27 de setembro de 2016

RANDALL PRICE - Mais escavações que fizeram a diferença

antigo testamento
Mais escavações que fizeram a diferença 

Hoje é um adágio dizer que a investigação arqueológica na Palestina e em terras circunvizinhas, que desde o fim da Primeira Guerra Mundial tem sido conduzida numa escala sem precedentes, transformou nossa atitude, e nossa compreensão do Israel antigo e do Velho Testamento.— D, Witon Thomas

No capítulo anterior, demos uma olhada nas escavações que têm repre­sentado a redação de novos capítulos nos anais da arqueologia. Estas escavações fizeram a diferença porque afetaram nossa percepção da Bíblia e do mundo no qual a maioria dos seus eventos se desenrolaram. Neste capítulo veremos as escavações que têm aperfeiçoado nossa compreensão do passado tanto por preservá-lo em material fotográfico como em transformar crenças atuais sobre ele historicamente.

Escavações que fotografaram o passado

Antes que as escavações arqueológicas revelassem o mundo da Bíblia, nin­guém tinha idéia de como se pareciam as pessoas descritas em suas páginas. Todavia, quando as descobertas começaram a ser reveladas, entre elas estavam estátuas, desenhos e pinturas que davam um “quadro” do tipo de pessoas que viveram durante os tempos bíblicos. Ainda mais incrível foi que os arqueólogos encontraram “figuras” das mesmas pessoas mencionadas na Bíblia. Entre elas, estavam as estátuas de faraós que conheceram Moisés, inimigos que ameaçaram Israel ou conquistaram muito de Israel e governantes romanos mencionados no Novo Testamento, alguns dos quais conversaram com Jesus e com o apóstolo Paulo.

Os detalhes incluídos nestas cenas desenhavam a vida diária dos antigos tornando possível que os artistas criassem cenas bíblicas corretamente e produ­tores de filmes retratassem com exatidão os dramas bíblicos na televisão e no cinema. Do “álbum de fotografias” da arqueologia, vamos considerar três famo­sas “impressões” que nos ofereceram um raro vislumbre do passado velado.

O Mural de Beni-Hasan - Pintura de uma parada do tempo dos patriarcas

Durante o período bíblico os israelitas continuaram a manter contato po­lítico e econômico com o Egito, uma das superpotências daquele tempo. O contato de Israel com o Egito remonta ao período dos patriarcas (Gn 12.37­-50), a Moisés (livro de Êxodo), à monarquia do rei Salomão (1 Rs 9.16) ao rei Josias (2 Rs 23.29-35), ao tempo de Jesus (Mt 2.13-15). Desde que a lei judaica (Ex 20.4) proíbe a fabricação de imagens humanas (porque o homem é criado à imagem de Deus), não devíamos esperar pinturas feitas pelos israelitas. Porém, do lado egípcio, onde a fabricação de imagens era ordenada, uma quantidade de retratos têm sido descoberta.

Um famoso exemplo veio de uma pequena vila conhecida como Beni-Hasan, localizada no sul do Cairo na margem leste do Nilo. Lá, esculpida nas encostas circunvizinhas, está uma grande necrópole (cidade dos mortos). Como era ge­ralmente o costume dentro das tumbas egípcias, as paredes eram decoradas com cores vivas mostrando cenas que descreviam a vida diária. Em uma dessas tum­bas, datando de aproximadamente 1890 a.C., os arqueólogos encontraram um esplêndido mural de mais de 2 metros de comprimento por meio metro de altura mostrando uma parada de estrangeiros: oito homens, quatro mulheres, três crianças, vários animais, todos sendo liderados por oficiais egípcios. O tex­to em hieróglifos no topo desta pintura dava uma descrição da procissão e seu propósito. O texto afirmava que estas pessoas eram parte de um grupo de 37 asiáticos da região de Shut (a qual incluía a área do Sinai e o sul de Canaã). Eles estavam sendo levados por seu chefe, chamado Abishai, para comercializar com os egípcios. Detalhes como composição física, penteados, roupas, sapatos, ar­mas e instrumentos musicais são claramente apresentados.


Enquanto ainda não se sabe exatamente quem eram estas pessoas ou mes­mo porquê elas estavam vindo em caravana à uma região tão distante dos cen­tros comerciais, a importância da pintura repousa sobre sua descrição visual de como as pessoas se pareciam no tempo dos patriarcas. Quando olhamos estas imagens, podemos imaginar a viagem de Abraão e Sara ao Egito (Gn 12.10) e mais tarde a jornada de Jacó e seus filhos ao Egito (Gn 42.5; 43.11; 46.5-7). Algumas pessoas têm até sugerido que os padrões de cores sobre as túnicas dos asiáticos no mural são como a “túnica colorida” de José (veja Gn 37.3). Mesmo que, como outros eruditos têm pensado, uma melhor tradução fosse “uma túni­ca de mangas longas,” um exemplo deste tipo de vestimenta também é atestado em outro lugar no “álbum de fotografias”2 da arqueologia.

O Obelisco Negro de Salmaneser III — Retrato de um rei israelita

Uma das mais excitantes descobertas já feitas em arqueologia bíblica foi uma enorme pedra negra extraída de um buraco cavado na antiga cidade assíria de Calah (moderna Ninrode) em 1845. Esta pedra, porém, quase não foi de­senterrada. O arqueólogo inglês Henry Layard havia sido aconselhado por seus trabalhadores a desistir e fechar o buraco. Era inverno, o chão estava extrema­mente frio e duro, e o difícil trabalho de cavar valas para descobrir artefatos havia provado ser inútil. Layard não queria desistir, mas se comprometeu a pedir a seus homens que trabalhassem por somente mais um dia. Eles não tiveram que esperar tanto! Quase imediatamente depois que os homens reassumiram o trabalho eles bateram numa enorme pedra, que agora sabemos ser um dos mais importantes documentos assírios relacionados ao Antigo Testamento.

A pedra era um bloco de calcário polido com quatro lados (obelisco) me­dindo 2 metros. Em cada lado do obelisco estavam esculpidos cinco registros de esculturas em relevo demonstrando várias cenas de tributos sendo trazidos à corte assíria. Além disso, acima e abaixo dos painéis em todos os lados havia quase 200 linhas de texto cuneiforme. Logo que o texto cuneiforme foi traduzi­do descobriu-se que ele catalogava 31 campanhas militares do monarca assírio Salmaneser III. As esculturas em relevo detalhadas de tributo e pagadores de tributos mostravam belamente muitos estilos diferentes de roupa, artigos caros e até animais exóticos para o zoológico assírio. Todavia, a grande surpresa foi que as linhas acima de um registro que mostrava uma figura de joelhos diante do rei da Assíria foi traduzida:

Tributo de Jeú, filho de Onri.3 Prata, ouro, vasos de prata, taças de ouro, cálices de ouro, caixas com ouro, recipientes, cetros para a mão do rei [e] dar­dos, [Salmaneser] recebeu dele.

Aqui, pela primeira vez em qualquer artefato arqueológico, estava um re­trato de um dos reis de Israel!4 De acordo com a Bíblia (2 Rs 9-10; 2 Cr 22.7-9), Jeú, um comandante no exército do rei Jorão, foi “escolhido pelo Senhor” para suceder o trono israelita. Instruído pelo profeta Eliseu para matar Jorão, ele tornou-se o governante de Israel de 841-814 a.C. Ele serviu como instrumento final de Deus contra a casa do ímpio rei Acabe (incluindo a infame rainha Jezabel), e erradicou da terra o culto idólatra a Baal.

No relato bíblico, porém, não há menção do rei Jeú pagando tributo à Assíria como descrito no obelisco. A Bíblia fala realmente que Jeú, quase ao final de seus 28 anos de reinado, foi relapso na responsabilidade real de manter a lei de Deus (2 Rs 10.31) e, ao invés disso, seguiu novamente o culto henoteísta instituído por Jeroboão (veja 1 Rs 12.28-29). Por causa disso, o Senhor remo­veu a proteção de Israel e inimigos estrangeiros começaram a invadir e conquis­tar partes da terra (2 Rs 10.32-33). A fraqueza de Israel neste ponto pode ter influenciado Jeú a buscar a proteção da Assíria. Uma vez que a hegemonia assíria foi imposta, Israel teria sido sujeito a pagar tributo (cf 2 Rs 17.3). Se foi este o caso, o obelisco preenche uma parte que faltava da história não incluída no texto bíblico.

O relevo do ataque de Laquis — Panorama do julgamento de Israel

Encontrar a figura de um rei israelita mencionado na Bíblia foi na verdade uma surpresa, mas encontrar figuras de centenas de israelitas numa antiga foto de um verdadeiro evento bíblico não foi menos impressionante! A “foto” era de Laquis, uma das mais importantes cidades israelitas em Judá durante o período bíblico. Laquis hoje é uma tel escavada localizada a cerca de 40 quilômetros ao sudoeste de Jerusalém. Apesar de agora estar silenciosa e desolada, o antigo vislumbre mostra um quadro bem diferente. Ele não apenas descreve Laquis no clímax de sua glória, ocupada e extremamente fortificada, mas também registra vividamente o que ocorreu no fatídico dia de seu colapso.

A “foto” em si não vem de Israel, mas da distante terra da Assíria. Ela originou um mural de mais de 27 metros de comprimento decorando uma sala cerimonial no palácio do rei assírio Senaqueribe, em Nínive. O palácio foi esca­vado por Henry Layard e o mural, feito de painéis de esculturas em relevo, está hoje guardado no Museu Britânico. Nos relevos estão descrições acuradas e realistas da batalha entre os assírios e o povo de Laquis, que ocorreu durante a conquista assíria de Judá em 701 a.C. {veja 2 Rs 17.5-6; 2 Cr 32.1). A cena mostra (da esquerda para a direita) o campo assírio, seu ataque e conquista da cidade pelas tropas assírias derrubando os muros, a tortura de alguns habitantes da cidade e finalmente o exílio dos prisioneiros e sua apresentação diante de Senaqueribe, que estava assentado em seu trono em frente ao seu campo. A Bíblia registra este mesmo evento no livro de 2 Crônicas: “Depois disso, Senaqueribe, rei da Assíria, enviou seus servos a Jerusalém (ele, porém, estava diante de Laquis, com todo o seu domínio)” (2 Cr 32.9, veja também 2 Rs 18.13,14,17; 18.8; Is 36.1,2; 37.8). Enquanto nem a Bíblia nem quaisquer anais assírios provêem detalhes desta conquista, ambos descrevem a brutalidade dos assírios e as horríveis condições da conquista — os quais vemos representa­dos nos relevos.

Escavações em Laquis também têm confirmado a exatidão de vários deta­lhes encontrados nos relevos. A partir das partes incendiadas neste sítio, as for­tificações da cidade têm sido reveladas — exatamente como demonstrado nos relevos assírios.3 A rampa de invasão representada no relevo, sobre a qual os soldados assírios levaram seus aríetes e arqueiros, também foi descoberta em Laquis. Além disso, pedras de catapulta e flechas, desenterradas em abundân­cia, testificam da ferocidade da batalha, exatamente como demonstrado nos relevos. Uma vez mais, a arqueologia tornou possível verdadeiramente enxergar um dos maiores eventos históricos mencionados na Bíblia.

Escavações que mudaram a história

Muitas pessoas hoje acreditam que neste momento nosso conhecimento da história é completo. Elas aceitam que alguns detalhes ainda estão faltando, mas supõem que saibamos quase tudo o que há para saber sobre as grandes civilizações que governaram o passado. A impressionante cobertura que encon­tramos nos livros de história e nos canais históricos parecem confirmar isso. Contudo, os historiadores admitirão que nosso presente conhecimento do pas­sado ainda é sensivelmente limitado. O que realmente sabemos apresenta lacu­nas enormes e revisões inesperadas. Isso também tem sido verdade com respeito a história da Bíblia. Apesar de a Escritura apresentar informação histórica, esta informação é seletiva e incompleta. Isso se encaixa com o propósito teológico da Bíblia, pois ela não foi escrita para ser um livro de história. Por esta razão, os historiadores têm muitas vezes duvidado de certos fatos históricos da Bíblia. Isso não é só porque eles suspeitam que uma visão religiosa da história possa alterar os fatos, mas porque alguns detalhes históricos na Bíblia não têm evi­dência material para sustentá-los.

Todavia, surpresas arqueológicas têm agora e antes revelado personagens e lugares históricos conhecidos na Bíblia ainda que desconhecidos em qualquer outra fonte. Tais descobertas não apenas nos dão uma nova perspectiva sobre o que já sabíamos, mas também serve para afirmar a integridade histórica das narrativas bíblicas. As vezes, também, as escavações trazem novos fatos à tona, nunca conhecidos antes, que lançam luz tanto sobre a Bíblia como sobre a história antiga. Existem duas escavações arqueológicas que fizeram exatamente isso, aumentando nossa apreciação pela exatidão da Bíblia enquanto forçavam os historiadores a rescreverem alguns capítulos de seus livros. Estas escavações confirmaram a existência dos heteus e do império de Ebla.

Os heteus — Prova de um povo do passado

A Bíblia, por 47 vezes, faz menção de um povo chamado “os heteus”. Eles foram listados entre as nações que habitavam a antiga Canaã quando Abraão entrou na terra (Gn 15.20). Eles foram considerados significativos o suficiente para comprar carros e cavalos do rei Salomão (1 Rs 10.29). E man­tiveram um exército tão poderoso que o rei de Israel alugou-os para lutar e expulsar o formidável exército dos arameus (2 Rs 7.6,7). Dois heteus, parti­cularmente, ganharam notoriedade no relato bíblico. Um foi Efron, o heteu, que vendeu para Abraão o seu campo e sua caverna em Macpela, em Quiriate- Arba (Hebrom) para enterrar sua mulher Sara (Gn 23.10-20). Desde então ficou conhecida como a Tumba dos Patriarcas. O outro foi Urias, o heteu, um soldado no exército do rei Davi. Apesar de ser estrangeiro, Urias é retratado nas Escrituras como um servo leal, em contraste com o próprio filho de Israel, o rei Davi. O livro de 2 Samuel conta como Davi teve um relacionamento adúltero com a mulher de Urias, Bate-Seba. O pecado do rei foi completado quando Bate-Seba foi achada grávida e ele expôs Urias à morte para cobrir seu crime (2 Sm 11). E mais tarde, quando o profeta Ezequiel denunciou a peca­minosa Jerusalém, Deus declarou que a mãe virtuosa de Jerusalém era uma hetéia (Ez 16.3).

Todavia, a despeito da proeminência dos heteus no texto bíblico, há ape­nas 100 anos os críticos eruditos duvidavam de que eles jamais tivessem existi­do. Àquela altura, nenhuma evidência de tal povo havia sido encontrada. Eles eram simplesmente parte da história religiosa da Bíblia. No entanto, este vere­dicto histórico estava para mudar. Em 1876, o erudito britânico A.H. Sayce suspeitou que uma inscrição não decifrada descoberta esculpida nas rochas da Turquia e Síria pudessem ser uma evidência dos até então desconhecidos heteus. Então tabletes de argila foram descobertos nas ruínas de uma cidade antiga na Turquia, chamada Boghaz-Keui. O povo local estava vendendo estes tabletes e alguns caíram nas mãos de peritos. Isso permitiu que um perito alemão em texto cuneiforme, Hugo Winckler, fosse ao sítio e escavasse. Ali, ele descobriu cinco templos, uma cidadela fortificada e muitas esculturas monumentais. Em um armazém incendiado ele também encontrou mais de 10 mil tabletes. Logo que eles foram finalmente decifrados, foi anunciado ao mundo que os heteus haviam sido encontrados! Boghaz-Keui havia sido de fato a antiga capital do império heteu (conhecida com Hattusha). Outras surpresas se seguiram, tal como a revelação de que a língua hetéia devia estar associada com as línguas indo-européias (das quais o inglês é uma parte), e que a forma de seus códigos de lei eram muito úteis para a compreensão daqueles descritos na Bíblia. A redescoberta deste povo perdido,6 uma das mais extraordinárias realizações da arqueologia do Oriente Próximo, agora serve como um aviso para aqueles que duvidam da historicidade de certos relatos bíblicos. Só porque a arqueologia não produziu evidência corroborativa hoje não significa que não possa produzi­la amanhã. Os heteus são simplesmente um exemplo de que a Bíblia tem se demonstrado historicamente confiável. Portanto, isso deve ser respeitado ape­sar da presente falta de apoio material para certos eventos ou problemas crono­lógicos que permanecem sem solução.

Ebla — Uma civilização descoberta

Antes de 1968, os eruditos sabiam através de seus estudos de textos da antiga Mesopotâmia que houve uma vez um império sírio chamado Ebla. Os antigos reis babilônios haviam alegado ter conquistado este vasto reino em tor­no de 2300 a.C., mas ninguém sabia onde ele se localizava. Então, um dia, em 1968, uma inscrição foi encontrada numa proeminente tel na Síria conhecida como Tel Mardique; esta inscrição parecia identificar o sítio como Ebla. Mas a maior descoberta ainda estava por vir. Em 1975, enquanto os arqueólogos esta­vam escavando sob o templo da cidade, eles encontraram uma pequena sala que havia servido como um arquivo real. Lá, cerca de 17 mil tabletes repousavam em pilhas! As prateleiras que haviam-nos sustentado haviam sido destruídas muito tempo antes num incêndio, mas este mesmo incêndio havia assado os tabletes de argila, endurecendo e conservando-os contra depreciação do tempo. Estes tabletes confirmaram o nome do lugar como Ebla e apresentaram aos eruditos a língua do império anteriormente desconhecida — eblaite.

A decifração de alguns destes textos revelou que Ebla tinha sido um impé­rio florescente 4.500 anos antes, séculos antes do tempo dos patriarcas bíblicos. Seus cidadãos haviam comercializado por eras com Mari, outra cidade antiga da Síria que tinha leis e costumes que ajudaram a esclarecer outros semelhantes associados com os patriarcas bíblicos. O volume total de tabletes recuperados em Ebla (quatro vezes maior do que a soma de todos os textos precedentes deste período), tornou a descoberta imensamente importante para aqueles envolvidos em estudos do Oriente Próximo. Mas qual seria a importância destes tabletes para estudos bíblicos? Logo no início, durante a interpretação destes textos, disputas políticas entre a Síria e Israel podem ter forçado a retração das cone­xões que um tradutor havia feito com a história israelita. Mesmo assim, parece que muitas das alegações iniciais quanto à similaridade dos nomes bíblicos, à aparência de nomes de lugares bíblicos (como Sodoma e Gomorra), e afinida­des com a língua hebraica foram considerações prematuras. O verdadeiro sig­nificado de Ebla, para a Bíblia, pode ser o de comparar o texto eblaite com o estilo poético hebraico e saber sobre os antecedentes das tradições e religiões de um povo que pode ter influenciado civilizações subseqüentes, incluindo o Israel antigo. Foi somente deste modo que os textos de Ugarite ajudaram os eruditos a entender a poesia bíblica e responder perguntas sobre o significado das palavras do hebraico e gramática bíblicos. Qualquer que seja o caso, Ebla escreveu um novo capítulo na História do Oriente Próximo durante o tercei­ro milênio a.C.



Chegando mais perto do passado

As escavações fizeram a diferença! Elas recuperaram o conhecimento de civilizações perdidas e línguas mortas há muito tempo. Elas revelaram as ima­gens do passado, não apenas no rascunho, mas em muitos casos a forma exata daqueles cujos nomes ocuparam espaço no texto sagrado. Existem muitos ou­tros exemplos que poderiam ser citados, mas as seleções que revimos são sufici­entes para revelar quão significante contribuição a arqueologia tem feito para nos aproximar mais daquele mundo que foi lar dos nossos pais na fé.

Nos próximos quatro capítulos, vamos viajar para dentro do mundo dos pais (os Patriarcas) para explorar como as novas descobertas arqueológicas con­tinuam a instruir nossa fé hoje e enriquecer nossa compreensão dos primórdios da história bíblica.