12 de novembro de 2016

VICTOR P. HAMILTON - O Sistema de Sacrifícios: Levítico 1—7

victor hamilton antigo testamento
O Sistema de Sacrifícios  Levítico 1—7 

Poder-se-ia supor que Levítico, importantíssimo livro central do Pentateuco, possui esse nome por tratar exclusivamente dos levitas. Deve-se admitir que referências a “sacerdotes” abundam por todo o livro (na verdade, são 194). Alguns capítulos, aliás, dedicam-se com exclusividade a questões sacerdotais (por exem­plo, 8—10; 21; 22). Por outro lado, encontramos em Levítico ape­nas uma breve referência aos levitas, a qual se encontra relacio­nada ao Ano do Jubileu: “Mas, no tocante às cidades dos levitas, às casas das cidades da sua possessão, direito perpétuo de resga­te terão os levitas. E, havendo feito resgate um dos levitas, então, a casa comprada e a cidade da sua possessão sairão no jubileu; porque as casas das cidades dos levitas são a sua possessão no meio dos filhos de Israel” (25.32,33). Em Números, todavia, te­mos capítulos ou seções inteiras dedicadas ao papel dos “levitas”: 1.47-53 (censo dos levitas); 2.17,33; 3.1—4.49 (funções dos levi­tas); 7 (em especial os versículos 4 e 5); 8.5-26; 16 (uma revolta instigada pelos levitas contra Moisés); 17.1-3 (o nome de Arão é escrito no bordão de Levi); 18 (funções de sacerdotes e levitas, e ofertas para seu sustento); 26.57-62 (censo dos levitas); 31.47 (espólios de guerra para os levitas); 35.1-4 (cidades dos levitas). Em certo aspecto, portanto, “Levítico” seria um nome mais adequado para Números — caso “Levítico” estivesse especificamente relaci­onado aos levitas. E muito provável que o termo que intitula o terceiro livro do Pentateuco na Septuaginta grega e na Vulgata latina não era originalmente utilizado nesses idiomas para deno­minar os levitas como um grupo específico de sacerdotes. Em vez disso, tratava-se de um termo mais genérico, relacionado a tudo que dizia respeito ao sacerdócio. Como tal, é um título bastante apropriado para esse livro bíblico. Essa interpretação concorda com o nome pós-bíblico e rabínico de Levítico, que étorat kohahirrr. “instruções para os/dos sacerdotes”. 

Levítico se divide de forma natural em cinco unidades: 

1. leis sobre sacrifícios (1—7) 

2. leis sobre ordenação de sacerdotes (8—10) 

3. leis sobre impurezas físicas e morais (11—16) 

4. leis sobre santidade física e moral (17—26) 

5. leis sobre votos (27) 

Norman Geisler1 sugeriu que Levítico fosse compreendido como um livro subdividido em duas partes: (1) como nos aproximamos do Altíssimo (1—10), através de sacrifícios (1—7) e por meio do sacerdócio (8—10); e (2) como alcançamos a santidade (11—27). por intermédio da higiene (11—16) e da santificação (17—27). 

Levítico deixa claro que seu texto foi divinamente revelado. Não há sinal algum de qualquer influência de outros sistemas religiosos. Tampouco se percebe indícios de que o texto foi com­posto por algum comitê de liturgia, o qual procurou impor à co­munidade aquilo que considerava adequado para se adorar a Deus. 

A natureza divina do texto é enfatizada pelo fato de, dentre os vinte sete capítulos do livro, vinte começarem com a expressão “falou o Senhor a Moisés”. As exceções são os capítulos 2, 3, 5, 7. 9, 10 e 26. Alguns desses simplesmente dão continuidade ao as­sunto do capítulo anterior ou trazem a mesma expressão ao longo do capítulo, em vez de no começo. 

Levítico é endereçado a membros de uma comunidade de fiéis. A aliança já fazia parte do passado, e o casamento, já firmado, estava em pleno curso. A última seção de Êxodo dedica-se, em grande parte, ao local onde Deus deveria ser adorado: no Tabernáculo. Levítico dá continuidade ao tema, falando sobre como Deus deve ser adorado. Em Êxodo, a ênfase é o local. Em Levítico, é a postura e o relacionamento adequados. 

Mais que qualquer outro livro do Antigo Testamento, pelo me­nos no que tange à imponência de seu vocabulário, Levítico evoca Israel a ter uma vida de santidade. O que é precisamente compre­endido por vida em santidade ficará mais claro à medida que es­tudarmos o livro. Para começar, vale notar que a palavra “santo” aparece mais nesse que em qualquer outro livro da Bíblia. A Exhaustive Concordance (Concordância Completa), de James Strong, baseada na KJV,2 lista noventa ocorrências de “santo” em Levítico, cinqüenta delas entre os capítulos 19 e 27. Strong tam­bém cita dezessete ocorrências do verbo “santificar”, e, mais uma vez, encontramos a maioria entre os capítulos 19 e 27 (quatorze ocorrências). Se nos concentrarmos exclusivamente na raiz hebraica g-d-sh, descobriremos, utilizando as concordâncias em hebraico de Mandelkern ou Evan-Shoshan, que alguma forma dessa raiz, seja em uma estrutura verbal, nominal ou adjetiva, aparece 150 vezes em Levítico (cerca de 20% de todas as ocorrên­cias no Antigo Testamento). 

Para que não se pense que Levítico trata de uma santidade exigida com exclusividade, ou pelo menos principalmente, dos sacerdotes, é preciso deixar claro que o que temos é de fato o con­trário. Muito pouco desse livro é dedicado somente ao clero (as exceções são os capítulos 8—10, 16, parcialmente, e 21.1—22.16). O restante do livro é dirigido a todo o povo. Levítico, portanto, trata de uma santidade exigida de todos, não apenas de uma hie­rarquia religiosa. Uma santidade ao alcance de todos, e não um ideal inalcançável. 

Descrição dos Sacrifícios 

Os primeiros sete capítulos se dedicam à descrição dos sacrifí­cios ordenados por Deus, os quais dizem respeito à manutenção do relacionamento entre a humanidade e a divindade. Adorar sem sacrifício é algo inconcebível. Sempre que o pecado provoca uma ruptura entre Deus e a humanidade, tanto o sacrifício (um ato exterior) como a penitência (uma postura interna) são de responsabilidade do pecador. Veremos, no entanto, que alguns sacrifíci­os não têm nada a ver com pecado e expiação. Deve-se também notar que os pecados descritos nos capítulos 1—7 não constituem uma lista exaustiva. Não há, por exemplo, nada nesses capítulos sobre oferta de incenso (Êx 30.7,8) ou de bebidas (29.38-41). Es­ses primeiros capítulos de Levítico se concentram nos sacrifícios ofertas particulares em comparação aos da coletividade, ou seja. sacrifícios feitos com mais freqüência pelo israelita comum. 

Os cinco sacrifícios são: 

1. A oferta completamente queimada (1): chamada, em hebrai­co, de õlâ: “aquela que sobe”. Na Septuaginta, “holocausto”. 

2. A oferta de manjares (2): nesse caso, a que era composta exclusivamente de cereais. 

3. A oferta pacífica ou de sacrifício pacífico (3): semelhante a um banquete para selar uma aliança. 

4. A oferta pelo pecado (4—5.13): um sacrifício de arrependi­mento por pecados cometidos. 

5. A oferta pela culpa ou expiação (5.14—6.7): é também um sacrifício pelo pecado cometido, mas enfatiza a necessidade de reparação; logo, trata-se de um tipo especial de oferta pelo pecado. 

Pode-se perceber de imediato a diferença existente entre os itens 1-3 e 4-5. Os três primeiros pontos chegam ao ápice da nar­rativa com o impacto de tais sacrifícios diante de Deus. Estes, quando ofertados, tornam-se “um cheiro suave/agradável ao Se­nhor” (dez referências). 

1. 1.9,13,17 (holocausto) 

2. 2.2,9,12; 6.15,21 (manjares) 

3. 3.5,16 (pacífica) 

Em relação aos dois últimos sacrifícios, a expressão aparece apenas em 4.31. Em contrapartida, uma única frase ocorre repetidamente na narrativa dos dois últimos sacrifícios: “o sacerdote por ele/eles fará propiciação, e lhe/lhes será perdoado”. 

1. 4.20,26,31,35; 5.10,13 (pecado) 

2. 5.16,18; 6.7 (culpa) 

Nos três primeiros sacrifícios, a narrativa se desenvolve em função do resultado que terão em Deus: para Ele, é um aroma agradável. O termo hebraico para “agradável” deriva do verbo nüah (“descansar, relaxar, sentir-se confortável, sentir prazer” [o mesmo verbo por trás do nome “Noé”, em Gn 5.29]). Ao receber tais ofertas, Deus sente prazer. Já no relato dos dois últimos sa­crifícios, o texto se desenvolve em função do resultado do sacrifí­cio sobre aquele que faz a oferta: a pessoa é perdoada. 

Há uma segunda diferença entre as duas categorias de sacrifí­cios. Nenhum dos três primeiros é relacionado à ocasião ou infra­ção específica que o exija. Devem ser atos espontâneos, sacrifícios oferecidos a Deus em louvor e ação de graças. E claro que, em 1.4, lemos que a oferta de holocausto é para a “expiação” de um indiví­duo, mas deve-se observar que a frase “para que seja aceito por ele” ocorre apenas aqui e não é encontrada nas ofertas pela culpa ou pelo pecado. Além disso, a importante frase “lhe será perdoa­do” não aparece aqui. 

Por outro lado, os últimos dois sacrifícios se relacionam a oca­siões específicas: “Quando alguém pecar por ignorância contra qualquer dos mandamentos do Senhor, por fazer contra algum deles o que não se deve fazer” (4.2 — ARA). Esse sacrifício cobre violações inadvertidas das leis proibitivas de Deus. A oferta pela culpa também trata de infrações inadvertidas, não no âmbito das leis proibitivas, mas “nas coisas sagradas do Senhor’ (5.15). A expressão “coisas sagradas” poderia se referir ao mobiliário sa­grado do Tabernáculo (como, por exemplo, Nm 4.4: “Este será o ministério dos filhos de Coate na tenda da congregação, nas coi­sas santíssimas”), aos utensílios metálicos e artefatos doados ao tesouro do santuário, às primícias das colheitas e dos animais, aos dízimos, e assim por diante. O primeiro cobre pecados oriun­dos de atos cometidos; o segundo, pecados de omissão. Fica evi­dente que os últimos dois sacrifícios, ao contrário dos três primei­ros, têm natureza propiciatória e expiatória. Os assuntos aborda­dos são, sem sombra de dúvida, o pecado e o perdão. 

A partir dessas peculiaridades, surge na narrativa bíblica uma terceira diferença entre essas duas categorias sacrificiais. Tal distinção seria o uso do sangue. Nos primeiros três sacrifícios (aliás, somente na oferta de holocaustos e na pacífica), o sangue do ani­mal é lançado/espargido (zâraq) pelos sacerdotes sobre o altar externo, de bronze (1.5,11; 3.2,8,13), ou espremido (mâsâ [1.15]) contra o lado do altar. O mesmo procedimento é seguido na oferta pelo pecado dos príncipes ou chefes tribais (4.25) e na oferta pelo pecado de um cidadão comum (4.30,34). Contudo, aqui, em vez de espargir (zâraq) o sangue contra o lado do altar de bronze, o sa­cerdote “põe” (nâtarí) parte dele sobre os chifres do altar e “derra­ma” (shapaM) o restante na base. 

Já no caso de oferta pelo pecado do sacerdote ou pelos pecados de toda a congregação, o procedimento é outro. Nesses casos, o san­gue é levado pelo sacerdote até a tenda da congregação. Um pouco é “espargido” (nesse trecho, o verbo para espargir énãzâ, em vez de zâraq, embora os dois pareçam essencialmente sinônimos) por sete vezes sobre o véu que separa o Lugar Santo do Santo dos Santos. Parte é posto (nâtarí) sobre os chifres do altar do incenso (ou seja, o altar interno). O restante é derramado (shapak) à base do altar externo, de bronze (4.5-7,16-18). Esse é o modo de a Bíblia dizer que, quanto mais importante for o infrator, maior será a infração. Além disso, Levítico 6.30 proíbe especificamente o consumo da car­ne de animais sacrificados, cujo sangue tenha sido levado até a tenda da congregação. Nesse caso, a oferta deverá ser queimada por completo, jamais consumida. (Já adiantando a exposição acer­ca do Dia da Expiação [16], não podemos deixar de notar que, nesse dia, o sangue da vítima do sacrifício é levado até o interior do Santo dos Santos [16.14,15], o que não é permitido em nenhum dos ritu­ais sacrificiais descritos em Levítico 1—7.) 

Uma quarta diferença é o conjunto de palavras bastante freqüente na descrição dos três primeiros sacrifícios, mas quase au­sente nos dois últimos. A primeira expressão a ser destacada nos três primeiros é o “trazer, oferecer” sacrifícios perante o Senhor (iqârab, que significa literalmente “trazer para perto”). Esse ver­bo ocorre nos seguintes exemplos: 

Holocaustos (6x): 1.3 (2x),10,14; 7.8 (2x) 

Manjares (7x): 2.1,4,12,14 (2x); 6.14 (MT8 6.7),20 (MT4 6.13) Ofertas pacíficas (15x): 3.1 (2x),6,7 (2x),12; 7.11,12 (2x),13,14,16,18,25,29 Pelo pecado (3x): 4.3,14; 5.8 Pela culpa (lx): 7.3 

Semelhantemente, a palavra hebraica para “oferta” (qorbân, “aquilo que é trazido para perto”, derivado do verbo qâraB) apare­ce muito mais na descrição dos três primeiros sacrifícios que em relação ao dois últimos: 

Holocaustos (4x): 1.3,10,14 (2x) 

Manjares (8x): 2.1 (2x),4,5,7,13 (2x); 6.20 (MT8 6.13) 

Ofertas pacíficas (12x): 3.1,2,6,7,8,12,14; 7.13,14,15,16,29 Pelo pecado (4x): 4.23,28,32; 5.11 Pela culpa (nenhum) 

Assim, o verbo traduzido por “apresentar/oferecer” um sacrifí­cio diante de Deus aparece vinte e oito vezes em sacrifícios volun­tários e não expiatórios, mas apenas quatro vezes em obrigatóri­os e expiatórios. A palavra traduzida por “oferta” aparece vinte e quatro vezes nos três primeiros, mas somente quatro vezes nos dois últimos. 

A preponderância no uso desse verbo/palavra na descrição de sacrifícios relacionados à devoção e ação de graças, e não em sacrifícios que servem como preâmbulo para um pedido de perdão, pode indicar que o seu principal propósito não é a expiação. Em vez disso, seria mais exatamente um modo de expressar a forma e a dinâmica do relacionamento de alguém com Deus, evidencian­do a oferta como parte do ato de entrar em sua presença. 

Com certeza, não é à toa que Levítico 1.1—6.7 não inicia com ofertas que visam ao perdão de pecados, porém com ofertas cujo objetivo é expressar a devoção a Deus. Levítico não começa com a restauração junto a Deus, passando então ao louvor de sua pes­soa, mas sim com louvores, passando então à possibilidade de res­tauração, quando e se necessário. 

Até aqui, vimos quatro importantes diferenças entre sacrifíci­os que podem ser chamados de voluntários e aqueles que pode­mos chamar de propiciatórios ou expiatórios. Há uma outra cone­xão entre eles que precisa ser mencionada, relativa ao relaciona­mento entre o sistema sacrificial, em 1.1—6.7, e as instruções suplementares sobre os sacrifícios, em 6.8—7.38. 

Duas observações devem ser feitas: 1.1—6.7 detalha principalmente as responsabilidades daqueles que apresentam as ofertas, por isso lemos, em 1.2, “fala aos filhos de Israel”; 6.8—7.38 trata das responsabilidades daqueles que celebravam as cerimônias, os oficiantes, por esse motivo, a primeira frase de 6.9 é: “Dá or­dem a Arão e a seus filhos”. Uma parte trata do laicato, outra do clero. Qualquer irresponsabilidade de uma ou outra parte torna o sacrifício inválido. 

Instruções acerca dos Sacrifícios 

A segunda observação tem a ver com a ordem dos sacrifícios nos dois segmentos. Veja a tabela 8. 



Tabela 8 



1.1—6.7 

6.8—7.38 


Holocaustos 

Holocaustos 


Manjares 

Manjares 


Pacíficos. 

Pelo pecado 


Pelo pecadoX 

Pela culpa 


Pela culpa Pacíficos 












Anson Rainey6 chamou o primeiro grupo de seqüência didáti­ca: um tipo de classificação pedagógica em que os sacrifícios se encontram organizados segundo uma associação lógica ou conceitual. O segundo agrupamento ele chama de seqüência ad­ministrativa, segundo a qual os detalhes administrativos dos sa­crifícios foram inscritos nos registros do templo. Gordon Wenhanf sugere que o primeiro grupo é orientado por motivações teológi­cas. A oferta de alimentos precede aquelas que visam ao perdão do pecado. O segundo é organizado por ordem de freqüência, indo dos sacrifícios diários aos opcionais. 

Levítico 1—7 não tenta, em momento algum, organizá-los sob algum tipo de hierarquia. O texto bíblico não indica nenhuma progressão do mais importante ao menos importante ou vice-ver­sa, a exemplo do que acontece com a listagem das virtudes do fruto do Espírito apresentada por Paulo no Novo Testamento. Apontar alguns desses sacrifícios como a essência do pensamento bíblico e considerar outros como de menor importância é injustificável. 

Creio que Rainey8 discerniu corretamente uma terceira orde­nação nesses sacrifícios. Ele a chama de seqüência de procedi­mentos. Na cerimônia de ordenação dos sacerdotes, por exemplo (8), a oferta pelo pecado precede o holocausto — uma seqüência diferente de tudo o que vimos em Levítico 1—7 — que é então sucedida pela oferta de movimento (pacífica) (8.14-17,18-21,22­29). O capítulo seguinte abrange o início da carreira de Arão como sumo sacerdote. E mais uma vez interessante observar a seqüência estabelecida. A fim de fazer expiação por si mesmo, Arão começa com um sacrifício pelo pecado, passando então a um holocausto (9.8-11,12-14). A seqüência dos sacrifícios do povo era: pelo pecado (v. 15), holocausto (v. 16), manjares (v. 17) e pacífica (vv. 18-21). 

A ordem é apresentada de forma clara no caso do nazireado. A partir da perspectiva do que deve ser levado ao Senhor, a ordem é: holocausto, oferta pelo pecado e oferta pacífica (Nm 6.14,15), mas a seqüência seguida pelo sacerdote é: oferta pelo pecado, ho­locausto e oferta pacífica (vv. 16,17). Na purificação do Templo de Ezequias, temos primeiro a oferta pelo pecado (2 Cr 29.20-24), passando aos holocaustos (vv. 25-30) e então aos outros sacrifícios (w. 31-35). O sacrifício pelo pecado é sistematicamente prioritário. A questão é que o pecado deve ser resolvido logo de início. Falar sobre consagração e comunhão com Deus, sem que haja confissão, é impossível e inadmissível. 

Essa afirmação, contudo, possui ressalvas. De certa maneira, a tradução “oferta pelo pecado” é mais justificável em Levítico 4.1-5.13 e 6.24-30 (MT9 6.17-23). Todavia, após essas duas pas­sagens, uma melhor tradução da expressão hebraica seria “oferta pela purificação”. O que nos leva a tal raciocínio é o fato de que, na maioria das vezes em que alguém apresenta uma oferta “pelo pecado”, fica clara a inexistência de vínculo com alguma trans­gressão. Por exemplo: a oferta “pelo pecado” dos nazireus, a qual é apresentada no início de seu ministério (Nm 6.14), certamente não está relacionada a nenhuma falta cometida, assim como acon­tece com o sacrifício “pelo pecado” apresentado pela mãe que aca­bou de parir (Lv 12.6,7). 



Elementos Comuns entre os Sacrifícios 

A maioria dos sacrifícios prescritos em Levítico possui diversos denominadores comuns: 

O adorador apresenta uma oferta 

O adorador jamais entra na presença de Deus de mãos vazias. O sentimento trazido pela estrofe “nada trago em minhas mãos”, do hino Rock of Ages,10 pouco tem a ver com Levítico. Os adorado­res se aproximam com suas ofertas ou com a oferta de Deus. 

O significado da oferta 

A oferenda apresentada é freqüentemente descrita como uma qorbân, em geral traduzido por “oferta” (sobre esse vocábulo, aten­tar para os comentários apresentados acima). Essa palavra é utili­zada pelo menos uma vez para descrever cada tipo de sacrifício, com exceção da oferta pela culpa. Levítico e Números detêm o mo­nopólio do seu uso. Ela aparece 38 vezes em Números, 39 em Levítico (sendo que 31 vezes entre os capítulos 1 e 7) e apenas mais duas vezes no resto do Antigo Testamento (vemos também uma transliteração dessa palavra em Mc 7.11). Em vez de “oferta”, uma tradução mais literal seria “algo trazido para perto”. Os sacrifícios, portanto, estão relacionados ao fato de como alguém pode viver próximo de Deus. A questão: “É possível haver proximidade e inti­midade entre Deus e a humanidade?”, é respondida em Levítico. 



A descrição da oferenda 

As oferendas, em sua maior parte, são animais domesticados, ou seja, touros, cabritos ou ovelhas. Vez por outra, eram ofereci­dos cereais. A oferta de grãos, ao contrário da de animais, parece depender do poder aquisitivo de quem faz o sacrifício. Ainda as­sim, somente o que há de mais caro e valioso é oferecido a Deus. E isso não é tudo: os animais oferecidos deviam ser perfeitos, sem defeito algum. 

A mesma palavra hebraica usada na descrição do animal para o sacrifício, tâmim, pode descrever Noé (Gn 6.9), Abraão (17.1), Jó (12.4), ou qualquer outro adorador que espere entrar na presença de Deus (SI 15.2). A palavra, portanto, abrange tanto a pureza física como a pureza moral. O próprio Antigo Testamento, em ter­mos de sacrifício, parece transferir sua ênfase do animal sacrificial sem imperfeições físicas (Levítico) para o servo sacrificial: uma pessoa sem impurezas morais. Essa é com certeza a mensagem de Isaías 53: o servo que levou nossas dores e foi ferido por nossas transgressões e iniqüidades sem nem ao menos abrir a boca. O cenário para a mensagem do Novo Testamento não podia ser mais belo e ideologicamente adequado (ver 1 Pe 1.19). 

E bem sabido que os profetas invectivavam contra o excesso de sacrifícios. Iravam-se sempre que viam o povo de Deus sendo fiel no cumprimento dos rituais, mas não em suas vidas pessoais. O sacrifício não pode jamais ser usado como cortina de fumaça para a depravação moral. A disciplina exterior deve ser acompanhada por santidade interior. Essa posição é defendida em passagens como Isaías 1.11-17, Oséias 6.6, Amós 5.21-24, Miquéias 6.6-8 — vozes que ecoam a partir dos séculos VIII e VII a.C. Já no fim do século VII a.C., chegando ao século VI, voltamos a ver o mesmo conceito em Jeremias (6.20, por exemplo), em especial no famoso sermão do templo (7.1-15). Tais sentimentos aparecem até mes­mo no livro de Salmos (ver 51.16,17). 

Talvez seja na mensagem de Malaquias, profeta posterior ao exílio, que encontramos a mais clara analogia ao tema da vítima sem máculas para o sacrifício. As oferendas do povo não estavam apenas incompletas (“vós me roubais” [3.8]) e suas vidas impuras (“Enfadais ao Senhor” [2.17]), mas seus sacrifícios a Deus eram imperfeitos (“ó sacerdotes, que desprezais o meu nome” [1.6]). Os animais apresentados eram aleijados, cegos ou doentes, em con­dições tão ruins que o povo não ousaria dar a um de seus prínci­pes (1.8b). 

Tal ênfase na pureza da vítima para o sacrifício não está muito distante do discurso de Paulo: “Rogo-vos [...], que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo [não morto ou vivo, mas morto e vivol], santo e agradável a Deus” (Rm 12.1). E o apóstolo acrescenta que só nos é possível conseguir isso “pela compaixão de Deus”. 

A Oferenda Depende dos Recursos do Ofertante 

Na maioria dos sacrifícios em Levítico, a vítima a ser apresen­tada depende do poder aquisitivo e da posição do ofertante. O ho­locausto, por exemplo, pode ser um touro (1.3-5), uma ovelha ou um cabrito (v. 10), ou uma ave (v. 14). Não são feitas exigências absurdas às pessoas de menos recursos. Jacob Milgrom sugere que a oferta de manjares, o único sacrifício a não envolver ani­mais, tornou-se com o tempo a oferta de holocausto das pessoas mais pobres. 

Nos sacrifícios para expiação, vemos uma graduação semelhan­te, mas que se desenrola em ordem decrescente de proeminência. Assim, a oferta pelo pecado do sacerdote ou de todo o povo requer um novilho (4.3,14); do príncipe ou de autoridade requer um bode (v. 23); já um cidadão comum pode apresentar uma cabra (v. 28), uma cordeira (v. 32) ou aves (5.7). Não vemos sinal algum de que Deus deseja espoliar seus fiéis. Os sacrifícios de seu povo são pro­porcionais ao que receberam. O princípio parece ser o seguinte: as ofertas não são iguais, mas sim o sacrifício. Os centavos da viúva podem equivaler aos milhões do abastado. 

O Ofertante Participa no Ritual 

A pessoa que traz a oferta não se porta como um espectador passivo, porém participa ativamente no ritual. Ela apresenta a vítima para o sacrifício, e, ao fazê-lo, coloca sua mão sobre a cabe­ça do animal (1.4; 3.2,8,13; 4.4,15,24,29,33). A palavra hebraica para “pôr / impor (a mão)”, sâmak, implica, geralmente, mais que apenas tocar, todavia aplicar uma certa pressão. O verbo apare­ce, por exemplo, em Juízes 16.29, na descrição de como Sansão alcançou os dois pilares centrais do templo filisteu e “abraçou-se” a eles, “[...] arrimou-se” neles. Tendo “mãos” como objeto, esse verbo aparece 24 vezes no Antigo Testamento. Há pelo menos dois moti­vos para tal procedimento não ser utilizado nas ofertas de manja­res. Em primeiro lugar, como seria possível alguém ao mesmo tempo apresentar e impor as mãos sobre uma oferta de farinha ou grãos? Além disso, esse procedimento é limitado a ofertas de sangue, sendo, portanto, inaplicável a ofertas de cereais. 

Qual é, contudo, o propósito da imposição de mãos? Levítico 1—7 não se preocupa em responder a essa questão, simplesmente relata o procedimento e evita dar qualquer justificativa. Em ou­tras partes das Escrituras, a imposição de mãos (ou seja, das duas) está relacionada à transmissão de bênçãos (Gn 48.13,14) ou mal­dições e juízos (Lv 24.14), ou com delegação de poderes (Moisés com Josué em Nm 27.23; Dt 34.9). Números 8.9,10 é talvez o tex­to que mais se aproxima dessa realidade. Moisés “apresenta” (a raiz é q-r-b, a mesma encontrada em Lv 1—7) os levitas à congre­gação, a qual, por sua vez, impõe as mãos sobre os levitas. Esses últimos assumem o papel de primogênitos da congregação: “Por­quanto eles, do meio dos filhos de Israel, me são dados; em lugar de todo aquele que abre a madre [...] tomei os levitas em lugar de todo primogênito entre os filhos de Israel” (Nm 8.16,18). 

Se, de fato, há aqui uma analogia, a imposição de mão sobre o animal significa que ele é um substituto. Podemos, então, supor que o que temos aqui é uma transferência do pecado, que passa do adorador para a vítima do sacrifício? Não necessariamente. No ritual do Dia da Expiação, a imposição das mãos de Arão sobre o bode vivo significa a transferência de pecados: “E Arão porá ambas as mãos sobre a cabeça do bode vivo [...] e os porá [pecados, iniqüidades e transgressões] sobre a cabeça do bode...” (Lv 16.21) Esse bode, no entanto, não é oferecido a Deus como sacrifício, sen­do sua carne consumida ou queimada. Ele é enviado para o deser­to. Ao contrário do que se poderia esperar, nada acontece ao ani­mal. Ele não é imolado. Muito provavelmente, a imposição de mãos traduz propriedade. E uma forma de o ofertante dizer: “Eis mi­nha dádiva, minha oferenda; abro mão de minha propriedade”. 

As Responsabilidades do Adorador 

Após o animal ser trazido ao local de adoração, é o adorador e não o sacerdote que mata o animal (cortando-lhe a garganta?). A palavra hebraica traduzida por “matar” é shahat. Seu uso é, em geral, restrito ao ritual da imolação. Aparece por oitenta e quatro vezes no Antigo Testamento, sendo que trinta e seis delas em Levítico. Para Roland de Vaux,11 a importância dessa imolação (e subseqüente queima) reside no fato de que ela torna a oferta inútil para qualquer coisa, a não ser a incineração. Dessa forma, tem-se uma oferenda irrevogavelmente dada a Deus e, portanto, im­possível de ser utilizada de forma profana. 

Depois de matar a vítima, o adorador é responsável por esfolar e esquartejar o animal, além de lavar-lhe as entranhas (1.6­9,12,13). 

As Responsabilidades do Sacerdote 

O sangue da vítima é recolhido e espargido em torno ou sobre o altar interno ou externo, dependendo do sacrifício envolvido. Essa tarefa cabe especificamente ao sacerdote (1.5,11,15; 3.2,8,13; 4.5-7). 

De modo curioso, Levítico 1—7 não indica em parte alguma a relevância desse ato ou o papel do sangue no ritual. A cerimônia é descrita de forma simples, sem qualquer comentário ou análise teológica. A justificativa é encontrada em Levítico 17.11: “Porque a alma da carne está no sangue, pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação pela alma”. 

Basta compararmos as diversas traduções, propostas por competentes estudiosos de lingüística hebraica, para percebermos alguns dos problemas peculiares a esse versículo. 

Porque a vida da carne está no sangue, e eu vo-lo dei para servir de expiação por vossas vidas sobre o altar, porquanto o sangue pode expiar conforme o valor da vida. (Levine12) 

A essência da vida da carne está no sangue, e eu, por vontade própria e em seu benefício, designei-a (para ser posta) sobre o al­tar para servir como pagamento aceitável, pois é o sangue que serve como pagamento aceitável pela vida (tirada). (Brichto13) 

Pois a vida da carne é o sangue, e fui eu que o designei para ser apresentado no altar como expiação por suas vidas, pois é o san­gue, como vida, que expia. (Milgrom14) 

Pois a vida da carne está no sangue. Eu a dei sobre o altar para fazer expiação por suas almas, pois é o sangue que expia em virtu­de da vida (que há nele). (Rainey15) 

Talvez seja temerário afirmar que Levítico 17.11 pode servir como base para uma teoria acerca do sacrifício como sendo de ca­ráter substitutivo. Por que Levítico 1—7 não faz referência algu­ma a tal raciocínio? Por que não vemos nenhum 17.11 nos capítu- los 1—7? Qual a relação entre 17.11 e o contexto em que está inserido, 17.1-16, o qual apresenta restrições à matança indiscriminada de animais? E o que dizer a respeito desses versículos lidarem com ofertas de manjares (17.5), o único sacrifí­cio que não tem nada a ver com expiação e perdão de pecados? 

Quiçá a ênfase excessiva no papel do sangue em Levítico 1—7 busque destacar não a substituição em si, mas tão-somente a idéia de que sacrifício envolve morte. 

O Sacrifício e seu Significado 

Após o animal ser oferecido, imolado, esquartejado, limpo e dessangrado, partes específicas do animal, ou mesmo ele inteiro, são colocadas sobre o altar e queimadas (1.9,13,17; 3.5,11,16: 4.10,19,26,31,35). O mesmo é válido para a oferta de manjares (2.2,9,16). O texto hebraico constantemente utiliza o verbo q-t-r para fazer a descrição da queima sobre o altar. 

Para descrever a queima de carne animal “do lado de fora do arraial”, o hebraico utiliza o termo mais comum para “queima”: s-r-p (como em serafim, serapim, “os ardentes”) (4.12,21; 8.17; 9.11). Esse verbo está limitado, em Levítico, à oferta pelo pecado do sumo sacerdote ou de toda a comunidade. O termo transparece a voracidade com que o fogo consome, sendo mais bem traduzido por “incinerar”; em contraste com q-t-r, uma queima mais lenta, gradual e controlada. 

Não causa surpresa que tais sacrifícios, queimados sobre o al­tar pelo sacerdote, sejam descritos como “aroma agradável ao Senhor”. Que se deve, no entanto, depreender de uma frase as­sim? Os sacrifícios eram comida para Deus, como uma fonte de alimentação? Teríamos aqui os vestígios de um mito? Em minha opinião, Yehezkel Kaufmann16 apresentou a melhor explicação. Ele chama tais frases de “reminiscências lingüísticas petrifica­das”, cita frases ou idéias idênticas nos escritos dos profetas, e então acrescenta: 

O fato de os profetas clássicos terem se sentido livres para usar tais expressões é a maior prova de sua inocência. Se as pessoas, em geral, cressem que o sacrifício era alimento para a divindade, os profetas e legisladores — que não apoiavam essa idéia — difi­cilmente utilizariam expressões que reforçassem o que considera­vam um erro grosseiro. Aliás, eles teriam combatido tal conceito. 



À luz dos sacrifícios como um aroma agradável a Deus, pode­mos compreender melhor o modo como Paulo fala da morte de Cristo em Efésios 5.2: “e andai em amor, como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave”. 

O Destino Dado à Vítima do Sacrifício 

Vários procedimentos eram adotados com relação aos sacrifíci­os. Nos holocaustos, todo o animal era queimado (1.9,13), com exceção da pele, que ia para o sacerdote (7.8). Parte da oferta de manjares era voltada para a alimentação do sacerdote (2.3,10; 6.16,18). Na oferta pelo pecado, parte do animal era queimada sobre o altar pelo sacerdote. Isso incluía algumas partes das en­tranhas e a gordura que envolvia as entranhas (4.8-10). No caso da oferta pelo pecado do sacerdote ou da congregação, a carcaça e o resto das entranhas eram queimadas fora do arraial como lixo (4.11,12,21), mas não quando a oferta era pelo pecado de cidadãos comuns. Além disso, fica claro que o sacerdote não podia comer carne oriunda da oferta pelo pecado, quer seu, quer da congrega­ção (6.30). Vemos aqui mais um exemplo do mesmo princípio: quan­to mais proeminente é o pecador, maior é o pecado. 

A oferta pacífica é singular. Trata-se do único sacrifício em que a carne é utilizada de diversas formas. Uma parte é incinerada sobre o altar (3.3-5), e outra é dada aos sacerdotes (7.31-35). O terceiro emprego é o mais incomum: a pessoa que faz a oferta também come parte do sacrifício (7.15-21). Esse é o único caso em que tal permissão é concedida. Eis por que as advertências quan­to a “comer sangue” aparecem no contexto de ofertas pacíficas (3.17; 7.26,27; 17.10,12,14). Ao comer a carne, o adorador deve se certificar de que retirou todo o sangue. E o único caso em que Deus convida seu povo a entrar em sua presença e participar da mesa, com Ele e uns com os outros. Em outras palavras, a sala do banquete é tão importante na adoração como o santuário. 

O Perdão do Pecado 

Já mencionei que os dois últimos sacrifícios — pecado e culpa — lidam exclusivamente com o perdão do pecado. Ainda assim, existem ressalvas. Ambos servem para o perdão de transgressões cometidas “inconscientemente”, “por ignorância”, “de modo inad­vertido”, ou “sem intenção”. A expressão é aplicada aos quatro níveis de oferta pelo pecado (4.2,13,22,27; mas não em 5.1-13, apesar de vermos frases como “ainda que lhe fosse oculto” [vv. 2,3,4] e “o souber depois” [vv. 3,4]), e também à oferta pela culpa (5.14,18). 

Levítico 4.1—5.13 afirma que corremos o risco de pecar intencionalmente de sete maneiras diferentes (devo essa exposição a meu colega Lawson Stone): 

1. Quando cruzamos limites que não sabíamos existir (4.1-12): “Quando alguém pecar sem intenção, fazendo o que é proibi­do em qualquer dos mandamentos do Senhor...” (NVI) 

2. Quando acompanhamos os atos da comunidade (4.13-21): “Se for toda a comunidade de Israel que pecar sem intenção...” (NVI) 

3. Quando pensamos que nossas responsabilidades servem como desculpa (4.22-26): “Quando for um líder que pecar sem intenção...” (NVI) 

4. Quando pensamos que nossa insignificância nos justifica (4.27-35): “Se for alguém da comunidade que pecar sem intenção...” (NVI) 

5. Quando deixamos de fazer algo que é certo (5.1-3): “Se al­guém pecar porque, tendo sido testemunha de algo que viu ou soube, não o declarou...” (NVI) 

6. Quando agimos ou falamos por impulso (5.4-13): “Se alguém impensadamente jurar fazer algo bom ou mau...” (NVI) 

7. Quando impensadamente banalizamos aquilo que é sagrado (5.14-16): “Quando alguém cometer um erro, pecando sem intenção em qualquer coisa consagrada ao Senhor...” (NVI) 

Duas conclusões podem ser extraídas daí. A primeira é que o sistema de sacrifícios do Antigo Testamento estabelece regras apenas para pecados acidentais, não para aqueles que são deliberadamente cometidos. Além dos textos em Levítico, Núme­ros 15.27-31 fala de maneira clara que existem meios de expiação para aqueles que pecam de forma inadvertida, mas então acres­centa: “Mas a alma que fizer alguma coisa à mão levantada, quer seja dos naturais quer dos estrangeiros, injúria ao Senhor; e tal alma será extirpada do meio do seu povo [...] e a sua iniqüidade será sobre ela” (vv. 30,31). 

Em conseqüência dessa primeira assertiva, muitos estudiosos cristãos de Levítico concluíram que é exatamente nesse ponto que emerge a superioridade do sacrifício de Cristo, pois sua morte trouxe expiação absoluta — purificação de todos os pecados, quer acidentais quer deliberados. Embora essa seja uma linha de pen­samento sedutora, pode-se suspeitar de que tais conclusões este­jam baseadas em uma exegese falha. Mesmo a alegação de que não há dispositivo sacrificial em Levítico para pecados delibera­dos pode ser questionada de modo bastante sério, como tentarei demonstrar rapidamente. 

Antes de mais nada, qual o objetivo de se tratar especifica­mente de pecados inadvertidos? Por que Levítico faz tal distin­ção? Seria a forma de o Antigo Testamento demonstrar que o pe­cado, qualquer pecado, tanto premeditado como involuntário, é terrível e ofensivo diante de Deus, e não uma oportunidade para esse mesmo Deus exibir suas capacidades? O Antigo Testamento, assim como o Novo, repudia com veemência qualquer postura de indiferença para com as leis. O crente veterotestamentário, as­sim como o crente neotestamentário, pode afirmar que “onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5.20), mas uma ver­dade tão bela não deve ser deturpada e considerada uma licença para pecar. 

Voltando a Levítico 1—7, há algo no sistema sacrificial que se opõe à idéia de não existir perdão para pecados deliberados? En­contramos uma pista ao examinarmos a oferta pela culpa (5.14— 6.7), que é também introduzida pelo seguinte comentário: “Quan­do alguma pessoa cometer uma transgressão e pecar por ignorân­cia...” (5.15) A análise desse sacrifício em especial foi feita de ma­neira primorosa por Jacob Milgrom.17 O que faço aqui é basica­mente seguir seu raciocínio. 

Esses sacrifícios partilham de um denominador comum: todos cobrem casos em que o pecado cometido resulta em algum tipo de perda para uma outra pessoa em relação a algo de sua proprieda­de. A parte prejudicada ou injustiçada pode ser o próprio Deus (como vemos nos casos apresentados em 5.14-16 e 5.17-19) ou um outro ser humano (6.1-4). Por esse motivo, a reparação, acrescida de 20 %, é parte essencial desse sacrifício (ver 5.16; 6.5). 

Um exame das situações específicas abordadas em 6.1-7 (peca­dos contra uma outra pessoa) demonstra que tais pecados não podem ser cometidos de forma inadvertida. Casos em que, por exemplo, alguém se recusa a devolver o que lhe foi confiado para guarda, rouba alguém ou mente a respeito de ter encontrado algo que outra pessoa havia perdido, dificilmente poderia ser chama­do de pecado involuntário! Ainda assim, são essas as áreas cobertas por 6.1-7. Para aumentar ainda mais o problema, o pecador mente (“jura falsamente” [6.3,5]) numa tentativa de comprovar sua inocência ou encobrir seu flagrante pecado. 

A fim de solucionar esse dilema (como os pecados voluntários podem ser perdoados?), podemos recorrer a uma variante de Levítico 5.14—6.7, que se encontra em Números 5.6-8. Nova e crucial no texto de Números é a informação de que a confissão é essencial no caso de um pecado deliberado. Deverá vir após o con­vencimento da culpa e ser sucedida pela reparação do mal causa­do (v. 7). O pecado então passa para a mesma categoria dos peca­dos involuntários e pode ser expiado. 

Citando Milgrom:18 “Uma compreensão mais correta desse postulado sacerdotal [ou seja, que somente transgressores involuntários têm direito ao sacrifício expiatório] seria que esse sacrifício é vedado ao pecador impenitente”, ou19 “não é o pecador voluntário que é excluído do sacrifício expiatório, mas o que não se arrepende”. 

Dizer isso é repetir o que vemos na epístola aos Hebreus. Con­fira: “Porque é impossível que os que já uma vez foram ilumina­dos, [...] provaram a boa palavra de Deus [...] e recaíram sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim,... de novo crucificam o Filho de Deus e o expõem ao vitupério” (6.4,6); ou: “Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebi­do o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados” (10.26). E a falta de confissão e arrependimento que impede o apóstata de ser restaurado a uma comunhão redentora com Cristo. 

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2 Versão King James. (N. do T.) 

3 Texto Massorético. (N. do T.) 

4 Ibid. 

3 Texto Massorético. (N. do T.) 

6 “The Order of Sacrifices in Old Testament Ritual Texts.” Bib n° 51, 1970, 

pp. 486,487. 

7 The Book of Leviticus. NICOT. Grand Rapids: Eerdmans, 1979, pp. 118,119. 

3 “The Order of Sacrifices in Old Testament Ritual Texts.” Bib n° 51, 1970, pp. 494,498. 

9 Texto Massorético. (N. do T.) 

10 Hino Rocha Eterna de Augustus Montagne Toplady (1740-1778) e Thomas 

Hastings (1784-1872), sob o número 47 da Harpa Cristã. (N. do T.) 

11 Studies in Old Testament Sacrifice. Cardiff: University of Wales Press, 

1964, p. 452. 

12 In the Presence of the Lord: A Study of Cult and Some Cultic Terms in 

Ancient Israel. SJLA n° 5. Leiden: Brill, 1974, p. 68. 

13 “On Slaughter and Sacrifice, Blood and Atonement.” HUCAn" 47, 1976, 

pp. 23,28. 

14 “A Prolegomenon to Leviticus 17:11.” JBL n° 90, 1971a, p. 156; “Kipper.” 

EncJudrL 10, 1971b, p. 1041. 

15 “Sacrifice.” EncJudn° 14, 1971, p. 600. 

16 The Religion of Israel. Traduzido por M. Greenberg. Chicago: University 

of Chicago Press, 1960, p. 111. 

17 Cult and Conscience: The ASHAM and the Priestly Doctrine of Repentance. 

SJLA n° 18, Leiden: Brill, 1976, pp. 84-128. 

18 Cult and Conscience: The ASHAM and the Priestly Doctrine of Repentance. 

SJLAn0 18, Leiden: Brill, 1976, pp. 109-110. 

19 Ibid., p. 124.