9 de outubro de 2016

R. ALAN COLE - A Aliança Ratificada

alan cole antigo testamento
d. A Aliança Ratificada (24:1-18)

24:1-11. O Estabelecimento da Aliança.

1. Tu e Arão, Nadabe e Abiú. Este versículo apresenta os persona­gens do drama que Será desenvolvido nos versículos 9 a 11.

Nadabe e Abiú são os dois filhos de Arão, cuja morte, por julga­mento divino, é registrada em Números 3:4; a história real se encontra em Levítico 10. Isto explica o fato de não aparecerem mais tarde. Também nos assegura a autenticidade da tradição, pois ninguém iria in­serir seus nomes aqui, no relato de tão importante evento. Em contras­te, “Arão e Hur” (v. 14) já formam um “par” bem conhecido de 17:12, a descrição da batalha contra Amaleque.

Setenta dos anciãos de Israel. Este é um número aproximado tradicional, representando ou as doze tribos de Israel ou os setenta descen­dentes de Jacó (Nm 11:16 e Lc 10:1). Talvez estes “cheiques” fossem uma característica permanente da então futura estrutura tribal de Is­rael, como os doze chefes tribais em Números 1.

2. Só Moisés subiu ao cume do monte. A cena do Getsêmani é se­melhante (Mt 26:36-39), e talvez denote graus de proximidade a Deus. O povo comum permanece ao pé da montanha; alguns outros chegam a meio caminho do cume; Moisés apenas, chega ao topo, junto a Deus.

3. Todas as palavras... todos os estatutos. Palavras pode ser uma referência à lei categórica (como “as dez palavras”) ao passo que esta­tutos (ou melhor, “decisões judiciais”) seriam a lei casuística. Uma vez que o livro da aliança contém ambos os tipos, a distinção não é impor­tante. Por outro lado, a distinção deixa claro que os dez mandamentos não eram os únicos termos da aliança (à parte do escopo mais amplo do material contido no livro da aliança).

4. Moisés escreveu todas as palavras de YHWH. Toda e qualquer aliança envolvia a leitura e aceitação pública de seus termos. A seguir, alguma forma visível deve ser dada às “obrigações contratuais”, e assim os termos da aliança são escritos. É inconcebível, neste milênio, que qualquer tratado possa existir sem forma escrita: a extensão da for­ma escrita desta aliança, todavia, é um ponto discutido. Poderia ser mais, ou menos, do que hoje aparece no “livro da aliança”. Não há muitos lugares no Pentateuco em que o registro escrito contemporâneo de leis ou acontecimentos seja enfatizado na tradição: compare, porém, a redação das “dez palavras” (31:18) e o registro da guerra contra Amaleque (17:14).

Um altar... doze colunas. Aqui as colunas são símbolos das doze tribos de Israel, ao passo que o altar claramente simboliza o próprio YHWH na cerimônia que se segue. No entanto, para provar que tudo se trata de simbolismo, e não superstição, na cerimônia de sangue que se segue o sangue é aspergido sobre o próprio povo (v. 8), não sobre as colunas que o representam.

5. Alguns jovens. Este é um toque primitivo, algo que aconteceu antes da instituição de um sacerdócio especializado (ver 32:39 quanto à posterior “ordenação” de Levi). Nada há de mágico na escolha dos jo­vens para esta tarefa: trata-se de uma consideração puramente prática. Amarrar gado a um altar é tarefa que exige força e agilidade. Sendo o jovem o guerreiro por natureza, seria também o “sacerdote” por natu­reza.

6. Moisés tomou metade do sangue. Rituais de sangue de alguma espécie são comuns à maioria das, alianças: um testemunho disto é o costume em várias partes do mundo de duas pessoas se cortarem e dei­xarem o seu sangue se misturar e correr junto, tornando-se assim “ir­mãos de sangue”. Aqui não se oferece qualquer explicação para o ritual da aliança. Talvez o significado fosse que Deus e o povo eram “um só sangue”, e que Deus Se declarava “pai”, “parente-resgatador” e “vin­gador do sangue” de Israel (6:6). A aliança abraâmica fora selada com um ritual de sangue ainda mais primitivo, no qual os dois participantes na aliança caminhavam por entre os vários pedaços de animais sacrifi­cados (Gn 15, um arcaísmo revivido mais tarde ao tempo de Jeremias, Jr 34:18). O ritual de sangue pode ter sido equivalente a invocar a própria morte caso os termos da aliança não fossem cumpridos. Não parece que este derramamento de sangue em particular estivesse associado à remissão de pecados (Lv 17:13), embora bem possa ter simboli­zado a entrega de uma vida.

7. E o leu ao povo. A leitura dos termos de uma cópia oficial sela e torna solene o acordo verbal até então existente. É deste versículo que se deriva o título “livro da aliança”, que é usado para englobar os capítulos imediatamente anteriores, provavelmente com razão.

8. Eis aqui o sangue da aliança. Esta frase reaparece na solene fra­seologia da Santa Ceia (Mt 26:28). O próprio Cristo seria, sobre a cruz, não apenas o mediador de uma aliança (como Moisés), mas também o sacrifício que iniciaria a aliança.

9. Moisés e Arão, Nadabe e Abiú. Os versículos 9-11 dão seqüência aos eventos descritos nos versículos 1,2, mas não há necessidade de se afirmar, como fazem alguns comentaristas, que os versículos 9-11 são um relato alternativo da ratificação da aliança acima descrita. A razão da subida ao monte nesta ocasião, a julgar pelo versículo 1, era unica­mente adoração. É verdade que uma refeição comum (especialmente contendo sal) era a maneira normal de se selar uma aliança, desde o período bíblico até nossos dias. Por outro lado também-é verdade que qualquer forma de adoração que envolvesse o sacrifício de “ofertas pacíficas” (v. 5) era naturalmente seguida de uma refeição sacrificial. O que mais se poderia fazer com a carne? Qualquer “holocausto” era na­turalmente consumido por inteiro no fogo sacrificial como uma oferta a Deus: a frase “comeram e beberam” no versículo 11 provavelmente se refere a “ofertas pacíficas” que normalmente seguiam os “holocaus­tos”.

10. E viram o Deus de Israel. À primeira vista isto parece ser uma contradição de 33:20, mas devemos lembrar que mesmo ali só foi per­mitido a Moisés ver a Deus “pelas costas” (33:28). Este versículo deixa bem claro também que os anciãos não ousaram levantar os olhos acima do estrado de Seus pés. Naturalmente, há profundas verdades espiri­tuais nestas metáforas antropomórficas, verdades que encontram ex­pressão no fato de Moisés esconder o próprio rosto (3:6) e no grito an­gustiado de Isaías (Is 6:5). Nenhum mortal pode suportar a visão do es­plendor de Deus: é apenas em Cristo que podemos ver o Seu reflexo (Hb 1:3).

A frase o Deus de Israel é relativamente comum no Velho Testa­mento, embora possua aqui um sabor arcaico. O milagre, apresentado no versículo 11, não é que os anciãos tivessem tido a visão, mas o fato de dela terem escapado incólumes e poderem assim participar da re­feição comunal.

Uma como pavimentação de pedra de safira. Segundo Noth, este tipo de pavimentação era conhecido particularmente na Mesopotâmia. Pode ser uma referência ao “lápis-lazúli”, de cor azul, que era um dos materiais prediletos na Mesopotâmia desde tempos bem antigos. Se corretamente traduzido, safira implica um azul profundo, e uma me­lhor descrição da abóboda celeste dificilmente se poderia encontrar. Depois de todos os trovões e relâmpagos surge agora uma vasta exten­são de um azul transparente: todo esse esplendor, entretanto, é apenas o estrado divino. Ezequiel 1:26 descreve Deus como que assentado sobre um trono de safira, sobre um “firmamento” de cristal (v. 22), e a mesma linguagem é utilizada no livro de Apocalipse (4:6).

11. Os escolhidos. Literalmente “cabide de canto”, uma expressão rara e arcaica, cujo significado fica claro somente em seu contexto. Metáforas semelhantes seriam usadas mais tarde no Velho Testamento (Is 22:23; Zc 10:4).

24:12-18. As Tábuas de Pedra.

12. Tábuas de pedra e a lei e os mandamentos. É melhor traduzir “tábuas de pedra, isto é, a lei e os mandamentos”. Esta descrição deve com certeza, em vista do que se segue, se referir apenas aos dez manda­mentos. Em outras passagens estas tábuas são chamadas “as tábuas do testemunho” (31:18) ou “as tábuas da aliança” (Dt 9:9).

13. Josué. Mencionado pela primeira vez em 17:9. Mais tarde Jo­sué assume importância crescente em conexão com a tenda da congre­gação (33:11).

16. A glória de YHWH pousou sobre o Monte Sinai. Os símbolos da manifestação da glória de Deus estão todos presentes: nuvem e fogo, bem como a voz de Deus.

Pousou. O verbo hebraico é sãkên, “habitou”. Trata-se de um ter­mo empregado tecnicamente mais tarde, para descrever a glória “shekinah”, a manifestação visível da presença divina aos homens. No Novo Testamento, assonância nos sugere a palavra grega skênê, “tenda” ou “tabernáculo” e assim o verbo grego correspondente é usado em re­lação ao “tabernacular” do Verbo entre os homens (Jo 1:14).

18. Quarenta dias e quarenta noites. Pode tratar-se de um período simbólico (cf. os quarenta anos de Israel no deserto, e os quarenta dias da tentação de Cristo), mas indica claramente uma demora prolongada. Este período deve cobrir a entrega de todas as instruções rituais sobre a tenda da congregação, o sacerdócio e a adoração contidas nos capítulos 25 a 31. Somente no capítulo 32 é que Moisés e Josué voltam do topo do monte, para encontrar a apostasia de Israel.



e. A Adoração na Aliança (25:1-31:18; cf. 35:1-39:43)

Nos capítulos 25-31, Moisés recebe instruções detalhadas com respeito ao Tabernáculo, mobília, sacerdócio e assim por diante.[1] Os capítulos 32 a 34 são um parêntese histórico, narrando a rebelião idólatra de Israel, a reiteração da aliança e a entrega final de um segun­do par de tábuas de pedra nas quais estavam gravados os déz manda­mentos. Finalmente, nos capítulos 35 a 40 há uma quase que repetição dos detalhes oferecidos em capítulos anteriores. Desta feita, a ênfase re­cai sobre a execução das ordens, e sobre a plena obediência de Moisés ao “modelo que lhe fora mostrado sobre o monte” (25:40; Hb 8:5). A não ser por alterações nas pessoas e tempos dos verbos, algumas re­duções e omissões insignificantes, as mudanças são tão pequenas que é desnecessário repetir as observações já feitas. Há, todavia, detalhes es­tatísticos inéditos quanto ao Tabernáculo e seus materiais, e estes serão examinados numa seção posterior.

1. A arca, a mesa e o candelabro (25:1-40)

25:1-9. Introdução. Esta é uma passagem introdutória, pois expli­ca a fonte dos materiais usados mais tarde na construção do Ta­bernáculo e seu equipamento. Há três princípios espirituais básicos exemplificados aqui, os quais permanecem eternamente válidos. O pri­meiro (no v. 2) é que ofertas a Deus devem ser voluntárias, nunca força­das (2 Co 9:7). A graça divina motiva o homem a dar, de modo que este dará alegremente a Deus seus tesouros mais valiosos. Este é o sentido claro da lista de contribuições nos versículos 3-7, a despeito das incerte­zas existentes quanto a detalhes de interpretação. Em segundo lugar, que o objetivo e propósito de Deus é viver entre Seu povo (v. 8): esta é a única razão de se construir o Tabernáculo. Finalmente, que obediência ao plano de Deus é essencial (v. 9). Este último princípio é a grande ên­fase dos capítulos 35-40, conforme mencionado anteriormente.

2. Todo homem cujo coração o mover. Esta é a maneira pitoresca do hebraico expressar “todo homem que desejar”: o indivíduo não o podia evitar.

3. Ouro, prata e bronze. A última palavra seria melhor traduzida “cobre”. Driver ressalta que há um princípio definido pelo qual a proximidade a Deus está relacionada ao valor do metal usado. A Arabá, ao sul do Mar Morto, era rica em minas de cobre: o ouro também era en­contrado na península do Sinai. Se, como é provável, os midianitas fos­sem mineiros, Israel teria fácil acesso aos metais: além disso, o “despo­jo” do Egito, quando da partida, deve ser levado em conta (12:35). O fato de um povo nômade viver em tendas não implica em que não pos­sua objetos preciosos: testemunha disso são os valiosos e raros tapetes em algumas tendas orientais hoje em dia. A despeito da opinião de Hyátt, a ausência de qualquer menção ao ferro nesta passagem é prova­velmente uma indicação de uma data remota de composição.

4. Estofo azul e púrpura e carmesim. A primeira das três palavras usadas, Fkèlet, é o termo acadiano para “corante roxo” (isto é, tecido tingido dessa cor). A segunda palavra, ’argãmãn, em sânscrito significa púrpura vermelha; o terceiro termo é o nome do inseto cochinilha, cujo nome árabe é kirmiz, onde o português carmesim e o inglês crimson. É provável que as três palavras são usadas juntas de maneira bem livre, indicando qualquer tecido tingido nos matizes que vão do vermelho ao roxo.

Linho fino. sês é uma palavra egípcia, indicando linho fino torci­do. O Egito atingira altos requintes na produção do linho, especialmen­te do linho torcido, onde cada fio éra composto de várias fibras torci­das. Os escravos israelitas devem ter aprendido muitas das artes e téc­nicas de trabalho egípcias, tais como metalurgia, fiação, bordado e te­celagem durante sua permanência no Egito. O linho era a vestimenta dos nobres e dos sacerdotes no Egito, escolhido devido à sua leveza e limpeza.

O tecido fabricado com pelos de cabra era o material usado na confecção das tendas dos nômades, naquela época e até hoje, de cor es­cura e bem resistente, impermeável. O equivalente moderno seria o fel­tro.

5. Peles de carneiros tintas de vermelho. Presumivelmente estas pe­les eram destinadas à confecção das cobertas do tabernáculo. A SBB está correta ao traduzir ‘õrõt Fhã&tm por “peles de animais marinhos”: algumas versões trazem “peles de cabras”. Trata-se ou de “peles de dugongo” (encontrado no Mar Vermelho; cf. a New English Bible, que traduz “peles de boto”) ou apenas de uma transliteração da palavra egípcia para “couro” em geral, o que é mais provável.

Madeira de acácia. É madeira típica do deserto, dura e aromática, mas de tronco esguio. Apesar disso, é considerada boa para a fabri­cação de armários: ver Hyatt.

6. Especiarias. Bálsamos sempre foram, durante todo o período bíblico, o grande produto da Arábia. As pedras preciosas mencionadas no versículo 7 também são um reconhecido produto local: as minas de turquesa de Serabit-El-Khadem eram particularmente famosas na península.

8. Um santuário. A palavra significa literalmente “lugar santo” e chegou a ser utilizada mais tarde para descrever o Templo (Jr 17:12). O propósito do santuário é apresentado aqui como sendo que Deus pudes­se “habitar” no meio de Israel. Ver também as observações em 24:16. Davies traz uma boa discussão desta “teologia da presença” (de Deus), que ele vê como tema dominante no livro de Êxodo, e que para o cren­te, culmina com a vinda de Cristo à Terra.

9. O modelo deve com certeza significar o que hoje chamamos de maquete. Gudea de Lagache (3000 A.C.) afirma ter visto em sonho o modelo de um templo, que mais tarde construiu meticulosamente. Moisés é elogiado por obediência semelhante, tanto em 39:5 quanto em Hebreus 3:2-5.

25:10-22. A arca. A palavra usada para descrever a arca de Moisés Çãrôn) é diferente daquela empregada em relação á arca de Noé. Esta arca tinha aproximadamente 90 cm de comprimento e 45 cm nas outras duas dimensões, sendo feita de madeira de acácia, revestida de ouro e lisa, à exceção da “tampa” (chamada “propiciatório” no v. 17) da qual faziam parte dois pequenos querubins também de ouro maciço, cujas faces estavam voltadas para o centro da arca. Argolas de ouro eram colocadas nos cantos da arca e através delas eram inseridos varais de madeira de acácia revestidos de ouro, com os quais a arca era carre­gada. Essencialmente, a arca era uma caixa sagrada, facilmente carre­gada, que continha as duas tábuas de pedra gravadas com a lei. A “co­bertura”, sob a sombra das asas dos querubins, também era considera­da como o trono do Deus invisível, que ali encontraria e falaria a Israel (v. 22).

11. Ouro puro era usado para qualquer objeto diretamente relacio­nado à presença imediata de Deus, de acordo com o princípio mencio­nado acima. Caso contrário, usar-se-ia prata ou cobre. Provavelmente a referência é a um revestimento externo com uma fina lâmina de ouro. Ver Hyatt, todavia, quanto à possibilidade de incrustação.

16. O Testemunho. Quase equivalente a “testemunha”.[2] Este é um nome comum para a Lei (ou pelo menos para aquela porção da Lei gra­vada nas duas tábuas de pedra), presumivelmente porque servia de tes­temunha e recordação da natureza de Deus.

17.Um propiciatório. Trata-se aqui de interpretação, não de tra­dução, do termo hebraico kappõret. Em seu sentido original pode signi­ficar “tampa” ou “cobertura” (embora este sentido original não seja encontrado em nenhum outro lugar no Velho Testamento) ou “aquilo que faz propiciação”, no sentido metafórico do verbo “cobrir”. Este sentido deve certamente estar incluído aqui, em vista de expressões co­mo o “dia da expiação”, palavra que vem da mesma raiz (Lev 23:27; li­teralmente “dia da cobertura”). Tal expiação não era realizada nor­malmente perante a arca, mas pelo sangue derramado sobre o altar (Lv 17:11): a transferência, contudo, é fácil e natural.

18. Dois querubins. Estes eram, mais provavelmente, esfinges ala­das com rostos humanos, a julgar pelas visões de Ezequiel 1 e Apocalip­se 4, bem como pelo uso do termo no Egito (embora os querubins sejam mencionados em Gn 3:24, não são descritos). Na Assíria, o karubu (mesma raiz semítica) tem a função de guarda de templo. Em Israel, os querubins simbolizavam os espíritos que ministravam como servos e mensageiros de Deus (SI 104:3,4) e por isso suas imagens não eram uma violação de 20:4, já que ninguém os adorava. Figuras de querubins, bordadas em cores vivas, eram encontradas por toda a volta da cortina interior do Tabernáculo (36:35), de modo que sua presença sobre a arca não era uma ocorrência isolada. O Templo de Salomão possuía dois enormes querubins de oliveira, cobertos de ouro, de cinco metros de al­tura, os quais pairavam sobre a arca (2 Cr 3:10). Este é apenas um dos muitos detalhes em que o Templo de Salomão era mais elaborado do que os planos aqui esboçados para o Tabernáculo.

22. Ali virei a ti... falarei contigo. Desde Seu trono, acima dos que­rubins (ISm 4:4). A arca sempre foi considerada um símbolo visível da presença de Deus e, como tal, ao tempo de Moisés, era saudada ao sair e ao entrar no Tabernáculo (Nm 10:35,36). Ao tempo de Eli, era erro­neamente considerada um “amuleto” mágico capaz de assegurar pro­teção divina (1 Sm 4:4). Davi se recusou a recorrer erroneamente à pro­teção divina como seus predecessores (2 Sm 15:25) e Jeremias anteviu o dia em que tal símbolo se tornaria desnecessário (Jr 3:16). A arca pro­vavelmente foi destruída no saque a Jerusalém em 586 A.C. Em tem­plos posteriores um bloco de pedra foi simbolicamente colocado em seu lugar, e no Judaísmo moderno o armário de madeira esculpida que con­tém o rolo da Lei leva o nome da arca. O lugar mais sagrado do Ta­bernáculo abrigava esta arca sagrada, da qual o simples toque significa­va morte para o homem comum (2 Sm 6:7). É típico da fé israelita, en­tretanto, que nem a arca nem os querubins fossem adorados; a arca, por conter a lei, meramente testemunhava da natureza do Deus que ali era adorado.



25:23-30. A Mesa. A maioria dos santuários possui uma mesa para ofertas e o santuário de Israel não era exceção. Mais uma vez a mesa é feita de madeira de acácia, revestida de ouro, com argolas e varais de modo a ser carregada, como deviam ser todos os objetos sagrados de Is­rael nos dias do deserto. Quanto à construção, ver as observações abai­xo.

30. Os pães da proposição. O uso característico da mesa era exibir o pão “colocado perante Deus”, como esta frase poderia ser parafra­seada. Doze bolos achatados (como grandes bolachas), dispostos em duas fileiras (Lv 24:6), eram ali colocados, frescos, a cada manhã, e re­movidos a cada anoitecer, para serem comidos apenas pelos sacerdotes, em circunstâncias normais (1 Sm 21:6). O simbolismo não é explicado: talvez fosse um reconhecimento agradecido de que o pão cotidiano das doze tribos vinha de Deus. Certamente parece haver alguma ligação com a origem da famosa frase na oração do Senhor (Lc 11:3).

Felizmente possuímos, no Arco de Tito, uma representação escul­pida desta mesa (bem como do candelabro de ouro). O modelo da es­cultura é o existente no Templo de Herodes mas, a julgar pela descrição feita em Êxodo, este devia seguir bem de perto o modelo original. Sobre a mesa ainda havia alguns dos cálices de ouro usados para o incenso ou para libações derramadas ao pé do altar (v. 29), ao passo que de encon­tro a ela estão encostadas algumas trombetas sacerdotais. Os termos técnicos usados egi Êxodo para descrever a construção da mesa são re­lativamente incertos devido à sua raridade. A mesa parece ter possuído escoras para apoio e pés em forma de garra, como algumas mesas mo­dernas, a julgar pelo Arco de Tito.

25:31-40.0 Candelabro de Ouro.

31. Um candelabro. A nfnôrâ, que se tomou hoje um símbolo de Israel (versões antigas usam a palavra “candeeiro”). Este candelabro tinha uma função prática: ao tempo de Eli, ainda se costumava acender uma “lâmpada” no santuário (1 Sm 3:3). Havia dez candelabros no grandioso Templo de Salomão (2 Cr 4:7).

32. Seis hásteas. Zacarias 4:2, numa visão, parece se referir a um candelabro que consistia de um único vaso de azeite cuja borda possuía sete aberturas laterais de modo a receber sete pavios (segundo Davies, W.F. Albright menciona a existência de tais lâmpadas encontradas em Mizpa). Todavia, se compararmos a descrição aqui oferecida com a es­cultura no Arco de Tito, surgem algumas diferenças. Trata-se neste ca­so de um candelabro de sete hastes, feito de ouro maciço (madeira de acácia revestida de ouro não se podia usar aqui). O candelabro era pro­fusamente decorado com moldes e esculturas de amêndoas e flores de amendoeira, e sustentava sete pequenas lâmpadas de pavio único. Uma simples olhada em qualquer reprodução do arco de Tito deixará bem claro o formato do candelabro, embora o sentido metafórico de alguns dos termos técnicos não seja claro.

33. Três cálices com formato de amêndoas. Se as referências à amendoeira forem encaradas literalmente como desenhos usados para decoração (e esta parece ser a interpretação óbvia), isso nos lembra a vara de Arão, feita de amendoeira, e que florescera (Nm 17:8), e também a visão de Jeremias (Jr 1:11,12). Jeremias nos dá a entender que a amendoeira, sendo a primeira árvore a florescer na primavera, era um simbolo apropriado do maravilhoso cuidado divino para com Seu povo, e do cumprimento de Sua promessa feita aos antepassados de Israel. Tudo isso é mera especulação, todavia, e neste terreno é melhor que se pise com cuidado. Alguns termos técnicos possuem sentido duvi­doso, mas não afetam o sentido geral da passagem. Os cálices do versículo 34 são o mesmo termo hebraico usado para a ilha de Creta no Velho Testamento, de modo que provavelmente indicam a procedência deste motivo de decoração.

37. Para alumiar defronte dele. Exceto pela luz do candelabro o santuário ficaria às escuras. Todavia, não nos é revelado o significado posterior do simbolismo. Alguns pensam que o candelabro significava a missão de Israel como luz para os gentios (Is 60:3). Certamente o “se­te” como sempre simbolizava perfeição, ao passo que o óleo, pelo me­nos mais tarde, se tornaria um símbolo do Espírito de Deus (Zc 4:1-6,. O simbolismo pode ser o da luz que a presença de Deus traz ao Seu po­vo (Nm 6:25), se lembrarmos que luz, no Velho Testamento, é também um símbolo da vida e de vitória (SI 27:1).

38. Espevitadeiras... apagadores. O primeiro objeto é uma espécie de pinça ou tenaz, utilizada para ajustar o pavio. O segundo (literal­mente “bandejas de apagar”, N.T.) pode ser uma bandeja para a pre­paração do óleo (Noth) ou uma panela (Driver). Em qualquer dos dois casos, são objetos relacionados ao candelabro.

ii. O Tabernáculo (26:1-37)

Mais uma vez há alguns pontos obscuros, mas o plano central é claro, e aconselha-se ao leitor que consulte ilustrações em dicionários bíblicos.

1. Farás o tabernáculo (tenda). A estrutura é aproximadamente a de uma tenda de nômade: uma tenda interna (correspondendo ao cô­modo das mulheres), uma tenda externa para os homens, e possivel­mente um “cercado” à volta da tenda, para os animais. Como apraz a uma tenda dedicada a Deus, as dimensões são bem maiores que as de uma tenda qualquer. No Templo de Salomão, estas dimensões são du­plicadas, produzindo uma estrutura muito maior. A estrutura básica parece ter sido a da “tenda-caixão”, de telhado horizontal e sem mas­tro de sustentação, apoiada numa leve estrutura de madeira.

Dez cortinas... com querubins. O tecido de confecção do Ta­bernáculo era o linho fino retorcido (ver notas em 25:4), ricamente en­tretecido com figuras de querubins. Estes eram vistos nas paredes inter­nas e no teto do Tabernáculo, à luz do candelabro de ouro. Do exterior, é claro, não podiam ser vistos (ver v. 7).

7. Cortinas de pelos de cabras. O linho era protegido dos elemen­tos no exterior por um tecido comumente usado na fabricação de ten­das, feito do pêlo escuro das cabras: esse tecido escondia completamen­te as cores brilhantes que havia sob ele, no interior do Tabernáculo.

14. Uma coberta de peles de carneiro tintas de vermelho... e outra coberta de pele de animais marinhos. Parece que alguma forma de en­voltório havia sido feita para o transporte da tenda propriamente dita. Alguns pensam que a frase indica a existência de uma terceira (ou até mesmo quarta) tenda de couro, colocada sobre as tendas de pelos de ca­bras e de linho, mas isto parece tornar a estrutura absurdamente pesa­da, e é desnecessário. Quanto aos materiais, ver o versículo 5. O tecido era entrelaçado numa série de cortinas, bem como na confecção de tol­dos modernos. Essas longas cortinas eram presas uma às outras pelas extremidades, por meio de ganchos e argolas, formando assim um tol­do gigantesco que podia ser enrolado para seu transporte. Um outro pe­daço deste mesmo material, suspenso por dois mastros, dividia o Ta­bernáculo em duas partes, na mais interior das quais ficava a arca da aliança.

15. Farás... tábuas... as quais serão colocadas verticalmente. Ou “suportes”, formando uma estrutura vertical (algumas versões trazem “tábuas”, outras “suportes”, e até mesmo “vigas”).7 Esta estrutura era feita de postes de madeira de acácia (de 7,5 cm de espessura, segun­do o historiador judeu Josefo), que se apoiavam sobre bases ou soquetes de prata, e formavam um delicado suporte em treliça, sobre o qual as cortinas eram penduradas. Hastes horizontais mantinham a estrutu­ra firmemente em sua posição, e precauções especiais foram tomadas em relação aos cantos. Na tradição cananita, o palácio de El também era construído numa estrutura de treliça, e as tendas militares da Assíria tinham uma estrutura de madeira semelhante, se bem que me­nos complexa. Já que a estrutura era quase que um andaime de madei­ra, os querubins bordados podiam ser vistos do interior do Tabernáculo, por entre os postes. Se a tradução “tábuas” fosse acertada, em lu­gar de “postes” ou “mastros”, toda esta complexa decoração seria invisível, à exceção do teto, já que o Tabernáculo teria então verdadeiras paredes de madeira. Possivelmente, num estágio posterior da história do Tabernáculo, quando ficava em Siló (1 Sm 1:9) ou em Gibeão (1 Rs 3:4), tais painéis de madeira sólida tenham sido usados, formando uma estrutura que era um meio-termo entre uma tenda e uma construção de madeira. O argumento permanece válido, todavia, de que se os mastros fossem tão grossos como criam os judeus séculos depois, teriam sido vi­gas quadradas, cujo volume e peso teriam feito do transporte da estru­tura tarefa muito difícil.

33. O véu vos fará separação entre o Santo Lugar e o Santo dos Santos. O véu separava um terço da área do Tabernáculo. A tenda era pequena (digamos 15 metros por 5 metros) comparada a qualquer tem­plo moderno. Além disso, não possuía aberturas para ventilação e era escura, a não ser pela luz do candelabro de ouro e a pouca luz que aci­dentalmente ali penetrava quando o reposteiro que ficava sobre a porta da tenda era levantado para permitir a entrada dos sacerdotes. O cande­labro ficava no “santo lugar”: o santo dos santos ficava absolutamente às escuras, por detrás do espesso véu. Todavia, a escuridão e o frescor do interior do Tabernáculo seriam um grande alívio depois do ofuscan­te calor do deserto (observe quantas vezes a “sombra” de YHWH é mencionada como um símbolo de refrigério e salvação, por exemplo, SI 17:8) e sua extrema escuridão, a partir do Sinai, passou a ser um símbolo apropriado para Deus (1 Rs 8:12).

As dimensões reduzidas do Tabernáculo não eram uma desvanta­gem, já que apenas os sacerdotes podiam entrar no maior cômodo da tenda, ao passo que a câmara mais interior, sempre em completa escuri­dão, só era edentrada uma vez por ano, pelo sumo-sacerdote,, no Dia da Expiação (Hb 9:7). Aqui jaz o tremendo significado da rasgadura do grande véu do Templo quando da morte de Cristo (Mc 15:38). A con­gregação normalmente adorava à porta de suas tendas, olhando em di­reção ao Tabernáculo de Deus (33:8), tal como o muçulmano se volta em direção a Meca para orar. Se chegavam a se aproximar do Ta­bernáculo, apenas observavam de fora o que o sacerdote fazia dentro do, “átrio”, a grande área cercada que ficava ao redor da tenda pro­priamente dita. Os vários materiais, detalhadamente apresentados, e que deveriam ser usados na confeccão do Tabernáculo já foram men­cionados na lista das ofertas trazidas pelo povo (25:1-7).

iii. O Altar, O Átrio e A Lâmpada (27:1-21)

27:1-8. O Altar. Conforme ressaltado por Napier, há um constante movimento em direção ao exterior na ordem de descrição dos objetos.

Primeiro há a descrição da arca, na parte mais sagrada do Tabernáculo, e do candelabro, na parte mais ampla do Tabernáculo. Aí o movimento cessou por um pouco, para descrever a construção do Tabernáculo. Uma vez fora da tenda, caminhamos em direção ao altar, e ao átrio em que ele ficava. Quanto mais nos afastamos do centro, menos preciosos se tornam os materiais, e menos complexa a estrutura. Mais uma vez o simbolismo é claro.

1. O altar de madeira de acácia. Para permitir sua mobilidade, o altar foi feito de chapas de madeira de acácia revestidas de placas de co­bre. Era de formato quadrado, com aproximadamente 2,5 metros de la­do, bem menor que o altar de cobre construído por Salomão, séculos mais tarde, que tinha 10 metros de lado por 5 metros de altura (2 Cr 4:1). Provavelmente os altares “de terra” e “de pedras toscas” previa­mente mencionados (20:24,25) eram de uso estritamente local, a não ser que admitamos (como fazem alguns comentaristas) que o interior desta estrutura oca de madeira e cobre ficasse sempre cheio de terra ou pedras nâo-lavradas até uma altura apropriada, de modo a que o altar conti­nuasse a observar as regras do livro da aliança.

2. Farás levantar-se quatro chifres. Pontas em forma de chifre nos quatro cantos do altar, como era comum à maioria dos altares antigos. Tais chifres podem ter representado, no passado, os chifres dos animais oferecidos em sacrifício. Mais tarde passaram a ter a útil função de gan­chos aos quais os sacrifícios podiam ser amarrados (SI 118:27), ou aos quais criminosos involuntários se agarrassem. Uma vez que o altar era “um santuário”, uma “cidade de refúgio” em miniatura, o réu podia se agarrar a esses chifres, fazendo de si mesmo um sacrifício vivo, devo­tado a YHWH, e assim sob Sua proteção.

4. Uma grelha de bronze. Esta descrição não deixa suficientemente clara a posição e o propósito da grelha de bronze. Como a maioria dos altares, este era oco (v. 8). A grelha de bronze provavelmente repousava sobre uma saliência na parede interior do altar, na metade de sua altura (38:4, N.T.). Neste caso, o que se fazia com a carne era virtualmente um churrasco, permitindo que a gordura e as cinzas caíssem ao fundo do altar através da grelha. Isto explica a maneira pela qual o novo altar de Jeroboâo em Betel “se fendeu”, espalhando cinza por todo lado, para grande transtorno do rei (1 Rs 13:5), e também porque se fizeram pás e bacias para “raspar” o altar, tal como se faz com uma lareira ou incinerador (v. 3). Isso também explica como era possível usar um al­tar de madeira sem que esta se queimasse. O fogo jamais entrava em contato com a madeira, que era apenas uma armação oca. A maioria dos comentaristas, entretanto, prefere seguir a sugestão de Driver, que afirmava que a grelha de bronze era a metade inferior da parede externa do altar, que permitia a passagem de uma corrente de ar para alimentar o fogo.

Este era o único altar de sacrifício no santuário israelita nos pri­meiros dias: o sangue era besuntado em seus “chifres” quando da ex­piação cerimonial, e sobre ele os holocaustos ou ofertas queimadas eram colocados. As libações eram derramadas ao lado dele e sobre ele o sangue era aspergido. É normalmente chamado “o altar de bronze”, em vista de sua aparência externa, embora fosse, na realidade, cons­truído de madeira. O incenso, por outro lado, era oferecido num altar menor, que aparece, quase que como uma lembrança de última hora, em cap. 30. Este também era feito de madeira de acácia, mas revestido de ouro, não de cobre ou bronze.

27:9-19.0 Átrio.

9. O átrio do Tabernáculo. Esta área externa cercada provavel­mente correspondia, como sugerido, a algo como um “curral”. No que diz respeito ao Tabernáculo, o átrio marcava os limites externos de sua santidade (cf. os demarcadores colocados ao redor do Sinai no dia em que Deus desceu e Se revelou ali, (19:12). O futuro Templo em Jeru­salém teria paredes para demarcar seus átrios. No deserto, a divisão correspondente era formada de uma série de postes que sustentavam pedaços de tecido, formando uma espécie de tela protetora como a usa­da hoje em dia ao redor de quadras de tênis. Seu propósito era oferecer uma área ampla ao ar livre (50m x 25m) onde o sacrifício pudesse ser realizado e outros ritos de natureza pública pudessem acontecer. Como o Tabernáculo propriamente dito ocupava apenas seis por cento da área do átrio, havia espaço de sobra, já que a época da Lei desconhecia as vastas multidões que lotavam os átrios do Templo em dias futuros (Is 1:12). Como em templos chineses na atualidade, só se ia ao Tabernácu­lo de YHWH com algum propósito específico, e normalmente só por ocasião de alguma festa religiosa. Em dias mais recentes, o número de átrios se multiplicou: aqui havia apenas um.

18. E cinco côvados de alto. A “cerca” ao redor do átrio parece ter tido dois metros e meio de altura (ninguém poderia olhar por sobre ela), mas possuía uma abertura em um dos lados, que funcionava como por­ta.

19. Todas as suas estacas. As estacas firmavam a estrutura como , um todo, tal .como o fazem hoje com grandes tendas ou toldos. Ver Isaías 54:2 com respeito a uma referência a estacas de tendas e cordas de retenção, objetos bem comuns nos primeiros dias de Israel, ainda usados metaforicamente séculos mais tarde.



27:20,21. A Lâmpada.

20. Para que haja lâmpada acesa continuamente. Esta é vista co­mo uma espécie de “luz perpétua”, brilhando a noite inteira na parte exterior do Tabernáculo, em frente da “cortina” que separava do resto o Santo dos Santos, no qual repousava a arca. À primeira vista, parece ser algo bem simples, mais semelhante à lâmpada vigiada por Samuel em Siló (1 Sm 3:3). O significado último é o mesmo: nunca deve existir escuridão completa perante o véu que esconde a presença de Deus, e na­da senão o melhor azeite de oliva pode servir para o culto a YHWH. Azeite de oliveira batido, segundo o Mishnah, é uma referência ao método de produção do mais puro azeite. As azeitonas são levemente batidas com varas para produzir esta variedade de azeite, ao invés de completamente amassadas, como na produção de azeites de qualidade inferior.

iv. As Vestes Sacerdotais (28:1-43)

Segue-se agora a descrição das vestes semi-reais dos sacerdotes de Israel. Arão era o sacerdote por excelência, e a maior parte da passa­gem descreve as esplêndidas vestimentas para ele preparadas. Em con­traste, seus “filhos” (quer literalmente, quer como referência a uma “casta” sacerdotal) se vestiam de maneira relativamente simples. O vestuário sacerdotal completo é bastante complexo, e o significado exa­to de algumas palavras já não nos ê tão claro quanto para os contempo­râneos do escritor. Este presume estar tratando de objetos bem conheci­dos, e portanto não os descreve, embora concentre sua atenção nos de­talhes: isso torna a interpretação difícil. Felizmente, entretanto, o es­boço principal é claro: as vestes são santas, isto é, separadas de outras, e são também para glória e ornamento (v. 2). Fora isso, nenhuma outra significância litúrgica é atribuída às peças do vestuário, individualmen­te. Estas são feitas dos materiais mais finos (como as cortinas do Ta­bernáculo) entretecidos com fios de ouro, para aumentar o seu esplen­dor (v. 5).

Nas ombreiras da estola sacerdotal havia duas pedras preciosas nas quais estavam gravados os nomes das doze tribos de Israel: os mesmos nomes estavam gravados em doze pedras engastadas numa espécie de bolsa (“peitoral do juízo”) de material bordado que ficava sobre o pei­to do sacerdote. Num simbolismo duplo ele levava o nome de Israel pe­rante Deus, sempre que entrava no Tabernáculo, uma figura talvez de sua posição representativa, se não intercessória. Dentro desta mesma bolsa ele levava as duas pedras oraculares, usadas no lançar sortes para determinar a vontade de Deus numa situação qualquer. No turbante em sua cabeça havia uma lâmina de ouro com a inscrição “Santidade a YHWH” talvez como uma lembrança da posição que ele e Israel ocu­pavam. Como afirma Napier, as vestes sacerdotais não são fins em si mesmas, como podem parecer. Com seu simbolismo, testificam da pre­sença de Deus entre Seu povo, e da disposição divina em perdoar e guiar. Mesmo em dias do Velho Testamento, a grande oração não era simplesmente que os sacerdotes de YHWH se vestissem corretamente, mas que se vestissem de justiça (SI 132:9). Nos dias da Nova Aliança, a Velha Aliança se cumpriu, quando todos os crentes são sacerdotes de Deus (1 Pe 2:9) e toda espécie de ornamento é espiritual (1 Pe 5:5). No entanto, embora não se encontre equivalente na era cristã, as vestes sa­cerdotais permanecem como um belo quadro do passado, e os princípios espirituais incorporados neste “ABC” de instruções dadas por Deus ao Seu povo permanecem eternamente válidos.

28:1-4. Introdução.

1. Nadabe e Abiú. Já mencionados quando subiram ao Sinai com os anciãos de Israel (24:1). Morreram consumidos pelo fogo de YHWH (Lv 10:1,2) de modo que Eleazar sucedeu a seu pai Arão (Nm 3:4). Os futuros sumos sacerdotes zadoquitas em Jerusalém reconstituíam sua genealogia a partir dele (1 Cr 6:3-8), ao passo que a casa de Eli, inclusi­ve o sacerdote de Davi, Abiatar, iniciavam sua genealogia com Itamar (1 Cr 24:3).

2. Vestes sagradas. Equivalente a dizer “diferentes”, “separadas” do vestuário comum, por serem usadas no serviço de Deus. Também são brevemente descritas como algo que servia de glória e ornamento, razões de seu uso.

4. Uma túnica bordada. Consultar Driver para um exame detalha­do do tipo de tecido mencionado aqui. Ver também seu comentário so­bre os três tipos diferentes de bordado mencionados em Êxodo.

28:5-14. A Estola Sacerdotal.

6. Farão a estola sacerdotal. A medida de nossa perplexidade pode ser demonstrada pelo fato de nem sequer sabermos se a estola sacer­dotal era um colete ou um avental, para usar termos modernos. Em qualquer caso, era feita de material precioso (embora em outras partes do Velho Testamento seja descrita meramente como a “estola sacerdo­tal de linho”, talvez por ser este o mais comum dos seus materiais). A estola era a veste sacerdotal típica, presa por duas ombreiras nas quais estavam engastadas duas pedras memoriais gravadas com os nomes das tribos de Israel. A maioria dos comentaristas modernos prefere o senti­do de “avental” ao de “colete”, em vista da descrição de Davi em 2 Sa­muel 6:14. O menino Samuel usava uma estola sacerdotal de linho (1 Sm 2:18), bem como todos os homens da cidade sacerdotal de Nobe (1 Sm 22:18). Por outro lado, quando Davi precisou de orientação, pediu a Abiatar, o sacerdote, que trouxesse a “estola sacerdotal” (1 Sm 23:9). Uma vez que a bolsa contendo as pedras oraculares sagradas era usada por sobre a estola, a referência naquela passagem deve ser à própria bolsa. Além disso, a “estola sacerdotal” é um eufemismo claro para “idolo” em certas ocasiões, embora a razão de tal uso seja desconheci­da (Jz 8:27; 17:5).

12. Pedras de memória. O versículo 30. Arão levava os nomes das tribos de Israel perante Deus sempre que entrava no Tabernáculo, identificando-se com o povo.

28:15-30. A Bolsa dos Oráculos.

15. O peitoral do juízo. Peitoral é pura especulação para o termo hebraico fyõSen. Se a tradução for correta, Noth cita um paralelo impressionante em Biblos, na Idade do Bronze. Trata-se de uma placa de ouro, engastada com jóias, presa por uma corrente de ouro. Aparente­mente servia de adorno para o tórax de um rei local. Excetuando-se o fato de que o peitoral israelita era feito de pano, não de metal, e era du­plo (formando uma espécie de bolsa para as pedras com as quais se lançavam sortes), a semelhança é notável. Basicamente, a idéia é bem simples: o sacerdote levava os objetos preciosos (fossem eles o que fos­sem) numa pequena bolsa amarrada a seu pescoço: esta bolsa, por sua vez, é apropriadamente adornada com os simbolos das tribos de Israel.

29. Arão levará os nomes dos filhos de Israel. Cf. o versículo 9 com referência às suas ombreiras. Isto reitera o conceito de levar as tri­bos de Israel perante YHWH, já expresso no versículo 12, quer seja a idéia de levar sua culpa ou a de interceder por eles em oração.

30. O Urim e o Tumim. Isto explica porque esta peça do vestuário sacerdotal era chamada de “peitoral do juízo”, uma vez que continha as duas pedras oraculares, pelas quais o “juízo” de Deus podia ser co­nhecido. Seus nomes significam “luzes e perfeição”, que se tomados li­teralmente, podem ser uma referência à natureza do Deus cuja vontade elas revelavam. Podem, entretanto, ter sido usadas no sentido de “alfa e ômega”, principio e fim(Ap 1:8), já que os dois nomes começam res­pectivamente com a primeira e a última letras do alfabeto hebraico. Es­tas “sortes” sagradas eram usadas para discernir a orientação divina, normalmente com respostas do tipo “sim” e “não”: o exemplo mais claro é o caso da indagação de Saul (1 Sm 14:41). Sua natureza é bem incerta: a sugestão mais provável é a de duas pedras preciosas, mas a maneira em que eram usadas não é clara. A julgar de analogias mais re­centes, uma das pedras era retirada (ou lançada fora) do peitoral, e a resposta “sim” ou “não” dependeria de qual pedra aparecesse. Não há evidência bíblica para o uso deste método de se obter orientação depois do tempo de Davi, mas presumivelmente os sacerdotes continuaram a usar o peitoral do juízo, devido ao conservadorismo inerente a todas as religiões. O sistema de “lançar sortes” depois de orar, como meio de obter orientação reaparece em Atos 1:26.

Talvez valha a pena observar que o oferecer sacrifícios não era, de maneira alguma, a única função do sacerdote israelita. Como observa Driver, a ele também cabia dar “torah” ou instrução (Dt 33:10), deci­dir por meio de Urim e Tumim (como aqui), e oferecer decisões judi­ciais “perante Deus” no santuário (22:8,9). Além do mais, Urim e Tu­mim não eram a única maneira aceitável de se pedir a direção divina, mesmo no começo da história de Israel (1 Sm 28:13). Podemos presu­mir que, à medida que crescia a atividade profética em Israel, a ne­cessidade de se recorrer a tais meios “mecânicos” de orientação dimi­nuiu. Na Nova Aliança, não é por acaso que, depois da vinda do Espirito (Atos 2), o uso de “sortes” não mais acontece. Deus guia Seu povo diretamente.

28:31-43. As Peças Menos Importantes Do Vestuário.

31. Farás também a sobrepeliz... de estofo azul. “Violeta” é uma tradução mais apropriada. Esta sobrepeliz ou túnica era usada por bai­xo da estola sacerdotal e do peitoral, sendo especialmente reforçada no pescoço.

32 Para que não se rompa. Já que tinha de ser colocada por sobre a cabeça, como um pulôver, esta era uma providência sensata, como qualquer dona de casa pode reconhecer. João 19:23 parece se referir a uma túnica deste tipo: é a maneira oblíqua pela qual João indica a po­sição sumo-sacerdotal de Cristo.

33. Campainhas de ouro. Essas campainhas tinham, presumivel­mente, a função de indicar ao povo os movimentos do sumo sacerdote, que ficava oculto aos olhos da multidão. Assim, saberiam se sua oferta havia sido aceita, e que não fora fulminado. As romãs (símbolo de fe­cundidade) ficavam como que “penduradas” entre as campainhas, ou então, eram bordadas no tecido.

36. Uma lâmina de ouro puro. A lâmina (algo semelhante a uma “flor” a julgar pelo termo hebraico empregado) era atada ao turbante por um diadema de fio violeta (v. 37), como aquele mais tarde usado pelo “Grande Rei” da Pérsia. Nela havia a inscrição Santidade a YHWH, como lembrança da posição do sumo sacerdote e de Israel. Consultar Hyatt quanto à justificativa para a tradução “o diadema de ouro puro”: “flor” é virtualmente um sinônimo de “coroa” aqui.

39. A túnica era a vestimenta costumeira dos homens de posição (Gn 37:3), mas é difícil estabelecer qualquer relação entre ela e as outras roupas sacerdotais. O turbante (literalmente “algo que se enrola”: o Talmude afirma que 5,5 metros de material foram usados) e o cinto, uma “faixa” (talvez uma palavra egípcia), talvez fossem usados por reis e oficiais bem como pelos sacerdotes.

42. Calções de linho. O que chamaríamos hoje de “roupa de bai­xo”, para garantir um vestuário decoroso a todo tempo. Como em 20:26 (a proibição de altares com degraus), trata-se aqui de uma reação contra a nudez ritural em outras religiões. O linho era o material pa­drão do vestuário sacerdotal israelita (como no Egito), devido à sua be­leza e higiene.

v. A Consagração Dos Sacerdotes (29:1-46)

Num certo sentido, este capítulo poderia ser considerado um suplemento, pois todos os capítulos anteriores trataram da confecção de ob­jetos para o Tabernáculo ou de vestimentas para os sacerdotes. Este é o único capítulo que contém instruções para um ritual, mas pode ser legi­timamente considerado o ápice de tudo que aconteceu antes. Além dis­so, os últimos versiculos contêm detalhes das ofertas diárias a serem oferecidas continuamente em Israel dali por diante (29:38-42), como a tarefa principal dos sacerdotes.

Em meio a muita coisa temporária, e sem dúvida muito que era si­milar aos rituais de outras nações circunvizinhas, certos princípios se destacam como eternamente válidos. O sacerdote deve ser simbolica­mente purificado, tanto pela lavagem como pela oferta pelo pecado em seu favor, antes que possa ser consagrado com suas novas vestes; ele de­ve ser solenemente ungido para sua missão: mão, pé e ouvido devem ser dedicados a Deus. Então, e só então, poderia ele oferecer sacrifícios agradáveis a Deus. Todo este ritual precisava ser repetido diariamente por uma semana, tanto para enfatizar sua importância sagrada quanto para dar à cerimônia um sentido de perfeição.

29:1-9. A Lavagem e a Unção.

4. E os lavarás com água. O apêndice em 30:17-21 descreve a construção do tanque de bronze, para esta e outras lavagens rituais, precursoras do batismo cristão. (Tt 3:5; Ef 5:26).

7. Tomarás o óleo da unção. Ver em 30:22-33 os detalhes de composição deste óleo especial. Este versículo dá a entender que somente Arão (e não seus filhos) foi ungido com o óleo da unção (ver entretanto 30:30). Em dias futuros, os reis (como figuras quase-sacerdotais) po­diam participar de tal rito (1 Sm 10:1), mas a palavra é usada apenas me­taforicamente para a escolha de profetas (1 Rs 19:16). A unção denota­va a escolha e designação divinas para uma tarefa especial. Nos primei­ros dias da monarquia, a unção era freqüentemente acompanhada de dõns carismáticos do Espírito (1 Sm 10:6) e pode, portanto, ter passado a simbolizar tais dons. Em tempos mais recentes, “o ungido de Deus” e “o escolhido de Deus” (SI 89:3) se tornaram virtualmente sinônimos. Para o crente, a “unção” tem um significado novo e rico no conceito de Jesus “o Cristo” (isto é, o ungido), não apenas rei mas também sumo sacerdote para sempre, num Tabernáculo muito mais grandioso, o Tabernáculo celestial (Hb 9:11).

9. Consagrarás. O termo técnico nas línguas semíticas (tão antigo quanto os textos de Mari) é “encher a mão”, provavelmente derivado da idéia “introduzi-los aos direitos e privilégios de sua posição”. Aqui, contudo, a palavra é usada com nuance absolutamente distinta.

29:10-28. Os Sacrifícios Animais (Para a Consagração). Estes incluíam ofertas pelo pecado (v. 14), holocaustos (v. 18), o exótico ritual de sangue dos versículos 19-21, bem como a simbólica “oferta movida” dos versículos 22-28. Estas não diferem, essencialmente, do mesmo tipo de oferta em outras ocasiões (à exceção do intrigante ritual dos versícu­los 19-21) e portanto não exigem exegese detalhada aqui.

10. Porão as mãos sobre a cabeça do novilho. Como de costume em toda oferta pelo pecado, a imposição de mãos significa identifi­cação. Isto significa claramente que a morte do animal é aceita como equivalente à morte do indivíduo. Este sacrifício é seguido pelo ritual de sangue, no qual parte do sangue era colocada sobre as pontas do al­tar (como sinal visível e definitivo) e o resto era derramado sobre os la­dos e a base do altar, correndo até o chão (v. 12).

20. Orelha, polegar da mão e polegar do pé são simbolicamente lavados e dedicados a YHWH. O sacerdote ouvirá e obedecerá: tanto as mãos quanto os pés trabalharão para Deus. Perder os polegares das mãos e dos pés era símbolo de incapacidade e inutilidade (Jz 1:6): assim sendo, dedicá-los a Deus equivalia a dedicar toda a força e capacidade do indivíduo. Quanto à “marcação da orelha” ver 21:6. Esta parece ser a marca da obediência voluntária de um escravo perpétuo.

29:29-46. Outros Regulamentos Sobre Assuntos Sacerdotais. Estes dizem respeito à transmissão das vestes sacerdotais de pai para filho (v. 29); à refeição sagrada (virtualmente uma oferta pacífica) que selava a indicação dos sacerdotes (v. 33), pois somente como sacerdotes pode­riam comer “carne santa”, à expiação que deve ser feita até mesmo por um objeto inanimado como o altar, por meio de uma oferta pelo peca­do (v. 36); e finalmente aos regulamentos quanto à oferta diária feita sobre o altar pelos sacerdotes recém-consagrados (vv. 38ss.).

33. Das coisas com que for feita a expiação. O verbo hebraico é kuppar, procedente da mesma raiz usada para o verbo “cobrir” e para o “propiciatório”, ou seja, a tampa da arca. Poder-se-ia traduzir impessoalmente “com as quais o pecado é coberto”, pois não há necessariamente a idéia de propiciação, mas simplesmente de tratar do pecado, ou fazer expiação. É melhor não usar o termo “propiciação” a não ser que tanto o sujeito quanto o objeto sejam mencionados, e ambos sejam pessoais.

36. E purificarás o altar, fazendo expiação por ele. Talvez este já fosse considerado um objeto “profanado”, já que era produto de mãos humanas, ao contrário do altar de pedras não lavradas ou de terra, or­denado em 20:24,25.

38. Continuamente. Este é o tãmid ou “sacrifício diário perpé­tuo”, o centro do futuro culto celebrado no Templo em Jerusalém (Atos 3:1). A mesma palavra é usada no sentido de “um costume nor­mal” em 27:20. Em dias futuros, este sacrifício diário viria a ser enten­dido como o coração da lei, e sua interrupção involuntária por algum tempo durante emergências era vista com grande horror (Dn 8:11). Os pastores de Belém em Lucas 2:8 estavam provavelmente preocupados com á criação dos setecentos cordeiros necessários anualmente, exclusi­vamente para este sacrifício, sem contar os muitos outros exigidos pela Lei.

40. Flor de farinha... azeite... vinho. Ofertas de cereais e libações de vinho acompanhavam o sacrifício do animal, como uma função sub­sidiária. Talvez a idéia fosse que uma oferta completamente queimada a Deus (holocausto) exigisse todos os elementos de uma refeição doméstica comum (carne, pão e vinho).

46. Saberão que eu sou YH1VH... que os tirou da terra do Egito. Aqui a passagem se encerra com a afirmação eloqüente do propósito di­vino de viver entre Seu povo. Na verdade, a passagem afirma aberta­mente que este fora a principio Seu grande propósito ao redimir Israel do Egito. Esta seção termina com a declaração triunfante e abrangente (tão freqüentemente usada em Levítico como a única justificativa para uma lei ou mandamento), eu sou YHWH seu Deus. Como em 20:2, tal pronunciamento é razão e justificativa suficientes para qualquer rei­vindicação ou exigência feitas por Deus a Seu povo, pois declara a natu­reza de Deus e Sua relação conosco, expressas em Seus atos de amor. Este versículo é, portanto, o resumo e o ápice de tudo que o antecede.

vi. Um Apêndice (30:1-31:18)

Esta divisão trata de muitos assuntos, entre os quais é muito difícil perceber qualquer conexão (ao contrário do capitulo 29 que, pelo me­nos, embora heterogêneo, seguia diretamente o capítulo 28 continuan­do a tratar de assuntos sacerdotais). É melhor considerá-la, portanto, como um apêndice de assuntos mutuamenrc não-relacionados. Alguns destes tópicos, todavia, preenchem lacunas no relato anterior (altar de incenso), ou explicam pontos que antes foram presumidos (o óleo da unção, o incenso e o tanque).

30:1-10.0 Altar de Incenso.

1. Um altar para queimares nele o incenso. Este altar era de um ti­po e tamanho bem conhecidos no mundo antigo. Tinha o formato de uma pequena pilastra truncada, com pequeninos chifres nos quatro cantos. Como os outros objetos no Tabernáculo, era feito de madeira de acácia, revestido de ouro, e possuia argolas laterais através das quais varais podiam ser colocados para seu transporte (v. 4).

6. O altar de incenso ficava no “lugar santo”, dentro do Ta­bernáculo, em frente ao véu que delimitava o Santo dos Santos (Hb 9:4 localiza o altar de incenso atrás do véu, junto à Arca, mas isso é pouco provável). Por outro lado, o altar do sacrifício precisava, por natureza, ficar ao ar livre, no meio do átrio. Por ficar distante da presença ime­diata de Deus, podia ser revestido de bronze (27:2).

7. Arão queimará sobre ele o incenso aromático. Duas vezes por dia o incenso deveria ser oferecido pelo sacerdote sobre este altar em miniatura, quando viesse verificar o pavio e o azeite das lâmpadas. A composição especial do incenso sagrado (proibida a outras) será descri­ta nos versiculos 34-38. É claro que, como demonstrado em Números 16:17, o incenso poderia ser oferecido à parte de qualquer altar, sendo queimado nos incensários; este altar especifico, todavia, só poderia ser usado para o incenso. Em vista de sua posição dentro do Tabernáculo, e não ao ar livre, tal provisão era bastante inteligente.

10 Uma vez no ano Arõo fará expiação sobre os chifres do altar. Cf. 29:36 quanto à expiação pelo altar. Este versiculo é extremamente importante, pois se refere sem maiores explicações ao ritual do Dia da Expiação, mencionado fora daqui apenas em Levítico (23:27), e fre­quentemente considerado, portanto, uma inovação bem mais recente.

30:11-16.0 Recenseamento e Sua Taxa.

12. Quando fizeres recenseamento. Tal recenseamento é registrado em Números 1, e na verdade dá nome àquele livro. A experiência do rei­nado de Davi mostrou quão perigosa era tal atividade (2 Sm 24): em vista desta ordenança, é difícil entender por quê, a menos que a provi­são do versiculo 12 tenha sido deliberadamente ignorada.

Cada um deles dará a YHWH resgate por si próprio. Já era um principio estabelecido em Israel que todo primogênito pertencia a Deus, e devia ser resgatado por meio de um sacrifício (13:13). Também era aceito o fato de Israel ser coletivamente considerado o primogênito de Deus (4:22), e assim pertencia a Deus, embora Ele houvesse aceito a tri­bo de Levi em lugar de todos os primogênitos (Nm 3:12). Esta passa­gem é uma extensão do mesmo princípio de “resgate”. Quando hou­vesse um recenseamento do que virtualmente era o exército de Deus, ca­da homem adulto deveria dar um “resgate” por si mesmo.

13. Metade de um siclo. A natureza simbólica do resgate é evidente à luz da pequena e invariável quantia exigida de cada pessoa, ricos ou pobres. Tipicamente israelita é a aplicação prática deste dinheiro para a manutenção do Tabernáculo (v. 16). Mais tarde, o “meio-siclo” se tor­nou o imposto anual do Templo (Mt 17:24). Ver também Neemias 10:32 com respeito à sua coleta no período pós-exílico. Em dias de difi­culdade econômica, Neemias teve de se contentar com um terço de si­clo.

Este sido é de vinte geras. A ‘ ‘gera’ ’ é uma medida babilónica. Seu uso aqui não significa que esta passagem tenha sido escrita quando o peso do siclo já havia sido esquecido (o siclo ainda estava em uso ao tempo da Segunda Revolta dos judeus). Trata-se, isto sim, de uma ex­plicação do termo “siclo do santuário”, bastante incomum (segundo o Talmude, equivalente ao siclo de Tiro). Esta designação servia para distingui-lo do siclo comum: consultar Driver para obter os pesos exa­tos.

30:17-21. O Tanque.

18. Também farás um tanque de bronze. Na SBB “bacia”. Para sermos coerentes, deveríamos traduzir “cobre”. Era provavelmente bronze (uma liga de cobre e estanho), mas o hebraico não dispunha de um termo especial para este material. A necessidade de lavagens rituais para os sacerdotes antes da consagração e de seu comparecimento pe­rante Deus já foi mencionada em 29:4. Aquela era apenas uma das mui­tas ocasiões aqui mencionadas (v. 20). O tanque (cujas dimensões não são oferecidas) era provavelmente bem pequeno: se considerarmos que apenas Arão e seus filhos o utilizavam, as dimensões de uma grande “bacia” seriam adequadas. Em contraste, Salomão tinha dez tanques de bronze no Templo, além do chamado “mar de bronze”, um reci­piente de enormes proporções (ver 1 Rs 7). Esta é apenas uma das mui­tas áreas em que o projeto do Templo diferia da planta do Tabernácu­lo. Em 38:8 há alguns detalhes intrigantes sobre a fonte de obtenção do metal para o tanque, que também sugerem um tamanho pequeno, além da fundição de um objeto sólido a partir do metal (sem qualquer estru­tura de madeira).

Entre a tenda da congregação e o altar. O tanque deveria ficar, portanto, no grande átrio, para ser utilizado antes que os sacerdotes entrassem no Tabernáculo propriamente dito. Depois de se lavar e purifi­car, o sacerdote podia entrar e adorar mediante a oferenda do incenso. Além disso, os sacerdotes certamente precisavam se lavar depois dos sacrifícios e dos rituais de sangue, de modo que o tanque também tinha valor prático. É um pouco estranho que o tanque não tenha sido men­cionado juntamente com o altar de bronze e o átrio no capítulo 27. Tal­vez esta passagem tenha sido deslocada de uma posição anterior no li­vro. O mesmo pode ser dito a respeito da descrição do altar de incenso, que não ocupa a posição mais lógica no texto atual do livro de Êxodo.

30:22-33. O Óleo da Unção

23. Toma das mais excelentes especiarias. Este óleo era uma mistu­ra especial, proibida para outros usos sob pena de morte (vv. 32,33). As especiarias usadas são raras, caras e aromáticas, provenientes em sua maioria de terras distantes como a índia, via rota comercial terrestre, pois a Arábia não era apenas um grande produtor de especiarias mas também um grande mercado de especiarias. Consultar comentários mais detalhados quanto à interpretação das palavras (bastante incerta). Canela e bálsamo de diversas espécies eram os ingredientes mais impor­tantes, produzindo um óleo de aroma adocicado. Em vista do uso freqüente de óleos aromáticos como produtos de toucador (Et 2:12), em banquetes (SI 23:5), e para fins medicinais (Lc 10:34), a proibição con­tra o uso “leigo” ou profano era bem necessária.

26. Com ele ungirás a tenda da congregação. Esta passagem indica que não somente Arão e seus filhos foram ungidos quando de sua consagração ao sacerdócio, mas também o Tabernáculo e toda a sua mobília (vv. 26-28).

29. Tudo o que tocar nelas será santo. O efeito era o de comunicar “santidade” ao que nelas tocasse, separando-o para o serviço de Deus. Como em 19:12, esta “santidade” era transmitida por toque, no senti­do de que quem quer que as tocasse (a não ser os sacerdotes) estaria condenado à morte. Ver em 2 Samuel 6:7 a história de Uzá, como ilus­tração deste princípio em ação.

30:34-38. Incenso Para o Altar. 

Esta passagem se encaixa bem com a proximidade da descrição do altar de incenso: também se ajusta natu­ralmente ao contexto de uma descrição semelhante no que tange à pro­dução do óleo da unção. Davies ressalta que, ao passo que o óleo era “santo” (v. 31), o incenso é chamado “santíssimo” (v. 36), por estar mais próximo da presença de Deus, simbolizada pela arca. Esta dis­tinção lingüística não é acidental: pode ser encontrada em outros luga­res ha descrição dos artigos utilizados no Tabernáculo.

34. Toma substâncias odoríferas: estoraque, onicha e gálbano. Trata-se de especiarias ricas e raras, mas não muito fáceis de identifi­car. Ingredientes semelhantes ainda são usados hoje no Egito para a fa­bricação de cosméticos femininos. Esta incerteza anula até certo ponto os resultados da experiência de Knobel ao tentar reproduzir a receita e descobrir que a substância era “forte, refrescante e muito agradável” (ver Driver). Para um judeu, tal experiência teria significado a morte.

35. Temperado com sal. Esta adição de sal à mistura tinha como propósito provável garantir a queima rápida, pela adição de cloreto de sódio. Também talvez fosse feita pelo valor preservativo do sal, já que o versículo 36 deixa claro que uma grande quantidade de incenso era preparada de cada vez: subseqüentemente era dividida e usada aos pou­cos, conforme necessário. O sal pode ter tido, é claro, um valor simbólico. Talvez este fosse derivado de alguma de suas propriedades físicas, ou de sua posição como ingrediente essencial a todas as re­feições, já que fazia parte de todos os sacrifícios e podia, por si mesmo, selar uma aliança (Lv 2:13 — este último aspecto também é verificado fora de Israel). Ver Números 18:19 e 2 Crônicas 13:5 com relação a “uma aliança de sal”, ou seja “uma aliança firme”. Como aplicação no Novo Testamento, ver Mateus 5:13 e Colossenses 4:6.

36. E o porás diante do Testemunho. O sentido da frase é “quei­marás uma parte sobre o altar de incenso, diante da arca”. O propósito da queima do incenso não é discutido aqui. Talvez, como o sacrifício, ele fosse parte tão integral da religião naqueles dias que era praticamen­te ignorado. Nos primórdios da literatura hebraica, “aroma agradável” era a expressão empregada para descrever a espessa fumaça branca produzida quando se queimava a gordura do sacrifício. O cheiro pungente então produzido era considerado agradável a Deus (Gn 8:21). Talvez, a princípio, o incenso tenha sido um substituto para o sacrifício animal, ou um sacrifício simbólico, já que também produzia um aroma adocicado e nuvens de fumaça. O incenso também teria um valor prático no clima quente da região, com a contínua oferenda de sa­crifícios animais e, sem dúvida, vários cheiros desagradáveis como com­petidores (sangue, esterco, couro queimado, carne e gordura queima­das). Sejam quais forem as origens do uso do incenso, ele clararnente sempre acompanhou e simbolizou a adoração, como aqui. Acompa­nhava também a intercessão (Nm 16:46) e neste sentido podia fazer ex­piação, como um sacrifício animal. Na linguagem figurativa de Apocalipse 8: 3,4, o “incenso” pode ter mais uma vez este sentido expiatório: trata-se certamente daquilo que é oferecido por Deus, somado às orações da Igreja, e torna tais orações agradáveis a Deus. Já foi sugeri­do que a nuvem de incenso,.subindo diretamente no ar parado do deser­to, pode ter sido um símbolo das orações que subiam até à presença de Deus. Quanto ao emprego do incenso em seu sentido literal não há o menor traço na Igreja neotestamentária: seu uso, para um judeu, seria inadmissível, exceto no Templo, e toda conexão com o Templo foi cedo e difinitivamente removida.

31:1-11. Os Artífices de Deus. 

O fato de os nomes destes dois artífices terem sido preservados é um exemplo extraordinário de sobre­vivência de uma tradição. Como os nomes das duas parteiras hebréias em 1:15, os nomes “Bezalel” e “Aoliabe”, preservados aqui, são arcai­cos, já que nenhum dos dois contém o novo título YHWH em sua for­mação. Não há razão concebível para sua inclusão, já que nenhum dos dois reaparece (exceto na passagem paralela no cap. 35): não há, por­tanto, qualquer motivo para se duvidar da sua genuinidade. Mesmo co­mentaristas como Davies, que não consideram a passagem de autoria mosaica, se vêem compelidos a situar cronologicamente estes dois artífices na época da reconstrução do Tabernáculo por Davi (1 Cr 15:1), e assim, anterior ao Templo de Salomão, já que o artífice de Sa­lomão tinha outro nome (1 Rs 7:13), igualmente preservado pela tra­dição.

2. Eis que chamei pelo nome significa escolha especial para um propósito específico, embora o escolhido possa ignorar até mesmo o fa­to da escolha divina (Is 45:4). Bezalel talvez signifique “na sombra de El” (SI 91:1), usando o antigo nome genérico para Deus, utilizado (com outros títulos) em Israel antes da revelação mosaica. Ele era da tribo de Judá e Driver demonstra que tanto seu nome quanto o de seus ances­trais (Hur, Uri, Bezalel) ocorrem em 1 Crônicas 2:20 como nomes “calebitas” na tribo de Judá (sem se referirem necessariamente às mesmas pessoas). Aoliabe (versículo 6) parece ter sido o assistente de Bezalel: ek não ocupa, pelo menos, papel preponderante no relato. Seu nome também é arcaico e de origem semitico-ocidental. Driver cita paralelos em diversas outras línguas. O significado do nome deve ser “Minha tenda (isto é, abrigo) é (Deus) o Pai” (ver SI 27:5 quanto à idéia de Deus esconder homens em Sua tenda). Hyatt vê que o nome ainda é mais apropriado porque Aoliabe foi o artífice da “tenda de Deus”. Em ou­tras passagens do Velho Testamento, uma forma similar ocorre em Gê­nesis 36:2, no nome de uma mulher hivita, “Oolibama” (A SBB deve­ria ter usado a forma Ooliabe em Êxodo, mais fiel ao original hebraico, N.T.); Ezequiel, por sua vez, chama Judá e Israel simbolicamente de “Oolibá” e “Oolá” (Ez 23:4).

3. E o enchi do Espírito de Deus. Nos dias primitivos do Velho Testamento, toda forma de habilidade, força e excelência é creditada abertamente ao “Espírito de Deus”. Isso se deve ao fato de Deus ser corretamente considerado a fonte de toda a sabedoria. À medida que o Velho Testamento se desenrola, com maior revelação quanto à nature­za santa do Espírito, mais e mais se lhe atribuem qualidades morais e espirituais, sem contudo negar a verdade teológica acima enunciada. Hyatt define bem o Espírito no Velho Testamento como “o poder de Deus em atividade”.

31:12-18. O Sinal do Sábado. 

Aqui, numa seção que lembra muito o livro de Levítico, a importância e o lugar do dia de descanso (o sétimo dia, nosso sábado) são enfatizados.

13. Certamente guardareis os meus sábados, pois é sinal. Quanto ao dia de descanso, consultar 16:23; 20:8; 23:12. Aqui, contudo, o des­canso semanal é revestido de significado especial por ser um sinal (co­mo os pães asmos, 13:9) entre Deus e Israel, uma lembrança de seu rela­cionamento especial com Deus. Para Israel, a circuncisão era o grande “sinal da aliança” feita com seu ancestral Abraão (Gn 17:11). Tal co­mo a circuncisão, o sábado parece ter sido observado até certo ponto em outras nações semitas (pelo menos como um “dia azarado” para negócios e por isso evitado): apenas em Israel, entretanto, segundo se sabe, ele possui este significado religioso especial. Talvez a ordem com respeito ao sábado apareça aqui para lembrar que, mesmo na cons­trução do Tabernáculo, o sábado deveria ser observado (segundo Hyatt).

14. Aquele que o profanar morrerá. O versículo vem sob a forma de lei categórica. Números 15:32-36 mostra realmente esta pena de morte sendo imposta a um israelita durante a peregrinação pelo deser­to. João 5:16-18 mostra Cristo enfrentando a mesma acusação digna de morte. Sabemos pouco da observância do sábado em dias pré-exilicos (ver porém 2 Rs 11:5 e Is 1:13). Mais tarde os judeus iriam considerar o exílio como um castigo parcialmente causado pela não-observância do sábado na época pré-exílica (Ne 13:17,18), sendo que Neemias se empe­nhou a fundo para que fosse observado quando do retorno a Judá (Ne 13:19-22). Sem sombra de dúvida, tal como as leis dietéticas e a circun­cisão, o sábado recebeu importância nova como marca característica dos judeus quando Israel ficou rodeado de nações gentílicas que não o observavam. No período dos Macabeus o sábado se tornou um teste de ortodoxia e causa de martírio (1 Mac 2:2-38); no Novo Testamento era um fardo intolerável (Mc 2:23-27). Cristo insistiu que atos de amor e misericórdia, ou produto de necessidade também eram permitidos no sábado, mesmo sob a lei mosaica. Ele também afirmou (contra a teolo­gia ortodoxa da época) que o sábado fora feito por causa do homem, e não o homem para observar o sábado (Mc 2:27), reivindicando ao mes­mo tempo que o Filho do Homem era o senhor do sábado.

17. Ao sétimo, dia descansou. A razão aqui apresentada para o sábado é a mesma que em 20:11, o “descanso” de Deus. Esta é a chave para a compreensão cristã do princípio envolvido. Pela fé o crente dei­xou de lado as suas “obras” (no sentido de tentar conquistar sua própria salvação) e entrou naquele descanso espiritual e paz de coração que dominam aqueles que já se sabem aceitos e justificados por Deus (Hb 4:10). O “dia do Senhor” do cristão (Âp 1:10) não é diretamente relacionado ao sábado. É o primeiro dia da semana (1 Co 16:2), o dia de luz e criação, o dia da vinda do Espírito e também o memorial sema­nal da ressurreição de Cristo, quando Seu povo se reúne especialmente para adorar (Atos 20:7). Todo o seu tempo agora pertence a Deus, não apenas um dia em cada sete.

18. As duas tábuas do testemunho. Traduzir “as duas tábuas que dão testemunho”. Este verso arremata toda a seção. As duas tábuas, entretanto, não devem ser vistas como um registro de todo este sistema de leis e instruções rituais, nem mesmo como o registro do livro da aliança que as precedeu. Deveríamos pensar, no máximo, sobre os dez mandamentos, talvez em forma abreviada, como sugerido anterior­mente.

Escritas pelo dedo de Deus. Ver 8:19, onde a mesma metáfora é usada em relação às pragas do Egito; ver também Lucas 11:20, onde ela é usada em relação ao ministério de Cristo. Trata-se de uma afirmação enfática de origem e causa divinas, mas não precisa ser forçada a um sentido estritamente literalista.






[1] Críticos como Wellhausen sempre consideraram esta seção completamente fictícia, uma projeção de fatos ligados ao Templo de Salomão à jornada pelo deserto. Por outro lado, Cross argumenta fortemente em favor da natureza arcaica da maior parte dò mate­rial: ver Hyatt e Henton Davies quanto a uma tentativa de reconciliação destes dois pon­tos de vista. 


[2] O termo hebraico ‘êdüt talvez possa ser relacionado ao acadiano õdü, que é usado freqüentemente em tratados de suserania. Em vista do relacionamento entre lei e aliança em Israel, o paralelo pode ser significativo.