1 de setembro de 2016

JOHN BRIGHT - Em direção á plenitude dos tempos

danilo moraes antigo testamento
EM DIREÇÃO À PLENITUDE DOS TEMPOS

Traçamos a história de Israel desde as migrações dos seus
ancestrais, no começo do segundo milênio a.C., até o fim do
período do Antigo Testamento. Vimos sua religião desenvolver-se, fazendo repetidas adaptações, embora aderindo tenazmente
à sua estrutura essencial, desde a religião da antiga liga tribal
passando pelos dias do Estado nacional, até que chegou, depois
do exílio, àquela forma de religião conhecida como judaísmo.
Foi uma longa caminhada, e não podemos ir mais além. Contudo, o próprio fato de nossa história, embora a tenhamos
terminado onde termina o Antigo Testamento, ter sido interrompida abruptamente, num ponto que não é absolutamente
um termo, levanta uma questão que o leitor consciente se
terá feito e que exige de nós algumas palavras de conclusão.
É uma questão prática e de fundamental importância teológica.
Qual é o destino da história de Israel? Para onde está indo
essa história? Onde vai ela terminar?

1. O Têrmino da história de Israel: o problema histórico
e teológico

A primeira questão, e mais imediata, é o problema prático de onde propriamente terminar a história de Israel. Sobre
o assunto, não há uma resposta comum, sobre a qual todos
concordem. Em qualquer ponto que se concluir, termina-se de
certo modo arbitrariamente, uma vez que a história de Israel,
vivida através dos tempos pelo povo judeu, de fato, não terminou mas continua até o dia de hoje. Entretanto, o fim do período do Antigo Testamento fornece, como se crê, um término
quando muito justificável. Com certeza, o rebentar da revolta
dos macabeus não é manifestamente um fim, mas o começo de
uma nova fase da história, que, por sua vez, leva ainda a outra
fase, e esta novamente a algo mais.



Diante de nós está a luta vitoriosa pela independência,
sob o comando de Judas Macabeu e seus irmãos, Jônatas e
Simão; o domínio dos reis-sacerdotes asmonianos (João Hir-
cano [135-104] e seus sucessores); a conquista da Palestina
pelos romanos (63 a.C.) e os anos de domínio romano; e,
finalmente, as revoltas dos anos 66-77 e 132-135 da era cristã.
Como estas últimas realmente marcaram o término da vida da
comunidade judaica na Palestina, poderia parecer que elas seriam o termo lógico da história de Israel. Foi assim que
vários historiadores encararam a questão[1]. Entretanto, há inúmeros inconvenientes em estendê-la tanto, não sendo o menor
a falta de espaço. Este ponto de vista nos obrigaria a discutir
não somente a evidência Qumran e toda a questão do judaísmo
sectário (o que, aliás, o autor julga fora do âmbito do presente trabalho), mas também a vida de Nosso Senhor e a
história dos começos do Cristianismo. Omitir estes começos
(certamente de maior significação do que os dos procuradores romanos!), seria, do ponto de vista histórico e do ponto
de vista cristão, teologicamente inadmissível. Em vez de omitir
o que de modo algum deve ser omitido, é melhor parar logo.
Além disso, a última revolta dos judeus, embora representasse
uma grande violência, não foi, pelo menos religiosamente
falando, um fim, porque aconteceu no meio do período tanaítico.

Assim, pareceu-nos prudente terminar a nossa história
onde termina o Antigo Testamento. No tempo em que se
fez a longa transição, indo desde o exílio e, portanto, desde
Neemias e Esdras, o Judaísmo surgiu, embora não ainda plenamente estruturado e um pouco inconsistente. Nesse ponto,
pode-se dizer que acabou a história de Israel como Israel —
para ser continuada na história do judaísmo. Realmente, além
do judaísmo, Israel efetivamente não tem mais história significativa. É verdade que uma relíquia da comunidade de culto
do norte israelita (os samaritanos) continuou a existir como
unidade definível — e ainda existe — mas somente como
um fóssil peculiar de mínima importância histórica. Como o
destino da história de Israel era o judaísmo, com o seu
aparecimento nós estamos justificados com relação ao cumprimento de nossa tarefa. O que fica além pode ser deixado
para a história do povo judeu ou, de outro ponto de vista,
para a história dos tempos do Novo Testamento. Contudo, no
judaísmo, não nos devemos esquecer, a história de Israel continua até o dia de hoje, e estamos certos de que continuará enquanto durar o mundo e enquanto houver pessoas que reconheçam a vocação do Deus de Israel.

A questão colocada acima, porém, também foi considerada uma questão teológica. Qual é então o destino teológico
desta história? Qual é o termo desta longa peregrinação de
fé? Onde se concretizará este profundo sentimento de “povo”,
esta esperança viva das promessas de Deus? Não haverá esperança, ou a esperança é um engano? Tais perguntas não
são para o historiador responder, examinando dados, mas
para cada homem, de acordo com sua fé e sua religião. Todavia, elas são as perguntas mais importantes. Além disso, elas
foram levantadas pelo próprio Antigo Testamento, e isto
através do próprio fato de sua história terminar in medias res,
sem conclusão, numa posição de esperança expectante. O Antigo Testamento nos informa sobre a história de Israel, revela-nos a natureza de sua religião e como o seu conteúdo interno
e instituições externas evoluíram através da história. Diz-nos
também como Israel correspondeu às exigências de sua religião, umas vezes com obediência fiel, outras vezes com grosseira falta de compreensão e desobediência — mas sempre,
quer quando obedecia, quer quando desobedecia, nunca deixando
de afirmar que era o povo daquela religião. O Antigo Testamento também apresenta esta história — porque assim
Israel acreditava — como a realização externa da vontade
divina, declarando que Deus havia escolhido Israel dentre
todas as famílias das nações para ser seu povo particular,
servi-lo, obedecer-lhe e receber as suas promessas. E declara,
além disso, que a promessa será cumprida até o triunfo final
do domínio de Deus neste mundo. Isto é, o Antigo Testamento apresenta a história de Israel como uma história de
redenção e promessa, como uma história de “salvação” (Heilsgechichte). Entretanto, ao mesmo tempo, apresenta-nos a história
da rebelião, do fracasso, da frustração e da mais amarga desilusão, na qual a esperança é muitas vezes frustrada, sempre
adiada e, quando muito, só parcialmente realizada. Numa
palavra, é uma Heilsgeschicbte que não é ainda uma Heilsgeschichte — uma história sem fim teológico.





Certamente, nenhuma das formas sob as quais Israel
manteve a sua esperança de uma felicidade futura nada encontrou, nem remotamente parecido, com a realização desta esperança, na época do Antigo Testamento. Nenhum príncipe
da linhagem de Davi veio restaurar os destinos da nação.
Não houve jamais a corrida dos povos para reconhecer as obras
poderosas de Iahweh e se submeter ao seu governo triunfante.
Não houve nenhuma intervenção escatológica, com portentos e
prodígios, para trazer a aurora de uma nova idade. Entretanto, apesar das numerosas frustrações, nunca se perdeu a esperança; ao contrário, ela aumentou cada vez mais. Quando
terminou a história do Antigo Testamento, vemos Israel sob
o látego da perseguição, apegando-se com firmeza à sua lei,
procurando perscrutar o futuro de Deus, convencido de que o
tempo finalmente tinha chegado. Mas, novamente — não! Embora a luta dos macabeus tivesse mais sucesso do que poderia ousar esperar, não terminou em nenhuma escatologia —
somente no Estado asmoniano. E isto, longe de ser a realização da promessa, era uma ordem não muito agradável a
muitos dos melhores judeus, e para muitos positivamente repugnante. Além disso, ela não durou. Logo depois, vieram
as legiões romanas e, com elas, o fim da independência dos
judeus. A história continuou, — mas não para o seu esperado
telos.

Havia, naturalmente, os saduceus. Eles tiravam sua força
da aristocracia sacerdotal e da nobreza secular a eles associadas
— exatamente as classes que, nos dias selêucidas, foram mais
atingidas pelo helenismo. Em certo sentido, podiam afirmar
que eram conservadores, porque só concediam autoridade à
Tora, e nenhuma ao corpo da lei oral explicada pelos escribas.
Eles também rejeitavam noções novas, como a crença na
ressurreição, as recompensas e castigos depois da morte, a
demonologia e a angeologia e as especulações apocalípticas em
geral. É provável que sua maior preocupação fosse que o
culto do templo e a lei continuassem, especialmente que
seus rituais e características sacrificais fossem observados sob
a supervisão do sacerdócio constituído. Como quer que eles
pensassem que fossem os desígnios de Deus sobre Israel, a
sua finalidade no presente era que este status quo fosse mantido. Sendo homens práticos do mundo, eles não recuavam
diante de compromissos para consegui-lo, prontos a cooperar
com soberanos seculares, fossem eles os reis-sacerdotes asmonianos, a divisão mundana, fossem os procuradores romanos,
temendo acima de todas as coisas qualquer distúrbio que pudesse alterar o equilíbrio ·—· por isso é que julgaram Jesus
perigoso. Com efeito, para eles, o futuro do judaísmo era
continuar como uma sociedade de culto hierocrático, sob a lei
do Pentateuco.

Opostos a estes, estavam sobretudo os fariseus[2]. Eles
continuaram a tradição dos hasidins dos dias dos macabeus,
aquele grupo cujo zelo pela lei não admitia compromisso com
o helenismo. Embora não fossem de modo algum nacionalistas
militantes, os hasidins foram levados pelas perseguições selêucidas a se juntarem na luta pela liberdade religiosa; e
quando esta foi alcançada, e a luta tornou-se também uma
luta pela independência política, eles perderam o interesse.
Os fariseus, que surgiram como um partido durante o século
segundo, foram, como os hasidins, minuciosos na sua observância
da lei. Suas relações com os reis asmonianos seculares, cuja
política eles não podiam aprovar, foram quase sempre tensas.
Nenhum grupo aristocrático nem sacerdotal, sua severidade
moral lhes conquistou respeito geral entre o povo. Com efeito, eles tornaram-se os verdadeiros mentores espirituais do
judaísmo, e eram eles que davam o seu tom. Embora religiosamente mais severos que os saduceus, eles eram em outro
sentido, menos conservadores. Não somente aceitavam outras
partes da Escritura como oficiais, juntamente com a Tora, como
também consideravam a lei oral totalmente obrigatória para
interpretar a escrita. Foi através deles que a lei oral foi
transmitida e ampliada, àté ser finalmente codificada no
Mishnah (aproximadamente 200 d.C.), e em seguida completada no Talmud. Os fariseus aceitaram prontamente a ressurreição e outras novas doutrinas semelhantes. Eles acreditavam que o futuro do judaísmo era ser o povo santo de
Deus, através da observância da lei, escrita e oral, até os
mínimos detalhes; os judeus podiam, assim, esperar o cumprimento das promessas, que viria no tempo de Deus. Embora sofressem sob o domínio romano, os fariseus eram em
geral contrários a atividades revolucionárias, como eram as
fantasias excêntricas dos apocalípticos.

Havia, naturalmente, aqueles que achavam que o futuro
do judaísmo estava num nacionalismo agressivo. As pessoas
desta opinião foram a espinha dorsal da revolta dos macabeus,
aqueles que levaram mais longe uma mera luta pela liberdade
religiosa, transformando-a em uma guerra em grande escala
pela independência nacional. O estabelecimento e a ampliação
do Estado asmoniano sob João Hircano e seus sucessores, sem
dúvida, satisfizeram suas ambições e fizeram com que se acalmasse no momento o nacionalismo militante. Mas a chegada
da ocupação romana, que foi uma coisa terrível e humilhante
para os judeus patriotas, transformou as centelhas, uma vez
mais, em chamas. Na época do Novo Testamento, surgiu um
partido de zelotas, fanaticamente zelosos e cruéis, que estavam
preparados para combater pela independência contra tudo e
contra todos, esperando que Deus viesse em seu socorro[3].

Finalmente, havia grupos sectários, como os essênios, que
viviam em tensão escatológica, esperando uma consumação
iminente. A seita de Qumran, da qual vieram os manuscritos
do mar Morto, era quase certamente essênia. Não é nossa
intenção discutir este assunto aqui[4]. Como os fariseus, os
essênios provavelmente continuaram a tradição hasídica. A sua
oposição aos reis-sacerdotes asmonianos, contudo, era irreconciliável. Parece que eles tiraram sua força dos membros do sacerdócio saduceu, e atraíram os elementos das tendências apocalípticas a eles associadas, que consideravam o sacerdócio asmoniano como ilegítimo e apóstata. Provavelmente no último terço
do século segundo, eles se retiram da oposição a Jerusalém e
da participação no culto do templo, refugiando-se no deserto da
Judéia, onde levaram uma existência quase monástica, em preparação para o fim iminente. Foi naturalmente entre os essênios que a tradição apocalíptica judaica foi levada adiante,
sendo produzida grande parte de sua literatura. Eles se consideravam como o povo da Nova Aliança. Tinham a sua
própria interpretação da lei, seu calendário próprio e se comprometiam a uma disciplina rigorosa, que praticavam com
toda severidade. Esperavam o fim iminente do drama da história, o começo da luta final entre a luz e as trevas, Deus
e o mal — que envolveria também uma guerra santa sobre
a terra, da qual eles esperavam participar. Convencidos de que
todas as profecias estavam sendo cumpridas nos seus dias, eles
começaram a mostrar que isto era verdade com alguns livros da Bíblia. A importância da crença essênia para a compreensão
do pensamento do Novo Testamento é assunto que tem valor em
si mesmo [5].

Homens como estes precipitaram as revoltas de 67-70 e 132-
-135 d.C., que puseram fim à comunidade judaica. Em sua
atitude para com a lei, os zelotas provavelmente pouco diferiam dos fariseus; mas queriam ver o futuro da sua nação
como unicamente obediente à lei e cheia de esperança.



Não se deve imaginar naturalmente que o judaísmo estava em processo de divisão em grupos de apocalípticos, nacionalistas e legalistas. Havia divisões dentro da estrutura de uma
religião seguida em comum, e as linhas divisórias entre elas
não eram sempre nítidas e firmes. Tirando os negligentes e os
apóstatas, todos os judeus prestavam obediência à lei. E, à
exceção dos saduceus, que eram mais mundanos, todos tinham
esperanças escatológicas e aspirações nacionalistas. As diferenças estavam na interpretação da lei, no grau de ênfase dada à
escatologia e na maneira em que se pensava que a esperança
futura da nação viria a se concretizar. Por exemplo, os essênios,
embora entendendo a lei diferentemente, eram tão severos na
sua observância quanto os fariseus. E estavam sempre preparados, como os zelotes, para combater pelo ·Deus de Israel quando soasse a hora — e realmente combateram em 66-70 d.C.

Embora geralmente fossem cautelosos em fantasias apocalípticas e entusiasmos messiânicos, os fariseus também esperavam a
restauração nacional; alguns deles estavam preparados para combater por esta restauração como o grande Akiba, quando
(em 132-135) aclamou Bar-Cochba como Messias. Entretanto,
as divisões acima, embora não devam ser exageradas, uma vez
que se davam dentro da estrutura de uma comunidade religiosa bem definida, são um indício de que os judeus não estavam de acordo com respeito ao que Israel deveria ser e qual
seria a direção que tomaria o seu futuro.

3. O destino da história de Israel: a resposta do judaísmo
e a afirmação cristã

Para onde então se encaminha a história de Israel? Afinal, o judaísmo deu a única resposta possível a esta pergunta,
e as outras respostas mostraram-se insustentáveis. Quanto à
resposta dos saduceus, não era realmente uma resposta, porque
não dava ao judaísmo nenhum futuro. Era uma tentativa de
preservar um status quo; com o fim daquele status quo,
os saduceus deixaram de existir, e sua resposta de ter qualquer
importância. Tampouco o nacionalismo militante trouxe uma
resposta. Pelo contrário, ele produziu a destruição nacional e
foi forçosamente desprezado, passando a existir somente como um sonho. E o apocalipticismo também não abriu caminho para o futuro. A esperança apocalíptica simplesmente não chegou
a se realizar; um drama tão estranho nunca seria representado
no palco da história do mundo. O judaísmo não encontrou o
seu futuro como uma comunidade escatológica. O único caminho realmente tomado, foi o único que sobrou: o apontado
pelos fariseus, o único que leva ao judaísmo normativo, a
Míshnah e ao Talmud.

A historia de Israel continuaria na história do povo judaico, um povo escolhido pelo Deus de Israel para viver sob
sua lei até a última geração da humanidade. Para os judeus,
portanto, a teologia do Antigo Testamento encontra a sua
realização no Talmud. A esperança do Antigo Testamento é
para eles algo ainda não realizado, indefinidamente adiado, para ser ansiosamente esperado por alguns, desprezado por outros (porque os judeus provavelmente não são mais de uma
única opinião quando se trata de escatologia do que os cristãos), secularizado ou atenuado ainda por outros. Assim, a
resposta judaica à pergunta “para onde vai a história de Israel?” é unia resposta legítima; e do ponto de vista histórico,
é uma resposta certa — porque a história de Israel continua no
judaísmo.

Mas há outra resposta, a resposta dada pelos cristãos,
obrigatoriamente. Ela também é historicamente legítima, porque o cristianismo de fato nasceu do judaísmo. A resposta
é que o destino da história e da teologia do antigo Testamento está em Cristo e no seu Evangelho. Ela declara que Cristo
é a introdução esperada e decisiva do poder redentor de Deus
na história humana, o marco decisivo das idades e o cumprimento suficiente da esperança de Israel em todas as suas
variadas formas. Ela afirma, numa palavra, que é o termo teológico da história de Israel.

Assim, são duas respostas opostas à questão: onde vai
a história de Israel? É nesta resposta que, fundamentalmente,
os cristãos e seus amigos judeus se dividem. Oremos para
que eles continuem se amando mutuamente, como herdeiros
da mesma herança de fé, adoradores do mesmo Deus, que é o Pai de todos nós. Temos duas respostas. Pode-se realmente
dizer que a esperança de Israel é um engano, uma invenção
do pensamento inquiridor do homem, que não leva a nenhum
lugar. E muitos o disseram. .Mas a históriá não oferece uma
terceira resposta: a história de Israel leva diretamente ao Talmud — ou ao Evangelho. Não levou, de fato, a nenhuma
outra direção.

Assim, a história do Antigo Testamento nos leva em
última análise a uma pergunta decisiva. E esta pergunta é:
“Quem dizeis que eu sou?” É uma pergunta a que somente a
afirmação da fé pode responder. Mas todos aqueles que lêem
a história de Israel se defrontam com ela, quer saibam ou
não, e dão uma resposta — pelo menos com a recusa de
responder —· de uma maneira ou de outra. Os cristãos naturalmente devem responder: “Tu és o Cristo — [Messias], o
Filho do Deus vivo”. Depois que eles dizem isso — se sa-
bem o que disseram — a história do Antigo Testamento
assume para eles um novo significado, como parte de um
drama redentor que tem a sua conclusão em Cristo. Em
Cristo, e por causa de Cristo, os cristãos vêem a história do
Antigo Testamento, que é “história da Salvação” (Heilsgeschichte), mas também uma história de desilusão e fracasso,
feita realmente e finalmente Heilsgeschichte. 






[1] Por exemplo, em inglês: Noth, in Hl; Oesterley e Robinson,
History of Israel, Clarendon Press, Oxford, Vol. II, 1932; P. Heinisch,
History of the Old Testament, Trad. ingl.: The Liturgical Press, 1952. 


[2] Cf. especialmente L. Finkelstein, The Pbarisees, The Jewish
Publication Society of America, 2 vols., 2! ed. 1940; v. também as
obras citadas no c. 12, nota 1. 


[3] Sobre os zelotas como perpetuadores do espírito dos macabeus,
cf. W. R. Farmer, Maccabees, Zealots and Josephus, Columbia Uni-
versity Press, 1956. 

[3] O começo da civilização no Antigo Oriente 

E. Anati, Palestine Before the Hebrews, Jonathan Cape, Ltd., Lon-
dres, 1963. 

Kathleen M. Kenyon, Digging Up Jericho, Frederich A. Praeger,
Inc., Publisher, 1957. 

M. E. L. Mallowan, Early Mesopotamia and Iran, Thames and
Hudson, Ltd., Londres, 1965. 

J. Mellaart, Earliest Civilizations of the Near East, Thames and
Hudson, Ltd., Londres; McGraw-Hill Book Company, Inc., Nova Iorque, 

1965. 


[4] A literatura importante é vastíssima; cf. C. Burchard, Bibliogra-
phie zu den Handschriften vom Toten Meer (Vol. I, 1957; Vol. II,
1965 [BZAW, 76, 89]) para uma lista até a data da publicação desta
obra. O melhor comentário ao escrever este livro é de F. M. Cross,
The Ancient Library of Qumran, ed. rev., Doubleday & Company, Inc.,
1961. Sobre a arqueologia do local, cf. R. de Vaux, UArchéologie et
les manuscrits de la Mer Morte, Oxford University Press, Londres,
1961. Podemos encontrar em vários manuais trechos escolhidos em tra-
dução, como por exemplo, M. Burrows, The Dead Sea Scrolls, The
Viking Press, Inc., 1955; idem, More Light ort the Dead Sea Scrolls,
mesma publ., 1958; G. Vermes, The Dead Sea Scrolls in English,
Peücan Books, 1962; T. H. Gaster, The Dead Sea Scriptures in En-
glish Translation, Doubleday & Company, Inc., ed. rev., 1964. 


[5] Cf. inter alia Cross, o.c., c. V; K. Stendahl, ed., The Scrolls
and the New Testament, Harper & Brothers, 1957; M. Black, The