31 de agosto de 2016

Retirado do rio: A lenda de Sargão e a narrativa de Moisés

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Bíblia de Estudo Arqueológica

GERARD van GRONINGEN - A Revelação Messiânica Durante o Exílio: Daniel (Parte 1)

gerard groningen danilo moraes
A Revelação Messiânica Durante o Exílio - 2: Daniel

Deus não revelou seu plano para a vinda do Messias sem olhar para a situação do povo. À medida que os acontecimentos se sucediam, o mesmo ocorria com a revelação de Deus a respeito de seu roteiro messiânico. Ele contava com as circunstâncias adequadas a um porta-voz específico dele chamado para proclamar sua mensagem, e também com as circunstâncias adequadas àqueles a quem a mensagem profética era dirigida. Ezequiel, um sacerdote que vivia no meio dos exilados escravizados, refletia as circunstân­cias, condições e aspirações de sua audiência quando profetizava. De igual maneira fazia Daniel, um príncipe.

Daniel, a Pessoa e o Profeta

Ambiente e Características Pessoais de Daniel

Daniel era de família real ou nobre (1.3), da tribo de Judá (1.6). Não se sabe quando e onde nasceu. Geralmente admite-se que era natural de Jerusalém, porque foi esta a cidade sitiada e capturada (w. 1,2) quando, jovem, estava entre os primeiros exilados para a Babilônia (606 a.C.). Se era então um adolescente na ocasião, deve ter vivido até uma idade avançada, porque estava ainda na corte da Pérsia por volta de 530 a.C.[1]

Daniel, o Exilado. Há referências repetidas ao fato de que Daniel era um exilado, fato que nem ele nem ao que parece seus companheiros esqueceram. As circunstâncias de seu exílio são registradas. Como resultado da ordem do rei da Babilônia, de tomar alguns jovens de estirpe real ou nobre, sem defeitos e com forte potencial para liderança, Daniel foi tomado juntamente com outros jovens (w. 3-7). Parece que a intenção do rei era que esses jovens fossem treinados de tal maneira que esquecessem o passado e adotassem Babilônia como seu lar e sua pátria (w. 4-5). O nome de Daniel, que significa "Deus é meu juiz", foi mudado para Beltessazar (v. 7), que provavelmente significa "Bel protege sua vida". Daniel, entretanto, permaneceu fiel a sua herança hebraica; logo, ele era realmente um exilado (p. ex., 2.25; 5.13; 6.13). Durante os muitos anos de seu exílio foi um servo fiel aos reis. A combinação — fidelidade a Yahwéh, seu Deus, e lealdade aos reis, aos quais foi chamado a servir em vários palácios — qualificou-o de maneira única e especial para trazer a mensagem profética messiânica de Deus para aquele tempo e aquelas circunstâncias.

Daniel, o Estadista. Daniel foi treinado para servir em palácio e nos centros administrativos de Babilônia (1.3-5,17-20). Indubitavelmente, tinha recebido ensino religioso como criança e adolescente, porque era fortemente compro­metido com Yahwéh e com sua herança pactual. Não tinha intenção de violar esse compromisso (1.8-16). Daniel e seus três amigos estudavam; Yahwéh deu-lhes as valiosas qualidades necessárias, especialmente conhecim

30 de agosto de 2016

As cidades celeiros de Pitom e Ramessés

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R. ALAN COLE - Israel no Egito (1.1-11.10) (Parte 1)

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I. ISRAEL NO EGITO (1:1 —11:10) 

a. Israel antes de Moisés (1:1-22) 

1:1-7. Contexto 1. São estes os nomes ... — O waw (e) com que se inicia o texto hebraico de Êxodo deixa claro que este não é um novo li­vro mas simplesmente uma continuação da história de Gênesis e o cum­primento das promessas feitas aos patriarcas. Este é, todavia, o lugar oportuno para uma interrupção; esta é a última vez que, no Pentateuco, a expressão “filhos de Israel” é usada para descrever a família de Jacó propriamente dita. De agora em diante, a expressão será usada co­mo um coletivo patronímico, descrevendo todo o povo de Deus, forma­do como qualquer nome tribal árabe. 

2-4. Há como que uma corrente musical na lista dos nomes dos do­ze cabeças de tribo, como na lista dos doze apóstolos no Novo Testa­mento. Uma nova obra divina está prestes a se iniciar. 

5. Setenta pode ser usado como um número redondo, ou como um número sagrado. No entanto, pode ser obtido exatamente se excluir­mos Diná, a filha de Jacó, do total. O texto grego de Gênesis 46 acres­centa os cinco filhos de Efraim e Manassés, perfazendo assim o total de “setenta e cinco” mencionado em Atos 7:14. A questão teológica a destacar é a diferença entre o pequeno número que entrou no Egito e a enorme multidão que de lá saiu. 

7. O texto hebraico repete deliberadamente três verbos usados em Gênesis 1: 21,22 e que podem ser traduzidos “frutificaram ... aumenta­ram muito ... se multiplicaram”. Esse aumento foi interpretado como a bênção prometida por Deus à Sua criação. Um tempo considerável já passara desde a morte de José: na menor das estimativas, Moisés era a quarta geração depois de Levi (Nm 26:58) e ele pode ter vivido centenas [1] de anos depois (12:40). E a terra se encheu deles se refere ou à terra de Gósen (provavelmente o Wadi Tumilat, que se estende do Nilo à linha do atual Canal de Suez) ou então, em linguagem hiperbólica, todo o território do Egito. Esta última interpretação, embora estatisticamente incorreta, expressa bem os sentimentos dos egípcios, que em algumas partes haviam sido reduzidos a uma minoria diante dos indesejáveis imigrantes. 

29 de agosto de 2016

A inscrição de Khu-Sebek e o enterro de Jacó

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JOHN BRIGHT - Características da teologia do judaísmo primitivo

john bright danilo moraes
A. CARACTERÍSTICAS DA TEOLOGIA DO JUDAÍSMO PRIMITIVO

I. A comunidade judaica e o mundo

A situação na qual os judeus se encontraram causou
inevitavelmente problemas que eles nunca tinham sentido
antes tão agudamente. E o que dizia respeito à relação da
comunidade com o mundo gentio não era o menor deles. Por
outro lado, o judaísmo tendia a separar-se do mundo e ensimesmar-se, mostrando muitas vezes uma atitude estreita e até
intolerante. Contudo, observam-se provas de interesse sincero
e profundo pela salvação das nações, algo parecido com o
espírito verdadeiramente missionário tal como o procuraremos
em vão no Israel pré-exílico, em que estas noções estavam,
quando muito, latentes. Esta tensão nunca se resolveu satisfatoriamente.

a) Fontes de tensão. — Tal tensão estava enraizada na
estrutura da religião de Israel e não era, em essência, nova.
De fato, ela se dava entre a fé monoteísta e a noção de eleição. Israel sempre acreditou que era um povo peculiar, escolhido por lahweh. Ao mesmo tempo, ele tinha concedido a
seu Deus — por menos sistematicamente que isto se tenha
dado — um domínio supranacional, realmente universal. Além
disso, acreditava que esta finalidade era, em última análise,
o estabelecimento triunfal de seu domínio sobre a terra. O
fato de ser este triunfo concebido como envolvendo a submissão de outras nações (por exemplo, SI 2,10ss;72,8-19)
significava que a questão da relação de Israel com o mundo
na economia divina teria sido levantada mesmo que a religião
monoteísta não a tivesse tornado inevitável. Entretanto, apesar de ser muito antiga a noção de que a vocação de Israel
afetava os povos do mundo (Gn 12,1-3 etc.) e embora
alguns entendessem que lahweh guiasse os destinos das outras nações, além de Israel (por exemplo, Am 9,7), e muitos
até esperassem ainda a conversão dos estrangeiros para a sua religião (IRs 8,41-43) 3', na verdade, eles pouco se ocupavam do problema na idade pré-exílica. Israel era uma nação
com culto nacional; embora os estrangeiros residentes em
sua pátria pudessem ser absorvidos (e o foram), não havia

27 de agosto de 2016

Fome no antigo Oriente Médio

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GERARD Van GRONINGEN - A Revelação Messiânica Durante o Exílio -1: Ezequiel (Parte 2)

gerard groningen danilo moraes
Ez 17.22-24. Ezequiel usa uma pitoresca alegoria para dar uma inconfundí­vel mensagem a seus concidadãos israelitas.[1] Ele apresentou essa profecia por volta do ano 590 a.C.; o rei Jeoaquim tinha sido levado cativo (cerca de 596 a.C.), e Jerusalém cairia dez anos mais tarde (586 a.C.).[2] A alegoria trata basicamente da casa real de Davi e de seu envolvimento na política internacional. Temos mais uma vez um caso de como a situação histórica no tempo em que a profecia é dada provê a forma e o material para a mensagem messiânica indiscutível que Ezequiel proclama. 

Os exilados que ouviam Ezequiel sem dúvida se admiraram do que viria sobre a casa real de Davi, especialmente se o que Ezequiel profetizava a respeito de Judá e Jerusalém fosse verdadeiro — sua destruição certa num futuro próximo. Essa profecia de Ezequiel certamente evidencia que pensamentos messiânicos não surgiam espontaneamente de uma comunidade esperançosa naquele tempo.[3] Na alegoria, Ezequiel refere-se à casa de Davi como uma árvore plantada no Líbano (17.3). O rei da Babilônia (águia) leva o topo da árvore 0eoaquim) para Babilônia e planta a semente (Zedequias) em Canaã. Essa semente não se desenvolve bem e, depois de ter-se apoiado por um pouco em Babilônia, volta-se para o Egito. Por causa de seu ato traiçoeiro, que ocorre justamente antes dessa profecia, a casa davídica incorrerá no julgamento de Yahwéh; será banida de Jerusalém.[4] Ezequiel declara em linguagem expres­siva que o rei davídico morrerá em Babilônia (17.16) por causa de sua traição e infidelidade, tanto a Yahwéh quanto ao rei de Babilônia, sob quem Yahwéh o tinha colocado (17.19-21). 

Críticos eruditos têm insistido fortemente na divisão do material em partes distintas.[5] Há, realmente, partes óbvias nessa profecia, mas elas formam uma unidade que segue a verdadeira cronologia dos acontecimentos (ver quadro 17). 

Ezequiel realmente não apresenta qualquer material especificamente novo a respeito da casa real de Davi. Isaías e Jeremias já tinham profetizado a respeito de sua desaparição da cena histórica, mas juntaram-se a Amós (Am 9.11-15) e Miquéias (Mq 5.2 [TM 5.1]) predizendo sua restauração final. Ezequiel apre­senta a mesma animosa mensagem mas em forma diferente — como uma alegoria com interpretação e aplicação. O cedro da alegoria inicial é usado para expressar a cont

26 de agosto de 2016

R. ALAN COLE - As Fontes de Êxodo

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As Fontes de Êxodo 

Este não é o lugar de entrarmos numa discussão prolongada da história da moderna crítica do Pentateuco, quer da escola que postula fontes documentárias (como a antiga divisão J, E, D e S), quer da esco­la que postula correntes de tradição oral ou mesmo de uma combinação de ambas. O desnecessário de tal discussão fica ainda mais claro quando se vê que o assunto é tratado em termos gerais em todas as intro­duções ao Velho Testamento (consultar Introduction to the Old Testa­ment, por R. K. Harrison, Eerdmans, 1970)' e extensamente analisado num comentário desta série (Genesis, por Derek Kidner). Os que tive­rem interesse no assunto devem consultar os livros acima mencionados. No entanto, algumas observações sobre princípios básicos e métodos de enfoque podem ajudar a esclarecer nossa mente de modo a evitarmos o erro de procurar extrair de Êxodo mais do que o livro reivindica para si. Há mais material sobre o assunto no Comentário. 

Hoje em dia, ninguém mais duvida seriamente que Moisés era ca­paz de escrever e sem dúvida o fez, em uma variedade de línguas; essas seriam conhecidas de qualquer hebreu educado numa corte egípcia. Não há necessidade, entretanto, de se presumir que ele tenha escrito pessoalmente a totalidade do livro de Êxodo, ainda mais porque nem o próprio livro o afirma. Possivelmente é melhor entender o livro como o resultado de uma combinação de fontes mosaicas escritas e material de origem mosaica transmitido oralmente. Não há referências, por exem­plo, a registros escritos contemporâneos nos capítulos iniciais do livro, em que Moisés é uniformemente mencionado na terceira pessoa (em contraste, por exemplo, com a narrativa de Deuteronômio, escrita na primeira pessoa). A narrativa das pragas do Egito, por exemplo, pode bem ter sido preservada e transmitida oralmente por muito tempo antes

R. ALAN COLE - A Localização do Mar Vermelho

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A Localização do Mar Vermelho

Mais uma vez, o local exato em que Israel atravessou o Mar Ver­melho não tem importância teológica direta. Possui, no entanto, inte­resse histórico e geográfico e, já que acreditamos ter sido a travessia um acontecimento histórico, é nossa obrigação fazer um esforço para localizá-la, mesmo que tal esforço seja, por necessidade, apenas uma tentativa. É claro que os hebreus ao tempo de Moisés sabiam bem qual era a localização, pois vários nomes de lugares são mencionados (14:1,2). Contudo, não é certo se gerações posteriores de Israelitas a co­nheciam; certamente não há uma tradição fixa.

Em primeiro lugar, o nome “Mar Vermelho” causa confusão (pois tem sua origem na tradução grega do Velho Testamento) se o associar­mos ao moderno “Mar Vermelho”, a maior extensão marítima entre a Arábia e a África. Provavelmente nem devemos pensar no Golfo de Suez, que é mais estreito. A expressão hebraica yãm süp é melhor tra­duzida por “Mar dos Juncos” (ou até mesmo “brejo dos papiros”, se­gundo Hyatt). A expressão pode se referir a um lugar específico ou po­de ser apenas um termo genérico para qualquer área de água pouco pro­funda em que proliferem juncos, tal como nos referiríamos hoje a um mangue ou pântano qualquer. No último caso, uma identificação exata é impossível. Essa descrição geral é adequada a muitos pontos ao norte do Golfo de Suez, entre o Golfo e a costa do Mar Mediterrâneo, aproximadamente ao longo do traçado do atual Canal de Suez, onde há uma série de lagoas rasas e semi-pantanosas. Embora essas lagoas possam ter variado um pouco em área e extensão através dos séculos, não há qualquer prova de que a costa do Golfo de Suez se tenha alterado consi­deravelmente em épocas históricas. Podemos rejeitar o ponto de vista de que o local da travessia foi uma extensão pantanosa do Golfo locali­zada bem ao norte e desde então desaparecida. Portanto, as opções ao tempo de Moisés eram aproximadamente as mesmas de hoje e podemos considerar o problema em termos da atual geografia da região.

R. ALAN COLE - A Data do Êxodo

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A Data do Êxodo

A data do êxodo não é um assunto sobre o qual possamos fazer afirmações dogmáticas: estudiosos de grande e igual valor, e de igual devoção a Cristo, vêm divergindo e sem dúvida continuarão a divergir quanto a isso. Não se trata de um problema de ortodoxia ou fundamen- talismo, mas de um julgamento histórico numa área em que a evidência é bem escassa. Providencialmente, não é um assunto que afete a teolo­gia do livro, uma vez que aceitemos o fato de que o êxodo aconteceu e a interpretação que o torna o supremo “ato divino” visando a libertação de Israel. É de se duvidar que qualquer israelita tenha jamais sabido a data cronológica exata e é ainda mais duvidoso que se tenha jamais im­portado em saber. No entanto, já que aceitamos a historicidade do êxo­do, podemos investigar a respeito de sua provável data.

Uma das dificuldades em tal investigação é que, fora as duas cidades-armazém construídas pelos israelitas para Faraó (1:11), não há outros nomes próprios na narrativa que sirvam para relacionar os acon­tecimentos nela descritos à história egípcia atualmente conhecida; até mesmo o título “Faraó”, “rei”, permanece anônimo em todo o con­texto. Tudo o que sabemos é que o Faraó do êxodo não foi, aparente­mente, o Faraó da opressão (4:19). Uma segunda dificuldade é que a história egípcia não faz a menor menção do acontecimento. É verdade que alguns identificam o êxodo com a expulsão dos hicsos, povo semita que conquistara o Egito e era odiado pelos egípcios, em 1550 A.C. Este tipo de ação militar, contudo, é completamente diferente do êxodo des­crito na Bíblia. De qualquer maneira, essa data é muito recuada para ser equiparada à evidência arqueológica da presença israelita em Canaã. O silêncio não é, todavia, um argumento contra a historicidade do êxodo. Os monarcas egípcios nunca foram dados a registrar derrotas e desastres e certamente não o fariam no caso da destruição de uma bri­gada de cavalaria ao perseguirem um bando de escravos em fuga. No entanto, o silêncio dos registros egípcios significa que não possuímos um ponto de referência externo para estabelecer a data do êxodo. A única referência possível na história egípcia está contida num poema triunfal inscrito num monumento de pedra erigido pelo Faraó Merneptá, conhecido por “Esteia de Merneptá” (1220 A.C.). Nesse poema ele se refere a uma vitoriosa refrega contra Israel (entre outros povos) ocorrida em algum ponto da região sul de Canaã. Israel parece ser des­crito como um povo ainda nômade, a julgar pela forma dos hieróglifos. Alguns estudiosos vêem nisso uma referência distorcida da tentativa frustrada feita por Faraó de eliminar Israel às margens do Mar Verme­lho, transformando a derrota em vitória para efeitos de autopromoção. A explicação mais natural, no entanto, seria a de uma incursão egípcia de menor monta, simplesmente omitida pela Bíblia, pouco tempo de­pois de Israel ter entrado em Canaã. Alguns consideram Josué 15:9, on­de as “águas de Neftoa” podem ser uma fonte cujo nome se derivou de Merneptá, uma referência a essa possível incursão. Mais uma vez, não temos referências externas, a não ser o fato de que sabemos que a data mais recente possível para o êxodo tenha sido 1220 A.C., pois então Is­rael já estava em Canaã.

Os dois irmãos

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Bíblia de Estudo Arqueológica

25 de agosto de 2016

JOHN BRIGHT - O judaísmo no fim do período do Antigo Testamento

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O JUDAÍSMO NO FIM DO PERÍODO DO ANTIGO TESTAMENTO

Foi sobretudo graças à obra de Esdras que a comunidade
judaica encontrou a forma de religião conhecida hoje como
judaísmo. Através das incertezas dos séculos quarto e quinto,
o judaísmo continuou a desenvolver-se de acordo com as linhas
traçadas, até que, na época da revolta dos Macabeus, embora
ainda em processo de evolução, assumiu em essência a forma
característica que deveria ter nos séculos futuros. Embora não
seja nossa finalidade traçar a história dos judeus daí em diante,
não podemos parar sem fazer um esboço, embora necessariamente muito sumário, da evolução religiosa no período do qual
nos ocupamos [1].

A. A NATUREZA E O DESENVOLVIMENTO DO JUDAÍSMO PRIMITIVO

1. A comunidade judaica no período pós-exílico: resumo

Para apreciar devidamente a evolução religiosa no período
pós-exílico, é necessário ter em mente a natureza da comunidade da restauração, os problemas que ela enfrentou e a solução dada a esses problemas através da obra de Neemias e
Esdras. Por conseguinte, será muito útil, neste ponto, um
breve sumário de tudo que foi dito ou sugerido [2].

a. O problema da comunidade da restauração. — A restauração da comunidade judaica depois do exílio não representa
obviamente um ressurgimento da nação israelita pré-exílica,
com suas instituições nacionais e seu culto. Esta ordem havia
sido destruída e não podia ser recriada. A comunidade da restauração enfrentava, portanto, um problema muito maior do
que o da mera sobrevivência física, o de encontrar alguma forma externa através da qual existir, alguma definição de si mesma que pudesse salvaguardar sua identidade como povo. Até
esta época, tal problema nunca havia existido, porque Israel
sempre tivera uma unidade bem definida dos pontos de vista
nacional, litúrgico e étnico. Originalmente, Israel tinha sido
uma liga sacra de clãs, possuindo suas instituições, culto, tradições e crenças peculiares; todos que eram membros daquela

Casamento por Levirato

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Bíblia de Estudo Arqueológica

24 de agosto de 2016

GERARD Van GRONINGEN - A Revelação Messiânica Durante o Exílio -1: Ezequiel (Parte 1)

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A Revelação Messiânica Durante o Exílio -1: Ezequiel 

Fica-se facilmente submergido na grande massa de discussões históricas, pessoais, políticas, literárias e teológicas que ocorreram nos séculos XVIII e XIX a respeito de Ezequiel e Daniel. Neste capítulo e no próximo faremos o estudo de conceito messiânico na medida em que foi revelado durante o período de setenta anos conhecido como o período exílico (ou cativeiro babilónico), e imediatamente depois. É necessário estar consciente do período exato na história e das condições em que esses dois homens viveram e trabalharam; é também necessário ter uma compreensão do propósito revelado do exílio. Yahwéh, falando por meio de Ezequiel e Daniel, empregou a personalidade peculiar de cada um deles, bem como as circunstâncias históricas daquele tempo: As revelações de Yahwéh, como todas as profecias, tinham uma refe­rência e relevância para o futuro; as mensagens para o futuro, entretanto, eram sempre formuladas dentro dos tempos, culturas e experiências das pessoas a quem foram inicialmente dirigidas.[1]


O Período Exílico

A Duração do Exílio

O período exílico pode ser visto de vários ângulos. Para Israel (o reino do norte), ele começou em 722 a.C. Para o povo de Judá (o reino do sul), ocorreu em três estágios. Pouco depois da ascensão de Babilônia ao poder, Nabucodonosor, tendo posto a Assíria sob seu controle, derrotou o Egito na batalha de Carquemis (605 a.C.). Os babilônios perseguiram os egípcios, que se retiraram para a Síria. O exército egípcio foi completamente derrotado e os babilônios assumiram o controle de todos os países ocidentais, inclusive Judá, até a fronteira do Egito, onde se travou uma batalha indecisa (cf. 2 Rs 24.7). No seu retorno a Judá, Nabucodonosor capturou jovens capazes para servir na Babi­lônia (2 Rs 24.1-5). Daniel e seus três companheiros estavam entre eles (Dn 1.1-6). Mais duas deportações ocorreram, a segunda em 597 a.C., quando Joaquim, um rei davídico vassalo em Jerusalém, rebelou-se (2 Rs 24.8-12); Ezequiel foi um dos deportados nesse tempo (cf. Ez 1.1). A terceira deportação ocorreu em 586 a.C., quando Jerusalém e o templo foram destruídos.

Hurritas

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23 de agosto de 2016

R. Alan Cole - A teologia de Êxodo

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A TEOLOGIA DE ÊXODO

Seria difícil encontrar um único tópico de importância do Velho Testamento, ou mesmo do Novo, que não esteja exemplificado no livro de Êxodo. Muitos dos temas, usados posteriormente na Bíblia, surgem realmente neste livro, na interpretação da experiência de Israel, através dos grandes acontecimentos que levaram à sua organização como povo e nação. Nesta Introdução Teológica consideraremos alguns pontos imortantes relacionados com a natureza de Deus. Nosso tratamento não visa esgotar o assunto; procura apenas ser uma parca introdução às riquezas teológicas do livro.

I. O Deus que controla a história

Deus é o controlador invisível de toda a história e de todas as cir­cunstâncias. Isto se vê em Êxodo 1, embora o nome de Deus não seja sequer mencionado até o versículo 20. Esta omissão não significa que o hebreu fosse irreligioso mas que, em contraste conosco, ele percebia a mão de Deus em cada circunstância da vida, não simplesmente nos mo­mentos mais cruciais em que Deus agia através do que chamamos “mi­lagres”. Nada está além de Seu poder e controle — nem mesmo a obsti­nação de um Faraó (4:21). Foi esta mesma convicção que levou os irae- litas a considerarem o êxodo como o maior acontecimento da História e como o ato redentor de Deus em relação a Israel. Que o êxodo aconte­cera, israelita algum podia duvidar, pois haviam sido realmente salvos do poder do Egito. A única explicação provável para tal impossibilida­de era a de que se tratava de uma obra de Deus, pois todas as coisas esta­vam sob o Seu controle. Esse invencível poder de Deus sobre a História, todavia, não é exercido arbitraria ou despropositadamente. Ele contro­la e regula todos os acontecimentos para o bem final de Seus filhos, quaisquer que sejam os efeitos imediatos. Isso é demonstrado no capítulo inicial de Êxodo; as próprias medidas repressivas adotadas contra Israel só fizeram com que os israelitas se multiplicassem mais (1:12). A providência amorosa de Deus é vista mais uma vez na preser­vação da vida de Moisés e em sua adoção pela filha de Faraó (2:10), bem como na sorte das parteiras israelitas (1:21). Pode-se alegar que as parteiras haviam merecido a graça divina por sua fidelidade a Deus (1:17) e que o menino Moisés nada havia feito para desmerecer o cuida­do divino. Deus, no entanto, mostra o mesmo amor a Moisés quando, por causa de seu ato intempestivo, ele acaba como um fugitivo sem vintém na terra de Midiã (2:15-22). Ninguém poderia afirmar que o in­grato Israel mereceu o amoroso cuidado divino, ao estudar sua história subsequente (16:3, por exemplo), e sem sombra de dúvida, Israel fora tão indigno no Egito quanto o foi mais tarde no deserto. Assim, o que começou como a doutrina da providência de Deus acaba por se tornar a doutrina da graça de Deus, Seu favor e amor desmerecidos, derrama­dos sobre os objectos indignos de Sua escolha.



II. Eu sou Yhwh

Deus é YHWH. Êxodo 3:13-15 deixa claro que a revelação de Deus sob este nome é fundamental para a teologia da era mosaica. Quanto à era pré-mosaica há vários pontos de vista. Alguns acham que o nome YHWH não era conhecido nem usado antes do tempo de Moisés (6:3) e que seu presente uso nos capítulos iniciais do Velho Testament

Sucote / Tell Deir Alla

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Bíblia de Estudo Arqueológica

JOHN BRIGHT - Os judeus sob os Selêucidas: Revolução e crise religiosa

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OS JUDEUS SOB OS SELÊUCIDAS: REVOLUÇÃO E CRISE RELIGIOSA

1. As perseguições de Antíoco Epífanes[1]

A crise à qual aludimos foi precipitada pela política
do rei selêucida Antíoco IV Epífanes (175-163), que, por
sua vez, foi imposta pela contínua emergência na qual o
estado selêucida se encontrava e da qual não podia escapar.

Os reis selêucidas e sua política. — Quando Antíoco III levou o poder selêucida ao seu auge, ele acabou indo longe
demais nas suas ambições, ousando terçar armas com Roma.
Como esta tinha acabado de esmagar Cartago em Zama (202),
o general cartaginês Aníbal fugira para a corte selêucida, na
esperança de continuar a luta da melhor forma possível. Levado em parte pelo incentivo de Aníbal e em parte por suas
próprias ambições (ele se via como árbitro dos negócios de
Estado gregos tanto na Ásia como na Europa), Antíoco
avançou contra a Grécia. Nisso, Roma declarou-lhe guerra
(192), e rapidamente expulsou Antíoco da Europa, perseguindo-o até a Ásia e derrotando-o (190) em Magnésia, entre
Sardes e Esmirna (cf. Dn 11,18). Antíoco foi obrigado a se
submeter à paz humilhante de Apaméia, cujos termos exigiam
que ele entregasse toda a Ásia Menor, menos a Cilicia, que cedesse seus elefantes de guerra e sua armada, que entregasse Aníbal e outros refugiados aos romanos, juntamente com vinte
reféns, incluindo seu próprio filho (que mais tarde veio a
governar como Antíoco IV), e que pagasse uma enorme indenização. Embora Aníbal tenha fugido para salvar a vida, todos
os outros termos foram rigorosamente cumpridos. Antíoco III
não sobreviveu por muito tempo a essa desgraça. Em 187,
foi morto quando saqueava um templo em Elam para conseguir dinheiro com que pagar os romanos (cf. Dn 11,19).

22 de agosto de 2016

GERARD van GRONINGEN - A mensagem messiânica em Jeremias (Parte 3)

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Visão geral de Jeremias 24-34. Outras passagens que falam do conceito messiânico são: 30.8,9,21,22; 23.1-8; 31.31-40; e 33.14-26. Essas passagens são uma elaboração do que Jeremias profetizara antes (3.14-17; 23.1-8) e também provêem um contexto mais amplo, no qual se pode esperar o cumprimento. Essas passagens podem não ter sido proferidas na ordem em que são apresen­tadas. Jr 25.1, por exemplo, refere-se ao quarto ano de Jeoaquim; 26.1 fala do "princípio do reinado de Jeoaquim", o que pode significar o primeiro ou o segundo ano; 27.1 menciona o "princípio do reinado de Zedequias"; e 29.3 refere-se a Zedequias como rei. Dessas referências podemos deduzir que o escritor não segue a ordem cronológica exata em que Jeremias proclamou suas mensagens e escreveu a carta aos exilados (29.1). Ao contrário, como nos caps. 21-23, foram reunidas profecias que tratam de alguns temas centrais, como a mensagem errônea de falsos profetas (28.12-14; 29.29-32), a queda de Jerusalém e o exílio do povo de Judá, a presença garantida da dinastia davídica, e a continuidade do pacto de Yahwéh com seu povo.

Um breve estudo do conteúdo dos caps. 24-34 lançará luz sobre o real contexto das referências messiânicas nesta seção das profecias de Jeremias.

Jeremias recebe confirmação por meio da visão dos dois cestos de figos (24.1b-3): um deles contém figos bons, representando os exilados, sobre quem Yahwéh vigia, e que retornarão; o outro tem maus figos, que representam Zedequias e seus oficiais, que serão lançados fora (24.8-10). Os representados pelos bons figos irão para o cativeiro por setenta anos (25.11,12) sob Nabucodonosor, que servirá como agente de Yahwéh. A mensagem de Jeremias a respeito da ira de Yahwéh a ser derramada sobre Judá e todas as outras nações destaca o fato de que Judá, em verdade, não é diferente das outras nações; não pode esperar privilégios especiais (25.27-29). Esse tipo de mensagem traz a Jeremias ameaças de morte (26.8-11; ver também 26.16), mas ele não pára de proclamar o julgamento que virá sobre Judá. Encena a escravidão do povo sob Nabucodonosor (27.1-22). Falsos profetas continuam a contradizê-lo (por exemplo, Hananias, de Gibeon, em 28.10,11) e a despertar falsas esperanças no coração do povo em Judá e daqueles que já estão no exílio. Jeremias envia uma carta aos exilados (29.1) dizendo-lhes que devem esperar setenta anos de exílio (29.10) e que, portanto, devem estabelecer para si um padrão regular de vida e observar o que Yahwéh fará aos reis que se assentam no trono de Davi (29.16-23). Jeremias faz o máximo para conter a falsa esperança que os profetas falsos inspiram (29.24-32). Mas o povo no exílio não deve renunciar a toda esperança. Yahwéh manterá a casa davídica (30.8,9,21,22); ele continuará a manter o pacto com eles (31.31-40) Jeremias demonstra sua fé nessa mensagem de restauração comprando um campo de seus parentes (32.8-29).

Mari

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R. ALAN COLE: Êxodo - Introdução

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INTRODUÇÃO

I. O Conteúdo de Êxodo

O livro de Êxodo deriva o seu nome em português não do título hebraico (que é simplesmente “Estes são os nomes”, tirado das primei­ras palavras do livro), mas da Septuaginta, a tradução grega do Velho Testamento, feita no Egito no século III antes de Cristo. No entanto, apesar de ser um título recente, é bem apropriado pois o êxodo ou a saída do povo de Deus é a mensagem central do livro. Êxodo começa com o povo de Israel na condição de escravos indefesos na terra do Egi­to; apresenta Deus preparando um libertador de maneira discreta, e o seu confronto com Faraó. Segue-se então o violento choque entre o Deus de Israel e os falsos deuses do Egito, quando as pragas se sucedem contra um Faraó obstinado e o Egito que ele domina. O capítulo 12 nos traz a festa da Páscoa, com a morte dos primogênitos do Egito; Israel finalmente parte em liberdade. Este é um dos pontos culminantes do li­vro, continuando com a travessia do Mar Vermelho e o afogamento do exército de Faraó em suas ondas. O cântico triunfal de Moisés no capítulo 15, celebrando os atos redentores de Deus, é um clímax apro­priado para os acontecimentos passados, bem como a transição para os que se seguem.

Todavia, isso é apenas metade da história. Como prova de que ha­via sido redimido, Israel tinha ainda de adorar a Deus no mesmo Monte Sinai em que Moisés, o libertador, recebera sua chamada inicial(3:12). Assim sendo, Israel marcha pelo deserto, dando seqüência a seu êxodo, a sua separação da velha vida. O povo precisará de água, alimento, pro­teção e orientação. Tudo isso Deus lhe dará, mas desde o princípio Is­rael demonstra claramente sua natureza através de murmurações e re­beliões incessantes. Finalmente, reunido na planície fronteira ao Sinai, em meio a trovões e relâmpagos, o povo ouve a voz de Deus e treme de medo. Lá a aliança é firmada (24:8); lá nasce Israel como nação. Este é o segundo ponto culminante do livro, não apenas na consumação da aliança mas também na doação da “lei da aliança” que a acompanha. Resumida nos Dez Mandamentos (20), ampliada no “livro da aliança” (21-23), a própria natureza de Deus é expressa em termos morais e as exigências decorrentes são apresentadas a Israel. Escapar dos velhos hábitos será ainda mais difícil que escapar da velha terra, mas pelo me­nos o caminho certo está bem delineado.

20 de agosto de 2016

Nuzi

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JOHN BRIGHT - Os judeus através dos séculos quarto e terceiro

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PERÍODO DE FORMAÇÃO DO JUDAÍSMO 

O FIM DO PERÍODO DO ANTIGO TESTAMENTO

Da reforma de Esdras ao início da revolta dos Macabeus

Os séculos abrangidos por este capítulo levam-nos ao fim
do período do Velho Testamento. No decorrer desse período,
os feitos de Esdras e Neemias frutificaram, da mesma forma
que o judaísmo gradualmente assumiu a forma que o caracterizaria sempre, daí em diante. Tentar contar com exatidão a história dos judeus neste período, porém, é na verdade uma
tarefa ingrata. Por surpreendente que possa parecer, nenhum
período da história de Israel, desde Moisés, é tão mal documentado. Por volta do fim do século quinto, a narrativa
histórica da Bíblia cessa por completo; só no século segundo
(175 em diante), quando surgem trabalhos tais como os livros

I e II Macabeus, é que podemos dizer que as fontes históricas
judaicas recomeçaram. Embora seja muito conveniente conhecer a história geral do Antigo Oriente, durante grande parte desta época (particularmente o século quarto), nosso conhecimento a respeito dos judeus é quase nulo. É verdade que a notável literatura que engloba as partes mais recentes do Antigo Testamento e o mais antigo dos escritos não canônicos, cai dentro deste período. Mas estes escritos, embora mostrando um quadro claro do desenvolvimento religioso, não dão uma informação histórica muito exata. Nossa história, portanto, pode — e forçosamente deve — ser contada com uma brevidade desconcertante.


A. OS JUDEUS ATRAVÉS DOS SÉCULOS QUARTO E TERCEIRO

1. O último século do dominio persa

19 de agosto de 2016

Padã-Arã

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GERARD van GRONINGEN - A mensagem messiânica em Jeremias (Parte 2)

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Exegese de Passagens Messiânicas

Em Jeremias, o mais longo dos livros proféticos, há somente umas poucas passagens especificamente messiânicas. Ernst W. Hengstenberg notou quatro delas, mas não há acordo entre os estudiosos sobre se todas as quatro devem ser assim consideradas. Em outras passagens tem sido descoberta uma sugestão ou referência messiânica.[1] Não pode haver dúvida a respeito do fato de que Jeremias, servindo como um notável representante do fenômeno profético, trabalhou dentro da moldura dos profetas que o antecederam e seguiu sua agenda.[2] Jeremias foi chamado a proclamar julgamento e desastre; a maior parte de sua profecia trata disso. E nas comparativamente poucas passagens de restauração e esperança que Jeremias proclama alguns aspectos essenciais do conceito messiânico real que Yahwéh tinha revelado e que, por meio da repetição e elaboração proféticas, manteve diante do seu povo do pacto.

Jr 3.14-17. São necessários alguns comentários introdutórios. A passagem selecionada é parte integral da terceira seção da profecia de Jeremias: 1.4-19 relata o chamado de Jeremias; 2.1-3.5 dá a primeira proclamação de Jeremias a Jerusalém, lembrando o povo do casamento de Yahwéh com seu povo (2.1-3; 3.1); a referência é ao pacto que Yahwéh fez com os patriarcas e particularmente com Israel como nação sob a liderança de Moisés (Ex 19.9-25; cf. Dt 5.22-32). Jeremias, entretanto, descreve como Jerusalém, representando todo o povo do pacto, quebrou esse pacto, violando seu casamento com Yahwéh e buscando amor e conforto em outros deuses (ídolos). A passagem, pronunciada nos dias de Josias (Jr 2.1-3.5),[3] apresenta o real contexto dentro do qual Jeremias profetiza julgamento e esperança para o futuro.

Jeremias 3.6-6.30 é outra profecia que Jeremias pronunciou durante o reinado de Josias (3.6). Levantam-se algumas questões a respeito dapassagem: É ela uma unidade? A quem Jeremias se dirige? Quantas pessoas que falam são representadas?[4] As respostas são as seguintes, na ordem inversa: Yahwéh fala a Jeremias e, por meio dele, ao povo; daí a declaração: "Se voltares, ó Israel, diz o Senhor, volta para mim" (4.1). Ele tinha-se referido à infidelidade do povo (como a mulher infiel a seu marido, cf. 3.20).[5] Jeremias, entretanto, interpola sua própria resposta na mensagem que Yahwéh lhe dá (4.10,19-26,31). Ele também fala em favor do povo (3.22b-25). O caráter dialogal da passagem não pode ser desprezado no interesse de buscar uma variedade de fontes de que editores mais tarde derivaram seu material.

18 de agosto de 2016

Costumes e leis da antiga Mesopotâmia

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Bíblia de Estudo Arqueológica

17 de agosto de 2016

NOITE TEOLÓGICA - O PENTATEUCO

 Sexta feira - 19h30.
CONFIRME sua presença: 011981771193 
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Neguebe, clima e característica

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DEREK KIDNER - Jossé e a migração para o Egito (capítulos 37-50) Parte 2

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43:1-34. A segunda visita ao Egito.

1-14. Judá garante a segurança de Benjamim.

A atitude queixosa e negativa de Israel condiz muito bem com a vi­da. Sua repreensão era uma fuga da decisão que temia e um consolo pa­ra a sua auto-estima. Entretanto, apegando-se à sua superioridade so­bre os que o haviam prejudicado, estava pondo em perigo a si próprio e a eles — incluindo-se o seu amado Benjamim, a quem precisava perder para salvar (cf. 27:41-46). Ver ele ainda a ameaça a Benjamim como ameaça a si próprio trai a sua concentração em si mesmo: “Por que me fizestes esse mal...?” (6; cf. 42:36).

O rompimento do impasse é duplamente instrutivo: a cruel pressão da fome (cf. Os 5:15) e a calorosa iniciativa pessoal de Judá eram necessárias, uma para reforçar a outra. Assim Judá agora conseguiu su­cesso onde Rúben falhara (cf. 42:37, e a nota adicional desse capítulo).

7.Sobre este vislumbre da entrevista com José, ver a nota adicio­nal, pp. 186s.

11. O presente (mintjâ) era uma cortesia quase indispensável na aproximação a uma pessoa de posição (c/., por ex., 1 Sm 16:20; 17:18).

14. Deus Todo-poderoso (‘el-sadday) era um título especialmente evocativo da aliança com Abraão (17:1) e, portanto, do propósito fir­mado por Deus para esta família.

Sobre as implicações deste nome, e da alusão a Simeão, quanto à crítica das fontes, ver a nota adicional, pp. 186 ss.

15-34. Os onze hóspedes de José.

Pode haver uma ponta de ingenuidade no temor dos irmãos (18) de que o Egito, como qualquer clã insignificante, tivesse planos quanto aos seus jumentos. Isto ilumina o contraste entre os moradores em ten­das e as suas novas circunvizinhanças.

23. O mordomo não estava confessando que pusera o dinheiro, afirmando-lhes somente que o tinha recebido a salvo, e sugerindo que o dinheiro que tinham encontrado devia ter caído do céu — o que o leitor sabe ser verdade num sentido para eles ainda oculto.

16 de agosto de 2016

JOHN BRIGHT - A data da missão de Esdras em Jerusalém

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A DATA DA MISSÃO DE ESDRAS EM JERUSALÉM

O problema mais cruciante em relação à história do período persa é o da ordem cronológica das missões de Esdras
a Neemias. Até hoje não houve acordo a respeito da solução
deste ponto. Embora não possamos apresentar aqui uma discussão plena do problema, daremos algumas justificativas da
posição que adotamos.

O problema reside na data da chegada de Esdras a Jerusalém. As datas relativas à atividade de Neemias parecem totalmente certas. Os textos elefantinos dizem que os filhos do
inimigo número um de Neemias, Sanabalat, estavam em plena
atividade na última década do século quinto e que Sanabalat,
naturalmente, já estava muito avançado em anos. Eles mostram também que o sumo sacerdote da época era Joanan, neto
de um contemporâneo de Neemias, Eliasib (Ne 3,l;12,10ss. 22)'. Portanto, o Artaxerxes que foi protetor de Neemias só
pode ter sido Artaxerxes I (465-424). A atividade de Neemias
se deu (Ne 2,1 ;13,6) entre o vigésimo ano (445) e um pouco
depois do trigésimo segundo ano (433) daquele rei. Exclui-se a hipótese de uma data no reinado de Artaxerxes II (404־
358) [1].

Mas Esdras precedeu ou seguiu Neemias? Estiveram os
dois em Jerusalém ao mesmo tempo? As respostas dadas, com
uma infinita variedade de detalhes, são essencialmente de três
categorias. Alguns, aceitando a data da passagem de Esdras
7,7 como o sétimo ano de Artaxerxes I (458), colocam a
chegada de Esdras uns treze anos antes da de Neemias [2]. Outros,
considerando a mesma data como o sétimo ano de Artaxerxes
II (398), trazem Esdras à cena logo depois que terminou a
obra de Neemias[3]. Outros ainda, vendo no “sétimo ano” da
passagem de Esdras 7,7 um erro, em vez de “trigésimo sétimo
ano” (428) ou coisa parecida, colocam a chegada de Esdras
depois da de Neemias, mas antes que o período de sua gestão tivesse terminado. Cada uma destas posições tem seus

A destruição de Sodoma e Gomorra

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15 de agosto de 2016

O papel do patriarca na vida familiar

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Bíblia de Estudo Arqueológica

GERARD van GRONINGEN - A mensagem messiânica em Jeremias (Parte 1)

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A Profecia de Jeremias

O livro de Jeremias é o mais longo dos livros proféticos,[1] mas tem apenas cinco passagens comparativamente curtas que são consideradas messiânicas: 3.14-17; 23.1-8; 30.8,9; 31.31-40; e 33.14-26. Estas passagens, entretanto, não podem ser consideradas insignificantes, porque apresentam o próprio ponto focal da esperança que Jeremias proclamava. Muitos escritos têm sido dedi­cados a uma grande variedade de problemas que o livro de Jeremias coloca diante de qualquer estudante que queira compreender sua mensagem.[2] Mas não são muitos desses escritos que fazem referência, em sua seção intro­dutória, às reais mensagens messiânicas que Yahwéh chamou Jeremias a proclamar.[3]


Assuntos Introdutórios

O Real Contexto das Proclamações Messiânicas de Jeremias. Jeremias faz uma referêcia em 1.2 ao décimo terceiro ano do reinado de Josias. A intenção aparentemente óbvia dessa referência é informar ao leitor que Jeremias foi chamado e começou a profetizar nesse tempo. Josias começou a reinar em 640 a.C.; portanto, o ano designado é 627 a.C., cinco anos antes de o Livro da Lei ser encontrado (622 a.C.). Tem havido muita discussão, entretanto, sobre como aplicar essas datas à vida de Jeremias. Foi ele chamado ao nascer (1.4-8)? Se fosse assim, Jeremias teria nascido em 627. Se, entretanto, ele foi chamado quando era um jovem, teria nascido durante os últimos dias do reinado de Manassés (cerca de 644 a.C.). Teria então quinze ou dezesseis anos quando Josias começou suas reformas, e mais de vinte anos de idade quando o Livro da Lei foi encontrado.[4] Essa interpretação parece ser apoiada pelo texto e, portanto, é aceita pela maioria dos eruditos. Aceitar esse ponto de vista significará que Jeremias teria conhecimento dos planos de Josias quando este começou suas reformas.[5] Isso também significará que Jeremias começou sua obra profética antes de ser achado o Livro da Lei e, portanto, não foi influen­ciado por esse livro para começar sua obra profética. Significará também que ele tinha cerca de quarenta anos quando ocorreu a primeira deportação em 606 a.C. Este é o ponto que deve ser destacado: se ele nasceu em 644 a.C., passou por seus anos formativos antes que o Livro da Lei fosse (re)descoberto e que o trágico declínio final do reino de Judá começasse. Portanto, a personalidade de Jeremias e sua mensagem não foram inicial e primariamente formados e motivados pelos vários eventos que aconteceram depois que o Livro da Lei foi recuperado, a morte de Josias e o declínio subseqüente do reino judaíta. Em resumo, sua teologia não foi moldada pelos acontecimentos de seus dias, como alguns críticos pretendem.[6]

13 de agosto de 2016

DEREK KIDNER - Jossé e a migração para o Egito (capítulos 37-50) Parte 1

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IV. JOSÉ E A MIGRAÇÃO PARA O EGITO (capítulos 37-50)

Era intenção de Deus, já revelada a Abraão (15:13-16), conduzir a família escolhida ao domínio estrangeiro, até que se enchesse “a medi­da da iniquidade dos amorreus”, e Canaã estivesse madura para a pos­sessão. Assim a cadeia de acontecimentos que levaria Israel para o Egi­to é posta em movimento através das rivalidades e condições dos doze irmãos, pela mão de Deus. Esta história é um locus classiâus da provi­dência. Também exibe, como o haveria de mostrar Estêvão, um esque­ma humano que percorre o Velho Testamento e culmina no Calvário: o povo escolhido de Deus rejeita os seus libertadores, pela inveja e incre­dulidade dos seus parentes — rejeição que, entretanto, é levada final­mente a desempenhar o seu papel na concretização do salvamento. 

O livro de Gênesis consegue apropriado fecho no fim da carreira de José, com a promessa a Abraão claramente em processo de cumpri­mento, embora apontado para nova intervenção, e com os descenden­tes de Abraão multiplicando-se rapidamente, chegando aos limites ex­tremos daquilo que se pode chamar de família. Concluído este “livro de familias”, os filhos de Israel se verão, no estágio seguinte da sua história, não como um clã sequer, mas “uma nação grande, poderosa e populosa”. 

37:1-11. José aliena-se da família. 

Como Isaque e Jacó antes dele, José é apresentado como üm mem­bro da familia especialmente escolhido. Esta eleição divina é um dos te­mas de Gênesis (cf. Rm 9:11), e o designio de Deus não se vê mais con­trariado pela indiscrição dos seus aliados (aqui Israel e José), do que pela malícia dos seus opositores. O relato dos sonhos, vindo logo no início, faz de Deus, não de José, o “herói” da história: não é um conto de qualquer sucesso humano, mas da soberania divina. 

Nomeação de Filhos

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Bíblia de Estudos Arqueológica

12 de agosto de 2016

O período patriarcal: a Mesopotâmia no tempo de Abraão

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Bíblia de Estudo Arqueológica

11 de agosto de 2016

JOHN BRIGHT - A reorganização da comunidade judaica sob Neemias e Esdras

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A. A REORGANIZAÇÃO DA COMUNIDADE JUDAICA SOB NEEMIAS E ESDRAS

1. Neemias e sua obra

O terceiro quartel do século quinto viu uma reorganização total da comunidade judaica, que elevou o seu status,
salvou-á da desintegração e a colocou no caminho certo, que ela deveria seguir durante o resto do período bíblico e, com
pequenas modificações, até hoje. Esta reforma foi realizada
principalmente graças ao trabalho de dois homens: Neemias e
Esdras. Embora as esferas de seus esforços se sobreponham,
foi o primeiro quem deu à comunidade uma situação política
e uma reforma administrativa, e foi o segundo quem reorganizou
e reformou sua vida espiritual.

a. A relação entre as obras de Esdras e Neemias. — A
história de Israel apresenta poucos problemas tão desconcertantes e difíceis de solucionar corretamente do que este. Seria
errado de nossa parte interromper aqui esta narração para
discutir prolixamente as implicações do problema; o leitor
interessado poderá reportar-se ao Apêndice II. Basta-nos aqui
prevenir que o problema é real e que qualquer tentativa de
reconstituição deve permanecer até certo ponto experimental.

O problema centraliza-se na data em que Esdras chegou
a Jerusalém. A data do começo da obra de Neemias é certa,
sendo confirmada independentemente pela evidência dos textos
de Elefantina: vai (Ne 2,1) do vigésimo ano de Artaxerxes I
(445) até (Ne 13,6) um pouco depois do trigésimo segundo ano daquele rei (433). Com respeito à carreira de Esdras, já não existe tal certeza. Os historiadores se dividem
em três grandes campos: os que aceitam a posição, aparentemente baseada nos livros canônicos de Esdras e Neemias, de que Esdras chegou, (Esd 7,7) no sétimo ano de Artaxerxes I (458) — por conseguinte uns treze anos antes de
Neemias — e concluiu sua obra (Ne 8 a 10) pouco depois
da chegada deste (alguns pensam que mesmo antes); aqueles que consideram o “sétimo ano” como o sétimo ano de Artaxerxes II (398) e colocam a chegada de Esdras muito
tempo depois que Neemias desapareceu de cena; e aqueles
que, acreditando que o “sétimo ano” foi um erro dos escribas,
em vez de um outro ano qualquer (plausivelmente o trigésimo sétimo), do reinado de Artaxerxes I, colocam a chegada

A coalizão dos reis da Mesopotâmia

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Bíblia de Estudo Arqueológica

10 de agosto de 2016

Evidências de Serugue, Naor e Terá

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Bíblia de Estudos Arqueológica

GERARD van GRONINGEN - A mensagem messiânica de Sofonias e Habacuque

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A Mensagem Messiânica dos Profetas para Judá no Século VII 

Isaías morreu provavelmente pouco depois de Manasses tomar-se rei em Jerusalém (697 a.C.). Manasses reinou cinqüenta e cinco anos (2 Rs 21.1, par. 2 Cr 33.1) e foi sucedido por seu filho Amom, que reinou dois anos (2 Rs 21.19, par. 2 Cr 33.21). Josias então tomou-se rei (2 Rs 22.1, par. 2 Cr 34.1) em 638 a.C.; durante seu reinado três profetas apareceram — Sofonias (Sf 1.1), Habacuque, e Jeremias (Jr 1.2). A mensagem que esses três homens proclamaram não contém nenhum tema especificamente novo; mas por causa das condições religiosas, sociais e políticas a que se tiveram de dirigir, o tema do julgamento iminente foi especialmente destacado. Eles falaram do exílio que viria certa­mente muito breve. Jeremias testemunhou as três deportações; não sabemos se Habacuque e Sofonias as testemunharam (como ambos profetizaram cerca de duas décadas antes de começarem as deportações, é possível que não as tenham testemunhado). Os três profetas também profetizaram a respeito das infalíveis misericórdias de Yahwéh, da certeza da continuidade do pacto de Yahwéh com seu povo, e da obra de redenção em favor de pelo menos um remanescente. Esses profetas não falaram muitas palavras, comparados com profetas anteriores como Isaías, a respeito do Messias prometido. Entretanto, não deixaram o assunto passar em silêncio.


A Profecia de Sofonias

O Profeta e Seus Tempos

Os ancestrais de Sofonias remontam, em quatro gerações, a Ezequias (Sf .1.1). Não está claramente indicado se a referência é ao rei Ezequias; a maioria dos estudiosos do Velho Testamento pensa que o rei Ezequias foi ancestral de Sofonias.[1] As descrições expressivas que Sofonias faz dos pecados de Jerusalém indicam que ele estava intimamente familiarizado com a cidade. Seu tom e estilo refletem seu caráter: era um homem de compreensão e sensibilidade moral, e também franco e sincero em suas proclamações proféticas.

9 de agosto de 2016

Antigas Narrativas do Dilúvio

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Bíblia de Estudo Arqueológica

DEREK KIDNER - Jacó e o surgimento de Israel (Capítulos 27-36)

antigo testamento danilo moraesJACÓ E O SURGIMENTO DE ISRAEL (capítulos 27-36) 


27:1-46. Jacó toma posse da bênção.

Para uma visão geral da carreira de Jacó, ver comentário de 25:19. Julgaremos mal a situação se passarmos por alto a prova de Hb 12:16,17 de que, ao vender o direito de nascimento (25:31ss.), Esaú vendera a bênção a que tinha direito como primogênito. Isso torna qua­se igualmente culposos todos os quatro participantes da presente cena. Isaque, sabendo ou não da venda, sabia do oráculo pró-nascimento, de 25:33; todavia, empregou o poder de Deus para frustrá-lo (veja-se o v. 29). Esta é a perspectiva da magia, não da religião. Esaú, havendo con­cordado com o plano, quebrou o seu juramento, de 25:33. Rebeca e Jacó, tendo justa causa, não se aproximaram, nem de Deus, nem do homem, não fizeram nenhum gesto de fé ou de amor, e colheram o fru­to próprio do ódio. (Muito mais tarde Jacó aprenderia, enquanto abençoava a Efraim e Manasses, com que simplicidade Deus podia pôr em ordem essas coisas. Ver os comentários introdutórios do cap. 48.)

Estes estratagemas rivais só conseguiram fazer “tudo o que a ... mão e o ... propósito (de Deus) predeterminaram” (cf. At 4:28). Como um retoque de acabamento, numa hora em que Isaque não estava em condições de preocupar-se com quem Jacó poderia casar-se, este viu-se lançado fora do ninho que tão bem tecera, para procurar refúgio e es­posa entre os próprios parentes para os quais Abraão se voltara em obe­diência à visão (24:3).

1. Todos os cinco sentidos desempenham papel importante, em grande parte por sua falibilidade, nesta clássica tentativa de manejar responsabilidades espirituais mediante a luz da natureza. Ironicamente, mesmo o paladar, sentido de que Isaque se orgulhava, deu-lhe resposta errônea. Rebeca não teve a mínima dúvida de que poderia reproduzir a obra-prima gastronômica de Esaú — teria ela se aborrecido muitas ve­zes por isso? — numa fração do tempo gasto por Esaú. Mas o verdadei­ro escândalo é a frivolidade de Isaque. Fazia muito tempo que o seu pa­ladar governava o seu coração (25:28) e silenciava a sua língua (pois não teve forças para censurar o pecado que foi a queda de Esaú). Agora se propõe a fazer do seu paladar o árbitro entre povos e nações (29). A incapacidade para o ofício se mostra em cada ato deste homem cego, ao rejeitar a prova dos seus ouvidos, preferindo a das suas mãos, ao seguir as incitações do paladar e ao procurar inspiração por meio do nariz — acima de tudo mais (27). Todavia, Deus pôs todas estas coisas a Seu ser­viço.

12. RSV, substituem com acerto enganador (AV, RV) pela pala­vra zombador. O verbo é raro, mas 2 Cr 36:16 firma o sentido.

8 de agosto de 2016

Lista de reis Sumérios

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JOHN BRIGHT - Da conclusão do Templo a metade do século quinto

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A COMUNIDADE JUDAICA NO SÉCULO QUINTO

As reformas de Neemias e Esdras

Quanto à sorte da comunidade judia nos setenta anos
que se seguiram ao término da construção do templo, na verdade sabemos muito pouco. Salvo os incidentes cronológicos
mal colocados de Esdras (c. 4,6-23), o Cronista nada informa.
Além disso, só sabemos o que pode ser inferido das memórias
de Neemias, um pouco posteriores, e dos livros proféticos da
época, como Abdias (provavelmente no início do século quinto)[1]
e Malaquias (aproximadamente 450), complementados com
dados de história geral e de arqueologia. É claro, entretanto,
que embora a conclusão do templo tivesse assegurado a sobrevivência da comunidade, seu futuro estava longe de estar garantido. Depois do colapso das expectativas e esperanças ligadas
a Zorobabel, estava claro — ou deveria estar — que não
haveria nenhum restabelecimento da nação judaica de acordo
com a ordem antiga, nem mesmo numa forma modificada.

O futuro da comunidade teria de estar em outra qualquer direção. Mas não estava claro qual fosse esta direção e
tampouco ficou claro até que, algumas gerações mais tarde,
a comunidade foi reconstituída sob a liderança de Neemias e
Esdras. Entretanto, o máximo que se poderia dizer dela era
que... existia.


A. DA CONCLUSÃO DO TEMPLO A METADE DO SÉCULO QUINTO

1. O Império Persa até aproximadamente 450