15 de agosto de 2016

GERARD van GRONINGEN - A mensagem messiânica em Jeremias (Parte 1)

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A Profecia de Jeremias

O livro de Jeremias é o mais longo dos livros proféticos,[1] mas tem apenas cinco passagens comparativamente curtas que são consideradas messiânicas: 3.14-17; 23.1-8; 30.8,9; 31.31-40; e 33.14-26. Estas passagens, entretanto, não podem ser consideradas insignificantes, porque apresentam o próprio ponto focal da esperança que Jeremias proclamava. Muitos escritos têm sido dedi­cados a uma grande variedade de problemas que o livro de Jeremias coloca diante de qualquer estudante que queira compreender sua mensagem.[2] Mas não são muitos desses escritos que fazem referência, em sua seção intro­dutória, às reais mensagens messiânicas que Yahwéh chamou Jeremias a proclamar.[3]


Assuntos Introdutórios

O Real Contexto das Proclamações Messiânicas de Jeremias. Jeremias faz uma referêcia em 1.2 ao décimo terceiro ano do reinado de Josias. A intenção aparentemente óbvia dessa referência é informar ao leitor que Jeremias foi chamado e começou a profetizar nesse tempo. Josias começou a reinar em 640 a.C.; portanto, o ano designado é 627 a.C., cinco anos antes de o Livro da Lei ser encontrado (622 a.C.). Tem havido muita discussão, entretanto, sobre como aplicar essas datas à vida de Jeremias. Foi ele chamado ao nascer (1.4-8)? Se fosse assim, Jeremias teria nascido em 627. Se, entretanto, ele foi chamado quando era um jovem, teria nascido durante os últimos dias do reinado de Manassés (cerca de 644 a.C.). Teria então quinze ou dezesseis anos quando Josias começou suas reformas, e mais de vinte anos de idade quando o Livro da Lei foi encontrado.[4] Essa interpretação parece ser apoiada pelo texto e, portanto, é aceita pela maioria dos eruditos. Aceitar esse ponto de vista significará que Jeremias teria conhecimento dos planos de Josias quando este começou suas reformas.[5] Isso também significará que Jeremias começou sua obra profética antes de ser achado o Livro da Lei e, portanto, não foi influen­ciado por esse livro para começar sua obra profética. Significará também que ele tinha cerca de quarenta anos quando ocorreu a primeira deportação em 606 a.C. Este é o ponto que deve ser destacado: se ele nasceu em 644 a.C., passou por seus anos formativos antes que o Livro da Lei fosse (re)descoberto e que o trágico declínio final do reino de Judá começasse. Portanto, a personalidade de Jeremias e sua mensagem não foram inicial e primariamente formados e motivados pelos vários eventos que aconteceram depois que o Livro da Lei foi recuperado, a morte de Josias e o declínio subseqüente do reino judaíta. Em resumo, sua teologia não foi moldada pelos acontecimentos de seus dias, como alguns críticos pretendem.[6]

É importante, entretanto, destacar o seguinte: Primeiro, a situação política na cena internacional estava em turbilhão. A Assíria estava declinando como império; o Egito estava tentando recuperar sua influência; e a Babilônia era um poder em ascensão a leste. A situação política de Judá estava longe de estável, a despeito dos esforços de Josias. Jeremias em seu ministério profético mostra uma consciência aguda da cena política da época, tanto nacional quanto internacional, e fala desses temas, de seus dias, enquanto profetiza.[7]

O povo de Judá estava apático e tinha pouca preocupação com a herança pactual de Israel e Judá. A confiança religiosa do povo repousava nas instituições, particularmente o templo com seus rituais, e a idolatria amplamente espalhada era um lugar comum. Jeremias reage fortemente contra a perversão religiosa.

Jeremias mostra uma definida consciência do pacto feito no Sinai. Muito tem sido dito das influências teológicas do Deuteronômio sobre Jeremias. Não é que a mente de Jeremias tenha sido formada por uma assim chamada teologia deuteronômica, teologia que se desenvolvera por um longo período; antes, ele estava exposto a tudo quanto Moisés tinha proclamado e instituído. Jeremias estava familiarizado com Êxodo, Levítico (o sistema sacrificial) e Números, tanto quanto com Deuteronômio.

Devemos destacar mais um fator. Jeremias situa-se na tradição dos profetas. Como filho de uma família sacerdotal, estava familiarizado com as profecias de seus predecessores. Mas ele não se limita a repetir o que eles haviam dito. Pelo contrário, quando Yahwéh revelou sua palavra nos tempos de Jeremias, ele proclamou-a do seu próprio modo. Ao fazê-lo, ele mostrava que estava consciente do que os profetas precedentes tinham prefetizado. Jeremias, portanto, deu clara expressão à continuidade, ao caráter orgânico, progressivo e historicamente adaptável da revelação de Yahwéh.[8]

O Texto Hebraico. Levantam-se algumas questões difíceis em relação ao texto do livro de Jeremias. Três fatores principais têm recebido muita atenção: (1) o arranjo cronológico das profecias de Jeremias, (2) as diferenças entre o Texto Massorético e a Septuaginta, e (3) a composição real do livro. Uns poucos comentários a respeito de cada um podem servir como simples introdução a esses problemas.[9]

O arranjo das profecias de Jeremias exige primeiro que tudo a compreensão dos acontecimentos históricos durante a carreira do profeta. Ele começou seu ministério profético em 627 a.C., enquanto Josias iniciava suas reformas relgiosas, e cinco anos antes que começasse a restauração do templo (622 a.C.), quando o Livro da Lei foi encontrado (2 Rs 23.1-25). Josias morreu em batalha contra um exército egípcio sob o Faraó Neco em 609 a.C. (2 Rs 23.29; 2 Cr 35.20-25). Jeoaquim reinou de 609 a 598 a.C.; durante esse curto período os primeiros exilados foram deportados para Babilônia (606 a.C.); Joaquim reinou apenas uns poucos meses (598-597; 2 Rs 24.8-16). Então veio Zedequias, que reinou uma década (597-586 a.C.); durante esse período ocorreram a segunda e a terceira deportações (2 Rs 24.18-25.21). A terceira seguiu-se ao sítio e ao saque de Jerusalém (2 Cr 36.15-21; Jr 39.1-10; 52.1-27). Gedalias, o governador nomeado, foi assassinado pouco depois; isso foi seguido por uma fuga para o Egito, a que Jeremias foi obrigado a juntar-se (Jr 43.5-7). Jeremias profetizou no Egito (Jr 43.8-13).[10] Se é aceita a distribuição das profecias por seu fundo histórico, como a fez Roland K. Harrison, a primeira profecia messiânica (3.14-17) foi proferida no reinado de Josias, a segunda (23.1-8) durante o reinado de Jeoaquim, e as últimas três (30.8,9; 31.31-40; 33.14-26) durante o reinado de Zedequias.[11] As duas primeiras foram proferidas no contexto da proclamação do julgamento divino sobre Judá e Jerusalém, e as três últimas no contexto da esperança e consolação que Jeremias proclamou quando a queda de Jerusalém estava iminente.[12]

As diferenças entre os textos Massorético e da Septuaginta são: o primeiro tem cerca de 2700 palavras mais do que o último; os oráculos contra os povos e nações vêm no fim do Texto Massorético, mas no meio da tradução da Septuaginta; e a ordem em que o profeta se dirige aos povos e nações varia. Têm sido feitos esforços para explicar essas diferenças e determinar qual dos dois textos goza de maior antiguidade. J. H. Thompson apresenta um útil sumário dos assuntos tratados.[13] Numa tese doutoral, T. Gerald Janzen mostra que evidências de Qumran reacenderam o debate que já se havia acalmado quase completamente — sem que nenhuma posição fosse unanimemente aceita — porque o texto hebraico é em grande parte apoiado pelos dados de Qumran como representante do texto original.[14] Este problema, entretanto, não afeta seriamente as reconhecidas passagens messiânicas.

A composição do livro de Jeremias não é facilmente discemível. Baruque é referido como amanuense (Jr 36.1-8,32). Daí, todos os estudantes de Jeremias concordarem que o próprio Jeremias não escreveu todo o livro (se é que escreveu alguma parte). Há grande variedade de opiniões a respeito do desenvolvimento real do conteúdo do livro. Quatro abordagens básicas têm sido seguidas para resolver o problema da composição. A abordagem crítica literá­ria, articulada inicialmente por Bemhard Duhm, foi refinada por Sigmund Mowinckel.[15] A abordagem de Skinner,[16] que Carroll sucintamente examinou e rejeitou,[17] sustenta que o livro era uma autobiografia de Jeremias, à qual outros elementos foram acrescentados mais tarde.[18]

A construção redacional da tradição de Jeremias defendeu-a fortemente Carroll, quando ele tenta descrever a busca do Jeremias histórico. Carroll defende uma separação entre as seções poéticas e em prosa, e vê essas últimas como particularmente influenciadas pela suposta fonte teológica deuteronômica.[19] Um defeito básico na obra de Carroll é que ele pressupõe que um poeta não usaria a prosa vulgar para escritos importantes. Outra evidência a que Carroll apela é o que ele considera relatos duplos.

O ponto de vista tradicional de que Jeremias é o autor do livro e que Baruque é o anotador de suas palavras e possivelmente coletor dos escritos, continua a ser o ponto de vista dos eruditos conservadores.[20] Esta é também a posição adotada neste livro.

Negligência do Messianismo na Profecia de Jeremias. Como acima referi­mos, o gume da erudição crítica está na área dos estudos literários e textuais.[21] Mas a erudição bíblica de cunho conservador não tem demonstrado muito interesse nessa área quando trata da profecia de Jeremias. Se a pesquisa recente pode ser tomada como indicação segura, a erudição conservadora está princi­palmente interessada em Jeremias como pessoa, particularmente em sua cora­gem, sua vida de oração e sua lealdade inabalável a Yahwéh. Também recebe atenção o agudo conflito de Jeremias com falsos profetas. A atenção concentra- se particularmente na proclamação do Novo Pacto por Jeremias, que vários eruditos discutem no contexto da escatologia. E é nesse contexto que os aspectos messiânicos têm sido tratados. O fato é que as mensagens messiânicas de Jeremias não têm sido estudadas como deveríamos esperar da erudição conservadora, particularmente tendo em consideração o fato de que algumas pessoas nos dias de Jesus pensaram que Jeremias tivesse voltado pessoalmente a elas (Mt 16.14).[22]

Jeremias Como Tipo Messiânico

Jeremias o Profeta. Muito tem sido dito a respeito do que faz de Jeremias um caso único entre os profetas. Ele, como qualquer outro, representa o ofício profético, o fenômeno peculiar a Israel,[23] de um modo positivo e demonstrativo. Jeremias apresenta-se a si mesmo em termos não incertos, como um verdadeiro profeta, ao contrário de muitos outros, falsos, que não têm a Palavra de Yahwéh para o povo (Jr 14.16; 23.9-22; 27.9,14,15). Como um profeta, Jeremias permanece sozinho. Ele não é geralmente aceito como legítimo por­ta-voz de Yahwéh pelos reis de Judá e pelo povo, a despeito dos sinais não useiros que pratica a fim de demonstrar seu verdadeiro ofício e serviço profé­ticos. Ele não se casa, porque Yahwéh lhe retira uma esposa como um sinal em vista das tragédias a serem experimentadas no julgamento iminente (16.1-3).[24] Ele realiza ações simbólicas com o vaso do oleiro (19.10,11) e o jugo (27.1-15).[25] Expressa tristeza por causa da dureza de coração do povo do pacto e do julgamento certo que virá por causa disso (8.14-9.6; o Livro de Lamentações). Jeremias está certamente na linha profética: revela profunda afinidade espiri­tual com Moisés, Samuel, Oséias, Amós, Isaías e Ezequiel.[26] Porém, mais do que isso, ele pessoalmente retrata e demonstra, mais clara e plenamente do que seus predecessores, sim, até mesmo do que Oséias em seu casamento, o que Jesus, o Messias, havia de enfrentar como o verdadeiro e perfeito porta-voz de Deus — o profeta no meio de um povo refratário, enviado por Yahwéh com mensagens de julgamento por vir e de um futuro glorioso para o povo do pacto que se arrepende, crê, adora e serve.

Em relação a Jeremias como tipo messiânico, três fatores exigem comentário especial: (1) seu chamado, (2) sua personalidade, e (3) sua carreira.

Jeremias foi chamado de modo não usual. Ele próprio o relata (1.4-10). A palavra de Yahwéh era ’êlay (para mim) (1.4). Foi uma clara mensagem dirigida específica e pessoalmente a ele.[27] Yahwéh diz-lhe yeda'tlka (eu te conheci) antes que tivesse formado a Jeremias no ventre materno. O verbo hebraico expressa uma relação muito íntima.[28] Este fato recebe ênfase quando Yahwéh acrescenta que, antes que Jeremias nascesse, Yahwéh hiqedastikã (hiphil de qãdaS, separar, pôr à parte), consagrou Jeremias, e nètatikã (qal de nãtan, dar) "nomeou-o" profeta. A Jeremias não foi dada escolha.[29] Ele foi informado de que tinha sido escolhido e designado por Yahwéh para servir-lhe de porta-voz. Não deveria devotar-se às obrigações sacerdotais da família. Ele fora concebido e nascido sob o propósito eletivo e direção providencial de Yahwéh para representá-lo, no meio do povo do pacto em um momento crucial da história de Judá.[30] Não seria somente para Judá, entretanto, que ele haveria de falar; foi também nomeado para ser um profeta para os povos e nações.[31] A dimensão universal do plano pactual de Yahwéh e de seu propósito é repetida aqui (cf. Gn 12.1-3 com Is 49.6).

Ao considerar-se Jeremias 1.4,5 é preciso ter em mente o que Isaías havia profetizado a respeito do Servo (Is 49.1-6). O Servo foi chamado antes de seu nascimento e recebeu um mandato em relação a Israel e às demais nações.[32] Jeremias não foi informado de que era o Servo, o Messias prometido. Ele havia, entretanto, de considerar-se a si mesmo preparado e nomeado como o Servo o seria. Ele não era o Messias, mas daria expressão antecipada a algumas das experiências específicas do Messias prometido que deveria aparecer no devido tempo.

A experiência de Jeremias reflete, sem dúvida, também as experiências de Moisés (Ex 3.11; 4.10) e Isaías (Is 6.5). Ambos esses grandes profetas de Deus tinham-se considerado insignificantes, indignos e incapazes de cum­prir a tremenda tarefa que Yahwéh lhes tinha atribuído. Jeremias, alegando sua juventude e sua incapacidade de falar (1.6), recebe em resposta garan­tias como aquelas que Yahwéh tinha dado anteriormente a seus servos. O profeta iria e falaria, isto é, recebe a garantia de que não estaria falando por si mesmo. "Não temas porque eu estou contigo para te socorrer." O princí­pio de Imanuel, a presença de Yahwéh com seu povo, é repetido para assegurar a Jeremias que ele não teria de depender de suas próprias inicia­tivas e capacidades para enfrentar a oposição e o perigo (1.8). E então Jeremias recebe a garantia de que ele é qualificado para servir como porta- voz de Yahwéh. Jeremias não diz que ele vê Yahwéh, somente que Yahwéh tocou-lhe a boca com sua mão (Jr 1.9). Isso pode ser melhor compreendido como tendo ocorrido em visão. Jeremias realmente experimentou a mão de Yahwéh em sua boca e ouviu seu Senhor dizer que por esse ato ele, como profeta, estava investido com a mensagem profética de Yahwéh. Como Cristo diria séculos mais tarde que ele não falava por si mesmo (Jo 7.16,17), assim Jeremias é equipado para proclamar com segurança a palavra de Yahwéh a Judá, a Israel e às gentes e nações.

Os propósitos que Jeremias deve cumprir são definidamente messiânicos. Outros profetas tinham dito que o Messias que havia de vir traria julgamento sobre Judá, Israel e os povos e nações, e que traria restauração às pessoas que se arrependessem e cressem, dentre o povo do pacto (o remanescente), de Israel, Judá e as demais nações. A Jeremias é dada uma "tarefa messiânica" fortemente formulada. Hipqadtlkã (hiphil de pãqad, apontar, nomear) é um termo positivo (1.10). Ele contém os matizes de envolvimento pessoal e respon­sabilidade solene para executar uma determinada tarefa. O próprio Yahwéh dá essa mensagem direta; Jeremias não irá com a convicção de estar profeti­zando por sua própria conta. Uma vez convocado, depois de ter apresentado suas excusas (ele é demasiado jovem e incapaz), ele se torna convencido de que deverá ser um porta-voz sob as ordens de Yahwéh.

Quatro termos são empregados para expressar o papel de Jeremias como agente de julgamento. Todos esses são infinitivos.[33] [34] O primeiro termo é lintôS (arrancar). A cena é a de um jardineiro arrancando da terra plantas que não têm valor ou utilidade. O povo do pacto e outras nações podem esperar ser assim arrancados (Jr 12.14,15,17).

O segundo termo é wèlintôs (e derrubar). A figura é a de alguém especializa­do em derrubar e remover construções velhas, que não mais servem, ou destruir muros não mais desejados (cf. a derrubada do muro de Jerusalém em 39.8).

O terceiro termo, he’ebid (hiphil de ’ãbad,perecer) traz a idéia de fazer que seja destruído. O que está quebrado deve ser demolido, tomado sem uso e removido Jeremias também usa esse termo em referência aos ídolos em 10.15).

O quarto termo é wèlahârôs (lançar abaixo). Esse termo hebraico pode ser considerado paralelo ao segundo termo, mas neste contexto deve ser entendido como um clímax. Expressa o fim da presente ordem. O que foi erigido e mantido como o edifício de Yahwéh será desmantelado. A referência é à monarquia de Judá. O reino de Judá será derrubado e removido. Seu fim virá durante o ministério de Jeremias.

Jeremias não vai trazer o fim por meio da espada ou da ação política. Antes, ele recebe a Palavra de Yahwéh para proclamar, isto é, para que ela seja o instrumento de Jeremias. Ele tem de falar repetidas vezes, custe o que custar, e um alto preço será exigido dele. Ele o pagará, como veremos, quando examinarmos sua carreira, mais adiante, neste capítulo.

A palavra que vai trazer o fim é uma lâmina de dois gumes. Ela também há de trazer uma nova vida sob uma nova ordem. Dois termos são usados para expressá-lo, libnôt e lintôa'. Libnôt (construir), tomado da esfera da construção civil, significa a ereção de um edifício. Refere-se ao trabalho positivo que as pessoas farão, desenvolvendo instituições ou sistemas. O termo aponta particularmente para o que é feito acima da superfície: um edifício é erigido sobre alicerces e se eleva acima. O segundo termo afimativo, lintôa', (qal de nata', plantar), usado na agricultura, refere-se a colocar a semente sob a superfície da terra. Esse ato de plantio também traz a idéia de estabilidade (enraizado no solo) e continuidade de vida. Jeremias deve consi­derar-se agente de Yahwéh para introduzir e iniciar o desenvolvimento de uma nova ordem com instituições novas ou renovadas. Essa nova ordem, com vários aspectos incluídos, será expressa mais plenamente nas passagens messiânicas a serem discutidas.

Comentadores têm avaliado de diversas maneiras a missão que Jeremias recebeu. Alguns afirmam que ela foi basicamente espiritual; outros falam dela como um paradigma para vida espiritual.[35] O que devemos definitiva­mente lembrar é que Jeremias foi chamado a proclamar o fim de Judá como nação independente. Nem Judá nem Israel retomariam à sua primitiva forma política monárquica de nacionalidade. O que fora estabelecido sob Moisés — a teocracia—estava chegando ao fim, de uma vez por todas. Na verdade, lições espirituais de longo alcance podem ser tiradas daí. O fato permanece: Jeremias tinha de pregar o fim da velha ordem e o começo da nova. Esta é a razão de os termos hebraicos que expressam julgamento e destruição serem pronunciados primeiro, para serem seguidos pelos termos que expressam o plantio e a edificação de um nova ordem.[36]

Jeremias estava qualificado para cumprir a tarefa profética messiânica especial que Yahwéh lhe atribuiu. G. Ch. Aalders aponta para o fato de que Yahwéh deu a Jeremias o caráter e a personalidade necessários para essa obra estupenda. O propósito de dizer que Yahwéh tinha conhecido e formado Jeremias antes que ele nascesse era informar ao profeta, bem como aos leitores do livro, que Yahwéh não somente conhecia a tarefa, mas também que tipo de pessoa poderia e deveria cumpri-la de acordo com sua vontade.[37]

Jeremias, entretanto, é genuinamente humano. Suas reações iniciais de medo e de sentir-se inadequado para a tarefa dão expressão eloqüente desse fato. E Yahwéh conta com a humanidade de Jeremias quando dá ao jovem dois sinais: um ramo de amendoeira e uma panela fervente (1.11-14). Ambos são tomados da vida comum, mas asseguram a Jeremias seguro e pronto êxito e que ele terá o poderoso apoio de Yahwéh.[38] Jeremias, porém, à medida que leva adiante os deveres proféticos que lhe são atribuídos, continua a fazer perguntas a Yahwéh.[39] Ele pede repetidas garantias a respeito da vontade e do plano de Yahwéh. A esse respeito, ele é a verdadeira figura de Jesus Cristo, que, embora fosse um homem sem pecado, também recebeu garantia dos céus no seu batismo (Mt 3.17 par. Mc 1.11; Lc 3.21; cf. Jo 12.28).

Jeremias foi chamado, e continua a ser, o profeta lamentador;[40] ele próprio refere-se às lágrimas que chorou por causa de sua tristeza quanto a seu povo e nação (8.21-9.3 [TM 9.2]; 14.17; cf. Lm 2.11; 3.48). Jeremias chora, como Jesus, seu antítipo Jo 11.35; cf. Lc 19.41-44). Alguns comentadores corretamente notam que Jeremias, entretanto, servindo num momento crucial da história de seu povo, teve experiências que nenhum outro profeta teve. Ele estava em

Jerusalém, no coração do país, quando ocorreu a destruição de Judá como entidade política. Naquelas circunstâncias tensas ele demonstrou que era, na verdade, o homem preparado por Yahwéh para representá-lo e falar por Ele. A devoção, a coragem, a firmeza, a sensibilidade, a compaixão e a sabedoria de Jeremias são óbvias em numerosas situações.[41] Particularmente, quando o ressentimento do rei cresceu contra ele, quando sua popularidade decresceu, e ele suportou ostracismo e maldição (15.10,11,17; 17.15; 20.7b), Jeremias abriu seu coração.[42]

Quando se compara o tempo, o chamado e as experiências de Jeremias com os de Jesus Cristo, pode-se começar a compreender mais claramente por que o povo, nos dias de Cristo, perguntava se Jeremias teria retornado à terra para levar adiante sua obra profética. Na verdade, o que Jeremias, o profeta, tinha feito era um prelúdio e uma preparação para o que seu antítipo, o maior dos profetas, haveria de ser, dizer e fazer.

A terceira dimensão de Jeremias como tipo profético messiânico está inseparavelmente ligada a seu chamado e a sua personalidade. Ele fez o que foi chamado a fazer e porque era uma pessoa preparada por Yahwéh: foi um profeta de carreira! Devotou sua vida, desde a juventude até à morte, ao ofício profético. Serviu como porta-voz de Yahwéh. Dirigiu-se a reis e nações porque tinha de levar a palavra de Yahwéh a Judá e às gentes e nações contemporâneas. Falou a respeito das condições religiosas, bem como das dimensões sociais da vida. Tomou de vários aspectos da vida — agrícola, comercial, médico (bálsa­mo de Gileade), político e social — as ilustrações e os símbolos com os quais trouxe a Palavra de Yahwéh. Expressou profunda preocupação pessoal por seu país, sua cidade, sua herança religiosa e pelos povos de todas as gentes e nações. Falou repetidamente do julgamento vindouro e do futuro que era assegurado. Olhou para trás e apelou às promessas pactuais que Yahwéh fizera a seu povo por meio de Moisés e Davi. À medida que falava retrospectivamen­te, dirigia-se ao seu presente e, ao mesmo tempo, falava do futuro. Em suma, pregava ao povo de seus dias e falava preditivamente; era um verdadeiro profeta na tradição profética. Foi um profeta único, porque foi predestinado e preparado para servir em circunstâncias e condições diferentes das de todos os profetas antes dele.

A relação entre Jeremias, o profeta, e Jesus Cristo, o maior dos profetas, tem sido notada por diversos comentadores do livro de Jeremias. Analogias, para­lelos e semelhanças são lembrados. Charles Feinberg concorda que Jeremias foi "o mais semelhante a Cristo de todos os profetas" e dá-nos uma lista de dezesseis analogias entre Jeremias e Jesus. Ambos falaram logo antes da queda de Jerusalém e da destruição do templo; ambos condenaram o mercantilismo do culto do templo (Jr 7.11;Mt21.13); e ambos foram rejeitados pelos sacerdotes dos seus dias e por seus próprios parentes.[43]






[1] Isaías tem sessenta e seis capítulos, Jeremias tem apenas cínqüenta e dois, mas o livro de Jeremias é realmente mais longo: contém mais palavras. 


[2] A literatura produzida, especialmente por eruditos de tendência crítica, é, nas palavras de Robert P, Carroll, "vasta demais para ser relacionada neste livro, e requer a atenção de um bibliógrafo" {From Chaos to Covenant (Londres: SCM, 1981), p.289, n. 41). Autores recentes têm tentado sumarizar o que eles consideram ser as obras importantes sobre Jeremias. Cf. especialmente a bibliografia de Childs e seu sumário do estudo crítico (.Introduc­tion to the Old Testament as Scripture, pp, 331-335). Outros exemplos que podem ser consultados, em adição a Carroll são Peter A. Ackroyd, "The Book of Jeremiah — Some Recent Studies", JSOT28 (1984):47-59. Ackroyd divide o estudo em quatro categorias: (1) contexto histórico, (2) contexto literário, (3) estudo textual e literário, e (4) exegese; inclui uma bibliografia selecionada. Ver também William L. YíoWaday, Jeremiah: Spokesman out o/7i’me(Filadélfia: Pilgrim, 1974), pp.151,152. J. A. Thompson apresenta sua bibliografia selecionada referindo-se a "uma enorme quantidade de literatura secundária", tanto de livros quanto artigos escritos em anos recentes {The Book of Jeremiah, NICOT[Gxax\d Rapids: Eerdmans, 1980], pp, 131-136). Ele assinalou com asteriscos cinco obras que contêm extensas bibliografias. À vista da disponibilidade dessas bibliografias para leitores e estudantes das profecias de Jeremias, somente uns poucos livros são referidos neste trabalho. 


[3] Alguns escritores, que fazem referências diretas à mensagem messiânica de Jeremias em seus comentários introdutórios ou no conteúdo, são Charles L. Feinberg, "Jeremiah", em The Expositor's Bible Commentary, ed. Frank E. Gaebelein, 12 vols. (Grand Rapids: Zondervan, 1986), 6.369, que argumenta que Jeremias "não descreve em pormenores os tempos messiânicos... A pessoa do Messias não é tão proeminente.,, como em Isaías". Ver Roland K. Harrison, Jeremiah and Lamentations (Downers Grove, 111.: Inter-Varsity, 1973), p. 42; John Skinner, Prophecy and Religion: Studies in the Life of Jeremiah (rep ubl.: Cambridge: University Press, 1955), pp. 310-319. Cf. Peter Ackroyd, que elogia esse livro em EV7,89:356-358;Thompson, Book of Jeremiah, p. 113. 


[4] Um terceiro ponto de vista, com pouco apoio, pretende que há um erro no texto: em lugar de treze, deveríamos ler vinte e três. Cf. J. Thompson para um sumário dos três pontos de vista, a discussão de cada um, e seus argumentos bem formulados para aceitar a data de 627 como a data de começo do ministério de Jeremias (Book of Jeremiah,pp.5Q-56). Uma refutação da posição tradicional pode ser vista em James P. Hyatt, Jeremiah, em IB (1956) 5.779,780, e várias partes de sua exegese. 


[5] Ele era filho de Hilquias e muito provavelmente da família de Abiatar.Por ter-se oposto a Salomão no tempo em que Davi estava para morrer (1 Rs 1), Abiatar foi expulso de Jerusalém e mandado para sua terra, em Anatote, no território tribal de Benjamim. Ver Skinner, Prophecy andReligion, pp. 19,20, para uma discussão mais ampla. Devemos lembrar que Benjamim permaneceu com Judá quando as dez tribos estabeleceram o reino do norte; daí, Jeremias, vivendo a pequena distância de Jerusalém e sendo cidadão do reino de Judá, estava num lugar onde podia ver e ouvir o que acontecia em Jerusalém durante o reinado de Josias. 


[6] Cf., p. ex., Robert P. Carroll, From Chãos to Covenani (New York: Crossroad, 1981), pp. 44-51; Holladay, Spokesman out ofTime,pp. 16-30, 


[7] Ver o exame de John Bright sobre a situação política em Jerenuah, em A 5(1965), 21:xxii-xxxviii. Cf. Holladay, Spokesman out of Time, p. 12, que conclui que Jeremias formulou uma teologia adequada para o desastre. 


[8] Para saber como um erudito crítico interpretou esse fenômeno,, ver Holladay, Spokesman out ofTime, pp. 31-44. É de interesse notar que autores como Bright, Holladay e Skinner apresentam seu ponto de vista sobre a origem e o desenvolvimento histórico de todo o fenômeno profético nas seções introdutórias de suas obras a respeito da profecia de Jeremias. 


[9] Comentadores que escreveram no século XIX trataram desses problemas, de modo que, se houver interesse num estudo pormenorizado, só precisa consultá-los. Periódicos recentes também têm apresentado um número crescente de artigos que tratam criticamente de Jeremias, Cf. o Index to Religious Periodicals, que dá uma lista de cerca de trinta artigos entre 1983 e 1986. Ver também Thompson, Book ofjeremiah, pp. 33-50, que apresenta um útil sumário de vários escritores sobre esses problemas. 


[10] Cf. vários livros históricos e dicionários bíblicos sobre as variações sugeridas na cronologia, Cf., p. ex., Andrew W, Blackwell, Jr., Commentary on Jeremiah (Waco: Word, 1977), pp, 19,20. De particular interesse é a obradeElmer A. Leslie,que tenta desenvolver um arranjo cronológico das profecias de Jeremias {Jeremiah [New York; Abingdon, 1954]). 


[11] Cf. Roland K. Harrison, Introduction to the Old Testament(Grand Rapids: Eerdmans, 1969), p. 816. 


[12] Cf. Thompson, Book ofjeremiah, pp, 125-130, sobre um esboço aceitável das profecias de Jeremias. 


[13] Ibid., pp. 118-120. 


[14] J. Gerald Janzen, Studies in the Text of Jeremiah (Cambridge: Harvard University Press, 1973), p. 7 e passim. Thompson, Book of Jeremiah, p. 118, n. 2, refere-se a essa obra como a "mais recente obra-padrão". 


[15] Bernhard Duhm, Das Buch Jeremia (Tübingen: Mohr, 1901) empregou critérios estéticos e estilísticos e deixou somente cerca de sessenta curtos poemas proféticos (cf, esp. caps. 1 e 16) e Sigmund Mowinckel, Zur Komposition des Buches Jeremia (Kristiana, 1914), acredita ter identificado três tipos de literatura, dos quais somente um seria de Jeremias. Segundo seu ponto de vista, vários tipos de literatura de outras origens teriam sido reunidos sob o nome de Jeremias. 


[16] Skinner, Prophecy and Religion, pp. 3-6. 


[17] Carroll, From Chaos to Covenant, pp. 5-11. 


[18] Skinner, Prophecy and Religion, esp.pp. 201-230. 


[19] Carroll, From Chaos to Covenant, esp. pp. 7-30. 


[20] Cf., p, ex., G. Ch. Aalders, De Profeet Jeremia, 2 vols. (Kampen: Kok, 1923/1953), 2.21-24; Feinberg, "Jeremiah", em The Expositor's Bible Commentary, 6.362; Harrison, Jeremiah and Lamenta tions, p. 29; Theodore Laetsch, Jeremiah (St. Louis: Concordia, 1952), Laetsch não discute os temas; simplesmente apela para a doutrina bíblica da inspiração e para o testemunho de Cristo a respeito de Jeremias (ibid,, p. xn). 


[21] Sobre evidência ver a pesquisa de Ackroyd e a obra editada por Leo G. Perdue e Brian W. Kovacs, A Prophet to the Nations — Essays in Jeremiah Studies, (Winona Lake, Ind.: Eisenbrauns, 1984). Os títulos neste último referem-se à data do chamado de Jeremias, sua relação com o Deuteronômio e com as reformas de Josias, a situação política, a composição do livro, abusca do Jeremias histórico, e novas direções na pesquisa. São sugeridas duas áreas críticas textuais. 


[22] Para uma informação geral do que os conservadores têm estudado ver 'Theological Research Exchange Net Work", ou o índice de periódicos como esses publicados por vários seminários conservadores ou pela Evangelical Theological Sodety. 


[23] É digno de nota que vários críticos, quando escrevem suas introduções a um estudo de Jeremias, examinam todo o fenômeno profético em Israel, e alguns tentam mesmo relacioná-lo com várias atividades entre os vizinhos pagãos de Israel. Cf., p. ex., Bright, Jeremiah, em AB{1965), 21:xv-xxvi; Carroll, From Chãos to Covenant,,pp. 5-30. Ver também Elmer Leslie, Jeremiah (New York: Abingdon, 1954), pp, 178-189; e Skinner, Prophecy and Religion, pp. 1-17. 


[24] Holladay, em Spokesman out ofTime, p. 27, sugere que o termo "criança" empregado por Jeremias (em 1.6) poderia simplesmente significar que ele era solteiro, e portanto não deve ser tomado literalmente. 


[25] Thompson, BookofJeremiah,pp. 72,73. 


[26] Carroll desenvolveu este fato quando discutiu o chamado de Jeremias para ser um profeta (From Chaos to Covenant, pp. 33, 34), Ver também Bright, Jeremiah, em AB (1965), 21.xxii-xxvi, que é muito mais positivo do que a maioria dos críticos: "ê somente como homens que criam, que sabiam que a palavra que proferiam era a Palavra do seu Deus,,." 


[27] Sobre o esforço de dar a essa mensagem de Jeremias uma referência mais ampla e um significado específico para feministas que querem ser ordenadas no "ministério profético", ver Lyn Mehls, "Reflections on Jeremiah 1.4-10", Currents in Theology and Mission 8 (1981):151-155. James Barr usou essa mesma passagem como um paradigma para apresentar a posição fundamentalista a respeito da Bíblia. Barr erroneamente coloca todos os fundamentalistas, evangélicos, e os luteranos e reformados históricos, numa categoria, Esses, segundo Barr, creem poder apelar a Jeremias 1.4-10 para provar que os profetas recebiam palavras de Yahwéh e as proclamavam sem elaborá-las em sua própria consciência. Barr, assim, deixa de atentar para o ponto de vista bem elaborado e freqüentemente repetido da inspiração orgânica (cf. seu Beyond Fundamentalism [Filadélfia: Westminster, 1984], esp.pp. 20-23). 


[28] Cf. Thompson, Book of Jeremiah, p. 145. 


[29] Para compreender o título que Wilhelm Rudolph dá à sua discussão do chamado de Jeremias, "As Próprias Convicções de Jeremias como Ordem de Yahwéh", é preciso ter em mente a abordagem e a interpretação críticas de Rudolph à profecia Jeremiah [Tübingen: Mohr, 1968], pp. 4,5). 


[30] Skinner, Prophecy and Religion,'pp.lS-SA., intitulou o capítulo em que discute o chamado de Jeremias como "Predestinação e Vocação"; cf. o comentário: "ele tinha sido destinado e moldado,,," É lamentável que Skinner interprete a experiência profética de tal modo que Jeremias, tendo sido nutrido na tradição profética e tornan­do-se consciente da crise nacional, chegou a uma convicção pessoal, isto é, uma convicção formada numa percepção intuitiva (cf. ibid., p. 27), 


[31] "Embora Jeremias devesse ser um profeta da igreja e embora não tivesse ido às demais nações vizinhas, entretanto ele era um profeta para as gentes e nações, porque seus ensinos e sua autoridade se estenderam a elas" (Calvino, Commentaries on the Prophet Jeremiah, trad. John Owen, 5 vols. [republ, Grand Rapids: Baker, 1981], 137). 


[32] Ver cap. 19, subtítulo "Exegese de Passagens Selecionadas", sobre a exegese de Is 49.1-6. 


[33] Esses termos aparecem no livro em várias formas e combinações (12.14-17; 18.7-9; 24.6; 31.28,40; 42.10; 45.4). Este feto deixa claro que Jeremias tinha constante e plena consciência de qual era seu dever. As variações nas formas dos verbos, as várias combinações em passagens posteriores e sua aparição em seções de prosa têm suscitado muita discussão a respeito de fontes e de trabalho editorial. Thompson examina brevemente essa discussão e conclui, corretamente, que todo o material originou-se do próprio Jeremias (Book of Jeremiah, pp. 150,151). 


[34] Ver, p, ex., Feinberg, "Jeremiah", em The Expositor's Bible Commentary, 6383. 


[35] Harrison, Jeremiah and Lamentations, p, 50. 


[36] Ver Calvino, Commentaríes on theProphetjeremiah,!.45,46, sobre suas considerações a respeito da ordem: primeiro, julgamento; depois, restauração. 


[37] Ver Calvino, Commentaríes on the ProphetJeremiah, 134,35. 


[38] Keil escreveu uma útil explanação desses sinais {TheProphecies ofJeremiah, trad. David Patrick (republ. Grand Rapids: Eerdmans, 1950), pp. 43-47). 


[39] Cf, Holladay, Spokesman out ofTime, p. 12, Seria mais exato dizer que Jeremias deu uma variedade de respostas; cf., p. ex., 4.10,19-21,31; 5,3-6. O fato de que Jeremias deu respostas evidencia que ele não era um reprodutor mecânico das palavras de Yahwéh. Ao contrário, Jeremias refletia sobre elas e avaliava, em seu próprio contexto, as definidas mensagens que devia proclamar. 


[40] Cf, Harold L. Willmington, "O Profeta Lamentador", FundamentalistJournal6 (Junho 1986):52. Hengsten- berg, Chrístology ofthe Old Testament, 2.369, escreve: "seus olhos facilmente se enchiam de lágrimas," 


[41] Cf. para posterior estudo estes comentadores: G. Ch. Aalders, Oe ProfeetJeremia, 2 vols. (Kampen: Kok, 1923-1925), 2,7-9; Bright, Jeremia,, em AB (1965), 21:xcviii-ci; Feinberg, "Jeremiah", em The Expositor's Bible Commentary, 6358,359. 


[42] Ver Thompson, Book of Jeremiah, p. 101. Hyatt, Jeremiah, em IB (1956), 5.782,783, não foi tão caridoso quando escreveu que Jeremias era impaciente, de temperamento explosivo, emotivo e pronto a clamar por vingança; essas qualidades, entretanto, foram consideradas elementos na constituição de um poeta. Van Seims expressouseu ponto de vista sobre Jeremias ao escolher os títulos: "Um profeta criança" (1,1-630), "Agravamento de um conflito" (7.1-15,21), "Em conflito com todos" (16.1-25,38), isto é, um menino que entrou e continuou numa vida de conflito crescente (A. Van Seims, Jeremia [Nijkerk: Callenbach, 1972]), 


[43] Feinberg, 'Jeremiah", em The Expositor's Bible Commentary, 6.360-361.