20 de agosto de 2016

JOHN BRIGHT - Os judeus através dos séculos quarto e terceiro

antigo testamento danilo moraes
PERÍODO DE FORMAÇÃO DO JUDAÍSMO 

O FIM DO PERÍODO DO ANTIGO TESTAMENTO

Da reforma de Esdras ao início da revolta dos Macabeus

Os séculos abrangidos por este capítulo levam-nos ao fim
do período do Velho Testamento. No decorrer desse período,
os feitos de Esdras e Neemias frutificaram, da mesma forma
que o judaísmo gradualmente assumiu a forma que o caracterizaria sempre, daí em diante. Tentar contar com exatidão a história dos judeus neste período, porém, é na verdade uma
tarefa ingrata. Por surpreendente que possa parecer, nenhum
período da história de Israel, desde Moisés, é tão mal documentado. Por volta do fim do século quinto, a narrativa
histórica da Bíblia cessa por completo; só no século segundo
(175 em diante), quando surgem trabalhos tais como os livros

I e II Macabeus, é que podemos dizer que as fontes históricas
judaicas recomeçaram. Embora seja muito conveniente conhecer a história geral do Antigo Oriente, durante grande parte desta época (particularmente o século quarto), nosso conhecimento a respeito dos judeus é quase nulo. É verdade que a notável literatura que engloba as partes mais recentes do Antigo Testamento e o mais antigo dos escritos não canônicos, cai dentro deste período. Mas estes escritos, embora mostrando um quadro claro do desenvolvimento religioso, não dão uma informação histórica muito exata. Nossa história, portanto, pode — e forçosamente deve — ser contada com uma brevidade desconcertante.


A. OS JUDEUS ATRAVÉS DOS SÉCULOS QUARTO E TERCEIRO

1. O último século do dominio persa

Embora o Cronista registre (Ne 12,10-11.22) os nomes
dos sumos sacerdotes até aproximadamente o fim do século
quinto, e também dos descendentes de Davi até a mesma época
(lCr 3,17-24), sua narrativa termina com Esdras (isto é, aproximadamente 427). Ainda que o último quartel do século quinto
esteja um pouco iluminado pelos textos elefantinos, no século
quarto já entramos naquele período de quase total obscuridade
há pouco descrito.

a. O fim do século quinto. — Pouco depois que as reformas de Esdras e Neemias se concluíram, Artaxerxes I morreu
(424). Sucedeu-lhe Darío II Nothus, depois de ter assassinado
seu pai Xerxes II, o legítimo sucessor de Artaxerxes I (423-404);
os detalhes de seu reinado não são de nosso interesse. É suficiente dizer que foi durante seu reinado que houve a interrupção da guerra do Peloponeso (a paz de Nícias, 421-414), o seu recomeço e finalmente o seu término, com a capitulação de
Atenas em 404. A Pérsia, pela diplomacia e pelo suborno, e
graças à corrupção grega, foi capaz de transformar tudo isso numa
vitória para si mesma e estabelecer seu controle sobre a Ásia
Menor, mais firmemente do que nunca.

Os negócios de Estado em Judá, neste meio-tempo, são
obscuros. O segundo período da gestão de Neemias como governador provavelmente terminou poucos anos depois de 428/7.
Pouco tempo depois, sucedeu-lhe seu irmão Ananias, que ocasionalmente tinha servido como seu representante (Ne 7,2).
Isto é provável, se o Hananias mencionado no “Papiro da
Páscoa” elefantino, de 419, era realmente o irmão de Neemias
e (como é bem provável) o chefe dos Negócios de Estado
judaico em Jerusalém [1]. Mas não temos certeza. Após 410,
entretanto, como contam os textos de Elefantina, um persa chamado Bagoas (Bagohi), era governador de Judá[2] e o sumo
sacerdote era Joanan, neto de um contemporâneo de Neemias, Eliasib. De acordo com Josephus (Ant. XI, VII, 1), este
Joanan brigou com seu irmão Jesus: como ele estava conspirando para ficar com seu cargo, Joanan matou-o dentro do
próprio templo. Este ato chocante — segundo Josephus —
levou Bagoas a impor severas penalidades aos judeus por muitos anos, o que pode ter prejudicado Joanan irreparavelmente
aos olhos do povo. Provavelmente, pouco depois disso, ele
deu lugar a seu filho Jadua, o último sumo sacerdote incluído
na lista pelo Cronista.

Em contraste com a obscuridade dos negócios de estado
em Judá, as propriedades da colônia judaica no Alto Egito nesse
quarto de século estão brilhantemente ilustradas pelos textos
de Elefantina[3]. Acima já falamos desses judeus e de seu culto
sincrético. Em 419, um decreto real foi proclamado (o assim
chamado “Papiro da Páscoa”) através do sátrapa Arsamés
e Hananias (possivelmente irmão de Neemias e chefe dos
negócios de Estado em Jerusalém) para Edonias, sacerdote da
comunidade elefantina, ordenando que a “Festa do Pão Ázimo”
fosse celebrada de acordo com a lei judaica. Isso indica que
Dario II estava seguindo a mesma política de seu pai e ampliando-a, procurando regularizar a prática de todos aqueles
que na parte oeste do império afirmavam ser judeus (como
fez a colônia elefantina), de acordo com a lei. promulgada por
Esdras (cf. Esd 7,25ss).

Estes mesmos textos nos mostram que, em 410, durante
uma ausência de Arsamés do país, irrompeu um tumulto em
Elefantina, liderado pelo sacerdote de Khnum e com a conivência do comandante do exército persa, durante o qual foi destruído o templo dos judeus. Os egípcios, sem dúvida, tinham preconceito contra os judeus, não só devido à sua posição privilegiada, mas também por causa de seu costume dé sacrificar animais, o que era uma ofensa aos olhos dos egípcios. Embora
o tumulto fosse sufocado e os responsáveis punidos, os judeus
tiveram problemas para reconstruir o templo. Eles contam
como escreveram para Joanan, o sumo sacerdote, pedindo que
empregasse seus bons ofícios em favor deles, porém queixam-se de que ele nem mesmo se dignou a responder. Além do
mais, na opinião do clero de Jerusalém, nunca deveria ter
havido um templo no Egito. Três anos mais tarde (407), os
judeus elefantinos escreveram para Bagoas, governador de Judá, e para Dalaías e Selemias, filhos de Sanabalat, governador
de Samaria, pedindo sua intervenção. Bagoas e Dalaías responderam favoravelmente, autorizando-os a encaminhar a questão
ao sátrapa Arsamés[4] — e evidentemente foi o que fizeram.
É interessante que, em sua petição — naturalmente segundo
sugestão do memorando que a autorizava —, eles prometiam
não oferecer mais sacrifícios animais, mas ofereceriam somente
incenso, comida e bebidas, sem dúvida na esperança de que a
ofensa aos judeus de Jerusalém, aos egípcios e às autoridades
persas (que não praticavam sacrifícios animais), pudesse assim
ser reduzida ao mínimo. Textos publicados alguns anos atrás
mostram que o apelo foi bem sucedido, o templo foi reconstruído e já existia no ano 402 a.C.[5] O incidente ilustra quão
próximo, apesar de toda a sua heterodoxia, esses judeus se
sentiam de seus irmãos da Palestina e também quão importante
Jerusalém, com seu novo status oficial e espiritual, era aos
seus olhos. Mas, uma vez que foi feito tanto a Jerusalém quanto
à Samaria, o apelo também demonstra que o rompimento de
relações entre judeus e samaritanos — que, embora demorasse
a se formar, tornou-se inevitável — até aquele momento era
de pouca importância para os judeus que moravam fora.

a. Os últimos reis persas. — Sob o domínio de Artaxerxes II Mnemon (404-358), que sucedeu a Dario II, o império enfrentou um clima tão pesado que parecia a ponto de
desmoronar. Pouco depois de sua ascensão, o Egito, sempre
impaciente, rebelou-se e conquistou a sua independência (401),
assim permanecendo por uns sessenta anos [6]. Antes que o rei pudesse tomar medidas a respeito, enfrentou uma rebelião
per parte de seu irmão Ciro (o Moço). Este príncipe, que
tinha sido sátrapa na Ásia Menor, quase foi bem sucedido na
tentativa de assassinar Artaxerxes no dia de sua coroação. Perdoado, voltou à Ásia Menor e, recrutando um exército
que incluía treze mil mercenários gregos, lançou-se em direção
leste, contra a Babilônia (401). Lá, em Cunaxa, foi derrotado
e morto. A retirada para o mar Negro, durante o inverno, dos
dez mil sobreviventes gregos, foi imortalizada por Xenofonte
em sua Anábase. Artaxerxes tinha então que restabelecer sua posição na Ásia Menor e em relação aos gregos. E isso ele fez
com sucesso, usando ouro persa para lançar gregos contra gregos,
até que, com toda a Hélade esgotada, ele foi capaz, mais de
uma vez, (por exemplo na “Paz do Rei” de 386) de ditar termos até mesmo para os gregos da Europa.

Mas, no momento exato em que Artaxerxes parecia estar a
ponto de obter pela diplomacia o que Dario I e Xerxes não
tinham conseguido pela força das armas, a parte oeste do império foi sacudida pela “Revolta dos Sátrapas”. Os sátrapas ocidentais, muitos dos quais reis por hereditariedade, apenas no-minalmente controlados pela coroa, foram instigados a declarar
sua independência pelo descontentamento popular em relação
aos pesados impostos e pelo exemplo do Egito, que o rei não
tinha sido capaz de reconquistar. Dentro em breve, quase
todo o império, a oeste do Eufrates, estava em revolta. Os
rebeldes uniram-se, formaram uma coalizão e cunharam suas
próprias moedas. Mas (aproximadamente 360), quando o faraó Tachos dirigiu-se para a Síria em sua ajuda e as forças rebeldes atravessaram a Mesopotâmia, a Pérsia foi salva por uma
revolta no Egito, que levou Tachos a abandonar seus aliados e
render-se. Então, a revolta foi sufocada nem bem havia começado. Um a um, os rebeldes se renderam; alguns foram perdoados, e os outros executados. Artaxerxes II morreu deixando o império intacto. Só o Egito ainda era independente, mas, evidentemente, estava enfraquecido internamente.

Sob o domínio de Artaxerxes III Ochus (358-338), a
Pérsia parecia redobrar momentaneamente as forças. Um homem
enérgico, mas selvagemente cruel, Artaxerxes III subiu ao trono
passando por cima dos corpos de todos os seus irmãos e irmãs,
que ele assassinou como possíveis rivais. Tendo sufocado as
revoltas em todos os lugares com mão de ferro, ele voltou-se
depois para a reconquista do Egito. Durante uma tentativa
inicial, que falhou, ele queimou a cidade de Sidon, com milhares de seus habitantes. Por volta de 343, seu objetivo foi alcançado, e a independência egípcia terminou. Todavia, aparentemente mais forte que nunca, o império na verdade estava nas últimas. Artaxerxes III foi envenenado, sendo sucedido por seu
filho Arses (338-336), que também foi envenenado e teve
todos os seus filhos assassinados. O fato de que o rei seguinte,
Dario III Codomannus (336-331), fosse neto de um irmão de
Artaxerxes II, mostra claramente como a linhagem dos Aquemênidas tinha virtualmente se exterminado a si própria com suas
sangrentas intrigas. Este Dario teve que enfrentar o julgamento.
Enquanto Artaxerxes III governava na Pérsia, Filipe II da Macedônía (359-336) estava consolidando gradualmente o seu poder
sobre os estados gregos esgotados. Se os persas não estavam
preocupados com isso, havia gregos que estavam, como o ilustram as Filípicas, de Demóstenes. Em 338, o ano em que Artaxerxes foi envenenado, a vitória de Filipe em Queronéia colocou
toda a Hélade sob seu domínio. Em 336, Dario III subiu ao
trono, enquanto Filipe, que tinha sido assassinado, era sucedido por seu filho Alexandre. Embora ninguém na Pérsia o percebesse, as palavras fatídicas estavam escritas.

b. Os judeus no último período persa. — Tal era a situação do mundo durante os primeiros dois terços do século quarto.
Mas o que sabemos a respeito dos judeus neste período? Quase
nada! De fato quase não se pode indicar um só acontecimento
e dizer com segurança que realmente ocorreu. Dos judeus da
Babilônia, de qualquer outra parte do império persa e do
Baixo Egito, não temos absolutamente qualquer informação.
No tocante à colônia de Elefantina, seus textos cessam quando
começa o século quarto, e não sabemos o que aconteceu com
ela. Possivelmente, sendo conhecida por sua antiga lealdade à
Pérsia, caiu vítima do nacionalismo egípcio que ressurgia[7]. Alguns dos seus membros sobreviventes provavelmente dispersaram-se, ficando totalmente perdidos para o judaísmo.

Quanto à comunidade em Judá, pouco se podia dizer
além de que ela existia. Nós não sabemos nem mesmo os
nomes de seus sumos sacerdotes ou de seus governadores civis.

Na Palestina, fora de Judá propriamente dito, o povo de origem israelita continuou a manter-se como antes, sendo a maioria
deles, pelo menos nominalmente, javistas. Alguns deles, especialmente na Galiléia e na Transjordânia, sem dúvida como
resultado indireto das reformas de Esdras, passaram a se considerar como parte da comunidade judaica. Pelo menos isso
foi verdade por volta do século segundo (cf. IMe 5) e o foi
provavelmente logo depois.

Por outro lado, as relações entre judeus e samaritanos continuava a piorar. É uma questão delicada quando se deu exatamente o rompimento final de relações entre ambos. Provavelmente este rompimento foi se dando aos poucos, de modo que não se pode fixar uma data precisa. Talvez seja correto considerar a fixação das escrituras samaritanas (o Pentateuco) em sua
escrita arcaizante, o que parece ter acontecido no fim do
século segundo a.C., como o fim definitivo do processo, visto que
foi então que os samaritanos surgiram como uma seita religiosa
distinta, completamente alheia à dos judeus. Certamente, o
cisma era irremediável àquela altura. Fora, porém, uma longa
história de antagonismo mútuo e de constantes atritos desde
os tempos de Zorobabel, séculos antes, que preparara o terreno
para que o cisma se tornasse inevitável. Particularmente a separação política entre Judá e Samaria, sob o domínio de
Neemias, seguida da obra de Esdras, marcou um passo para a
separação religiosa irreversível. Como sempre na longa história
de Israel (tanto nos dias de Jeroboão I, como agora), a separação política e a religiosa marcharam lado a lado. Embora os
samaritanos aceitassem o Pentateuco como a lei de Moisés,
os judeus tradicionais do tipo de Neemias os consideravam como
estrangeiros e inimigos (o que muito freqüentemente eles
foram) e não os acolhiam na comunidade do templo. E, como
orgulhosos israelitas do norte, os samaritanos dificilmente concordariam com a idéia, classicamente expressa pelo Cronista,
de que o verdadeiro Israel era o remanescente restaurado de
Judá, nem podiam admitir que o único lugar em que seu
Deus podia ser legitimamente adorado ficasse além das fronteiras da província, em Jerusalém. Tal situação devia inevitavelmente levar, mais cedo ou mais tarde, à separação religiosa. E assim aconteceu.

Aparentemente, foi no fim do período persa que os samaritanos construíram o seu próprio templo, na montanha
Garazim. Josephus, que fala a respeito disso (Ant. XI, VIIss),
conta que ele foi feito por Sanabalat, depois de seu genro ter
sido banido de Jerusalém (cf. Ne 13,28). Mas Josephus
complica as coisas ao colocar o incidente na época de Alexandre, o Grande; ou seja, aproximadamente um século depois
da época de Neemias — e de Sanabalat. Contudo, sabemos
agora que um Sanabalat II governou Samaria no começo do
século quarto e, logicamente, conclui-se que um Sanabalat III
foi governador durante o reinado de Dario III, visto que a
“paponímia” (o hábito de dar ao neto o nome do avô) era
moda entre as famílias nobres da época. Josephus condensou
várias gerações e, naturalmente, confundiu dois homens com
o mesmo nome.

É provável que a permissão para construir o templo
tenha sido concedida por Dario III (ou seu predecessor) e
que o trabalho já estava em andamento quando Alexandre chegou. Presumivelmente Alexandre confirmou a permissão, e a
construção foi terminada. Pouco depois disso, como veremos,
por causa de uma revolta, a Samaria foi destruída e reconstruída pelos gregos. Os samaritanos, que tinham sido desalojados
da cidade, reconstruíram então a cidade de Siquém, a qual
estava há muito em ruínas, e dela fizeram seu centro cultural
e religioso [8]. Embora o aparecimento dos samaritanos como
uma seita religiosa distinta ainda fosse coisa do futuro, o rompimento entre judeus e samaritanos chegou a um ponto
em que não podia mais ser sanado.

Como dissemos, não se sabe quase nada dos negócios de
Estado em Judá nesse meio-tempo. Parece que tinha a condição de uma comunidade de cidadãos semi-autônoma, à qual
era permitido cunhar sua própria moeda e tributar seus próprios
cidadãos. Lá pelo século quarto, aparecem moedas de prata
semelhantes à dracma ática (o padrão ático da moeda era
predominante em toda a parte ocidental do império persa), que
levava a inscrição Yehud (Judá) ״. Há também impressões
de selo real em asas de jarros (ou em suas paredes) com as
palavras Yehud ou Yerushalem. Provavelmente estes recipientes
eram usados nas coletas de impostos em espécie. Em algumas
destas gravações, aparece o nome de uma pessoa em particular,
que, em alguns casos, parece ser de alguém designado como
“governador”. É incerto se este nome era o de um oficial
civil indicado pela coroa ou de um membro do clero. Na
medida em que um ou dois dos nomes eram comuns nas
famílias sacerdotais no período pós-exílico, parece possível
tratar-se do tesoureiro do templo, se não do próprio sumo
sacerdote. Sendo assim, vemos aqui o prenúncio de uma
situação posterior, quando a autoridade civil e religiosa estavam
concentradas nas mãos de uma só pessoa, o sumo-sacerdote.
Mas nada mais se sabe além destas poucas indicações.

Embora durante este período possa ter havido distúrbios
que envolveram Judá, não podemos dizer nada definido sobre eles. Na maioria dos casos, parece que cs judeus se contentavam em tratar de seus próprios negócios e deixar que a
história se esquecesse deles. Isso não quer dizer que Judá tenha
ficado isolado do mundo que o rodeava. Só uma coisa que
Neemias temia (Ne 13,23ss) talvez já começasse a acontecer:
é possível que já se tivesse iniciado o longo processo pelo qual o aramaico substituiu o hebraico como linguagem de conversação diaria da maioria dos judeus. Isso provavelmente era inevitável. Uma vez que o aramaico não era somente a língua dos
vizinhos próximos dos judeus, mas também a língua franca e a
língua oficial da parte ocidental do império persa, era quase
necessário que os judeus a aprendessem, primeiro como uma
segunda língua, e acabassem preferindo-a à sua própria. Devese acentuar que não foi uma mudança repentina, mas um
processo muito lento, que não se realizou completamente nos
tempos bíblicos. O hebraico não só permaneceu como a língua dos discursos e composições religiosos, como também continuava a ser uma língua falada, pelo menos na Judéia dos
primeiros séculos cristãos, como indicam claramente os textos
de Qumran e outros manuscritos descobertos. (Bar-Cochba escreveu cartas em hebraico em 132-135 d.C.)[9]. Contudo, a
adoção do aramaico estava se tornando crescente, sendo muito
difundida desde o século quarto, como mostram moedas,
impressões de selos reais e outras descobertas. Os escritos
hebraicos da época pré-exílica foram substituídos por uma
forma de “letras quadradas”, com as quais estamos familiarizados, e que foram adaptadas do aramaico [10].

O impacto da cultura grega (que não começou com Alexandre, como supunham alguns), igualmente se fez sentir[11].

Os contatos com terras do Egeu, geralmente freqüentes em
qualquer período da história de Israel, tinham sido constantes
desde o século sétimo, e se multiplicaram através dos séculos
quinto e quarto, durante a época em que a Pérsia e a Grécia
tinham relações constantes, fossem elas amigáveis ou hostis.
A Ásia foi inundada por aventureiros gregos, mercenários,
letrados e comerciantes. Em Judá, a cunhagem seguiu os padrões áticos, como foi mostrado acima, enquanto que os
artefatos e cerâmicas gregas foram despejados sobre Judá
através dos portos fenícios e transportados ao longo das rotas
comerciais para a Arábia. Isso inevitavelmente significava
alguns contatos, mesmo indiretos, com a mentalidade grega,
o que, se não alterou a religião israelita, afetou-a profundamente, como veremos. Afinal de contas, embora a sorte dos judeus,
no fim do período persa, estivesse cercada de trevas, era uma
escuridão na qual coisas importantes estavam acontecendo.

2. O começo do período helenístico

Como dissemos, a ascensão de Dario III (336) coincidiu
com a de Alexandre da Macedônia. Embora ninguém em toda
a Pérsia pudesse imaginar, dentro de apenas cinco anos o
império não mais existiria. Começaria então a rápida helenização do Oriente, tão portentosa para todos os seus povos
e não menos para os judeus.

Alexandre, o Grande (336-323). — Não é nossa tarefa
repetir em detalhes o que já foi dito muitas vezes sobre a
história, já conhecida, das conquistas de Alexandre. Tutelado
durante algum tempo, enquanto menino, pelo grande Aristóteles, Alexandre tinha um verdadeiro amor por todas as
coisas gregas. Movido em parte pelo ideal pan-helênico, e em
parte pelos mais vastos motivos mundanos, ele logo pôs em movimento uma cruzada para a libertação dos gregos da Ásia
do jugo persa (uma coisa que muitos deles particularmente não
queriam!). Cruzando o Helesponto em 334, ele derrotou as
forças persas locais, que não levaram muito a sério sua expedição no “Granico”. Dentro em breve, toda a Ásia Menor
lhe pertencia. No ano seguinte (333), em Isso, na altura do
golfo de Alexandreta, entrou em combate com o principal exército persa, um exército desajeitado e mal administrado; suas
falanges o derrotaram completamente e o puseram em desabalada fuga. O próprio Dario abandonou o campo de batalha
e fugiu; sua esposa, família, bagagem e despojos caíram nas
mãos de Alexandre. Este, que ampliara seus objetivos a ponto
de incluir a conquista de todo o império persa, teve depois de
proteger seu flanco antes de continuar a marcha mais para
leste. Por isso, voltou-se em direção ao sul, ao longo da costa
mediterrânea. Todas as cidades fenícias capitularam, exceto
Tiro, que foi destruída após sete meses de cerco. Então, Alexandre seguiu rapidamente para o sul, através da Palestina,
e depois de uma demora de dois meses diante de Gaza, entrou
no Egito sem resistência (332). Os egípcios, totalmente insatisfeitos com o domínio persa, recepcionaram-no como libertador e o aclamaram faraó legítimo.

No decorrer dessas campanhas, o interior da Palestina,
incluindo Judá e Samaria, ficou sob o controle de Alexandre.
Exatamente como isso aconteceu não sabemos. A narrativa de
Josephus (Ant. XI, VIII) é muito cheia de detalhes lendários para inspirar confiança, enquanto que a Bíblia, afora uma
ou duas alusões muito incertas, não o menciona[12]. A probabilidade é de que os judeus vendo pouca escolha entre o novo
senhor e o antigo, tenham-se rendido pacificamente. Naturalmente, Samaria fez o mesmo; mas, subseqüentemente, por
razões desconhecidas, houve uma revolta, durante a qual o prefeito de Alexandre na Síria, Andrômaco, foi queimado vivo.
Alexandre vingou-se cruelmente; Samaria foi destruída e, pouco
depois disso, uma colônia macedônia estabeleceu-se lá. Muitos cidadãos principais da cidade, que naturalmente teriam fugido
antes da aproximação das tropas de Alexandre, foram apanhados em uma caverna no Wadl Dâliyeh e massacrados.
Como dissemos, provavelmente como resultado destes acontecimentos foi que os samaritanos deslocados reconstruíram
Siquém e transferiram seu centro para lá[13].

As campanhas posteriores de Alexandre não nos podem
deter. Em 331, ele marchou para o leste, através da Mesopotâmia. Dario fez sua parada final após ter atravessado as montanhas iranianas em Gaugamela, perto de Arbela, quando
seu exército foi reduzido a pedaços e dispersado. Então, Alexandre entrou triunfalmente na Babilônia, em Susa e em Persépolis. Ao tentar fugir, Dario foi agarrado por um de seus
sátrapas e assassinado. Tendo-se acabado a oposição ativa,
Alexandre marchou para as fronteiras orientais mais longínquas
do império, onde (327/6) fez campanha além do Indo e (segundo a lenda) chorou por não haver mais mundos para conquistar (na realidade, seus soldados se recusaram a ir mais
longe). Alexandre não tinha ainda trinta e três anos de idade
(323) quando ficou doente e morreu na Babilônia. Mas sua
breve carreira assinalou uma revolução na vida do antigo
Oriente, e o começo de uma nova era em sua história.

Os judeus sob os Ptolomeus. — Nem bem Alexandre
morrera, seu império começou a desintegrar-se, enquanto seus
generais brigavam entre si, procurando obter todas as vantagens que pudessem. Destes generais, só dois nos interessam:
Ptolomeu (Lagi) e Seleuco (I). O primeiro assumiu o controle do Egito e estabeleceu sua capital na nova cidade de
Alexandria, que em breve tornou-se uma das maiores cidades
do mundo. O outro, assenhoreando-se da Babilônia (em 312/
11), estendeu seu poder em direção oeste até a Síria e em direção leste até o Irã; suas capitais ficavam em Selêucia, sobre
o Tigre, e Antioquia, na Síria — esta última em breve também
iria tornar-se uma grande metrópole. Ambos, rivais, cobiçavam ardentemente a Palestina e a Fenícia. Mas Ptolomeu,
depois de muitas manobras, cujos detalhes não nos interessam,
teve sucesso. Quando a situação política se estabilizou, depois
da batalha de Ipsos (301), esta área ficou sob seu completo
domínio.

A Palestina foi governada por quase um século pelos ptolomeus depois disso. Mas muito pouco sabemos sobre a sorte dos judeus durante este intervalo. É provável que os
ptolomeus só tenham feito o mínimo possível de mudanças
no sistema administrativo herdado dos persas. Isso é sugerido
pelo menos pelos Papiros de Zeno (papiro descoberto em
Fayum, representando a correspondência de um certo Zeno,
um agente do ministro das finanças de Ptolomeu II Filadelfo
[285-246]). Eles incluem duas cartas de Tobias de Ammon,
descendente de um inimigo de Neemias, as quais indicam que
Tobias continuou a ocupar a posição que tinha tido sob os
reis persas: eles eram governadores da Transjordânia, com
a responsabilidade de manter a ordem e, sem dúvida, remeter
o dinheiro dos impostos. Podemos supor que os judeus, do
mesmo modo, gozavam da posição que tinham tido sob os
persas. Tal, de qualquer maneira, é o testemunho das moedas
e inscrições em jarros descritas acima. O sumo sacerdote,
que naturalmente tinha a responsabilidade pessoal de render
tributo à coroa, era não só o chefe espiritual da comunidade,
como também um príncipe secular. Os registros do século
seguinte documentam claramente o desenvolvimento de uma
aristocracia sacerdotal. A que taxas os judeus estavam sujeitos
não podemos dizer. Mas uma vez que elas eram pagas e a
ordem mantida, os ptolomeus aparentemente não interferiram
de modo algum nos negócios internos de Judá. Ao que saibamos, os judeus permaneceram súditos submissos e gozavam de
uma paz relativa.

Entretanto, a população judaica do Egito aumentava rapidamente. Os judeus certamente vinham se instalando no Egito
há séculos, mas o número deles tinha aumentado muito com
uma nova onda de imigrantes. A carta de Aristéias (cf. vv.
4,12) afirma, e provavelmente está correta, que Ptolomeu I
tinha trazido de volta muitos judeus como prisioneiros, de uma
de suas campanhas palestinas (possivelmente em 312). Outros, sem dúvida, seguiram como mercenários ou como imigrantes voluntários, em busca de oportunidades. A população judaica do Egito nessa época é desconhecida, mas certamente
era bem grande (dizem que já havia um milhão por volta do
primeiro século d.C.). A Alexandria tornou-se o centro do
mundo judaico; ademais, os papiros de Zeno, juntamente com
outros papiros e óstracos do período, atestam a presença dos
judeus em todo o Egito23. Os judeus de fora das fronteiras
da Palestina, nesta época, superavam em número os judeus
que viviam na Palestina. Os judeus do Egito logo adotaram
o grego como sua língua nativa — embora o hebraico continuasse a ser compreendido, pelo menos por alguns deles, até o
fim do século segundo, como indica o papiro de Nash24 (que
ccntém o Decálogo e o Shema em hebraico). Já que a maior
parte desses judeus, juntamente com seus prosélitos não entendia mais as suas Escrituras, a partir do século terceiro, foi
feita a tradução para o grego, primeiro da Tora e depois dos
outros livros. Esta tradução, que levou muitos anos para ser
feita, é conhecida como a versão dos Setenta. A existência das
Escrituras em grego representava um tremendo desenvolvimento,
não só abrindo novos horizontes de comunicação entre os
judeus e gentios, como também preparando o caminho para
um impacto maior entre o pensamento grego e a mentali-
dade judaica. E, naturalmente, viria a facilitar grandemente
a difusão do cristianismo.

c. A conquista da Palestina pelos selêucidas. — Embora
os reis selêucidas nunca tivessem concordado com o que eles
consideravam o “roubo” da Palestina e da Fenícia por Ptolomeu,
eles não estavam em condições de tomar qualquer medida eficaz contra a situação. As tentativas que fizeram não tiveram
sucesso. De fato, em meados do século terceiro, o império selêucida, que, com rebeliões nas províncias orientais (Pérsia, Pártia, Hircânia, Báctria), seguidas de perdas na Ásia Menor,
tinha diminuído progressivamente, ficara com seu controle
reduzido apenas à área situada entre as montanhas Tauro e a
Média. Tudo isso, entretanto, mudou quando Antíoco III (o
Grande) (223-187) subiu ao trono. Este enérgico soberano, em
uma série de campanhas triunfantes, reafirmou o poder selêucida da Ásia Menor até as fronteiras da Índia. Ele também
procurou fazer as pazes com o Egito, então governado por
Ptclomeu IV Filopator (221-203), e estava às vésperas da
vitória quando foi fragorosamente derrotado (217) em Ráfia,
na extremidade sul da Palestina. A luta, porém, recomeçou,
sendo decidida depois que o menino Ptolomeu V Epífanes
(203-181) subiu ao trono do Egito, depois de várias vicissitudes, quando (198), em Panium (Baniyâs), junto às nascentes do Jordão, Antíoco destroçou o exército egípcio e expulsou-o da Ásia. Logo após, o império selêucida anexou a Palestina.

Os judeus, de acordo com Josephus (Ant\ XII, III, 3ss),
de cuja narrativa não podemos duvidar, aceitaram a mudança com satisfação, combatendo contra a guarnição de Ptolomeu em Jerusalém e recebendo Antíoco de braços abertos.
Sem dúvida, eles estavam ansiosos por ver a guerra terminada,
na qual, como nos mostra Josephus, sofreram consideravelmente.
Certamente, como povo subjugado, eles tinham esperanças de
que qualquer mudança seria para melhor. Antíoco, por seu
turno, mostrou a maior consideração pelos judeus. Ele ordenou a volta dos judeus refugiados para suas terras e a libertação daqueles que tinham sido reduzidos ao cativeiro. A fim
de que a cidade pudesse recuperar-se economicamente, foi
decretada a abolição das taxas por três anos, e mais uma redução geral de um terço nos impostos. Além disso, foram assegurados aos judeus os mesmos privilégios que eles gozavam durante o domínio persa, e provavelmente sob o domínio dos ptolomeus: foi-lhes garantido o direito de não serem molestados e de viverem de acordo com suas leis; foi prometida uma ajuda do Estado para a manutenção do culto, com base numa soma fixa; todos os funcionários do culto estavam
isentos de taxas, A isenção de taxas foi estendida ao conselho
dos anciãos (gerousia) e aos escribas, enquanto que a lenha
para o altar, anteriormente oferecida pela comunidade (Ne
10,34; 13,31), foi declarada livre de taxas. Finalmente, os
reparos necessários para o templo (que, naturalmente, havia sido
danificado) foram completados com a ajuda do Estado. Foi
um começo auspicioso, e os judeus podiam dar-se os parabéns
pela mudança.

d. A expansão e o impacto do helenismo, — Muito mais
assombroso do que qualquer acontecimento político, grande ou
pequeno, ainda que estreitamente ligado aos acontecimentos políticos, como veremos, foi o impacto da cultura helénica
sobre os povos da Ásia Ocidental — um impacto do qual os
judeus de forma alguma foram excluídos. Embora esse processo já se desse durante o período persa, as conquistas de
Alexandre, que eliminaram as velhas fronteiras políticas e
culturais, expandiram-no numa rapidez vertiginosa [14].

O objetivo de Alexandre era conseguir uma união entre
leste e oeste, sob a proteção da cultura grega. Para tanto,
ele obrigou os iranianos e outros orientais a fazerem uma sociedade consigo, arranjou casamentos em massa entre suas tropas e a população nativa e inaugurou uma política de estabelecer seus veteranos e outros gregos em colônias, em todo
o seu vasto domínio. E, muito embora a unidade política que
ele criou não durasse, todos os Estados que lhe sucederam
foram dominados por homens que, em grau maior ou menor,
participavam de seu ideal cultural. Colônias surgiram em toda
parte, sendo cada uma delas um ilha de helenismo e um foco
de maior expansão. A superpovoada Hélade lançou fora seu
excesso, para leste, numa virtual emigração em massa. Gregos,
aventureiros anatólios helenizados, negociantes e sábios encontravam-se em toda parte. O grego tornou-se rapidamente a
língua franca do mundo civilizado. Capitais tais como Antioquia e Alexandria eram cidades gregas. Alexandria tornou-se na
verdade o centro cultural do mundo helénico. No século terceiro,
surgiram grandes sábios, como Zenão, Epicuro, Eratóstenes e Arquimedes, muitos dos quais visitaram Alexandria ou lá trabalharam. Os orientais não-helênicos, assimilando o espírito
grego, começaram a produzir obras de ciência, filosofia a história à maneira grega.

Era inevitável que os judeus da Diáspora absorvessem a
nova cultura e a nova língua. Nem os judeus da Palestina ficaram imunes. As colônias gregas fundadas desde a conquista
de Alexandre pontilhavam a terra — exemplos disso são Sebaste (Samaría), Filadélfia (Ammán), Ptolemaes (Acre), Filotéria (ao sul do mar da Galiléia) e Citópolis (Beth-shan).
Todas eram focos de helenismo. As cidades fenícias eram
igualmente centros de propagação do helenismo. Um exemplo
é a colônia de Sidônia, em Maresa (Mareshah), na Shephelah
judaica. Esta colônia, fundada em meados do século terceiro,
como mostram as inscrições nas sepulturas e em outros lugares,
lá pelo século segundo passou a falar a língua grega.

Já que os judeus não podiam evitar o contato com seus
vizinhos helenizados, ainda menos com seus próprios irmãos
do exterior, a absorção da cultura grega e do modo de pensar
dos gregos era inevitável. Por volta do século terceiro já se pode
notar evidências da influência do pensamento grego na mentalidade dos judeus. Assim, por exemplo, algo como uma tintura
estóica marca os ensinamentos de Antígcno (observe o nome
gregó) de Soco, que floresceu na última parte daquele século
e que, como Ben-Sira (aproximadamente 180), era daquele grupo protoaduceu, que resistiu à então nova doutrina de uma
vida futura, afirmando que o homem devia cumprir o seu
dever e servir a seu deus sem pensar em recompensas [15].

Deve-se dizer que tal influência dificilmente foi direta.
Era simplesmente o pensamento grego que estava no ar, e
inevitavelmente causava impacto na mentalidade dos pensadores
judeus no momento em que eles se debatiam com os novos
problemas da época em que se encontravam. O simples ato
de respirar, no período helénico, envolvia a absorção da cultura grega. Embora os judeus tradicionais não se deixassem
levar por isso a qualquer compromisso de ordem religiosa,
havia outros judeus que estavam totalmente corrompidos por ela, muitos dos quais, na verdade, tornaram-se tão ávidos da
cultura grega que chegavam a achar suas leis e costumes nativos um estorvo. Um cisma irreconciliável começou a propagar-se no seio da comunidade judaica. Combinado com uma
série de circunstâncias, esse cisma contribuiu para colocar
os judeus, quando terminou o período do Antigo Testamento,
diante da mais grave emergência de toda a sua história desde a
calamidade de 587.






[1] Cf. C. G. Tuland, in JBL, LXXVII (1958), pp. 157-161;
Pritchard, in ANET, pp. 491ss, para o texto. 


[2] Alguns acreditam que ele era um judeu com nome persa; mas cf.
acima, p. 546. 


[3] Para referências, veja c. 10, nota 4, acima. 


[4] Pelo menos. temos sua petição (Cowley, n- 33): ANET, p. 492;
embora o destinatário não seja indicado, é bem provável que fosse
Arsamés. 


[5] Cf. E. G. Kraeling, The Brooklyn Museum Aramaic Papyrí,
Yale University Press, 1953, p. 63 (Pap. n? 12); v. também idem,
in BA, XV (1952), pp. 66ss. 


[6] Sob as assim chamadas Vigésima Oitava, Vigésima Nona e Trigé-
sima Dinastias. Antigamente, pensava-se que a liberdade egípcia começou
quando Dario II morreu, mas agora sabemos que a colônia elefantina
prestava obediência a Artaxerxes II, pelo menos durante o ano de 402.
Cf. Kraeling, in BA, XV (1952), pp. 62ss; S. H. Horn e L. H.
Wood, in JNES, XIII (1954), pp. 1-20. 


[7] O último texto elefantino conhecido data de 399. Naturalmente, a
colônia não foi danificada por Amirteu (m. 399), mas terminou às
mãos de Neferite I, fundador da Vigésima Nona Dinastia; cf. Kraeling,
in BA, XV (1952), p. 64. 


[8] Para evidências em apoio a esta reconstituição, cf. G. E.
Wright, Shechem, McGraw-Hill Book Company, Inc., 1965, pp. 175-181;
idem in HTR, LV (1962), pp. 357-366; F. M. Cross, Papyri of the
Fourth Century B. C. from Dâliyeh in New Directions in Bihlical
Archaelogy, D. N. Freedman e J. C. Greenfields, eds., Doubleday &
Company, Ind., 1969, pp. 41-62; idem, in HTR, LIX (1966), pp. 201-
-211; BA, XXVI (1963), pp. 110-121. Para uma resenha de discussão
anterior, cf. H. H. Rowley, Sanahallat and the Samaritan Temple
(1955), reeditado in Men of God, Thomas Nelson & Sons, 1963, pp.
246-276. 


[9] Contra a idéia de que o hebraico era uma língua morta na era
cristã, cf. J. Barr, Comparative Philology and the text of the Old
Testament Claredon Press, Oxford, 1968, pp. 38-43; C. S. Mann in J.
Mundk, The Acts of the Apostles, in AB (1967), pp. 313-317; J. M.
Grintz, in JBL, LXXIX (1960), pp. 32-47 etc. Na verdade, o hebraico,
tanto quanto o aramaico e o grego, eram amplamente conhecidos. Hpra
uma excelente resenha da evidência e uma avaliação equilibrada, cf.
J. A. Fitzmyer, The Languages of Palestine in the First Centurx A. D.,
in CBQ, XXXII (1970), pp. 501-531. 


[10] Esta, também, não foi uma mudança súbita, visto que a escrita
páleo-hebraica continuou, pelo menos com uso limitado, na era cristã;
cf R. S. Hanson, in BASOR, 175 (1964), pp. 26-42. Sobre o desen-
volvimento dos escritos judaicos em geral, cf. F. M. Cross, in BANE,
pp. 133-202. 


[11] Sobre este ponto, cf. Albright, in FSAC, pp. 334-339. Havia 


[12] Vários historiadores encontram o backgrouni de parte de Zc cc. 

9 a 14 (especialmente c. 9,1-8) aqui; por exemplo, K. Ellinger, Das
Buch der zwölf Kleinen Propheten, II in ATD, 3■ ed. (1956), pp.
145-148; D. Winton Thomas, in IB, VI (1956), p. 1092; M. Delcor,
in VT, I (1951), pp. 110-124. Mas isto não é provável; Zc 9,Iss parece
ser do século oitavo; cf. A. Malamat, in IEJ, 1 (1950/1951), pp. 149-154;
v. também E. G. Kraeling, in AJSL, 41 (!924), pp. 24-33. 

[12] O pseudo-Aristéias data provavelmente do segundo terço do 


[13] Cf. as obras citadas na nota 10, acima. Falam-nos do assassinato
de Andrômaco, Quintus Curtius (Hist. Alex. IV, VIII, 9ss). Eusébio
(cf. J. P. Migne, Vatrologiae cursus completus, series Graecae, XIX, p.
489) e outros falam da destruição da cidade e do subseqüente estabele-
cimento de uma colônia macedônia no local. Esqueletos de umas du-
zentas pessoas, homens, mulheres e crianças, foram encontrados na ca-
verna de Dâliyeh; os papiros lá encontrados mostram que eles pertenciam
às principais famílias de Samaria. 


23 Sobre todo este assunto, cf. Albright, in FSAC, pp. 334-357. 


J0 Cf. Pirke Aboth 1,3. Esta obra data do século terceiro d.C., mas