16 de agosto de 2017

Mudanças em Canaã

danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica


R. K. Harrison - O sexo e sua teologia

HARRISON ANTIGO TESTAMENTO
O SEXO E A SUA TEOLOGIA

Boa parte daquilo que se ensina na Escritura acerca do sexo ocorre no Antigo Testamento, de onde emerge de uma maneira que às vezes é explícita e às vezes revestida de eufemismos. A diferença sexual é descri­ta por termos tais como “macho” e “fêmea,” “homem” e “mulher,” “esposo” e “esposa.” H continuada no nível da estrutura física por tais palavras gerais como bàsàr (“carne,” “corpo inteiro,” seja humano, seja animal) sendo empregada num sentido eufemístico especial para denotar o órgão masculino da geração (cf. 17:11; Êx 28:42; Lv 15:2-18; Ez 16: 26, etc.) O termo hebraico yãrèk (“coxa,” “lombos”) também é empregado periodicamente para o órgão sexual masculino (cf. Gn 24:2,9; 46:26, etc.). Às vezes a palavra “pés” era empregada como substituto para as partes genitais masculinas (Êx 4:25; Rt 3:7; Is 6:2, etc,), e ocasional­mente para os órgãos sexuais femininos também. Um termo adicional, geralmente traduzido “nudez” nas versões, tem sido usado para denotar a exposição vergonhosa dos genitais femininos (Lv 18:6-19; 20:17-21; Lm 1:8, etc.). Embora eufemismos geralmente fossem geralmente empre­gados para descrever os órgãos sexuais e as atividades sexuais, tais carac­terísticas sexuais secundárias como as glândulas mamárias femininas eram mencionadas abertamente pelo nome. Tanto os órgãos genitais mascu­linos quanto os femininos eram freqüentemente descritos em termos do seu relacionamento ao corpo inteiro.

15 de agosto de 2017

A descida de Istar aos infernos


biblia estudo antigo testaemnto
Bíblia de Estudo Arqueológica


VICTOR P. HAMILTON - De Cades a Moabe (parte 2)

victor hamilton danilo moraesDe Cades a Moabe (parte 2) 

Baal-Peor (25) 

Israel havia chegado em Sitim, que fica a leste do Jordão e quase em frente a Jerico, do outro lado do rio. Foi de lá que Josué enviou os dois espiões (Js 2.1). Números 31.16 nos conta que Balaão maquinou um plano para envolver os israelitas sexualmente com as “filhas de Moabe”. Seu sucesso nessa empreitada foi tão abso­luto como fora seu fracasso em tentar amaldiçoar Israel. Onde a maldição fracassou, a sedução prevaleceu. Onde a abordagem in­direta falhou, um ataque frontal saiu vitorioso. Rute, a moabita, exibe mais adiante um extraordinário contraste com as mulheres moabitas de Números 25. 

Os israelitas novamente refletem sua insensibilidade para com questões morais e espirituais, mais do que felizes em se envolve­rem com as filhas de Moabe (possivelmente virgens, visto que no hebraico bíblico a expressão “filhas de”, seguidas do nome de um lugar, pode significar mulheres solteiras [Gn 36.2; 2 Sm 1.20,24; Is 3.16). Dessa forma, surge uma aliança profana entre os filhos de Deus e as filhas dos homens (Gn 6.1-4). É ainda mais lamentá­vel que o relato de envolvimento sexual entre Israel e estrangei­ros venha logo após profecias de grandes bênçãos, proferidas por um estrangeiro. Quase tudo que Balaão disse sobre Israel (por exemplo: “eis que este povo habitará só” [23.9]; “O Senhor, o seu Deus, está com eles” [23.21 — NVT]; “Que boas são as tuas tendas, ó Jacó!” [24.5 — NVI]; “uma estrela procederá de Jacó” [24.17]) é desmentido pela imoralidade do capítulo 25. 

A primeira reação de Deus é de ira contra Israel. (Na história sobre Balaão e Balaque, a ira de Deus se acende contra Balaão [22.22], a ira de Balaão se acende contra sua jumenta [22.27] e a ira de Balaque se acende contra Balaão [24.10].) A ira divina aca­ba levando ao surgimento de uma praga (v. 9), mas a narrativa indica que suas repercussões teriam sido bastante mitigadas se os mandamentos divinos tivessem sido seguidos. Alguns estudio­sos estranham que Moisés tenha ignorado uma ordem direta de Deus: “Toma todos os cabeças do povo e enforca-os ao Senhor di­ante do sol” (25.4). Moisés ordena aos juízes: “Então Moisés disse aos juízes de Israel: “Cada um de vocês terá que matar aqueles que dentre os seus homens se juntaram à adoração a Baal-Peor [deus de fogo]” (v. 5). Em outras palavras, o que Moisés ordena não tem nada a ver com o que Deus tinha mandado. 

14 de agosto de 2017

O Boletim e o relatório poético da batalha de Cades

antigo testamento danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

RALPH L. SMITH - A natureza da teologia do Antigo Testamento

danilo moraes
A natureza da teologia do Antigo Testamento 

A. Nenhuma definição universalmente aceita 

Que é teologia do Antigo Testamento? Uma inspeção dos livros básicos sobre a teologia do Antigo Testamento escritos nos últimos 50 anos mostra pouca concordância quanto à natureza, tarefa e metodologia dessa disciplina. John McKenzie disse: "A teologia bíblica é a única disciplina ou subdisciplina no campo da teologia que carece de princípios, métodos e estrutura que recebam aceitação geral. Nem mesmo existe uma definição geral de seu propósito e escopo".[1] Gerhard von Rad escreveu que "não existe até o momento acordo quanto ao que realmente é o assunto [...] da teologia do Antigo Testamento".[2]


B. O Antigo Testamento contém "teologia"?

Alguns estudiosos relutam em dar o nome "teologia" a qualquer estudo que se limite ao Antigo Testamento ou mesmo a toda a Bíblia. James Barr disse que teologia significa o estudo de Deus, mas o estudo de Deus não deve ser limitado ao Antigo Testamento ou à Bíblia. Para Barr, a teologia deve incluir o estudo de história, filosofia, psicologia e o mundo natural, junto com a Bíblia.

Para alguns, teologia bíblica não é de fato teologia porque limita-se aos dados bíblicos e organiza-os de maneira descritiva. Para a maior parte dos teólogos sistemáticos, a teologia é um construto crítico moderno e "um refinamento de nossos conceitos de Deus em Cristo e na Igreja".[3]

12 de agosto de 2017

Debora e Baraque e a destruição de Hazor

danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

R. K. Harrison - Bençãos, punições finais, votos e ofertas

antigo testamento R.K. Harrison
BÊNÇÃOS E PUNIÇÕES FINAIS (26: 1-46)

No Oriente Próximo antigo era costumeiro tratados legais termina­rem com passagens que continham bênçãos para aqueles que observas­sem os estatutos, e maldições sobre aqueles que não os observassem. Os tratados internacionais do segundo milênio a.C. regularmente incluíam tais seções como parte do texto, sendo que a lista das maldições era mui­to mais longa do que as promessas de bênçãos. No Antigo Testamento, este padrão geral ocorre em Êxodo 23:25-33, Deuteronômio 28:1-68, e Josué 24:20. As maldições dos textos jurídicos mesopotâmicos, ou aquelas nos tratados dos arameus, dos heteus e dos assírios eram amea­ças pronunciadas nos nomes dos deuses que tinham agido como testemunhas às alianças. Que estas ameaças poderiam ser implementadas fa­zia parte da crença supersticiosa das pessoas no Oriente Próximo antigo, e poderiam ter alguma base coincidental nos fatos. Para os israelitas, po­rém, não havia dúvida de que o Deus que operou o ato poderoso de li­bertação no Mar Vermelho realmente levará a efeito tudo quanto prome­teu, seja para o bem, seja para o mal. A obediência aos Seus mandamen­tos é a maneira certa de obter um derramamento consistente de bênçãos, ao passo que a continuada desobediência é uma garantia de castigo futu­ro. A frase “Eu sou o SENHOR vosso Deus” divide este capítulo em se­ções convenientes. A menção dupla do nome de Deus nos w. 1-2 e 44-45 forma um paralelo com aquela em Levítico 19:2-3, 36-37.

a. Bênçãos (1-13)

10 de agosto de 2017

O Palácio de Eglom

antigo testamento dasnilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

VICTOR P. HAMILTON - De Cades a Moabe (Parte 1)

antigo testamento danilo moraes
De Cades a Moabe

Números 20.22—36.13

Essa unidade começa com a narrativa da morte de Arão (20.22-­29), um evento que volta a ser lembrado em 33.38,39 e Deuteronômio 32.50. Moisés já havia perdido um parente, sua irmã Miriã (20.1). A história mais uma vez reflete um tema que predomina em Números: o pecado não pode ser negligenciado. Em conluio com Moisés, Arão não “creu” em Deus (20.12), mas “rebelou-se” contra sua ordem (20.24) — ambos os verbos estão na segunda pessoa do plural, no masculino.

Pode de certa forma surpreender, porém é Moisés que recebe a informação da morte iminente deArão. Ele é orientado a “tomar” Arão e seu filho, Eleazar, subir com eles o monte Hor e transferir as vestes de sumo sacerdote de Arão para Eleazar. Essa transfe­rência da liderança sacerdotal de pai para filho, da primeira para a segunda geração, simboliza a dinâmica desse quadragésimo ano de jornada no deserto: a transição da geração do êxodo para seus filhos. Acena lembra Abraão e Isaque em Berseba (Gn 22). Abraão devia “tomar” Isaque, que nada sabia sobre o propósito da missão, e levá-lo ao monte Moriá. Abraão, que sem questionar cooperou integralmente, corresponde a Moisés, que em tudo cooperou sem nada questionar. Ambos estavam preparados para dizer adeus a um parente próximo.

Moisés estava plenamente consciente das razões para a morte de Arão. Não vemos, contudo, indicação alguma de que Moisés se sentisse obrigado a expor de modo público tais razões, nem se aproveitou ele da oportunidade para pregar, com palavras de advertência e exortações.


Alguns dos Primeiros Conflitos e Vitórias (20.22—21.35)

8 de agosto de 2017

Os tabletes de Amarna e os habirus

biblia arqueologica
Bíblia de Estudo Arqueológica

RALPH L. SMITH - O relacionamento judeu-cristão e a teologia do Antigo Testamento

danilo moraes
O relacionamento judeu-cristão e a teologia do Antigo Testamento 

Martin Woudstra tocou uma área sensível quando disse que K. H. Miskotte, A. A. van Ruler e Karl Barth destacaram demais 0 caráter “judaico” do Antigo Testamento.[1] Até recentemente, nenhum judeu participara da autoria de uma teologia do Antigo Testamento, e os judeus via de regra não tomavam parte na disciplina. O regime nazista (1933-1945), porém, mudou tudo isso. A matança de seis milhões de judeus no Holocausto causou em muitos líderes cristãos um sentimento de vergonha e culpa, porque sentiam que podiam ter contribuído para a ascensão e para a conduta de Adolf Hitler. 

O relacionamento entre judeus e cristãos tem sido tema de uma enorme quantidade de escritos e debates acalorados desde 1945. R. W. L. Moberly disse: “O crescimento do diálogo judeu-cristão tem sido um dos traços mais marcantes do debate teológico recente no mundo ocidental”.[2] Muitos cristãos arriscaram a vida protegendo judeus e se opondo a Hitler. Bonhoeffer, K. Barth, Miskotte, G. von Rad e outros líderes cristãos estiveram envolvidos ativa e publicamente na resistência aos nazistas. 

Karl Barth viu uma relação estreita entre 0 papel de Israel e 0 de Jesus. Ele disse que a missão de Jesus era a missão de Israel: 

7 de agosto de 2017

O período dos juízes

biblia danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

R. K. Harrison - Leis Rituais (parte 3)

harrison danilo moraes
C. Regras para a santidade sacerdotal (21:1 — 22:33)

Levítico enfatiza repetidas vezes o conceito da santidade divina como sendo o ideal que a vida individual e comunitária deve visar. Ao pas­so que capítulos anteriores trataram de circunstâncias do israelita mé­dio, a presente seção diz respeito aos padrões de santidade esperados dos sacerdotes. Porque muito lhes foi dado como sendo representantes de Deus na comunidade, muito mais será requerido deles, como resulta­do disto (cf. Lc 12:48), do que nos israelitas comuns. A matéria pode ser dividida facilmente em seis seções ao notar a fórmula de encerramento, que fala do Senhor como o santificador (21:8, 15, 23; 22:9, 16, 32). Os regulamentos para a santidade sacerdotal nesta seção tinham seu pa­ralelo, até certo ponto, no período exílico, nas ordenanças que forma­vam partes da visão de Ezequiel de um templo restaurado em Jerusalém (Ez 44:1-31). Há certas diferenças nos dois relatos, no entanto, que são dignas de nota. Em primeiro lugar, a legislação mosaica era primária, tendo sido revelada por Deus diretamente a Moisés, ao passo que a ma­téria em Ezequiel tinha a natureza de uma visão, e, portanto, era subje­tiva mais do que objetiva. Ao invés de preceituar ordenanças e estatu­tos, o profeta Ezequiel meramente está descrevendo o comportamento de sacerdotes que já estavam vivendo de acordo com aqueles estatutos.

Em segundo lugar, a experiência visionária recapitula um aspecto da Torá de modo verdadeiramente profético, e não introduz qualquer coisa de natureza inovadora ou distintiva nos deveres sacerdotais. Além disto, ao passo que a matéria em Levítico descreve com considerável detalhe o papel sacerdotal, a visão de Ezequiel meramente o resume como par­te da descrição da atividade no templo que viu. Parece haver pouca dú­vida quanto à existência antecedente prolongada dos preceitos levíticos, dos quais a matéria em Ezequiel se constitui em reflexão um pouco gene­ralizada. As duas seções, no entanto, enfatizam a exigência fundamental da santidade no serviço do Senhor.

1-9. Ser um dos sacerdotes do Senhor era uma posição altamente responsável, visto que a pessoa que a detinha era, em efeito, um substi­tuto de Deus entre o povo. Como outras ofertas vivas apresentadas ao Senhor, o sacerdote devia ser livre de máculas físicas e cerimoniais, de tal maneira que fosse aceitável a Deus (cf. Rm 12:1). Seu modo de vida era cercado por restrições que tinham o propósito

3 de agosto de 2017

DANILO MORAES - O Antigo Testamento e as Narrativas Patriarcais

danilo moraes
O interesse pela Historicidade dos Patriarcas, não se restringe somente a exegetas e pesquisadores do tema, pois, todo o Antigo Testamento e a história de Israel é posto sob um novo prisma mediante os resultados apresentados pelas pesquisas recentes, principalmente as destinadas ao Pentateuco, que inclui as narrativas patriarcais.

Veremos que na história da interpretação da Historicidade Patriarcal muitos críticos expuseram suas conclusões precipitadamente, sem, contudo, avaliar as consequências que acarretariam para a sociedade, para a igreja e para a própria autoridade das Escrituras. Consequentemente teólogos conservadores não mediram esforços em denunciar e atacar as conclusões que se desviavam das doutrinas tidas como bíblicas e expressadas durante toda história da igreja.
Autor Danilo Moraes

Siquém

antigo testamento bíblia
antigo testamento
Bíblia de Estudo Arqueológica



VICTOR P. HAMILTON - Do Sinai a Cades (Parte 2)

Do Sinai a Cades (Parte 2)


Outras Rebeliões contra Moisés (15—18)


O capítulo 15 interrompe de maneira abrupta a seqüência de Números, sem qualquer relação visível com o que vem antes ou depois. E uma unidade completamente dedicada a questões de adoração e encontra-se comprimida entre casos de maledicência contra Moisés (13—14; 16—18). Para comparar, imagine uma elaborada dissertação de Lutero sobre a preparação do vinho para a eucaristia, espremida entre relatos de suas contendas com a lide­rança da Igreja Católica Romana.

Desprezar a localização do capítulo como uma invasão e inser­ção sem sentido é, no entanto, injustificável. Cinco questões são abordadas nesse capítulo: informações adicionais sobre os primei­ros três sacrifícios detalhados em Levítico (ofertas de holocaustos, manjares e pacíficas [vv. 1-16]); a oferta das primícias (vv. 17-21): informações repetidas e complementares sobre a oferta pelo pe­cado, girando em torno de pecados inadvertidos ou motivados pela ignorância (vv. 22-31); um caso de pena de morte pela violação do Sábado (especificamente por recolher lenha [vv. 32-36]); a coloca­ção de franjas nas bordas das vestes (vv. 37-41). No judaísmo, a importância adquirida posteriormente pela franja pode ser avali­ada em duas referências de Mateus: “a orla da sua [de Jesus] ves­te” (9.20) e “eles [os escribas e fariseus] fazem [...] as franjas de suas vestes bem longas” (23.5 - NVI).

30 de julho de 2017

Cidade dos levitas

biblia arqueologica
Bíblia de Estudo Arqueológica

RALPH L. SMITH - A situação atual da teologia do Antigo Testamento

ralph smith danilo moraes
A situação atual da teologia do Antigo Testamento

A. O interesse continuado na teologia do Antigo Testamento até 1985 e o fluxo de literatura sobre o tema

A teologia bíblica pode estar em crise, mas isso não deteve o fluxo de teologias do Antigo Testamento, de artigos e estudos que tratam de aspectos importantes do tema. Várias teologias novas do Antigo Testamento surgiram desde 1970. Um estudioso católico, A. Deissler, escreveu Die Grundbotschafl des Alien Testaments em 1972. Deissler via o centro da fé veterotestamentária como o relacionamento de Deus com o mundo e com o ser humano.

Walther Zimmerli publicou seu livro Old Testament Theology in Outline em 1972. Ele considerou o Antigo Testamento um “livro de pronunciamentos”, em contraste com o conceito de von Rad do Antigo Testamento como um “livro de história”. Zimmerli fez do primeiro mandamento seu ponto de partida e centro do seu estudo. Disse ele: “A obediência a Javé, o único Deus, que libertou Israel da escravidão e zela por ser o único, define a natureza fundamental da fé veterotestamentária”.[1]

Georg Fohrer, editor de 2AW, publicou seu livro Theologische Grundstrukturen des Alien Testaments em 1972. O primeiro capítulo trata do problema da interpretação do Antigo Testamento. O capítulo 2 trata de revelação e o Antigo Testamento. Fohrer, como existencialista, via a revelação nas decisões de vida e morte do ouvinte. O capítulo 3 fala da diversidade de atitudes diante da vida no Antigo Testamento. O capítulo 4 estuda a questão de um centro ou ponto eqüidistante no Antigo Testamento, que Fohrer cria ser a soberania de Deus e a comunidade de Deus. O capítulo trata do poder transformador e do potencial da fé veterotestamentária. O capítulo 6 descreve certos elementos básicos no Antigo Testamento, como o fato de Deus se manter oculto, e seus atos na história e na natureza. O capítulo 7 faz uma aplicação, ao lidar com tópicos como a crise do ser humano, o estado e a política, pobreza e projetos sociais, o ser humano e a tecnologia, e o futuro na profecia e na literatura apocalíptica.[2]

Em 1974, John L. McKenzie, um destacado estudioso católico do Antigo Testamento, publicou A Theology of the Old Testament. Em seu prefácio, McKenzie disse que uma teologia do Antigo Testamento ou uma história de Israel oferece ao autor uma oportunidade de fazer um resumo de toda a sua obra.

29 de julho de 2017

Cidades de refúgio

antigo testamento danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

R. K. Harrison - Leis Rituais (parte 2)

Regulamentos adicionais (19:1-37) 

As palavras finais do capítulo anterior: Eu sou o SENHOR vosso Deus, servem como uma transição natural para este corpo específico de legislação, que também regula a santidade da vida comunitária. Embora esta seção trate de uma ampla variedade de preceitos morais, legais, ceri­moniais e espirituais, de tal maneira que pareça desorganizada, realmen­te está disposta em termos de dezesseis parágrafos distintos, cada um dos quais termina com a frase Eu sou o SENHOR (vosso Deus). Estas passagens estão dispostas em três seções principais (2b-10; 11-18; 19­37) de quatro, quatro e oito unidades respectivamente. Os estudiosos judeus têm visto na matéria um paralelo dos Dez Mandamentos, cujos preceitos são recapitulados da seguinte maneira; I e II no v. 4; III no v. . 12; IV e V no v. 3; VI no v. 16; VII no v. 29; VIII e IX nos w. 11 a 16; e X no v. 18.80 

l-2a. Uma seção introdutória reitera a exigência de Deus no sen­tido de que Seu povo seja santo. Esta injunção, como todas as demais leis da aliança, deve ser tornada pública e observada por todos. A ênfa­se dada à congregação indica que todos os membros devem fazer sua parte para manter o gênio distinto da aliança, e ninguém está isentado da responsabilidade de garantir que a santidade seja um princípio regu­lador da vida diária. 

20-10. Obrigações religiosas 



2b. A santidade de Deus deve ser considerada um modelo para a vida individual e comunitária. Este princípio pode muito bem ser con­siderado a divisa do povo da aliança. As características pessoais da san­tidade conforme são refletidas na natureza de Deus incluem o estado aperfeiçoado de atributos éticos tais como a justiça, o amor, a bondade [1] [2] e a pureza. A santidade, porém, também descreve Seu infinito poder, grandeza e exaltação sublime acima da Sua criação, que faz com que o homem pareça, por contraste, perdido e totalmente indigno. Como consequência, os que reverenciam a Deus como sendo Santo, conside­ram-No com medo e reverente temor (cf. SI 96:9; Is 8:13) por causa dos Seus juízos contra a humanidade (cf. SI 119:9; Ez 36:21-24; Hb 10:31 ; 12:26-29). A santidade de Deus é a antítese da imperfeição hu­mana e revolta-se contra tudo quanto é impuro ou maligno (Hc 1:13). Ao conclamar o cristão a ser perfeito (Mt 5:48), Jesus estava fazendo as mesmas exigências quanto à santidade da vida como aquelas que' se acham na Torá. A santidade é um dos resultados da obediência irrestri­ta à vontade de Deus. Deve ser notado que a obediência é ressaltada re­petidas vezes em Levítico, e não o amor que o homem tem para com Deus, que não é mencionado no livro, embora seja notado noutros lugares (Êx 20:6; Dt6:5; 10:12, etc.). 

3. A reverência para com os pais é um ato de piedade para com Deus, visto que os pais são substitutos do Pai celestial no que diz respei­to aos seus filhos. Em Êxodo 20:12 o pai antecede a mãe, e o verbo é “honrar” ao invés do Hebraico “temer” (respeitará) neste versículo, no entanto, termo este que é usado para a reverência para com Deus. O sig­nificado com respeito ao dever filial, porém, fica claro. Os pais, seja qual for sua posição na sociedade ou sua condição física ou mental, devem ser tratados com respeito e amor. Este é um dos mais importantes de todos os deveres e responsabilidades humanos. Honrar o sábado, que foi substituído pelo primeiro dia da semana (cf. Mt 28:1; Mc 16:1; Lc 24: 1; Jo 20:1) no ensino cristão, fornece uma oportunidade regular para o crente adorar a Deus na companhia doutras pessoas, e para contemplar até que ponto sua vida está de acordo com as exigências da santidade divina. Reverenciar os pais como sub-rogados de Deus está a um só passo da veneração do próprio Deus. 

4. Ser dado a qualquer forma de idolatria é expressamente proi­bido, sendo que os ídolos (Heb. ‘eUlím) são literalmente “coisas de nada,” “não-existência^” (cf. Is 44:10). A palavra para “ídolos” é semelhante, quanto ao som, àquela para “Deus” ( ’elõhtm), e as duas são contrasta­das para demonstrar a plenitude de Deus em contraste com o vazio de ído­los de pedra ou de madeira. No fim, os israelitas sucumbiram diante dos encantos da idolatria cananéia, e por causa disto foram castigados com o exílio. 

5-10. A propriedade ritual mais uma vez é enfatizada aqui, pois embora o sacrifício seja voluntário, deve ser oferecido em completa con­formidade com os procedimentos preceituados, a fim de que as inova­ções não resultem em castigo ao invés de aceitação. As regras são dadas em Levítico 3:1; 7:15-18, e fornecem um método distintivo de sacrifi­car ofertas pacíficas, sem qualquer mácula do paganismo. Os cristãos devem ser escrupulosos ao certificar-se que suas formas de adoração são totalmente bíblicas, e que não são contaminadas pela superstição ou por valores puramente humanos. Senão, aquilo que é santo ao Se­nhor será profanado, e seguir-se-á o castigo ao invés da bênção (8). A so­licitude do próprio Deus para com os pobres entre Seu povo deve ser refletida pelos israelitas na prática de deixar para aqueles uma pequena quantidade de grãos e frutos na ocasião da ceifa. A consciência de co­munidade entre os israelitas era tal que o pobre era considerado um ir­mão ou uma irmã, e era tratado à altura (cf. Atos 4:34-35). 

28 de julho de 2017

O lugar de culto em Taanaque

antigo testamento
Bíblia de Estudo Arqueológica

VICTOR P. HAMILTON - Do Sinai a Cades

DO SINAI A CADES

Números 10.11—20.21

Os israelitas, desde sua chegada ao Sinai, já tinham ouvido muita coisa, tanto de Moisés como de Deus. Houvera abundância de instruções, regulamentos e exortações. Agora, porém, era chegada a hora de levantar o acampamento e partir. O Sinai não era o destino geográfico que Deus havia preparado para seu povo, assim como o Monte da Transfiguração não foi o objetivo final de Pedro, Tiago e João. Devia, contudo, servir para revigorar o povo de Deus ao lhe permitir um conhecimento mais profundo do Senhor.



Da Marcha à Lamúria (10.11—12.16)

Frank Cross1 faz notar a proliferação da frase “e os filhos de Israel partiram de...” em Êxodo e Números. Ele compara essa fra­se com “essas são as gerações de...”, que aparece por dez vezes em Gênesis. Sete dessas frases — “e eles partiram de...” — encontra- se em Êxodo: 12.37; 13.20; 14.2; 15.22; 16.1; 17.1; 19.2.

As outras cinco ocorrências estão em Números: 10.12; 20.1,22; 21.10; 22.1. A partida do Sinai, porém, foi algo singular. Os israelitas levariam consigo lembranças que jamais esqueceriam. O cenário descrito em 10.11-36 é dramático e vibrante: bandeiras tremulando, a presença de Deus claramente manifesta e todos com grandes expectativas de conquistas em mente. Até surpreen­de um pouco o fato de Moisés chamar seu sogro, Hobabe, para acompanhá-los ao deixarem o Sinai (vv. 29-32, com especial des­taque para o 31); pois, diz Moisés a seu sogro midianita, “tu sabes que nós nos alojamos no deserto; de olhos nos servirás”. Quem era então o guia de Israel: a presença divina na nuvem de fogo. Hobabe ou ambos? No caso de serem ambos, a passagem demons­tra a relevância atribuída pela Bíblia tanto ao esforço divino como ao esforço humano como sendo fundamentais na promoção da von­tade de Deus. Para um outro exemplo da mesma realidade, lem­bre-se de que Josué enviou espiões a Jerico, em Josué 2, logo após Deus ter garantido a vitória de Israel em Josué 1 (“Ninguém se susterá diante de ti”). Se, após uma primeira recusa, Hobabe acei­tou acompanhá-los (o que não é de forma alguma assegurado pelo texto), não há nenhuma passagem subseqüente que destaque al­guma contribuição sua. Nas passagens seguintes, vemos Jeová sendo honrado, mas não o sogro de Moisés.

2 de abril de 2017

RALPH L. SMITH - O reavivamento da teologia do Antigo Testamento

REAVIVAMENTO ANTIGO TESTAMENTO

O reavivamento da teologia do Antigo Testamento

O que causou essa súbita mudança na teologia do Antigo Testamento? O que a trouxe de volta à vida? A principal causa da mudança na teologia e nos estudos bíblicos foi a “precipitação radioativa” da Primeira Guerra Mundial. Antes de 1917, a atitude que prevalecia no mundo ocidental era de confiança no progresso inevitável. As pessoas podiam erguer-se por seus próprios esforços de qualquer crise e transformá-la em meio para alcançar um padrão mais elevado de vida.

E então em apenas uma geração ocorreram duas guerras mundiais, com toda sua destruição, devastação, crueldade, ódio e alienação. A confiança no progresso inevitável e na bondade e capacidade inerentes à humanidade foi esmagada. As pessoas começaram a buscar uma fonte de força e uma palavra de orientação fora de si mesmas. Algumas encontraram essa força e orientação na Palavra de Deus.

Karl Barth descreveu a mudança na teologia depois de 1918:

O fim efetivo do século XIX como os “bons velhos tempos” chegou para a teologia e para tudo o mais com o ano fatídico de 1914. Acidentalmente ou não, naquele mesmo ano um evento significativo aconteceu. Emst Troeltsch, famoso professor de teologia sistemática e líder da escola mais moderna de então, desistiu de sua cadeira de teologia por uma de filosofia.

Um dia no começo do mês de agosto de 1914 sobressai em minha lembrança como um dia negro. Noventa e três intelectuais alemães impressionaram a opinião pública ao proclamar apoio à política de guerra de Guilherme II e seus conselheiros. Descobri horrorizado que entre esses intelectuais encontravam-se quase todos os meus professores de teologia pelos quais eu tinha grande veneração. Desesperado em saber o que isso indicava acerca dos sinais dos tempos, percebi de repente que eu não podería mais seguir a ética ou a dogmática deles nem o entendimento que eles tinham da Bíblia e da história. Para mim pelo menos a teologia do século XIX não tinha mais nenhum futuro. Para muitos, se não para a maioria das pessoas, essa teologia não voltou a ser novamente o que era antes, uma vez que as águas da chuva que caiam sobre nós naquela época perderam um pouco de sua força.[1]

James Smart disse que o comentário de Karl Barth sobre Romanos, publicado em 1919, foi “como a explosão de uma bomba, ou melhor, como a introdução de uma substância química que provocou a separação dos elementos divergentes que se haviam misturado nos estudos eruditos do Novo Testamento”.32 Segundo Smart, a origem do comentário de Romanos foi a frustração sentida por dois pastores suíços, Barth e Thumeysen, ao tentar cumprir seus votos de ordenação para serem ministros da Palavra de Deus junto ao seu povo. Ambos tinham sido treinados em crítica histórica, mas não na compreensão da Palavra de Deus como revelação única de Deus ao povo. Contudo, era esse o ponto a partir do qual tinham de falar como ministros de Deus.

Barth e Thumeysen voltaram-se para Lutero, Calvino, Kierkegaard e outros, à procura de ajuda. Desafiaram as conclusões de um século de estudos eruditos do Novo Testamento. Os leitores encontraram de imediato muitas falhas no comentário (ele foi talhado de modo tão rudimentar que Barth começou a reescrevê-lo assim que acabou), mas os estudiosos do Novo Testamento foram obrigados a reconhecer a legitimidade da abordagem teológica.[2]

1 de abril de 2017

Tell Beit Mirsim

arqueologia bíblica
Bíblia de Estudo Arqueológica

30 de março de 2017

A transposição do abismo gramatical

danilo moraes
Um fato característico da Reforma foi o retomo à interpretação histórica e gramatical das Escrituras. Esse método contrapunha-se radicalmente ao esquema de interpretação bíblica que vinha sendo utilizado havia séculos: a concepção que desprezava o sentido gramatical normal dos termos e permitia que os leitores atribuíssem a palavras e frases o significado que desejassem.
                                 
As palavras, expressões e frases da Bíblia adquiriram muitos significados na Idade Média, e a objetividade foi-se perdendo. “Então, como a Bíblia podia ser uma revelação divina clara?”, perguntavam os reformadores.
Eles argumentavam que Deus havia transmitido sua verdade por escrito, empregando palavras e frases cujo sentido normal, evidente, o homem deveria ser capaz de compreender. Portanto, quanto melhor entendermos a gramática bíblica e o contexto histórico em que aquelas frases foram inicialmente comunicadas, tanto mais compreenderemos as verdades que Deus quis transmitir-nos.
Por que a interpretação gramatical é importante?
Vários fatores destacam a importância de atentar para a gramática bíblica (os significados de palavras e frases e a maneira como são combinadas).
A natureza da inspiração
Se cremos que a Bíblia foi verbalmente inspirada, então acreditamos que cada palavra nela contida é importante. Talvez nem todas as palavras e frases tenham a mesma importância, mas todas elas têm uma finalidade. Do contrário, por que Deus as teria incluído?

28 de março de 2017

Canaã

biblia de estudo arqueológica

danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

Hazor

biblia de estudo arqueológica
danilo moraes antigo testamento
Bíblia de Estudo Arqueológica


17 de março de 2017

R. K. Harrison - Leis Rituais

antigo testamento danilo moraes
LEIS RITUAIS 

O sangue sacrificial (17:1-16)

A matéria neste capítulo forma um suplemento à legislação conti­da nos sete primeiros capítulos do livro, e também tem conexão muito estreita com o capítulo 16. Desde a formulação da teoria Graf-Wellhausem da composição do Pentateuco, perto do fim do século XIX, a erudi­ção crítica-literária tem uniformemente considerado que Levítico 17 — 26 perfaz um assim-chamado “código de santidade” que, de acordo com esta teoria, foi acrescentado ao “documento” sacerdotal um pouco de­pois do tempo de Ezequiel.[1] Infelizmente, este ponto de vista não po­de ser apoiado por qualquer forma de evidência objetiva, e tem o demé­rito de separar esta matéria auxiliar que rege as leis rituais das preocupa­ções do livro como um todo, que é, sem dúvida alguma, um manual de santidade. Embora esteja na moda nos círculos crítico-literários ver ele­mentos “posteriores” na segunda metade de Levítico, mesmo assim é verdade que não há um só aspecto desta matéria legislativa que seja in­consistente com uma data de origem no segundo milênio a.C.

O capítulo começa com uma fórmula que é típica de Levítico (cf. Lv 1:1; 4:1; 6:1; 7:28, etc.), depois da qual trata de quatro situações em que o sacrifício e o consumo da carne estão envolvidos. Sua unidade com os capítulos anteriores é percebida na sua recapitulação das ques­tões discutidas anteriormente, (cf. Lv 7:26-27 e 17:10-15; 11:39-40 e 17:15-16), com ênfase especial dada ao significado do sangue no uso sa­crificial. Outra razão porque este capítulo tem pouca probabilidade de fazer parte de um “código de santidade” sacerdotal separado é que não diz virtualmente nada acerca do lugar dos sacerdotes na questão dos sa­crifícios. Pelo contrário, focaliza o papel do adorador comum no siste­ma sacrificial, e trata dos procedimentos corretos da imolação e das penalidades aplicáveis quando o sangue é usado erroneamente. Preocupa­ções higiênicas também fazem parte destacada da legislação a respeito da ingestão do sangue.

1-2. Uma fórmula introdutória indica que esta matéria, como as demais seções antes dela, tem a autoridade da revelação divina. Deve fa­zer parte do corpo sacerdotal de ensinos, e deve ser comunicada à nação inteira como mandamento da parte de Deus. Estas injunções, se forem guardadas, garantirão a continuidade do modo de vida distintivo de Is­rael, mas se forem desrespeitadas, a nação é advertida quanto ao castigo que se seguirá.

Parando o sol

antigo testamento arqueologia
Bíblia de Estudo Arqueológica

16 de março de 2017

Gibeom

antigo testamento danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

10 de março de 2017

Descobertas arqueológicas na cidade de Ai


biblia de estudo arqueologica
danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica


8 de março de 2017

FACULDADE DE TEOLOGIA

Estude Teologia

BACHAREL EM TEOLOGIA - ESTUDE TEOLOGIA

Estude Teologia

7 de março de 2017

VICTOR P. HAMILTON - Preparações para a Partida do Sinai - Números 1.1—10.10

victor hamilton danilo moraes
Preparações para a Partida do Sinai - Números 1.1—10.10 

Se, em certos aspectos, “Levítico” parece um título estranho para o terceiro livro do Pentateuco, o mesmo poderia ser dito sobre o título do quarto livro. “Números” vem de Numeri na Vulgata, ex­traído de Arithmoi, da Septuaginta. Existem, com certeza, conta­gens e listas de números ao longo desse livro (como, por exemplo, as listas dos censos, dos capítulos 1 e 26; e o censo dos levitas, nos capítulos 3 e 4), mas tais capítulos não são a regra de Números. 

Na Bíblia Hebraica, o título desse livro é “No Deserto”, extraído da quarta palavra do texto hebraico de Números 1.1 (“Falou mais o Senhor a Moisés, no deserto...”). O deserto, aquela faixa de terra quase desabitada entre Egito e Canaã, onde vemos Israel entrar em Êxodo 15.22, é o cenário geográfico de Números. Como tal, era um lugar onde o povo aprofundaria sua confiança no poder de Deus para suprir suas necessidades, ou duvidaria das capacidades e re­cursos de seu Deus. A medida que atravessassem essa zona inter­mediária “entre a libertação e o desterro”1, o deserto representaria para Israel ótimas possibilidades ou grandes problemas. 

É quase um consenso que o livro de Números deixa muito a desejar e é por demais enigmático na apresentação de seu material. 

Por esse motivo, B. A. Levine (1976: 634) o vê como “o menos coe­rente dos livros da Torá”. A visão de R. C. Dentan2 é semelhante: “Considerando que o livro não é de fato coeso nem foi composto de acordo com qualquer plano lógico ou predeterminado, qualquer esboço que lhe seja imposto terá de ser reconhecido como ampla­mente subjetivo e arbitrário”. Para citar ao menos um exemplo, os comentaristas tentam justificar o porquê de o capítulo 15, um compêndio de leis diversas, vir entre os relatos dos espias/batedores (13—14) e o da rebelião de Corá (16). 

São poucos os que discordam dessa visão; dentre eles está Brevard Childs. Ele defende a tese de que todo material em Nú­meros — ritualístico, legal, narrativo e até mesmo as informações estatísticas — gira em torno do tema universal da santidade. Childs3 observa: “Apesar da diversidade de assuntos e da comple­xa estrutura literária, o livro de Números mantém uma interpre­tação sacerdotal unificada da vontade de Deus para seu povo, a qual é exposta em um nítido contraste entre o santo e o profano”. Sinto-me mais inclinado a aceitar a avaliação de Childs que a defendida por aqueles que vêem Números como uma coletânea aleatória de materiais J4, E5 e, principalmente, P6. 

Talvez seja melhor começar observando as divisões internas do livro, com base nas informações geográficas e cronológicas. 

1.1-10.1 — Preparações para a partida do Sinai. 

1.1: “Falou mais o Senhor a Moisés, no deserto do Sinai [...] no primeiro dia do segundo mês, no segundo ano da sua saída da terra do Egito”. 

10.11—20.21 - Partida do Sinai e chegada a Cades. 

10.11: “no segundo ano, no segundo mês, aos vinte do mês. que a nuvem se alçou de sobre o tabernáculo da congregação”. 

20.22—36.13 - Jornada de Cades para Moabe. 

20.22: “Todo o povo de Israel saiu da cidade de Cades”. 

É preciso notar que não há consenso entre os comentaristas em relação ao ponto de término da segunda seção e início da ter­ceira. Tanto M. Noth como R. C. Dentan concluem a segunda se­ção em 20.13. G. B. Gray7 encerra a segunda seção em 21.9. A New Oxford Annotated Bible (Nova Bíblia Anotada Oxford)8, nas notas editoriais, finaliza a segunda seção em 21.13. F. L. Moriarty9 sugere 22.1 como a conclusão dessa unidade. 


Dennis Elson, em diversos estudos (1985, 1996, 1997), sugere dividir Números em duas seções. Utilizando como chave os dois censos dos capítulos 1 e 26, sua primeira unidade é definida do capítulo 1 ao 25; a segunda, do 26 ao 36. A primeira parte cobre a geração de israelitas que saiu do Egito, dos quais ninguém conse­guiu chegar a Canaã (com exceção de Josué e Calebe). Pereceram no deserto por causa de sua incessante desobediência e pecaminosidade. A outra parte cobre a geração que nasceu no de­serto, a segunda geração, os quais entrariam em Canaã sob a li­derança de Josué e para quem Deuteronômio foi escrito. Assim, para Olson, Números fala sobre a morte do que é velho (1—25) e o nascimento do que é novo (26—36), com Deus tendo de começar novamente. 

Jericó e a Data da Conquista


arqueologia danilo moraes
antigo testamento danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica


4 de março de 2017

Os muros de Jericó

arqueologia josué

danilo moraes antigo testamento
Bíblia de Estudo Arqueológica

3 de março de 2017

RALPH L. SMITH - A história da teologia do Antigo Testamento (Parte 1)

A história da teologia do Antigo Testamento

A teologia do Antigo Testamento: uma disciplina moderna com raízes antigas

A história da teologia do Antigo Testamento é longa, fascinante e sinuosa. Embora essa disciplina em sua forma moderna mal tenha 200 anos, suas raízes remontam ao próprio Antigo Testamento. Muitos estudiosos do Antigo Testamento datam o início do estudo moderno da teologia do Antigo Testamento com a palestra inaugural de Johann Philipp Gabler na Universidade de Altdorf em 1787. Até a época de Gabler a igreja não fazia distinção entre teologia dogmática e teologia bíblica ou entre teologia do Novo Testamento e teologia do Antigo Testamento. Gabler pensava que se deviam fazer essas distinções. Embora ele não tenha escrito uma teologia do Antigo Testamento, estabeleceu os princípios básicos e o método pelos quais seria possível escrever uma teologia bíblica e uma teologia do Antigo Testamento. Gabler era racionalista e provavelmente estava irritado com o que considerava uma força repressora que a igreja exercia sobre a exegese e sobre a interpretação das Escrituras.

Naquela época talvez só um racionalista poderia pedir ou teria pedido de fato uma separação entre teologia dogmática e bíblica. A separação que se seguiu teve um efeito distorcido. Em vez de estabelecer as doutrinas do Antigo Testamento de modo mais claro, as primeiras teologias do Antigo Testamento filtraram o material teológico do Antigo Testamento com as lentes do racionalismo.

É provável que o primeiro livro a usar o título Teologia do Antigo Testamento tenha sido Theologie des Alien Testaments de G. L. Bauer, publicado em Leipzig em 1796. Bauer também era racionalista; Hayes e Prussner disseram que Bauer avaliava continuamente o material do Antigo Testamento segundo os padrões de sua interpretação racionalista da religião. Desviou-se do seu caminho “para destacar os elementos mitológicos, lendários ou miraculosos nas escrituras hebraicas e para rejeitá-los como superstições de uma raça primitiva”.[1] [2] Joseph Blenkinsopp disse que Bauer obteve a distinção de escrever a primeira teologia do Antigo Testamento e, ao mesmo tempo, de rejeitar como indignos de maior atenção cerca de quatro quintos do Antigo Testamento.2

Lançando a semente da teologia do Antigo Testamento

Para que se possa entender os problemas da teologia do Antigo Testamento e os debates sobre ela, precisa-se começar não com Gabler, mas com o próprio Antigo Testamento. E depois deve-se rastrear a história do uso teológico que vários grupos têm feito do Antigo Testamento através dos séculos.

2 de março de 2017

A Conquista de Canaã

arqueologia danilo moraes
antigo testamento danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica


28 de fevereiro de 2017

O acampamento em Gilgal

antigo testamento danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

R. K. Harrison - O Dia da Expiação - Levítico 16

antigo testamento danilo moraes
O DIA DA EXPIAÇÃO (16:1-34)

Este capítulo perfaz o eixo cerimonial e teológico sobre o qual gi­ra o livro inteiro de Levítico. A legislação anterior já tratou dos tipos diversos dos sacrifícios e em que condições deviam ser oferecidos, sendo que enfatizava as providências para as necessidades individuais. Agora focaliza-se a expiação feita para todas as impurezas e os pecados invo­luntários da totalidade da congregação israelita, a começar com o sacer­dócio. Seis meses depois de a páscoa ter sido celebrada, o povo era or­denado a “afligir-se”, após o que o sumo-sacerdote faria expiação por ele. Como a páscoa, esta cerimônia devia ser observada anualmente, e marcava a ocasião em que a totalidade da comunidade religiosa era mo­bilizada diante de Deus num ato conjunto de confissão e expiação. Era um tempo de grande solenidade, diferente das festas anuais, e se o jejum era envolvido na autodisciplina preparatória, conforme pensam muitos intérpretes, era a única cerimônia que exigia semelhante exercício comu­nitário. Por sua natureza, era uma observância religiosa distintiva, e ocu­pava a parte central da adoração da nação. A importância do sumo-sa­cerdote é tornada clara na posição que ele ocupa nos rituais como o me­diador entre Deus e os homens. O ritual é descrito por inteiro, o que é apropriado num manual de culto público.

Alguns estudiosos têm questionado a natureza lógica da disposi­ção de Levítico em termos da posição dos capítulos 11 — 15 no texto. Visto que Levítico 10:20 termina a narrativa dos eventos associados com a morte dos filhos de Arão, Nadabe e Abiú, e a matéria histórica reco­meça em Levítico 16:1 naquela mesma altura, tem sido sustentado que este último capítulo logicamente segue Levítico 10:20. Esta conclusão leva, então, a perguntas acerca de supostas fontes, do deslocamento do texto, dos processos redacionajs e outros, conforme a predileção do res­pectivo estudioso.

Embora os capítulos 11 — 15 certamente interrompam o fluxo da narrativa histórica, e, quanto a este aspecto, poderiam muito bem ser considerados como uma interpolação, permanece o fato de que foram firmemente integrados no livro como um todo por meio das referências em Levítico 5:2 e 7:21. A passagem antecedente, Levítico 10:10, pre­para o leitor para a distinção detalhada entre as espécies limpas e imun­das no capítulo 11, ao passo que os capítulos 12-15 aplicam o mesmo tema a situações sociais. No decurso do processo da compilação foi con­siderado apropriado inserir um bloco de matéria que tratava de tópicos especiais na narrativa histórica. A seção claramente está em harmonia com a solicitude para com a santidade e a pureza cerimonial expressada noutras partes de Levítico, e embora um compilador moderno talvez colocasse os capítulos 11—15 noutra parte do texto, sua atual posição não danifica a unidade da organização de Levítico de maneira digna de nota.

a. A preparação sacerdotal (1-4)