14 de outubro de 2017

Quiriate Jearim

danilo moraes arqueologia
Bíblia de Estudo Arqueológica

VICTOR P. HAMILTON - A Despedida de Moisés

victor hamilton
A Despedida de Moisés

Deuteronômio 31

À parte dessa mescla de prosa e poesia, outros três itens diferenciam os capitulos 31—34. Um deles é a mudança de enfoque no texto, passando daquilo que Moisés fala, nos capítulos 1—30, para o que ele faz, especialmente no capítulo 31.

Um segundo ponto é que estes últimos capítulos de Deuteronô­mio fornecem um belo contraste com os capítulos de abertura do livro, em Deuteronômio 1—3, em que Moisés começa olhando para o passado, evocando e voltando a relatar eventos históricos de Israel após a saída do Egito. Em contrapartida, nos capítulos 31— 34, ele termina olhando para o porvir, antevendo o futuro de Isra­el e o ministério de Josué após sua própria morte. Dessa forma, Deuteronômio começa com uma reflexão sobre o passado, do qual Moisés fez parte, e termina refletindo sobre um futuro que não contará com sua presença.

O terceiro ponto, bastante peculiar, é que trata-se da única oportunidade, em Deuteronômio, na qual Deus fala diretamente (31.14b; 31.16b-21; 31.23b; 32.49-52; 34.4b; e partes do poema no capítulo 32). No que tange a essa questão, os outros quatro livros do Pentateuco são diametralmente diferentes, com a voz de Deus sendo ouvida em toda parte. Isso não significa que o restante do Pentateuco, com sua prodigalidade de discursos divinos, seja mais ou menos valioso que Deuteronômio, com sua parcimônia nessa área. Deuteronômio é tão divino quanto qualquer outra parte da Torá, exceto que nesse caso a palavra de Deus surge através da voz de Moisés numa proporção jamais vista em outra parte do Pentateuco. Se, por exemplo, os Salmos são originalmente pala­vras humanas (orações direcionadas a Deus) que se tornam a Palavra de Deus, Deuteronômio é a palavra divina emitida atra­vés de voz e recursos humanos.

13 de outubro de 2017

Bere Semes

antigo testamento danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

Quem é Deus como Javé? Um Deus de ira

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Um Deus de ira

A ira é um dos sentimentos de Deus mais frequentemente mencionados no Antigo Testamento. A ira de Deus é bem real e muito séria para as pessoas do Antigo Testamento. O que é ira? No Egito antigo, ira significava "cólera", "raiva", "reação violenta". Os sinais hieroglíficos correspondentes à ira retratam "o espancamento de um mendigo", "um macaco em fúria" ou "um leopardo feroz". Os egípcios também usavam uma palavra que significa "vermelho" para indicar "coração", e uma para "nariz", muito semelhante ao termo hebraico, para representar a raiva. Em acádico, as duas palavras usadas com mais freqüência são agagu, "ser momentaneamente forte", e ezezu, "ser selvagem e furioso", freqüentemente aplicada a fenômenos naturais.

Na religião grega, os deuses não eram considerados amigos do ser humano. Os escritores gregos continuamente reclamavam da "natureza vingativa, má vontade e mesquinhez" dos deuses. Divindades da terra anteriores aos gregos e as que trazem maldições, como as Eríneas, "têm ira até em seu nome, ‘as fúrias’".

A punição pelos deuses não é geralmente por motivos morais. As pessoas eram punidas por suas ofensas pessoais contra os deuses. Dos poucos condenados ao tormento eterno, Ixion atacara Hera, ato considerado uma infração da prerrogativa de Zeus; Sísifo disse a Esopo para onde Zeus levara à força sua filha Égira; e Prometeu salvou a raça humana dando-lhe o segredo do fogo, reservado aos deuses. A ira de Zeus foi suscitada porque ele temia pela continuação da sua tirania.

12 de outubro de 2017

Dagom

antigo testamento danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

J. A. THOMPSON - O PRIMEIRO DISCURSO DE MOISÉS: O QUE DEUS FEZ (1:1-4:43) (Parte 2)

antigo testamento danilo moraes
AS CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS, PARA ISRAEL, DOS ATOS LIBERTADORES DE DEUS (4 :1-40)

O primeiro discurso de Moisés atinge seu clímax neste capítulo. O paralelo entre a estrutura literária do capítulo e a dos tratados de suserania do antigo Oriente Próximo é digno de nota. O autor do tratado é sanções do tratado — bênçãos e maldições - são mencionadas, teste­munhas são invocadas (26) e a obrigação de transmitir o conhecimento do tratado à geração seguinte é afirmada (10). Embora estes elementos do tratado de suserania do Oriente Próximo não estejam dispostos em for­ma legal rígida, estando antes entretecidos na fibra do discurso sem preo­cupações formais estritas, todos podem ser claramente discernidos.

a. O apelo para ouvir e obedecer (4:1-8).

A expressão introdutória Agora pois se refere ao recitativo anterior. É preparatória para o apelo a ouvir e obedecer, como se al­guém dissesse “Agora pois, à luz dos atos libertadores de Deus, vocês deveriam obedecer os Seus mandamentos” (cf Êx 19: 5; Dt 10: 12; Js 24: 14, etc.).

1. Moisés instruíra o povo nos estatutos e mandamentos de Deus e instou com eles para que atentassem para eles e os pusessem em prática. A obediência resultaria em bênção, que significava vida e posse da terra. Nesse contexto, a vida provavelmente se refere apenas à vida física, em contraste com a morte e a destruição que seriam o resultado da desobediência. O princípio aqui declarado se tomou conhecido como o prin­cípio deuteronômico. É afirmado várias vezes em Deuteronômio, mas também é encontrado em outras partes do Velho Testamento, quer dire­tamente quer por inferência.

11 de outubro de 2017

O óstraco de Izbet Sarta

danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

VICTOR P. HAMILTON - Bênçãos e Maldições: Deuteronômio 27—30

victor hamilton antigo testamento
Bênçãos e Maldições: Deuteronômio 27—30 

Os quatro capítulos a serem estudados nesta unidade compreendem os dois últimos capítulos do segundo discurso de Moisés (capítulos 27—28) e também o seu breve terceiro discurso (capí­tulos 29—30). 

A essa altura, Moisés já havia terminado de apresentar a lei do Senhor a Israel. Diante dessa lei, nenhum crente podia ficar neu­tro. Era preciso optar entre viver por ela ou ignorá-la. O que Moisés tenta demonstrar aqui é a inevitabilidade de toda paga ou conseqüência. Toda escolha que se faz corresponde a uma reação divina proporcional. 

Se a opção for pela obediência, a conseqüência será bênção; mas se for pela desobediência, a conseqüência será maldição. Especificamente no terceiro discurso (veja 29.27), a maldição inclui um futuro exílio — tema esse já abordado em 4.27-31. Robert Polzin percebe essa mudança de foco do segundo para o terceiro discurso de Moisés: “Lá [o segundo discurso, capítulos 5—28] a ênfase era o futuro imediato e o que Israel precisava fazer para permanecería, terra que Deus lhes estava dando. Aqui, no tercei­ro discurso, Moisés se volta para o longínquo futuro no exílio e para o que Israel precisaria fazer a fim de recuperar a terra”. 


Podemos esboçar essa seção da seguinte forma:

27.1-10: a cerimônia de renovação da aliança em Siquém;

1 de outubro de 2017

O Tabernáculo em Siló

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Bíblia de Estudo Arqueológica

Quem é Deus como Javé? Um Deus santo e de amor

ralph smith
Um Deus santo e de amor

Um Deus de amor

Santidade (qõdesh) é uma palavra intimamente divina. "Ela tem a ver [...] com a própria natureza da divindade, mais do que qualquer outra, na verdade como nenhuma outra". "Santidade é a qualidade mais típica da fé em Deus no Antigo Testamento". De todas as qualidades atribuídas à natureza divina, há uma que, tanto em virtude da freqüência como da ênfase com que é usada, ocupa uma posição de importância singular —é a santidade". Johannes Hanel fez da santidade o centro da sua teologia do Antigo Testamento, e Edmond Jacob propôs qdsh como o centro gramatical do Antigo Testamento, assim como a idéia correspondente é o centro teológico.

Deus não é criatura; conseqüentemente, ele é santo. O "atributo" da santidade refere-se a esse mistério do ser divino que o distingue como Deus. Criaturas e objetos têm santidade apenas em sentido derivado, quando são designados por Deus para servir numa função especial. G. Ernest Wright disse:

De todos os “atributos” divinos, a santidade chega mais perto de descrever 0 ser de Deus e não sua atividade. Ela, no entanto, não é uma “qualidade” estática e definível como a verdade, beleza e bondade dos gregos, porque é esse mistério indefinível em Deus que 0 diferencia de tudo 0 que criou; e sua presença no mundo é sinal de que ele dirige ativamente os seus negócios.

22 de setembro de 2017

O colete sacerdotal

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J. A. THOMPSON - O PRIMEIRO DISCURSO DE MOISÉS: O QUE DEUS FEZ (1:1-4:43) (Parte 1)

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O PRIMEIRO DISCURSO DE MOISÉS: O QUE DEUS FEZ (1:1-4:43)

INTRODUÇÃO GERAL: MOISÉS FALA A TODO O ISRAEL - 1:1-5

Estes versículos são um exemplo típico dos parágrafos editoriais que aparecem no começo de várias divisões de Deuteronômio e também no início de outros livros do Velho Testamento, como Amós 1:1, Ezequiel 1: 1-3, etc.

1.O primeiro versículo do livro explica a natureza de todo 0 livro, que consiste das palavras que Moisés falou a todo o Israel. A expressão todo o Israel é muito comum (na verdade poder-se-ia dizer característica) em Deuteronômio, embora a expressão alternativa, os filhos de Israel, que ocorre em outros lugares no Pentateuco, também ocorra em 4:33 {cf 1:3; 32: 51; 34: 8 onde ocorre a expressão “o povo da terra”). Tais palavras eram dirigidas a toda a nação. Há indicações em outras partes do livro de que “todo 0 Israel” inclui os antepassados, a presente geração de Israel e aqueles que ainda viriam a surgir (cf 5: 3), ou seja, que a palavra de Deus através de Moisés tinha significação permanente para Israel. Num versículo posterior as palavras de Moisés são definidas como sua tentativa de explicar a lei (1:5). Assim, o livro não se propõe ser uma proclamação feita por Deus, mas uma exposição daquilo que Deus já havia falado. Somente nu­mas poucas passagens do livro Deus aparece falando na primeira pessoa (7:4; 11:13, 14; 17:3; 29:6). Como mediador da aliança, entretanto, Moisés pode ser considerando como aquele que traz a palavra de Deus ao povo.

O cenário de tal exposição da lei foi dalèm do Jordão, no deserto. O lugar específico é de difícil identificação. A frase “dalém do Jordão” podería também ser traduzida “na região do Jordão”.! O termo Arabá ê usado para descrever a área da grande fenda do Jordão, um vale que corre ao norte e ao sul do Mar Morto. Parece provável que 0 que se tem em vista aqui é a parte norte do vale (consultar o versículo 7).

13 de setembro de 2017

Santuários israelitas e a adoração antes do templo de Salomão


antigo testamento danilo moraes
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VICTOR P. HAMILTON - As Leis de Deuteronômio 12-26 (Parte 3)

victor hamilton danilo moraesAs Leis de Deuteronômio

Vida e Morte (21)

No início desse capítulo, sugeri que os últimos capítulos do códi­go legal deuteronômico seriam os mais amorfos de todos. Alguns estudiosos têm se contentado em classificar tudo o que há nos capí­tulos 21—25 sob o título de “leis diversas”. O capítulo 21 parece confirmar isso, pois encontramos o seguinte: uma lei acerca da ex­piação do homicídio quando o assassino não tiver sido detido (vv. 1­9); uma lei sobre o casamento com mulheres (solteiras?) captura­das na guerra (vv. 10-14); uma lei sobre heranças, defendendo o direito de primogenitura em um lar bígamo/polígamo (w. 15-17); uma lei sobre filhos rebeldes e contumazes (w. 18-21); uma lei so­bre o sepultamento de um criminoso executado (vv. 22,23).

Carmichael33 sustenta que todas essas leis têm em comum o fato de associarem a morte à vida de forma dramática: a bezerra que nunca trabalhou, o campo que nunca foi lavrado e a pessoa assassinada em campo aberto. A mulher capturada na guerra é raptada da casa de seus pais, por quem ela chora durante um mês, visto que provavelmente não voltará a vê-los; mas ela então se torna esposa de um israelita — uma celebração de uma nova vida. Um pai que se aproxima da morte não deve deixar de garan­tir a vida e o futuro bem-estar de seu primogênito. Os pais sábios tentam proteger a vida de seu filho por meio de conselhos e casti­gos, mas devem entregá-lo à morte se não houver mais esperança e ele se mostrar incorrigível. Permitir que o cadáver de um crimi­noso executado passasse a noite pendurado em um madeiro sig­nificaria contaminar a terra de Israel, uma terra que é viva, não estéril ou maculada. Fica óbvio que esta polarização em particu­lar — vida e morte — é exibida diante dos israelitas ao longo de todo o livro de Deuteronômio.

11 de setembro de 2017

A porta da cidade

antigo testamento danilo moraes
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RALPH L. SMITH - Quem é Deus como Javé? (Parte 1)

ralph smith danilo moraes
Quando Moisés e Arão ordenaram em nome de Javé que libertasse Israel, o faraó perguntou: "Quem é o SENHOR para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Nao conheço o SENHOR, nem tampouco deixarei ir a Israel" (Êx 5). O faraó não sabia quem era Javé e, por isso, recusou-se a libertar Israel. Sua recusa resultou nas pragas do Egito. Terminadas as pragas, todos no Egito, inclusive o faraó e os israelitas, sabiam quem era Javé (Êx 7.5, 17; 8.10, 22; 9.14-16, 29; 10.2; 11.7; 12.31-32; 14.4, 18, 30). Javé revelou quem ele era por meio do que fez. Com sua mão poderosa e seu braço estendido, livrou da servidão um grupo de escravos. Ele provou ser um Deus de compaixão, poder e propósito. 

Uma coisa é perguntar por ignorância ou desprezo: "Quem é Javé?". Outra, é perguntar em compromisso e fé: "Quem é Deus como Javé?" —indicando que não há nenhum comparável a ele.[1] O Antigo Testamento afirma com freqüência que Javé é incomparável. No Cântico do Mar, a pergunta é: 



Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses?
Quem é como tu, glorificado em santidade,
terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?
(Êx 15.11) 

O salmista disse: 

O teu caminho, ó Deus, é de santidade. 

Que deus é tão grande como o nosso Deus?
Tu és o Deus que operas maravilhas
e, entre os povos, tens feito notório o teu poder.
Com o teu braço remiste o teu povo,
os filhos de Jacó e de José. 

(SI 77.13-15) 

Pois quem nos céus
é comparável ao Senhor?
Entre os seres celestiais,
quem é semelhante ao SENHOR?
(SI 89.6) 

Miquéias perguntou: 

10 de setembro de 2017

O parente resgatador

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Bíblia de Estudo Arqueológica

J. A. THOMPSON - A TEOLOGIA DE DEUTERONÔMIO

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A TEOLOGIA DE DEUTERONÔMIO 

Tanto a forma literária de Deuteronômio quanto seu conceito cen­tral subjacente oferecem um indício importante quanto à teologia bási­ca do livro. Javé, o Deus de Israel, aparece num contexto fortemente aliancista. Ele é o grande Rei, o Senhor da aliança. Deste conceito central derivam as idéias mais refinadas da teologia israelita. o estudo de G. E. Mendenhall, Law and Covenant in Israel and the Ancient Near East (Lei e Aliança em Israel e no Oriente Próximo, 1955 deixou claro que as formas históricas e a linguagem dos antigos tratados haviam sido adaptadas para expressar a visão que Israel tinha de Deus. A aliança mo­saica retratava Deus como o grande Rei que entrava numa aliança (fazia um tratado) com Israel, de modo que Ele se tornava seu Deus e eles se tor­navam Seu povo. Boa parte da linguagem aliancista do Velho Testamento é paralela, etimologicamente ou semanticamente, à linguagem dos trata­dos seculares. Javé é apresentado como Rei, Senhor, Juiz e Guerreiro, ao passo que Israel é retratado como um servo cuja obrigação é “ouvir, obedecer”(sãma‘) e “servir” (‘ãbadj). 

Javé, o Senhor da aliança 

Os tratados seculares começavam com um preâmbulo em que se fa­zia referência a “Fulano de tal, o grande rei”. Vários epítetos eram en­tão usados para descrever o rei: poderoso, favorito dos deuses, valoroso e outros semelhantes. 

Não é possível identificar um preâmbulo detalhado como tal em Deuteronômio, Em estrutura, o primeiro elemento claramente identificá­vel do padrão da aliança é a introdução historica. Há, contudo, através do livro, vários epítetos que bem poderiam ser ajuntados e constituir um preâmbulo. Não há qualquer referência inequívoca a Javé como Rei (melek). 0 uso do termo Rei para Javé no Velho Testamento é compara­tivamente raro. Isto pode se dever à ambiguidade do termo, que era usado pelos reis das pequenas cidades-estado na terra à qual Israel se dirigiu de­pois do êxodo. A realeza de Javé, o Senhor de Israel, era a antítese da so­berania insignificante de tais reis,

8 de setembro de 2017

Comida e Agricultura

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VICTOR P. HAMILTON - As Leis de Deuteronômio 12-26 (Parte 2)

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Três Festas Sagradas (16)

Grupos de três são comuns nessa parte de Deuteronômio. Já vimos três referências a anos: todo ano, a cada três anos, a cada sete anos (capítulos 14 e 15). Os animais limpos e imundos per­tencem a três categorias: criaturas terrestres, pássaros e peixes (capítulo 14). São apresentadas três possíveis fontes de idolatria (capítulo 13). Existem três referências sobre não ingerir sangue (12.16,23; 15.23). Tanto no capítulo 12 como no 16 existem seis usos da frase “o lugar que escolher o Senhor, teu Deus” (A expres­são também aparece por três vezes no capítulo 14.).

O capítulo 16 continua nesse mesmo caminho ao abordar as três maiores festas a serem observadas ao longo do ano: a Festa da Páscoa e dos Pães Asmos (vv. 1-8), a Festa das Semanas (vv. 9­-11) e a Festa dos Tabernáculos (vv. 13-15). Em seguida há uma declaração resumida nos versículos 16,17: “Três vezes no ano, todo varão entre ti aparecerá perante o Senhor...” Assim como não se devia deixar o servo partir “vazio” (15.13), não era certo compare­cer perante o Senhor “vazio” (16.16). Dar aos pobres (15.7-11) cor­responde a dar ao Senhor (16.17). Não há apenas o dízimo trienal para os levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas (14.28,29), mas tam­bém a celebração comunitária das festas do Senhor (16.11,14). Há a oferta para o pobre, mas também a adoração em união com o pobre. Homens e mulheres, escravos e livres, ricos e pobres, casados e solteiros: todos juntos, sob o mesmo teto, em adoração.

A descrição das festas neste capítulo está bastante próxima, po­rém não é exatamente idêntica das que encontramos em outros livros do Pentateuco (Êx 12.1-28,43-49; 23.14-19; 34.18-26; Lv 23.1­43; Nm 9.1-14; 28.1—29.39). Na Páscoa, as recomendações de Moisés a respeito do emprego de sangue de ovelha, detalhadas com clareza em Êxodo 12, são omitidas desse capítulo (pela óbvia razão de que o ritual passou dos lares para o santuário), juntamente com muitos outros itens. Alguns, comentaristas, como Moshe Weinfeld, usam tais comparações para respaldar o argumento de que Deute­ronômio representa uma mudança rumo à secularização. Por outro lado, se assumirmos que Deuteronômio de fato demonstra tal ten­dência, que poderemos dizer quanto a Deuteronômio repetir o que Êxodo 23.17 e 34.24 dizem sobre a Páscoa ser um prática limitada ao local escolhido por Deus, em vez de algo a ser observado no lar, como explicado em Êxodo 12.3,4,7? Isto dificilmente parece ser uma mudança rumo à secularização.

7 de setembro de 2017

Jabes Gileade

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Bíblia de Estudo Arqueológica

RALPH L. SMITH - Eu serei o vosso Deus (aliança)

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Eu serei o vosso Deus (aliança)

A. Tendências recentes no estudo da aliança

A palavra hebraica bérít, "aliança", é importante no Antigo Testamento, mas, junto com o termo que significa "eleição", tem tido uma carreira teológica instável. Às vezes tem estampado o nome numa escola inteira de pensamento teológico, enquanto outras vezes é quase completamente alijada das discussões teológicas regulares —embora as duas partes de nossa Bíblia carreguem a palavra no título.

O termo aliança é usado de modo desigual no Antigo Testamento. Partes do Antigo Testamento (Dt) fazem uso amplo do termo, enquanto os profetas pré· exílicos e a Literatura de Sabedoria o empregam raramente. Entretanto, a importância desse conceito não depende do lugar e da frequência com que o termo berit é usado.

1) Interesse renovado na aliança (Eichrodt e Albright). Estudiosos do Antigo Testamento de épocas mais remotas, como Oehler[1] e Wellhausen[2] discutiram a aliança, mas não a tomaram centro de sua apresentação dos dados do Antigo Testamento. De fato, Wellhausen ensinou que a aliança no antigo Israel era um "laço natural" entre Israel e Javé, como a de pai e filho. Ela não se baseava na observância das condições de um pacto. Significava "socorro" de Deus a Israel, com frequência em tempos de guerra. O nome Israel significa "El batalha", de acordo com Wellhausen.[3]

A idéia da antiga aliança era um "socorro" de Deus em todas as ocasiões, "não ‘salvação’ no sentido teológico. O perdão de pecados era uma questão de importância secundária".[4]* Wellhausen podia dizer isso porque não cria que a legislação sacerdotal que tratava do problema do pecado fosse mosaica. A Torá sacerdotal não teria surgido antes da época de Esdras.[5]

6 de setembro de 2017

Mispá


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J. A. THOMPSON - A DATA E A AUTORIA DE DEUTERONÔMIO

antigo testamento danilo moraes
A DATA E A AUTORIA DE DEUTERONÔMIO

No Judaísmo e no Cristianismo primitivo a autoria mosaica de todo o Pentateuco era geralmente aceita. Ben Siraque assim o afirma em Ecle­siástico 24: 43. Igualmente o fazem Filo e Josefo. A autoria mosaica do Pentateuco e, por implicação, de Deuteronômio parece estar implícita no Novo Testamento (Mt 19: 8; Mc 12: 26; Lc 24: 27, 44; Jo 7: 19, 23; At 13:39; 15:5;28:23; 1 Co 9:9,2 Co 3:15;Hb 9:19; 10:28).[1]

Há, entretanto, outros pontos de vista. Um desses, exposto no livro apócrifo 4 Esdras, datado de cerca de 90 AD, sugere que todo o Velho Testamento se perdera e foi ditado, sob inspiração divina, por Esdras a certos escribas. Alguns dos primeiros escritores cristãos como Irineu, Clemente de Alexandria e Tertuliano conheciam esse ponto de vista. No Judaísmo, também, existiram aqueles que levantaram dúvidas quanto ao ponto de vista tradicional, de tempos em tempos.[2] [3]

Não obstante, o ponto de vista de que Deuteronômio era substan­cialmente mosaico em sua origem foi adotado, com raras exceções, tan­to por judeus quanto por cristãos até o aparecimento das modernas dis­cussões críticas, ao final do século XVIII e começo do século XIX. Al­guns estudiosos europeus negaram a autoria mosaica de Deuteronômio, atribuindo-a a um autor ou vários autores que teriam vivido ao tempo de Josias. Julius Wellhausen deu expressão clássica a este ponto de vista, que passou a ser amplamente aceito no mundo erudito. De acordo com Wellhausen o autor de Deuteronômio não fora Moisés mas um escritor, talvez um profeta, que compilou os capítulos 12 a 26 pouco antes da re­forma empreendida por Josias em 621 AC. Tal posição já fora contemplada ao início do século XIX, em 1805 por W. M. L. de Wette, que pro­pusera uma data no sétimo século AC para Deuteronômio, crendo que este fora o livro da lei descoberto no reinado de Josias.

5 de setembro de 2017

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VICTOR P. HAMILTON - As Leis de Deuteronômio 12-26 (Parte 1)

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As Leis de Deuteronômio
DEUTERONÔMIO 12—26

Os próximos 15 capítulos de Deuteronômio representam uma longa série de leis, sendo que algumas repetem outras seções le­gais do Pentateuco, outras são adaptações de outras leis do Pentateuco e algumas são originais. Já em 1.5, lemos que “come­çou Moisés a declarar esta lei”; contudo, o que se segue não é lei, mas quatro capítulos de recapitulação histórica seguidos de uma exortação.

Uma frase semelhante à de 1.5 é repetida em 4.44: “Esta é, pois, a lei que Moisés propôs aos filhos de Israel”, mas o que volta­mos a ver é uma fusão de lembranças históricas e apelos de obedi­ência até o capítulo 11. (Certamente, o Decálogo do Sinai é repeti­do no capítulo 5.) Esse contexto histórico proporciona uma base sobre a qual podemos acrescentar as leis. O Deus que transmite uma palavra de lei (capítulos 12—26) faz isso somente após trans­mitir uma palavra de graça (capítulos 1—11). Os padrões divinos não são colocados num vácuo, mas são postos defronte aos gene­rosos recursos de um Deus piedoso. Além disso, Israel não deve obedecer a essas leis para se tornar santo, mas sim porque é san­to. A observância da lei é uma conseqüência da santidade, não um meio para alcançá-la.

Um problema que há muito atormenta os intérpretes são as geralmente fúteis tentativas de discernir alguma ordem na apresentação das leis. Leis que, aparentemente, não têm nada a ver umas com as outras são colocadas em seqüência. Este fenômeno é particularmente verdadeiro nos últimos capítulos desta unidade.

3 de setembro de 2017

A migração dos danitas

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RALPH L. SMITH - E vós sereis o meu povo (eleição)

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E vós sereis o meu povo (eleição) 

A. Tendências recentes no estudo da eleição 

Em 1950 Η. H. Rowley lamentou o fato de a doutrina da eleição ter recebido pouca atenção em estudos bíblicos modernos.' Na realidade alguns artigos e livros sobre eleição no Antigo Testamento foram escritos antes da obra de Rowley, e a teologia do Antigo Testamento, que revivia na época, deu muita atenção a ela. 

Em 1928, K. Galling escreveu uma monografia, "Die Erwãhlungs- traditionen Israels", em que afirma que o Antigo Testamento possui duas tradições da eleição divina de Israel, uma na época de Abraão e outra na época de Moisés. Galling afirmou que a última é a tradição mais antiga. Rowley reconheceu duas tradições de eleição no Antigo Testamento, mas defendeu a escolha remota de Abraão, considerando-a substancialmente confiável. Rowley disse que Israel foi eleito em Abraão, mas essa eleição foi revelada por intermédio de Moisés. 

Em 1929, J. Μ. P. Smith afirmou que a fé dos israelitas em sua eleição firmava-se num orgulho natural de nação e raça e na fé em Javé, a quem representavam entre as nações.[1] Rowley rejeitou a idéia de Smith, dizendo: "Se não tivesse uma base mais profunda que essa, possuiría pouca validade em si e não teria nada mais que um interesse histórico[2] [3].״ 

1 de setembro de 2017

Túmulos no antigo Israel


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J. A. THOMPSON - Introdução ao livro de Deuteronômio (parte 3)

antigo testamento danilo moraes
V. DEUTERONÔMIO E O SANTUÁRIO CENTRAL

Estudiosos têm presumido, por mais de um século, que o livro de Deuteronômio exige a centralização de todo o culto num único santuá­rio. Uma vez que tal fato não se tornou realidade até os dias de Josias, argumenta-se que o livro data daquele século. Este ponto de vista tem sido desafiado ocasionalmente, como por exemplo por A. C. Welch e T. Oestreicher[1] [2] e, mais recentemente, por J. N. M. Wijngaards, que argu­mentou que Deuteronômio não tem como objetivo a centralização do culto em Jerusalém, mas se refere a uma série de santuários que serviram como santuário central para a velha anfictionia israelita.[3] [4] Com base nisso, ele situa Deuteronômio 5-28 numa faixa de tempo entre 1250 e 1050 AC. Embora esta proposta apresente seus próprios problemas, levan­ta mais uma vez a questão da centralização em Deuteronômio.

Para melhor entendermos o problema é importante recapitular a evidência que sugere ter havido, desde os primórdios de Israel em Canaã, um santuário que assumiu a preeminência sobre todos os outros porque nele se encontrava a Arca da Aliança.

O quadro apresentado pela Bíblia é que ao tempo de Moisés a Ar­ca marcava o santuário central de Israel e acompanhava o povo em sua peregrinação pelo deserto. Uma vez estabelecido Israel na terra prome­tida, a Arca reteve sua significação e se tomou um centro de peregrina­ções. Durante o período dos juízes esteve localizada em vários lugares. Assim, encontrou-se em Gilgal (Js 4:19; 5:9; 7:6), Siquém (Js 8:33, cf. 24:1) e Betel (Jz 20:18, 26-28; 21:2) em épocas distintas. É difícil pro­var que todos estes lugares poderiam ser considerados locais para um san­tuário central, embora Martin Noth tenha argumentado que este era o caso, afirmando que o primeiro santuário da anfictionia era localizado em Siquém. Que a Arca ficou por algum tempo em vários lugares dife­rentes parece claro, mas é incerto que cada um deles tenha servido como santuário central. No caso de Siló o relato

30 de agosto de 2017

Sansão e o templo de Dagom

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Bíblia de Estudo Arqueológica

VICTOR P. HAMILTON - Segundo Discurso de Moisés (4.41 - 11.32)

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Seja Cauteloso no Futuro 

Deuteronômio 4.41—11.32 

Essa unidade começa com um parágrafo curto (4.41-43) sobre as três cidades de refúgio que Moisés estabeleceu a leste do Jordão, um assunto que Moisés volta a discutir em 19.1-13. Nesse segun­do momento, porém, ele menciona outras três cidades de refúgio a oeste do Jordão. Temos aqui a segunda referência a Moisés na terceira pessoa em Deuteronômio, sendo que a primeira foi em 1.1,5. Instintivamente, perguntamos o porquê de esta referência estar aqui. Seria uma inserção inoportuna feita posteriormente, sem qualquer relação com o contexto imediato do texto? E possí­vel. Por outro lado, Moisés vem discorrendo sobre as leis e estatu­tos de Deus, tanto ao longo dos capítulos anteriores como no capí­tulo 4. Se observadas e executadas, elas levam à vida. O crente fiel às leis de Deus não morrerá, mas terá longevidade. Esse pa­rágrafo, do mesmo modo, trata de vida e morte: vida para aquele que mata involuntariamente o próximo. Seriam a palavra e a re­velação de Deus, em si mesmas, uma cidade de refúgio? Deixá-la seria o mesmo que ficar desprotegido. 

Veremos mais tarde, no estudo das leis dos capítulos 12 a 26, que leis aparentemente desconexas estão associadas simplesmente por causa de alguma palavra-chave presente em ambas ou por causa de uma frase comum ou, em última análise, por um tema comum a ambas. Apassagem de 4.41-43 não apenas realiza a transição entre o primeiro e o segundo discurso de Moisés, mas tam­bém ressalta o tema vida, que é enfatizado tanto nos capítulos anteriores como posteriores. 

O Tema da Unidade (5—6) 

O segundo discurso de Moisés começa em 5.1, com uma convo­cação para que “todo o Israel” ouça, não a conselhos ou reflexões de um sábio, mas à declaração das leis de Deus. O segundo dis­curso de Moisés começa e termina atentando a importância do “hoje”: “Ouve, ó Israel, os estatutos e juízos que hoje vos falo aos ouvidos” (5.1); “Tende, pois, cuidado em fazer todos os estatutos e os juízos que eu hoje vos proponho” (11.32). Os dois versículos são quase idênticos. 

Duas coisas nos interessam aqui. A primeira é que Moisés lem­bra ao povo que em Horebe (ou seja, Sinai), o Senhor fez um pacto “conosco [...] Não foi com nossos pais” (5.2,3). Moisés está se diri­gindo àqueles que eram crianças naquela época ou que nasceram após o ocorrido. Além disso, ele claramente se refere, em 4.31, ao “concerto que jurou a teus pais”. 

29 de agosto de 2017

Timna

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Bíblia de Estudo Arqueológica

RALPH L. SMITH - O conhecimento de Deus e o nome de YHWH

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O conhecimento de Deus

B. A história

Durante séculos os teólogos cristãos falaram da revelação como "a palavra de Deus". A maior parte dos teólogos sistemáticos fala que a revelação é proposicional, mas em 1952 G. Ernest Wright tentou recuperar a concepção bíblica de revelação a partir dos teólogos dogmáticos. Em God Who Acts ele disse: "O propósito desta monografia é descrever a natureza especial e característica da apresentação bíblica da fé e defender o uso da palavra ‘teologia’ para ela".[1] Wright alegou que, para a maior parte das pessoas, a revelação tem sido proposicional, expressa do modo mais abstrato e universal possível e organizada de acordo com um sistema preconcebido coerente. Obviamente, a Bíblia não contém nada assim. A teologia cristã tende a pensar na Bíblia principalmente como "a Palavra de Deus", embora na realidade um título mais adequado seja "os Atos de Deus". "A Palavra com certeza está presente nas Escrituras, mas raramente ou nunca é dissociada do Ato; antes, é o acompanhamento do Ato."[2] Wright definiu teologia bíblica como "o recital confessional dos atos redentores de Deus numa história em particular, porque a história é o principal meio de revelação".[3]

É provável que Wright tenha tido uma reação exagerada contra a forma proposicional da teologia sistemática, mas era sincero o seu esforço de permitir que o Antigo Testamento falasse com seus próprios termos. Wright foi influenciado nesse ponto pelo tratamento dado por von Rad aos "credos" do Antigo Testamento que recitavam os grandes atos de Deus (Dt 26.5-12).

A idéia de que a revelação é histórica está muito ligada às idéias da escola da história da salvação, que se pode remontar à "escola Erlangen" de J. C. von Hofmann em meados do século XIX. "A revelação é histórica" também era uma das cinco idéias-chave no movimento da teologia bíblica nos Estados Unidos, de acordo com B. S. Childs.[4]

Podemos concluir, portanto, que a revelação no Antigo Testamento é principalmente histórica. É histórica nos seguintes sentidos:

(1) Deus revelou-se em eventos e no ambiente da história do Antigo Testamento.

28 de agosto de 2017

Arqueologia da Filístia

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Bíblia de Estudo Arqueológica

J. A. THOMPSON - Introdução ao livro de Deuteronômio (parte 2)

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I. ALGUMAS CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS DE DEUTERONÔMIO.

O livro de Deuteronômio nos é apresentado sob a forma e estilo dos discursos de Moisés, sendo dois breves, o primeiro e o terceiro, e um muito extenso, o segundo. Uma análise cuidadosa dos discursos revela uma grande variedade de unidades literárias. Em certa maneira o livro dá a impressão de extraordinária descontinuidade. Frequentemente muda depressa de um tema para outro, com aparentes interrupções do fluxo de pensamento. A despeito da grande repetição de vocabulário, há muitas mudanças de estilo, sendo uma das mais impressionantes a grande varia­ção no uso do singular “tu” e do plural “vós”. O livro como um todo su­gere a impressão de um mosaico notavelmente complexo de muitas peças de material tradicional, de grande variedade, que tenham sido fundidas de modo a formar uma unidade. Um bom número de aspectos da ques­tão literária será agora discutido.

A. As seções que empregam “tu” e “vós”

Uma característica incomum de Deuteronômio é que em muitas de suas divisões os verbos e os pronomes se encontram na segunda pessoa do singular, ao passo que em outras usa-se a segunda pessoa do plural. Em ambos os casos é a Israel que a passagem se refere.

Várias explicações têm sido oferecidas para tal fenômeno; mencio­naremos brevemente as mais importantes. Já em 1894 dois escritores alemães, W. S. Staerk[1] e C. Steuemagel,[2] haviam proposto que Deuteronômio deveria ser analisado segundo duas fontes, uma contendo subs­tantivos e verbos no singular, outra contendo substantivos e verbos no plural. Steuernagel argumentou que as seções “plural” eram históricas e que foram dirigidas por Moisés à geração de israelitas que recebeu a alian­ça do Sinai. As passagens “singulares”, por seu turno, foram dirigidas à geração de israelitas que empreendeu a conquista. Steuernagel acreditava ser necessário seguir essas duas fontes através dos capítulos 12 a 26. Um escritor mais recente, J. H. Hospers (1947), restringiu tal análi­se à introdução

27 de agosto de 2017

A credibilidade do livro de Juízes


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Bíblia de Estudo Arqueológica


VICTOR P. HAMILTON - Primeiro Discurso de Moisés (1.1—4.40)

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Primeiro Discurso de Moisés (1.1—4.40)

O livro de Números cobriu uma grande porção de tempo e histó­ria, aproximadamente quarenta anos (compare a primeira data descrita em Números, que é “no primeiro dia do segundo mês, no segundo ano da sua saída da terra do Egito” [1.1], com a última data registrada em Números, que é “no quinto mês do ano quadra­gésimo da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no primeiro dia do mês” [33.38]). Deuteronômio, por outro lado, parece cobrir acontecimentos ao longo de um período de vinte e quatro horas. Isto pode ser visto ao compararmos os dois versículos seguintes:

Deuteronômio 1.3: “E sucedeu que, no ano quadragésimo, no mês undécimo, no primeiro dia do mês, Moisés falou”.

Deuteronômio 32.48: “Depois, falou o Senhor a Moisés, naque­le mesmo dia”.

Considerando, porém, que 1.5 declara que Moisés apenas “começou” a expor a lei no primeiro dia do décimo-primeiro mês, e não que ele “terminou” naquele mesmo dia, podemos supor que a expressão “naquele mesmo dia”, de 32.48, diz respeito aos even­tos narrados no capítulo 32 e que a morte de Moisés ocorreu em algum momento do décimo-segundo mês. E improvável, embora não impossível, que Moisés tivesse feito três discursos (1.5—4.40: 5.1; 28.68; 29.1—30.20), dissesse algumas palavras a Josué (31.7,8), compusesse e declamasse dois poemas (32—33) e então morresse, tudo dentro do período de vinte e quatro horas.

O grosso de Deuteronômio é muito parecido com o trecho que vai de Êxodo 19 a Números 10.11, ao longo do qual Israel está acampado no Sinai. Em Deuteronômio, Israel está acampado em Moabe; em Êxodo 1—18, está indo em direção ao Sinai; em Nú­meros 10.11—36.13, está indo rumo a Moabe. Os dois períodos de descanso são aqueles em que Deus fala (geralmente através de seu servo Moisés) de forma clara e ampla com seu povo. Tirando os momentos de maior agitação, é nesses acampamentos que o povo de Deus aprende a se aquietar, ouvir e discernir a voz de Deus para suas vidas e seus futuros.

24 de agosto de 2017

A virgem

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RALPH L. SMITH - O conhecimento de Deus (Parte 1)

ralph smith
Revelação 

Por onde começamos o estudo da teologia do Antigo Testamento? Começaríamos por onde começa a Bíblia —com Deus como Criador— ou com o chamado de Abraão e o início da "história da salvação" (Dt 26.5-15)? Poderíamos começar com uma reflexão sistematizada sobre o material teológico veterotestamentário sobre Deus ou sobre a humanidade. Teólogos sistemáticos com freqüência iniciam pela "revelação". Talvez nem seja correto falar da "visão" israelita de revelação porque os israelitas nem possuem uma palavra que designe revelação, muito menos um tratamento sistemático do assunto. 

Ao selecionar a revelação como o ponto de partida necessário para a teologia, seguimos uma ênfase moderna. Como James Barr disse, uma afirmação da revelação é absolutamente necessária para a fé cristã; de outro modo, "teríamos uma série de idéias que elaboramos por nós mesmos".[1] Karl Barth, Emil Brunner, Paul Tillich, D. M. Baillie, Wheeler Robinson, Rudolph Bultmann e Wolfhart Pannenberg destacam, todos, a revelação.[2]

Por que hoje damos tanta ênfase à revelação, se nossa fonte de revelação não parece fazê-lo? James Barr disse que na teologia moderna a idéia de revelação atua contra dois problemas específicos que não existiam ou não eram importantes no mundo antigo. O primeiro problema é a negação de que Deus existe ou de que haja algum conhecimento verdadeiro a seu respeito. O segundo é fazer separação entre o conhecimento que Deus dá de si mesmo e os métodos e o conteúdo das ciências humanas independentes da revelação. "Na Bíblia, à parte de algumas concessões bem limitadas, não existe algum estágio em que Deus é desconhecido [...] Os problemas em relação às coisas sobre as quais a revelação atua parecem não existir na Bíblia ou não ser centrais nela. Em Israel Deus é conhecido."[3]

23 de agosto de 2017

Amom

danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica