2 de julho de 2016

DEREK KIDNER - História da Criação (1.1-2.3)

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I. HISTÓRIA DA CRIAÇÃO (l:l-2:3)

1:1,2. Prólogo.

1. Não é por acidente que o termo Deus exerce a função de sujeito da primeira sentença da Bíblia, pois esta palavra domina o capítulo in­teiro e salta à vista em cada ponto das primeiras páginas. É empregada umas 35 vezes em outros tantos versículos da narrativa. A passagem, na verdade o Livro, fala dele, antes de mais nada. Lê-la com qualquer ou­tro interesse primário (o que é bem possível) é falsear a sua leitura.

A expressão inicial, No princípio, é mais que simples indicação de tempo. As variações sobre este tema em Is 40 mostram que o princípio está impregnado do fim, e que o processo todo é presente para Deus, que é o Primeiro e o Último (por ex., Is 46:10; 48:12). Pv 8:22s. revela algo do aspecto concernente a Deus deste princípio da criação. João 1:1-3 é mais explícito. E o Novo Testamento em diversas partes vai às vezes além dele (ex., Jo 17:5,24), adentrando-se na eternidade.

Gramaticalmente, esta frase poderia ser traduzida como uma sen­tença introdutória a completar-se no versículo 3, depois de um pa­rentético versículo 2: “Quando Deus começou a criar... (a terra era sem forma...), disse Deus: Haja luz...”. Isto não significaria que a terra não-desenvolvida não foi feita por Deus. Significaria apenas que a criação, em seu sentido pleno, ainda tinha de ir longe. Mas a tradução familiar: “No princípio criou Deus...”, também é gramaticalmente correta, tem o apoio de todas as versões antigas, e afirma inequivoca­mente a verdade exposta alhures (por ex., em Hb 11:3) de que, enquan­to Deus não falou, não existia nada. Pode-se determinar melhor o sen­tido de criou (bãrã’; cf. 21,27; 2:3,4) com base no Velho Testamento como um todo (incluindo-se este capítulo), onde se vê que seu sujeito é invariavelmente Deus, o seu produto pode consistir de coisas (ex., Is 40:26) ou situações (Is 45:7,8, RSV.AA), os verbos que lhe são associa­dos são principalmente “fazer” e “formar” (1:26,27; 2:7), e seu senti­do preciso varia com o seu contexto, podendo salientar ou o momento inicial de trazer algo à existência (Is 48:3,7: “de repente”, “agora”) ou a paciente obra de aperfeiçoamento de alguma coisa (2:1-4; cf. Is 65:18). Nesta declaração inicial é possível, ou ver a palavra em sua dimensão máxima, caso em que o versículo resume a passagem toda, ou (como prefiro) tomá-la como afirmando o início do processo.

Nos versículos 1,21,27 este impressionante verbo assinala três grandiosos inícios. Mas não define um modo particular de criar, desde que em 2:3,4 é paralelo a ‘ãsâ (“fazer”) e cobre a obra criadora de Deus em todo o seu conjunto.

2. A terra, porém (AV: “E a terra”). Seria melhor traduzir: “Ora, a terra...”, pois a construção é exatamente a de Jn 3:3 (“Ora, Nínive era cidade mui importante...”). Segundo todos os usos normais, o versículo é uma expansão da afirmação recém-feita, e as suas duas me­tades são coexistentes.[1] [2] [3] Ele monta a cena, colocando a terra como nos­so principal ponto. Seja qual for o esquema total, nosso maior interesse é este (cf. SI 115:16). Os sombrios termos do v. 2 dão realce à crescente glória dos sete dias. E se somente Deus produz forma do informe, so­mente Ele a sustenta. Em visões de julgamento (Jr 4:23; Is 34:11), retor­na o caos, denominado tõhü tbõhü, como aqui. Tõhü (sem forma) é empregado em outros lugares com o sentido de deserto ou desolação to­tal, em termos físicos (ex., Dt 32:10; Jó 6:18), vazio (Jó 26:7), caos (Is 24:10; 34:11, AV; 45:18); e metaforicamente, coisas vãs ou sem base (ex., 1 Sm 12:21; Is 29:21). E sua rima bõhu (vazia) acha-se apenas duas vezes em outros lugares (ver acima), em ambas formando par com tõhü.

Abismo (tehôm) parece etimologicamente afim à palavra tiamat,[4] (mas não é derivado dela), sendo tiamat o oceano personificado e rival dos deuses do mito sumério-acádio da criação. Mas aqui se trata do oceano literal, a despeito da peça poética feita alhures com o amansamento da sua fúria e dos seus monstros (SI 74:13,14; 89:9,10; 104:6,7; Is 51:9,10). Ver também o coment. do v. 21.

Portanto, não em conflito, mas em atividade evocativa, o Espírito de Deus[5] pairava (RSV acertadamente conserva o particípio: estava-se movendo). No Velho Testamento, Espírito expressa a energia provinda de Deus, energia criadora e sustentadora (c. Jó 33:4; SI 104:30). Qual­quer impressão de olímpico desligamento que o restante do capítulo possa ter dado, é anulada pelo símile da ave-mãe “pairando” (Moffatt) ou palpitando sobre a sua ninhada. O verbo reaparece em Dt 32:11 para descrever os movimentos da águia incitando os seus filhotes ao vôo. Es­te aspecto de contato íntimo deve ser mantido em mente o tempo todo.

Às vezes se tem a impressão de que este versículo todo não está afinado pelo restante da passagem, sendo que seus supostos mitos pagãos (em que deuses e monstros lutam por obter domínio) produzem disso­nância calculada[6] ou não.[7] Mas o conhecimento desses mitos deixou-nos uma pista falsa, desviando a nossa atenção do fato familiar de que o método normal de Deus é trabalhar partindo do informe para o for­mado. O processo todo é criação. Se Is 45:18 nos proíbe parar neste versículo, tudo que aprendemos da Escritura e da experiência sobre os modos pelos quais Deus age (ex SI 139:13-16; Ef 4:11-16), para não di­zer nada das ciências naturais, insiste em que partamos de algo seme­lhante a ele. Na verdade, os seis dias que serão descritos agora, podem ser vistos como a contrapartida positiva dos dois gêmeos negativos “sem forma e vazia”, emparelhando-os com forma e conteúdo a preenchê-la. Podem-se expor como se segue:[8]

Para uma discussão desta seqüência, e da palavra “dia”, ver a no­ta adicional das p. 51 ss.


1:3-5. O primeiro dia.

3. A simples frase Disse Deus impede alguns erros de longo alcan­ce e abriga rica significação. Estas oito ordens específicas, chamando as coisas à existência, não dão lugar a noções de um universo auto­existente, ou que luta por isso, ou que surgiu por acaso, ou que é ema­nação divina. E a ausência de qualquer intermediário implica num con­teúdo extremamènte rico para a palavra “disse”. Pode ser que isto não fique patente de imediato, pois nós mesmos sabemos o que é dar ordens para que as coisas aconteçam. Mas nossas vozes de comando, mesmo quando sumamente preciosas, são meros esboços: Contam com mate­riais e meios que lhes dão corpo, e o próprio artífice trabalha com aqui­lo que encontra, para produzir algo que conhece apenas em parte. Por outro lado, o Criador, determinando um fim, determinou até os mais diminutos meios para atingi-lo, amoldando com exatidão o Seu pensa­mento à menor célula e átomo, sendo totalmente expressiva a Sua pala­vra criadora. Quase se poderia exprimir o caráter imediato deste conhe­cimento dizendo que Deus conhece cada modo de existência por expe­riência — mas experiência é palavra demasiado fraca. “E tu, Senhor, já a conheces toda” (SI 139:4; cf. Am 4:13). Isto não é panteísmo. É levar a sério a obra de criação. Assim o Novo Testamento revela o que já se acha latente aqui, quando se refere ao Filho e Verbo de Deus “O pri­mogênito de toda a criação; pois nele foram criadas todas as cousas... Nele tudo subsiste” (Cl 1:15-17, RSV, AA; cf. Jo 1:1-4; Hb 1:2,3).

Haja luz. Notemos de passagem que o Fiat lux da Vulgata dá-nos a expressão “criação pelo fiat”. Luz, que emprestou seu nome a tudo que comunica vida, (IJo 1:4) e verdade (2 Co 4:6), alegre dulçor (Ec 11:7) e pureza (1 Jo 1:5-7), com muita propriedade marca o primeiro passo do caos para a ordem. E assim como aqui ela precede o sol,[9] na visão final sobrevive a ele (Ap 22:5).[10] [11]

4,5. E viu Deus... fez separação... chamou. Para alguns dos anti­gos, o dia e a noite sugeriam forças guerreiras; para o homem moderno, apenas um mundo em rotação. Gênesis nada sabe nem de conflito nem de acaso nisto. Sabe somente do vigilante Criador que dá a cada coisa o seu valor (4), o seu lugar (4) e o seu significado (5). As trevas são parte integrante do todo que é “muito bom” (31); não são anuladas, são ape­nas postas em subordinação. A idéia de “fazer separação” tem especial proeminência, tanto aqui {cf. 6,7,14,18) como na lei (ex., Lv 20:25), visto que de um lado jaz o cosmo {cf. Ef 4:16; Fp 1:9,10) e do outro o caos (ls 5:20,24).

A tradução de A V, a tarde e a manhã foram dá a enganosa impres­são de que a contagem começa com o crespúsculo. É melhor traduzir com Moffatt: “veio a tarde e veio a manhã” {cf. RV. RSV).

Sobre o primeiro dia (AV, AA), ver a nota adicional sobre os dias daciração, p. 5lss.


1:6-8. O segundo dia.

O verbo subjacente a firmamento (raqia') significa bater ou cunhar {cf. Ez 6:11), muitas vezes usado em conexão com metal batido. Jó 37:18 mostra que não devemos rarefazer esta palavra atribuindo-lhe o sentido de “expansão” ou “atmosfera”: “Você pode, como ele, esten­der (tarqia) os céus, sólido como um espelho fundido (isto é, como me­tal fundido e polido)?”, RSV. É linguagem figurada, como nossa ex­pressão “abóbada celeste”. Noutro grupo de termos, provavelmente devíamos falar dos vapores envolventes subindo e clareando a su­perfície do oceano {cf. a reconstrução feita por E. Bevan, citada nas pp. 52s.), os dois modos de falar se complementam.

Sobre “haja... separação” e “fez... separação” (6,7), ver o parágrafo seguinte.


1:9-13. O terceiro dia.

Deus continua a dar forma ao mundo, pelo processo de diferen­ciação (9,10; ver coment. de 4,5). Mas a ênfase começa a pender para o tema da plenitude (11,12) que será proeminente no restante do capítulo.

11,12. A terra é capacitada a produzir aquilo que lhe é próprio. Literalmente, o v. 11 diz: “...vegete a terra vegetação, erva semeando semente, árvore frutífera frutificando segundo a sua espécie”. Semelhantemente, no v. 20, as águas “enxameiam com um enxame de criatu­ras vivas”, e no v. 24 a terra “produz” criaturas vivas. Esta vida emergente não é menos “criação” do que o foi o primeiro ato. Os dois tipos de expressão fazem parte do relato no v. 21. “Criou, pois, Deus... to­das as criaturas vivas que... com as quais as águas se enxamearam”, e, dos animais que a terra devia produzir\{lA), o v. 25 diz que Deus os fez.

Se esta linguagem parece encaixar bem na hipótese da criação pela evolução (como o presente escritor acha), este não é o único esquema favorecido por ela, e seu propósito não é deixar uma pista especial para a era atual. É antes mostrar que Deus enlaçou todas as criaturas numa dependência comum dos seus elementos naturais de origem, embora dando a cada uma delas o caráter distintivo da sua espécie. Cada qual tem origem que, considerada de um ângulo, é natural e, de outro, é so­brenatural. O processo natural recebeu o poder de auto-perpetuação e, sob Deus, é autônomo. Uma inferência disto é que faz parte da vida piedosa respeitar as limitações dentro das quais vivemos como criaturas naturais, como provenientes dele. Outra é que a fertilidade, tantas ve­zes deificada no mundo antigo, é uma capacidade criada, oriunda da mão do Deus único.


1:14-19. O quarto dia.

Uma vez mais a descrição é geocêntrica, sem nenhum constrangimento. Sobre isto, e sobre o aparecimento do sol, etc., tão tardiamente em cena, ver a nota adicional das pp. 51 ss. A idéia ali expressa põe o versículo 14 em simples relação com o versículo 4, na consideração do sol como o divisor do dia e da noite em cada um desses versículos, veladamente no v. 4, visivelmente no 14. Mas outra vez o interesse predomi­nante é teológico. O sol, a luae as estrelas são boas dádivas de Deus, es­tabelecendo o roteiro normativo das várias estações (14) nas quais pros­peramos (c/. At 14:17) e pelas quais Israel devia demarcar o ano para o serviço de Deus (Lv 23:4). Como sinais (14) falam por Deus, não pelo destino (Jr 10:2; cf. Mt 2:9; Lc 21:25,28), pois governam (16, 18) ape­nas como luzeiros, não como potestades. Nestas poucas e simples sen­tenças desmascara-se a falsidade de uma superstição antiga como a Ba­bilônia[12] e moderna como um horóscopo de jornal.


1:20-23. O quinto dia.

20. RVmg reproduz o hebraico: “... enxameiem com enxames de criaturas vivas” (ver nota sobre 11,12). Seres viventes, AA (Criaturas vivas, RSV), é a mesma expressão traduzida por “alma vivente” em 2:7 (ver nota sobre esta passagem). Aves (AA, AV, RV) ou pássaros (RSV) são literalmente “coisas voadoras”, e podem incluir os insetos {cf. Dt 14:19,20). Firmamento dos céus (O firmamento aberto, AV, RV) devia ser traduzido simplesmente por através do firmamento (RSV). É de no­vo a linguagem descritiva de como as coisas parecem ser, quando olha­mos para a abóbada celeste.

21,22. Os animais marinhos (tanniriim), (monstros do mar, RV, RSV; baleias, AV), são particularmente notáveis, visto que para os cananeus esta era uma palavra nefasta, usada para representar os poderes do caos que defrontaram Baal no princípio. Aqui são justamente cria­turas magníficas (como o leviatã çm SI 104:26; Jó 41:1, AV), desfrutan­do a bênção de Deus como as demais criaturas (22). Conquanto em al­gumas passagens esses nomes simbolizem inimigos de Deus (ex., Is 27:1), escarnecidos com as mesmas expressões com as quais Baal canta vitórias sobre eles,[13] este capítulo não deixa dúvida de que as mais terríveis criaturas provêm das mãos de Deus. Podem existir rebeldes no Seu reino, não porém rivais. Contudo, para os cananeus, os adversários de Baal eram deuses como ele próprio, ou demônios aos quais era preci­so fazer propiciação;[14] e para os babilônios, o monstro do caos, Tiamat, existia anteriormente aos deuses. Y. Kaufmann mostra quão pro­fundamente esta idéia afetava a religião não-israelita, pois o cultuador nunca podia ter a certeza, como podemos, de que no serviço a Deus há paz; havia sempre outros fatores desconhecidos no fundo.[15] [16]


1:24-31. O sexto dia.

24. Produza a terra: ver nota sobre 11. Seres viventes, como em 20, é a mesma expressão traduzida por “alma vivente” em 2:7 (ver nota sobre este v.). A palavra para répteis na verdade não indica uma classi­ficação científica incluindo somente os répteis, mas descreve o movi­mento suave ou o rastejar de várias espécies de criatura (AV: coisa que rasteja). O verbo hebraico já apareceu no v. 21 (move-se, AV; ras­tejam, AA), referindo-se evidentemente ao deslizar dos peixes, como no SI 104:25. Provavelmente as três espécies de animais que constam no versículo 24 são, falando em termos amplos, o que chamaríamos de animais domésticos, animais de pequeno porte e animais de caça.

26. Façamos o homem. Nos dois capítulos iniciais de Gênesis o homem é retratado como ao nível da natureza e acima dela, em continuidade em relação a ela, e em descontinuidade. Partilha o sexto dia com outras criaturas, é feito do pó como elas (2:7,19), alimenta-se co­mo elas (1:29,30) e se reproduz sob uma bênção semelhante à delas (1:22,28). Assim, pode muito bem ser estudado em parte mediante o es­tudo delas. Elas constituem a metade do seu contexto. Mas a ênfase cai na distinção que há entre ele e elas. Façamos está em tácito contraste com ‘‘Produza a terra” (24); a nota de auto-comunhão e o plural ma­jestático proclamam-no um momentoso passo; isto feito, a criação in­teira está completa. Em comparação com os animais, o homem é co­locado em posição à parte por seu ofício (1:26, 28; 2:19; cf. SI 8:4-8; Tg 3:7), e ainda mais por sua natureza (2:20); mas o apogeu da sua glória é sua relação com Deus.

Os termos, à nossa imagem, conforme à nossa semelhança, são caracteristicamente arrojados. Se a palavra imagem parece demasiado pictórica, há o restante da Escritura para governá-la. Mas de um só gol­pe ela imprime na mente a verdade central a nosso respeito. As palavras imagem e semelhança se reforçam mutuamente; não consta “e” entre as frases, e a Escritura não as emprega como expressões tecnicamente distintas, como querem alguns teólogos. Segundo estes, a “imagem” é a indelével constituição do homem como ser racional e como ser moral­mente responsável, e a “semelhança” é aquela harmonia com a vonta­de de Deus, perdida na queda. A distinção existe, mas não coincide com esses termos. Depois da queda, ainda se diz que o homem é segundo a imagem de Deus (Gn 9:6) e à Sua semelhança (Tg 3:9). Nem por isso se requer menos dele que se refaça “segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3:10; cf. Ef 4:24). Ver também Gn 5:1,3.

Quando tentamos definir a imagem de Deus, não basta reagir con­tra um cru literalismo, isolando do corpo a mente e o espírito do ho­mem. Segundo a Bíblia, o homem constitui uma unidade; a ação, o pensamento e o sentimento em unidade com todo o seu ser. Então, este ser vivente, e não alguma destilação dele emanada, é expressão ou transcrição do Criador eterno e incorpóreo em termos de uma existên­cia temporal, corpórea e própria de uma criatura — como se poderia tentar a transcrição, digamos, de um poema épico numa escultura, ou de uma sinfonia num soneto. Neste sentido a semelhança sobreviveu à queda, desde que é estrutural. Enquanto humanos, somos, por defi­nição, à imagem de Deus. Mas a semelhança espiritual — numa pala­vra, amor — só pode estar presente onde Deus e o homem estiverem em comunhão; daí, a queda a destruiu, e a nossa redenção torna a criá-la e a aperfeiçoa. “Amados, agora somos filhos de Deus,... quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é” (1 Jo 3:2, RSV, AA; cf. 4:12).

Entre as implicações da doutrina, podemos notar que, do lado que visa a Deus, ela exclui a idéia do nosso Criador como sendo “totalmen­te Outro”. Quanto ao homem, requer que levemos todos os seres hu­manos infinitamente a sério (cf. Gn 9:6; Tg 3:9). E nosso Senhor inclui mais, que a estampa de Deus em nós constitui uma declaração de pro­priedade (Mt 22.20,21).

Façamos... nossa... nossa. Alguns, como por exemplo Delitzch e von Rad, interpretam o plural como incluindo os anjos, que o Velho Testamento às vezes chama de “filhos de Deus” ou, genericamente, “deus(es)”, (cf. Jó 1:6; SI 8:5 com Hb 2:7; SI 82:1,6 com Jo 10:34,35). Isso pode pretender algum apoio de Gn 3:22 (“como um de nós’’); mas qualquer inferência de que outros tenham tomado parte em nossa criação é completamente alheia ao capítulo como um todo e ao desafio presente em Is 40:14: “Com quem tomou ele conselho?” Trata-se antes do plural de plenitude, que se acha na palavra normalmente empregada para designar Deus (‘elõhim), usada com um verbo no singular; e esta plenitude, vislumbrada no Velho Testamento,[17] haveria de ser revelada como tri-unidade, nos posteriores “nós” e “nossa” de Jo 14:23 (com 14:17), explícitos em AV, implícitos em AA.

O domínio sobre todas as criaturas é “não o conteúdo, mas a consequência” da imagem divina (Delitzsch). Tg 3:7,8 assinala que em grande parte ainda o exercemos — com uma exceção fatal. Hb 2:6-10 e ICo 15:27,28 (citando o SI 8:6) falam da sua plena reivindicação feita por Jesus, e 1 Co 6:3 promete a exaltação do homem redimido a uma posição superior à dos anjos (cf. Ap 4:4). Em doloroso contraste, o nosso recorde humano de exploração daquilo que está à nossa mercê prova a inaptidão dos seres decaídos para governar, estando nós mes­mos desgovernados (cf. o tom sinistro de 9:2).

27.As palavras homem e mulher (AV: macho e fêmea), nesta conjuntura, têm implicações muito amplas, como Jesus demonstrou ao juntá-las com 2:24 para fazer dos dois pronunciamentos as colunas gê­meas do matrimônio (Mc 10:6,7). Definir a humanidade como bisse­xual é fazer cada parte um complemento da outra, e antecipar a doutri­na neotestamentária da igualdade espiritual dos sexos (“todos vós sois um”, G1 3:28; “sois juntamente herdeiros”, 1 Pe 3:7; ver também Mc 12:25). Isto se reafirma em 2:18-25, juntamente com a sua desigualdade temporal (cf. 1 Pe 3:5-7; 1 Co 11:7-12; 1 Tm 2:12,13), e ainda em Gn 5:1,2.

28.E Deus os abençoou. Abençoar não é só conferir uma dádiva mas também uma função (cf. 1:22; 2:3; cf. também as bênçãos de des­pedida de Isaque, Jacó e Moisés), e fazê-lo com ardoroso interesse. Em seu ponto mais alto, é Deus voltar inteiramente o Seu rosto de modo fa­vorável para o beneficiário (cf. Nm 6:24-26), dando-se a Si mesmo (At 3:26). Sobre as implicações de sujeitai-a, ver a nota adicional sobre o capítulo 3, pp. 68s.

29,30. Não é preciso forçar o sentido da destinação de toda planta verde para alimento (RSV) a todas as criaturas como significando que outrora todas eram herbívoras, do mesmo modo como não se precisa entender que todas as plantas eram igualmente comestíveis para todas. É uma generalização de que, direta ou indiretamente, toda vida depen­de da vegetação, e o interesse do versículo é mostrar que todos recebem sustento das mãos de Deus, Ver também o comentário de 9:3.

31. Viu Deus... “Faz parte da história da criação o fato de que Deus completou Sua obra e a defrontou como uma totalidade comple­ta” (K. Barth).[18] [19] Por Sua graça, algo além dele próprio tem assegura­da não só a existência mas também certa medida de autodetermina­ção. E se cada pormenor da Sua obra foi declarado “bom” (4,10,12,18,21,25), o conjunto todo é muito bom. O Velho e o Novo Testamentos endossam de igual modo isto em seu chamamento a uma agradecida aceitação das coisas materiais (exs., SI 104:24; 1 Tm 4:3-5) como provindas de Deus e destinadas a Deus.


2:1-3. O sétimo dia.

A obra consumada por Deus é selada segundo a palavra descansou (2,3: literalmente “cessou”; de sabat, raiz de “sabbath”). É o repouse da realização cumprida, não da inatividade, pois Ele nutre o que cria. Podemos compará-lo com o simbolismo desta descrição: Jesus “assentou-se” depois de consumar a redenção (Hb 8:1; 10:12), para dispensar benefícios aos Seus.

Nosso Senhor baseou o Seu construtivo uso do sábado neste mo­do de entender o repouso divino (“Meu Pai ainda está trabalhando”, Jo 5:17, RSV), e Seu dito de dois gumes em Mc 2:27,28 preserva a nor­ma de dar (abençoou Deus) e reivindicar (e o consagrou, RV, RSV) implícita no versículo 3. Caracteristicamente, Ele ia até “o princípio” para ministrar o Seu ensino; cf. Mc 10:6.

Mas o repouso de Deus estava impregnado de algo mais que a dádiva do sábado; inclui amplamente ainda a promessa ao crente, o qual é convocado a participar dele (Hb 3:7-4:11). Como bem disse G. von Rad: “A declaração sobe, por_assim dizer, ao próprio lugar de Deus e testifica que com o Deus vivente há repouso... Ainda mais, que Deus ‘abençoou’, ‘santificou’... este repouso significa que” o autor “não o considera como algo para Deus somente, mas como algo que in­teressa ao mundo. Portanto, está sendo preparado o caminho para... o bem final, o bem salvífico”. Está notoriamente ausente a fórmula que arremata cada um dos seus primeiros dias com o lançamento de tarde e manhã, como se querendo falar da “perspectiva infinita” (Delitzsch) do sábado de Deus.


Nota Adicional sobre os Dias da Criação

A simetria do esquema de Gênesis 1 levanta a questão se devemos entender o capítulo cronologicamente ou de alguma outra maneira. É concebível que a idéia de “forma e repleção” tenha imposto a presente disposição ao material, parte do qual desenvolve-se em ordem diferente no capítulo 2 com vistas a uma ênfase diferente. Ou ainda, como Karl Barth o vê, a menção da luz antes da do sol e da lua poderia ler-se como “franco protesto contra toda e qualquer espécie de culto do sol”,[20]caso em que o objetivo polêmico teria de ser levado em conta como contri­buindo para a estrutura. Outra teoria faz dos seis dias uma seqüência de dias de instrução dada ao autor, não dias da criação propriamente dita. Mas ela repousa em grande parte numa errônea compreensão da pala­vra “fez”, em Êx 20:11.[21] Também, um interesse litúrgico poderia ex­plicar o esquema de dias, se se pudesse evidenciar que este “hino” da criação foi composto para a celebração de uma semana do Festival do Ano Novo em Israel, semelhante ao rito babilónico de Akitu[22] — hipótese baseada em fundamento particularmente pobre. Ainda, porém, pode-se insistir em que a ordem pertence à forma poética da passagem, e não deve ser salientada demais, visto que o interesse do au­tor é expor-nos o mundo visível como obra das mãos de Deus, e não informar-nos de que este aspecto é mais antigo do que aquele.[23] Justa­mente como seria impossivelmente prosaico inquirir o autor de, por exemplo, Jó 38 sobre “os odres dos céus” ou “os laços do Órion”, as­sim seria a errônea abordagem desta passagem esperar que seu esquema de dias seja informativo, e não estético.

Talvez, uma ou outra dessas sugestões justifique a intenção do capítulo. Entretanto, para o presente escritor, a marcha dos dias é um avanço progressivo majestoso demais para não incluir nenhuma idéia de seqüência ordenada. Álém disso, parece muita sutileza adotar uma conceituação da passagem que elimine uma das impressões primordiais que ela causa no leitor comum. É uma história, e não apenas uma de­claração. Como acontece com toda narrativa, exigiu a escolha de uma perspectiva, do material componente e de um método de narrar. Em ca­da um destes itens, a simplicidade constitui a nota dominante. A lin­guagem é a de todo dia, descrevendo as coisas segundo a sua aparência. Os contornos da história são nítidos, livres de exceções e qualificações que distraem a atenção, livres também para agrupar matérias da mesma categoria (de modo que as arvores, por exemplo, antecipam a sua loca­lização cronológica para entrarem ha classificação do mundo vegetal), para cumprir um grande propósito no qual as exigências, ora de se­qüência no tempo, ora de conteúdo e assunto, dirigem a apresentação, e o quadro completo revela o Criador e os Seus preparativos de um lu­gar para nós.

A idéia de que o capítulo pretende revelar a seqüência geral da criação naquilo que ela afetou esta terra, baseia-se no caráter que transparece do escrito. Pode-se pensar, porém, que essa idéia é reforçada pe­lo notável grau de correspondência que se pode ver entre esta seqüência e a deduzida pela ciência atual. Isso tem sido exposto muitas vezes, e nem sempre por aqueles que se apóiam em alguma porção de precisão bíblica fatual em passagens desta espécie, como o demonstrará o se­guinte extrato do ensaio de Edwyn Bevan:

“Os estágios pelos quais a terra veio a ser o que é não po­dem, na verdade, adequar-se ao relato que a ciência moderna fa­ria do processo, mas em princípio parecem antecipar a descrição científica por um lampejo da imaginação, que o cristão pode cha­mar também de inspiração. Supondo que pudéssemos ser trans­portados para trás no tempo, a diferentes momentos do passado do nosso planeta, vê-lo-íamos primeiro numa condição em que não haveria nenhuma porção de terra distinguível da água, e so­mente uma luz fosca proveniente do sol invisível pelas densas massas de nuvem que envolviam tudo. Num momento posterior, havendo-se secado o globo, a terra teria aparecido. Noutro mo­mento mais tardio, teriam começado a existir formas inferiores de vida animal e vegetal. Mais cedo ou mais tarde, no processo, as massas de nuvens se teriam tornado tão finas e partidas que uma criatura que estivesse na terra veria acima dela o sol, a lua e as es­trelas. Num momento mais tardio ainda, veríamos a terra dos grandes monstros primitivos. E finalmente veríamos a terra com sua atual fauna e flora, e o produto final da evolução animal — o homem.”[24]

Os dias da criação podem ser compreendidos de modo semelhante. Dão ao leitor um meio simples para relacionar a obra de Deus na criação com a obra de Deus aqui e agora na história. Enquanto que um relato científico teria de falar de eras, não de dias, e teria de agrupá-las para demarcar as fases cientificamente significativas, o presente relato abrange de um golpe a mesma cena por seu significado teológico. Com isto em vista, fala de dias, não de eras, e os agrupa numa semana. O sig­nificado da semana fica explícito na santificação do sábado (2:3; cf. Êx 20:11; 31:17), que faz do adequado ritmo de trabalho e descanso do ho­mem um lembrete e uma miniatura do ritmo do Criador. E é bem possível que a divisão do período em dias não pretenda incluir nada mais que isso.[25] Contudo, os dias não são essenciais à idéia do sábado, pois este pode ser expresso em unidades mais prolongadas (Lv 25:4,8) e uma razão independente se apresenta para o termo. É simplesmente a brevidade de um dia.

Para o leitor moderno, isto levanta de vez a questão da precisão científica. Uns podem argumentar que “dia” pode ter o sentido de “época” (cf., por ex., SI 90:4; Is 4:2), ou que os dias de Deus não têm, nenhuma analogia humana (como Agostinho,[26] e Orígenes[27] antes dele, insistiam). Outros tomarão literalmente os dias, achando neles uma prova da falibilidade humana: uma casca de erro fatual cobrindo o bom trigo da teologia do capítulo. A suposição comum a estas interpre­tações é que Deus não nos faria retratar a criação comprimida em ape­nas uma semana. Mas talvez seja exatamente isto que Deus queira que façamos. A história da criação tem servido de baluarte contra uma su­cessão de erros variáveis segundo a moda — politeísmo, dualismo, eter­nidade da matéria, o mal inerente à matéria, astrologia — e, não com menor força, contra toda tendência de esvaziar de sentido a história hu­mana. Resiste explicitamente a esse niilismo exibindo o homem como imagem de Deus e como regente designado por Ele. Mas também o faz implicitamente, apresentando os tremendos atos de criação como um simples instrumento para fazer subir a cortina para o drama que lenta­mente se desenrola através de toda a extensão da Bíblia. O prólogo cabe numa só página; o restante ocupa mil.

Se todas as gerações precisaram desta ênfase, talvez nenhuma teve maior necessidade dela do que a era do conhecimento científico. A explicação científica do universo, realista e indispensável como é, engolfa-nos em estatísticas que reduzem nossa evidente significação até quase fazê-la desaparecer. Não o prólogo, mas a própria história humana é agora uma única página tornada mil, e o volume total da ter­ra se perde entre milhões não catalogados. Em face destas imensidões, não devíamos ter a ousadia de firmar-nos em nosso tempo e lugar, mas, sim, na Palavra divina que nos orienta e nos revela a verdadeira pro­porção das coisas. Por intermédio da aparente ingenuidade desta narra­tiva centralizada na terra e na história, Deus diz a cada geração, quer sobrecarregada com o peso do conhecimento fatual pertencente à nossa geração, quer sobrecarregada com as desorientadoras fantasias das reli­giões antigas: “Fiquem aqui, nesta terra e neste presente, para captar o sentido do todo. Vejam este mundo como a dádiva e o encargo que lhes dou, com o sol, a lua e as estrelas como seus luzeiros e indicadores do tempo, e as demais criaturas que confio aos seus cuidados. Vejam a era presente como o tempo rumo ao qual a Minha obra criadora estava-se movendo, e os tempos extra-sensoriais da eternidade anterior a ela, ‘co­mo poucos dias’, à semelhança dos anos que Jacó deu por Raquel”.

Talvez esta interpretação não nos satisfaça em dois pontos. Pode­mos objetar, primeiro, que o autor não é capaz de falar, senão literal­mente e, em segundo lugar, que este modo de ler o capítulo o faz culpa­do de dizer uma coisa e querer dizer outra.

O primeiro ponto pode ser verdadeiro, mas mal chega a merecer o nome de objeção. Sabemos que o sentido completo de um pronuncia­mento inspirado estava, muitas vezes, oculto para o orador. Até Caifás é exemplo disto, e o mesmo se diz de Daniel e dos profetas.[28] A verdade latente não torna suas palavras menos suas. Nem devemos fechar os olhos para isto, como se a flor aberta do significado fosse menos autên­tica do que o botão.

O segundo ponto talvez pareça ter maior peso. Se os “dias” não fossem dias mesmo, teria Deus favorecido a palavra? Lida Ele com coi­sas inexatas, embora edificantes? A questão depende do modo próprio de usar a linguagem. Um Deus que não fizesse concessão nenhuma às nossas maneiras de ver e falar não nos comunicaria nada que tivesse sentido. Daí a linguagem fenomenológica do capítulo (como costuma­mos falar de “nascer do sol”, “queda do orvalho”, etc.) e sua perspec­tiva geocêntrica; mas daí também a tremenda redução temporal que faz de eras, dias. Ambas são instrumentos da verdade, diagramas que nos capacitam a construir deveras — e não a construir falsamente — uma totalidade demasiado grande para nós. Não passa de pedantismo brigar com termos que simplificam a fim de esclarecer.






[1] Cf., dentre discussões recentes, von Rad, p. 46; B. S. Childs, Myth and Reality in the Old Testament, p. 31; W. Eichrodt, “In the Beginning”, em Israel’s Prophetic Heri­tage, edit, por Anderson and Harrelson (S. C. M. Press, 1962), p.. 1-10; P. Humbert, ZAW, LXX, 1964, p. 121-131. 


[2] Se o versiculo 2 pretendesse contar uma catástrofe (“E a terra tornou-se...”), co­mo alguns sugerem, seria empregada a construção hebraica própria das narrativas, e não a construção circunstancial que aqui se vê. Ver o debate entre P. W. Heward e F. F. Bruce em JTVI, LXVIII, 1946, p. 13-37. Cf. E. J. Young em WTJ, XXIII, 1960-1, p. 151-178. Para mais ampla crítica da teoria do “intervalo”, ver B. Ramm, The Christian View of Science and Scripture, p. 135-144. 


[3] O árabe bhy oferece possível pista do seu significado. 


[4] Ver a bem documentada discussão na obra de D. F. Payne, Genesis One Reconsi­dered (Tyndale Press, 1964), p. 10. 


[5] Alguns preferem traduzi-lo por “um poderoso vento” (ex., von Rad, p. 47). Mas Dn 7:2, que reflete esta passagem, mostra que um escritor que quisesse comunicar esse • significado, poderia fazê-lo sem exigir que seus leitores o adivinhassem na expressão cos­tumeiramente usada com referência ao Espírito de Deus, construída de modo incomum. 


[6] Por ex., B. S. Childs, Myth and Reality in the Old Testament, p. 30-42. 


[7] Por ex., H. Gunkel, Genesis 4, p. 104, citado em B. S. Childs, op. cit. 


[8] Deve-se em grande parte este quadro a W. H. Griffith Thomas, Genesis: A Devo­tional Commentary (ed. de 1946, Eerdmans), p. 29. Cf. Driver, p. 2, no uso dos termos preparation (preparação) e accomplishment (realização). 


[9] Ver a nota adicional das pp. 


[10] Cf. K. Barth, Church Dogmatics, III, 1 (T. and T. Clark, 1958), p. 167. 


[11] Para uma discussão mais extensa, ver H. R. Stroes em VT, XVI, 1966, p. 460-475. 


[12] Cf. Enumaelish, V:l,2: “Ele construiu as estações para os grandes deuses,/ Fi xando como constelações as suas aparências astrais” (ANET\ p. 67). A crença é mais an tiga do que o poema. 


[13] Ver DOTT, p. 129, linhas 24s. e notas 16,17, p. 132. 


[14] UM, p. 333, s.v. tnn. Também UT, p. 499, ditto. 


[15] The Religion of Israel (Allen and Unwin, 1961), cap. II, principalmente, pp. 21-24. 


[16] Noioriginal, em francês: Vis-à-vis. N. do Tradutor. 


[17] Ver Introdução, pp. 31s. 


[18] Church Dogmatics, III, 1, p. 222. 


[19] Genesis, p. 60. 


[20] K. Barth, Church Dogmatics, III, 1, p. 120s. 


[21] P. J. Wiseman, Creation Revealed in Six Days (Marshall, Morgan and Scott, 1948), p. 33s. 


[22] Hooke, p. 36. . 


[23] J. A. Thompson, “Criação” (artigo em NDB, p. 346); cf. D. F. Payne, Genesis One Reconsidered, p. 19—23. 


[24] Edwyn Bevan, em Hooke, p. 161. Citado com permissão da Clarendon Press, Ox­ford 


[25] Cf. D. F. Payne, Genesis One Reconsidered, p. 17ss. 


[26] The City of God, XI, vi. 


[27] DePríncipiis, iv.3, citado por E. Bevan, em Hooke, p. 155. 


[28] Ver Jo 11:49-53; Dn 12:8,9; 1 Pe 1:10-12.



KIDNER, Derek. Gênesis - Introdução e Coemntário, Vida Nova, 2001.