3 de julho de 2016

Gerard Van Groningen - A Mensagem Messiânica dos Profetas Para as Nações

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A Mensagem Messiânica dos Profetas Para as Nações 

Quando começamos o estudo das profecias incluídas na última parte do Velho Testamento, encontramos volumosos escritos cobrindo uma vasta gama de assuntos. Esse fato, bem como as variadas circunstâncias em que atuaram esses pregadores do Velho Testamento, as diferenças em ênfase e estilo literá­rio, têm dado ocasião aos eruditos de produzir uma quantidade prodigiosa de material escrito sobre os profetas. É preciso dizer que nenhum estudante ou escritor pode ler e analisar cuidadosamente tudo o que tem sido escrito, ou pelos próprios profetas ou por seus estudantes. Alguns sumários úteis têm sido publicados desde 1950.[1] Nenhum desses, entretanto, cobre o campo inteira­mente, ou de modo adequado. O assunto da profecia messiânica, dos temas principais entre os profetas, dificilmente é mencionado. Isso pode ser devido ao fato de que têm sido escritos alguns ensaios que se concentram somente na mensagem messiânica dos profetas. 

Em vista do que acabamos de dizer, os estudiosos são forçados a ser seletivos, pelo menos até certo ponto, quando buscam fazer exegese das profecias messiânicas e derivar delas uma teologia messiânica e escatológica. Além disso, algumas passagens consideradas messiânicas por um estudioso podem não ser assim consideradas por outros. Alguns escritores têm tratado sucintamente com passagens mais importantes. Neste nosso estudo vamos procurar tratar plena e propriamente com todas as passagens messiânicas — até as que não são claramente messiânicas. 

A dificuldade de datar uma determinada profecia e a questão a ela relacio­nada da unidade de um determinado livro profético têm suscitado muita discussão e diversidade de opiniões. Neste nosso estudo vamos referir-nos apenas brevemente a esses problemas; entrar numa discussão detalhada iria afastar-nos de nosso intento. Tentaremos discutir os profetas na ordem em que profetizaram; uma exceção será feita neste capítulo. O desenvolvimento pro­gressivo do desdobramento profético da mensagem messiânica poderá ser seguido desta maneira. 

A mensagem messiânica não se dirigia só e simplesmente à nação de Israel. A idéia de que o messianismo no Velho Testamento surgiu em Israel, por israelitas e para israelitas somente, não é aceitável. O Senhor tinha uma abrangente mensagem messiânica, universal, que Ele deu por meio dos profe­tas de Israel. O propósito messiânico do Senhor envolvia todas as demais nações (cf. outra vez Gn 12.3; 18.18) e no seu cumprimento outras nações além de Israel foram seus instrumentos, bem como seus abençoados recipientes. Esse fator será desenvolvido no presente capítulo e na discussão de certos materiais, por exemplo, de Isaías e Jeremias, nos quais se faz referência a reis estrangeiros como "meu servo". 

Qualquer estudioso da profecia do Velho Testamento está cônscio da variedade de abordagens e de esforços interpretativos das profecias. Uma questão chave pode ser resumida nos termos profecia e cumprimento. São repre­sentantes de vários sistemas: (1) Ernst W. Hengstenberg (Christology of the Old Testament); (2) Eduard Riehm (Messianic Prophecy); (3) Sigmund Mowinckel (He That Cometh); (4) J. Barton Payne (Encyclopedia of Biblical Prophecy); (5) Martin J. Wyngaarden (The Future ofthe Kingdom); (6) adeptos da escatologia dispensacionista, como Merrill Unger, John Walvoord e Dwight Pentecost, delineada na Bíblia de Scofield. Esses diversos "sistemas" não serão descritos nem tentaremos fazer esforços específicos para avaliá-los. Cremos que, numa apresentação positiva, o apoio ou a refutação podem ser facilmente discernidos. 



A Mensagem Messiânica da Profecia de Joel 

O Tempo da Profecia de Joel 

Joel, em contraste com muitos dos profetas escritores, não faz nenhuma referência aos reis contemporâneos. Ao contrário, refere-se aos sacerdotes (1.13); alude freqüentemente a Jerusalém como centro do povo de Deus sem especificar a situação histórica (2.15,23,32 [TM 3.5]; 3.1,6,16,17,20,21 [TM 4.1,6,16,17,20,21]). Refere-se aos gregos (3.6 [TM 4.6]), Tiro e Sidom (3.4 [TM 4]), aos sabeus (3.7 [TM 4.7]), Egito e Edom (3.19 [TM 4.19]). Não se refere à Assíria ou à Babilônia, nações que conquistaram e exilaram Israel e Judá. É isto devido ao fato de que elas ainda não estavam em cena, ou há muito teriam passado? Outras perguntas que podemos fazer são: Como Joel duplica mate­riais de outras profecias, está ele repetindo-as, ou elas o repetem? A colocação de Joel entre Oséias e Amós na Bíblia hebraica não sugeriría uma data antiga? Todas estas questões têm sido amplamente discutidas, mas é impossível che­gar-se a uma conclusão unânime. As duas datas preferidas são o tempo do rei Joás (cerca de 830-810 a.C.) ou o tempo do Império Persa (cerca de 400 a.C.).[2]

Brevard Childs escreveu: "Embora seja correto dizer-se que uma data pós-exílica representa a opinião da maioria, uma expressiva minoria continua a defender uma data pré-exílica."[3]

A data da profecia de Joel não é tudo o que importa. O escopo de suas profecias e sua relação com as profecias de outros profetas escritores é que fazem a data importante. A posição que tomamos neste nosso estudo é que a profecia de Joel provê um ponto de transição entre os Profetas Anteriores na terceira era e os Profetas Posteriores da quarta era. Ele recebeu a responsabili­dade e o privilégio de apresentar um sumário de toda a atividade profética e de sua mensagem desde o tempo da praga de gafanhotos, nos dias do rei Joás, até o tempo do retomo de Cristo. Assim, seu sumário inclui a mensagem dos profetas pré-exílicos, exílicos e pós-exílicos, do ministério de Cristo e da era do Pentecoste.[4] A frase-chave em sua profecia é "o dia de Yahwéh".[5] Esse ponto de vista será elaborado e apoiado pelo estudo exegético e teológico que se segue. 



O Escopo da Profecia de Joel 

Logo no início do estudo da profecia de Joel, devemos lembrar claramente que ele não menciona nenhum messias pessoal nem qualquer figura régia que traria a era messiânica. Esse fato não impede diversos estudiosos bíblicos de considerar que uma parte da mensagem de Joel tem caráter messiânico, segun­do o ponto de vista mais amplo do conceito messiânico.[6] Deve ser acrescenta­do também que, entre os que entendem que Joel tem real mensagem messiâ­nica, não há acordo quanto às passagens devem ser assim consideradas, exceto 2.28-32 [TM 3.1-5].[7]

Uma análise da estrutura da profecia de Joel traz ao primeiro plano dois aspectos notáveis. Primeiro, a profecia é prontamente dividida em duas partes: 1.7-2.17 e 2.18-3.21 (TM 4.21), sendo o versículo divisório o muito debatido uso e interpretação do vav consecutivo com o verbo waygannê’ (e se mostrou zeloso), que discutiremos mais tarde. A primeira parte pode ser denominada o pronunciamento da ira de Yahwéh, pela qual ele executa a maldição do pacto (cf. Dt 27-30 sobre uma clara advertência concernente às maldições do pacto, bem como às bênçãos); essa ira, entretanto, é atenuada pelo chamado ao arrependimento e pela garantia de que Yahwéh é um Senhor bondoso, compassivo, paciente e amoroso. A segunda parte é introduzida pelo ciúme do Senhor, isto é, seu amor ativo que o leva a procurar, defender e fazer prosperar o seu povo, bem como manter sua própria santidade e honra. As bênçãos do pacto virão seguramente a um povo fiel; entretanto, essa garantia de bênçãos para a vida pactual, para pessoas de todas as gentes ou nações, inclui referên­cias ao julgamento de Yahwéh sobre todos — sejam de Israel ou de outras nações — quantos não se submetem ao governo gracioso de Yahwéh. 

Segundo, as duas partes distintas de Joel estão estreitamente inter-relacionadas. No parágrafo precedente referimo-nos às maldições e bênçãos con­tidas em ambas as partes. Há, entretanto, um tema unificador de toda a profecia: é a frase yôm yhwh (dia de Yahwéh) 1.15; 2.1,11, na primeira parte, e 2.31 (TM 3.4); (3.1) (TM 4.1); 3.14 (TM 4.14) 3.18 (TM 4.18), na segunda parte. Essa frase constitui a chave para a compreensão da profecia de Joel, particular­mente de seus aspectos escatológicos e messiânicos. É importante compreen­der que a mensagem de Joel deve ser considerada primariamente escatológica; nesse especial contexto é que a mensagem messiânica é apresentada. 

Outros fatores unificantes que merecem ser considerados cuidadosamente são os seguintes: (1) O apelo de Joel ao povo no sentido de ouvir e considerar a mensagem do Senhor, trazida por meio da invasão de gafanhotos (1.2); (2) a súplica de Joel ao Senhor (1.19); (3) o chamado do Senhor ao arrependimento 2.12; seguido por (4) apelo profético ao povo (2.13-17) e (5) a resposta zelosa do Senhor (2.18) com uma descrição de como Ele revela seu amor ciumento em ação a favor de seu povo. 

Joel descreve a destruição causada pela invasão dos gafanhotos (1.4) e o desastre resultante (1.10-12). Essa invasão de gafanhotos deve ser considerada um fato histórico. Exatamente qual invasão de gafanhotos é referida não podemos dizer, mas é bem possível que seja uma que ocorreu no tempo do rei Joás de Judá. Quando Joel descreve essa cena, aponta para um outro desastre vindouro: a invasão de uma nação inimiga (1.6). A primeira cena é usada para pôr diante do povo a cena de um desastre ainda maior. A cena dos gafanhotos e seus desastrosos resultados levam Joel a referir-se também ao dia de Yahwéh (1.15). Esse será um dia de desastre e julgamento que alcançará uma expressão mais plena quando uma nação inimiga invadir e causar devastação. 

O tema do dia do Senhor é repetido quando Joel descreve em pormenores o que antes ele citava de passagem (1.6). Uma nação inimiga invadirá; como gafanhoto eles virão. Guerreiros terrificantes trarão desastre e destruição sobre o povo do pacto de Yahwéh (2.1-11). Como a invasão de gafanhotos era um exemplo do "dia de Yahwéh", assim será a invasão inimiga, e ainda mais. Consideremos as frases: hãrfú (tocai a trombeta) (2.1) sobre o santo monte, e ki-gãdôl yôm yhwh (pois grande é o dia de Yahwéh), que é seguido por wènôrã’ mê’õd.[8] Grande medo ou terror é experimentado pelos que forem apanhados pelos acontecimentos do dia de Yahwéh. A proclamação desse grande julgamento no dia de Yahwéh é seguida de um apelo mais urgente à conversão e arrependimento (cf. w.12,13, tomai para mim [Sèbü 'ãday] de todo o vosso coração e rasgai [yèqiryü] vossos corações). Os sacerdotes são particularmente chamados a interceder em favor do povo, mas também em favor da própria honra do Senhor (2.17). 

Na primeira parte da profecia de Joel (1.7-2.17), a referência ao dia de Yahwéh é proclamada primeiro em termos da invasão de gafanhotos (um desastre natural) que ocorreu no tempo do profeta, e depois em termos de uma terrível invasão por um inimigo poderoso, irresistível, destruidor, no futuro dia de Yahwéh. Nesse especial contexto Joel proclama a fidelidade pactual de Yahwéh (2.13). O dia de Yahwéh está presente (gafanhotos) e será experimen­tado num futuro próximo (nação inimiga). O dia de Yahwéh será um tempo de julgamento, durante o qual as misericórdias pactuais de Yahwéh serão mostradas. 

A segunda parte começa com a forma de qãnã com o vav consecutivo (o verbo significa ser zeloso, ser ciumento). O debate a respeito da sua tradução exata e da referência de tempo não chegou a um acordo. Alguns eruditos traduzem-no por um futuro simples, outros como um imperfeito histórico, implicando que o povo se arrependeu e o Senhor em seu zelo e amor em seguida subseqüentemente mostrou as bênçãos do pacto sobre seu povo. Não há nenhum verbo específico, no perfeito, para governar o tempo imperfeito desse verbo.[9] A possibilidade de traduzir o verbo no futuro simples não deve ser rejeitada. De fato, o próprio contexto do verso 18 e o fluxo da mensagem exigem o futuro. Lembremo-nos de que o tema principal é o dia de Yahwéh. Duas cenas apresentaram esse dia como presente e futuro, isto é, nos dois séculos seguintes. Então, depois da invasão dos inimigos, depois de executado o julgamento, o Senhor, em seu zelo e amor por seu povo, mostrará outros aspectos de sua grande obra redentora. A frase "o dia de Yahwéh"refere-se aos eventos que ocorrerão depois do julgamento do exílio. 

No futuro, isto é, depois do exílio, o Senhor terá piedade e novamente satisfará seu povo com prosperidade material (2.18b,19,22,24,26). Isso será concomitante com a restauração do povo (2.20,25). Não se indica nenhum tempo específico para esse período, a não ser que será depois do retorno do exílio. 

Alguns fatores específicos devem ser destacados. (1) O bem-estar do povo é anunciado em termos da experiência cotidiana com relação a alimento, bebida, chuva (outonal), lagares de vinho e eiras de trigo. Essa é uma forma profética muito comum de proclamar uma verdade geral. O intento do profeta não era que o povo pensasse em termos literais, específicos. A idéia —prospe­ridade, bem-estar — era o ponto importante para Joel, não a lista específica de itens. (2) A promessa de prosperidade e bem-estar tinha sido feita a Abraão (Gn 12.2; 13.2; 22.15-18), a Isaque (Gn 26.3,12,13) e a Jacó (28.13-15). Os patriar­cas, a despeito de várias adversidades, foram recipientes dessas promessas pactuais. (3) Moisés, quando serviu como mediador do pacto, repetiu a pro­messa pactual de prosperidade e bem-estar a um povo que deveria amar, obedecer e servir a Deus (Dt 8.7-9; 30.1-10). (4) Os reis em Israel, como pastores sob Yahwéh para o povo do pacto, seriam os instrumentos principais usados por Yahwéh para trazer prosperidade e bem-estar ao povo (cf. SI 78.70-72; 2 Sm 7.10,11; SI 72.2,3,16,17). 

Um termo em Joel 2.23 requer especial atenção. No contexto das bênçãos materiais e naturais prometidas é usado o termo hammôreh. Ele é imediata­mente precedido por um convite para alegrar-se no Senhor e seguido pela promessa de chuva abundante. Esse termo é traduzido "chuva" no SI 84.7 (NIV mg., RSV), mas em Jó 36.22, Pv 5.13, Is 30.20, Hc 2.18 e J1 2.23 a tradução preferível é "mestre" (KJV mg., NIV), principalmente porque o termo retidão é seu objeto indireto. A frase chuva de ou para retidão não faz sentido. Tendo concluído então que o termo se refere ao mestre da retidão que é prometido no ambiente de prosperidade e bem-estar, a questão da identidade dessa pessoa exige uma resposta. É sabido que a comunidade de Qumran esperava por uma pessoa determinada, que, na mente de alguns, podería ser o Messias prometi­do.[10] A idéia de que o Messias prometido é referido aqui tem o apoio de vários exegetas e expositores. Theodore Laetsch vê neles uma referência ao grande profeta, o Messias prometido em Dt 18.15 [11] Os intérpretes não estão de acordo quanto ao complemento, se ele deve ser entendido "de" ou "para" a retidão. Parece-nos mais aceitável interpretar a preposição hebraica lè segundo o seu uso mais comum, "a", "para" — essas palavras, obras e propósitos do mestre são dirigidas para a meta de produzir retidão. A idéia está certamente de acordo com a noção bíblica de que a verdade é revelada por causa da produção e promoção da retidão. 

Talvez seja melhor aceitar a frase como alusiva à prometida semente de Abraão, a respeito da qual falou o profeta Moisés, o antítipo de todos os profetas verdadeiros que viveram nos tempos do Velho Testamento. 

Joel prossegue apontando para quatro acontecimentos que ocorrerão de­pois da volta das bênçãos pactuais e da aparição do Mestre. Notemos o termo ’ahârê (depois) (2.28 [TM 3.1]) após o termo "acontecerá". Os quatro aconteci­mentos são: (1) O derramamento do Espírito de Deus sobre kõl-bãéãr (toda a carne [KJV] ou todo o povo [NIV]). Esse derramamento será uma bênção universal; não se limitará a Israel, embora Israel e Judá estejam incluídos. (2) Yahwéh proporcionará maravilhas (riãtatti môpètim) nos céus e na terra (2.30 [TM 3.3]). O tempo específico em que isso ocorrerá não é informado, mas será antes do grande dia de Yahwéh. Joel não quer que os leitores relacionem diretamente essas maravilhas em a natureza com o dia final. Essas maravilhas serão mostradas num tempo entre a vinda do mestre e o grande dia de Yahwéh. (3) Joel fala deyôm yhwh, haggãdôl(o grande dia de Yahwéh) (2.31 [TM 3.4]), que se seguirá ao Pentecoste e à dádiva de maravilhas. Essa frase traz à lembrança o que Joel dissera quando se referiu ao tempo do julgamento e desastre — o exílio de Israel (2.11). Tempo de julgamento é um conceito central da frase — "o grande dia de Yahwéh". (4) Finalmente, Joel fala da salvação que virá para todos os que invocam o nome do Senhor (2.32 [TM 3.5]). Não há uma referência de tempo para esse grande evento salvador. Sem dúvida deverá aplicar-se a todos os tempos, da mesma forma como ocorrem as bênçãos materiais (2.18-27). 

Um exame da apresentação desses quatro acontecimentos por Joel leva-nos à conclusão de que o profeta não pretende fixar uma cronologia precisa. Realmente, o derramamento do Espírito e as grandes maravilhas cósmicas são indicados para "depois" ('ahãrê) e "antes" (lipnê), porém sem nenhuma seqüência de eventos. É óbvio que Joel viu o futuro como um tempo marcado por grandes acontecimentos, que ele não tenta apresentar em ordem cronoló­gica mais específica, mesmo porque, entre outras razões, vários desses aconte­cimentos poderiam ocorrer simultaneamente. 

No último capítulo da profecia de Joel é feita referência a quatro fatores mais específicos. Primeiro, notemos que é dada uma indicação geral de tempo — naqueles dias em que Yahwéh restaurar o Sèbüt de Judá e Jerusalém (3.1 [TM4.1]). Sèbút refere-se ou diretamente ao retomo do exílio, uma especial boa sorte, ou às "boas sortes" (3.1 [TM 4.1], NIV, RSV) a serem experimentadas. Costuma-se considerar o último sentido. Assim, o retomo do exílio e as bênçãos do pacto para a vida estão incluídos. Mas Joel, tendo falado do Mestre, Pentecoste e salvação, deve tê-los incluído também nas "boas sortes". Isto significa que Judá e Jerusalém não devem ser tomados literalmente, mas sim como indicações para Israel e para todos os outros povos. Este ponto de vista universal de Judá e Jerusalém é apoiado pela declaração do derramamento do Espírito sobre toda a carne (todas as pessoas) e pela frase todo aquele que invocar {2.32 [TM 35]). É também fortemente apoiado pelo que Joel continua dizendo. (1) Yahwéh reunirá todas as gentes ou nações com o propósito de julgar seu modo de tratar o povo de Yahwéh (3.2,3 [TM 4.2,3]). Joel refere-se a uma experiência real do povo de Yahwéh, que há de suportar o exílio como um meio de expressar o julgamento de Yahwéh sobre aquelas pessoas que amaldiçoam aos que o Senhor chamou (Gn 125). (2) Joel fala de bênção de paz que virá (3.10 [TM 4.10]). Essa abençoada paz será para pessoas de todas as gentes ou nações. (3) Yahwéh, profetiza Joel, será um refúgio e uma fortaleza para seu povo (3.14-16 [TM 4.14-16]). Enquanto os julgamentos são executados, Yahwéh preservará seu povo, que foi separado dos outros no vale da decisão.[12] (4) Finalmente, Joel fala da segurança eterna do povo de Yahwéh, que o estabelecerá firmemente e habitará com ele. Assim, a promessa do pacto "eu serei vosso Deus", "eu estarei convosco" e "eu habitarei no meio de vós para sempre" é declarada cumprida. No contexto Joel fala de modo universalista, porém, usa termos familiares à sua audiência, vinho das montanhas, leite das pastagens nos outeiros, água correndo nas ravinas, nações vizinhas (Edom e Egito) devastam Judá. Jerusalém e Sião são usadas da mesma forma para falar à audiência de Joel a respeito da paz final, da segurança e da bênção para todos os povos.[13]

Para resumir, os seguintes sete fatores devem ser mencionados: 

1. Joel apresenta todo o panorama do plano pactual de Yahwéh para todas as idades e todos os povos. Ele destaca aspectos momentosos, embora não se estenda sobre eles. 

2. Os profetas que vieram depois dele tomaram um, vários ou mesmo todos esses temas e os expandiram ou explanaram de modo mais completo. Assim, Joel deve ser considerado o primeiro dos profetas escritores que, poderíamos dizer, preparou a agenda para todos eles. 

3. Joel fala das bênçãos pactuais prometidas, que os patriarcas desfrutaram, que Moisés colocou diante do povo, e que foram trazidas ao povo através dos reis-servos, especialmente Davi e Salomão. 

4. Joel proclama as grandes bênçãos do pacto. As bênçãos destinam-se não somente a Israel e a Judá e Jerusalém, mas também a "toda carne" e todas as gente e nações. Assim como o julgamento virá sobre o Israel desobediente e infiel, assim também virá sobre os povos e nações desobedientes, infiéis e rebeldes. Portanto, a frase o dia de Yahwéh deve ser considerada universal em seu alcance e extensão, e de maneira concreta nenhuma aplicável somente a Israel, Judá ou Jerusalém. 

5. Joel fala escatologicamente. Ele dirige a atenção para seu tempo e para o futuro. Seu uso da fraseyôjn ywhw (dia de Yahwéh) deve ser entendido como aplicável a grandes eventos de redenção e de julgamento, que atingirão seu clímax no dia final. 

6. Não há nenhuma referência direta a um Messias real pessoal, daí, essa profecia não ser messiânica no sentido mais estrito. A profecia é messiânica, entretanto, em virtude da proclamação dos grandes eventos pactuais e redentivos que o mediador do pacto, a semente, o Messias prometido, deve cumprir. Joel põe diante de sua audiência e de todos os seus futuros leitores o programa precisamente messiânico. 

7. O dia de Yahwéh em Joel refere-se a tempos de atos divinos específicos de julgamento e também ao último dia, o dia do julgamento final. Esse último dia de Yahwéh será o apogeu de toda a era messiânica que para Joel começa no seu tempo e abrange todo o período que vai de seus dias até o grande dia do julgamento final. 



Elementos Messiânicos na Profecia de Jonas 

Visão Geral do Ministério e da Mensagem de Jonas 

Jonas viveu e profetizou durante o reinado de Jeroboão II em Israel, de 793 a 753 a.C.[14] Jonas profetizou em Israel (cf. 2 Rs 14.25) a respeito da restauração do território de Israel que tinha sido conquistado por estados vizinhos hostis. Hugh Martin afirma que Jonas deve ser considerado um profeta de esperança e de bênção, pois, enquanto Israel vivia em prosperidade e impiedade, mere­cendo julgamento, ele falou das promessas do pacto em relação à terra.[15]

Mas Jonas tem sido também caracterizado como um indivíduo fervorosa­mente patriota e de mente estreita; diz-se que esta foi a razão por que ele não quis pregar a uma grande nação gentia que se estava tornando uma real ameaça à segurança de Israel e mesmo à sua existência.[16] Homer Hailey procurou ser compreensivo em relação à recusa de Jonas de ir à Assíria, porque "ele sabia dos sofrimentos que haviam sido infligidos pelos assírios aos povos do mun­do".[17]

Se o livro de Jonas deve ser considerado profético é um ponto que tem causado muita discussão. Os eruditos concordam que seu gênero literário pode ser melhor descrito como uma narrativa biográfica. Sua atividade como profeta foi, certamente, a razão por que o livro foi incluído entre os profetas. Além disso, a mensagem do livro é basicamente do caráter profético. 

A discussão mais extensa suscitada pela profecia de Jonas diz respeito à sua interpretação: deve ela ser tratada como um relato mítico, como uma alegoria ou como um acontecimento histórico?[18] A ambiência da vida e obra do profeta fala eloqüentemente em favor da interpretação histórica. A referência de Jesus à permanência de Jonas por três dias num peixe (Mt 12.40) confirma esta preferência. 



A Mensagem Messiânica no Livro de Jonas 

A questão relativa a uma implícita mensagem messiânica no livro de Jonas foi levantada principalmente devido à referência feita por Jesus a este episódio, bem como à sua própria morte e ressurreição. A questão tem sido respondida de várias maneiras. 

Laetsch conclui que "desde antes de sua aparição, Jesus Cristo, o Salvador não apenas dos judeus, mas de todas as gentes e nações brilha intensamente. Encontramos aqui também uma confirmação do antigo ensino da sinagoga: o alvo de todas as profecias é o tempo do Messias".[19] Este ponto de vista é ao mesmo tempo demasiado amplo e demasiado estreito. Demasiado amplo no sentido de que, desta maneira, todo o Velho Testamento é considerado mes­siânico; optando por esta abordagem, concluímos que cada passagem do Velho Testamento deve ser interpretada como específicamente messiânica. Demasia­do estreito quando diz que o alvo da mensagem são "os dias do Messias"; o escopo da mensagem messiânica estende-se muito além, no tempo e na inten­ção, dos dias em que Jesus Cristo estava na terra. Deve ser dito enfaticamente que a mensagem central do Velho Testamento se refere realmente a um segundo Adão, da semente de Abraão e da família real de Davi, que viria como um rei-servo (ponto de vista mais estrito) e realizaria sua missão real (ponto de vista mais amplo). Esta é a questão a ser respondida: a profecia de Jonas inclui referência à pessoa régia e à sua missão real? 

Tal questão leva-nos à segunda razão pela qual a mensagem de Jonas é considerada messiânica — ao menos parcialmente. Jonas dá clara expressão ao aspecto da missão messiânica em apelando a todas as gentes e nações para ouvir, obedecer e servir ao soberano Senhor dos céus e da terra. Yahwéh falou claramente a Abraão: "por meio de ti todas as famílias da terra se abençoarão" (Gn 12.3 RSV). A dimensão universal da obra messiânica e as bênçãos que dela resultam para as pessoas de todas as gentes e nações são a contribuição central da profecia de Jonas. Jonas não somente prega o universalismo das bênçãos messiânicas; ele também leva essa mensagem a uma grande nação repre­sentativa do mundo. Prega arrependimento aos assírios e, com isto, expressa a misericórida, a graça, a compaixão, a paciência e o amor abundante de Yahwéh, que não se mostra de modo algum ansioso em trazer o julgamento sobre a humanidade (Jn 4.2; cf. Êx 34.6). Neste aspecto a obra profética de Jonas afirma o ponto de vista amplo do conceito messiânico. 

Muito se tem comentado sobre quais seriam as pessoas-alvo da profecia de Jonas.[20] John Stek é um vigoroso porta-voz de todos os que dizem que o livro de Jonas é dirigido a Israel.[21] Deve-se perguntar seriamente se a questão deve ser posta em termos de ou um ou outro. Não há no próprio livro nenhuma afirmação definida de que a mensagem profética de Jonas é dirigida primaria­mente a Israel. Realmente, o livro foi incluído no cânon escrito e desenvolvido pelo Israel do Velho Testamento, o que não deve ser tomado como a significar que tudo o que nele está incluído foi dirigido inicial e primariamente a Israel. A mensagem da misericórdia e graça de Yahwéh a um povo não-israelita arrependido é a mensagem primária; os ninivitas ouviram a mensagem pri­meiro. Jonas conhecia a misericórdia de Deus para com os pecadores e, portan­to, tentou fugir de Yahwéh e evitar a possibilidade de que uma nação inimiga se tomasse um povo arrependido, crente e servidor. Na verdade, os assírios, que em certa ocasião foram chamados "obra das mãos" de Yahwéh (Is 19.25 NIV), deviam receber a mensagem da graça redentora tornada possível por um Senhor misericordioso que prometera essa redenção por meio da semente da mulher, dos descendentes de Abraão e da posteridade de Davi, o agente messiânico. 

A mensagem de Jonas dirige-se também a Israel. O povo do pacto deveria ser um canal de bênçãos para todas as gentes e nações. A mensagem de Jonas primariamente à Assíria era, portanto, também um lembrete a Israel de suas responsabilidades delegadas por Deus para com outras nações. Além disso, Israel deveria lembrar-se de que o povo de Yahwéh consiste não apenas dos israelitas, ou seja, os descendentes biológicos de Abraão, mais os poucos estrangeiros que se ligaram a Israel e, assim, se tomaram identificados com o povo de Deus. 

Especialistas têm estudado a relação de Jonas com Jesus Cristo.[22] Jonas não é considerado tipo, prefiguração, ancestral ou precursor de Cristo. Além disso, ele não é nem remotamente um agente régio. Assim, não se pode dizer que jonas apresenta, de um modo ou de outro, o ponto de vista mais estrito do conceito messiânico. 

Num sentido muito geral, entretanto, Jonas, como um dos profetas que serviram na tradição profética mosaica (Dt 18.15-18) que deveria culminar em Jesus o Messias, pode ser considerado como dando expressão ao conceito messiânico. Assim compreendido, Jonas não é diferente de todos os verdadei­ros profetas de Yahwéh. 

Estritamente da perspectiva do Velho Testamento, não se pode dizer mais do que foi dito nos parágrafos precedentes. Temos, entretanto, o Novo Testa­mento, que acrescenta algo à compreensão do papel de Jonas no conceito messiânico. Jesus disse que a descida de Jonas ao mar e seu retomo eram um sinal (Mt 12.39, par. Lc 11.29; cf. Mt 16.4). Não o próprio Jonas como pessoa, mas Jonas morto e voltando à vida depois de três dias era o sinal (Mt 12.39,40). Jesus acentuou assim que a experiência de Jonas e a sua própria eram mais do que meramente semelhantes em certos aspectos. Elas não devem ser conside­radas como eventos desvinculados no desdobramento do plano de Deus. De fato, a experiência de Jonas foi mais do que mero símbolo do que aconteceria a Jesus. Jesus derivou uma analogia tipológica estrita entre a provação passada de Jonas e sua própria provação futura. A descida de Jonas às profundezas do mar e seu retomo não foram uma experiência isolada, única. Jesus declarou positivamente a seus contemporâneos, a quem chamou de geração má e adúltera, que a descida de Jonas às profundezas e seu retorno deviam tê-los preparado para aceitar a mensagem de que o Messias devia morrer, descer às profundezes (ao "coração da terra", Mt 12.40 NIV) e depois retomar para ser um agente de vida e de bênção (Mt 12.40). Jonas teve uma experiência prepa­ratória, que tomou significado messiânico ao ser completamente cumprida pela descida de Cristo à sepultura e seu retomo dela. 

Em conclusão, afirmemos os seguintes três pontos: 

1. Jonas não dá nenhuma indicação de estar consciente do papel significa­tivo que assumiria no desenrolar do plano de Yahwéh para a execução da obra messiânica. Ele está cônscio, entretanto, de que a graça e a misericórdia de Yahwéh se estendem além da própria nação de Israel. 

2. Há uma dimensão escatológica na profecia de Jonas: o escopo do plano redentivo de Yahwéh é universal. Essa universalidade, conforme prometida a Abraão, deveria tomar-se realidade nas gerações futuras. Jonas reflete um exemplo dessa operação do divino "éschaton".[23]

3. Os aspectos messiânicos do livro de Jonas devem ser vistos nos beneficiários universais das bênçãos que um Senhor misericordioso e amoroso haveria de trazer a pessoas de todas as gentes e nações por meio da semente prometida. Além disso, as provações de Jonas (a que o próprio 

Cristo se referiu) são tipológicas das próprias provações de Cristo no cumprimento de sua obra messiânica. 



Elementos Messiânicos na Profecia de Naum 

O Homem e Sua Mensagem 

O profeta Naum é chamado o elcosita (1.1). Presume-se que Elcos ficava em Judá. Ele refere-se à queda da cidade egípcia de Tebas (também conhecida como Nò-Amon, 3.8), o que ocorreu em 664-663 a.C., e profetizou contra Nínive, que caiu em 612 a.C. As atividades proféticas de Naum, portanto, foram durante o período de cerca de cinquenta anos entre esses eventos. Sua profecia tem sido descrita de modos contraditórios. Seu livro tem sido chama­do por alguns "um hino de ódio", escrito por um profeta provinciano, rústico, do interior, onde os habitantes seriam afetados por uma "cegueira rural".[24] Tem sido descrito por outros como alguém que faz jus a seu nome, que quer dizer "confortador" (jiaham, confortar). Ele expressa-se como poeta (de fato, um dos poetas mais brilhantes do Velho Testamento). Apresenta-se com ousadia, ardor, sublimidade, vivacidade e brilhantismo, bem como com certa dose de impetuosidade. Assim, em vez de um rústico aldeão, estaríamos diante de um mestre de estilo hebraico.[25]

A mensagem de Naum é corretamente considerada "a continuação do livro de Jonas".[26] Jonas anunciara que o julgamento de Yahwéh viria sobre Nínive, se a cidade não se arrependesse. Atendendo à mensagem de Jonas, o rei e a cidade se arrependeram e foram poupados do julgamento que lhe seria impos­to (Jn 3.10). Mas foi um julgamento adiado, pois não houve nenhuma prova de arrependimento logo após a pregação de Jonas. Nínive e toda a Assíria tornaram-se um povo ainda mais cruel, à medida que seus exércitos impiedosos percorriam os países vizinhos, cometendo incríveis atrocidades.[27] Naum pro­fetiza que o julgamento de Yahwéh está para vir e que será total em seus efeitos. A orgulhosa capital será completamente destruída; a arrogante nação e seus exércitos serão aniquilados totalmente. Yahwéh mostrará seu zelo, sua ira, seu poder à medida que executará o julgamento. Aqueles, entretanto, que confiam em Yahwéh e buscam refúgio nele serão reconhecidos por Ele e experimenta­rão sua bondade e proteção (1.7). 

A quem Naum dirigiu sua profecia é questão que não tem sido suficientemente discutida, se é que se pode dizer que foi discutida. A posição de muitos autores parece ser que ela é dirigida principalmente, se não exclusivamente, a Judá. Essa duvidosa posição deve ser contestada, pelo menos até certo ponto. A mensagem de Naum destina-se a confortar o povo de Israel, as dez tribos do norte que foram exiladas por Nínive. Mas o grande "peso" {maéáã’, KJV) de Naum é o julgamento de Yahwéh sobre Nínive, anteriormente arrependida e que agora não dá mais sinais dessa mudança de coração. 

Um estudo da estrutura da profecia de Naum lançará luz sobre quem são os destinatários. Vários esboços têm sido propostos,[28] mas não esclarecem ou destacam as ênfases específicas da profecia. 

• Apresentam-se as virtudes de Yahwéh e seu poder de executar o julga­mento (1.1-10). 

• O profeta dirige-se a Nínive e a um homem que procede dela (1.11). 

• Alternativas são consideradas (1.12-2.3). 

• A Assíria, o destruidor, é descrita (2.3-13a [TM 13]). 

• O profeta fala a Nínive (2.13b [TM 14]). 

• Nínive é descrita (3.1-4). 

• O profeta fala a Nínive (35-17). 

• O rei da Assíria é descrito (3.18,19) 

O quadro 3 apresenta os elementos principais do livro de Naum. O profeta apresenta claramente a antítese entre Yahwéh e o rei da Assíria, que assumiu prerrogativas régias e divinas. Ele toma o cuidado de descrever ambos. Fala também do povo de Yahwéh, cruelmente oprimido pela Assíria, que será libertado quando ocorrer a destruição da Assíria. Naum, além disso, dirige-se a Judá e à Assíria diretamente, por nome e/ou por título. Proclama uma notória mensagem claramente universal às gentes e nações e uma especial mensagem particular a Judá.[29]



O Conceito Messiânico no Livro de Na um 

Pode-se falar da mensagem de Naum como realmente messiânica? Hengstenberg não inclui uma discussão sobre Naum em sua extensa obra sobre a Cristologia do Velho Testamento ou em sua obra exegética sobre passagens messiânicas. Outros escritores mencionam a mensagem de Naum no contexto de sua discussão de idéias, temas e esperanças messiânicos. Riehm refere-se às virtudes de Yahwéh que motivam o pensamento messiânico.[30] Sigmund Mowinckel faz referência a Naum quando discute a esperança messiânica que Israel e Judá tinham e que os levou a crer que a Assíria seria totalmente derrotada e, assim, a era messiânica seria iniciada.[31] George L. Robinson, citando Elmslie, escreve: "Seu oráculo (de Naum) é essencialmente, embora não explicitamente, messiânico." Ele vai adiante e escreve: "Ele não tem em vista distintamente o Redentor; não era necessário." Robinson entende Naum como preparação do povo de Yahwéh para o tempo em que o reino das trevas cairia "antes que o reino da luz irrompa". Nínive tinha de ser destruída antes que o reino do Messias fosse inaugurado.[32]

O ponto de vista mais estrito do conceito messiânico não está incluído na profecia de Naum, o que significará que Naum não se refere diretamente a uma figura régia, um rei designado, que seria libertador, restaurador e governador. O ponto de vista mais amplo, por outro lado, pode ser aí discernido de várias maneiras. 

Primeiro, a dimensão universal da obra do Messias está definitivamente presente. Essa obra messiânica afetará outras nações além de Israel. Naum dirige-se particularmente à Assíria, proclamando a compaixão, a misericórida, o amor e a bondade de Yahwéh que todos os assírios que buscarem refúgio nele experimentarão, bem como todos os israelitas que crerem. 

Segundo, a dimensão messiânica da palavra de Yahwéh a Abraão, de que seriam amaldiçoados todos os que amaldiçoassem sua semente (Gn 12.3) é proclamada por Naum de maneira poderosa. À Assíria é dito que a maldição proferida séculos antes será executada em um terrível julgamento. A obra messiânica, obra que inclui bênçãos para o povo de Yahwéh, toma necessário que a maldição seja executada sobre aqueles que obstruem o derramamento das bênçãos do pacto asseguradas pela semente prometida, o messias, sobre aqueles que crêem e confiam em Yahwéh. 

Terceiro, as virtudes de Yahwéh serão expressas no julgamento da Assíria; essas virtudes alcançarão sua expressão plena e ampla na vinda do messias. 

Quarto, Naum proclama que o ofício real, mal usado e aviltado pelos reis assírios, será desarraigado pelo soberano Rei dos céus e da terra. Assim, o elo entre a palavra profética e o ofício real é caracterizado, como em muitos outros contextos do Velho Testamento onde o real conceito messiânico é revelado. 

Através de todo o Velho Testamento, a obra profética, a ser executada plenamente pelo Messias, está diretamente relacionada com o ofício real e com a pessoa que desempenha esse ofício. A obra e palavra profética ou estabelece e apóia o ofício e a obra real ou pronuncia sua condenação e promove sua destruição. 

Quinto e último, o conceito próprio messiânico pode ser visto no contexto escatológico em que Naum o proclama. O "éschaton", isto é, a destruição da Assíria e a libertação do povo de Yahwéh, está bem próximo, no horizonte. Esses eventos iminentes, entretanto, são apenas arautos dos grandes atos messiânicos. A destruição do império assírio é um indicador, bem como um fato introdutório à destruição do reino de Satanás, que ele representa e serve. Para o reino messiânico ser implatado, o reino que lhe é oposto tem de ser desarraigado. 

Um comentário final: Naum não dá qualquer indicação sobre a reação dos assírios ou da comunidade do pacto a sua mensagem profética, com seus elementos messiânicos. A própria resposta de Naum, entretanto, é patente na maneira vigorosa de sua proclamação, de sua expressão jubilosa, de sua linguagem convincente e de seu uso poderoso das construções gramaticais. Tudo isso contribui para sua convicção não expressa: "Isso certamente aconte­cerá." O inimigo será destruído e o povo de Yahwéh desfrutará novamente das bênçãos do pacto. Assim, o povo de Yahwéh e o nome de Yahwéh serão plenamente vindicados. 



A Visão de Obadias 

O Profeta e Seu Livro 

Muito pouco se conhece a respeito de Obadias. Seu nome significa "servo de Yahwéh". Ele recebeu a mensagem de Deus numa visão. A mensagem é breve; sua profecia, de fato, é o livro mais curto do Velho Testamento—apenas vinte e um versículos. Mas trata de um assunto específico (Edom) e de temas vastos, abrangentes (todas as gentes e nações, Monte Sião [v. 17], o dia do Senhor [w. 8,15] e seu reino [v. 21]). 

Não se diz a quem a profecia foi inicialmente dirigida. Embora Edom seja tratado diretamente (w. 1-15) e Israel ou o Monte Sião sejam citados na terceira pessoa, os eruditos entendem que a mensagem de Obadias foi dirigida principalmente ao povo de Judá. Como nos casos de Jonas e Naum, essa destacada posição pode ser e, possivelmente, deve ser contestada. Obadias tinha uma incisiva mensagem primeiramente para Edom, mensagem de julgamento.[33] No contexto do veredicto de Deus, entretanto, ele profetizou que o Senhor execu­taria seus propósitos em favor e através de Jacó e José (v. 18); ação que envolveria todas as demais nações. No tempo de Yahwéh seu reino universal será estabelecido. Sem dúvida, essa mensagem sobre Edom destinava-se tam­bém a Israel e Judá. 

Eruditos têm escrito muito em relação a dois temas, a saber, o tempo e a unidade da profecia de Obadias. Primeiro, três posições distintas existem quanto ao tempo. (1) A data mais antiga é 848-844 a.C., nos dias de Jeorão, rei de Judá, quando os filisteus e os árabes atacaram e, em certa medida, despoja­ram Jerusalém. Esta acreditada posição é sustentada por numerosos autores. (2) A data média é 586 a.C., quando os babilônios capturaram e destruíram Jerusalém, e diz-se que Edom exultou com maligna alegria. (3) A data mais recente é 450 a.C., data do ataque dos nabateus a Edom. O apoio para esta data é usualmente baseado no argumento de que Jeremias 49.7-22 é usado por Obadias, enquanto que os adeptos de uma data mais antiga consideram que o texto de Obadias é anterior. Os argumentos que apoiam a data mais antiga são os mais fortes. Aceitar a data mais antiga como correta permite afirmar a precedência de Obadias em relação a Jeremias 49 (o que é apoiado por uma comparação das passagens) quanto a uma antiga advertência a Edom, dando assim tempo a este país para arrepender-se (como no caso de Nínive pela pregação de Jonas); o caráter da mensagem de Obadias está de acordo com isto, pois é mais preditiva do que descritiva, como a forma dos verbos nos versículos 12-14 indica. 

A discussão referente à unidade de Obadias foi levantada por certos críticos como Wellhausen e Kuenen. Julius Bewer aceita seu ponto de vista e afirma sua razão para admitir que o livro reflete pelo menos quatro fontes distintas.[34] Um estudo cuidadoso dos temas principais e de sua inter-relação dentro da estrutura do livro remove todas as dúvidas relativas à unidade e harmonia da profecia. 

Todos os Profetas Maiores falam da vingança de Deus contra Edom (Is 63.1; Jr 49.7-22 [cf. Lm 4.22] e Ez 2512-14. Alguns dos Profetas Menores relatam a violência de Edom e a desolação dela resultante (J1 3.19 [TM 4.19]), sua transgressão (Am 1.11,12) ou sua falta de amor divino (Ml 1.2-5), O salmista, de modo semelhante, relembra o complô sinistro de Edom (SI 835,6) e seus insultos contra Jerusalém (Sl 137,7). 

O livro de Obadias começa com uma afirmação sobre a visão de Obadias, na qual ’ãdõnãy yhwh (o soberano Yahwéh) é apresentado como o Juiz que conhece Edom: seu caráter, atitudes, comportamento (ver quadro 4). A profecia conclui com um triunfante wèhãyètâ yhuih hammèlükâ (e o reino é do Senhor (v. 21).[35] Três subtemas são discutidos:[36] (1) Edom — orgulhoso (v. 3), violento (v. 10), pronto a regozijar-se com a desventura de um irmão (v. 12) e matando traiçoeiramente os fugitivos (v. 14) —será submetido a julgamento (w. 2,4,7,8), será envergonhado (v. 10), destruído (v. 18) e, apesar disto, será possuído e governado por Yahwéh (w. 19-21). (2) Jacó, irmão de Esaú, seu filho José e seus descendentes (w. 17,18) foram humilhados, sua cidade foi saqueada (v. 11) e seu povo experimentou o desastre (v. 13), mas eles voltarão e consumirão a casa de Esaú (v. 18), e um remanescente dos descendentes de Jacó possuirá a terra (v. 20). E (3) todas as gentes e nações, representadas por Edom, serão incluídas nos grandes eventos que ocorrerão quando Esaú encontrar o desastre final e Jacó for finalmente vindicado (v. 15). Povos e nações, inclusive Edom e seus sobreviventes, tomar-se-ão, no dia de Yahwéh (v. 15), juntamente cornos descendentes de Jacó, o reino de Yahwéh. 



O Conceito Messiânico na Visão de Obadias 

Numerosos eruditos, uns explicitamente, outros implicitamente, falam da significação messiânica ou do propósito da mensagem de Obadias; outros não o fazem. Mas nenhum parece preparado para negar que há relevância messiâ­nica. Aqueles que se referem ao(s) aspecto(s) messiânico(s) nem sempre apon­tam os mesmos elementos do texto, nem, quando existe acordo sobre uma passagem, ocorre unanimidade de interpretação e sua aplicação, como, por exemplo, no caso da frase yôm yhwh (dia de Yahwéh — v. 15). 

Deve ser afirmado de início que Obadias não se refere a uma pessoa régia que, agente de Yahwéh, levará adiante a intenção do soberano Senhor em favor de Jacó/José, Edom e todas as demais nações. Yahwéh mesmo é apresentado como quem julgará, destruirá, reunirá e anunciará o dia final. São, entretanto, essas mesmas atividades divinas que são referidas em muitos contextos, como os deveres e tarefas cumpridos pelo esperado Messias prometido. 

Embora o ponto de vista mais estrito do conceito messiânico não seja expresso, o ponto de vista mais amplo o é, definidamente, por meio dos cinco temas seguintes: 

1. O escopo universal da obra messiânica é bastante proeminente. Como Joel, que foi o primeiro dos profetas escritores a proclamá-lo, e como Jonas e Naum, que lhe dão eloqüente expressão, assim a mensagem de Obadias é que Yahwéh tratará com todas as gentes e nações e elas virão a conhecer e experi­mentar o seu julgamento, sua libertação, seu ato de unir todos os povos, e seu governo eterno regerá sobre eles. Desta maneira, a profecia messiânica de Noé (Gn 9.25-27), a promessa de Yahwéh a Abraão (Gn 12.3) e sua palavra sobre o reino de Davi e Salomão (SI 72) serão realizadas. 

12.23) O aspecto de julgamento da obra messiânica é descrito em termos expressivos. Esaú, que desprezou seu direito pactual de primogenitura (Gn 25 31-34) e odiou seu irmão Jacó por apropriar-se da bênção e tomar-se o agente pactual específico (Gn 27.41; Am 1.11), deve sofrer a maldição do pacto (Gn 12.23) nas mãos de Jacó/José (v. 18). A palavra messiânica falada por Balaão relativa a Edom (Nm 24.18) será completamente executada. Balaão indicou que o Governador, o Cetro, a Estrela de Jacó a quem Obadias se refere, esmagaria Moabe e conquistaria Edom. Obadias proclama que a profecia de Balaão está a ponto de cumprir-se. Assim, a execução do julgamento é especificada como um aspecto integral da obra e da responsabilidade do Messias. 

2. È prometida a libertação do remanescente de Jacó/José. O Monte Sião, símbolo e tipo do povo de Yahwéh, será libertado e santificado (v. 17). Essa libertação incluirá a posse permanente de sua herança. A promessa aos patriar­cas e a Davi será seguramente realizada. Em outros contextos foi revelado que isso seria tarefa do Messias (Gn 49.8-12; 2 Sm 7.1-17; SI 72). Essa libertação de Jacó/José, entretanto, não deve ser entendida como um evento separado ou isolado, porque todas as gentes e nações serão envolvidas. 

3. Obadias destaca especialmente a unidade de todas as gentes e nações. Ele o faz de maneira cativante, empregando termos e conceitos que eram cheios de significado para seus contemporâneos. Pessoas do Neguebe irão às monta­nhas de Esaú, judaítas da região montanhosa irão à Filístia, e ambos irão à terra das dez tribos do norte, enquanto Benjamim, do oeste do Jordão, estará a leste do Jordão, em Gileade; um remanescente dos israelitas irá a Sarepta (Fenícia) e outro, de Jerusalém ao Neguebe, para governar a terra de Esaú (w. 19-21). Obadias pinta uma cena vívida da unidade das nações: nenhuma nação será dominante, pois todas elas juntas formarão o povo de Yahwéh.[37] Essa reunião de todas as gentes e nações no reino de Yahwéh é uma obra messiânica específica (cf. SI 72). 

4. Finalmente, introduzir o dia de Yahwéh é uma obra messiânica. Joel o tinha proclamado (J1 1.15). Outros profetas iriam pregá-lo repetidamente. Obadias não a apresenta com muitos pormenores, como outros profetas, mas declara definidamente que o dia de Yahwéh, que incluirá todas as gentes e nações (v. 15) é qãrôb (de qãrab, chegar perto), isto é, está chegando. Esse dia, entretanto, deve ser identificado como o tempo de "todas as gentes e nações", que Obadias descreve como a reunião de todas as gentes e nações. Isto começou imediatamente depois que o Messias andou pela terra e subiu ao trono à direita do Pai. 

A perspectiva escatológica dentro da qual Obadias coloca sua visão profé­tica enfatiza o futuro, mas é primariamente um futuro próximo. Sua mensagem messiânica refere-se a eventos entre 850 e 650 a.C. e durante a era do Novo Testamento, que culminará no dia em que o Messias voltar — de uma vez por todas — para reunir seu próprio povo dentre todas as gentes e reinar sobre ele nos novos céus e nova terra, seu reino eterno. 







[1] Otto Eissfeldt, "The Prophetic Literature" em The Old Testament and Modem Study, ed. Harold H. Rowley (Oxford: Clarendon, 1951/1956), cap .5. Ele discute o que considera serem os assuntos prementes naquele tempo: (1) o papel do profeta nos atos cúlticos de Israel; (2) a produção dos livros proféticos por esses profetas cúlticos; (3) o caráter psicológico dos profetas (especialmente: eram eles extáticos?) (pp. 115-161). Harold H. Rowley inclui um ensaio publicado anteriormente em The Servant ofthe Lord and Other Essays on the Old Testament{Lox\dres\ Lutterworth, 1952). Em seu ensaio intitulado "The Nature of the Old Testament Prophecy in the Light of Recent Study" (cap. 3), ele refere-se a vários escritores que tratam de profecia quando discute dez aspectos do fenômeno profético: (1) êxtase; (2) o termo nctbV e sua relação com o êxtase; (3) termos usados para referir-se aos profetas e suas relações cúlticas; (4) os profetas canônicos, êxtase, e falsos profetas; (5) o senso de vocação do profeta; (6) vocação profética e corporações; (7) "anormalidades" nos profetas "superiores"; (8) o profeta e sua relação com a "personalidade divina"; (9) o meio distinto da fonte de inspiração; e (10) a predição profética — somente do mal ou também de boas novas? Ronald E. Clements, em seu Prophecy and Covenants (cf. cap .1, n.13), afirma estar plenamente cônscio do que foi escrito (cf, suas notas e o índice de autores), mas não os segue em muitos de seus pontos de vista específicos. Ele discute os profetas em relação aos temas de eleição, promessa e pacto. Conclui que os profetas não estavam estreitamente relacionados com os que estavam envolvidos nos cuidados das cerimônias de culto, como se afirmou cintes, embora fossem seus assíduos observantes e falassem a respeito delas. Discute o papel da escatologia na mensagem profética, mas falha lamentavelmente em explicar a mensagem messiânica dce profetas nesse especial contexto. 


[2] Cf. Riehm, Messianic Prophecy, p,154; e Walter K. Price, The Prophet Joel and the Day ofthe Lord (Chicago: Moody,1976), pp.13-16, Ver também a introdução a Joel por John B, Graybill, em Holman Bible, p. 862b. George L. Robinson, The Tweive Minor Prophets (Grand Rapids: Baker,1962), relaciona catorze razões de evidência interna em favor da data mais antiga (pp. 39-43). Keil examina diversos argumentos e observa que "ele foi um dos mais antigos dos profetas menores" {KD, The Minor Prophets, 1.169). 


[3] Brevard Childs, Introduction to the Old Testament (Filadélfia: Fortress, 1979), p. 387. Childs sugere uma posição média apelando para um redator que deu ao livro sua unidade e forma final numa data recente (ibid., p. 392). Faz também uma revisão concisa, mas abrangente, dos assuntos envolvidos. Ver também introduções por Eissfeldt, E. J. Young, Gleason Archer e outros para uma discussão da data da profecia de Joel. 


[4] Mowinckel, em He That Cometh, discute a profecia de Joel em várias seções de sua obra (cf. pp. 81,145-147, 268-274). Ele tenta interpretar o suposto festival anual de entronização como um contexto inicial para a compreensão do ponto de vista de Joel sobre o dia de Yahwéh. À medida que o tempo passava, o destacado conceito do dia de Yahwéh ia tomando um significado mais amplo e ao mesmo tempo mais específico. P. ex., Joel, nos dias de Ciro, tomou o tema da entronização, usado por vários profetas, e então enunciou uma escatologia que dava à história seu significado mais amplo possível, isto é, como expressão dos propósitos divinos que são final e completamente cumpridos no dia de Yahwéh. Assim, Mowinckel sustenta que Joel se referiu a um "conceito-fonte" e viu vários profetas darem material para a elaboração, que ele teceu numa data tardia para dar significado escatológico à frase o dia de Yahwéh. O material de Joel, assim, representa tanto o princípio quanto o final. Mowinckel, portanto, calcado em razões muito diferentes das de outros, sustenta o ponto de vista de que o livro de Joel provê a moldura para a mensagem dos outras profetas escritores. 


[5] É possível concordar pardalmente com Walter Price (The Prophet Joel and the Day ofthe Lord [Chicago: Moody, 1976]). Ele está certo ao referir-se a Joel como a fonte. Mas ao limitar isso à profecia preditiva a respeito do reinado milenário de Cristo, e oponto de vista pré-tribulacionista mantido por muitos dispensadonistas, vicia grandemente sua posição (cf. pp.15,16 para uma afirmação desse ponto de vista e sua elaboração específica no cap. 5, pp. 76-100). 


[6] Eduard Riehm é um exemplo dentre os que sustentam esse ponto de vista, 


[7] As referendas a versículos serão nas traduções em português, seguidas pela numeração do hebraico indicada pela sigla TM (Texto Massorético). 


[8] A forma nôrS* (niphal deyõra', temer) é usada para expressar um terror continuado, experimentado pelo povo devido a desastres de várias espécies, 


[9] Cf, vários comentários desse versículo para notar a variedade de discussões e conclusões. A KJV e a NIV preferem o futuro simples ("will") como melhor tradução; a RSV opta por "became". 


[10] Materiais sobre os Rolos do Mar Morto são volumosos. Para um contato com os variados comentários sobre o "Mestre da Retidão", cf. MLilar Burrows, More Light on the Dead Sea Scrolls (New York: Viking, 1958), esp. pp. 2, 4, 218, 324-341; Jean Carmigna, Chríst and the Teacher of Righteousness (Baltimore; Helicon, 1962); e Helmer Ringgren, TheFaith of Qumran (Filadélfia: Fortress, 1963), esp, pp. 31-44. 


[11] Theodore F. Laetsch, The Minor Prophets (St. Louis: Concordia, 1956), p. 125. Hengstenberg, Christology ofthe Old Testamento concorda com isso (cf. sua extensa discussão, pp. 325-331). Homer Hailey, A Commentary on the Minor Prophets (Grand Rapids: Baker, 1972), p. 52, prefere a tradução "chuva". Keil traduz "mestre para a retidão" (KD, Commentaries on the Minor Prophets, 2 vols., 1,204). Ele afirma que o mestre se refere a todos os mestres enviados por Deus — de Moisés ao Messias (ibid., 1.204-207). Mas Leslie C. Allen argúi em favor da tradução "chuva" (cf. The Books ofjoel, Obadiah, Jonah and Micah, NICOT{Grand Rapids: Eerdmans, 1976), pp. 92,93, esp. nn. 26,27). Ver também o ensaio de Gary A. Rendsburg, "Hebrew rhm—Rain", KT33 (1983): 357-362. 


[12] A frase *emeq yèhôSãpõt (Joel 3.2,12 [TM 4.2,12]) não deve ser tomada literalmente, como se estivesse referindo-se a determinado lugar. O termo *emeq pode referir-se a uma planície, a uma terra baixa; é um lugar conveniente para uma assembléia, onde Yahwéh julgará (Sapat). Alguns eruditos têm procurado um lugar real e decidiram-se pelo vale de Beraca, no deserto perto de Técoa; nesse vale os exércitos de Edom, Moabe e Amom foram derrotados (2 Cr 20.1-3,22-30). 


[13] Se limitássemos os termos/uda, Jerusalém e Sião a uma referência literal, os termos para sempre e todas as gerações teriam de ser igualmente limitados. Assim compreendidos, Judá, Jerusalém e Sião literais durariam não apenas por um milênio, mas por todo o tempo e pela eternidade. 


[14] Vários críticos liberais têm argüído em favor de uma data mais tardia para Jonas, especialmente William O. E. Oesterley e Theodore H. Robinson {An Introduction to the Books ofthe Old Testament(Cleveland: World, 1934), sob o argumento de que a profecia de Jonas contém muitos aramaísmos, que o situam ao redor de 350 a.C. (ibid., pp. 372-374). Theodore Laetsch, entretanto, diz por que não pode aceitar essa data {Minor Prophets, pp. 219,220). 


[15] Hugh Martin, A Commentaiy onjonah (republ. Edimburgo: Banner of Truth Trust, 1978). 


[16] George L. Robinson escreveu: "sendo um patriota estreito, ciumento e vingativo", Jonas não viu nenhuma razão para pregar a um futuro inimigo {The Twelve Minor Prophets [Grand Rapids: Baker, 1960], p. 71). 


[17] Hailey, Commentary on the Minor Prophets, p. 62. 


[18] Cf. Hengstenberg, Christology of the Old Testament, sobre os argumentos em favor da interpretação simbólica (1.409413). George L. Robinson defende o ponto de vista histórico (TwelveMinorProphets, pp. 84,85), como também Hugh Martin (Commentary on Jonah, pp. 23,24). Robert H. Pfeiffer resume os argumentos em favor da interpretação mítica (Introduction to the Old Testament [Londres: Black, 1963], pp. 587,588). John Stek, "Message of the Book of Jonah", pp. 123-132, formula bem a defesa da interpretação histórica. Allan J. Hauser, em sua análise da estrutura do livro, conclui que a história de Jonas foi escrita por um hábil autor que usou dois elementos: (1) desvirtuamento, pela apresentação de um Deus de ira; e (2) surpresa, por mostrar um Deus de perdão, diante do que o espírito vingativo de Jonas não é apropriado. Hauser vicia seu estudo recusando-se a aceitar o caráter histórico do relato de Jonas (ver seu "Jonah: In Pursuit of the Dove", JBL 104/1 [março 1985]:31-37). 


[19] T. Laetsch, Minor Prophets, p. 244. 


[20] Hengstenberg refere-se à pregação de Jonas ao mundo gentio como simbólica, isto é, "sua missão a Nfnive tem um objeto distinto da missão em si mesma" (Christology ofthe Old Testament, 1.409). 


[21] Stek, "Message of the Book of Jonah", pp. 34-36, 


[22] Cf.,p. ex., Robinson, Twelve Minor Prophets, pp. 87,88; Hengstenberg, Christology ofthe Old Testament, 1.412,413; Hailey, Commentary on the Minor Prophets, pp. 63,64; Stek, Message ofthe Book of Jonah, pp. 43-46. John Woodhouse, "Jesus and Jonah", RTR 43 (maio-agosto 1984):33-41, concluiu que, assim como a "morte" e "ressurreição" de Jonas salvaram vidas, assim será com o Filho do Homem (Mt 12.40); Eugene H, Merrill, "The Sign of Jonah",^57523/1 (março 1980):23-30: "A sobrevivência de Jonas...causou tão... profundo impacto sobre o povo de Nínive que eles se arrependeram..." Este foi o sinal para os fariseus, que deviam "muito mais prontamente" arrepender-se, uma vez que o Filho do homem estava com eles (ibid., p. 30). 


[23] “Éschaton" — palavra grega que significa "fim" (n.t). 


[24] Cf., p. ex., Charles L.Taylor, "Nahum" em IB (1956), p. 953: respirando "ódio e vingança". 


[25] Walter A.Maier, TheBookofNahum(Grand Rapids: Baker, 1980),pp. 13-26; é um dos melhores comentários disponíveis sobre qualquer um dos Profetas Menores. Ver também GeorgeL.Robinson, TwelveMinor Prophets, p. 113. Ver também Hobart Freeman, Nahum, Zephaniah and Habakkuk (Chicaco: Moody, 1973), pp. 11-15; Laetsch, Minor Prophets, p. 294. Childs preparou uma revisão condsa dos problemas que os críticos têm discutido, seguida de seu ponto de vista sobre a função canônica de Naum: (1) oferece uma interpretação teológica de como entender os oráculos de julgamento, e (2) oferece uma visão do julgamento divino entrelaçando os oráculos com aís e bem-estar {Introduction to the Old Testament as Scripture [Filadélfia: Fortress, 1979], pp. 443,444). 


[26] Charles L. Feinberg, The Minor Prophets (Chicaco: Moody, 1977), p. 189. 


[27] Os reis assírios gloriavam-se de suas atrocidades quando preparavam seus registros (cf, as traduções de tabletes de vários reis, em ANET, pp. 274-301). 


[28] Robinson, TwelveMinorProphets,ip.TYl;EdwardJ, Young, "Book of Nahum", emNBD,2a. ed. (1982),pp, 809,810. 


[29] Como no caso de Jonas, o livro de Naum foi incorporado ao cânon da comunidade pactuai israelita. 


[30] Riehm, Messianic Prophecy, p. 85, sobre Naum 1.2. 


[31] Mowinckel, He That Comeí/i.pp. 135,136,147,458,459. 


[32] Robinson, TwelveMmorProphets,p.U5. 


[33] Edom, a nação descendente de Esaú, irmão gêmeo de Jacó (Gn 25.24-34), nutria, como seu ancestral, uma atitude hostil para com Jacó por séculos. São feitas repetidamente referências a Edom no Velho Testamento. Quando os israelitas se aproximavam de Canaã, enviaram mensageiros a Edom pedindo passagem através de suas terras, mas seu pedido foi recusado pelo rei de Edom (Nm 20.14,18). 

Durante a monarquia, Saul lutou com sucesso contra Edom (1 Sm 14.47), e Davi foi capaz de pôr guarnições no território de Edom (2 Sm 8.14). 

Quando a monarquia foi dividida, o rei Jeorão de Judá foi derrotado pelos idumeus, que se revoltaram contra seus antigos conquistadores (2 Rs 8.20,22), mas o rei Azarias de Judá infligiu-lhes uma grande derrota, com grande matança de soldados idumeus (2 Rs 14.7). 


[34] Julius A. Bewer, A Criticai and Exegetical Commentary on Obadiah, em ICC (Edimburgo; T. & T. Gark, 1911), pp.3^5. 


[35] Leslie Allen traduz: "E assim a soberania será de Yahwéh" (The Books ofjoel, Obadiah, Jonah andMicah, NICOT[Grand Rapids: Eerdmans, 1976], p. 163). Ele não comenta esta escolha, mas está implícito em seus comentários que não se deve esperar nenhum reino milenário. Ao contrário, o governo soberano de Deus determinará o destino das nações, mas isto não significa "atrasar o relógio" internacional ou teológico (ibid.,pp. 168-170). 


[36] John D. Watts (Obadiah [Grand Rapids: Eerdmans, 1969], p. 66) afirma que o tema principal é o governo de Yahwéh sobre as gentes e nações, e um subtema é a relação especial de Yahwéh com Israel, Embora se possa concordar com seu ponto de vista quanto aos temas, sua tentativa de localizar um contexto litúrgico e unidade para o livro no Festival de Ano Novo deve ser rejeitada porque se baseia em conjectura e não em fatos (cf. ibid., P-20). 


[37] É óbvio que essa leitura e compreensão da mensagem de Obadias discorda da dos que afirmam a reaparição dessas nações vizinhas de Israel um pouco antes, ou durante, ou imecliatamente depois de um reino milenário (cf./p.ex., FeinbergeAíinor/Vo/íAeÉs, pp. 128-130).Theodore Laetsch apresenta uma interpretação mais aceitável {Minor Prophets, pp. 210-213).