11 de agosto de 2016

JOHN BRIGHT - A reorganização da comunidade judaica sob Neemias e Esdras

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A. A REORGANIZAÇÃO DA COMUNIDADE JUDAICA SOB NEEMIAS E ESDRAS

1. Neemias e sua obra

O terceiro quartel do século quinto viu uma reorganização total da comunidade judaica, que elevou o seu status,
salvou-á da desintegração e a colocou no caminho certo, que ela deveria seguir durante o resto do período bíblico e, com
pequenas modificações, até hoje. Esta reforma foi realizada
principalmente graças ao trabalho de dois homens: Neemias e
Esdras. Embora as esferas de seus esforços se sobreponham,
foi o primeiro quem deu à comunidade uma situação política
e uma reforma administrativa, e foi o segundo quem reorganizou
e reformou sua vida espiritual.

a. A relação entre as obras de Esdras e Neemias. — A
história de Israel apresenta poucos problemas tão desconcertantes e difíceis de solucionar corretamente do que este. Seria
errado de nossa parte interromper aqui esta narração para
discutir prolixamente as implicações do problema; o leitor
interessado poderá reportar-se ao Apêndice II. Basta-nos aqui
prevenir que o problema é real e que qualquer tentativa de
reconstituição deve permanecer até certo ponto experimental.

O problema centraliza-se na data em que Esdras chegou
a Jerusalém. A data do começo da obra de Neemias é certa,
sendo confirmada independentemente pela evidência dos textos
de Elefantina: vai (Ne 2,1) do vigésimo ano de Artaxerxes I
(445) até (Ne 13,6) um pouco depois do trigésimo segundo ano daquele rei (433). Com respeito à carreira de Esdras, já não existe tal certeza. Os historiadores se dividem
em três grandes campos: os que aceitam a posição, aparentemente baseada nos livros canônicos de Esdras e Neemias, de que Esdras chegou, (Esd 7,7) no sétimo ano de Artaxerxes I (458) — por conseguinte uns treze anos antes de
Neemias — e concluiu sua obra (Ne 8 a 10) pouco depois
da chegada deste (alguns pensam que mesmo antes); aqueles que consideram o “sétimo ano” como o sétimo ano de Artaxerxes II (398) e colocam a chegada de Esdras muito
tempo depois que Neemias desapareceu de cena; e aqueles
que, acreditando que o “sétimo ano” foi um erro dos escribas,
em vez de um outro ano qualquer (plausivelmente o trigésimo sétimo), do reinado de Artaxerxes I, colocam a chegada
de Esdras depois da de Neemias, em 428, aproximadamente,
mas antes que tivesse terminado sua atividade.

Embora nenhum desses pontos de vista se proponha resolver todos os problemas, o último, por razões aduzidas
no Apêndice II, parece ser o mais satisfatório. É o que adotamos nas seções seguintes. Embora pareça contradizer o sentido claro da relação bíblica, que coloca Esdras primeiro,
uma comparação de Esdras-Neemias com a versão grega em
lEsdras (e com Josephus, que a segue), sugere que a obra
do Cronista sofreu séria deslocação, com toda a probabilidade
depois de ter deixado suas mãos. A ordem dos acontecimentos em nossas Bíblias provavelmente é resultado dessa deslocação secundária. De qualquer modo, acredito que a reconstrução apresentada adiante é fiel à evidência bíblica e, ao
mesmo tempo fornece um quadro inteligente dos acontecimentos.

b. A missão de Neemias. — A reconstituição da comunidade judaica deu-se na segunda metade do reinado de Artaxerxes I Longimanus (465-424). Coincidiu, então, mais ou
menos, com a idade de ouro de Atenas, quando nas ruas
daquela cidade caminhavam homens como Péricles, Sócrates,
Sófocles, Ésquilo, Fídias — e muitos outros.

As derrotas para os gregos e os distúrbios no Egito e
na Síria, que marcaram os primeiros anos de seu reinado,
deixaram. Artaxerxes com a tarefa de restabelecer sua posição.
E ele o conseguiu. Com os gregos, ele escolheu o caminho
da diplomacia, quando não o do suborno, caminho que lhe
foi facilitado pela incapacidade crônica dos gregos de trabalharem unidos por longo tempo. Ele começou logo a recuperar-se das perdas na Ásia Menor. E então, quando rebentou a desastrosa Guerra do Peloponeso (431), ele e seu sucessor tiveram o prazer de se sentar e contemplar os gregos destruindo-se a si mesmos. O fim da guerra (404) encontrou
a Pérsia numa posição mais segura do que nunca.

Quanto a Abar-nahara (Palestina e Síria), era do interesse do rei, depois das rebeliões no Egito e da revolta de
Megabyzus, preocupar-se com a estabilidade daquela província,
não só por sua importância intrínseca, mas também porque ela
se encontrava nas vias de comunicação com o Egito, onde a
insatisfação era crônica. As bases de abastecimento ao longo da
rota militar para o sul, através da Palestina, correriam perigo se
uma agitação qualquer se estendesse àquele país. E podemos
imaginar que os judeus revoltados com o tratamento arrogante
e cruel que tinham recebido dos oficiais de Samaria, com seu
desamparo e com a incapacidade do rei em compreender sua
posição (Esd 4,7-23), no momento não morriam de amores
pela Pérsia. Foi o desejo do rei de estabilizar a situação na Palestina que o fez se interessar pelos problemas dos judeus,
quando deles teve conhecimento.

Providencialmente, na corte de Artaxerxes, havia um judeu chamado Neemias, que tinha galgado um alto posto e,
como copeiro do rei, tinha acesso à sua pessoa. Embora fosse
quase certamente eunuco, como sua posição normalmente requeria, Neemias era um homem enérgico e capaz; e, mesmo
sendo de índole um tanto irascível, tinha grande dedicação
à causa de seu povo. Em dezembro de 445 (Ne 1,1-3), uma
delegação de Jerusalém, chefiada por seu próprio irmão Hanani, o informou das deploráveis condições daquela cidade e, sem
dúvida, também da impossibilidade de se livrarem daquela
situação através dos canais oficiais. Profundamente triste e
deprimido, Neemias resolveu dirigir-se ao rei e pedir-lhe permissão para ir a Jerusalém, com autorização para reconstruir
suas fortificações. Era um pedido muito difícil (Ne 1,11), uma
vez que implicava a solicitação de que o decreto anterior do
rei (Esd 4,17-22) fosse revogado. Mas quando, quatro meses
depois (Ne 2,1-8), ele encontrou sua chance, a sua solicitação
foi mais do que bem recebida. Foi-lhe concedido um rescrito
autorizando a reconstrução das muralhas da cidade e dando
orientação para que o material destinado a esta finalidade
fosse levado das florestas reais. Além disso, imediatamente
ou um pouco depois, Neemias foi nomeado governador de
Judá (Ne 5,14; 10,1), que ficou sendo uma província independente, separada da Samaria.

A Bíblia dá a impressão de que Neemias partiu imedia-
tamente, acompanhado de uma escolta militar (Ne 2,9). Mas
Josephus (Ant. XI, V, 7), que segue o texto da versão
dos Setenta, cuja primeira parte foi preservada em lEsdras,
coloca a sua chegada somente em 440. Embora não tenhamos
uma certeza absoluta, esta data pode estar correta. Se
Neemias foi primeiro à Babilônia e reuniu judeus para acompanhá-lo (como afirma Josephus) e, depois, tendo apresentado suas credenciais ao sátrapa de Abar-nahara, se ocupou na
obtenção de material de construção antes de se encaminhar
para Jerusalém (como ele possivelmente fez, uma vez que
a obra já estava começada logo depois da sua chegada), a
data tem sua razão de ser. De qualquer modo, por volta de
440, o mais tardar, ele estava em Jerusalém, tendo assumido
a administração da cidade.

b. Reconstrução das muralhas de Jerusalém. — O mais
urgente problema que se apresentou ao novo governador foi
dar segurança física à comunidade. Assim, ele entregou-se imediatamente à reconstrução das muralhas da cidade, agindo com
rapidez e destemor, pois, de outro modo, seus planos seriam
contrariados antes mesmo de iniciada sua execução. Três dias
depois de sua chegada, ele fez uma inspeção secreta nas muralhas da cidade durante a noite, para avaliar a grandeza da
tarefa que tinha diante de si; e somente ali divulgou seus
planos aos líderes judeus (Ne 2,11-18). Então, assim que
recolheu a mão de obra, começou o trabalho. A mão de obra foi recrutada por meio de uma convocação geral em toda
a Judéia (Ne 3) e as muralhas divididas em seções, sendo um
grupo específico responsável para cada seção. O trabalho
continuava rapidamente; dentro de cinqüenta e dois dias, ficou
concluído um muro. Naturalmente, é incrível que um muro
adequado possa ter sido concluído tão rapidamente por operários tão rudimentares. Josephus (Ant XI, V, 8) está quase
certo quando afirma que a conclusão efetiva — reforço, acabamento das ameias, portões e revestimento, — exigiu dois anos
e quatro meses (até dezembro de 437, de acordo com suas
datas) [1].

Tudo isso foi realizado com incríveis dificuldades. A obra
só chegou ao fim graças à energia e à coragem de Neemias, bem
como à determinação de todo o povo (Ne 4,6). Embora
Neemias tivesse plena autoridade, recebida do rei, ele possuía
poderosos inimigos que não gostavam da sua presença em Jrusalém e não perdiam oportunidade para antepor-lhe obstáculos. O principal dentre seus inimigos era Sanabalat, que,
como sabemos pelos papiros de Elefantina (cf. Ne 4,lss), era
governador da província de Samaria. Apesar de seu nome
babilônio (Sinuballit), Sanabalat era javista como indicam
os nomes de seus filhos, Dalaias e Selemias[2]. Sua família
aliou-se depois, por casamento, com sumos sacerdotes de Jerusalém (c. 13,28). Com ele estava Tobias, governador da
província de Amon, na Transjordânia [3]. Tobias era igualmente
javista como indicam seu próprio nome e o de seu filho Jocanan (c. 6,18), e tinha contatos em Jerusalém; sua família
ainda era importante no século segundo[4]. Sanabalat, que considerava a Judéia como parte legítima de seu território, naturalmente sentia que lha tirassem do seu controle. Tanto ele
quanto Tobias, que se consideravam israelitas e eram aceitos
como tais pelas famílias importantes de Jerusalém, irritaram-se
com o fato de que os judeus mais ortodoxos, como Neemias,
achassem que a religião deles (certamente um tanto sincrética)
era inaceitável e os considerassem como pagãos. A estes dois
estava associado (cc. 2,19;6,1.6) um certo Gasem (Gashmu),
“o árabe”, que é conhecido pelas inscrições como o poderoso
comandante de Kedar (Dedan), no noroeste da Arábia. Sob
o controle nominal persa, seu domínio se estendeu para oeste,
através do Sinai, até o Egito, incluindo Edom, o Negeb e o
sul de Judá[5]. Neemias tinha inimigos por todos os lados!

Tais inimigos recorriam a toda sorte de expedientes para
frustrar os planos de Neemias. Em primeiro lugar, tentaram
a zombaria, esperando com ela minar o moral dos judeus (Ne-
2,19ss;4,l-3). Vendo que este recurso não produzia nenhum efeito, incitaram — com certeza extra-oficialmente e pretendendo ignorar toda a obra — bandos de árabes, amonitas e
filisteus (c. 4,7-12) a realizar incursões contra Judá. Jerusalém foi atormentada, e as cidades mais afastadas, aterrorizadas. De acordo com Josephus (Ant. XI, V, 8), não poucos
judeus perderam a vida. Neemias reagiu (Ne 4,13-23), dividindo seus homens em dois turnos: enquanto uns combatiam,
outros trabalhavam. Ele também (v. 22) trouxe os judeus
dos campos que circundavam Jerusalém para a cidade, tanto
para sua própria proteção como para fortalecer as defesas da
cidade. Vendo que não conseguiam nada, os inimigos de
Neemias tentaram (Ne 6,1-4) atraí-lo para fora da cidade,
formalmente para uma conferência, mas realmente com a
intenção de assassiná-lo, Mas Neemias não era tão tolo assim.

Eles então ameaçaram de acusá-lo de sedição junto aos
persas, (vv. 5 a 9) — e ele desafiou-os a fazê-lo. Mas os
inimigos de Neemias, infelizmente, não estavam somente fora
das muralhas da cidade. Dentro, havia uma quinta-coluna.
Tobias e seu filho, tendo contraído matrimônio com mulheres
de famílias ilustres de Jerusalém (vv. 17 a 19), possuíam
amigos que os mantinham informados de tudo o que Neemias
estava fazendo e, por outro lado, enviavam a Neemias cartas
com a finalidade de abalar o seu moral. Como último recurso
(vv. 10 a 14), contrataram um profeta para amedrontar
Neemias com notícias de um atentado contra sua vida, na
esperança de que ele fugisse para o templo, procurando refúgio, e assim ficasse desacreditado diante do povo. Mas Neemias,
desprezando sua segurança pessoal, não deu ouvidos às atemorizações.

Neemias mostrou que era moralmente superior a seus inimigos. Sua coragem e decisão superaram todos os obstáculos
e mesmo o desânimo de seus seguidores (Ne 4,10), e ele viu
o fim de sua obra. Então, notando que a cidade ainda tinha
poucos habitantes, e sabendo que as muralhas não podiam
protegê-la sem homens que a defendessem, providenciou que
parte do povo se transferisse para lá em levas (cc. 7,4;ll,lss):
muita gente se apresentou como voluntários e, logo depois, as
muralhas foram inauguradas com uma cerimônia solene (c. 12, 27-43) [6]. Estava vencida a primeira batalha. A segurança
interna estava assegurada.

c. A administração de Neemias: primeiro período. — Pouco sabemos da administração provincial realizada por Neemias.
Era uma pequenina província, que não chegava a mais de cinqüenta mil habitantes, no centro da cadeia de montanhas que
vai de Bet-Sur ao norte, até as imediações de Betel. Neemias
já a encontrou dividida em distritos para fins administrativos,
e provavelmente continuou neste sistema, já que o usou como
base do seu recrutamento para a reconstrução das muralhas
(Ne 3) [7]. A província via-se a braços com sérias dificuldades
econômicas, não só devido aos pesados tributos como também em virtude das inclemencias do tempo (c. 5,1-5.15).
Pessoas gananciosas se aproveitavam da oportunidade para
endividar os pobres e dispor deles. Irritado com tais abusos,
Neemias agiu com resolução característica (vv. 6 a 13): chamando os aproveitadores diante de si, fez um apelo patético
às suas consciências e à sua condição de judeus, e em seguida
obrigou-os a prometer que não mais praticariam a usura e
restituiriam o que tinham roubado. E, para garantir a promessa, ele tomou seu juramento solene diante de Deus e da
assembléia do povo. Neemias deu exemplo, dispensando os
privilégios comuns de governador, não adquirindo nenhuma
propriedade e fazendo apenas as coletas necessárias à sua manutenção (vv. 14 a 19).

Segundo indicam todas as evidências, Neemias foi um
governador justo e capaz. Sua lealdade para com o rei estava
fora de dúvida. Se, como Sanabalat acusava (Ne 6,6ss), existia
em Jerusalém alguém que estivesse pregando a rebelião, podemos estar certos de que Neemias não perdia tempo com
tal acusação. Entretanto, a firmeza — de fato, a intransigência — de suas convicções, sua rudeza, sua falta de tato e seu temperamento violento certamente lhe conquistaram inimigos,
apesar de suas virtudes. Como judeu segundo a tradição estrita
vivida no exílio, ele considerava-se em guerra sobretudo com
aqueles, muitos dos quais de famílias importantes, que eram
negligentes em suas observâncias religiosas e que tinham feito
casamentos mistos com os povos vizinhos. E alguns destes
já tinham mostrado que não eram amigos dele, como vimos.
Uma vez que nem todos os incidentes do capítulo 13 de
Neemias podem ser datados com precisão, não podemos dizer
exatamente quando Neemias começou a tomar medidas concretas nesse terreno, mas certamente ele estava a par da situação, e deve ter logo pensado que era necessário fazer uma
reforma religiosa completa. Uma reforma que ele, como leigo,
não podia levar a efeito — especialmente porque a lassidão
e a tibieza tinham alcançado até a própria família sacerdotal.

d. O segundo período de Neemias: suas medidas de
reforma. — O período da gestão de Neemias durou doze anos
(até 433: Ne 5,14), depois dos quais ele voltou para a corte
persa (Ne 13,6). Provavefmente, tendo já sido uítrapassado o
termo da sua licença original (Ne 2,6), ele não pôde mais
prorrogá-la, mas logo deve ter persuadido o rei para que o
nomeasse novamente, pois dentro de breve tempo (provavelmente não mais que um ano ou dois) já se encontrava novamente em Jerusalém. Talvez — embora isto não seja mais do
que uma teoria plausível —, enquanto esteve fora, ele tenha
consultado líderes judeus na Babilônia e traçado planos na corte
persa para regularizar os assuntos religiosos de Judá.

Quando Neemias voltou, encontrou a situação, que já não
era boa, muito pior ainda. Os mais tolerantes tinbam-se
aproveitado da sua ausência. Em particular Eliasib, — o próprio sumo sacerdote (cc. 3,1 ;13,28) — havia chegado ao
ponto de instalar um inimigo de Neemias, Tobias, numa dependência do templo reservada para uso do culto. Tendo conhecimento disto, Neemias, irado, ordenou que os pertences de
Tobias fossem jogados na rua e que o quarto fosse purificado de sua poluição e restabelecido em sua função própria
(c. 13,4-9).

Por esta ocasião, se não antes, Neemias tomou sérias
providências contra a indiferença religiosa reinante. Achando
que os levitas, em virtude de pressões econômicas, por não
receberem o que lhes era devido, estavam deixando o templo para trabalhar (c. 13,10-14), ele tomou providências para que
o dízimo fosse recolhido e nomeou tesoureiros honestos para
administrá-lo. Ele também providenciou (v. 31) para que fosse
mantido sempre um abastecimento de lenha para o altar. Visando deter o comércio que estava sendo praticado no Sábado,
ordenou que as portas da cidade ficassem fechadas todo o dia.
Quando os comerciantes chegavam para montar seus negócios
fora da cidade, ele os ameaçava com prisão e os enxotava (vv.
15-22). Quando descobria crianças de casamentos mistos que
não sabiam nem falar hebraico, ele acendia-se em cólera e, se
os pais estavam com elas, os repreendia e amaldiçoava, puxava-lhes a barba e obrigava-os a jurar que haveriam de desistir
de casamentos mistos com estrangeiros no futuro (vv. 23-27).
Quando ele soube que um neto do sumo sacerdote Eliasib havia
casado com a filha de Sanabalat (v. 28ss) — ele o expulsou da
terra!

Talvez no momento em que se passavam estas coisas e
Neemias tomava estas medidas violentas, foi que Esdras chegou
a Jerusalém. Embora os esforços de Neemias não fossem sistemáticos, mas antes medidas ad hoc, tomadas para resolver situações à medida que surgiam, mostravam que ele era um advogado da mais estrita observância religiosa. Assim, ele deveria
concordar plenamente com o que Esdras tinha vindo realizar,
se realmente não foi ele quem o mandou chamar. Como
veremos, ele apoiou a reforma de Esdras e colocou seu selo
oficial de aprovação sobre ela (cc. 8,9; 10,1). Não sabemos
quanto tempo durou sua gestão depois disto; provavelmente
terminou dentro de poucos anos, talvez quando o seu protetor
Artaxerxes I morreu (em 424). De qualquer modo, em 411,
um persa chamado Bagoas[8] ocupou sua posição, como veremos.

2. Esdras, “o escriba’’

Neemias salvara a comunidade, num sentido físico, dando-lhe uma situação política reconhecida, segurança e uma
administração honesta. Mas não havia, apesar de seus esforços,
reformado radicalmente a vida interior da comunidade. E isto
era de urgente necessidade, para que ela pudesse encontrar
o seu caminho para o futuro, sem o que as medidas de
Neemias teriam tido significação puramente temporária. Providencialmente, contudo, a reforma necessária aconteceu no final da gestão de Neemias (aproximadamente em 428, na reconstituição aqui adotada), com o aparecimento em cena do
“escriba” Esdras.

a. A natureza da missão de Esdras. — A comissão de
Esdras, da qual somos informados no documento aramaico
(Esd 7,12-26), cuja autenticidade não se pode questionar, era
muito diferente da de Neemias. Ela só dizia respeito a assuntos religiosos: Esdras chegou armado com um exemplar da
lei e com um rescrito da parte do rei, concedendo-lhe plenos
poderes para realizar a sua missão. Especificamente (vv. 25ss),
ele tinha a missão de ensinar a lei aos judeus que viviam na
satrapia de Abar-nahara e organizar um sistema administrativo
para que a lei fosse obedecida. Assim, a autoridade de Esdras
era, ao mesmo tempo, mais ampla e mais restrita do que a de
Neemias. Ele não era um governador civil, mas um governador
cuja missão específica era regularizar a prática religiosa judaica.
Ele tratava de negócios seculares somente na medida em que
a Lei sagrada se relacionava com a secular (como na prática
se dava inevitavelmente!)

Por outro lado, sua autoridade não se restringia a Judá,
estendendo-se a todos os judeus que viviam em Abar-nahara
(realmente a maior parte na Palestina). Isto não significa que
Esdras pudesse forçar todo o povo de Israel a obedecer à sua
lei. Compelir à obediência deste modo seria contrário à prática
persa. Significava antes que todos aqueles que aderiam à comunidade de culto de Jerusalém (todos os que se consideravam judeus) teriam que ordenar suas vidas de acordo com a
lei trazida por Esdras. E isto era apoiado pelo decreto régio,
porque um judeu que desobedecesse tal lei desobedece também
“à lei do rei” (v. 26). Além disso, Esdras tinha o direito de
receber contribuições dos judeus babilônios para manter o culto do templo (vv. 15 a 19) e de retirar, até um certo limite,
dos tesouros reais e provinciais, as quantias necessárias para
o mesmo culto (20-22). As pessoas dedicadas ao culto estavam
inteiramente isentas de impostos (v. 24).

O status de Esdras está contido no título de “sacerdote
e doutor da lei do Deus do céu” (Esd 7,12). Isto não significa um doutor da lei em sentido posterior — embora a
tradição, com alguma justiça (cf. v. 6), considere Esdras como
tal — pois o título oficial de Esdras era de comissário do governo. Ele era “Secretário Real para a Lei do Deus do Céu”
(isto é, do Deus de Israel) ou, em termos modernos, “Ministro de Estado dos Negócios Judaicos”, com autoridade específica na satrapia de Abar-nahara. Não sabemos como Esdras
chegou a receber esta comissão. Ele era sacerdote e certamente um representante da posição dos judeus babilónios, que
tinham ficado impressionados com as notícias de indiferença
religiosa em Judá e desejavam pôr um termo à situação.

O fato de que tal escrito tenha sido expedido indica a
influência judaica na corte, em que Neemias era talvez o
único judeu a chegar a uma alta posição (Ne 11,24). De fato,
o próprio Neemias, durante sua visita de 433, pode ter lançado os fundamentos de medida. De qualquer modo, o rescrito, como suas palavras o indicam, foi redigido por judeus.
O rei meramente o aprovou e assinou[9]. Agindo desta maneira,
Artaxerxes estava apenas continuando e ampliando a política
de seus predecessores. Os persas eram muito tolerantes com
os cultos nativos, como vimos, insistindo apenas, para impedir
luta interna e para que a religião não se tornasse uma máscara
para encobrir rebeliões, que tais cultos fossem regularizados
por uma autoridade responsável. E isto se fazia agora em
Judá, onde, devido à sua estratégica localização, desejava-se
sobretudo tranqüilidade interna.

Esdras chegou a Jerusalém provavelmente em 428, ou
aproximadamente. De acordo com suas memórias pessoais (Esd
7,27 a 8,36) [10], ele não veio só, mas, conforme a permissão
que lhe foi dada (c. 7,13), à frente de um grupo considerável,
reunido na Babilônia com esta finalidade. Embora a jornada
fosse perigosa, Esdras tinha vergonha de pedir uma escolta
militar, ou então pensava que isto indicaria falta de confiança
em Deus. A caravana partiu em abril, depois de ter jejuado
e feito orações; quatro meses depois, chegou a salvo em
Jerusalém (cc. 7,8ss;8,31).

b. O começo da reforma de Esdras. — Como a relação
do Cronista pode não seguir uma ordem cronológica (veja
Apêndice II), não podemos ter certeza absoluta de quando Esdras tomou as varias iniciativas que lhe são atribuídas. Mas,
uma vez que sua missão era instruir o povo na lei e regular
os assuntos religiosos de acordo com ela (Esd 7,25ss), pode-se
supor que ele apresentou a lei publicamente o mais cedo
possível, e ele provavelmente o fez. Se, como é provável, a
narração do capítulo 8 de Neemias segue-se cronologicamente
à historia da chegada de Esdras, esta se deu dois meses mais
tarde, juntamente com a Festa dos Tabernáculos. De um
estrado de madeira, erguido com esta finalidade numa praça
pública, Esdras leu a lei desde o romper da aurora até o
meio-dia. Para estar certo de que o povo estava entendendo
(vv. 7ss), ele e seus auxiliares distribuíram uma tradução
aramaica do texto hebraico, seção por seção, possivelmente com
explicações[11]. O povo ficou tão comovido que desatou a chorar. Só com dificuldade é que Esdras, lembrando a alegria
daquele dia, conseguiu contê-los. No dia seguinte, depois de
uma instrução particular aos líderes do povo sobre as exigências da lei, foi celebrada a Festa dos Tabernáculos, com mais
leituras da lei durante todos os dias que a celebração durou.

Apesar do entusiasmo inicial, porém, o trabalho de reforma de Esdras não foi realizado com facilidade. Continuaram
os abusos que tanto tinham chocado Neemias, particularmente
os casamentos mistos, e neles estavam envolvidos profundamente muitos cidadãos importantes, clero, leigos — inclusive
membros da família dos sumos sacerdotes (Esd 10,18; Ne 13,
28) 30. Uns dois meses mais tarde, em dezembro (Esd 10,9; Ne 8.2), Esdras foi forçado a tomar uma atitude drástica (Esd cc. 9 e 10). É improvável que ele tinha estado durante tanto
tempo sem saber da situação. Na verdade, provavelmente, ele
estava a par do que acontecia em geral, mesmo antes de sua
chegada, e com certeza logo depois de ter chegado. Provavelmente ele esperava que bastariam a leitura da lei e as medidas
de Neemias, algumas das quais foram presumivelmente tomadas durante este intervalo. Possivelmente, ele não tomou medidas preliminares por si mesmo. Mesmo assim, embora estivesse muito chocado, Esdras ainda escolheu o processo da
persuasão moral. Com grande mostra de emoção, ele chorou
e confessou o pecado da congregação diante de Iahweh, até
que o próprio povo, sentindo dor de consciência, reconheceu
os seus pecados e a violação da lei (Esd 10,1-5), sugerindo
voluntariamente uma aliança para que se separassem de suas
mulheres estrangeiras e jurando apoiar Esdras em qualquer
movimento que ele sugerisse.

Em seguida, enquanto Esdras continuava a jejuar e a orar,
os príncipes e anciãos ordenaram que todo o povo se apresentasse em Jerusalém dentro de três dias, sob pena de ostracismo e confiscação de bens (Esd 10,6-8). Esdras tinha esta autoridade (Esd 7,25ss); mas ele somente a usava através dos líderes do povo, que ele agora havia conquistado. Isto teve
o seu efeito. Uma grande multidão reuniu-se e, apesar de copiosa
chuva que caía, permaneceu docilmente ao ar livre para
ouvir as admoestações de Esdras. Quase por unanimidade (somente alguns se opuseram), eles concordaram em obedecer às
palavras de Esdras, solicitando apenas algum tempo, porque a
inclemência da estação e a grandeza da tarefa de investigar os
casos impediam a imediata execução dos planos (Esd 10,9-15).
A investigação dos casos, levada a efeito por uma comissão
nomeada por Esdras, começou quase imediatamente, concluindo-se três meses mais tarde (março de 427?) (vv. 16ss).
Todos os casamentos mistos foram dissolvidos (v. 44).

A conclusão da reforma de Esdras: a reconstituição da
comunidade à base da lei. — De acordo com a reconstituição
adotada aqui (veja o Apêndice II), o clímax da carreira de
Esdras foi atingido apenas algumas semanas mais tarde (Ne 9.1), com os acontecimentos narrados nos capítulos 9 e 10
de Neemias. Tendo sido resolvida a questão dos casamentos
mistos, o povo reuniu-se para uma confissão solene de seus
pecados, depois do que jurou viver de acordo com a lei (cc.
9,38;10,29). Especificamente, eles se comprometeram (c. 10,
30-39) a não se casar mais com mulheres estrangeiras, a evitar
o trabalho no Sábado, e a deixar repousar a terra e perdoar
todas as dívidas no sétimo ano. Obrigaram-se também a dar
anualmente uma taxa para manutenção do templo, a providenciar lenha para o altar e a dar as primícias dos frutos. Os dízimos também seriam pagos regularmente, de acordo
com as exigências da lei.

Uma vez que os pontos sobre os quais entraram em
acordo eram, em sua maior parte, os mesmos pelos quais
Neemias se batia (Ne 13) e como este (c. 10,1) encabeça a
lista dos que assinaram, pensou-se muitas vezes que a passagem de Neemias do capítulo 10, apesar da impressão dada
pelo Cronista referia-se realmente ao ponto máximo dos esforços de Neemias e não de Esdras[12]. Naturalmente, isto não
é impossível. Entretanto, é igualmente razoável supor que exatamente aqui o trabalho dos dois homens convergia, e que
cada qual apoiava o outro. Os abusos que Neemias atacava
eram precisamente aqueles que Esdras desejava corrigir. Se
a reconstituição adotada aqui é correta (isto é, que a chegada
de Esdras deu-se durante o segundo período de Neemias como
governador), é ocioso perguntar se as reformas de Neemias
precederam as de Esdras ou vice-versa, porque elas se deram
em grande parte simultaneamente e culminaram no mesmo
ponto.

O compromisso descrito no capítulo 10 de Neemias re-
presenta a conclusão dos esforços dos dois homens. No capítulo
13, nós encontramos um relato sumário do próprio Neemias
sobre a correção de certos abusos — que lhe é plenamente
atribuída. Em Neemias, cc. 9 e 10, e Esdras, cc. 9 e 10, o
Cronista nos narra como tais abusos eram tratados. Ele
atribui a Neemias um modesto papel nos acontecimentos (Ne 10.1), creditando-os em primeiro lugar ao seu herói Esdras.
Mas, de fato, os dois desempenharam papéis indispensáveis.
Neemias, embora já tivesse adotado medidas enérgicas contra
a lassidão religiosa, precisava da autoridade da lei de Esdras,
apoiada como era por decreto régio, para tornar as suas medidas permanentemente efetivas. Mas, como havia tomado tais
medidas e, além disso, assumido a liderança do movimento
para levar o povo ao compromisso da observância da lei (Ne 10.1) , ele não podia — não sendo um homem muito modesto,
como indicam suas memórias — deixar de pretender que a
reforma fosse obra sua. Esdras por sua vez, embora possuindo plenos poderes do governo para impor a lei, necessitava do
apoio do governador civil para que sua reforma entrasse realmente em vigor de maneira eficiente. Mas, como a lei que
Esdras trazia fornecia a base para a reforma e como foi sua
autoridade moral que criou a boa vontade popular em aceitá-la,
o Cronista não está errado em dar-lhe maior crédito. O fato
de que Neemias nada fala do papel de Esdras e o Cronista quase nada do papel de Neemias pode ser explicado supondo-se,
plausivelmente, que os dois homens, ambos de personalidades
marcantes, não tinham muita simpatia um pelo outro. Além
disso, Neemias considerava as suas memórias puramente como
apologia pessoal, enquanto que os interesses do Cronista, predominantemente eclesiásticos, sem dúvida o levavam a considerar o papel do governador civil como subsidiário.



b. A significação da Obra de Esdras. — A reforma de
Esdras parece ter sido concluída dentro de um ano da sua chegada a Jerusalém. Daí em diante, não ouvimos falar mais
dele. Muito possivelmente ele já era de idade avançada, tendo
morrido logo depois que sua missão se concluiu. Josephus
(Ant. XI, V, 5) o afirma, acrescentando que ele foi sepultado
em Jerusalém. Mas também existe a tradição de que ele
morreu na Babilônia. O seu suposto túmulo em ‘Uzair, no sul
do Iraque, manteve-se como lugar santo até os nossos dias.
Não sabemos.

De qualquer modo, Esdras foi uma figura de capital importância. Embora sejam fantásticos os exageros com os quais
a lenda fez dele um personagem não inferior a Moisés não
deixam de ter sua justificação. Se Moisés foi o fundador de
Israel, foi Esdras quem reconstituiu Israel e deu à sua religião
uma forma pela qual ele pôde sobreviver através dos séculos.

O trabalho de Esdras foi reorganizar a comunidade judaica
de acordo com a lei. A premente necessidade de tal reorganização já havia sido indicada. Embora a reconstrução do
templo tenha dado aos judeus um lugar de reunião depois do
intervalo do exílio e um staíus de comunidade de culto a Israel, não podia existir nenhum ressurgimento das antigas
instituições nacionais, como o caso de Zorobabel deixou claro.
Israel não era mais uma nação e tinha pouca esperança ime
diata de o ser. E, apesar da tenacidade das tradições da filiação
tribal, tampouco podia atrasar o relógio, para se reconstituir numa liga de clãs. Se não se encontrasse alguma forma externa nova, Israel não sobreviveria por mais tempo, e se desintegraria
num nacionalismo banal (que já se não desejava mais) ou se
diluiria no mundo pagão — como estava ameaçado, e como se
diluiu a comunidade elefantina. Já vimos como era crítica sua
situação interna e externa. Pois foi Esdras que, dentro da estrutura de estabilidade política dada por Neemias, fez a necessária reorganização com base na lei.

Que lei Esdras trouxe, é uma questão para a qual não
existe resposta certa. Não há razão para se supor que tivesse
sido uma lei totalmente nova, desconhecida do povo. Como ela
já era aceita pelos judeus da Babilônia como a lei de Moisés, a
maior parte dela, pelo menos, podia ser conhecida de longa
data pelos judeus da Palestina. Alguns supuseram que foi o
Código Sacerdotal, que preservou as tradições oficiais do tem-
plo pré-exílico como elas foram transmitidas, recolhidas e postas
numa forma fixa, possivelmente no exílio. Outros pensam que
foi o Pentateuco completado, o qual, existindo há muito tempo todos os seus componentes, foi certamente compilado
mais ou menos em sua forma presente antes da época de
Esdras, embora não existisse ainda nenhuma edição padronizada.
Outros ainda acreditam que foi uma coleção de leis, talvez
incluindo várias outras regulamentações de culto secundariamente anexadas à narrativa do Código Sacerdotal, cujos limites
exatos não podem mais ser determinados [13]. Certamente, não
podemos dizer quais leis Esdras leu realmente em voz alta. Mas
o mais provável é que o Pentateuco completado estivesse em
seu poder, e que ele tenha sido a lei imposta à comunidade
como prática e regra de religião normativa[14]. A Tora, naturalmente, tinha esse status logo depois do tempo de Esdras, e é
plausível supor que esta tenha sido a lei trazida por ele.

De qualquer modo, a lei foi aceita pelo povo num compromisso solene diante de Iahweh, tornando-se assim a constituição
da comunidade. E, como ela também era imposta com a sanção
do governo persa, os judeus ficavam numa situação que lhes
permitia embora sem identidade nacional, existir como identidade definível. Politicamente sujeitos à Pérsia, eles formavam uma
comunidade reconhecida, autorizada a tratar dos seus assuntos
internos de acordo com a lei do seu Deus. Tinha-se dado a
transição de Israel de uma nação para uma comunidade sujeita
a uma lei. E como tal, a partir de então, poderia existir mesmo
sem ser um Estado e encontrando-se espalhada pelo mundo.
O caráter distintivo dos judeus não seria uma nacionalidade
política, tampouco primariamente um background étnico, nem
mesmo uma participação regular no culto do templo (impossível
para os judeus da Diáspora), mas a observância da lei de
Moisés. Tinha-se traçado a linha divisória da história de Israel,
e seu futuro estava assegurado para sempre.






[1] Foram encontrados no lado leste da cidade traços do muro de 


[2] Mencionado nos textos elefantinos; cf. Pritchard, in ANET,
p. 492. 


[3] Neemias (Ne 2,10; 19; etc.) desdenhosamente o chama de “o
amonita”, e “o servo”. Este último, entretanto, era seu título oficial
(servo do rei). 


[4] Sobre os filhos de Tobias, cf. C. C. McCown, in BA, XX (1957),
pp. 63-76; B. Mazar, in IEJ, 7 (1957), pp. 137-145, 229-238; v. tam-
bém R. A. Bowman, in IB, III (1954), pp. 676ss, para literatura poste-
rior. 


[5] Cf. W. F. Albright, Dedan, in Geschichte und Altes Testament,
G. Ebeling, ed., J. C. B. Mohr, Tubinga, 1953, pp. 1-12; I. Rabinowitz,
in JNES, XV (1956), pp. 1-9. Gasem deve ter tido uma resistência em
Láquis; cf. Wright, in BAR, pp. 206ss. Para um melhor sumário das
evidências, cf. W. J. Dumbrell, The Midianites and Their Transjor-
danian Successors, Dissertação, Harvard University, 1970, c. 6. 

[5] Neemias 6,15 coloca o começo cinqüenta e dois dias antes do
mês de Elul, isto é, em Ab (agosto) — de 439, de acordo com as
datas de Josephus. Cf. Albright, ibid. 


[6] Isto aconteceu alguns anos mais tarde, se a menção a Esdras
(Ne 12,36) é original; mas pode não ser. Cf. Apêndice II. 


[7] Cf. Ahaboni, in LOB, pp. 362-365. Uma vez que a palavra para
“distrito״ (pelek) é acádia, o sistema pode remontar aos dias neobabi-
iônios; cf. Noth, in Hl, p. 324. 


[8] Ou então um judeu com um nome persa; veja logo mais adiante,
p. 546. 

[8] Cf. especialmente H. H. Schaeder, Esra der Schreiber, J. C. B.
Tubinga, 1930, pp. 39-59. 


[9] Cf. E. Meyer, Die Entstenung des Judenthurns, M. Niemeyer,
Halle, 1896, p. 65. Schaeder, o.c., p. 55. 


® Cf. Apêndice II, p. 542. 


[11] Cf. W. Rudolph, Esra und Nebemia, in HAT (1949), pp. 146-
-149; R. A. Bowman, in IB, III (1954), pp. 736ss; Schaeder, o.c.,
pp. 52ss. Mas cf. G. von Rad, Studies in Deuteronomy, Trad ingl.: SCM
Press, Ltd., Londres, 1953, pp. 13ss. 


[12] Cf. Rowman, in IB, III, p. 757; Rudolph, Esra und Nehemia,
pp. 167, 173. Rudolph, cuja reconstituição em muitos pontos é seme-
lhante à adotada aqui, acha que o Cronista tentou esconder o fato
de que os esforços de Esdras terminaram em fracasso. Eu mesmo não
vejo qualquer razão para acreditar que Esdras tivesse falhado. 


[13] Sobre vários pontos de vista e mais referências, veja por exemplo,
Bowman, in IB, III, pp. 733ss; Noth, in Hl, pp. 333-335; H. H.
Rowley, in BJRL, 38 (1955), pp. 193-198. 


[14] Proposta por J. Wellhausen (Geschichte Israels I, G. Reimer,
Berlim, 1878, p. 421), hoje é aceita por vários historiadores; por
exemplo, Schaeder, o.c., pp. 63ss; Albright, in BP, pp. 94ss; H.
Cazelles, La mission d’Esdras, in VT, IV (1954), pp. 113-140; cf.
p. 131 etc. 

[14] Naturalmente não se deve dar muita ênfase a este, porque Bagoas
pode ter sido um judeu com nome persa. Mas Josephus (Ant. XI, VII,
1) acredita, sem deixar margem a dúvida, que ele era persa; e a narra-
ção de Josephus parece aqui fundamentar-se numa tradição fidedigna;
cf. K. Galling, Studien zur Geschichte Israels im persischen Zeitalter,
J.C.B. Mohr, Tubinga, 1964, pp. 161-165,