5 de novembro de 2016

VICTOR P. HAMILTON - O Tabernáculo, o Bezerro de Ouro e a Renovação da Aliança

victor hamilton danilo moraes
O Tabernáculo, o Bezerro de Ouro e a Renovação da Aliança 

Êxodo 25—40 

Muito provavelmente, a última parte importante de Êxodo (a lidar com o Tabernáculo) parece decepcionante e até monótona para muitos leitores contemporâneos do Antigo Testamento. Quem, após fazer algumas observações sobre esses capítulos, manter-se- ia interessado em seu conteúdo, excetuando talvez um decorador ou um arquiteto? Apesar disso, as Escrituras nos dão uma deta­lhada descrição do Tabernáculo, a qual se estende por dezesseis capítulos. Começa com as orientações divinas sobre a construção (25—31), passando por interrupções e atrasos por causa da apos­tasia (32—34), até a conclusão final da incumbência divina (35— 40). Ou seja, passa-se da instrução (25—31), pela interrupção (32— 34), até a implementação (35—40). Entre duas seções (25—31 e 35—40), que lidam com a correta adoração de Deus e a constru­ção do que Deus deseja para seu povo, há a seção que fala sobre uma adoração repreensível e a construção/prática do que Deus não deseja para seu povo (32—34). Pode-se até perceber que o livro de Êxodo começa e termina com os israelitas construindo alguma coisa. No princípio, são forçados a construir cidades-ce­leiro para Faraó (1.11); no fim, concordam em construir um local de adoração portátil, para que Deus possa habitar entre eles. 


O Tabernáculo (25—31; 35—40) 

O interesse dos estudiosos, no que tange ao Tabernáculo, tem se concentrado em questões históricas, praticamente deixando de lado a análise teológica. A tese de Julius Wellhausen, do fim do século XIX, foi revisada, mas não abandonada. Ele alegava que o relato de Êxodo sobre o Tabernáculo é uma ficção, e que tal edifi­cação jamais chegou a existir durante o período no deserto. Ele afirmava que, na verdade, a história havia sido formada em um período posterior, durante o exílio, usando o Templo de Salomão como modelo. 

Análise Histórica 

Wellhausen baseou suas conclusões nas seguintes considerações. Em primeiro lugar, é possível crer que os israelitas tivessem, no meio do deserto, quantidades suficientes de tecidos e metais? Sem dúvida, versículos como Êxodo 12.35,36 (além de 3.21,22; 11.2,3) deixam claro que eles não saíram do Egito de mãos vazias. Êxodo 38.21-31 apresenta um inventário da quantidade de ouro, prata e bronze utilizados. Segundo informações de R. B. Y. Scott a respeito do sistema de medidas hebraico e seus equivalentes modernos, Childs calculou que a construção do Tabernáculo consumiu 862 quilos de ouro, 2.920 quilos de prata e 2.052 quilos de bronze. No total, temos pouco menos de seis toneladas de metal. 

Além disso, Wellhausen questionou se os israelitas possuíam as habilidades necessárias para trabalhar tais metais no deserto, para não mencionar as partes de engenharia e carpintaria. O ar­gumento ganha ainda mais peso se considerarmos que Salomão, muito tempo depois, em vez de utilizar trabalhadores locais, foi obrigado a importar artesãos fenícios para supervisionar a cons­trução do Templo (1 Rs 7.13,14). 

Em segundo lugar, Wellhausen notou o silêncio quase total nas Escrituras sobre o papel do Tabernáculo após a conquista da Ter­ra Prometida. Realmente existem poucas referências e, basica­mente, todas se limitam a identificar os locais em que foi erguido na Palestina (Js 18.1; 19.51; 1 Sm 1.7; 2.22). Tal escassez de cita­ções suscitou dúvidas em sua mente quanto à veracidade da exis­tência de um Tabernáculo no deserto, na hipótese de esse relato ser de fato essencial, como Êxodo nos leva a crer. 

Por diversas razões, os estudiosos modernos têm se afastado do total ceticismo de Wellhausen nesse assunto. Hoje em dia, o consen­so é de que provavelmente existia algum tipo de tenda do santuário no tempo de Moisés, como vemos no importante texto de Êxodo 33.7­-11. O que vemos aqui é uma construção bem menor, localizada do lado de fora, não no meio do acampamento. Os detalhes de Êxodo 25—31 e 35—40 são, portanto, descartados como exageros concebi­dos por sacerdotes ao descreverem uma tenda não tão espetacular. É possível, contudo, indagar se a tenda mencionada em Êxodo 33.7­11 chegou a funcionar como local oficial de adoração e como local de onde Deus falava a seu povo. Não seria possível que essa tenda ti­vesse sido construída em função da idolatria verificada no capítulo anterior, substituindo uma mais permanente localizada no meio do acampamento (Moberly 1983: 63-66)? No parágrafo anterior (33.1­6), Deus havia falado sobre retirar sua presença do meio do povo por causa da idolatria e da iniqüidade qué demonstravam. Por isso, tal­vez devêssemos enxergá-la nesse contexto. O fato de, em um único versículo (v. 7), lermos por duas vezes que a tenda estava “fora do acampamento”, sem contar que é dito que ela ficava “afastada/bem longe do arraial”, reforça tal interpretação dessa tenda no contexto mais amplo dos capítulos 32 e 33. 

Diversas sugestões já foram feitas na tentativa de ou unir o suntuoso Tabernáculo de P à simples tenda de E (ou seja, duas descrições mutuamente excludentes do mesmo fato) ou diferenci­ar as duas construções em termos de propósito e procedência. Essa última possibilidade é defendida por uma minoria. De qualquer forma, a hipótese de serem dois fenômenos distintos — e nenhum texto de Êxodo exige que sejam intercambiáveis — elimina a ne­cessidade de incontáveis conjecturas em uma reformulação da história do Tabernáculo (Feinberg 1975: 582). 

Análise Teológica 

A partir das descrições apresentadas nesses capítulos de Êxodo, podemos tecer as seguintes observações acerca do Tabernáculo. 

Temos no Tabernáculo sete peças de mobília, se considerarmos que os querubins esculpidos são parte do propiciatório. Será ca­sual esse número de peças? 

As vestes utilizadas por aqueles que oficiavam as cerimônias no Tabernáculo eram em número de oito. Quatro só podiam ser usadas pelo sumo sacerdote (o éfode [28.6-12]; o peitoral do juízo [28.15-30]; o manto do éfode [28.31-35]; uma mitra [28.36-38]); e quatro eram reservadas aos sacerdotes (túnicas, cintos, tiaras e calções de linho [28.40-42]). A única parte do corpo humano que ficava descoberta eram os pés, o que pode indicar que os sacerdo­tes realizavam suas cerimônias de pés descalços (lembre-se da ordem divina para gue Moisés e Josué tirassem seus sapatos na presença de Deus (Ex 3.5; Js 5.15). 



Deus não delegou a responsabilidade de projetar o Tabernáculo a nenhum comitê consultivo ou de construções. Ele foi o único arquiteto. O Tabernáculo, assim como o Decálogo, foi revelado diretamente por Deus. Por isso, não é de se estranhar que encontremos freqüentemente a expressão: “ele [ou ‘eles’] fizeram [ou ‘colocaram’] [...] como o Senhor ordenara a Moisés” nos últimos capítulos de Êxodo. Ela aparece dez vezes no capítulo 39 (vv. 1,5,7,21,26,29,31,32,42,43) e oito vezes no capítulo 40 (vv. 16,19,21,23,25,27,29,32). A expressão também aparece por duas vezes no capítulo 36 (vv. 1,5). Logo, as ordens de Deus são para ser cumpridas e executadas, não ponderadas e discutidas. 

Os materiais necessários para o Tabernáculo e as vestes sacerdotais deviam ser doados de bom grado pelo povo. A ninguém foi imposto uma dívida ou parte nos custos, mas a doação era volun­tária (25.1-7, com destaque para o v. 2). A resposta ao apelo de Moisés foi sensacional. Ao contrário de muitos ministros que vá­rias vezes imploram e bajulam por dinheiro, Moisés teve de impe­dir que o povo continuasse doando. Foi, sem dúvida, uma grande demonstração de generosidade por parte do povo (36.2-7)! 

A descrição do mobiliário do Tabernáculo começa pelas peças do centro e prossegue para as mais externas, mas não de forma sistemática. Já nos trechos que descrevem a efetiva construção, a ordem de execução difere da ordem das instruções. Veja a tabela 7. 



Na coluna da esquerda, o mais curioso é o intervalo de dois capítulos (28—29) entre as instruções sobre a construção do altar do incenso (30.1-10) e a ordem anterior acerca do mobiliário. Ao contestar estudiosos que vêem nesse parágrafo uma interpolação feita posteriormente, Menahem Haran observa: “É claro que a forma literária em que P nos chega não satisfaz os requisitos de uma estrutura exemplar [...] mas tal fenômeno [...] não pode ser usado como desculpa para uma estratificação das fontes”. O próprio texto pode ser capaz de nos explicar o porquê de a descrição do altar do incenso, no capítulo 25, estar separada das descrições de outros objetos sagrados. Jacob Milgrom observa que as orientações de Deus para Moisés podem ser separadas em dois grupos: os planos para o Tabernáculo (25.1—27.19) e o funcionamento do Tabernáculo (27.20—30.38). O altar do incenso está no segundo grupo por ser descrito segundo sua função (30.7,8). A mesma explicação se aplica ao fato de a pia no pátio ser descrita apenas nos capítulos 26—31 (30.17-21), quando sua utilização e propósito são esclarecidos. 

O próprio texto de Êxodo devia nos servir de alerta contra uma excessiva interpretação alegórica do Tabernáculo. Enxergar um significado oculto em cada mobiliário, tecido, corrediças e cores, em vez de exegético, não passa de especulação. 

Paralelamente, os esforços modernos para se estabelecer uma superioridade da tenda ou do Tabernáculo sobre o Templo, posteriormente erguido, parecem culpados da mesma acusação. Walter Brueggemann declara: “A antiga tradição da ‘tenda’ exprime a mobilidade e a liberdade de Deus. A tradição da ‘casa’ [...] enfatiza a presença de Jeová no meio de Israel [...] de modo que a presença de Deus se torna primordial, sufocando a liberdade divina”. Res­pondo a isso com uma outra pergunta: ‘Será que o Antigo Testa­mento evidencia tal tensão? É realmente possível perceber tal desconforto no testemunho das Escrituras? 

A descrição do Tabernáculo traz sim um simbolismo. As dimensões simétricas confirmam isso. O comprimento do pátio é o dobro de sua largura. O Lugar Santo tem o dobro do tamanho do Santo dos Santos. Esse último é um cubo com dez cúbitos de lado. 

A escolha dos metais indica um grau maior ou menor de santidade: quanto mais importante o objeto, mas precioso é o metal utilizado. O termo “ouro puro” só é utilizado em relação a objetos na parte interna do Tabernáculo (ou seja, Lugar Santo e do Santo dos Santos): a arca (25.11), o propiciatório (25.17), a mesa dos pães da proposição (25.24), o candelabro (25.31,36,38,39) e o altar do incenso (30.3). Por outro lado, o altar e a pia que ficam no pátio são feitos de bronze ou cobre (27.2,4,6; 30.17). Um ouro de quali­dade inferior foi utilizado nas imagens, nas argolas e nas varas (usadas para carregar objetos como a arca). No caso da arca, es­sas varas não deviam jamais ser retiradas das argolas (25.15). O uso da prata se limitava a objetos como a base dos pilares próxi­mos ao véu ou o encaixe dos pilares em torno do pátio (27.10). 

Essa mesma graduação se aplica aos tecidos. O tecido mais importante é o véu, que separa o Lugar Santo do Santo dos San­tos. Ele é feito principalmente de estofo azul, púrpura e carme­sim, juntamente com linho fino (26.31). As cortinas do Tabernáculo são exatamente o oposto: seu material principal é o linho fino re­torcido, juntamente com estofo azul, púrpura e carmesim (26.1). Por fim, vêm as cortinas de pêlos de cabra (26.7). 

Correspondências entre as Passagens da Criação e do Tabernáculo 

Ao falar sobre a história de José em Gênesis, pude mostrar algumas analogias entre o começo e o fim do livro de Gênesis. Alguns estudiosos já sugeriram haver uma semelhança entre o início de Gênesis e o fim de Êxodo ou, mais especificamente, entre a Criação e o Tabernáculo. Nessa linha, P. J. Kearney relaciona sete discursos de Deus nos capítulos 25—31 (25.1; 30.11; 30.17; 30.22; 30.34; 31.1; 31.12) aos sete dias da Criação, apontando as analogias entre cada dia e seu respectivo discurso sobre o Tabernáculo em Êxodo. Algumas dessas analogias parecem força­das, enquanto outras aparentam ter validade, principalmente as que dizem respeito aos dias/discursos seis e sete. Êxodo 25—31 é criação. Êxodo 32—33 é a queda. Êxodo 34—40 é a restauração. 

De forma um tanto diferente, Joseph Blenkinsopp une os dois livros, isolando frases análogas a respeito da Criação e do Tabernáculo. Utilizando a tese de Blenkinsopp como um guia, convém organizar as passagens como fiz na figura 3. 

Além disso, os dois livros são ligados pela referência ao “Espí­rito de Deus”, tanto na criação do mundo como na criação do Tabernáculo (Gn 1.2; Êx 31.3; 35.31). Não devemos deixar passar despercebido que a primeira pessoa a ser cheia do Espírito de Deus não foi um patriarca, um legislador, um profeta ou um juiz, mas um artesão, Bezalel, supervisor do projeto do Tabernáculo. 

Correspondências entre o Monte Sinai e o Tabernáculo 

Afora a conexão entre o Tabernáculo e a Criação, que correla­ção poderia existir entre o Sinai e o Tabernáculo? Aparentemente, a experiência de Israel com Deus no Sinai, relatada nos capí­tulos 19—24, é um arquétipo do Tabernáculo. O que o pico do monte Sinai é em 19—24, o Santo dos Santos é em 25—40. Ao primeiro, somente Moisés podia subir; no último, somente Arão podia entrar. Mesmo contemplar o cume do Sinai era um pecado punível com a morte (Ex 19.21), e o mesmo valia para o equiva­lente no Tabernáculo (Lv 16.2). Josué, Arão e setenta anciãos pu­deram ir até parte do caminho na subida do Sinai (Josué foi um pouco mais longe que os outros, possivelmente até o perímetro da nuvem [24.13]), mas não puderam ir além. Somente os sacerdotes podiam entrar no Lugar Santo, mas não puderam ir além. O res­tante do povo ficou “ao pé do monte” (24.4). Moisés ergueu um altar e todo o povo se reuniu ali. No Tabernáculo, temos a parte da frente do pátio, onde o povo levava seus sacrifícios. 

Em primeiro lugar, o Tabernáculo perpetua o monte Sinai. Ao fim da revelação no Sinai, lemos: “e a glória do Senhor pousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias” (24.16): quando o Tabernáculo foi concluído, “a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo” (40.34). A presença de Deus, que se manifestara uma vez no Sinai, agora estava sobre o Tabernáculo. 



Em segundo lugar, o Tabernáculo é uma versão ainda mais intensa do monte Sinai. No cume do monte, Moisés “entrou no meio da nuvem” (24.18), mas, quando a mesma glória divina envolveu o Tabernáculo, Moisés “não podia entrar na tenda da congregação” (40.35). No Sinai, foi possível entrar na presença divina; no Tabernáculo, a presença de Deus foi inicialmente impenetrável. 

Em terceiro lugar, o Tabernáculo completa o monte Sinai. O Sinai foi um casamento, o início de uma relação, após o qual os cônjuges devem começar a viver juntos. No monte, Deus disse: “Eu os escolhi”; no Tabernáculo, Deus disse: “E habitarei no meio dos filhos de Israel e lhes serei por Deus” (29.43-46). E claro que é exatamente essa presença divina que traz santidade ao Tabernáculo; não o ouro, os tecidos caros ou a presença dos levi­tas. O Tabernáculo só é santo por ser o local de habitação de um Deus santo. Se Deus partisse, a santidade findaria. 

Em quarto lugar, o Tabernáculo é um prolongamento do monte Sinai. Os israelitas não têm como levar o monte consigo ao levan­tar acampamento, mas podem carregar uma tenda transportá­vel. Assim, deixar o Sinai para trás não significa abandonar o Deus do Sinai. O Deus, cuja presença no Sinai ficava restrita ao cume e envolta em nuvens, seria agora o Deus que habita no meio de seu povo. 

O Tabernáculo é um lugar onde Deus e o povo podem conviver mais próximos. E um lugar onde Deus se encontra com seu povo (29.42,43). Como tal, o Tabernáculo é, como comenta Davies, “a principal cabeça de ponte da doutrina da encarnação no Antigo Testamento”. Deus, que já habitou em meio a seu povo em uma edificação, agora habita entre nós na pessoa de Jesus Cristo (Jo 1.14: “o Verbo se fez carne e habitou [estabeleceu seu Tabernáculo] entre nós”; Cl 1.19: “porque foi do agrado do Pai que toda a pleni­tude nele [no Filho] habitasse”). 

Para o autor de Hebreus, o Tabernáculo ou a tenda represen­tam o Tabernáculo celestial. (Apocalipse 21.16 estabelece a mes­ma relação. “A Santa Cidade, a nova Jerusalém” e o Santo dos Santos são as duas únicas estruturas descritas nas Escrituras com o feitio de um cubo.) O Tabernáculo celestial é maior e mais perfeito, pois não é feito por mãos humanas (Hb 9.11), e seu sumo sacerdote é Jesus Cristo. A interpretação que o Novo Testamento faz do Tabernáculo tem, portanto, dois ângulos: a habitação de Deus em Jesus na encarnação e a habitação de Deus nos céus. Em ambos os casos, o crente é atraído para uma maior intimida­de com Deus. 

O Bezerro de Ouro e a Renovação da Aliança 

Êxodo 32 narra a forma como Arão e os israelitas, na ausência de Moisés, fizeram um bezerro de ouro aos pés do monte Sinai, em um ato de evidente apostasia. Eram as mesmas pessoas que há pouco tinham dito, não uma, mas duas vezes: “todas as pala­vras que o Senhor tem falado faremos” (24.3, 7). Crentes conver­tidos e comprometidos caíram em desgraça, quase que da noite para o dia. Sua declaração de obediência fora esquecida. 

Arão surge claramente como o vilão da história. Já nos dias anteriores ao êxodo, o Senhor falara a Moisés a respeito de Arão: “Não é Arão, o levita, teu irmão? Eu sei que ele falará muito bem [...] ele te será por boca” (4.14, 16); “Arão, teu irmão, será o teu profeta” (7.1). Ele realmente demonstrou seus talentos! Arão falava tão bem e de maneira tão convincente, que assumiu a liderança na coleta de materiais (32.2,3) e na construção (32.4) do bezerro da idolatria — e tudo como se fosse uma legítima prática religiosa (32.5,6)! O ambiente era perfeito para um profeta entrar e dizer: “Tem. porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios como em que se obedeça à palavra do Senhor?” (1 Sm 15.22). 

Para piorar as coisas, ao ser confrontado por seu irmão mais novo, Arão não titubeia em jogar a culpa no povo em geral: “tu sabes que este povo é inclinado ao mal” (32.22). Ele ainda tem o descaramento de tentar encobrir sua própria participação naque­le fiasco: “Deram-mo [o ouro]; e eu o lancei no fogo, e saiu este bezerro” (32.24). As semelhanças entre Arão e Adão, em Gênesis 3, são óbvias. Ambos afirmaram terem feito o que fizeram porque uma outra pessoa os incitou e deu-lhes algo (“A mulher [...] ela me deu da árvore, e comi” [Gn 3.12]; “deram-mo [o outro], e lancei-o no fogo” [Ex 32.24b]). Alguns estudiosos evitam afirmar que Arão estava mentindo, mas que o relato pressupõe que o bezerro real­mente surgiu pronto das chamas (veja Loewenstamm). Seria muito difícil tal coisa acontecer e, além disso, essa interpretação ignora um dos pontos que ficam claros no capítulo: o contraste entre o fiel Moisés e o conspirador Arão. 

Se Arão é um vilão, Moisés é um herói. Ele, antes de mais nada, assume o papel de intercessor. Com uma audácia dificilmente vista no Antigo Testamento, ele insiste para que Deus não leve a cabo seus planos de destruir seu povo (32.12). Diante de suas súplicas, Deus concorda: “Então o Senhor Deus mudou de idéia/arrependeu-se do mal que dissera e não fez cair sobre o seu povo a desgra­ça que havia prometido” (32.14). Certa feita, Pascal disse: “Deus instituiu a oração para conceder a suas criaturas a dignidade da causalidade”. Yehezkel Kaufmann observa que Moisés “não tenta evitar a ira de Deus, exortando-os ao arrependimento; mas inter­cede em favor do povo, invocando as promessas de Deus aos patri­arcas e a glória do seu nome”. Nessa intercessão, Moisés chega ao ponto de arriscar seu próprio relacionamento com Ele: “Porém, se não quiseres perdoar, então tira o meu nome do teu livro, onde escreveste os nomes dos que são teus” (32.32; semelhante à ex­pressão de Paulo em Romanos 9.3). 

O Antigo Testamento usa o verbo riãham (arrepender? ceder? mudar de idéia?) por 34 vezes com Deus como sujeito. Dois textos (Nm 23.19; 1 Sm 15.29) ensinam que Deus, ao contrário dos seres humanos, jamais precisa se arrepender de pecados. Ele também nunca se arrepende de ter escolhido Davi (SI 110.4). Nas outras trinta e poucas passagens que falam sobre Deus se arrependendo, lemos que Ele arrependeu-se do “mal” (não do pecado!); o que, em versões como a NVI, é traduzido por “calamidade” ou “desastre”. Algumas vezes, Deus se arrepende do mal em resposta ao arrepen­dimento de alguém (por exemplo: Jr 18.8; 26.3; Jn 3.9,10). Em ou­tros momentos, Deus se arrepende em resposta à intercessão de alguém pelo culpado, como vemos em Êxodo 32 e Amós 7.3,6. É preciso evitar extremos na interpretação do que ocorre aqui. Por um lado, o registro do arrependimento de Deus em Êxodo 32 indica que Ele, embora soberano, não é rígido e inflexível, mas dá valor às nossas intercessões e é imutável em seu amor e misericórdia. Por outro lado, não podemos usar o texto para concluir que, por meio da intercessão, Deus pode ser persuadido com um bom argumento a ver as coisas da nossa forma e a fazer aquilo que faríamos se fôssemos Deus. Como Master nos faz lembrar, Êxodo 32 deve ser visto segundo o contexto e o argumento do livro como um todo. Um Deus que, por exemplo, fosse aberto a mudar de idéia e estivesse procurando alguém entusiástico, decidido e obediente para liderar seu povo para fora do Egito, certamente teria desistido do Moisés dos capítulos 3—6. Nos capítulos 7—14, contudo, Deus está dispos­to a libertar os israelitas com ou sem a cooperação de Faraó e, nos capítulos 15—18, ele não deixa de liderar o povo até a terra de Canaã apesar de pecarem em suas murmurações. O que Deus diz a Moisés sobre o futuro de Israel, no capítulo 32, expressa mais a ameaça de um juízo que um decreto. Como tal, é um convite e um estímulo a uma intercessão profética por parte de Moisés. O que Deus faz em Êxodo 32 é, portanto, mais misericórdia que mudança de opinião (Master 2000). 

Moisés, contudo, é mais que um intercessor. Ele não apresenta desculpas para a atitude do povo. Ao ver aquele cenário, em um impulso de raiva não muito diferente da atitude de Jesus no Tem­plo, lançou ao solo as tábuas feitas e gravadas por Deus. Após queimar e moer o bezerro de ouro, ele misturou água ao pó e orde­nou que o povo bebesse (32.30). Permanece um tanto misteriosa a forma como, segundo o versículo 20, alguém poderia (1) queimar ouro ( a menos que “queimar” signifique aqui “derreter”), (2) moer esse ouro, tornando-o em pó e (3) transformar em pó o que já ha­via sido queimado. Talvez o bezerro estivesse em uma caixa de madeira ou sobre um pedestal de madeira, que efetivamente te­ria sido carbonizado. O texto, porém, não dá nenhuma indicação clara de que isso tenha acontecido. Já os motivos que levaram Moisés a ordenar que “bebessem” o ouro, queimado e moído e mis­turado à água, não são nenhum mistério. Em uma outra situação (Nm 5.11-31), a esposa de cuja fidelidade o marido desconfiasse, seria obrigada a beber água (presumivelmente) da pia de bronze misturada ao pó do chão do Tabernáculo. Beber tal porção have­ria de provocar algum tipo de manifestação física em função da culpa. O propósito de Moisés, ao fazer o povo beber a mistura, não é claramente exposto, mas bem podia ser uma forma/tentativa de separar os inocentes dos culpados, senão como os Levitas saberi­am a quem matar (Ex 32.26-29)? Outro ponto que estabelece uma analogia entre Números 5.11-31 e Êxodo 32 é que ambos abor­dam a traição em uma relação de caráter exclusivo: a esposa (pos­sivelmente) adúltera e a Israel idólatra (ver Janzen 1990: 607). 

Apesar de tudo, é a redenção e a recuperação do povo que mais interessa a Moisés (32.30). Na presença do povo e de Arão, ele é crítico, feroz e agressivo. Na presença de Deus, ele assume o pa­pel de mediador, intercessor e apaziguador. 

Em vez de destruir o povo, Deus manda Moisés continuar a liderá-lo, mas envia um substituto para sua presença (32.34; 33.1­5). A recusa de Deus em continuar no meio do povo é reforçada pela “tenda fora do acampamento”, aonde somente Moisés podia ir (33.7-11). Deus havia se afastado. 

Se a questão entre Deus e Israel não estava encerrada, tampouco a questão entre Moisés e Deus. As intercessões de Moisés começam no capítulo 32 e seguem pelo capítulo 33. Ele pede a Deus: “rogo-te que agora me faças saber o teu caminho [...] Rogo- te que me mostres a tua glória” (vv. 13,18). 

É difícil não perceber o gritante contraste entre “eu não subi­rei no meio de ti” (33.3) e “Irá a minha presença contigo” (33.14). Childs conseguiu captar as implicações do pedido de Moisés: “Deus havia dito: Irá a minha presença contigo’. Moisés respondeu: ‘Se a tua presença não for conosco, não nos faças subir daqui’. O obje­tivo é minimizar a concessão parcial que fora feita, a fim de rei­vindicar a totalidade do que se deseja. Aliás, o verdadeiro objetivo de Moisés é revelado quando ele volta a repetir ‘eu e o teu povo’. A resposta de Deus continuava dirigida exclusivamente ao próprio Moisés. Ele a deixava de lado e insistia em uma resposta que incluísse o povo”. 

Ambos os pedidos de Moisés são respondidos. Para o primeiro, “rogo-te que agora me faças saber o teu caminho”, a resposta é: “Irá a minha presença contigo”. Para o segundo, “Rogo-te que me mostres a tua glória”, a resposta é: “Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti [ou seja, uma revelação visual] e aprego­arei o nome do Senhor diante de ti [ou seja, a revelação de um conceito] (33.19). A promessa é então interrompida e retomada em 34.6: “Passando, pois, o Senhor perante a sua face, clamou: Jeová, o Senhor, Deus misericordioso e piedoso”. Em seguida, ve­mos uma descrição do caráter de Deus, muitas vezes mencionada nas tradições judaicas como “os treze atributos de Deus”, a qual é refletida em textos como Números 14.18; Neemias 9.17, 31; Sal­mos 86.15; 130.8; 145.8; Jeremias 32.18; Joel 2.13; Jonas 4.2; Naum 1.3. Deus é visto naquilo que faz e em seus atos. 

Anteriormente, o próprio Deus havia se posicionado sobre a rocha em Horebe (17.6). Agora, era a vez de Moisés ficar em uma fenda da rocha e vislumbrar rapidamente as costas de Deus (33.23); de forma semelhante ao que fez Elias em Horebe/Sinai, quando o Senhor por ele passou (1 Rs 19.11-13). 

Ao chegarmos ao capítulo 34, já estamos preparados para uma renovação da aliança. As expressões utilizadas lembram Êxodo 19: “prepara-te para amanhã [...] ninguém suba contigo [...] nem ovelhas nem bois se apascentem defronte do monte [...] o Senhor desceu numa nuvem” (34.2-5). 

Moisés continuava preocupado com sua congregação: “vá ago­ra o Senhor no meio de nós [...] perdoa a nossa iniqüidade e o nosso pecado e toma-nos pela tua herança” (34.9). Aqui, não há arrogância alguma, nem Moisés está tentando se afastar de suas funções. Ele se identifica de forma plena com seu povo. 

Os versículos 10-26 são palavras de Deus para todo o Israel; uma espécie de versão condensada do Código daAliança presente em 20.22—23.19. Em ambas, vemos a figura de um “anjo” em destaque (23.20-23; 32.34; 33.1,2). Em primeiro lugar, Deus orde­na total intolerância com todas as formas de adoração pagã (vv. 11-16). Não poderia haver vínculos com incrédulos. Em seguida, nos versículos 17-26, temos uma amostra selecionada de leis, tanto do Decálogo (34.17,21) como do Livro daAliança (34.23,26). Espe­cialmente interessante é a lei presente em 34.17: “Não farás para ti deuses de fundição”. Embora seja semelhante aos dois primeiros mandamentos do Decálogo, essa lei parece tratar especial­mente do que aconteceu com o bezerro de ouro no capítulo 32. Deus disse, em outras palavras, que o incidente com o bezerro não deveria se repetir. Essas proibições e advertências se encai­xam em uma ou outra dentre duas categorias gerais: a proibição da apostasia ou o cumprimento do calendário religioso. Foi exata­mente aí que Israel pecou ao fazer o bezerro de ouro: fez um ídolo proibido e uma festa religiosa em sua homenagem. 

O capítulo encerra-se com Moisés descendo do Sinai com o ros­to resplandecente — fato esse que é de pronto evidente a todos, com exceção do próprio Moisés (34.29,30). E como é diferente a sua descida com as tábuas, no capítulo 34, de sua descida com as tábuas no capítulo 32 (v. 15)! Uma face alegre e iluminada em lugar de um rosto em fúria. Childs (1974: 619) observa: “O relato bíblico preocupa-se em demonstrar que o brilho divino no rosto de Moisés não deve ser entendido como um tipo de metamorfose. Ele não havia se tornado uma divindade, nem estava ciente de qual­quer transformação. Todo o argumento da história enfatiza que ele apenas refletia a glória de Deus”. Aliás, é essa a afirmação no Salmo 8: os seres humanos foram feitos um pouco menores que Deus e coroados com glória e honra. A humanidade é um reflexo de Deus, porém jamais igual. 

Os versículos 29-35 dividem-se em dois grupos distintos: o que aconteceu naquela ocasião específica (vv. 29-33) e o que acontece­ria em todas as ocasiões futuras, sempre que Moisés entrasse na presença de Deus e mediasse a revelação divina para Israel (w. 34,35). E a única pessoa através de quem a glória de Deus resplandece, e o único através de quem a palavra de Deus é transmitida. Moisés não se torna um deus, mas é separado de seus semelhan­tes, inclusive de seu irmão mais velho e sacerdote, Arão. Tudo isso era um dom divino. Dozeman (2000: 29) faz o seguinte comentário: “A autoridade não é própria de Moisés, por causa de seu carisma ou personalidade, mas se deve a seu papel como canal dos ensinamen­tos divinos”. 

Quando o texto diz que o rosto de Moisés “resplandecia, brilha­va” (vv. 29,30,35), o verbo utilizado sugere “receber chifres”. Por esse motivo, alguns estudiosos têm sugerido que o que aqui acon­tecia é que ele vestia uma máscara com chifres ou que, de alguma forma, ficava desfigurado por causa de exposição excessiva à gló­ria de Deus (Propp), ou seja, com o rosto todo empolado a ponto de parecer ter chifres. Esse dificilmente seria o caso. É provável que. para descrever a face resplandecente de Moisés, o escritor tenha escolhido um verbo relacionado a chifres a fim de lembrar o bezerro/touro de ouro do capítulo 32. Deus o tornou aquilo que o povo queira que o bezerro fosse: um mediador e representante da presença divina (Moberly 1983: 109). O apóstolo Paulo, ao utili­zar-se desse incidente (2 Co 3.7-18), entre outras coisas, ensina que todos os discípulos de Jesus refletem a glória de Deus (“nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Se­nhor”). Tamanho privilégio, que já foi exclusivo de um extraordi­nário servo de Deus, está agora ao alcance até do menor seguidor do Messias, em cuja face brilha a glória de Deus (2 Co 4.6). 

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