3 de agosto de 2016

JOHN BRIGHT - A restauração da comunidade judaica na Palestina

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A RESTAURAÇÃO DA COMUNIDADE JUDAICA NA PALESTINA 

1. O começo do novo dia 

No momento em que o Segundo Isaías falava, a esperança parecia estar a caminho de sua realização. A Babilônia
logo caiu diante de Ciro e, dentro de alguns meses, a restauração da comunidade judaica tornou-se, pelo menos potencialmente, um fato. Um novo dia parecia estar despontando
para Israel, surgindo um futuro cheio de promessas. 

a. A queda da Babilônia. — A queda da Babilônia aconteceu rapidamente e com admirável facilidade. Na verdade,
se poderia dizer que o Segundo Isaías não se arriscou ao
predizê-la, pois devia estar evidente para todos que a Babilônia estava perdida. A Alta Mesopotâmia já tinha sido perdida,
como o fora também a província de Elam (Gutium), cujo
governador, um general babilônio chamado Gobrias (Gubaru),
passou-se para o lado de Ciro e começou a realizar incursões
contra a pátria. Dentro da Babilônia, havia provas de pânico
(Is 41,l46;7־,lss) e de extremas desavenças. Devido a suas
inovações religiosas, Nabonidus havia perdido a confiança de
seu povo, uma boa parte do qual queria ansiosamente livrar-se
dele. Seu esforço para reparar os males que havia causado,
reinstituindo o Festival do Ano-novo, chegara atrasado[1]

O golpe estava sendo desfechado. Os exércitos persas já
se tinham concentrado na fronteira e, com a chegada do verão,
desfecharam o ataque. A situação era irremediável. Desejando,
naturalmente, concentrar todas as suas forças — tanto militares quanto espirituais — na defesa da Babilônia, Nabonidus
levou os deuses das cidades distantes para a capital — medida
que teve como resultado corromper os cidadãos cujos deuses
tinham sido retirados. 

A batalha decisiva deu-se em Opis, sobre o Tigre, e redundou numa derrota esmagadora para a Babilônia. A resistência foi anulada. Em outubro de 539, Gobrias tomou Babilônia
sem combate. Nabonidus, que havia fugido, foi depois feito
prisioneiro. Algumas semanas mais tarde, o próprio Ciro entrou triunfalmente na cidade. De acordo com sua própria
inscrição, ele foi recebido como libertador pelos babilônios,
aos quais mostrou a maior consideração. Poder-se-ia considerar
isto como propaganda, se não fosse o fato de que tanto a
Crônica de Nabonidus quanto a assim chamada “narração em
Verso de Nabonidus” trazem a mesma história[2]. Os babilônios
estavam mais que preparados para uma mudança, e a tolerância
era uma característica de Ciro. Nem a Babilônia nem qualquer
outra cidade foram danificadas. Os soldados persas receberam
ordens de respeitar a sensibilidade religiosa da população e
evitarem aterrorizar as pessoas. As condições opressivas foram
melhoradas. Os deuses levados para a capital por Nabonidus
foram devolvidos a seus santuários e as duvidosas inovações
daquele rei, foram abolidas. A adoração de Marduk continuou e o próprio Ciro dela participava publicamente. Apertando a mão de Marduk, Ciro estava realmente proclamando
que reinava como rei legítimo da Babilônia, por designação
divina. E colocou seu filho Cambises como seu representante
pessoal na Babilônia. 

As vitórias de Ciro colocaram sob seu controle todo o
império babilónico. Não se sabe ao certo se ele conquistou a
Palestina e o sul da Síria antes ou depois de conquistar a
Babilônia, e de que maneira realizou estes feitos [3]. Mas, por
volta de 538, todo o oeste da Ásia, até a fronteira egípcia, lhe
pertencia. 

b. A política de Ciro: o Édito de restauração. — No
primeiro ano do seu reinado na Babilônia (538), Ciro proclamou um decreto ordenando a restauração da comunidade
judaica e do culto na Palestina. A Bíblia nos dá duas relações
deste fato: em Esdras (c. 1,2-4) e no capítulo 6,3-5. Esta
última passagem faz parte de uma coleção de documentos aramaicos (Esd 4,8 a 6,18) provavelmente preservados no templo e incorporados pelo Cronista nesta obra, de cuja autenticidade não se pode duvidar[4]. Ele tem a forma de um dikrona (Esd 6,2), isto é, um memorando de uma decisão oral do rei guardado nos arquivos reais. E ordena que o templo seja reconstruído com despesas pagas pelo tesouro real, faz certas especificações gerais para a reconstrução (naturalmente porque o
Estado estava pagando a obra) e manda que os vasos levados
por Nabucodonosor sejam restaurados nos seus devidos usos. 

O outro relato (Esd 1,2-4) é em hebraico e na linguagem do Cronista; duvida-se muito de sua autenticidade. Até
mesmo muitos dos que aceitam a versão aramaica colocam
dúvidas a respeito[5]. Entretanto, ele não contém nenhuma improbabilidade que possa lançar dúvida sobre sua historicidade
essencial. Na forma de uma proclamação real como as que eram
anunciadas aos súditos pelos arautos [6], ele afirma que Ciro
não somente ordenou a reconstrução do templo, como também
permitiu que os judeus que quisessem voltar para a pátria pudessem voltar. Os judeus que ficaram em Babilônia foram
convidados a ajudar na aventura com contribuições. O Cronista também narra a volta dos vasos sagrados levados por
Nabucodonosor (Esd 1,7-11), e nos diz que o projeto foi
colocado a cargo de Sassabasar, “príncipe de Judá” — isto é,
um membro da casa real. Com toda a probabilidade, Sassabasar era o mesmo Seneser mencionado em lCr 3,18 como
filho de Joiaquim, ambos os nomes sendo corruptelas do nome
babilônio Sin-ab-usur[7]

Pode parecer surpreendente que um conquistador tão
grande como Ciro pudesse se interessar pelos problemas de
um povo politicamente tão sem importância como os judeus.
Mas sabemos que seu decreto era apenas uma ilustração de
sua política geral, cuja moderação era surpreendente, política
que foi seguida pela maior parte dos seus sucessores[8]. Ciro
foi um dos governantes realmente de visão dos tempos antigos.
Em vez de esmagar o sentimento nacional com brutalidade e
deportações, como faziam os assírios, seu intento era permitir
que os povos sujeitados, tanto quanto possível, gozassem de
autonomia cultural dentro da estrutura do império. Embora
ele e seus sucessores mantivessem um firme controle por meio
de uma complexa burocracia — a maior parte dcs altos oficiais
eram persas ou medos —, de seu exército e de um eficiente
sistema de comunicações, o seu governo não era violento. Pelo
contrário, eles preferiam respeitar os costumes de seus súditos,
protegendo e promovendo seus cultos tradicionais e, quando
possível, dando responsabilidade aos príncipes nativos. A atitude de Ciro diante da Babilônia seguiu exatamente esta orientação. 

Ao permitir que os judeus voltassem para a Palestina, ao
ajudar o restabelecimento do seu culto ancestral naquela cidade
e ao confiar o projeto a um membro de sua casa real, Ciro
agia estritamente de acordo com tal política. Todavia, não
sabemos como o caso dos judeus chegou tão rapidamente à
sua atenção. Possivelmente os judeus influentes conseguiram ser ouvidos na corte. Uma vez que a Palestina está perto da
fronteira egípcia, teria sido vantajoso para o rei manter lá
um núcleo de súditos leais, e isto deve ter influenciado sua
decisão. Todavia, mesmo que ele tenha agido em seu próprio
interesse e embora certamente não tenha reconhecido Iahweh
como o Segundo Isaías esperava, os judeus tinham motivos para
ser-lhe gratos. 

a. A primeira volta. — Como dissemos, o projeto de
restauração ficou a cargo de Sassabasar, príncipe de Judá. Possivelmente ele partiu para Jerusalém assim que foi possível,
acompanhado dos judeus (Esd 1,5) que tinham sido inflamados
por seus líderes espirituais com o desejo de tomar parte no novo
dia. Não sabemos quantos foram nesta leva. A lista de Esdras c. 2, que reaparece em Neemias c. 7, é posterior, como veremos. Porém, é improvável que tenha havido nessa época uma
volta de grande número de exilados. Além disso, a Palestina
era uma terra longínqua, da qual somente os mais velhos se
podiam recordar, e a viagem para lá era difícil e perigosa. O
futuro da aventura era, na melhor das hipóteses, incerto. Acresce que muitos judeus nessa ocasião já estavam bem estabelecidos na Babilônia; isto é certamente verdade no século seguinte,
quando os nomes judeus aparecem freqüentemente em documentos comerciais de Nippur (473 e depois); possivelmente tal acontecera mesmo antes, como os textos de Elefantina
(495 e depois) indicam que ocorreu no Egito. Muitos
judeus que se tinham enriquecido desejavam ajudar a aventura
financeiramente (Esd 1,4.6), mas não participar dela pessoalmente. Como diz Josephus (Ant. XI, I, 3), eles “não estavam querendo deixar suas propriedades”. É provável que somente alguns dos espíritos mais arrojados e mais delicados tenham acompanhado Sassabasar. 

Não sabemos quase nada da sorte desta leva inicial. O
Cronista, evidentemente não muito informado, parece ter mesclado a carreira de Sassabasar à de seu sobrinho e sucessor
Zorobabel. De Sassabasar ele não nos diz nada mais. Da situação política da nova aventura também nada é certo. A fonte aramaica (Esd 5,14) nos diz que Ciro nomeou Sassabasar
“governador”. Mas o título (pehãh) é bastante vago[9], e não
está clara qual foi a posição oficial de Sassabasar: se governador de uma província de Judá reconstituída e separada, governador delegado do distrito de Judá sob o governo de Samaria
ou meramente um comissário real a cargo de um projeto específico [10]. Mas, como o sucessor de Sassabasar, Zorobabel, é
chamado de “governador de Judá” por seu contemporâneo Ageu
(c. 1,1.14 etc.) [11], ele parece de fato ter tido prerrogativas
políticas. É provável que Sassabasar tivesse recebido o controle,
pelo menos semi-independente, dos negócios de Judá. Mas não
podemos ter certeza. De qualquer modo, a situação política
da nova comunidade permaneceu durante alguns anos um tanto
ambígua. 

Parece, como era de se esperar, que Sassabasar começou
imediatamente o trabalho do templo, lançando os seus alicerces. É verdade que o Cronista atribuí isto a Zorobabel (Esd
3,6-11; Zc 4,9) mas a fonte aramaica (Esd 5,16) concede esta
honra especificamente a Sassabasar. Parece que o Cronista
uniu a obra dos dois homens. Como não sabemos precisamente
quando Zorobabel chegou, é possível que os trabalhos deles se
tenham sobreposto de tal modo que fosse possível atribuir
o lançamento dos alicerces do templo a ambos. Mas é igualmente possível que, embora Sassabasar tivesse começado o
trabalho, tinha-se feito tão pouco que, quando ele foi retomado
mais tarde, o conjunto da obra podia ser atribuído a seu
sucessor. De qualquer modo, começou-se. 

Embora o Cronista não o mencione em ligação com
Sassabasar, é quase certo que recomeçou imediatamente um
certo culto regular. É igualmente provável, como notamos
acima, que houvesse um certo culto durante o tempo em que
o templo estava ainda em ruínas (Jr 41,5). Mas este culto era
naturalmente esporádico e, do ponto de vista dos recém-chegados, irregular. Tinha-se que empreender um novo começo. É
possível que Esdras (c. 3,1-6) refira-se a este começo e a figura de Zorobabel novamente se sobreponha à de Sassabasar [12]. De qualquer modo, deve-se esperar que este passo tenha
sido tomado imediatamente, e podemos supor que o foi. A restauração do culto marcou o verdadeiro começo da restauração. Foi um começo modesto, mas um começo. Os judeus
leais criaram coragem e a história de Israel não terminou,
continuando. 



2. Os primeiros anos da comunidade da restauração 

Por mais encorajadores que tenham podido ser, os passos dados nos primeiros anos da aventura da restauração
foram amargamente decepcionantes, trazendo apenas frustração e desânimo. Com todas as modestas expectativas fracassadas,
como estavam longe da realidade as promessas candentes do
Segundo Isaías! À medida que os anos desalentadores se sucediam, o moral da comunidade ia baixando perigosamente. 

a. A situação mundial: 538-522. — A cena política certamente não oferecia sinais de grandes mudanças, do triunfo׳
repentino e universal do domínio de Israel prometido pelo
profeta. Não havia fluxo de judeus para Sião, Ciro e as
nações não adoravam lahweh. Pelo contrário, o poder persa
crescia cada vez mais, tomando dimensões assustadoras e parecendo invencível. 

Com toda a Ásia Ocidental sob o controle de Ciro, não
havia potência que pudesse terçar espadas com ele. Enquanto
ele viveu, nenhuma rebelião conseguiu turvar a paz do império que ele criou. Quando Ciro finalmente perdeu a vida,
durante uma campanha contra povos nômades além do rio
Jaxartes, seu sucessor foi seu filho mais velho Cambises (530-
522), que tinha sido durante alguns anos seu representante
na Babilônia. Tirando do caminho seu irmão Bardiya, que
ele considerava uma ameaça à sua posição, Cambises afirmou-se no trono. O grande feito de Cambises foi anexar o Egito
ao império, em 525. O faraó Amasis tentou em vão salvar-se,
por meio de uma aliança com o tirano de Samos e pelo uso
liberal de mercenários gregos, mas foi derrotado quando o comandante dos mercenários se bandeou para os persas, traindo
o plano de defesa do Egito. Entrementes, Amasis morreu. Seu
filho Psamético III foi impotente para deter os invasores. O
Egito foi logo totalmente ocupado e organizado como satrapía
do império persa. Embora outras aventuras de Cambises (na
Etiopia, no Oásis de Amon) tenham sido mal sucedidas e uma
campanha projetada contra Cartago se tornasse impossível, os
gregos da Libia, Cirene e Barca também se submeteram a ele. 

A atuação de Cambises no Egito tem sido muito discutida. Os historiadores antigos, seguidos de alguns modernos,
acusam-no de sacrilégio e desconsideração total pela sensibilidade religiosa de seus novos súditos. Mas isto provavelmente deve ser exagero[13]. Embora Cambises possivelmente
fosse epiléptico e não inteiramente normal e ainda que um texto elefantino de um século mais tarde diga que ele destruiu
os templos egípcios, é improvável que ele tenha seguido uma
política diferente da de seu pai em assuntos religiosos. De
qualquer modo, os judeus egípcios não tinham motivo para se
queixar dele, já que ele poupou o seu templo em Elefantina.
Quanto aos judeus da Palestina, não sabemos como ele interferiu em seus negócios. Entretanto, a conquista do Egito,
apoio histórico de Judá em todas as tentativas de independência, deve ter causado uma certa depressão e um sentimento de
preterição. Com Judá sendo apenas uma pequenina província
ou subprovíncia de um império gigantesco que abrangia virtualmente todo o mundo, dentro do alcance visual do homem
do Antigo Testamento onde estava aquele “algo novo” de
lahweh, sua promessa de aniquilar as nações, onde estava seu
governo triunfante, prometido dentro em breve? 

b. A comunidade judaica: anos de dificuldades e frustrações. — Embora saibamos poucos detalhes dos primeiros anos,
é claro que a situação era a mais aflitiva. Era realmente um
“dia de modestos começos” (Zc 4,10). Como dissemos, a reação dos judeus da Babilônia ao Édito de Ciro não foi de
modo algum unânime. A comunidade era, no começo, muito pequena. Apesar de outros grupos de exilados que voltavam
se terem seguido à leva inicial nos ancs seguintes, por volta
de 522 a população total de Judá, incluindo os que já residiam
lá, dificilmente passaria de 20 mil pessoas[14]. A própria Jerusalém, também fracamente povoada, setenta e cinco anos mais
tarde (Ne 7,4) ainda era uma grande ruína. Mesmo que a
terra de que os judeus dispunham fosse muito pequena
(aproximadamente 25 milhas de norte a sul), sua população
estava longe de ser densa. 

Os recém-chegados enfrentaram anos de dificuldades, provações e insegurança. Eles tinham que começar de novo,
numa terra estranha o que, em si mesmo, já era uma tarefa
de grande dificuldade. Eles eram atormentados pela inclemência das estações e sofriam perdas parciais de colheitas (Ag 17;11־), o que deixou muitos na miséria, sem roupa
nem comida (c. 1,6). Seus vizinhos, especialmente a aristocracia de Samaría, que considerava Judá como parte de seu
território e ressentia-se com qualquer limitação de suas prerrogativas lá, lhes eram abertamente hostis. 

Não se pode dizer como nem quando essa hostilidade se
expressou pela primeira vez, mas certamente ela existiu desde
o começo[15]. Tampouco era provável que os judeus residentes
na terra sempre recebessem bem e com entusiasmo o fluxo de
imigrantes. Eles tinham considerado a terra como sua propriedade (Ez 33,24) e ainda a consideravam. Com certeza,
teriam dificuldade em dar lugar aos recém-vindos e em concordar com suas pretensões às propriedades ancestrais. O fato
de os exilados que voltavam se considerarem o verdadeiro
Israel e procurarem separar-se tanto dos samaritanos como de
seus irmãos menos ortodoxos e de pessoas impuras (Ag 2, 10-14) certamente aumentava a tensão. E, como a má vontade
leva à violência, a segurança pública estava em perigo (Zc
8,10). 

Não é, portanto, de se estranhar que as obras do templo,
apenas começadas, parassem. O povo, preocupado com a luta
pela existência, não tinha nem recursos nem energia para
continuar o projeto. A ajuda prometida pelos persas talvez
nunca se tenha concretizado em proporções adequadas, como
as circunstâncias exigiam. Aliás, quer por causa da interferência das autoridades de Samaria, quer por causa da inércia
burocrática, parece que tal ajuda cessou completamente. Poucos
anos mais tarde, ninguém na corte se lembrava mais do Édito
de Ciro (Esd 5,1 a 6,5). Muitos judeus, desanimados com
a fraca estrutura que estavam construindo (Ag 2,3; Esd
3,12ss) e sentindo que a construção de um templo adequado
estava muito além de sua capacidade, estavam prontos a desistir. 

Nesse ínterim, Sassabasar desapareceu de cena. Provavel-
mente ele tenha morrido porque já estivesse perto dos sessenta
na época [16]. Sucedeu-lhe como governador seu sobrinho Zorobabel, filho do filho mais velho de Joiaquim, Salatiel, que
tinha chegado, naturalmente neste meio-tempo, como chefe de
outro grupo de exilados que voltavam. A direção dos negócios
espirituais foi assumida pelo sumo sacerdote Jesus, filho de
Josedec (Ag 1,1; Esd 3,2 etc.), da linhagem dos saduceus,
nascido no exílio (lCr 6,15), que certamente tinha voltado na
mesma época. 

A reconstituição da carreira de Zorobabel é difícil, tanto
porque o Cronista mesclou a obra de Zorobabel com a de
seu tio como porque não sabemos a data de sua chegada. Embora estivesse certamente presente (Ag 1,1 etc.) no segundo
ano de Darío I (520), certamente ele não deveu sua nomeação
àquele rei[17]. Não somente é improvável que, nos perturbados primeiros anos de seu reinado, Dario tivesse tempo para
se ocupar com os negócios dos judeus, mas também, a julgar
pela passagem de Esd 5,1 a 6,5, sabemos que nem ele nem
seus oficiais sabiam coisa alguma da comissão de Zorobabel,
nem da política anterior da Pérsia em Judá. Tudo o que podemos dizer é que Zorobabel chegou entre 538 e 522 —
muito possivelmente bem no começo deste período, durante
o reinado de Ciro, como nos informa a passagem do Cronista[18].
Não se exclui a possibilidade de que ele tenha chegado quando o lançamento dos alicerces do templo, começado por Sassabasar, estava ainda em andamento, estando assim em condições
de levar a obra avante e concluí-la, não fosse a interferência dos
nobres da Samaría (Esd 3,1 a 4,5). Pelo menos, pelas passagens
de Ag 1,3-11 ;2,15-17, parece que o maior retomo de exilados
(provavelmente comandados por Zorobabel) se deu poucos
anos antes de 520. De qualquer modo, dezoito anos depois
de terem começado, as obras do templo ainda estavam nos
alicerces — aliás, tinham parado totalmente. A comunidade
era muito pobre, muito sacrificada e muito desanimada para
levar a obra adiante. 



c. A emergência espiritual da comunidade. — Ageu, Zacarias e Isaías (cc. 56 a 66)[19] indicam que o moral da comunidade estava perigosamente baixo. Realmente, havia o perigo de que, a não ser nominalmente, a restauração viesse
a fracassar completamente. As esperanças do povo tinham
chegado muito alto. O quadro brilhante do novo êxodo triunfal
e do estabelecimento do dominio universal de lahweh em Sião
não tinha a menor semelhança com a dura realidade. Certamente
o Segundo Isaías e seus discípulos continuavam a falar, prometendo uma grande reunião do povo de lahweh, dos judeus
e dos gentios igualmente, numa Sião restaurada e transformada
(Is 56,1-8; 60), proclamando as boas novas da redenção
(c. 61), convocando todos para um trabalho incessante e para
uma oração contínua por Sião (c. 62) e falando da nova criação de Deus que estava prestes a aparecer (c. 65,17-25),
da qual os sofrimentos presentes eram apenas as primeiras
dores (c. 66,7-14). Mas tais sentimentos, infelizmente, não
eram os da maioria. A maior parte do povo queria saber
por que as suas esperanças tinham sido proteladas. As pessoas
piedosas invocavam a Deus, suplicando a sua intervenção (Zc
1,12; SI 44;85), enquanto outros começavam a desanimar (Is 59,1.9-11;66,5). 

A nova comunidade, de fato, era tudo, menos o Israel
ressurgido e purificado do ideal profético. Havia tensões
econômicas, possivelmente resultantes da luta pela terra, inevitável em qualquer repatriação em massa, e provavelmente
agravadas quando o mau tempo levava os menos afortunados
à bancarrota. Alguns sabiam aproveitar-se da infelicidade dos
outros em proveito próprio — mesmo ocultando sua falta de
consciência sob uma fachada de piedade (Is 58,l-12;59,l-8). 

O predomínio de práticas religiosas sincréticas mostra que
muitos em Judá eram tudo, menos javistas dedicados e fiéis (cc.
57,3-10;65,l-7 e ll;66,3ss.l7). A comunidade estava realmente
dividida em dois segmentos que não se entendiam muito bem:
aqueles — a maioria dos exilados que tinham voltado do
exílio — que estavam impregnados dos elevados ideais proféticos e eram fiéis à religião e às tradições de seus pais; e
aqueles — inclusive, provavelmente, o grosso da população
nativa — que tinham absorvido tanto o ambiente pagão que
sua religião já não era o Javismo em sua forma pura. A
medida que a esperança cedia caminho à desilusão, naturalmente aumentava o sincretismo. 

E os próprios líderes espirituais acharam que era necessário fazer uma separação dentro da própria comunidade (Is
65,8-16;66,15-17). Em tal clima não nos devemos surpreender que a missão do Servo de lahweh recebesse menos ênfase.
Embora houvesse muitos profetas que queriam que os estrangeiros desejosos de cumprir as exigências da lei, passassem a
integrar sua comunidade (Is 56,1-8) e ansiassem pelo tempo
em que muitos deles seriam efetivamente admitidos (Is 66, 21; Zc 2,ll;8,22ss), havia o perigo imediato de que a
comunidade perdesse sua integridade, pela assimilação de práticas estrangeiras. Assim, outros líderes, considerando o contato com a população nativa como uma contaminação, achavam
ser preciso deixar de vez de pensar no assunto (Ag 2,10-14). 

Em vista disso, o fracasso da continuação das obras do
templo não era algo trivial. A comunidade necessitava desesperadamente de um ponto focal em torno do qual sua
religião pudesse se reunir. Os profetas podiam falar de um
Deus tão grande que não podia ser encerrado em nenhum
templo, cujas exigências eram a justiça e a humildade e não
uma forma externa qualquer (Is 57,15ss;58,l66;12־,lss). Mas a comunidade não podia ficar indiferente à forma externa, especificamente ao Templo, para manter-se como comunidade.
Entretanto, para falar a verdade, não haveria nenhuma “idade
nova” para Israel, nem mesmo um futuro, enquanto ele estivesse empenhado numa tarefa tangível, mais ou menos mundana, no presente — em breve, na construção do templo.
E suas perspectivas não eram das melhores. Entre a pobreza,
o desânimo e a letargia, não se tinha muito ânimo para qualquer esforço. A maioria das pessoas sentia que o tempo
não era propício para nada (Ag 1,2). 

3. O acabamento do templo 

Mas os líderes judeus estavam plenamente convencidos da importância de terminar o templo, recusando-se a interromper
a obra. Dezoito anos depois da volta dos primeiros exilados da
Babilônia, a energia e a profunda fé desses líderes, ajudados
pelo desenrolar dos acontecimentos mundiais, conseguiram entusiasmar o povo para retomar a obra. Uns quatro anos depois,
o templo estava terminado. Entretanto, paradoxalmente, a consecução dessa meta foi recebida com amarga desilusão. 

a. A ascensão de Dario I e seus conseqüentes distúrbios. 

A partir de 522, o Império Persa foi palco de uma série
de rebeliões, que contribuíram grandemente para desmembrá-lo. Naquele ano, quando Cambises voltava do Egito, através
da Palestina, teve notícia de que um certo Gaumata havia
usurpado o trono e sido aceito como rei na maior parte das
províncias orientais do Império. Este Gaumata fazia-se passar
por Bardiya, irmão de Cambises, que este tinha secretamente
mandado matar alguns anos antes. Em circunstâncias obscuras,
Cambises suicidou-se. Entretanto, um oficial a seu serviço,
Dario, filho do sátrapa Histaspes e membro da família real
em linha colateral, reclamou imediatamente o trono. Aceito
pelo exército, ele marchou para leste até a Média, depôs Guamata e o executou. 

Mas a vitória de Dario, longe de firmá-lo na posição,
provocou a eclosão de uma verdadeira orgia de revoltas em
todo o império. Embora na grande inscrição trilingüe do
rochedo de Behistun procure-se diminuir a oposição que lhe faziam, é claro que a insatisfação alastrou-se de uma extremidade à
outra do reino. Rebentaram rebeliões na Média, em Elam, em
Parsa, na Armênia, em todo o Irã, até as fronteiras lestes mais
afastadas, enquanto que, a oeste, tanto o Egito como a Ásia
Menor eram afetadas. Na Babilônia, um certo Nidintu-bel, que
dizia ser — e possivelmente era — filho de Nabonidus, fez-se
proclamar rei com o nome de Nabucodonosor III e conseguiu
manter-se no trono alguns meses, antes de Dario destroná-lo e
executá-lo. O ano seguinte foi testemunha de outra rebelião
na Babilônia, cujo líder também se chamava Nabucodonosor
e se dizia filho de Nabonidus. Ele também promoveu vários
distúrbios durante alguns meses, até que foi preso e morto
barbaramente pelos persas, juntamente com os que o apoiavam [20]. Durante os dois primeiros anos de seu reinado, Dario teve que lutar sem tréguas, de uma fronteira à outra, para
conseguir vencer. Sua posição só se estabilizou mesmo em 520. 

Assim, parecia que o Império Persa estava literalmente
caindo em pedaços. À medida que o sentimento nacionalista
explodia em toda a parte, criava-se uma tensão inquietadora,
da qual a pequena comunidade judaica não estava de modo
algum excluída. As esperanças adormecidas despertaram. Talvez a hora esperada, a hora do desmoronamento das nações
e do estabelecimento triunfante do domínio de lahweh, tivesse finalmente chegado! 

b. O despertar da esperança messiânica: Ageu e Zacarias. 

— Alguns profetas, convencidos de que o tempo havia chegado, serviram-se dessa esperança para estimular o povo a retomar
a construção do templo. Um deles foi Ageu, cujos oráculos
proféticos situam-se entre agosto e dezembro de 520. O outro
foi Zacarias, que começou a falar no outono do mesmo ano,
portanto, antes que Dario começasse a dominar seus inimigos,
quando o futuro do Império Persa ainda era duvidoso. Embora não seja preciso supor que alguma dessas rebeliões em
particular os tenha levado a falar“, não resta a menor dúvida de
que eles consideravam os distúrbios do seu tempo como um
prelúdio da intervenção de lahweh. Remontando à teologia
oficial de Judá pré-exílico e às promessas feitas a Davi, elas
afirmavam que era iminente o cumprimento de tais promessas.
O entusiasmo criado por suas palavras impeliu a comunidade
a retomar a construção do templo com toda a seriedade (Esd
5,lss;6,14). 

Ageu, em particular, censurava a lassidão e a indiferença
com que o povo ficava em sua própria casa, bem acomodado,
enquanto a casa de lahweh jazia em meio às ruínas. Explicava que as dificuldades pelas quais a comunidade havia passado eram o castigo divino por sua indiferença (Ag 1,1-11; 2.15-19). Convencidos de que lahweh tinha novamente escolhido Sião como sede do seu reino, viam o término do templo
como algo da maior urgência, a precondição necessária à vinda
de Jahweh para habitar no seio de seu povo e cobri-lo de
bênçãos. Severamente separatista, Ageu insistiu para que se
cortasse todos os contatos com os sincretistas religiosos da
terra, que eram, explicava ele, tão contagiantes como tocar
num cadáver (c. 2,10-14). Pensando que o desânimo do povo
se devia ao fato de que a estrutura que eles estavam construindo era extremamente modesta, ele os incitou com a promessa de que lahweh dominaria as nações, encheria o templo
com seus tesouros e tornaria o novo templo mais suntuoso
do que o de Salomão (c. 2,1-9), Chegou até (c. 2,20-23) a
dirigir-se a Zorobabel em linguagem messiânica, saudando-o como o rei escolhido da Casa de Davi, que haveria de reinar
quando o poder imperial ruísse por terra, o que não estava
longe de acontecer. 

Zacarias, a maioria de cujas profecias são de época
posterior às vitórias de Dario, já deixavam bem claro que as
esperanças não seriam realizadas assim tão facilmente, mas ao
mesmo tempo animava o seu povo em sua luta e esforço[21].
Sua mensagem é dada, em boa parte, na forma de visões crípticas, recurso precursor do Apocalipse, tão popular mais tarde.
Como Ageu, Zacarias via nas rebeliões correntes sinais da iminente intervenção de lahweh. Ele incitava os judeus que ainda
moravam na Babilônia a que procurassem fugir para Sião
antes da ira de lahweh, pois lahweh não demoraria a estabelecer o seu domínio triunfante em Sião (Zc 2,6-13). 

Mesmo sendo evidente que Dario era senhor da situação,
ele continuava a assegurar a seu povo que a reviravolta tinha
sido apenas adiada, mas não tardaria: lahweh, zeloso de Jerusalém, a tinha escolhido novamente para sua morada e não se
demoraria a voltar triunfante para sua casa (Zc l,7-17;8,lss;
Ez 43,1-7). E, como o templo devia ser a sede do domínio real
de lahweh, o seu término era da maior urgência para Zacarias.
Por isso é que ele estimulava o povo (cc. 1,16;6,15), declarando que Zorobabel, que havia começado a obra, iria
ser ajudado em sua conclusão pelo Espírito de Deus (4,6b-10a). 

Ele prometia que Jerusalém havia de ser uma grande
cidade, que iria transbordar por sobre suas muralhas (Zc
1,17 ;2,1-5) quando o povo de Deus — e também os gentios
(cc. 2,ll;8,22ss) — afluísse para lá de todas as partes do
mundo (8,1-8). Nesta nova Jerusalém, Jesus, o sumo sacerdote, e Zorobabel, o príncipe da Casa de Davi, seriam como
dois canais da graça divina (c. 4,l-6a.l0b-14). Zacarias também
se dirigia a Zorobabel em linguagem messiânica. Ele declarava
que o esperado “rebento” da linhagem de Davi (cf. Jr 23,5ss)
estava prestes a aparecer (Zc 3,8) para subir ao seu trono —
e que ele não seria outro senão Zorobabel (c. 6,9-15)[22]

É claro que Ageu e Zacarias afirmavam a realização das esperanças inerentes à teologia oficial do estado pré-exílico, fundamentada na escolha de Sião e da dinastia de Davi. Eles consideravam a pequena comunidade como o verdadeiro remanescente de Israel (Ag 1,12.14; Zc 8,6.12) de que falava
Isaías, e Zorobabel como o esperado descendente de Davi que
havia de reinar sobre Israel. Suas palavras eram altivas, inflamadas e altamente perigosas. Mas elas serviam a seu
fim imediato. A obra do templo seguia o seu curso aceleradamente. 

Conclusão e desilusão. — Até que ponto Israel foi
abalado por tais palavras, não temos nenhum meio de afirmar.
Entretanto, não existem evidências de que ele tenha cometido
algum ato de deslealdade. Mas as palavras dcs profetas tinham um certo tom de sedição, e Zorobabel encontrava dificuldades para controlá-las. Quando as autoridades persas tomassem conhecimento delas, podia-se imaginar o que iria acontecer. E, com certeza, havia pessoas que se davam ao trabalho
de fazer chegar aos ouvidos das autoridades persas as palavras
dos profetas. Eram os nobres de Samaria, que tinham sido
tratados asperamente por Zorobabel (Esd 4,1-5) e rejeitados,
quando se ofereceram — sinceramente ou com segundas intenções — para ajudar na construção do templo. De qualquer
modo, como a fonte aramaica nos diz (Esd 5,1 a 6,12),
alguma notícia do caso deve ter chegado a Tatenai, sátrapa de Abar-nahara (a satrapia trans-eufrates, que incluía a Palestina e
a Síria), porque ele foi a Judá para saber o que estava se passando. Naturalmente, ele não encontrou nada que o alarmasse.
Embora tenha perguntado com ordem de quem o templo estava sendo construído e, recebida a resposta, tenha escrito
à corte persa pedindo confirmação, não exigiu nem mesmo
que a obra fosse interrompida nesse ínterim (c. 5,5). Dario,
tendo ou não ouvido falar do entusiasmo messiânico reinante
em Judá, confirmou o decreto de Ciro, que foi encontrado nos
arquivos de Ecbátana. Tatenai recebeu ordens de providenciar
verbas específicas para custear a construção do templo e a
manutenção do culto, e de não interferir de modo algum em
nada. Fica claro, portanto, que não houve nenhuma rebelião,
porque neste caso toda a obra teria parado. 

A obra continuou até março de 515, quando a construção terminou e foi consagrada com grande alegria (Esd 6,13-
-18). O novo templo estava longe de ser o santuário nacional
do povo israelita no sentido em que tinha sido o de Salomão.
Israel não era mais uma nação e, portanto, não mais possuía
instituições nacionais. O templo, construído sob o patrocínio
da coroa persa, incluía sacrifícios e orações para o rei no
seu culto (Esd 6,10). Além disso, como aconteceu durante
todo o período da monarquia dividida, muitas pessoas de
descendência israelita, na Samaria e em outras partes, não
lhe eram fiéis. Entretanto, ele oferecia um local de reunião
e dava aos “remanescentes de Israel” uma identidade, como
a comunidade de culto do templo de Jerusalém. A experiência
da restauração havia sido salva. Tinha sobrevivido à sua primeira crise. E iria continuar. 

Entretanto, sabemo-lo muito bem, as esperanças anunciadas por Ageu e Zacarias não se concretizaram. O trono de
Davi não foi restabelecido, e a época da promessa não teve
a sua aurora. O que aconteceu a Zorobabel foi um mistério. É inteiramente possível que os persas tenham tido notícias do
sentimento que havia em Judá e o tirassem de circulação. Mas
não sabemos. Não há nenhuma prova de que ele tenha sido
assassinado[23]. Todavia, como não ouvimos mais nenhuma palavra sobre ele e como ninguém de sua família lhe sucedeu,
é provável que os persas realmente tenham privado a Casa de
Davi de suas prerrogativas políticas. Parece que Judá continuou como uma espécie de comunidade teocrática, sob a autoridade do sumo sacerdote Jesus e de seus sucessores, até
a época de Neemias (Ne 12,26). Provavelmente Judá continuou
sendo administrado como uma subdivisão da província de Samaria, como o fora no começo, possivelmente por meio
de burocratas locais desconhecidos para nós (Ne 5,14ss). 







[1] A Crônica de Nabonidus (Pritchardt, in ANET, p. 306; cf.
ANE Supl., pp. 562ss) sugere que este esforço de Nabonidus foi na
primavera de 539. Mas, por causa de lacunas no texto, discute-se o
ano da volta de Nabonidus; cf. Galling, o.c., pp. 11-17. 


[2] Para textos referentes ao assunto, cf. Pritchard, in ANET, pp.
306, 312-316. 


[3] O Cilindro de Ciro (Pritchard, in ANET, p. 316) menciona reis
do oeste que lhe trouxeram tributo na Babilônia. Mas Ciro deve ter
ocupado esta área anteriormente. Betei foi destruída mais ou menos por
esta época e, se não o foi por Nabonidus durante a sua campanha na
Síria em 553, o foi possivelmente por Ciro; cf. Albright, in ARI,
pp. 166ss. 


[4] Esta autenticidade foi posta em dúvida notavelmente por Torrey
(o.c., na nota 1, e referência); e também por R. H. Pfeiffer, Introduc-
tion to the Old Testamerit, Harper & Brothers (1941, pp. 823ss. Mas
veja a defesa perfeita de E. Meyer, Die Entstehung des Judentbums,
M. Niemeyer, Halle, 1896, pp. 8-71; v. também H. H. Schaeder, Esra
der Scbreiber, J. C. Mohr, Tubinga, 1930; R. de Vaux, Les décrets de
Cyrus et de Darius sur la reconstruction du temple, in RB. XLVI (1937),
pp. 29-57; "W. F. Albright, in Alex, Marx Jubilee Volume, Jewish
Theological Seminary (1950), pp. 61-82. 


[5] Por exemplo, Meyer, o.c., p. 9; Schaeder, o.c., pp. 28ss; de
Vaux, ibid., p. 57. 


[6] Veja especialmente E. J. Bickerman, The Edict of Cyrus in
Ezra 1, in JBL, LXV (1946), pp. 244-275. Alguns duvidam (por exem-
plo, R. de Vaux, in RB, LXVII [1960], p. 623, e as referências cita-
das) que fosse necessário um decreto de repatriação, entre outras
razões porque, estando a Palestina dentro do império, não se necessitaria
de nenhuma permissão especial para ir lá. Talvez não para grupos ordi-
nários de viajantes; mas suspeita-se que fosse necessária para qualquer
restabelecimento de população (cf. Esd 7,13) — Embora se possa
concordar que o primeiro retomo foi provavelmente pequeno. 


49 Para possíveis exemplos anteriores da Babilônia, cf. Olmstead,
o.c., p. 192. 


[8] Para mais exemplos desta política, cf. Noth, in Hl, pp. 303-305;
H. Cazelles, in VT, IV (1954), pp. 123-125. 


[9] Cf. Alt, in KS, II, pp. 333ss. 


[10] Cf. Alt, tbid.; K. Galling, in JBL, LXX (1951), pp. 157ss;
E. Rudolph, Esra und Nehemia, in HAT (1949), p. 62. 


[11] Cf. também “governador dos judeus” em Esd 6,7, o que, em- 


[12] Cf. R. A. Bawmann, in IB, III (1954), pp. 588ss; Rudolph,
Esra und Nebemia, p. 29: Mas não se exclui que o Cronista tenha sim-
plesmente ignorado Sassabasar, e não o juntado a Zorobabel, e que o
incidente se refere à reorganização do culto sob este último. 


[13] Para discussão da evidência, cf. Olmstead, o.c., pp. 89-92; mais
recentemente, K. M. T. Atkinson, in JAOS, 76 (1956), pp. 167-177. 


[14] A estimativa é de Aibright; para os argumentos, veja BP, pp. 87,
HOss. Outros historiadores (por exemplo, K. Galling, The Gõlã List
According to Ezra 2//Nehemiah 7, in JBL, LXX [1951], pp. 149-158;
ed. alemã revista, o.c., pp. 89-108) relacionam esta lista com Zorobabel.
Porém, é preferível uma data da última metade do século quinto. A po-
pulação total era inferior a cinqüenta mil. Mas mesmo que houvesse
tantos em 520, ela seria talvez menor do que a metade da população
de Judá antes de 587. 


53 Por causa da reunião dos acontecimentos feita pelo Cronista, o
incidente de Esd 4,1-5 é difícil de ser localizado cronologicamente.
Pode pertencer ao reinado de Dario I. Mas as tensões — que eram
políticas, econômicas e sociais — dificilmente teriam começado então.
Cf. Bowman, in IB, III (1954), p. 595. 


[16] Se ele era o quarto filho de Joiaquim (lCr 3,17ss; cf. nota 

acima), então nasceu antes de 592, como indica a evidência cunei-
forme (cf. c. 8, nota 56) — provavelmente alguns anos antes. Não há
razão para se supor que ele tenha voltado para a Babilônia (Rudolph,
Esra und Nehemia, p. 62) e muito menos que tenham ardilosamente
tirado sua autoridade (Galling, in JBL, LXX [1951] pp. 157ss). 


[17] Como alguns argumentaram: por exemplo, Galling, o.c., (na
nota 10), pp. 56-59, que coloca sua chegada em 521/20. Igualmente
Olmstead, o.c., p. 136; D. Winton Thomas, in IB, VI (1956), p.
1039. É verdade que 1 Esdras atribui a nomeação de Zorobabel a Dario
(cc. 3ss;5,l-6). Mas 1 Esdras não é consistente; a passagem de
5,65-73, a exemplo de Esdras 4,1-5, o dá como presente no reinado
de Tiro. 


[18] Cf. Rudolph, Esra und Nehemia (nota 51), pp. 63ss. Galling,
antes (in JBL, LXX [1951], pp. 157ss), preferiu uma data no reinado
de Cambises; cf. Alt, in KS, II, p. 335. Para discussão, referências e
mais literatura, cf. Ackroyd, o.c., pp. 142-148. 


[19] O assim chamado Terceiro Isaías. O grosso deste material deve
ser datado melhor nas décadas imediatamente posteriores a 538, pequena
parte dele muito depois de 515. Cf. recentemente J. Muilenburg,
in IB, V (1956), p. 414 passim; Westermann, o.c., pp. 295ss; Ackroyd, 

o.c., pp. 228-230. Eu penso que os capítulos contêm palavras do Se-
gundo Isaías pronunciadas depois da volta, complementadas por pro-
nunciamentos de discípulos. O grande profeta teria certamente voltado 

— mesmo que só pudesse voltar se arrastando. 


[20] Sobre o problema cronológico, veja as obras citadas na nota
anterior. Conforme o ponto de vista original de Olmstf.ad, a rebelião
de Nabucodonosor III estaria tomando vulto na época; conforme outros
pontos de vista (por exemplo, Meyer, o.c., pp. 82-85; Watermann,
ibid.), seria a rebelião de Nabucodonosor IV. Se é verdade, como alguns
historiadores acreditam, que a Bíblia considera o ano da ascensão de Dario
como seu primeiro ano, isto significa que o “segundo ano” (Ag 1,1;
etc.) é realmente o seu primeiro ano régio (521-520) e haveria um
sincronismo entre as profecias de Ageu e a revolta de Nabucodonosor
IV (agosto — fim de novembro de 521; cf. Parker-Dubberstein, ibid.).
Mas é impossível ter-se uma certeza. 


[21] As profecias de Zacarias são encontradas nos capítulos de 1 a 8 


[22] Estes versículos referem-se a Zorobabel, cujo nome pode ter
ficado originalmente no texto; por exemplo, D, Winton Thomas, in IB,
VI (1956), pp. 1079-1081; F. Horst, Die zwölf Kleinen Profheten
in HAT, 2? ed., (1954), pp. 236-239. Mas cf. W. Eichrodt, in ThZ, 13 

(1957) , pp. 509-522. 


[23] Cf. Olmstead, o.c. (veja nota 33), p. 142.