22 de agosto de 2016

R. ALAN COLE: Êxodo - Introdução

danilo moraes antigo testamento
INTRODUÇÃO

I. O Conteúdo de Êxodo

O livro de Êxodo deriva o seu nome em português não do título hebraico (que é simplesmente “Estes são os nomes”, tirado das primei­ras palavras do livro), mas da Septuaginta, a tradução grega do Velho Testamento, feita no Egito no século III antes de Cristo. No entanto, apesar de ser um título recente, é bem apropriado pois o êxodo ou a saída do povo de Deus é a mensagem central do livro. Êxodo começa com o povo de Israel na condição de escravos indefesos na terra do Egi­to; apresenta Deus preparando um libertador de maneira discreta, e o seu confronto com Faraó. Segue-se então o violento choque entre o Deus de Israel e os falsos deuses do Egito, quando as pragas se sucedem contra um Faraó obstinado e o Egito que ele domina. O capítulo 12 nos traz a festa da Páscoa, com a morte dos primogênitos do Egito; Israel finalmente parte em liberdade. Este é um dos pontos culminantes do li­vro, continuando com a travessia do Mar Vermelho e o afogamento do exército de Faraó em suas ondas. O cântico triunfal de Moisés no capítulo 15, celebrando os atos redentores de Deus, é um clímax apro­priado para os acontecimentos passados, bem como a transição para os que se seguem.

Todavia, isso é apenas metade da história. Como prova de que ha­via sido redimido, Israel tinha ainda de adorar a Deus no mesmo Monte Sinai em que Moisés, o libertador, recebera sua chamada inicial(3:12). Assim sendo, Israel marcha pelo deserto, dando seqüência a seu êxodo, a sua separação da velha vida. O povo precisará de água, alimento, pro­teção e orientação. Tudo isso Deus lhe dará, mas desde o princípio Is­rael demonstra claramente sua natureza através de murmurações e re­beliões incessantes. Finalmente, reunido na planície fronteira ao Sinai, em meio a trovões e relâmpagos, o povo ouve a voz de Deus e treme de medo. Lá a aliança é firmada (24:8); lá nasce Israel como nação. Este é o segundo ponto culminante do livro, não apenas na consumação da aliança mas também na doação da “lei da aliança” que a acompanha. Resumida nos Dez Mandamentos (20), ampliada no “livro da aliança” (21-23), a própria natureza de Deus é expressa em termos morais e as exigências decorrentes são apresentadas a Israel. Escapar dos velhos hábitos será ainda mais difícil que escapar da velha terra, mas pelo me­nos o caminho certo está bem delineado.

Um terceiro ponto culminante ainda está por aparecer, no entanto. Nos capítulos subseqüentes, cuidadosa e amorosamente, cada detalhe cheio de rico significado simbólico, vem esboçada a estrutura que futu­ros tradutores haveriam de denominar “o tabernáculo”, com toda a sua mobília (25-31). Deus há de habitar entre os homens; uma tenda apropriada para Sua habitação deve ser construída mas, por enquanto, temos apenas uma planta sacerdotal, simples instruções para uma cons­trução posterior, como no livro de Ezequiel (40-43).

Antes que se chegue ao terceiro ponto culminante, todavia, surge um vale. Com Moisés ainda no ápice de sua experiência na montanha, falando face a face com Deus, Israel atinge seu ponto mais baixo, fa­zendo e adorando o bezerro de ouro (32). O que aconteceu à sua glorio­sa aliança? Quebrada em pedaços, junto às tábuas de pedra ao pé do monte? Estaria a nova relação com Deus perdida para sempre? Não! Aconteceu a intercessão de Moisés e o perdão de Deus, embora também houvesse punição severa na qual Levi, por sua fidelidade, conquistou seu direito de ser a tribo sacerdotal. Assim, é preciso haver uma reite­ração da aliança; passo a passo, os mesmos estágios são reencenados, com um amor sacerdotal pela repetição (34-39). Estes capítulos contêm a descrição da construção do tabernáculo; meticulosamente, os artífices cumpriram cada detalhe das instruções previamente dadas por Deus a Moisés no topo do monte. Finalmente tudo está pronto: o capítulo final contém o relato da dedicação do Tabernáculo, e a presença de Deus en­tre os homens (40). Ê a isto que, num sentido, todo o resto do livro con­duziu: este é o verdadeiro clímax do livro de Êxodo.

II. Êxodo como parte do pentateuco

Tendo dito isso, podemos nos voltar para o resto do Pentateuco, do qual Êxodo é uma parte e, na verdade, uma parte artificialmente se­parada do restante. Os versículos iniciais de Êxodo apresentam uma co­nexão deliberada com os versículos finais de Gênesis, ao passo que as instruções sacerdotais contidas nos últimos capítulos de Êxodo conti­nuam em Levítico e Números. No Pentateuco, considerado como um todo, há apenas cinco temas principais; a promessa de Deus aos patriar­cas; o êxodo; a auto-revelação de Deus na aliança e na lei, no Monte Si­nai; a longa jornada pelo deserto; a entrada em Canaã. Três desses cin- co temas são tratados extensivamente no livro de Êxodo e, além disso, o livro aponta, em retrocesso, para o primeiro tema, e se projeta em di­reção ao último. A visão e chamada de Moisés no Monte Sinai são deliberadamente apresentadas como cumprimento das promessas de Deus aos patriarcas de Israel enquanto que o livro termina com a pfomessa da direção divina até que Canaâ seja alcançada.

Portanto, embora Êxodo seja apenas parte de um todo maior e mais amplo, é uma parte real e, num sentido, contém o cerne de toda a revelação do Pentateuco. De todos os livros da Lei, é aquele que tem maior direito de ser chamado Heilgeschichte, “história da salvação”. Até mesmo as passagens legais que o livro contém podem ser acertadamente chamadas de Heilgeseíze, “lei da salvação”, pois se encontram no contexto da aliança feita com a nação redimida e das obrigações daí decorrentes (ver Davies).1

III. O Êxodo e as “fontes” do pentateuco

Em tempos idos considerava-se axiomático que o próprio Moisés havia escrito todo o livro de Êxodo, virtualmente na mesma forma em que hoje o possuímos, à exceção de alguns versículos escritos por Josué após a morte de Moisés. Ao fim do século dezenove, a hipótese crítica dominante reduzira Êxodo a um mosaico de documentos originados em datas muito diferentes (todas muito mais recentes que Moisés). A própria historicidade de Moisés era posta em dúvida: Martin Noth, por exemplo, sugeriu que Moisés era um xeque desconhecido do deserto cu­jo túmulo fora lembrado por Israel e assim entrara na tradição israelita vindo de fora. Para tais estudiosos, falar da “autoria Mosaica” de ma­neira significativa era impossível. Onde está a verdade? Provavelmente em nenhum dos dois extremos. A antiga e esquematizada “hipótese do­cumentária” falhou em grande parte por seu próprio sucesso,[1] [2] produ­zindo fontes cada vez mais reduzidas, ou fragmentos desconexos postu­lados pelos estudiosos, em lugar de fontes escritas, mais longas e contínuas.

Os eruditos escandinavos, por sua parte, enfatizaram a importân­cia e a fidedignidade da tradição oral. Preferem que não se fale de “do­cumentos” escritos, mas de grandes conjuntos de tradição oral que, no entanto, em sua forma final acabam por ter quase a fixidez de docu­mentos escritos. O Criticismo de Forma já nos ensinou a classificar e descrever os vários tipos de material bíblico segundo sua forma. Além do mais, lidava com unidades ainda menores que as da antiga “hipótese documentária” e se preocupava em descobrir o Sitz im Leben, a si­tuação real das quais surgiram tais unidades.

Mais recentemente, alguns eruditos alemães nos apresentaram a Tradition-geschichte, “história da tradição”, procurando determinar os possíveis estágios através dos quais o relato de determinado incidente adquiriu sua forma atual.

Todos esses esforços são mais do que intelectualmente interessan­tes; eles nos ajudam a perceber a complexidade do processo que subjaz o texto de que dispomos e a grande antigüidade do material nele conti­do.

Quando já se disse tudo, porém, cabe ao comentarista bíblico co­mentar o produto final, que é o texto à sua frente, sendo isso que o pre­sente autor procurou fazer. Em um comentário deste escopo, é im­possível entrar em detalhes a respeito de tais assuntos, por mais interes­santes que sejam. Muitos desses problemas só podem ser proveitosa­mente estudados em relação ao texto hebraico e por isso, os que se inte­ressam por eles, devem se dirigir a comentários mais especializados. É bastante afirmar que quanto ao livro de Êxodo, a despeito da chamada “revolução crítica” e da ampla rejeição da hipótese documentária em sua antiga forma, muitos estudiosos do Velho Testamento ainda usam símbolos como J, E, D e S para indicar supostas fontes escritas do Pentateuco.[3] Se esses símbolos são considerados simplesmente como des­crições de tipos e blocos de material escrito, e não como julgamentos a respeito de datas de origem, o uso talvez seja apropriado. No entanto, embora os mesmos símbolos estejam sendo usados hoje, há uma dife­rença importante. Os eruditos modernos já não consideram J como uma fonte surgida, digamos, no século nove antes de Cristo, no reino do Sul. Em vez disso, consideram-na como a compilação final de tra­dições correntes em Judá por vários séculos e que só se tornaram “fos­silizadas” quando a compilação foi feita, naquela época. Igualmente, consideram E como uma coleção de tradições efraimitas, tão antigas quanto as judaicas, mas compiladas e redigidas um século ou mais de­pois de J. A posição é, assim, muito diferente, embora os símbolos se­jam os mesmos.

Além do mais, afirmam atualmente que mesmo J e E (supondo que aceitemos sua existência e realidade como fontes independentes) são apenas formulações diferentes de tradições mosaicas substancialmente idênticas, denotadas pelo símbolo G (representando Grundlage ou “camada básica”). D, por sua vez, é considerada uma compilação e expli­cação ainda mais recente de leis antigas, em muitos casos leis que com­plementavam as do “livro da aliança” (Êx 20-23). Até mesmo S, outrora considerado o mais recente e menos fidedigno dos “documentos” hoje é considerado uma fonte que preserva, com meticulosidade sacer­dotal, arcaísmos que se perderam em outras.

Em outras palavras, é largamente aceito hoje que a data de um documento (supondo-se que tal documento tenha realmente existido e que saibamos a data de sua compilação) não é tão importante quanto a data de seu conteúdo. Em resumo, em estudos recentes do Pentateuco, não estamos muito distantes da posição atual quanto ao Novo Testa­mento, onde temos quatro Evangelhos, todos igualmente preservando tradições antigas dos ensinos e feitos de Jesus, embora os Evangelhos propriamente ditos sejam de datas diferentes e mais recentes. Podemos, é claro, rejeitar por questões de princípio quaisquer formas de análise de fontes; podemos ainda preservar um agnosticismo reverente, reco­nhecendo que deve ter havido certas fontes sem, contudo, querer ser dogmáticos quanto à sua natureza. Podemos simplesmente lidar com o texto à nossa frente, a não ser que alguma dificuldade exegética nos faça aprofundar nossa busca. Quer façamos uma ou todas essas coisas, é bom lembrar que o clima dos estudos sobre o Velho Testamento mu­dou substancialmente. A historicidade essencial de Moisés e sua obra (pelo menos em termos de um esboço geral) é largamente aceita. Muitos estudiosos de diferentes escolas aceitariam os Dez Mandamentos (talvez numa forma reduzida) com uma data mosaica[4], e reconheceriam o ma­terial do “livro da aliança” como pertencente à Idade do Bronze. Pode­mos não ficar pessoalmente satisfeitos com isso, e desejar ir além, mas pelo menos deveríamos notar essa mudança de posição e ficar agradeci­dos por ela.

IV. Problemas do livro de Êxodo

A existência de problemas no livro de Êxodo não é negada sequer pelos estudiosos mais conservadores: a maioria deles, porém, é de natu­reza geográfica e histórica e poucos, se algum, afetam a mensagem teológica do livro. A maioria desses problemas será discutida breve­mente em sua primeira ocorrência. Alguns serão examinados mais lon­gamente, onde um tratamento mais longo pareceu apropriado. Quanto aos demais, o leitor deve recorrer a comentários mais especializados co­mo o de Hyatt, na série New Century Bible.

Para citar alguns exemplos: não sabemos por quanto tempo Israel esteve no Egito; alguns chegam a dizer que nem mesmo sabemos se Is­rael como uma nação esteve no Egito. Não sabemos a data exata do êxodo (embora possamos oferecer uma data aproximada com o auxílio da arqueologia), nem a rota percorrida por Israel, nem mesmo a exata localização do Monte Sinai. Estes problemas são apenas uma seleção; é possível relacionar mais de cem problemas ainda não respondidos (e a esta altura de nosso conhecimento, sem resposta possível) que surgem no livro de Êxodo. No entanto, nenhum deles afeta o tema teológico central e por isso não devemos permitir que ocupem um lugar proemi­nente em nossa discussão. Não é essencial que saibamos os números, ou a rota, ou a data do êxodo. Basta que saibamos, como os israelitas o sa­biam e criam, que tal evento realmente se deu, e que o interpretemos co­mo um ato redentor de Deus que eclipsava todos os demais uma vez que, em certo sentido, era o ato de criação de Israel. Todos os atos re­dentores subseqüentes eram medidos por este, que era o cerne do credo de Israel. O que a cruz de Cristo é para o crente, o êxodo era para o is­raelita; no entanto, não sabemos nem a data nem o local exatos da cru­cificação, nem um pouco mais do que Israel sabia quanto à data ou lo­calização exata do Monte Sinai. A própria existência desses problemas em nossas mentes mostra apenas que somos ocidentais com inclinações mentais muito científicas. Sem dúvida, num sentido, estamos apenas transportando nossos problemas para as Escrituras e depois culpando as Escrituras por não encontrarmos nelas a resposta. Com certeza, para os autores originais, esses fatos não constituíam problema, ou teriam formulado seus relatos de maneira diferente. Não devemos nos culpar por sermos “homens científicos”, não mais do que os hebreus são cul­pados por serem “pré-científicos”, mas devemos aprender a não fazer às Escrituras perguntas que elas não foram escritas para responder. Se precisarmos fazer tais perguntas, podemos apenas conseguir suposições como respostas.

V. Relevância do livro de Êxodo

É difícil afirmar que livro se constitui no centro, no coração do Ve­lho Testamento mas, certamente, é difícil igualar os méritos de Êxodo. Para os que consideram a teologia essencialmente uma narrativa dos atos redentores de Deus, Êxodo 1-15 dá o supremo exemplo, em torno do qual todo o restante da narrativa bíblica pode ser incorporado. Para os que consideram o Velho Testamento um produto da vida devocional da comunidade, no coração do livro de Êxodo se encontra o relato da instituição da Páscoa, a maior e mais característica das festas de Israel. Sem dúvida, a narrativa de Êxodo pode ser vista como a explicação da origem daquela festa, recitada ou lida em voz alta durante sua cele­bração. Para os que vêem a Tora, a Lei de Deus, como o centro da vi­da e do pensamento do Israel bíblico, Êxodo contém a doação da lei e o próprio cerne da lei sob a forma dos Dez Mandamentos.

Para escritores israelitas mais recentes, com interesses sacerdotais, que viam a continuidade da adoração no templo como um dos pilares do universo, Êxodo continha o relato da construção do Tabernáculo, o precursor do templo. Ao mesmo tempo, não eram apenas os sacerdotes que olhavam para o passado, venerando Moisés e Arão. Moisés também se sobressai como o protótipo de todos os profetas em Israel (Dt 18:18), e os profetas mais recentes, embora cheguem a sondar de perto a mente e os propósitos de Deus, foram, em essência, reformado­res, procurando voltar ao espírito da revelação mosaica e à experiência salvadora de Israel ao ser libertado do Egito.

É natural, portanto, que o êxodo do Egito, interpretado na fé is­raelita como o exemplo supremo da graça, fidelidade e poder de Deus, tenha dominado completamente o pensamento de Israel nos séculos subseqüentes. O êxodo chegou a eclipsar, por um longo período da história de Israel, os grandes eventos da Criação e do período patriar­cal, embora, conforme veremos, tanto o poder criativo de Deus e Sua promessa a Abraão estejam relacionados ao êxodo e até mesmo “cum­pridos” nele, em parte. Nem mesmo a promessa posterior à linhagem de Davi (2 Sm 7:5-17) foi capaz de obliterar a memória da libertação do cativeiro no Egito. Pelo contrário, o êxodo se tornou um modelo ao qual se comparavam outras libertações. Quando os exilados voltaram de Babilônia, não foi motivo de espanto que tal retorno fosse encarado como um segundo êxodo, ainda mais impressionante (Jr 23:7,8), uma outra partida de um outro Egito.

Se o fato do êxodo e, portanto, o livro de Êxodo, era precioso para o judeu, tornou-se duplamente precioso para o crente. Quando Moisés e Elias aparecem conversando com Cristo sobre Sua morte que estava próxima, na narrativa da transfiguração, o evangelista deliberadamente usa a palavra grega êxodos para descrever essa morte (Lc 9:31). Qual­quer que seja o dia exato da morte de Cristo, ela aconteceu claramente dentro do contexto geral da festa da Páscoa (Lc 22:13). Paulo torna es­sa identificação bem específica ao chamar Cristo de “nosso cordeiro pascal” (1 Co 5:7). João, em seu estilo alusivo, sugere esta mesma iden­tificação ao enfatizar que nenhum osso de Cristo fora quebrado na cruz (Jo 19:33,36), tal como osso algum do cordeiro pascal podia ser que­brado (12:46). Daí por diante, em todo o Novo Testamento, as alu­sões se multiplicam. A Páscoa dava início à “festa dos pães asmos” que durava uma semana: assim, o crente deve comer seu “pão asmo” de sinceridade e verdade, livre da corrução do pecado (1 Co 5:6-8).

Prova de que essa associação do êxodo com à redenção não foi uma invenção posterior da Igreja, surgindo porém da mente do próprio Cristo, é a maneira em que, conforme relatado por Paulo, Ele conside­rava Sua morte como o sacrifício da nova aliança (1 Co 11:25), selando com sangue a nova aliança de Deus, tal como no distante passado do li­vro de Êxodo o sangue havia selado a antiga aliança entre Deus e Israel (24:6). Se a antiga aliança havia levado à lei, essa nova aliança, profeti­zada por Jeremias (Jr 31:31), levaria à lei do amor, explicada em deta­lhes em muitas epístolas doNovo Testamento(Rm 13:8, por exemplo).

Seja qual for o ângulo sob o qual estudemos o livro de Êxodo, seus grandes temas, bem como o resto da “Velha Aliança” (que deriva seu nome de fatos narrados em Êxodo), foram cumpridos e não abolidos em Cristo (Mt 5:17). É por isso que, quando o canto dos remidos ressoa nos céus, tem como título o “cântico de Moisés e do Cordeiro” (Ap 15:3). Nenhum outro livro, portanto, dará melhor recompensa a um es­tudo cuidadoso se desejamos entender a mensagem central do Novo Testamento, do que Êxodo, que é o núcleo do Velho Testamento e o re­lato do estabelecimento da Velha Aliança. 




[1] Davies, G. Henton — Exodus, 1967. 


[2] Simpson, C.A. — The Early Traditions of Israel, 1948. 


[3] Comparar North (1951) com Thompson (1970), épocas. 


* Assim, por exemplo, Rowley (Moisés e o Decálogo, 1951); mas nâo Mowinckel (O Decálogo, 1927) ou Alt (Ursprung des Israelitischen Rechts, 1934). Para um resumo re­cente, ver Stamm e Ándrew (The Ten Commandments in Recent Research, 1967).