio para alcançar um padrão mais elevado de vida.

E então em apenas uma geração ocorreram duas guerras mundiais, com toda sua destruição, devastação, crueldade, ódio e alienação. A confiança no progresso inevitável e na bondade e capacidade inerentes à humanidade foi esmagada. As pessoas começaram a buscar uma fonte de força e uma palavra de orientação fora de si mesmas. Algumas encontraram essa força e orientação na Palavra de Deus.

Karl Barth descreveu a mudança na teologia depois de 1918:

O fim efetivo do século XIX como os “bons velhos tempos” chegou para a teologia e para tudo o mais com o ano fatídico de 1914. Acidentalmente ou não, naquele mesmo ano um evento significativo aconteceu. Emst Troeltsch, famoso professor de teologia sistemática e líder da escola mais moderna de então, desistiu de sua cadeira de teologia por uma de filosofia.

Um dia no começo do mês de agosto de 1914 sobressai em minha lembrança como um dia negro. Noventa e três intelectuais alemães impressionaram a opinião pública ao proclamar apoio à política de guerra de Guilherme II e seus conselheiros. Descobri horrorizado que entre esses intelectuais encontravam-se quase todos os meus professores de teologia pelos quais eu tinha grande veneração. Desesperado em saber o que isso indicava acerca dos sinais dos tempos, percebi de repente que eu não podería mais seguir a ética ou a dogmática deles nem o entendimento que eles tinham da Bíblia e da história. Para mim pelo menos a teologia do século XIX não tinha mais nenhum futuro. Para muitos, se não para a maioria das pessoas, essa teologia não voltou a ser novamente o que era antes, uma vez que as águas da chuva que caiam sobre nós naquela época perderam um pouco de sua força.[1]

James Smart disse que o comentário de Karl Barth sobre Romanos, publicado em 1919, foi “como a explosão de uma bomba, ou melhor, como a introdução de uma substância química que provocou a separação dos elementos divergentes que se haviam misturado nos estudos eruditos do Novo Testamento”.32 Segundo Smart, a origem do comentário de Romanos foi a frustração sentida por dois pastores suíços, Barth e Thumeysen, ao tentar cumprir seus votos de ordenação para serem ministros da Palavra de Deus junto ao seu povo. Ambos tinham sido treinados em crítica histórica, mas não na compreensão da Palavra de Deus como revelação única de Deus ao povo. Contudo, era esse o ponto a partir do qual tinham de falar como ministros de Deus.

Barth e Thumeysen voltaram-se para Lutero, Calvino, Kierkegaard e outros, à procura de ajuda. Desafiaram as conclusões de um século de estudos eruditos do Novo Testamento. Os leitores encontraram de imediato muitas falhas no comentário (ele foi talhado de modo tão rudimentar que Barth começou a reescrevê-lo assim que acabou), mas os estudiosos do Novo Testamento foram obrigados a reconhecer a legitimidade da abordagem teológica.[2]

1 de abril de 2017

Tell Beit Mirsim

arqueologia bíblica
Bíblia de Estudo Arqueológica

30 de março de 2017

A transposição do abismo gramatical

danilo moraes
Um fato característico da Reforma foi o retomo à interpretação histórica e gramatical das Escrituras. Esse método contrapunha-se radicalmente ao esquema de interpretação bíblica que vinha sendo utilizado havia séculos: a concepção que desprezava o sentido gramatical normal dos termos e permitia que os leitores atribuíssem a palavras e frases o significado que desejassem.
                                 
As palavras, expressões e frases da Bíblia adquiriram muitos significados na Idade Média, e a objetividade foi-se perdendo. “Então, como a Bíblia podia ser uma revelação divina clara?”, perguntavam os reformadores.
Eles argumentavam que Deus havia transmitido sua verdade por escrito, empregando palavras e frases cujo sentido normal, evidente, o homem deveria ser capaz de compreender. Portanto, quanto melhor entendermos a gramática bíblica e o contexto histórico em que aquelas frases foram inicialmente comunicadas, tanto mais compreenderemos as verdades que Deus quis transmitir-nos.
Por que a interpretação gramatical é importante?
Vários fatores destacam a importância de atentar para a gramática bíblica (os significados de palavras e frases e a maneira como são combinadas).
A natureza da inspiração
Se cremos que a Bíblia foi verbalmente inspirada, então acreditamos que cada palavra nela contida é importante. Talvez nem todas as palavras e frases tenham a mesma importância, mas todas elas têm uma finalidade. Do contrário, por que Deus as teria incluído?

28 de março de 2017

Canaã

biblia de estudo arqueológica

danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

Hazor

biblia de estudo arqueológica
danilo moraes antigo testamento
Bíblia de Estudo Arqueológica


17 de março de 2017

R. K. Harrison - Leis Rituais

antigo testamento danilo moraes
LEIS RITUAIS 

O sangue sacrificial (17:1-16)

A matéria neste capítulo forma um suplemento à legislação conti­da nos sete primeiros capítulos do livro, e também tem conexão muito estreita com o capítulo 16. Desde a formulação da teoria Graf-Wellhausem da composição do Pentateuco, perto do fim do século XIX, a erudi­ção crítica-literária tem uniformemente considerado que Levítico 17 — 26 perfaz um assim-chamado “código de santidade” que, de acordo com esta teoria, foi acrescentado ao “documento” sacerdotal um pouco de­pois do tempo de Ezequiel.[1] Infelizmente, este ponto de vista não po­de ser apoiado por qualquer forma de evidência objetiva, e tem o demé­rito de separar esta matéria auxiliar que rege as leis rituais das preocupa­ções do livro como um todo, que é, sem dúvida alguma, um manual de santidade. Embora esteja na moda nos círculos crítico-literários ver ele­mentos “posteriores” na segunda metade de Levítico, mesmo assim é verdade que não há um só aspecto desta matéria legislativa que seja in­consistente com uma data de origem no segundo milênio a.C.

O capítulo começa com uma fórmula que é típica de Levítico (cf. Lv 1:1; 4:1; 6:1; 7:28, etc.), depois da qual trata de quatro situações em que o sacrifício e o consumo da carne estão envolvidos. Sua unidade com os capítulos anteriores é percebida na sua recapitulação das ques­tões discutidas anteriormente, (cf. Lv 7:26-27 e 17:10-15; 11:39-40 e 17:15-16), com ênfase especial dada ao significado do sangue no uso sa­crificial. Outra razão porque este capítulo tem pouca probabilidade de fazer parte de um “código de santidade” sacerdotal separado é que não diz virtualmente nada acerca do lugar dos sacerdotes na questão dos sa­crifícios. Pelo contrário, focaliza o papel do adorador comum no siste­ma sacrificial, e trata dos procedimentos corretos da imolação e das penalidades aplicáveis quando o sangue é usado erroneamente. Preocupa­ções higiênicas também fazem parte destacada da legislação a respeito da ingestão do sangue.

1-2. Uma fórmula introdutória indica que esta matéria, como as demais seções antes dela, tem a autoridade da revelação divina. Deve fa­zer parte do corpo sacerdotal de ensinos, e deve ser comunicada à nação inteira como mandamento da parte de Deus. Estas injunções, se forem guardadas, garantirão a continuidade do modo de vida distintivo de Is­rael, mas se forem desrespeitadas, a nação é advertida quanto ao castigo que se seguirá.

Parando o sol

antigo testamento arqueologia
Bíblia de Estudo Arqueológica

16 de março de 2017

Gibeom

antigo testamento danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

10 de março de 2017

Descobertas arqueológicas na cidade de Ai


biblia de estudo arqueologica
danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica


8 de março de 2017

FACULDADE DE TEOLOGIA

Estude Teologia

BACHAREL EM TEOLOGIA - ESTUDE TEOLOGIA

Estude Teologia

7 de março de 2017

VICTOR P. HAMILTON - Preparações para a Partida do Sinai - Números 1.1—10.10

victor hamilton danilo moraes
Preparações para a Partida do Sinai - Números 1.1—10.10 

Se, em certos aspectos, “Levítico” parece um título estranho para o terceiro livro do Pentateuco, o mesmo poderia ser dito sobre o título do quarto livro. “Números” vem de Numeri na Vulgata, ex­traído de Arithmoi, da Septuaginta. Existem, com certeza, conta­gens e listas de números ao longo desse livro (como, por exemplo, as listas dos censos, dos capítulos 1 e 26; e o censo dos levitas, nos capítulos 3 e 4), mas tais capítulos não são a regra de Números. 

Na Bíblia Hebraica, o título desse livro é “No Deserto”, extraído da quarta palavra do texto hebraico de Números 1.1 (“Falou mais o Senhor a Moisés, no deserto...”). O deserto, aquela faixa de terra quase desabitada entre Egito e Canaã, onde vemos Israel entrar em Êxodo 15.22, é o cenário geográfico de Números. Como tal, era um lugar onde o povo aprofundaria sua confiança no poder de Deus para suprir suas necessidades, ou duvidaria das capacidades e re­cursos de seu Deus. A medida que atravessassem essa zona inter­mediária “entre a libertação e o desterro”1, o deserto representaria para Israel ótimas possibilidades ou grandes problemas. 

É quase um consenso que o livro de Números deixa muito a desejar e é por demais enigmático na apresentação de seu material. 

Por esse motivo, B. A. Levine (1976: 634) o vê como “o menos coe­rente dos livros da Torá”. A visão de R. C. Dentan2 é semelhante: “Considerando que o livro não é de fato coeso nem foi composto de acordo com qualquer plano lógico ou predeterminado, qualquer esboço que lhe seja imposto terá de ser reconhecido como ampla­mente subjetivo e arbitrário”. Para citar ao menos um exemplo, os comentaristas tentam justificar o porquê de o capítulo 15, um compêndio de leis diversas, vir entre os relatos dos espias/batedores (13—14) e o da rebelião de Corá (16). 

São poucos os que discordam dessa visão; dentre eles está Brevard Childs. Ele defende a tese de que todo material em Nú­meros — ritualístico, legal, narrativo e até mesmo as informações estatísticas — gira em torno do tema universal da santidade. Childs3 observa: “Apesar da diversidade de assuntos e da comple­xa estrutura literária, o livro de Números mantém uma interpre­tação sacerdotal unificada da vontade de Deus para seu povo, a qual é exposta em um nítido contraste entre o santo e o profano”. Sinto-me mais inclinado a aceitar a avaliação de Childs que a defendida por aqueles que vêem Números como uma coletânea aleatória de materiais J4, E5 e, principalmente, P6. 

Talvez seja melhor começar observando as divisões internas do livro, com base nas informações geográficas e cronológicas. 

1.1-10.1 — Preparações para a partida do Sinai. 

1.1: “Falou mais o Senhor a Moisés, no deserto do Sinai [...] no primeiro dia do segundo mês, no segundo ano da sua saída da terra do Egito”. 

10.11—20.21 - Partida do Sinai e chegada a Cades. 

10.11: “no segundo ano, no segundo mês, aos vinte do mês. que a nuvem se alçou de sobre o tabernáculo da congregação”. 

20.22—36.13 - Jornada de Cades para Moabe. 

20.22: “Todo o povo de Israel saiu da cidade de Cades”. 

É preciso notar que não há consenso entre os comentaristas em relação ao ponto de término da segunda seção e início da ter­ceira. Tanto M. Noth como R. C. Dentan concluem a segunda se­ção em 20.13. G. B. Gray7 encerra a segunda seção em 21.9. A New Oxford Annotated Bible (Nova Bíblia Anotada Oxford)8, nas notas editoriais, finaliza a segunda seção em 21.13. F. L. Moriarty9 sugere 22.1 como a conclusão dessa unidade. 


Dennis Elson, em diversos estudos (1985, 1996, 1997), sugere dividir Números em duas seções. Utilizando como chave os dois censos dos capítulos 1 e 26, sua primeira unidade é definida do capítulo 1 ao 25; a segunda, do 26 ao 36. A primeira parte cobre a geração de israelitas que saiu do Egito, dos quais ninguém conse­guiu chegar a Canaã (com exceção de Josué e Calebe). Pereceram no deserto por causa de sua incessante desobediência e pecaminosidade. A outra parte cobre a geração que nasceu no de­serto, a segunda geração, os quais entrariam em Canaã sob a li­derança de Josué e para quem Deuteronômio foi escrito. Assim, para Olson, Números fala sobre a morte do que é velho (1—25) e o nascimento do que é novo (26—36), com Deus tendo de começar novamente. 

Jericó e a Data da Conquista


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Bíblia de Estudo Arqueológica


4 de março de 2017

Os muros de Jericó

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Bíblia de Estudo Arqueológica

3 de março de 2017

RALPH L. SMITH - A história da teologia do Antigo Testamento (Parte 1)

A história da teologia do Antigo Testamento

A teologia do Antigo Testamento: uma disciplina moderna com raízes antigas

A história da teologia do Antigo Testamento é longa, fascinante e sinuosa. Embora essa disciplina em sua forma moderna mal tenha 200 anos, suas raízes remontam ao próprio Antigo Testamento. Muitos estudiosos do Antigo Testamento datam o início do estudo moderno da teologia do Antigo Testamento com a palestra inaugural de Johann Philipp Gabler na Universidade de Altdorf em 1787. Até a época de Gabler a igreja não fazia distinção entre teologia dogmática e teologia bíblica ou entre teologia do Novo Testamento e teologia do Antigo Testamento. Gabler pensava que se deviam fazer essas distinções. Embora ele não tenha escrito uma teologia do Antigo Testamento, estabeleceu os princípios básicos e o método pelos quais seria possível escrever uma teologia bíblica e uma teologia do Antigo Testamento. Gabler era racionalista e provavelmente estava irritado com o que considerava uma força repressora que a igreja exercia sobre a exegese e sobre a interpretação das Escrituras.

Naquela época talvez só um racionalista poderia pedir ou teria pedido de fato uma separação entre teologia dogmática e bíblica. A separação que se seguiu teve um efeito distorcido. Em vez de estabelecer as doutrinas do Antigo Testamento de modo mais claro, as primeiras teologias do Antigo Testamento filtraram o material teológico do Antigo Testamento com as lentes do racionalismo.

É provável que o primeiro livro a usar o título Teologia do Antigo Testamento tenha sido Theologie des Alien Testaments de G. L. Bauer, publicado em Leipzig em 1796. Bauer também era racionalista; Hayes e Prussner disseram que Bauer avaliava continuamente o material do Antigo Testamento segundo os padrões de sua interpretação racionalista da religião. Desviou-se do seu caminho “para destacar os elementos mitológicos, lendários ou miraculosos nas escrituras hebraicas e para rejeitá-los como superstições de uma raça primitiva”.[1] [2] Joseph Blenkinsopp disse que Bauer obteve a distinção de escrever a primeira teologia do Antigo Testamento e, ao mesmo tempo, de rejeitar como indignos de maior atenção cerca de quatro quintos do Antigo Testamento.2

Lançando a semente da teologia do Antigo Testamento

Para que se possa entender os problemas da teologia do Antigo Testamento e os debates sobre ela, precisa-se começar não com Gabler, mas com o próprio Antigo Testamento. E depois deve-se rastrear a história do uso teológico que vários grupos têm feito do Antigo Testamento através dos séculos.

2 de março de 2017

A Conquista de Canaã

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Bíblia de Estudo Arqueológica


28 de fevereiro de 2017

O acampamento em Gilgal

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Bíblia de Estudo Arqueológica

R. K. Harrison - O Dia da Expiação - Levítico 16

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O DIA DA EXPIAÇÃO (16:1-34)

Este capítulo perfaz o eixo cerimonial e teológico sobre o qual gi­ra o livro inteiro de Levítico. A legislação anterior já tratou dos tipos diversos dos sacrifícios e em que condições deviam ser oferecidos, sendo que enfatizava as providências para as necessidades individuais. Agora focaliza-se a expiação feita para todas as impurezas e os pecados invo­luntários da totalidade da congregação israelita, a começar com o sacer­dócio. Seis meses depois de a páscoa ter sido celebrada, o povo era or­denado a “afligir-se”, após o que o sumo-sacerdote faria expiação por ele. Como a páscoa, esta cerimônia devia ser observada anualmente, e marcava a ocasião em que a totalidade da comunidade religiosa era mo­bilizada diante de Deus num ato conjunto de confissão e expiação. Era um tempo de grande solenidade, diferente das festas anuais, e se o jejum era envolvido na autodisciplina preparatória, conforme pensam muitos intérpretes, era a única cerimônia que exigia semelhante exercício comu­nitário. Por sua natureza, era uma observância religiosa distintiva, e ocu­pava a parte central da adoração da nação. A importância do sumo-sa­cerdote é tornada clara na posição que ele ocupa nos rituais como o me­diador entre Deus e os homens. O ritual é descrito por inteiro, o que é apropriado num manual de culto público.

Alguns estudiosos têm questionado a natureza lógica da disposi­ção de Levítico em termos da posição dos capítulos 11 — 15 no texto. Visto que Levítico 10:20 termina a narrativa dos eventos associados com a morte dos filhos de Arão, Nadabe e Abiú, e a matéria histórica reco­meça em Levítico 16:1 naquela mesma altura, tem sido sustentado que este último capítulo logicamente segue Levítico 10:20. Esta conclusão leva, então, a perguntas acerca de supostas fontes, do deslocamento do texto, dos processos redacionajs e outros, conforme a predileção do res­pectivo estudioso.

Embora os capítulos 11 — 15 certamente interrompam o fluxo da narrativa histórica, e, quanto a este aspecto, poderiam muito bem ser considerados como uma interpolação, permanece o fato de que foram firmemente integrados no livro como um todo por meio das referências em Levítico 5:2 e 7:21. A passagem antecedente, Levítico 10:10, pre­para o leitor para a distinção detalhada entre as espécies limpas e imun­das no capítulo 11, ao passo que os capítulos 12-15 aplicam o mesmo tema a situações sociais. No decurso do processo da compilação foi con­siderado apropriado inserir um bloco de matéria que tratava de tópicos especiais na narrativa histórica. A seção claramente está em harmonia com a solicitude para com a santidade e a pureza cerimonial expressada noutras partes de Levítico, e embora um compilador moderno talvez colocasse os capítulos 11—15 noutra parte do texto, sua atual posição não danifica a unidade da organização de Levítico de maneira digna de nota.

a. A preparação sacerdotal (1-4)

25 de fevereiro de 2017

Curso Intensivo de: APOLOGÉTICA - Defendendo a fé cristã

defesa da fé
NOVO CURSO!
IETB - Instituto de Educação Teológica Bereana

Curso Intensivo de: APOLOGÉTICA - Defendendo a fé cristã

A modalidade do curso é totalmente online pela Internet. Assim, você escolhe a melhor hora para estudar. Podendo ser agendado encontros virtuais e plantão “tira dúvidas”.
Será enviado para cada aluno matriculado vídeo aulas específicas sobre cada tema abordado (serão 16 vídeo aulas com cerca de 40 minutos cada). Será também enviado ao aluno um material de apoio contendo cerca de 350 páginas.
O aluno terá total acompanhamento individual em todo o período de seu curso pelo professor.

PORQUE DEVO FAZER ESTE CURSO?

O objetivo deste curso é oferecer aos alunos uma introdução sólida ao tema da apologética cristã e os assuntos básicos envoltos, capacitando-os a dialogar e responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em nós (1 Pe 3.15).

GRADE CURRICULAR DO CURSO
1) O que é apologética?
2) Podemos crer em uma verdade absoluta?
3) A Bíblia é autêntica e verdadeira?
4) Podemos crer na existência de Deus?
5) Como podemos responder ao ateísmo?
6) Podemos acreditar em milagres?
7) Como um Deus bondoso pode permitir o mal e o sofrimento?
8) Somente Jesus salva?
9) O Jesus da história ou o Cristo da fé?
10) Podemos crer na ressurreição de Jesus?
11) Criacionismo ou Evolucionismo?
12) O debate sobre o aborto. Quando começa a vida?
13) O debate sobre o homossexualismo. Genética ou comportamento?
14) O inferno é real?
15) Existe vida após a morte?
16) Um câncer na Igreja brasileira. A teologia da prosperidade é verdadeira?

METODOLOGIA DO CURSO
O curso terá a duração de 4 meses.
Será enviado uma vídeo aula por semana (total de 16 vídeo aulas com cerca de 40 minutos cada).
Para receber o Certificado e Histórico Escolar via Correios o aluno deve pagar a taxa de diplomação de R$ 50,00. Se optar por receber via internet (Certificado e Histórico virtuais) não precisará pagar a taxa de diplomação.

MATRÍCULA
Para realizar a matrícula, o interessado, deve seguir os seguintes passos:
Curta a página “Estudando Teologia com o Prof Danilo Moraes”.
Enviar por “in-box” os seguintes dados: Nome Completo, data de nascimento e e-mail. Maiores informações também pode ser pelo WatsApp (11) 9 4510-8784.
Efetuar o valor da taxa de matrícula (R$ 25,00) e o valor da primeira parcela do curso. Segue abaixo as opções:

VALOR

Valor total a vista R$ 120,00 + 25,00 de matrícula = R$ 145,00
ou
Parcelado em 3x de R$ 50,00
Primeira parcela = R$ 50,00+ 25,00 de matrícula = R$ 75,00
+ 2 parcelas de R$ 50,00.
As formas de pagamentos serão através de depósito bancário, transferência bancária ou parcelamento no cartão de crédito.
Obs.: Os dados bancários devem ser solicitados pelos alunos matriculados no curso.

DADOS DO PROFESSOR

Mestre em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo - FTBSP (2012). Convalidação em Teologia pela Escola Superior de Teologia - EST (2015). Curso de Hebraico e Aramaico em andamento pela USP (2015). Graduação em Teologia pelo Instituto Betel de Ensino Superior - IBES (2004). Especialização em Apologética Cristã pelo Instituto Cristão de Pesquisas – ICP (2002). Professor de teologia em diversos seminários.
Autor dos Livros:
O Pentateuco – uma crítica dos pressupostos científicos das Hipóteses Documentárias em face da autoridade bíblica e seus fundamentos. Editora Fonte Editorial, 2015, 408p.
A Historicidade das Narrativas Patriarcais - Uma abordagem arqueológica, cultural e bíblica. Editora Reflexão, 2017, 220p.

Para detalhes da formação acadêmica, acessar meu Currículo Lattes:http://lattes.cnpq.br/8083520243568437

VICTOR P. HAMILTON - Um Manifesto de Santidade - Levítico 17—27

victor hamilton
Um Manifesto de Santidade - Levítico 17—27 

Os críticos consideram que esses últimos capítulos de Levítico, com exceção do 27, já existiram em algum momento como um có­digo legal independente, sendo apenas posteriormente enxertado em P, tal qual o Livro da Aliança é considerado uma inserção no texto de Êxodo. 

Essa “descoberta” foi feita ao fim do século XIX pelo estudioso alemão August Klostermann. A essa parte de Levítico ele deu o nome de Heiligkeitsgesetz, “Código de Santidade” (habitualmente designado nos dias de hoje com o símbolo “H”). 

Até pouco tempo, predominava o consenso de que o Código de Santidade havia aparecido primeiro e que os Sacerdotes [P] havi­am-no juntado depois a seus próprios escritos, a fim de formar o que atualmente conhecemos como a segunda metade de Levítico. Alguns estudiosos de hoje, graças à interpretação vanguardista de Knohl1, invertem a ordem cronológica de P e H, sugerindo que as tradições dos sacerdotes são anteriores ao Código de Santida­de; de modo que a H suplementaria, senão “corrigiria”, P. Aqueles que defendem essa tese se afastam de modo inevitável da data tradicionalmente atribuída aos textos de P, passando-os de um período posterior ao exílio babilónico para um período imediatamente posterior à construção do Templo de Salomão. Assim, aca­ba-se com uma teoria JEPD2, em vez de JEDP3. 

Não obstante opiniões pessoais contrárias a essa abordagem dos últimos capítulos de Levítico, a observação é com certeza vá­lida. Nesses últimos capítulos, o leitor encontra uma clara ênfase na santidade como estímulo de conduta e estilo de vida, num ní­vel não verificado nos capítulos 1—16. Além disso, todas as refe­rências a “santo/santificado/sagrado/consagrado” nesses capítu­los dizem respeito ao santuário. A única exceção é 11.44,45, que faz referência à santidade demonstrada pelo povo de Deus naqui­lo que comem ou não. Em contrapartida, em 17—27, a órbita mais restrita de santidade de 1—16 é ampliada a fim de abarcar todos os israelitas. Poderíamos considerar isso uma “laicização” da san­tidade , tornando-a um estilo de vida que incumbe a todos. Como era de se esperar, o principal enfoque de 1—16 é a forma como o povo de Deus deve adorá-lo: no santuário sagrado de Deus, por meio do ministério de seus servos consagrados/santos. Nos capí­tulos 17—27, o enfoque principal não é tanto a maneira como o povo de Deus deve adorá-lo, mas o modo como devem viver. Aque­les que adoram a um Deus santo desejam uma vida santa, apro­priando-se dos recursos disponibilizados por esse Deus para que tal objetivo seja alcançado. Comentei anteriormente que a raiz hebraica q-d-s aparece 150 vezes em Levítico (como verbo, subs­tantivo ou adjetivo). Sua divisão ao longo do livro é interessante. Veja a tabela 11. 

22 de fevereiro de 2017

Atravessando o Jordão

danilo moraes arqueologia
Bíblia de Estudo Arqueológica

21 de fevereiro de 2017

Os tabletes de Ugarite e a religião cananeia

arqueologia danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

19 de fevereiro de 2017

Moabe

danilo moraes arqueologia
Bíblia de Estudo Arqueológica

RALPH L. SMITH - Teologia do Antigo Testamento: Introdução

danilo moraes professor
Introdução

Que é teologia do Antigo Testamento?

Como devemos fazer teologia do Antigo Testamento?

Qual a relação do Antigo Testamento com o Novo e com a fé cristã?

Por que o Antigo Testamento faz parte da Bíblia cristã?

Os cristãos devem continuar a chamar de "Antigo Testamento" a primeira divisão da Bíblia, como têm feito através da maior parte da história, ou devem se unir ao crescente número de estudiosos que o chamam "a Bíblia hebraica"?

Quais são os maiores escritores nesse campo? Como eles fizeram teologia do Antigo Testamento? Qual a situação atual dessa disciplina e qual o seu futuro?

O Antigo Testamento tem realmente uma mensagem para nós hoje?

Essas são algumas perguntas de que tratarei em Teologia do Antigo Testamento: História, Método e Mensagem.

O propósito deste livro é pesquisar, não discutir ou debater. Não apresenta nenhum método radicalmente novo de fazer teologia do Antigo Testamento ou de interpretá-lo. Seu alvo é fornecer a alunos de universidades e seminários um livro de texto que proporcione um relato parcial do que os outros têm dito e feito no campo da teologia do Antigo Testamento e, depois, sugira modos pelos quais os dados teológicos no Antigo Testamento possam ser organizados, interpretados e apropriados. 

O capítulo 1 acompanha a história da teologia do Antigo Testamento desde os tempos veterotestamentários até o presente. O capítulo 2 trata, com um pouco mais de detalhes, da natureza e do método da teologia do Antigo Testamento. Não escolhi nenhum tema central, tal como a aliança, para servir de mastro ao redor do qual se deve organizar todo o material. Tampouco selecionei algum tópico mais amplo, como "a promessa" ou "história da salvação", que possa ser seguido cronologicamente através do Antigo Testamento. Antes, escolhi uma abordagem temático-sistemática. Portanto, os capítulos 3 a 11 são exemplos de como se pode fazer teologia do Antigo Testamento usando os seguintes temas teológicos maiores: o conhecimento de Deus; eleição e aliança; quem é Deus como Javé?; que é o homem?; pecado e redenção; adoração; a vida reta; a morte e o além; e naquele dia.

Os perigos dessa abordagem estão bem documentados. Talvez o maior perigo seja que, ao selecionar temas a serem incluídos ou omitidos e ao sistematizar os dados na discussão de cada tema, eu posso dar meu "toque" pessoal na organização e interpretação de cada assunto. Nesse caso, o resultado corre o risco de corresponder ao que coloco em discussão e não ao que o Antigo Testamento realmente diz. Esse perigo, porém, é inerente a qualquer apresentação de teologia do Antigo Testamento.

18 de fevereiro de 2017

ROY B. ZUCK - A transposição do abismo cultural

A transposição do abismo cultural

 Não levar em consideração o contexto consiste num dos problemas mais graves na interpretação bíblica. Se desconsiderarmos o “meio envolvente” de um versículo bíblico, poderemos acabar interpretando-o de forma completamente errada. Precisamos levar em conta as frases e os parágrafos que antecedem e sucedem o versículo em questão e, ainda, considerar o contexto cultural em que aquela passagem e até mesmo o livro inteiro foram escritos.
A importância desse procedimento decorre das diferenças culturais que existem entre nossa cultura ocidental e a cultura dos tempos bíblicos. “Para entender a Bíblia adequadamente, precisamos esvaziar nossas mentes de todas as ideias, opiniões e métodos modernos e procurar transportar-nos para a época e o ambiente em que viviam os apóstolos e os profetas que a escreveram.” Quanto mais tentamos transportar-nos para o contexto histórico dos autores bíblicos e nos desvincular de nossas próprias culturas, mais cresce a probabilidade de interpretarmos as Escrituras com maior precisão.
Quando os reformadores (Martinho Lutero, Philip Melanchton, João Calvino, Ulrico Zuínglio e outros) acentuaram a necessidade do retomo às Escrituras, eles ressaltaram a interpretação histórica, gramatical. Com “histórica”, estavam-se referindo ao contexto em que os livros da Bíblia foram escritos e às circunstâncias em jogo. Com “gramatical”, referiam-se à apuração do sentido dos textos bíblicos mediante estudo das palavras e das frases em seu sentido normal e claro. Pode-se somar outro aspecto da interpretação a esses dois, a saber, o retórico. A interpretação retórica sugere estudar como as características literárias de um trecho bíblico influem em sua interpretação. Conjugando as três, podemos falar de uma interpretação histórica, gramatical e retórica. Este capítulo versa sobre a interpretação histórica, examinando as circunstâncias e o contexto cultural em que os textos foram escritos.
O contexto em que determinada passagem bíblica foi escrita influi no entendimento que se terá dela. O contexto abrange vários elementos:

O altar de Josué no monte Ebal

arqueologia danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

17 de fevereiro de 2017

O cuidado com as viúvas e os órfãos na Bíblia e o Antigo Oriente Médio

arqueologia danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

13 de fevereiro de 2017

Prostituição no mundo antigo

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Bíblia de Estudo Arqueológica

12 de fevereiro de 2017

R. K. HARRISON - Rituais de purificação (14:1-32)

rituais de purificação
Rituais de purificação (14:1-32)

A ocasião em que uma pessoa era curada de uma forma maligna de sára'at era de considerável relevância. Marcava sua restauração inesperada ao convívio com sua família e com a comunidade como um todo, e a tra­zia de volta para um relacionamento com o santuário de Deus. O proscri­to agora podia retomar o fio da meada da sua existência anterior, tendo sido formalmente admitido para a congregação de Israel. A seriedade da moléstia e a maravilha da cura eram refletidas nas cerimônias da purifi­cação, que eram minuciosas e de natureza profundamente espiritual.

1-3. O fato de que o antigo “leproso” agora era livre da sua en­fermidade era anunciado ao sacerdote, que depois sairia fora do arraial para averiguar a situação ao levar a efeito seu próprio exame. Nada de­via ter licença de comprometer a pureza cerimonial da congregação; lo­go, as primeiras etapas da cerimônia são realizadas a certa distância da comunidade propriamente dita. Uma vez que o sacerdote estava satis­feito de que a moléstia realmente fora curada, poderia então ordenar que os rituais da purificação fossem iniciados. A cerimônia durava oito dias, e envolvia elementos das quatro formas principais do sacrifício he­breu, bem como procedimentos simbólicos que relembravam a consa­gração dos sacerdotes e a cerimônia anual do dia da expiação.

4-7. Os rituais são marcados por muita ênfase dada à purificação, em que a respectiva pessoa não oferecia sacrifícios tendo em vista ape­nas o recebimento de uma declaração sacerdotal da sua pureza, mas tam­bém realmente lavava seu corpo inteiro e suas roupas como símbolo da sua existência renovada. Tendo sido obtida a aprovação do sacerdote, as cerimônias da purificação começavam com a apresentação de duas aves vivas e limpas (4), juntamente com pau de cedro, estofo de carmesim e hissopo. Estes itens eram procurados em nome do ‘leproso” por paren­tes ou amigos, visto que a pessoa a ser declarada limpa normalmente não

teria acesso a tais coisas.

Aqueles que traziam as ofertas eram ordenados a matar uma das aves num vaso de barro, sobre águas correntes (5) de tal maneira que seu sangue fosse conservado. A ave remanescente, juntamente com as demais matérias, haveria então de ser molhada neste sangue, e depois disto a pes­soa curada devia ser espargida sete vezes antes de ser declarada limpa. Embora haja implicações do sistema sacrificial neste ritual, é importante reconhecer que a ave não deveria ser um sacrifício no sentido usual, pois nenhuma parte do seu corpo era oferecida no altar do holocausto. Ao invés disto, um tipo diferente de simbolismo é envolvido, o que indi­ca que o ritual não pretende obter a purificação tanto quanto declarar publicamente que a pessoa anteriormente enferma agora estava ritual­mente limpa.

11 de fevereiro de 2017

Leis Hititas

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9 de fevereiro de 2017

Adivinhação na Acádia

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8 de fevereiro de 2017

Pentecoste

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VICTOR P. HAMILTON - O Dia da Expiação: Levítico 16

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O Dia da Expiação 

Um capítulo inteiro é dedicado à descrição do Dia expiação. Levítico 23.26-32, parte de um calendário sagrado, mais uma referência a esse dia em especial, aqui chamado de “o Dia da Expiaçã” (hak) kippûrîm. Na literatura rabínica, chama-se simplesmente “o dia” ou “o grande dia” (ver o tratado Yomada Mixná). O Novo Testamento é semelhantemente conciso no título que utiliza: “Dia do Jejum”; “já passado o tempo dodia do Jejum” (At 27.9 — ARA). 

Em Levítico 23.26-32, encontramos duas novas informações a respeito do Dia da Expiação que não são encontradas em Levítico 16. Uma é a expressão bastante enérgica acerca de possíveis conseqüências, caso esse dia não fosse observado de modo correto, com jejuns e renúncias: “Também toda alma que, naquele mesmo dia, fizer alguma obra, aquela alma eu destruirei do meio do seu povo” (23.30). 

No código sacerdotal, é raro atribuir punições diretamente a Deus. O texto que mais se aproxima é quando o incomum “eu [...] [Deus] a extirparei do seu povo” (17.10; 20.3,5,6) substitui a for­ma passiva mais encontrada: “aquela pessoa será extirpada do povo” (Lv 7.20,21,25,27; 17.4,9; 18.29; 19.8; 20.17,18; 22.3; 23.29). 

O segundo elemento singular é a menção, em 23.32, de que esse dia deveria ser observado “Desde o entardecer do nono dia do mês até o entardecer do dia seguinte” (NVI). E o único dia especi­al, incluindo o Sábado, que o Antigo Testamento descreve assim. Esse registro cronológico estabeleceu as bases do que se tornaria um padrão para o início dos dias santos no judaísmo: o entardecer do dia anterior. 


A Visão dos Críticos sobre o Dia da Expiação 

7 de fevereiro de 2017

Hamurabi

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5 de fevereiro de 2017

ROY B. ZUCK - A interpretação bíblica — ontem e hoje

roy zuck
 Quando você está dirigindo um carro, precisa ficar atento a toda a sinalização rodoviária. Algumas placas servem para advertir: “Saliência ou Lombada” ou “Pista Irregular”. Outras mostram a direção: “Siga em Frente ou Vire à Esquerda”, “Proibido Virar à Direita” ou ainda “Mão Única”. Já outras placas são meramente informativas, a saber, “80 km —Velocidade Máxima Permitida” ou “Proibido Estacionar”,

De forma semelhante, o entendimento de como pessoas e grupos interpretavam a Bíblia antigamente pode funcionar para nós como uma espécie de sinalização, advertindo, conduzindo e informando.
Como placa de advertência, o estudo da história da interpretação bíblica pode ajudar-nos a enxergar os erros que outros cometeram no passado e suas consequências, alertando-nos assim para evitarmos que se repitam.
Como placa que indica a direção, o conhecimento de algo da evolução da interpretação bíblica ao longo dos séculos pode ajudar-nos a perceber a importância das interpretações corretas e o que implicam. Como placa informativa, a história da hermenêutica ajuda-nos a entender como certas questões de interpretação surgiram e o modo como foram abordadas no passado. Ela nos informa como chegamos ao nível atual de compreensão da Bíblia.
Como veremos mais adiante neste capítulo, no decorrer dos séculos os estudantes das Escrituras adotaram várias perspectivas: literal, alegórica, tradicional, racionalista e subjetiva.
A interpretação judaica
Esdras e os escribas
Quando os judeus retomaram do exílio na Babilônia, tudo indica que falavam aramaico, e não hebraico. Consequentemente, quando Esdras, o escriba (Ne 8.1, 4, 13; 12.36), leu a lei (Ne 8.3), os levitas (vv. 7-9) tiveram de traduzir do hebraico para o aramaico. Talvez seja este o sentido de “claramente” (v. 8). O termo hebraico significa “tomar claro” ou “interpretar”, e provavelmente o sentido aqui é “traduzir”. Além disso, os levitas “expunham o significado” enquanto circulavam entre o povo, ou seja, explicavam, interpretavam a lei “de maneira que entendessem o que se lia” (v. 8).
Desde Esdras até Cristo, os escribas não só ensinavam as Escrituras, mas também as copiavam. Eles tinham grande reverência pelos textos do Antigo Testamento, mas essa veneração logo caiu no exagero. Por exemplo, o Rabino Akiba (507-132 d.C.), líder de uma escola para rabinos em Jaffa, na Palestina, “afirmava que toda repetição, figura, paralelismo, sinonímia, palavra, letra, partícula, pleonasmo e, ainda mais, a própria forma de uma letra possuíam um significado oculto, assim como cada fibra da asa de uma mosca ou da perna de uma formiga tem sua importância curiosa”.  Akiba ensinava que “assim como o martelo que trabalha ao fogo provoca muitas fagulhas, cada versículo das Escrituras possui muitas explicações”.  Ele asseverava que cada monossílabo do texto bíblico tinha vários significados.

O tratado de Supiluliuma


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4 de fevereiro de 2017

As leis de Eshnunna

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3 de fevereiro de 2017

TREMPER LONGMAN III - Lendo Gênesis como cristão

antigo testamento danilo moraesLENDO GÊNESIS COMO CRISTÃO

Neste capítulo final passamos a uma leitura cristã do livro de Gênesis. Para muitos, inclusive inúmeros cristãos, a ideia de uma “leitura cristã” é absurda e deturpadora. Alegam que temos de nos resguardar para não fazermos com que ideias e desdobramentos tardios sejam impostos aos antigo texto israelita.

De fato, é preciso ouvir tais advertências porque algumas interpretações tremendamente fantasiosas têm sido apresentadas por alguns que enxergam Cristo nas entrelinhas do Antigo Testamento. Por isso, temos de ter cuidado quando falamos sobre ele no livro de Gênesis. Entretanto, conforme mencionado no capítulo dois, o próprio Jesus encoraja em seus seguidores a expectativa de ler a respeito dele no Antigo Testamento (Lc 24.22-27, 44-48).

No que apresento em seguida não estou afirmando que o autor (ou autores) de Gênesis teve consciência detalhada de como suas palavras se cumpririam na história da redenção. Já expressamos, porém, nosso entendimento de que existe um Autor últi¬mo por trás do autor humano. Não poderíamos supor quais foram as intenções do Autor se não fosse pelo Novo Testamento. Revelação posterior expõe a relevância plena dessas palavras antigas, e é a partir dessa perspectiva do Novo Testamento que lemos agora o livro de Gênesis.

Deve ficar claro para nós o que estou fazendo na secção a seguir. Estou apresentando exemplos de uma leitura cristológica de Gênesis. Não faço nenhuma tentativa de esgotar o assunto. Nem estou interessado no uso mais amplo que o Novo Testamento faz do Antigo.

Meu interesse é restrito porque creio que este elemento crucial da interpretação do Antigo Testamento está ausente em boa parte da leitura e pregação do Antigo Testamento para prejuízo da igreja. A falta de um reconhecimento da dimensão cristológica conduz a uma desvalorização da pregação baseada no Antigo Testamento. Ou, quando se prega o Antigo Testamento, a mensagem é frequentemente apenas de natureza moral. Com certeza o Antigo Testamento deve ser pregado e lido por suas lições éti¬cas, mas há nele muito mais que isso, e é para esse “mais” que Jesus está nos dirigindo em Lucas 24.

Quer aceitemos ou não Moisés como o autor de Gênesis, todos reconhecemos que foi escrito e finalmente editado bem antes da época de Jesus Cristo. No entanto, os autores do Novo Testamento entendem que sua mensagem é relevante para o evangelho de Jesus Cristo, o que fica demonstrado nas repetidas citações de Gênesis.

30 de janeiro de 2017

R. K. HARRISON - Leis de Purificação

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b. A purificação depois do parto (12:1-8)

Alguns comentaristas acharam dificuldade com esta seção das leis da purificação, visto que parece designar como impuro o ato do par­to que foi o resultado do mandamento de Deus no sentido de ser fru­tífero e multiplicar (Gn 1:28). Visto que os filhos eram considerados uma herança e dádiva da parte de Deus (SI 127:3), e uma mulher frutí­fera era considerada bendita por Deus (cf. SI 128:3), pareceria algo surpreendente que o nascimento de um filho fosse considerado uma circuns­tância pecaminosa que precisasse, portanto, de expiação. A legislação, porém, trata das secreções que ocorrem no parto, e são estas que tornam imunda a mãe. Logo, o Capítulo deve ser lido no contexto do capítulo 15, que também trata das secreções do corpo.

1-4. Quando uma mulher tiver um menino, é imunda no que diz respeito ao seu lar por um período de sete dias, assim como ocorria com a sua menstruação. No oitavo dia, o filho era circuncidado (cf. Gn 21:4), mas outros trinta e três dias teriam de passar antes de a mulher poder participar mais uma vez da adoração no santuário. A circuncisão tinha sido instituída por Deus como sinal da Sua aliança com Abraão (Gn 17: 12). Era praticada também, por razões diferentes, entre os povos semi­tas ocidentais, inclusive os amonitas, os moabitas, os árabes e os edomitas, mas não ocorria entre os filisteus, os cananeus, os assírios ou os babilônios. O rito era normalmente levado a efeito com uma faca de pe­derneira, pelo pai, mas ocasionalmente a mãe oficiava (Êx 4:25). Por este ato, o filho do sexo masculino era formalmente iniciado no corpo do povo da aliança. Na dispensação cristã, o batismo tem sido consi­derado por muitos como sendo o equivalente neotestamentário da cir­cuncisão, mas os paralelos são por demais superficiais e restritos para serem inteiramente convincentes ou válidos.

A circuncisão no oitavo dia é ideal do ponto de vista da medici­na, sendo que depois daquele período o desenvolvimento nervoso e vas­cular da criança torna a resseção uma intervenção mais dolorosa. Além disto, crianças recém-nascidas são suscetíveis à hemorragia até ao quin­to dia da vida, devido a níveis inadequados no corpo de vitamina K e de protrombina, sendo que estes dois elementos são importantes na coa­gulação. Já no oitavo dia o nível da protrombina estabilizou-se em 100%, fazendo com que seja uma ocasião apropriada para a circuncisão. Sus­tenta-se também que certos benefícios médicos são desfrutados por aqueles que praticam a circuncisão. Por exemplo, a resseção remove a causa da fimose, uma condição dolorosa e embaraçosa, e evita qualquer acúmulo de esmegma que normalmente seria depositado entre a corona glandis e o prepúcio. Smegma praeputti, produzido por homens adultos, tem sido revelado como poderoso agente carcinogênico, e é frequentemente culpado pela incidência do câncer uterino. Os homens circuncida­dos supostamente experimentam um ritmo mais controlado de excita­ção sexual do que os demais, e raras vezes, ou talvez nunca, padecem o câncer raro do órgão masculino.

O ato da circuncisão não purificava a criança, visto que o nenê já era cerimonialmente limpo ao nascer. A purificação à qual se submetia a mãe era rigorosamente o resultado das secreções que acompanhavam o nascimento. Os corrimentos envolvem detritos de tecidos, mucosa e san­gue, e são chamados os lóquios. Duas etapas são normalmente experi­mentadas depois do parto, a primeira (lochia cruenta) sendo manchada com sangue, ao passo que a segunda (lochia alba) tem uma aparência mais pálida, e está livre do sangue. A não ser que haja alguma retenção dos ló­quios no útero, o corrimento é frequentemente de duração comparati­vamente curta, mas pode durar até seis semanas em certas circunstâncias. As leis da purificação depois do parto, portanto, abrangem o período máximo de tempo que os lóquios poderiam continuar.

28 de janeiro de 2017

Povos menos conhecidos do Antigo Testamento

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VICTOR P. HAMILTON: Puro e Impuro Levítico 11—15

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Puro e Impuro Levítico 11—15 

Em meio ao capítulo 10, somos informados de que uma das funções do sacerdote é “fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo, e [...] ensinar [...] todos os estatutos que o Senhor lhes tem falado...” (vv. 10,11) O sacerdote, portanto, é tanto celebrante como educador, tanto liturgista como instrutor. 

Mesmo aqui, fica claro que Arão está subordinado a Moisés. A distinção entre sagrado e profano, puro e impuro, que se segue nesses três capítulos, não é idéia de Arão. Nem são distinções ela­boradas em conjunto por Arão, Eleazar e Itamar. Eles devem en­sinar aquilo que Deus falou a Moisés (v. 11). Os capítulos come­çam com “falou o Senhor a Moisés e a Arão” (11; 13) ou “falou o Senhor a Moisés” (12; 14). Moisés podia ouvir sozinho; Arão, ape­nas na companhia de Moisés. 

Em Levítico 10.10, aparecem quatro palavras-chave hebraicas, que se destacam ao longo dos cinco capítulos: (1) “santo” (cõdes); (2) “profano” (hôt)\ (3) “imundo/impuro” (tamey, e (4) “limpo/puro” (tâhôr) — em especial as duas últimas. Duas falam do que é dese­jável (santo e limpo/puro), duas do que é indesejável (profano e imundo/impuro). “Santo” e “limpo/puro”, as duas palavras positi­vas, não são exatamente sinônimos. O mesmo acontece com “profano” e “imundo/impuro”. Podemos perceber que as duas primeiras não são intercambiáveis, pois, apesar de a Bíblia chamar Deus de “santo” nunca o chama de “puro”. Existem versículos nos quais Deus diz: “Santos sereis, porque eu, o Se­nhor, vosso Deus, sou santo”1. Não existe versículo em que se leia: “Puros sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou puro”. E claro que nada nem ninguém é santo sem ser limpo e puro. Nada nem ninguém pode ser santo e impuro ao mesmo tempo. Por outro lado, algo ou alguém que seja “profano” pode ser puro ou impuro. 

É questionável se o oposto mais exato de “santo” é “profano” ou “impuro”. Alguns afirmam que “profano” é o melhor antônimo (ver Lv 10.10), enquanto outros defendem “imundo/impuro”. Miller conseguiu um interessante meio-termo: “embora o oposto da san­tidade seja o comum ou o profano, seu adversário é a impu­reza. 

27 de janeiro de 2017

Ramote-Gileade

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