21 de setembro de 2016

VICTOR P. HAMILTON - JACÓ - Gênesis 25.11 – 36.42

victor hamilton danilo moraes
JACÓ - Gênesis 25.11 – 36.42 

Isaque e Rebeca viveram juntos por vinte anos sem ter nenhum filho. Após se casar aos 40 anos (25.20). Isaque esperuo até os sessenta para ser pai. Tal qual sua sogra, Rebeca teve que enfrentar um longo período de esterilidade mas jamais ofereceu uma substituta para Isaque. 

A oração de Abraão fez cessar a infertilidade em outras mulheres (20.17) porém não em sua própria esposa. Já na terceira geração, Jacó reagiu com agressividade e sarcasmo à infertilidade de Raquel (30.2). Ao contrário da intercessão de seu pai, Abraão, e de seu filho, Jacó, a petição de Isaque resultou na gravidez de Rebeca (25.21). 

A oração foi, sem dúvida, respondida. Pelo menos, Isaque e Rebeca obtiveram mais do que pediram — gêmeos! No caso de Abraão e Sara, a tensão familiar foi provocada pela ausência de filhos. No caso de Isaque e Rebeca, a tensão ocorre em função de haver mais de um filho. Ao nascerem Jacó e Esaú, o vovô Abraão já contava com 160 anos de idade e ainda tinha quinze anos pela frente. As Escrituras, contudo, não relatam em parte alguma um relacionamento ou um encontro entre o patriarca e seus netos. 

Todas as três mulheres mais importantes de Gênesis — Sara, Rebeca e Raquel — passaram por problemas para ter filhos. To­das tiveram em comum um longo período de infertilidade. Essa questão em especial se relaciona principalmente à promessa divi­na de muitos descendentes. Pois como pode se cumprir a promes­sa divina com a recorrência de tantos casos de esterilidade femi­nina? Acrescente aos problemas criados pela questão da infertili­dade as outras situações exasperantes descritas em Gênesis, e temos realmente um panorama difícil de entender quanto à con­cretização das promessas de Deus. 

Nessa parte das Escrituras, nenhum dos principais persona­gens passa pela vida num “mar de rosas”. E claro que, por vezes, os problemas ocorrem em conseqüência de alguma atitude estú­pida do patriarca. Outras vezes, contudo, o problema surge de uma situação totalmente fora do seu controle. Isso incluiria a es­terilidade das esposas e os muitos períodos de fome que forçaram Abraão e Isaque a correr de um lado para o outro em busca de comida. 

Esses eventos simplesmente aconteceram. Não foram castigos enviados por Deus, mas cada um representa uma “ameaça” ao plano divino para a redenção da humanidade. Um Abraão morto e sem filhos ou uma Sara estéril seriam uma sentença de morte sobre aquele plano divino. Sem dúvida, tais circunstâncias inquietantes servem de pano de fundo para que Deus demonstre seu poder em superar obstáculos e dificuldades. Sempre que as crises ultrapassam todos os limites, Ele capacita o indivíduo para ven­cer as dificuldades. 

Em um estimulante estudo da história de Jacó, Michael Fishbane1 examina os capítulos 25 a 36 de Gênesis, procurando perceber a simetria do conjunto. Ele conclui que há uma notável coerência interna na estrutura narrativa, a ponto de a história ser encerrada entre genealogias de dois indivíduos que não fazem parte da linhagem escolhida (os descendentes de Ismael [25.12­18] e de Esaú [36.1-43]). Com certeza, uma tal estrutura, que cer­ca a história de Jacó com duas genealogias de pessoas não-elei­tas, ressalta o chamado daqueles que Deus escolheu para leva­rem sua luz. Podemos ver a mesma estruturação da história de Jacó no trabalho de S. D. Walters2. 

Isso nos sugere que um exame mais proveitoso da história de Jacó, no que diz respeito a uma análise teológica, não significa decompor o todo em tendências isoladas (caso tenham realmente existido) e averiguar possíveis inclinações para J, E ou P, com suas inserções editoriais e estruturas cronológicas e genealógicas. Pode-se ficar zonzo ao seguir as oscilações dessas fontes no texto. 

Como exemplo, ao relacionarmos as diferentes fontes de Gênesis 25—28, encontra-se o seguinte mosaico (segundo um consenso entre os estudiosos): 





25.19,2 0 


27.1-45 


28.17,18 



25.21-26a 


27.46 


28.19 



25.26b 


28.1-9 


28.20,21a 



25.27-34 


28.10 


28.21b 



26.1-33 


28.11,12 


28.22 



26.34,35 


28.13-16 















Quer o relato tenha sido inicialmente composto e, então, edita­do, quer tenha sido mesmo criado já como um texto homogêneo, precisamos lidar com o todo que temos em mãos. 

Temos um panorama do ciclo de Jacó na Tabela 3. 



Tabela 3 



Referência 

Descrição 


25.19—28.9 

Necessidade de transformação 


28.10—32.21 

Preparação para a transformação 


32.22-32 

Transformação 


33.1—36.40 

Conseqüências da transformação 












Necessidade de Transformação 

Gênesis 25.19-26. Assim como o Jacó maduro, que não deixou o varão partir até ser abençoado (32.26), o Jacó bebê, após uma luta dentro do útero, veio à vida agarrando o calcanhar de seu irmão. O termo em hebraico para “calcanhar” é iãqèb e o nome “Jacó”, ya‘ãqõb, é um trocadilho com essa palavra. A frase “segu­rava com a mão o calcanhar de Esaú não traz explicação alguma, mas as implicações são claras. Obviamente não se trata de um gesto de amizade, de uma recepção calorosa para seu irmão gê­meo. Mesmo na infância, Jacó foi alguém egocêntrico e voltado para seus próprios interesses. O nome que ele recebe é uma prolepse (como em “lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo” [Mt 1.21]), indicando de antemão um estilo de vida pouco recomendável. 

Gênesis 25.27-34. Aproveitando a fome de seu irmão, Jacó lhe pede o direito de primogenitura em troca de um pouco de comida — um pouco de sopa ou caldo acabou virando um instrumento de barganha. Esaú era um caçador habilidoso, mas Jacó era um opor­tunista habilidoso. Tal qual os israelitas, que de bom grado abri­riam mão de sua condição espiritual em troca de três refeições por dia no Egito, Esaú não vê problema em trocar sua primogenitura espiritual pela satisfação de suas necessidades gastronômicas, algo que o escritor de Hebreus não deixou passar: “E ninguém seja [...] profano, como Esaú, que, por um manjar, vendeu o seu direito de primogenitura” (Hb 12.16). Jacó, por sua vez, mostrou-se mais do que disposto a colaborar, e um juramento fechou o negócio (Gn 25.33). 

Gênesis 27.1-45. Aproveitar-se do próprio irmão já é bastante ruim, mas deliberadamente enganar o próprio pai, já senil e fisi­camente incapaz, é descer ainda mais. 

Rebeca não se comportou melhor que Sara ou Eva. E ela que faz um plano para Jacó tomar o lugar de Esaú, e Jacó prontamen­te concorda em cooperar. Ele, que de início atuou com ousadia, agora se dispunha a ser um seguidor. Isaque, que enganou no capítulo 26, seria agora enganado. Não fica claro o porquê de Rebeca simplesmente não contar a Isaque sobre o oráculo que recebera sobre os filhos em 25.23, em vez de tanto se esforçar para levar seu ardil a cabo, mormente quando 25.23 é o primeiro caso da Bíblia em que Deus respondeu a uma mulher que o bus­cou por esclarecimento: “E foi-se a perguntar ao Senhor” (25.22c). Medo? Sentia-se ela insegura quanto a se iriam ou não acreditar nela? Receio de que Isaque não acreditasse? Teria ela crido que aquela era a única forma de garantir o cumprimento da profecia contra possíveis objeções por parte de Isaque? Porque seu favori­to era Jacó? Não podemos nem ao menos ter certeza de sua motivação: se agiu em interesse próprio ou se acreditava que, agindo e levando Jacó a agir, estava cumprindo os desígnios de Deus. Ain­da que sua motivação fosse menos nobre que promover os planos divinos, Rebeca não é a única, em Gênesis ou no restante das Escrituras, cujo comportamento não tão positivo acaba por reali­zar exatamente isso. Veja, por exemplo, os irmãos de José, que o venderam a uma caravana de mercadores de escravos. Além dis­so, é interessante que, ao dirigir-se a Jacó, sabendo tratar-se de Jacó (28.1-5), Isaque não tenha censurado nem a esposa nem o filho; em vez disso, ele se limita a falar do futuro que Deus tem para Jacó. Por outro lado, a ação de Rebeca para assegurar o fu­turo do filho é semelhante à ação de Sara para assegurar o futuro de Isaque. Depois de Gênesis 21, Sara jamais volta a encontrar Isaque. Depois de Gênesis 27, Rebeca jamais volta a ver Jacó. Aliás, após os respectivos capítulos, nenhuma das mães volta a ter alguma ação registrada. 

Além disso, alegando preocupar-se com a pureza de sua linha­gem, Rebeca lembra seu marido das impropriedades de Esaú (27.46). Querendo evitar isso a todo custo, Isaque abençoa Jacó e manda-o embora para encontrar uma esposa em Padã-Arã (28.1-9). 

A tabela de fontes já apresentada mostra que os críticos atri­buem 27.1-45 a J e 27.46-28.9 a P. Por quê? Os dois episódios são incompatíveis. Em J, Jacó engana seu pai, Esaú descobre a intri­ga e Jacó foge de casa, com Esaú querendo matá-lo. Em P, Isaque abençoa Jacó, nenhum ardil é mencionado, e Jacó parte com o propósito de encontrar uma esposa. Já minha análise do texto demonstra que isso não passa de má interpretação. Longe de con­tradizer o que é anteriormente afirmado, 27.46—28.9 narra uma segunda trama armada por Rebeca: dessa vez o objetivo é afastar Jacó de Esaú. Se a trapaça funcionou uma vez, por que não tentar novamente? 

Preparação para a Transformação (28.10—32.21) 

Gênesis 28.10-22. Não é correto afirmar que tais episódios na vida de Jacó querem dizer que a trapaça é digna de recompensa. De um ponto de vista ético, a falha no comportamento de Jacó é inquestionável — um exemplo clássico de alguém que se apropria da vontade de Deus. Estaria Jacó predestinado a prevalecer so­bre seu irmão (25.23)? Sim. Isso lhe dava o direito de ser manipulador, aproveitador e enganador? Mil vezes não. Os fins não justificam os meios. 

Os capítulos acerca de Abraão se iniciam com Deus falando ao patriarca: “Ora, o Senhor disse a Abrão” (12.1). Em contraparti­da, a vida de Jacó passa por muitos acontecimentos antes de Deus se revelar de maneira direta. Ao longo de todo o incidente envol­vendo Isaque, Esaú e Rebeca, Deus não fala palavra. Deus tam­bém não se manifesta durante a primeira parte da fuga de Jacó. 

Isso muda em Betel. Pela primeira vez, em um sonho, Deus fica frente a frente com Jacó (meio de revelação que é utilizado pela primeira vez com alguém da linhagem de Abraão [possivel­mente com exceção de 15.12-16, quando Abraão está adormecido, mas a revelação não é chamada de sonho], apesar de ter sido an­teriormente utilizado para chamar a atenção do rei filisteu Abimeleque [20.3]). Também precisamos observar que essa é a primeira vez que vemos Jacó sozinho. Anterior mente, ele estava sempre acompanhado de alguém: no útero, com Esaú (25.22); após a última caçada, com Esaú (25.29); com Rebeca, sua mãe (17.6­17); disfarçado de Esaú, com seu pai (27.18-29); com seu pai, como Jacó (28.1-5). Foi naquele momento de solidão que Deus entrou em sua vida. A reação de Jacó ao acordar é incomum, mas não inesperada: “E temeu” (28.17), temeu a Deus. Ele também temeu Labão (31.31) e Esaú (32.7,11). 

Podemos considerá-la incomum ao compará-la com as demonstradas por seu pai, avô e até mesmo Ló. Eles, quando diante dos anjos de Deus, saudaram-nos. Em algumas ocasiões, ofereceram ate' comida e hospedagem! Anteriormente a Jacó, temos o medo de Adão: “Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi” (3.10). Trata-se do medo gerado por uma consciência culpada. 

A presença divina é suficiente para fazer diferença. Deus não repreende Jacó em momento algum. Ele não ouve sermões, não é fulminado por Deus nem ouve algum Natã dizendo: “Tu és o ho­mem”. Jacó, pelo contrário, depara-se com: 

1. O presente da amizade divina: ele estava solitário. 

2. A graça do perdão divino: a culpa em sua vida era mais pesa­da que a pedra sobre a qual recostava a cabeça. 

3. O objetivo de um propósito divino: nos versículos 13-15, ele recebe as mesmas promessas da aliança feitas a Abraão, passando a ser um elo na corrente de Deus. 

Não se deve ignorar o contexto e as circunstâncias dessas promessas. Humphreys3 aborda esse aspecto muito bem: “Devemos lembrar que Deus promete tudo isso a um homem que fugia da Terra Prometida por ter tapeado seu irmão e enganado o próprio pai. Um “segurador de calcanhar” que fugia da ira de um irmão disposto a matá-lo”. 

Algumas vezes, os comentaristas interpretam erroneamente o voto de Jacó (28.20-22) como se fosse uma tentativa de barganhar com Deus, a exemplo do que fizera antes com Esaú (“Se fizeres algo por mim, eis o que farei por ti”). Esse, sem dúvida e por di­versos motivos, não é o caso. Trata-se de uma má compreensão do papel dos votos na Bíblia, cujo propósito certamente não é deter­minar os termos sob os quais se serve a Deus, ou seja, um tipo de discipulado remunerado. Além disso, boa parte das expressões do voto de Jacó são repetições do que Deus já lhe havia prometido. As palavras de Deus, por exemplo, em “eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores”, ressurgem na boca de Jacó como: “Se Deus for comigo, e me guardar”. Deus não fecha acor­dos, mas pode ser cobrado quanto à veracidade de suas palavras. 

Gênesis 29—31. Nessa preparação para a transformação, Deus primeiramente se revela a Jacó. Então ergue um espelho para que ele possa se mirar. Isso é feito ao deixá-lo viver os vinte anos seguintes com uma pessoa cujo caráter é muito parecido com o seu: Labão. 

A princípio, Labão é um bondoso anfitrião (29.13). Suas pala­vras se assemelham às de Adão quando viu Eva pela primeira vez: “Verdadeiramente és tu o meu osso e a minha carne” (29.14). E um patrão generoso (29.15) e deseja que seu sobrinho / empre­gado se torne seu genro (29.19). Porém Jacó, o enganador, acaba tornando-se vítima de um logro nas mãos de Labão. A ironia é clara: ele vê a si mesmo em Labão. O ingênuo Jacó descobre, para seu desapontamento, que havia dormido com Léia, e não com Raquel. Será que o ardil foi possibilitado pelo fato de ser noite, ou por Léia estar usando espessos véus, ou por Jacó estar tão bêbado que nem percebeu com quem dividia sua cama? 

Se a providência de Deus agiu na teofania em Betel, mais uma vez, em meio ao caos, “Deus age de modo misterioso, para suas maravilhas realizar”4. O terceiro e quarto filhos de Léia foram Levi e Judá (29.34-35). De Levi veio a linhagem dos sacerdotes. De Judá veio a linhagem dos reis e, no devido tempo, Jesus. Duas das mais importantes instituições veterotestamentárias tiveram sua origem em um casamento indesejado, provocado por um ato de má-fé! Como comenta Gerhard von Rad5, “a obra de Deus mer­gulhou nas profundezas da mundanidade e escondeu-se para não ser reconhecida”. 

Jacó ainda tinha muito o que amadurecer. Isso é observado quando comparamos as múltiplas e belas referências a Deus, por parte das esposas e do narrador, com uma única referência de Jacó ao Senhor nos capítulos 29 e 30. Léia (29.32,33,35; 30.18,20), Raquel (30.6,23,24) e o narrador (29.31; 30.17,22) falam a respei­to de Deus de forma comovente. Ele é um Deus que vê (29.32), ouve (29.33), é digno de louvor (29.35), recompensa (30.18), faz justiça (30.6), presenteia (30.20), lembra (30.22) e remove toda a vergonha (30.23). Que diferença entre isso e uma única menção a Deus por parte de Jacó, apesar de quatro mulheres terem lhe dado 12 filhos! Tal menção, nas palavras de Fretheim6, “foi negativa e em forma de uma pergunta encolerizada”: “Então, Jacó se irou contra Raquel e disse: Acaso, estou eu em lugar de Deus que ao teu ventre impediu frutificar?” (30.22). 

O fato de Jacó ainda ser o enganador, o trapaceiro, é demonstra­do pela narrativa de 30.25-43. Em uma tentativa de ludibriar Labão. ele planeja uma forma de voltar para Canaã, levando consigo uma parte significativa do rebanho do sogro. Os animais de Jacó seriam os animais malhados que nascessem dos animais de uma só cor que pertenciam a Labão — algo realmente raro (ou pelo menos era no que Labão acreditava!). Quer Jacó acreditasse que as varas no bebedouro faziam alguma diferença (30.37-39), quer fossem ape­nas um engodo7, a essência do plano era um logro. 

Jacó, como não podia deixar de ser, disse a suas esposas: “As­sim, Deus tirou o gado de vosso pai e mo deu a mim” (31.9), o que foi apoiado por ambas as esposas (31.16). A fim de dar maior credibilidade a suas ações, ele cita Deus (31.12). 

Seriam, no entanto, apenas suposições por parte de Jacó? Deus o abençoou com um rebanho por cansa de Jacó ou apesar de Jacó? Compare isso com a riqueza que Abraão obteve ilegalmente de Faraó (12.16). Sem dúvida, Deus não aprova todos os esquemas ardilosos de seus filhos. 

O relato de 31.22-55 mostra pelo menos que Jacó e Raquel se merecem! Labão engana Jacó. Jacó ludibria Labão. Raquel ludi­bria Labão ao furtar seus ídolos domésticos (31.30,34,35), provo­cando um confronto entre Jacó e Labão. 

Será possível percebermos algo nas entrelinhas? Labão e Jacó se reconciliam e Labão volta para casa. O que é então feito dos ídolos sobre os quais Raquel, que estava em período fértil, sen­tou-se? E de se supor que tenha contado tudo ao marido após a partida de Labão. Será possível vermos Jacó tolerando tranqüilamente a presença de falsos deuses no meio de seu pessoal? 

Gênesis 32.1-21. O tempo nem sempre soluciona relacionamen­tos arruinados; com freqüência intensifica ainda mais as diferen­ças. Mágoas demoram bastante para passar. Embora já se tives­sem passado vinte anos, Esaú continuava ressentido com as ati­tudes do irmão; ou, pelo menos, era assim que pensava Jacó. Para pôr um fim a essa situação, o carnal Jacó traça um outro estrata­gema, sem estar inteiramente convencido de que sua segurança vem de Deus e não de si mesmo. 

Primeiro ele envia uma missão avançada (vv. 3-5), então pla­neja uma forma de evitar uma destruição completa nas mãos de Esaú (vv. 6-8). Em seguida, ora em desespero, mas sem expressar qualquer arrependimento, a menos que leiamos isso no versículo 10 (w. 9-12). Para finalizar, tenta comprar o perdão de Esaú (vv. 13-21). Afinal, Jacó precisa encontrar Esaú ou Deus? A próxima seção responderá a essa questão. 



Transformação (32.22-32) 

Vinte anos antes, Jacó, também sozinho, fora confrontado por Deus em Betel. Naquela ocasião, ele estava fugindo da Terra Pro­metida; agora, após um intervalo, ele estava voltando àquela ter­ra. Em meio às trevas da noite, homem e Deus haviam se encon­trado. Isso agora voltaria a acontecer. Jacó não é o que busca, mas o que é encontrado. 

Deus, na forma de um “homem”, entra numa luta corpo-a-cor­po com Jacó que dura a noite toda, quase até o amanhecer (v. 24b). Não é difícil recordar a conversa noturna entre Jesus e Nicodemos, na qual Jesus, em uma luta verbal com aquele ho­mem, destruiu sistematicamente as suas defesas e chegou ao cerne do problema: o coração de Nicodemos. 

O episódio ressalta pelo menos três características de Jacó que, a partir daquele momento, formaram um divisor de águas em sua vida: 

1 - A consciência de sua fraqueza: “e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele” (v. 25b). Após sair vitorioso em suas lutas contra Esaú, Isaque e Labão, ele agora era a vítima. Ele não lutava, mas agarrava-se para não perder. Independentemente de sua dor ser temporária ou perma­nente, Jacó sai daquele lugar com um lembrete de quem manda em sua vida. No caso de serem temporários, podemos comparar os efeitos de seu ferimento à circuncisão adulta que foi experimentada pela segunda geração de israelitas, antes de entrarem na Terra Prometida e em Jerico (Js 5). Tal incisão era certamente dolorida e necessitava de tempo para recuperação e cura (Js 5.8). 

2. Uma intensa fome de Deus: “Não te deixarei ir, se me não abençoares” (v. 26b). A bênção de Isaque teria sido insignifi­cante se não fosse acompanhada da bênção de Deus. A bên­ção de Isaque fora conseguida de forma fraudulenta, mas a de Deus só poderia ser obtida por meio de uma súplica inten­sa e sincera. Em favor de Jacó, contudo, é preciso admitir que, embora ferido, ele não largou o varão (v. 26). 



3. Ele confessa ser indigno: “Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó” (v. 27). Seu problema é sua natureza (como Jesus em “Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião é o meu nome” [Mc 5.9]). O nome “Jacó” diz respeito tanto ao que ele é como a quem ele é. 

Após tal reação de Jacó, quais foram os resultados? 

1. Um novo nome e um novo caráter: “Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste [em hebraico, sãrã] com Deus [em hebraico, ’e/e com os homens e prevaleceste” (v. 28). (Poder-se-ia comparar o objeto da luta de Jacó com a declaração “E crescia Jesus em [...] graça para com Deus e os homens” [Lc 2.52].) O hebraico bíblico não raro utiliza expressões como “não se dirá mais” ou “não se chamará mais” para indicar algum tipo de metamorfose es­piritual. Verifique Gênesis 17.5 e, em especial, certas passa­gens de Jeremias, em que tais expressões destacam mudan­ças graças a alguma ação divina (Jr 3.16-1; 16.14,15; 19.6: 23.7,8; 31.29,30). 

2. Uma nova força: “prevaleceste” (v. 28b). 

3. Uma nova bênção: “E abençoou-o ali” (v. 29b). 

4. Um novo testemunho: “Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva” (v. 30). Jacó confirma a veracidade de Êxodo 33.20, na qual Deus diz: “homem nenhum verá a mi­nha face e viverá”. A aurora que se aproximava não era um perigo para Deus, mas para Jacó. Por esse motivo, Deus diz a Jacó: “Deixa-me ir, porque já a alva subiu”. 

5. Um novo dia, um novo começo: “E saiu-lhe o sol” (v. 31). 

6. Um novo lembrete de sua própria fraqueza: “e manquejava da sua coxa” (v. 31b). Seu nome é mudado, mas a perna não é curada, ao menos não de imediato. 

Conseqüências da Transformação (33—36) 

Gênesis 33. A reconciliação entre Deus e Jacó deve ser sucedi­da pela reconciliação com seu irmão. Note a diferença entre o Jacó pré-Peniel, que se manteve na retaguarda de sua caravana (“Passai adiante da minha face” [32.16]), e o Jacó pós-Peniel, que assumiu a liderança na direção de Esaú (“E ele mesmo passou adiante deles” [33.3]). Ele não apenas se mostra munido de uma nova coragem, mas também de uma nova humildade: “inclinou- se à terra sete vezes” (v. 3b). Então uma nova generosidade: “peço- te que tomes o meu presente da minha mão [...] Toma, peço-te, a minha bênção” (vv. 10,11). Ao presentear Esaú, sua motivação é verdadeira. Já não há qualquer conspiração. Também é preciso observar uma certa transformação que o próprio Esaú sofreu. O Esaú rancoroso e vingativo do capítulo 27 transformou-se no Esaú conciliatório do capítulo 23, e sem qualquer encontro com Deus que explicasse sua mudança de atitude. 

Gênesis 34. Esse capítulo relata um terrível incidente na vida da única filha de Jacó, Diná. Siquém, filho de Hamor, a estuprou. O que o Jacó “abençoado” faria naquela situação? Procuraria vin­gar-se? Procuraria fazer justiça com suas próprias mãos (algo que o mandamento “não matarás” condena)? 

Somos informados do que fizeram os filhos de Jacó, ou pelo menos dois deles: Simeão e Levi. Falando “enganosamente” (v. 13) — o mesmo termo hebraico aplicado a Jacó em 27.35 e a Labão em 29.25 — Simeão e Levi atraíram os culpados para a morte. 

E quanto a Jacó? Sua primeira reação ao ouvir sobre o que acontecera a Diná foi “calar-se” (v. 5). Será que isso ocorreu por­que sua paz interior o conteve? Ao ficar sabendo sobre a macabra vingança de seus filhos, ele os repreende duramente (v. 30), reser­vando palavras ainda mais duras para um outro momento (49.5­7). Não havia justificativa para as ações de ambos. Os fins não justificam os meios, embora o próprio Jacó já houvesse defendido essa filosofia. Alguns comentaristas desaprovam a inércia de Jacó; para eles, ao não mexer um dedo, ele foi insensível e indiferente. Se for esse o caso, o Jacó do capítulo 34 estava longe de demons­trar as “conseqüências da transformação” que esperamos. Por outro lado, Fewell e Gunn8 observam que o silêncio — a capacida­de de reter a própria fúria frente a um terrível sofrimento, seja em si ou em um ente querido — é provavelmente a mais difícil e desafiadora de todas as reações. Jacó prenuncia o Servo sofredor do profeta, que “foi oprimido, mas não abriu a boca” (Is 53.7). 

Gênesis 35. Jacó manda que sejam jogados fora os falsos deu­ses furtados por Raquel a seu pai (vv. 2-4). A sensibilidade espiri­tual de Jacó é evidenciada aqui. A presença daqueles ídolos era incompatível com a adoração de um único Deus. 

Jacó volta a Betel uma segunda vez, onde, cerca de vinte anos antes, Deus o havia encontrado (vv. 5-8). Agora, contudo, vemos um Jacó que foi de Betel para El-Betel, da “casa de Deus” para o “Deus da casa de Deus” (v. 7). Agora, primeiro vem Deus, depois vem a casa de Deus. 

Confirmando o que foi feito em Peniel (capítulo 32), Deus volta a afirmar que ele agora se chama Israel (vv. 9,10). Fishbane3 é feliz ao fazer o seguinte comentário: “E claro que Jacó já havia recebido o nome de Israel antes (32.29), mas é possível que a nar­rativa queira indicar que foi somente após a solução de seu confli­to com Esaú (Gn 33) que ele se tornou, realmente, Israel”. 

A morte de sua esposa, Raquel (vv. 16-21), o incesto cometido por seu filho mais velho, Rúben (v. 22), e a morte de seu pai, Isaque (vv. 27-29), não o abatem. A conclusão do capítulo é adequada. Isaque foi sepultado por “Esaú e Jacó, seus filhos”. O afastamen­to deu lugar à intimidade. 

Gênesis 36. As “gerações de Esaú” são acompanhadas de uma última despedida entre Esaú e Jacó. Começamos no capítulo 28, com Jacó fugindo de Esaú. Agora, é Esaú que deixa Jacó. Seme­lhante à separação entre Abraão e Ló (13.5-12), Jacó e Esaú dão adeus um ao outro e, amigavelmente, seguem caminhos distintos. 

Gênesis 25.11—36.42 (Jacó) 

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: The Character of God in the Book of Genesis. Louisville: Westminster John Knox, 2001, p. 172. 

4 Trecho de um hino escrito por William Cowper. (N. do T.) 

■ Gênesis. Traduzido por J. H. Marks. Edição revisada. OTL. Filadélfia: Westminster, 1972, p. 291. 

4 "Genesis”, em The New Interpreter’s Bible. Vol. 1. Editado por L. E. Keck e outros. Nashville: Abingdon, 1994, p. 555. 

~ M. L. Gabriel, “Biology”. EncJud n° 4, 1971, pp. 1024-1027. 

4 "Tipping the Balance: Sternberg’s Reader and the Rape of Dinah”. JBL n° 110, 1991, p. 198. 

4 "Composition and Structure in the Jacob Cycle (Genesis 25.19—35.22)”. JJSv° 26, 1975, p. 28.