9 de novembro de 2015

Norman Geisler - A Idade da Terra

criacionismo-evolucionismo
A IDADE DA TERRA 

Pelo visto, não há modo de provar qual é a verdadeira idade do universo, quer pela ciência ou pela Bíblia, pois há intervalos conhecidos e possíveis nas genealogias bíblicas (ver mais adiante). Além do mais, há pressuposições impossíveis de provar na maioria, se não em todos os argumentos científicos a favor de uma terra velha (ver mais adiante), quer dizer, uma terra de milhões ou bilhões de anos é biblicamente possível, mas não absolutamente provável. 

Intervalos no Registro Bíblico 

O bispo James Usher (1581-1656), cuja cronologia foi usada na Bíblia Scofield, argumentou que Adão foi criado em 4.004 a.C. Todavia os cálculos estão baseados na suposição de que não há intervalos nas tábuas genealógicas de Gênesis 5 e 11, enquanto que sabemos que há. Por exemplo, a Bíblia diz: “Arfaxade [...] gerou a Salá” (Gn 11.12), mas na genealogia de Jesus registrada em Lucas 3.35,36, consta “Cainã” entre Arfaxade e Salá. Se há um intervalo, pode haver mais — e na verdade sabemos que há. Por exemplo, Mateus 1.8 diz: “Jorão gerou a Uzias”, mas a listagem paralela em 1 Crônicas 3.11-14 (ARA) mostra gerações ausentes entre Jorão (Jeorão) e Uzias (Azarias), isto é, Acazias, Joás e Amazias. Não sabemos quantos intervalos há nas genealogias bíblicas e quanto tempo eles representam. Seja como for, há brechas e, por conseguinte, não dá para fazermos cronologias completas-, são dadas somente genealogias pontuais (linhas de descendência). 

Pressuposições nos Argumentos Científicos 

Há muitos argumentos científicos a favor de um universo velho, alguns dos quais são persuasivos. Contudo, nenhum destes é infalível, e todos podem estar errados. Alguns exemplos ilustrarão o que quero dizer sobre a razão de não sermos dogmáticos de uma forma ou de outra. 

A Velocidade da Luz não E Confiável 

Apesar dos fatos que Albert Einstein (1879-1955) considerou serem absolutos e que a ciência moderna tem reputado serem imutáveis, ainda não se provou que a velocidade de luz nunca tenha mudado. A velocidade da luz (aproximadamente trezentos mil quilômetros por segundo) é uma das premissas aos muitos argumentos que favorecem uma terra velha. Contudo se a velocidade de luz é constante e se Deus também não criou os raios de luz quando Ele criou as estrelas, então se conclui que o universo tem bilhões de anos, pois levou milhões de anos para essa luz chegar até nós. Não obstante, estes são grandes “ses” que não foram provados, e pelo visto são impossíveis de provar. Portanto, ainda que os argumentos da velocidade da luz em prol de um universo velho possam ser plausíveis, eles não chegam a ser uma prova demonstrável. 

A Datação Radioativa , 

Sabemos que os elementos U235 e U238 (urânio) emitem isótopos de chumbo a uma conhecida taxa por ano. Medindo a quantidade do seu depósito, podemos calcular quando a decomposição começou. Muitas pedras antigas na crosta da terra foram datadas em bilhões de anos por este método. Mas por mais plausível que seja, não é um fato provado, pois temos de presumir pelo menos duas coisas que não podem ser provadas para chegarmos à conclusão de que o mundo tem bilhões de anos. 

Primeiro, temos de presumir que não havia depósitos de chumbo no princípio. 

Segundo, temos de presumir que a taxa de decomposição têm permanecido inalterada ao longo da história. Isto não foi provado. Por conseguinte, a datação radioativa não prova acima de toda dúvida que o mundo tenha bilhões de anos. 

A Quantidade de Sal no Mar 

O mesmo é verdadeiro acerca de todos os argumentos a favor de uma terra velha. Por exemplo, os oceanos têm certa quantidade conhecida de sal e minerais, e estes elementos entram no oceano a determinada taxa por ano. Por matemática simples, podemos determinar quantos anos isto tem acontecido. Contudo, aqui também temos de presumir (1) que no começo não havia sal e minerais no oceano, e (2) que a taxa não mudou ao longo dos anos. Um dilúvio universal, como a Bíblia descreve, teria mudado a taxa de depósitos durante esse período. 

Tudo isto não quer dizer que o universo não tenha bilhões de anos — pode ter. Contudo, isto não foi provado sem sombra de dúvida, e os argumentos apresentados a favor possuem pressuposições que não foram ou não podem ser provadas, no entanto, dada a base da física moderna, é plausível que o universo tenha bilhões de anos. E, como demonstrado acima, não há nada na Bíblia que contradiga isto. Diante disso, as conclusões a seguir são apropriadas: [1]  a famosa “Declaração de Chicago” [1978] sobre ainerrância da Bíblia [ver Volume 1, capítulos 14 e 27]). 

FONTES 

Augustine. The City of God. [Edição brasileira: Agostinho. A Cidade de Deus (Petrópolis: Vozes, 2000).] 

Geisler, Norman L. Knowing the Truth About Creation. 

Geisler, Norman L. “Genealogies, Open or Closed”, in: Baker Encyclopedia of Christian Apologetics. [Edição brasileira: Enciclopédia de Apologética: Respostas aos Críticos da Fé Cristã (São Paulo: Vida, 2002).] 

Gosse, Philip Henry. Omphalos: An Attempt to Untie the Geological Knot. 

Morris, Henry. Biblical Cosmology and Modern Science. 

____________ . The Genesis Record. 

Newman, Robert C, and Herman Eckelmann, Jr. Genesis One and the Origin of the Earth. Ramm, Bernard. The Christian View of Science and Scripture. 

Ridderbos, Herman. Is There a Conflict Between Genesis 1 and Natural Science? 

Ross, Hugh. Creation and Time. 

Stoner, Don. A New Look at an Old Earth. 

Waltke, Bruce. “The Creation Account in Genesis 1:1-3; Part I: Introduction to Biblical Cosmogony”, in: Bibliotheca Sacra. 

____________ . “The Creation Account in Genesis 1:1-3; Part II: The Restitution Theory”, 

in: Bibliotheca Sacra. 

____________ . “The Creation Account in Genesis 1:1-3; Part III: The Initial Chaos Theory 

and the Precreation Chaos Theory”, in: Bibliotheca Sacra. 

____________ . “The Creation Account in Genesis 1:1-3; Part IV: The Theology of Genesis 

1”, in: Bibliotheca Sacra. 

____________ . “The Creation Account in Genesis 1:1-3; Part V: The Theology of Genesis 

1 Continued”, in: Bibliotheca Sacra. 

Wiseman, Donald. Creation Revealed in Six Days. 

Young, Davis. Christianity and the Age of the Earth. 

Young, Edward J. Studies in Genesis One. 



[1] Não há conflito comprovado entre Gênesis 1 e 2 e os fatos científicos. 

(2) O conflito real não está entre a revelação de Deus exarada na Bíblia e os fatos científicos; está entre a interpretação que alguns cristãos fazem da Bíblia e as teorias de muitos cientistas sobre á idade do mundo. 

(3) A ciência não provou que é impossível a visão de seis dias sucessivos de vinte e quatro horas. 

(4) Uma interpretação literal de Gênesis é consistente com um universo que tenha bilhões de anos. 

(5) Considerando que a Bíblia não diz exatamente qual é a idade do universo, a idade da terra não deve ser um teste de ortodoxia. Na realidade, muitos estudiosos ortodoxos defendem que o universo tenha milhões de anos ou mais (como Agostinho, B. B. Warfield, C. I. Scofield, John Walvoord, Francis Schaeffer, Gleason Archer, Hugh Ross e a maioria dos líderes do movimento que produziu a famosa “Declaração de Chicago” [1978] sobre ainerrância da Bíblia [ver Volume 1, capítulos 14 e 27]).


GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. CPAD, 2010.