4 de agosto de 2016

DEREK KIDNER - Isaque e mais provas da fé (capítulos 21-26)

antigo-testamento-danilo-moraes
ISAQUE E MAIS PROVAS DA FÉ (capítulos 21-26)

21:1-7. O nascimento de Isaque. 

Assim termina a expectativa mantida desde o cap. 12 e agravada pelo último episódio. O estilo positivo e a ênfase no que Deus dissera ... falara ...falara (1,2, AV) expressam a serena precisão do Seu governo. 

6. Siga-se RSV: Deus fez riso para mim. Assim o nome, potencialmente uma reprimenda (18:15), agora só comunica alegria (c/. o nome de Jezreel em Os 1:4; 2:22, RV, RSVmg.). 

Nunca se vê Sara visionária. Ela tem fé (Hb 11:11), mas a sua propensão é material e doméstica — sem dúvida, providencialmente, pois Isaque tinha as necessidades próprias de uma criança, necessidades que precisavam ser satisfeitas, tanto por amor dele como do seu destino. 

21:8-21. A expulsão de Ismael. 

A discórdia trivial como parecia à primeira vista (11), provinha de uma rutura fundamental que o tempo descerraria e o Novo Testamento exporia como a incompatibilidade entre o natural e o espiritual (SI 83:5,6; G1 4:29 e contexto). Sara falou com mais verdade do que sabia; mas a sequência mostra quão diferente era o espírito de Deus para com os que ela rejeitou — fato que deve ser lembrado nas discussões sobre a Sua vontade soberana. Por fim (20,21), surgem as afinidades do par, confirmando a sabedoria da sua partida. 

A história é o complemento do capítulo 16, em que todos os interessados tinham agido impulsivamente e foram chamados a conviver outros quatorze anos ou mais (cf. 17:25). Agora, com os dois filhos nascidos e circuncidados, o tempo de Deus amadureceu. Cf. outro len­to amadurecimento em 15:16. 

9. RSV: brincando. Esta tradução implica em que Sara ficou doentiamente invejosa. Mas não está certa. Deve-se traduzir: zomban­do (AV, RV; cf. AA: caçoava). Esta é a forma intensiva do substantivo verbal que deu nome a Isaque: “rir-se”. Seu sentido mal intencionado é exigido aqui pelo contexto e por G1 4:29 (“perseguia”). A própria RSV o traduz por “gracejando” em 19:14, e por “insultar” em 39:14,17. 

10. Rejeita essa escrava... é expressão citada em G1 4:30 como uma exigência inspirada. Em sua ira, Sara teve abertos os olhos para as verdadeiras cores e proporções do conflito. 

12. As palavras Em Isaque a tua semente será chamada (AV, RV) põem fora de toda a dúvida a escolha feita por Deus, trazendo à luz tanto o fato da eleição, como o demonstra Paulo em Rm 9:7-9, como, para Abraão, o fato de ser Isaque insubstituível. Esta bigorna não tinha como escapar da martelada do capítulo seguinte, e Hb 11:18,19 mostra que foi justamente por esse meio que Abraão teve a sua fé aperfeiçoa­da. 

14,15. Compare-se esta saída de madrugada com 22:3; parece se­guro inferir o hábito de enfrentar tarefas difíceis resolutamente. A pro­visão de água, escassa de fazer dó, face a um deserto, era a que se pode­ria levar, pois o odre tinha de ser carregado nas costas. Comentadores modernos há que, isolando esta narração da cronologia de 17:25, ten­dem a insistir em que Ismael também foi carregado (com base na força da palavra “lançou” [AV], e num novo arranjo da ordem das palavras de 14, em que a sintaxe é difícil).[1] Entretanto, inteiramente à parte de 17:25, a história requer um Ismael demasiado crescido para ser carrega­do (pois o próprio Isaque já teria uns três anos em seu desmame), e a palavra “lançar” exprime bem a esgotada ação de alguém que vinha meio arrimando, meio arrastando o filho para a sombra do arbusto. 

16-21. Foi sem esperança o clamor de Hagar (RSV docilmente se­gue a LXX, ajeitando a mulher fora do quadro; ver RSVmg); foi a voz do menino, não a da mãe, que obteve socorro, e o nome “Ismael” é quase soletrado na forma hebraica de Deus ouviu (cf. 16:11). O episódio retrata notavelmente a condição do homem e a graça de Deus: por um lado, provisões escasseando, refúgio parco e desespero final; por outro lado, a abundância do poço (uma vez que isto lhe foi revela­do), a promessa de vida e posteridade, e (20) a presença de Deus. 

21:22-34. A aliança com Abimeleque. 

A cena dá-se a uns quarenta quilômetros de Gerar (ver coment. de 20:1), onde logo poderiam surgir contendas sobre direitos de pastagem. O incidente traz à luz as incertezas e as provações da vida aceita por Abraão. Mas Berseba continuaria sendo a principal base dele e de Isa­que, no extremo sul da terra prometida. Jacó, por outro lado, conhece­ria mais do extremo norte e do centro. 

Aqui, em contraste com o cap. 20, Abraão viu que Deus era o escu­do que prometera ser (22), e provou o valor da franqueza (25) e da clareza (30). 

22. Desde que Abimeleque e Ficol reaparecem em 26:1,26 em negócios bem parecidos a estes com Isaque, as duas histórias muitas ve­zes são consideradas como duplicatas. Ver, porém, os coment. do v. 25 e 26:26. 

Deus é contigo. O mesmo fato seria mencionado acerca de Isaque (26:28), Jacó (30:27) e José (39:3). 

23. Abimeleque tinha algum direito (ver, contudo, v. 25) de falar de bondade ou de trato com “lealdade” (RSV) depois do encontro do cap. 20. O vocábulo (hesed) também faz parte da linguagem pactual, e o versículo todo fala em termos bem semelhantes aos de Jônatas, quan­do falou com Davi em 1 Sm 20:14,15. 

25. O verbo hebraico dá a idéia de que Abraão teve de fazer a queixa várias vezes. Talvez Abimeleque fosse perito na tática de evasi­vas. O vislumbre de uma próxima rivalidade quanto aos poços torna a reabertura de toda a questão com Isaque, no cap. 26, altamente pre­visível. 

27-30. Visto que as alianças eram geralmente seladas com sangue (cf. coment. de 15:9), os animais do v. 27 podem ter sido dados para es­te fim, deixando-se as sete cordeiras como uma dádiva de boa vontade. Aceitando-as nos termos de Abraão (30), Abimeleque se comprometeu com a declaração de Abraão. 

31 Berseba significa “poço de sete” (c/. 30, e o coment. De 26:33). O fato de que “jurar” é derivado de uma raiz parecida não pas­saria sem ser percebido, mas o Por isso inicial aponta para o v. 30, atrás, e a palavra “porque” talvez devesse traduzir-se por “quando”.[2]

32. Os filisteus chegaram com maior força à Palestina no princípio do século doze. O grupo de Abimeleque poderá ter sido recen­te precursor, quem sabe em meio a negociações comerciais.[3]

33 A árvore (RV, RSV) e o nome divino ’el iôlam, o Deus eter­no têm sido ambos usados para provar que Abraão cultuou o deus local segundo os costumes locais. Mas nada indica que a árvore fosse algo mais que meramente comemorativa. E quanto ao nome divino, Speiser assinala que seria “um epíteto lógico de uma Divindade invocada para dar amparo a um tratado formal ... que se esperava teria validade perpétua”.[4] O nome pertence a uma série que inclui El Elyon (14:18), El Roi (16:13), El Shaddai (17:1), El-elohe-Israel (33:20), El-Beth-el (35:7), cada qual dando um aspecto da auto-revelação de Deus. Ver a Introdução, IV a, p. 31 

22:1-19. A oferta sacrificial de Isaque. 

O pai e o filho são-nos revelados com especial clareza nesse momento supremo. De Abraão, a perturbadora exigência só evoca amor e fé, certo como ele está de que a “loucura de Deus” é sabedoria ainda não descoberta.[5] Assim, fica ele capacitado, pela entrega do seu filho, a refletir o ainda maior amor de Deus, enquanto que a sua fé lhe propicia um primeiro vislumbre de ressurreição. Ver coment. do v. 5. A prova, em vez de quebrantá-lo, leva-o ao ponto culminante da peregrinação de sua vida toda andando com Deus. 

Isaque também chega logo ao cume em sua jornada — não pelo que faz e sim pelo que sofre. Neste acontecimento está o seu papel, por mais que ele mesmo não se torne personagem distinguido. Outros farão proezas; ele aí fica na condição de vítima calada, num único episódio, para demonstrar o plano de Deus quanto à “semente” escolhida: ser um servo sacrificado. 

1. Tentou (AV) é mais bem expresso por provou ou testou (cf. RV, RSV, AA). A confiança de Abraão teria de ser posta na balança contra o senso comum, o afeto humano e a ambição de toda a sua vida; de fato, contra tudo que é terrenal. 

2 .Cada uma das frases iniciais acrescenta um grau à tensão. 

Moriá reaparece apenas em 2 Cr 3:1, onde se identifica com o lugar 

em que Deus suspendeu a praga de Jerusalém e onde Salomão edificou o templo. Nos termos do Novo Testamento, ficava nas vizinhanças do Calvário. 

3. Sobre a partida de Abraão bem cedo, ver coment. de 21:14. 

4. A indicação da data, ao terceiro dia, incidentalmente se harmo­niza com a localização de Moriá anotada acima, mas fala principalmen­te da prolongada prova e da obediência mantida. 

5. A certeza de que Isaque, como Abraão, voltaria do sacrifício não era simples frase vazia; era a plena convicção de Abraão, baseada na promessa: “por Isaque será chamada a tua descendência” (21:12). Hb 11:17-19 revela que ele esperava que Isaque ressuscitasse. Daí em diante o consideraria como devolvido dos mortos. Quanto a uma exten­são desta atitude, ver as reflexões de Paulo sobre a vida mediante a morte em 2 Co, especialmente 5:14. 

6. A colocação da lenha sobre Isaque traz inevitavelmente à memória o pormenor de Jo 19:17: “e ele próprio, carregando a sua cruz, saiu”. Mas o fogo e o cutelo estão nas mãos do pai. O fato de a vítima e o ofertante caminharem ambos juntos (o pungente refrão re­torna no v. 8), prefigura a coparticipaçâo maior expressa em Is 53:7,10. 

7. O Deus proverá de Abraão haveria de imortalizar-se no nome do lugar; ver o v. 14. Quase se poderia dizer que constitui o moto da sua vida toda. Muitos são os que viveram por esse lema daí por diante. Sua completa certeza de Deus, juntamente com uma completa abertura quanto aos pormenores, faz desta um modelo de resposta a uma ques­tão agonizante. O método de Deus competia a Ele; tomá-los-ia de sur­presa. 

9,10. Von Rad assinala a diminuição no ritmo da narrativa rumo ao momento fatal; nos vers. 10 “mesmo os movimentos singelos” são captados. Trata-se de obra-prima na arte da narração. 

11,12. O momento exato da intervenção extrai da experiência a última gota de significado. Do lado humano, o sacrifício último é enfrentado e determinado; do lado divino, nem um vestígio de ferimento é permitido, e nem um leve sinal de devoção passa despercebido (como o esclarece a frase o filho, o teu único filho, eco do v. 2, repetido no v. 16). É a resposta à interrogação levantada por Miquéias (6:6,7), respos­ta vividamente conclusiva, embora de modo nenhum fácil. 

13. Pela segunda vez (c/. 21:19) acha-se a provisão de Deus pronta e à espera. Note-se que, ao menos neste sacrifício, a vítima foi substituida (em lugar de seu filho). E aquilo que aqui está explícito, o posterior ritual de Levítico 1:4 parece bem apropriado para expressar. 

14. Jehovah-jireh (AV; AA: “o Senhor proverá”), independente­mente do seu uso como nome de Deus, é a expressão empregada por Abraão no v. 8. Prover (proverá) é um sentido secundário do verbo simples ‘‘ver” (cf. o nosso see to it; como também o português “veja que”), como em 1 Sm 16:1, AV. Ambos os sentidos provavelmente coexistem na pequena expressão contida no v. 14, a saber: “No monte ... ficará evidente” (AV: “...se verá ”; AA: “ ...seproverá”). 

15-18. Obedecer é achar nova segurança como Abraão descobrira em 13:14; observe-se também a nova promessa em 17. 

O melhor comentário do juramento de Deus encontra-se em Hb 6:16-18. 

22:20-24. Os doze filhos de Naor. 

Esta notícia da família, chegando a Abraão depois da reiteração da promessa, bem pode ter sugerido ou confirmado o pensamento que ocasionou a decisão de 24:4. 

Os nomes significativos são os de Betuel e Rebeca. O interesse dos demais está principalmente em que constituem prova de que os registros eram guardados com cuidado, e de que Israel estava cônscio de paren­tescos distantes. 

Uz é nome de uma “terra” em Jó 1:1; Jr 25:20. Talvez tenha re­lação com o filho de Naor, talvez não. 

23:1-20. O cemitério da família. 

“Todos estes morreram na fé” (Hb 11:13). Nisto reside a impor­tância do capítulo. Deixando os seus restos mortais em Canaã, os pa­triarcas davam o seu último testemunho da promessa, como o esclare­cem as palavras ditas por José quando estava para morrer (50:25). “Embora eles mesmos estivessem silenciosos ... o sepulcro bradava em alta voz que a morte não constituía nenhum obstáculo à entrada deles em sua possessão” (Calvino). 

2. O nome mais antigo de Hebrom (possivelmente recebendo novo nome quando foi reconstruída, cf. Nm 13:22) soa parecido com “cidade de quatro”, mas em realidade homenageia um herói dos enaquins (Js 14:15). Speiser assinala que ’arba‘ (“quatro”) bem poderia ser um nome estrangeiro hebraicizado; ele chama a atenção para a proeminên­cia dos “filhos de Hete” não-semitas, nesta passagem. 

Veio Abraão (AV, RV, AA); melhor: entrou (RSV). 

3. Em Hebrom os heteus (RSV) estavam muito longe dos seus compatriotas do norte; presumivelmente se estabeleceram ali como re­sultado de intercâmbios comerciais. Muitas vezes foi feita a sugestão de que esses “filhos de Hete” (AV, RV, AA) eram horeus, não heteus; mas é evidente que Efrom (10) era um deles, e as palavras Hete e heteu são cognatas. 

4-9. Um estrangeiro (gêr) era um forasteiro residente, com alguma base na comunidade, mas com direitos limitados. Em Israel, por exem­plo, ao gêr não se assegurava o direito de propriedade particular, e nes­te capítulo a séria questão subjacente às demonstrações de refinada cor­tesia, era se Abraão deveria obter uma sede local fixa, ou não. A lisonja do v. 6 foi um meio de induzi-lo a permanecer dependente, destituído de propriedades territoriais. A réplica de Abraão, mencionando um in­divíduo, fez habilidoso emprego do fato de que, enquanto um grupo tende a melindrar-se com um intruso, o dono de uma propriedade pode acolher bem um freguês. 

10-16. Efrom sabia da força da sua posição. O gesto descrito no v. 11 teria sido uma ficção convencional,[6] e dá para pensar que o seu preço real era menor.[7] Abraão, não tendo escolha, teve a sabedoria de aceitá-lo de bom grado. 

17-20. As minúcias sobre a propriedade e a menção de testemu­nhas indicam que foi um contrato plenamente garantido. A referência às árvores (17, AV;AA: “arvoredo”) é característica das transações de compra e venda de terras entre os heteus, cuidadosos ao especificá-las.[8] O capítulo todo parece refletir as leis dos heteus comuns nos tempos pa­triarcais, embora seja preciso acrescentar que não eram únicas; podem- se citar vários paralelos babilónicos dessas leis.[9]

24:1-67. A noiva escolhida para Isaque. 

Já bem no fim, a vontade de Deus quanto a Isaque continuou fa­zendo exigências à fé que animava a Abraão. Com idade avançada e ri­queza para servir-lhe de âncora no passado e no presente, agora passa a olhar resolutamente para o próximo estágio da promessa, e age com de­cisão. A narrativa, feita com discreta arte, dá vivida forma ao encargo: “Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas vere­das” (Pv 3:6). À distância em que nos achamos do acontecimento, po­demos ver quão decisivamente a corajosa obediência de uns poucos in­divíduos sobre uma questão de família haveria de moldar o curso da história. 

1 A palavra abatido (AV, RV) é tradução livre. O hebraico simplesmente implica em avançado (RSV, AA). 

2 Das personalidades de menor vulto da Bíblia, este mordomo é uma das mais atraentes, com o seu bom senso sereno, sua piedade (26, 52) e fé, sua dedicação ao seu empregador (12,14, 27) e sua firmeza em completar bem o trabalho (33,56). Se se trata do Eliezer de 15:2,3, a sua lealdade é das mais sublimes, ao prestar serviço ao herdeiro que lhe to­mou o lugar, quase como João Batista a seu Senhor (cf. Jo 3:29,30). O caráter intimamente reservado da coxa e sua associação com a idéia de procriação (46:26, hebraico) deram tom particularmente solene ao jura­mento. A incumbência que Jacó, pouco antes de morrer, deu a José foi reforçada de modo semelhante (47:29). 

3,4. O compromisso de casar-se somente dentro do povo de Deus haveria de manter-se através de todo o Velho Testamento, bem como do Novo. Cf. Dt 7:3,4; 1 Rs 11:4; Ed 9 — As vozes da lei, da experiên­cia e da contrição; cf. o lembrete de Paulo: “somente no Senhor” (1 Co 7:39). 

5-8. Nos termos deste trato, Abraão se mostra caracteristicamente homem de fé. Incapaz de prever o resultado, firma-se em duas coisas: primeira, Deus não voltará atrás quanto ao empreendimento principal; segunda, é preciso que não o faça o homem. Observem-se os tempos verbais do v. 7 e a repetida advertência responsabilizante dos vs. 6 e 8. Este ponto é levado em consideração em Hb 11:15. 

10. Os camelos já eram domesticados antes da época dos patriar­cas,[10] mas antes de 1200 a.C. não eram empregados para fins militares e de nomadismo em larga escala. 

A cidade de Naor podia ser a localidade desse nome, perto de Ha- rã, ou mais provavelmente apenas a cidade onde morava o irmão de Abraão. 

12. A frase Deus de meu senhor não desvincula de Deus aquele que a diz, mas faz ressaltar a aliança com Abraão (cf. o termo pactuai hesed, bondade, AV, RV, AA; amor constante, RSV), com a qual a ca­sa de Abraão estava comprometida mediante o penhor da circuncisão; e defende a causa de Abraão. 

14. Caracteristicamente, o servo não pede nada de espetacular ou arbitrário; com o duro trabalho exigido, a prova trará à luz as qualida­des que Deus preza. 

15-21. Em poucos traços, com alguns pormenores mais elucidati­vos (os movimentos com o cântaro, o fato de a moça correr, o tenso si­lêncio do homem), a cena é cheia de vida para nós, e Rebeca se revela. 

22. Aprendemos do v. 47 (e o Texto Samaritano o acrescenta aqui) que o servo põe agora estes ornamentos em Rebeca, combinando gentilmente honrosa homenagem com gratidão. 

26,27. O sucesso, que ensoberbece o homem natural, reforça a humildade do homem de Deus. O primeiro pensamento deste servo volta se para o senhor, o segundo para o seu empregador (27), e o final, com satisfação sincera, para si próprio: “Ele me guiou —’ me — diretamente à casa ... ”. 

29,30. A excitação geral se mostra nos rápidos movimentos de ca­da um por sua vez, do v. 17 em diante. O versículo 29 precipita elemen­tos futuros da narrativa, deixando que o v. 30 mencione que as jóias não passaram despercebidas, fato que não perderá nada do seu sabor para o leitor familiarizado com a história posterior de Labão. 

31,32. Contraste-se a excelente hospitalidade de Labão com a recepção hostil dada a Jesus, em Lucas 7:44. 

33. Este rompimento com o ritual moroso da etiqueta vigente imprimiu inusitado tom de urgência às suas palavras (uma semelhante noção de finalidade urgente foi inculcada nos seguidores do nosso Se­nhor Jesus Cristo, em Lc 10:4. Cf. 2 Tm 4:2). 

34-51. Desde a simplicidade do v. 34 até à colocação franca da questão no v. 49, as palavras deste bom embaixador devem o seu poder à sua transparência. Não há nenhuma lisonja, e pressão nenhuma. E se a eloqüência constitui o aspecto material dos vs. 35,36, a seqüência de juramento, promessa e providência de novo narrada nos vs. 37-48 faz do chamamento de Deus a nota dominante. Assim se elucida uma res­posta dada no mesmo nível nos vs. 50,51: “... como o Senhor falou” (AV; AA: segundo a palavra do Senhor).[11] [12]

52 Pela terceira vez o servo ora. É interessante notar que ele se levantara para fazer a sua solicitação, velando pela resposta (12, 13a, cf. RSV). Foram as respostas que progressivamente o levaram a prostrar-se (26: “se inclinou”; AV: “inclinou sua cabeça”; 52: “prostrou-se em terra”). 

53Os presentes dados à família talvez fossem o preço formal que um pretendente deveria pagar pela noiva (cf. 29:18), fechando a tran­sação. 

54-56. Quanto à recusa do servo a demorar-se, ver coment. do v. 33. 

57,58. Ao menos em teoria, o consentimento da noiva é um importante contrapeso à iniciativa da família. Speiser assinala que os contratos de casamento dos horeus contemporâneos o especificavam. 

59Esta ama, Débora, amamentara a Rebeca, como está implícito no termo hebraico, e fielmente estaria a serviço da família durante as duas gerações seguintes, falecendo afinal em Betel, no seio da família de Jacó (35:8). 

60Os familiares de Rebeca mal sabiam que a bênção que convencionalmente votaram a ela era um eco das sugestivas palavras ditas por Deus a Abraão (22:17). 

62O nome do lugar é evocativo; particularmente talvez para Isaque, em sua solidão (67). Ali Deus se encontra com a marginalizada Hagar e lhe falara de uma nação que nasceria (16:14). Sobre “o sul” (AV, RV; AA: “Neguebe”), ver o coment. de 12:9. 

63O verbo traduzido por meditar (süah) até agora só se acha nes­ta passagem, de modo que o seu sentido é incerto. Mas como a LXX o entendeu assim, e uma forma semelhante, sialj,[13] pode ter este significa­do, a tradução é eminentemente razoável. 

65. Meu senhor. Alguns entendem que esta expressão indica que tinha chegado a notícia da morte de Abraão, mas isto colide com 25:7,20. Pode significar que Abraão emancipara Isaque, dando-lhe au­tonomia (36) em face do iminente casamento deste (e possivelmente do novo casamento do próprio Abraão, 25:1), adjudicando-lhe seu princi­pal servo. Mas a expressão poderia ser empregada com referência a Isa­que como herdeiro, e o desaparecimento de Abraão da narrativa talvez não se deva senão ao método que o narrador usou para transferir a atenção para os dois que agora ganham ascendente interesse na história. 

O véu era um distintivo de noivado ou casamento. Podia ser usado cobrindo o rosto, como em 38:14,15, e talvez aqui, mas se usava com muito maior liberdade do que entre os modernos maometanos. 

67. Leia-se simplesmente: à tenda (RSV). As palavras: de Sara, mãe dele (cf. AV, RV, AA) não pertencem ao texto hebraico. Eviden­temente foram transferidas do fim do versículo para ali. 

25:1-34. Os povos oriundos de Abraão. 

A morte de Abraão é registrada no catálogo das famílias proceden­tes dele. Este é o curso seguido por Gênesis daí por diante. Dentre as re­feridas famílias, com fidelidade ao esquema do livro, as que desempe­nhariam menor papel na história da salvação apresentam o seu desem­penho primeiro, para deixar aos atores principais o domínio das cenas. 

1-4. Os filhos de Quetura. 

Da construção gramatical hebraica, parece, à primeira vista, que este casamento se deu logo depois dos acontecimentos recém-relatados. Veja-se, porém, a nota de rodapé referente a 12:1. A vitalidade de Abraão aponta para uma data muito anterior (cf. 24:1), posto que vive­ria quarenta e cinco anos depois do casamento de Isaque (7,20). Por outro lado, o vocábulo “concubina”, aplicado a Quetura em 1 Cr 1:32, e provavelmente no v. 6 do presente capítulo, dá a idéia de que Sara ain­da vivia quando Abraão desposou Quetura. 

Destas tribos árabes, Midiã é a mais conhecida. Contudo, alguns dos nomes reaparecem no Velho Testamento e também, certamente, em inscrições da Arábia meridional. Assurim (ou — ãm) não deve ser confundido com o seu homônimo que designa os assírios. 

5-11. Testamento, morte e enterro de Abraão. 

Nos versículos 5,6 vemos como a promessa, “por Isaque será chamada a tua descendência” (21:12), ditou as ações de Abraão até o fim. 

Quanto às concubinas, presumivelmente Hagar e Quetura, ver a nota sobre os vs. 1-4. É difícil resistir a uma comparação dos vs. 5,6 com a censura feita a alguns sucessores de Isaque em Lc 15:31,32. No plano de Deus, estes filhos foram mandados embora para que pudesse haver um verdadeiro lar para o qual retornar por fim. Ver Is 60:6. 

8. A expressão reunido a seu povo, que dificilmente poderia referir-se ao sepulcro da família, onde somente Sara fora sepultada até então, só pode indicar, embora indistintamente, a continuidade da exis­tência dos mortos. Cf., por ex., as palavras de Jó: “Então haveria para mim descanso, com os reis e conselheiros da terra...” (Jó 3:13,14. Ver também o coment. de 47:30. 




9. A reunião de Isaque e Ismael teria paralelo na de Jacó e Esaú, por ocasião da morte de Isaque (35:29).

11. Se Isaque jamais poderia vir a ser um Abraão, ou escapar do débito para com ele, nem por isso era menor a bênção que Deus lhe re­servara.

Beer-Laai-Roi: cf. 16:14; 24:62.

12-18. Os filhos de Ismael.

Sobre isto, ver o comentário de 16:10-12.

19-34. Os filhos gêmeos de Isaque; a rivalidade de Jacó e Esaú.

A narrativa acelera-se rumo à nova geração de deter-se em Isaque, cujas atividades podem esperar até o próximo capítulo, tal a importân­cia da sucessão.

A vida de Jacó, que abrange quase que "todo o restante do livro, é resumida com muita propriedade em Os 12:3 (4, TM):

No ventre pegou do calcanhar de seu irmão, no vigor da sua idade lutou com Deus (AA; RSV).

Se inserirmos entre estas duas linhas o parêntese de Oséias 12:12 (13, TM) — Jacó fugiu ... serviu por uma mulher, e ... guardou o gado — nos substantivos principais rastreamos os seus interesses sucessivos: “seu irmão ... uma mulher ... Deus”; e nas ações expressas pelos ver­bos, o seu áspero caminho para a maturidade: “pegou do calcanhar ... fugiu ... serviu ... guardou o gado ... lutou ... prevaleceu” (v. 4).

Na verdade, os dois verbos de Oséias 12:3 (4, TM) abrigam em sua forma hebraica os seus dois nomes, registrando o começo e o fim da sua peregrinação, de Jacó (“ãqab, “pegou o calcanhar”) a Israel (sãrâ, “lu­tou”).

21O v. 26, com o v. 20, mostra um período de espera de uns vinte anos. A maneira pela qual Deus prefacia uma obra excepcional com di­ficuldades excepcionais, muitas vezes haveria de tomar esta forma; ho­mens como José, Sansão e Samuel vieram ao mundo só depois de triste­za e oração.

22.O clamor de Rebeca é um fragmento. Literalmente: “Se as­sim, por que (sou, estou) eu —?”. A isto a Versão Siríaca acrescenta: “viva” (cf. RV, RSV, AA), que é difícil considerar convincente. O con­texto da oração respondida (21) e, depois, da indagação (22) sugere me­lhor a inquietação de Rebeca pelo fato de o olhar severo de Deus ter substituído tão repentinamente o Seu sorriso. AV está mais perto do al­vo do que RV, RSV, AA.

23. “Sesepararão” (AV, RV); se dividirão (AA, RSV). Isto é, se­rão incompatíveis.

O mais velho servirá ao mais moço. A existência deste oráculo lança importante luz sobre as intrigas do capítulo 27 (ver coment.). Também expressa a soberana escolha de Deus, como o esclarece Paulo em Rm 9:11,12.

25.Vermelho (AV; AA: “ruivo”; ’admôni). Se isto preparou o caminho para o seu apelido, Edom, foi somente o brado do v. 30 que o decidiu. Esaú (‘êsãw) só debilmente se assemelha a sê’ãr, “cabeludo”.

26.Jacó, nome existente, e que se encontra noutros lugares, signi­fica: “Esteja nos calcanhares” — isto é, “Seja Deus a sua retaguarda” (cf. coment. de 17:19). Mas também se presta a um sentido hostil, de perseguir os passos de outrem, ou de sobrepujar a outrem, como Esaú observou amargamente, em 27:36. Pela maneira como agiu, Jacó de­preciou o nome, tornando-o sinônimo de traição. Esta idéia é captada no original hebraico de Jr 9:4 (3, TM): “todo irmão suplantará comple­tamente”. Mas a tenacidade, que lhe foi funesta, assegurou-lhe por fim a bênção (32:26). Ver também o coment. de 49:18.

27-34. As duas personalidades são opostos absolutos, como eventualmente o seriam as duas nações. Simples (AV) ou tranquilo (RSV; AA: “pacato”) traduz o hebraico tãm, que inclui a idéia de “inteiro” ou “sólido”, a altaneira qualidade que fez de Jacó, em sua melhor con­dição, vigorosamente merecedor de confiança e, em sua pior condição, um adversário formidavelmente impassível.

O direito de nascimento (AV) era a posição social do primogênito (cf. AA). Significava a chefia da família e, pelo menos no Israel ulte­rior, duplo quinhão da herança (Dt21:17). Provas oriundas de Nuzi mostram que entre os horeus contemporâneos esse direito era trans­ferível, caso em que um irmão pagava três ovelhas por uma parte da he­rança[14] — comentário suficiente do trato proposto por Jacó.

Se Jacó é cruel aqui, Esaú é fraco. As versões têm abrandado a sua vociferação: “Deixa-me engulir um pouco dessa droga vermelha, essa droga vermelha...” Abraçando a qualquer custo o presente e o tangível, desprezando a melhor parte (33) e saindo sem nenhuma preo­cupação (34) — diga-se de passagem, longe de estar morrendo, a des­peito de 32 — ganhou o epíteto que consta de Hb 12:16: “profano”.

O comentário feito pelo capítulo não é: “Assim Jacó suplantou a seu irmão”, mas: “Assim desprezou Esaú o seu direito de primogenitura”. E Hebreus 12 compartilha desse ponto de vista, apresentando o inconseqüente Esaú como a antítese dos peregrinos de Hebreus 11.



26:1-11. Isaque engana a Abimeleque.

Este é o terceiro episódio dessa espécie, e o único que envolve Isa­que. Contra a idéia de que um único incidente foi triplicado, ver os co­mentários introdutórios sobre o capítulo 20, observando ademais que 1 distingue explicitamente a presente narrativa da primeira da série. As semelhanças gerais não devem cegar-nos para os pormenores divergen­tes das três (exemplo: Rebeca, diversamente de Sara, não é tomada do seu marido, nem sucede aqui milagre algum); mas, embora estes se pos­sam atribuir às mudanças e contingências da narração, é muito difícil explicar a agitação de Abimeleque, nos vs. 10,11, a não ser como resul­tante de um precedente concreto do seu conhecimento, a saber, a dura advertência registrada em 20:7. Portanto, a presente história alude ao primeiro incidente (1) e pressupõe o segundo. As repetidas quedas sa­lientam (como as três negações de Pedro) a fraqueza crônica do mate­rial escolhido por Deus.

1.Sobre a fome anterior (RSV), ver as observações acima. Sobre Abimeleque, ver coment. do v. 26; e sobre os filisteus, de 21:32.

2-4. Isaque tinha recebido bênção quando estava de luto (25:11); agora Deus vai de novo ao encontro dele na adversidade. A promessa foi profunda: recusar a imediata abundância do Egito por bênçãos das mais invisíveis (3) e remotas (3,4) exigiu a espécie de fé exaltada em Hb 11:9,10, e comprovou que ele era um verdadeiro filho de seu pai — conquanto, como Abraão, logo houvesse de prejudicar a sua obediência.

5.Os termos aí agrupados (c/., por ex., Dt 11:1) sugerem o servo completo, responsável e submisso. Também dissipam qualquer idéia de que a lei e a promessa estão necessariamente em conflito (cf. Tg 2:22; G1 3:21).

7.Tipicamente humano, Isaque mescla fé (ver coment. de 2-4) com temor, combinação incompatível que pode dar a qualidade de es­pecial vileza aos pecados dos religiosos; e em nenhum outro lugar tanto como aqui.

8.A força da expressão por muito tempo está em que os temores de Isaque se provaram sem fundamento; ainda assim persiste neles. Na palavra brincava (“acariciava”, RSV, AA) o leit-motiv da sua vida rea­parece: o seu nome de formação verbal (17:17,19; 18:12; 21:6,9) é transposto pelo contexto para outra chave ainda.

10,11. Sobre os escrúpulos de Abimeleque, ver os comentários introdutórios do capítulo.

26:12-22. Os altos e baixos da vida de Isaque.

12-14. A bênção do Senhor (12) foi cumprimento da promessa de 3, que Isaque escolhera contrariamente às atrações do Egito (2). Mas te­ve de continuar como peregrino, e daí a riqueza teria ocasião de trazer- lhe as suas irritações próprias (14), como um dia aconteceria com Jacó (31:1-3).

15.Os poços agora dominam a narrativa até o fim, pois as cres­centes riquezas de Isaque, longe de protegê-lo ocultando-lhe a realida­de, lançaram-no de volta aos seus recursos básicos do modo mais ár­duo.

O v. 15 prepara-nos para o golpe que caiu sobre ele no v. 16, pois Isaque se veria apanhado entre uma cidade hostil e campos sem água. Seu trabalho nos poços perdidos, a contestação dos seus primeiros ga­nhos (20,21), as tréguas e os incentivos oportunos (22-24; cf. At 18:9,10) e a eventual recompensa à sua tenacidade (26-33) compõem uma história que ainda fala ao homem de Deus engajado na mesma luta (Hb 11:39,40) e aumenta o seu respeito por este que foi chamado, não tanto para agir como pioneiro, como para ser um consolidador.

26:23-33. A aliança em Berseba.

22.Sobre a confirmação feita por Deus, ver o parágrafo acima.

23.Os altares erigidos pelos patriarcas eram uma resposta, antes que uma iniciativa. Na sua maior parte, registram agradecidamente o fato de Deus vir ter com Seus servos e falar-lhes (cf. 12:7; 13:17,18; 35:7).

24.A aliança reviveu uma anterior com Abraão (21:22), que certa­mente necessitava de renovação, e a presente cena parece-se com aque­la. O reaparecimento dos nomes Abimeleque e Ficol depois deste longo intervalo pode significar que eram nomes oficiais (cf. “Faraó”, etc.; ver coment. de 20:2) ou nomes de família repetidamente usados.[15]

27-31. Por sua franqueza inicial (27) e subseqüente abrandamento (passando por alto a desfaçatez de 29; cf. Pv 17:27), Isaque pode fazer paz honrosa. O banquete (30) era um meio geralmente aceito para con­solidar uma aliança. Ver, por ex., 31:54, e num nível mais alto, Êxodo 24:8,11; Mateus 26:26-29.

32,33. A palavra Shibah (sib’â, sete) é uma variante de sheba; (cf. AA: “Seba”). Ver coment. de 21:31. Quer se trate do poço de Abraão, agora reaberto (21:30,31; cf. 26:18), quer de outro (cf. Js 19:2?), o no­me Berseba passa agora a comemorar dois compromissos diferentes.

26:34,35. As mulheres hetéias de Esaú.

Nesta informação há mais coisas do que os olhos podem ver, pois acentua a loucura de Isaque ao favorecer ainda a Esaú com a chefia da família (cf. 35 com 24:3), e prepara o terreno para o envio de Jacó, em 27:46, a seus primos de Padã-Arã.






[1] Mas Speiser mostra-se inteirado das novas dificuldades que isso levanta. 


[2] Ver W. J. Martin, NDB, art. “Berseba”. 


[3] Ver NDB, art. “Filisteus”; também D. J. Wiseman, Illustrations from Biblical Archaeology, p. 53. 


[4] Genesis, p. 159. 


[5] “O fato penoso, o aparente absurdo ... é precisamente o que não devemos ignorar. Numa probabilidade de dez contra um, nesse esconderijo está a raposa” (C.S. Lewis, Letters to Malcolm [Bles, 1964], p. 83). 


[6] Todavia, M. R. Lehmann anota em BASOR, CXXIX, 1953, p. 15, que, segundo a lei dos heteus, comprar toda a propriedade de alguém era incluí-lo em suas obrigações feudais. Daí, nesta passagem, Efrom podia estar manobrando para vender-lhe a proprie­dade inteira, em lugar da parte solicitada no v. 9. Mas como não temos meios de saber se esse campo era a única possessão de Efrom, o ponto continua no terreno da conjectura. 


[7] Jeremias pagou apenas 17 siclos de prata por um campo (Jr 32:9), e Davi pagou 50 por uma eira e bois (2 Sm 24:24, AV). Por outro lado, Davi pagou 600 siclos de ouro pelo terreno destinado ao templo (1 Cr 21:25), e Onri comprou o monte de Samaria por 2 ta­lentos (6000 siclos) de prata (1 Rs 16:24). Sem pormenores sobre essas propriedades ou sobre os preços correntes, nenhuma certeza é possível. 


[8] Cf. Lehmann, art. cit., p. 18. 


[9] Cf G. M. Tucker, em JBL, LXXXV, 1966, p. 77-84. 


[10] Ver o argumento que o prova, citado em NDBt p. 239. 


[11] “Diretamente” é a tradução que Speiser faz de “no caminho”. Cf. o v. 48. A tra­dução de AV, AA: “Estando (eu) no caminho” é um sentido menos provável da frase. 


[12] O fato de Labão, irmão de Rebeca, tomar a direção poderia levar-nos a pensar que seu pai, Betuel, tinha falecido, não fora seu aparecimento neste versículo. É de presu­mir que estava velho demais para fazer algo que fosse além de responder a um pedido de aprovação, a nâo ser que segundo o costume local o chefe da família se abstivesse das ne­gociações preliminares. 


[13] Cf., por ex., as formas mutuamente permutáveis süm, sim, etc. 


[14] BA, III, 1940, p. 5. 


[15] Dar o nome do avô (“avitonímia”) foi costume em várias épocas. Num exemplo do Egito, quase contemporâneo, a casa real e uma família de governo provincial mantiver ram esta norma lado a lado por quatro gerações, de modo que Ammenemes I nomeou Khnumhotep 1, e seu neto Ammenemes IInomeou Khnumhotep II. Alternando com eles, Sesóstris I e II nomearam Nakht I e II, e certas negociações se repetiam também. Não obstante, estas não constituem conteúdos literários duplicados. Ver G. Posener, Littéra­ture et Politique dans /‘Egypte de la Xlle dynastie (Champion, 1956), p. 50; P. E. New­berry, Beni Hasan /(Kegan Paul, 1893), p. 57; II, p. 16 (Devo estes exemplos ao sr. K. A. Kitchen). Ver também BA, XXVI, 1963, p. 121.