11 de novembro de 2015

John Bright: A Monarquia dividida: Os primeiros cinquenta anos (922-876)

antigo-testamento-bíblia
OS REINOS INDEPENDENTES DE ISRAEL E JUDÁ

Da morte de Salomão até a metade do século oitavo

Assim que Salomão morreu (922), a estrutura por Davi
levantada desabou precipitadamente, sendo substituída por dois
Estados rivais de importância secundária. Estes Estados viveram lado a lado, às vezes em guerra entre si, outras vezes
em amigável aliança, até que o Estado do norte foi destruído
pelos assírios, precisamente duzentos anos mais tarde (722/1).

O período do qual nos ocupamos agora é um período de
grande depressão, em muitos aspectos o menos interessante da
história de Israel. A idade heróica des primórdios da nação já
tinha terminado. Mas a idade trágica de sua luta de morte
ainda não tinha começado. Foi, podemos dizê-lo, um tempo que
presenciou tantos acontecimentos como qualquer outro, porém
foram relativamente poucos os de significação duradoura.

Sobre esse período temos informações precisas, embora
nem sempre com os detalhes que seriam de se desejar. Nossa
principal fonte é o Livro dos Reis, parte do grande corpo
histórico que foi provavelmente composto um pouco antes da queda de Jerusalém, e que, embora mais preocupado com a
avaliação teológica da monarquia do que com os pormenores
de sua história, tira o grosso de seu material dos anais oficiais dos dois reinos ou, mais provavelmente, de um resumo
deles (cf. lRs 14,19.29) [1].

A narrativa do Cronista, embora repetindo na maior parte
o material do Livro dos Reis, fornece algumas informações
adicionais de grande valor[2]. Os livros dos antigos profetas,
Amós e Oséías, lançam mais luz sobre a situação interna da
história de Israel no fim do período. Além das fontes bíblicas,
temos ainda, para o primeiro período, numerosas inscrições contemporâneas que se referem diretamente à história de Israel e
projetam luz sobre não poucos detalhes.

A. A MONARQUIA DIVIDIDA: OS PRIMEIROS CINQUENTA ANOS (922-876)

1. O Cisma e suas conseqüências

Como dissemos no capítulo anterior, a política opressiva
de Salomão tinha alienado completamente o norte de Israel
do governo de Jerusalém. Somente a mão forte desse rei evitara uma séria rebelião. É, portanto, bastante normal que, assim que a mão de Salomão se retirou, o ressentimento contido
tenha explodido, desmembrando Israel.

A Secessão do Norte de Israel (lRs 12,1-20). — Tem-se a impressão de que o explosão poderia ter sido evitada se o filho de Salomão, Roboão, tivesse sabedoria e tato. Mas tal
não era o caso. Pelo contrário, sua arrogância e estupidez tornavam a separação inevitável.


Roboão teria certamente subido ao trono de Jerusalém
e sido aceito como rei em Judá sem incidentes. Afinal de
contas, Jerusalém era uma possessão real, e as pretensões da
Casa de Davi parecem ter sido tão completamente aceitas em
Judá que o princípio da sucessão dinástica nunca foi lá questionado.

Mas, uma vez que a monarquia era dupla, uma união de
Israel e Judá na pessoa do rei, era necessário que Roboão se
dirigisse a Siquém para ser aclamado rei de Israel pelos representantes das tribos do norte[3]. Mas ele as encontrou intratáveis. Como preço para aceitá-lo, exigiram que as pesadas
cargas impostas por Salomão, particularmente a corvéia, fossem
aliviadas. Se Roboão houvesse cedido, é possível que o Estado
tivesse sido salvo. Mas ele desconhecia ou desprezava completamente os verdadeiros sentimentos de seus súditos. Rejeitando os conselhos de pessoas mais prudentes e agindo de
acordo com os conselhos dos jovens como ele, Roboão rejeitou
com insolência as reivindicações. Então, os representantes de
Israel, irritados, anunciaram a secessão do Estado.

O chefe de corvéia de Roboão, que foi enviado por ele
provavelmente para chamar os rebeldes à ordem por meio de
açoites, foi linchado, e o próprio Roboão teve que fugir ignominiosamente. Então, as tribos do norte elegeram Jeroboão,
que nesse ínterim voltara do Egito, como seu rei (v. 20) [4]. O
cisma representava tanto o recrudescimento daquela independência tribal que Davi e Salomão tinham reprimido mas nunca
sufocado quanto a rebelião de Seba (2Sm 20), o repúdio de
parte de Israel à sua união com Judá sob a Casa de Davi. É
claro que as medidas opressivas de Salomão eram primariamente responsáveis pela situação. Mas, por parte de alguns
também estava envolvido o desejo de reativar uma tradição de
liderança mais antiga, como indica o papel desempenhado por
certos profetas. Devemos recordar que um deles, Aias, em
nome de Iahweh, tinha designado Jeroboão rei de Israel, encorajando-o deste modo ao combate (lRs 11,29-39); e outro
profeta, Semeias, quando Roboão reuniu suas forças para sufocar a rebelião (c. 12,21-24), ordenou-lhe que desistisse, declarando que o que havia acontecido era a vontade de Deus [5].


Estes profetas certamente mantinham-se, como Samuel, na
tradição anfictiônica. Eles sentiam profundamente a interferência
do Estado nas prerrogativas tribais, e consideravam tanto o
severíssimo tratamento de Salomão em relação a seus súditos
quanto a promoção que ele dava ao culto de deuses estrangeiros (c. 11,1-8) como graves violações da aliança com
Iahweh. Apegando-se à tradição da liderança carismática, eles
não reconheciam o direito da dinastia davídica a governar
Israel perpetuamente. Além disso, eles quase com certeza não
gostavam da anexação estatal do templo central das tribos israelitas e da usurpação de seu controle. Não tem quase
significação o fato de que Aias talvez fosse de Silo. Estes
profetas representavam um desejo existente em Israel, de sair
de um estado davídico-salomônico para uma ordem mais antiga,
até mesmo por meio de uma revolução, se fosse necessário.

É interessante que a elevação de Jeroboão ao poder tenha
seguido, pelo menos formalmente, o modelo da elevação de
Saul: designação profética seguida de aclamação popular.

a. O colapso do Império. — Qualquer que tenha sido o
fator que o desencadeou, as conseqüências do cisma foram desastrosas. O império arruinou-se quase da noite para o dia.
Nem Israel nem Judá, ocupados com problemas internos, tinham a força e a vontade para deter esta ruína ou mesmo
tentar detê-la: o desmoronamento seguiu seu curso por falta
de resistência. Os territórios arameus do nordeste, quase parcialmente perdidos pela queda de Damasco, não mais podiam
ser mantidos.

Pelo contrário, Damasco consolidou rapidamente sua posição e tornou-se, dentro de uma geração, uma séria ameaça para o próprio Israel[6]. Para o sul, as cidades filistéias — exceto Gat, que ainda era dominada por Judá (2Cr 11,8) estavam livres da dominação israelita. Embora os filisteus
não fossem mais perigosos, os combates de fronteira com eles
perto de Gebeton[7] (lRs 15,27;16,15), ocuparam Israel durante muitos anos.

No leste, a situação era igualmente má. Amon, cuja coroa
havia sido assumida por Davi (2Sm 12,30), não devia fidelidade a Israel e não podia ser dominado por Judá, que já não
tinha acesso direto a ele; certamente um estado independente
no próximo século, sem dúvida nenhuma ele declarou sua independência nessa época.

Do mesmo modo, parece que Moab também se tornou
independente. Uma vez que a pedra moabita atribui a Omri
sua reconquista por Israel (876-869) [8] ela pode mesmo ter
expandido suas possessões ao norte, nesse ínterim, às custas dos
clãs adjacentes de Israel.

Quanto à Edom, a situação não é clara. O fato de parecer que Judá ainda conservava o caminho para o golfo de
Acaba pode significar que continuava a exercer algum controle
sobre as terras edomitas adjacentes. Porém, não temos meios
para dizer se este controle era grande ou pequeno, transitório
ou duradouro.

Israel e Judá tornaram-se estados de segunda categoria:
Judá, com suas antigas possessões tribais, mais as áreas fronteiriças na planície dos filisteus (Gat), o Negeb até Asiongaber, e talvez parte de Edom; Israel, com as antigas possessões
tribais, mais as primitivas cidades canaanitas da planície costeira setentrional e Esdrelon, e talvez por algum tempo, certos
territórios arameus a leste do mar de Galiléia.

O império de Davi e Salomão havia desaparecido. Podemos
presumir que as conseqüências econômicas deste fato foram
graves. Os tributos deixaram de ser recebidos. Com as rotas
comerciais ao longo da costa e através da Transjordânia agora
fora do monopólio israelita e com lutas internas que dificultavam a livre passagem do comércio e algumas vezes a tornavam impossível, a maior parte das aventuras lucrativas de
Salomão sofreu um colapso total. Embora não tenhamos provas
evidentes do fato, a economia de Istael deve ter sido severamente prejudicada.

2. Os Estados rivais: guerra regional

O cisma foi seguido por duas gerações de guerra regional
esporádica, que não levava a nenhuma conclusão, e durante as quais a posição de ambos os Estados piorava cada vez mais.

a. A primeira geração: Roboão de Judâ (922-915) e Jeroboão de Israel (922-901). — Roboão parece que não fez
nenhum esforço para forçar a reintegração do norte de Israel ao
reino. Provavelmente consciente de que Judá era menor que
Israel e pensando finalmente na violenta hostilidade existente
contra ele no norte, Roboão sabia que tal coisa era impossível.
A organização militar criada por Salomão certamente não poderia ajudá-lo. Podemos supô-lo, tanto porque muitos de seus
soldados já não lhe eram fiéis, como porque grande parte deles
estava estacionada nas guarnições do norte, fora do seu controle;
as tropas disponíveis em Judá não eram suficientes. Além disso,
a população de Judá provavelmente tinha pouco entusiasmo pela
guerra. O oráculo de Semeias, sem dúvida, refletia um sentimento muito difundido: “Eis o que diz o Senhor: ‘Não subais
para combater contra vossos irmãos, os filhos de Israel. Volte
cada qual a sua casa, porque de mim procedeu este fato’ ”(lRs 12,21-24).

Jeroboão, entretanto, não podia contar com o apoio permanente dos membros da tribo, desejosos de se livrar de
Jerusalém, ainda que estes, mais os elementos das tropas de
Salomão destacados dentro de suas fronteiras, que ele pode ter
sido capaz de conquistar, asseguravam-lhe uma força bastante
poderosa para defender sua independência.

Não houve, portanto, nenhuma guerra de maior importância.
Os combates havidos eram esporádicos, tendo como motivo
׳ retificação de fronteiras nas terras de Benjamim. Embora as
simpatias dos membros da tribo de Benjamim fossem naturalmente divididas, tratava-se de uma tribo historicamente ligada
ao norte, sede de Saul. Poderia se esperar que ela se tivesse
separado do resto, e possivelmente tenha feito (lRs 12,2״.
Isto, contudo, Roboão não podia permitir. Uma vez que Jerusalém ficava nas próprias fronteiras de Benjamim, sua perda
tornaria a capital indefensável. Roboão, portanto, tomou medidas para ocupar o território de Benjamim (c. 14,30), e certamente conseguiu estabelecer uma fronteira perto dos limites
ao norteu. Como resultado, a capital foi mantida e os interesses de Benjamim foram a partir de então unidos aos de
Judá.

b. A invasão de Susac (lRs 14,25-28). — Todas as
esperanças de Roboão no sentido de ultimar a reconquista de
Israel foram desfeitas por uma invasão egípcia do território
no quinto ano de seu reinado (aproximadamente 918). Durante
a vida de Salomão (aproximadamente 935), a fraca Vigésima
Primeira Dinastia, da qual Salomão fora aliado, havia sido
aniquilada por um nobre da Líbia chamado Susac, que fundou
a Vigésima Segunda Dinastia (Bubastita) [9].

Susac tinha esperanças de reafirmar a autoridade egípcia na
Ásia, e por esta razão procurou por todos os meios ao seu
alcance minar a posição de Israel — por isso é que certamente
ele deu asilo a Jeroboão, contra a ira de Salomão. Roboão,
que certamente conhecia muito bem as intenções de Susac, foi
forçado a procurar defender o reino, embora seja incerto se
foi nesta época ou mais tarde que ele fortificou diversos pontos-chaves para defender-se das incursões contra Judá, vindas
do oeste e do sul (2Cr 11,5-12) [10].

Susac combateu com uma violência terrível. A Bíblia, que
nos diz apenas que Roboão pagou um enorme tributo a Susac
para induzi-lo a retirar-se, dá a impressão de que o ataque foi
dirigido somente contra Jerusalém. A própria inscrição de
Susac em Karnak porém, relacionando mais de 150 localidades
que ele afirma ter tomado, juntamente com evidências arqueológicas, deixa-nos ver a sua verdadeira finalidade.[11]

Os exércitos egípcios devastaram a Palestina de uma extremidade à outra. Penetraram pelo Negeb, reduzindo as fortalezas de Salomão naquela área (Arad e Asicngaber foram certamente destruídas nessa época), e chegaram até Edom. Ao
longo do perímetro de Judá, Gazer foi tomada e destruída,
como indicam as escavações; Dabir e Bet-Sames (embora não
mencionadas na lista) foram igualmente destruídas, mais ou
menos por essa época, provavelmente por Susac. Tendo penetrado nas terras montanhosas e forçado Judá a capitular, os
egípcios continuaram a invasão até o norte de Israel, espalhando a destruição por toda parte. O seu avanço continuou ainda
para leste, até a Transjordânia (Penuel, Maanaim), e para o
norte, até Esdrelon; em Megiddo (mencionada na lista), foi
encontrado um fragmento de um monólito triunfal de Susac[12].
O golpe atingiu fortemente tanto Israel como Judá e, em conseqüência, forçou-os a adiar suas rixas particulares.

Felizmente para ambos, Susac não foi capaz de dar continuidade a suas vitórias e restabelecer o império egípcio na
Ásia. A fraqueza interna do Egito não lho permitiu. Os exércitos egípcios abandonaram suas conquistas e se retiraram da Palestina, deixando talvez uma cabeça de ponte da fronteira
sul, perto de Gerar [13].

Por essa época, Roboão, seriamente ferido e forçado depois disso a manter-se vigilante no sul, não estava de modo
nenhum apto a tomar medidas decisivas contra Israel, embora
o desejasse. A reunião forçada dos dois Estados se havia tornado uma impossibilidade.

c. Outras guerras regionais. — O combate ao longo da
fronteira continuou através do curto reinado do filho de Roboão, Abia (915-913)[14], e do de seu sucessor, Asa (913-873).
O Cronista (2Cr c. 13) nos conta que Abia derrotou Jeroboão
na fronteira de Efraim e, em seguida, avançou para ocupar
Betel e a área circunvizinha (v. 19). O incidente é certamente
histórico[15]. É possível (cf. lRs 15,19) que Abia tenha concluído um tratado com Damasco e que uma demonstração
hostil desta potência tenha rechaçado as forças de Jeroboão,
facilitando assim o avanço de Abia. Mas a vantagem foi temporária, pois na próxima geração Asa viu-se em dificuldades para
defender sua capital. Asa, como Roboão, teve de enfrentar
a invasão do sul, desta vez por parte de Zara, o “etíope”
(2Cr 14,9-14).

Como dissemos, é provável que, ao retirar-se da Palestina,
Susac tenha deixado guarnições na fronteira, nas imediações
de Gerar. É muito possível que Zara fosse comandante de
tropas mercenárias destacadas na região[16]. Não podemos dizer
se sua retirada deveu-se a ordens do sucessor de Susac, Osorcon I (aproximadamente 914-874), à sua própria iniciativa ou
talvez a alguma colaboração com Baasa (900-877), que, nesse
ínterim, se adonara do poder em Israel e estabelecer relações
amigáveis com Damasco (lRs 15,19).

Com efeito, já que não sabemos quando ocorreu este
incidente no reinado de Asa, não podemos nem mesmo ter
certeza se Baasa já se tornara rei, embora provavelmente já se
tivesse tornado, uma vez que Asa, provavelmente uma criança
quando ele subiu ao trono, aparece como adulto na ocasião. De
qualquer modo, Asa encontrou o invasor perto das fronteiras de
Maresa (cf. 2Cr 11,8), derrotou-o e o perseguiu até Gerar,
região que ele devastou. Com isto, cessou a intromissão egípcia
nos negócios palestinos — se é que podemos chamá-la de
intromissão — e, com a fraqueza crônica do Egito, não voltou
a ocorrer por mais de século e meio.

Baasa, entretanto, não queria considerar a fronteira como
fixada. Mais tarde, no reinado de Asa, seus exércitos lança-
ram-se em direção ao sul, rumo às terras de Benjamim, tomando
e fortificando Rama, situada a somente cinco milhas ao norte
de Jerusalém, colocando assim a capital no mais grave perigo
(lRs 15,16-22) [17]. Em desespero, Asa mandou presentes para
Benadad I, de Damasco, pedindo-lhe que rompesse seu acordo
com Baasa e viesse em seu auxílio. Com sua duplicidade característica, Benadad aquiesceu, enviando um exército a toda pressa para o norte da Galiléia e forçando Baasa a bater em retirada [18]. Israel provavelmente perdeu as possessões que ainda
tinha na Transjordânia, ao norte do Yarmuc, nessa época ou
logo depois. Então, Asa rapidamente contratou trabalhadores
para destruir as fortificações de Rama, usando o material
para fortificar Gábaa e Masfa[19], com o que assegurou a fronteira um pouco mais para o norte e removeu o perigo de perto
da capital. Asa também pode ter ocupado novamente a faixa de
terra de Efraim, brevemente em poder de Abia (2Cr 15,8;
17,2).



Esta rivalidade arrastou-se por duas gerações, e ambos os
lados devem ter sentido que nenhum deles poderia chegar à
vitória. Embora os combates tivessem sido intermitentes, e com
toda probabilidade não muito sangrentos, acarretaram certamente uma sobrecarga na mão-de-obra e na economia de ambos
os Estados. Se continuassem nesse comportamento suicida, é
concebível que ambos pudessem muito cedo cair vítimas da
agressão de inimigos hostis. Portanto, prevalecendo uma resolução prudente, cessaram a guerra e logo abandonaram completamente qualquer idéia de hostilidade.

3. Os Estados rivais: negócios internos

Os dois Estados, embora superficialmente similares, eram
muito diferentes em aspectos muito importantes. Judá, embora
menor e mais pobre, tinha a população mais homogênea e um
isolamento geográfico relativo; Israel era maior, mais rico e,
embora estivesse mais perto do centro do antigo sistema
tribal, continha uma grande população canaaníta e estava, em
virtude de acidentes geográficos, mais exposto à influência
externa. Além do mais, um tinha tradição dinástica estável
e o outro não: prevaleciam teorias do Estado diferentes[20].
Em virtude dessas coisas, as histórias internas dos dois Estados
apresentavam diferenças marcantes.

a. Política administrativa de Jeroboão. — Jeroboão teve
a missáo de criar um Estado onde não existia nenhum. No
começo, ele não tinha nem capital, nem máquina administrativa,
nem organização militar, nem — o que era mais importante
no mundo antigo — um culto oficial. Tudo tinha de ser
feito. Temos provas insofismáveis de que Jeroboão era capaz
de fazer tudo isto em circunstâncias difíceis.

Em primeiro lugar, Jeroboão instalou sua capital em Siquém (lRs 12,25). Suas razões eram provavelmente as mesmas que levaram Davi a escolher Jerusalém: Siquém tinha uma
localização central, possuía antigas associações de culto e —
uma vez que era um enclave canaanita-hebreu dentro de Manassés, relacionado fracamente com o sistema tribal — sua escolha
provocaria um mínimo de rivalidade tribal, ao mesmo tempo
que agradaria aos elementos não-israelitas da população.

As escavações de Siquém revelaram provavelmente traços
das reconstruções de Jeroboão[21]. Sabemos também que Jeroboão construiu Penuel, na Transjordânia — mas é inteiramente
incerto que esta cidade fosse uma outra capital, e, se o foi,
não se sabe por que motivo[22]. Em seguida, a capital passou
para Tersa (provavelmente Tell el Fâr ‘ah, algumas milhas a
nordeste de Siquém) 27, onde ficou até o reinado de Omri. As
razões para as mudanças são desconhecidas (Siquém não era
facilmente defensável); mas Tersa também era uma cidade
originalmente não-israelita, vagamente ligada ao sistema tribal
(Js 12,24; 17,1-4) e ofereceria as mesmas vantagens políticas.

Não sabemos nada da administração de Jeroboão. Possivelmente ele apenas adotou a estrutura administrativa aperfeiçoada por Salomão, no que ela tinha de praticável. O óstraco
de Samaria sugere a existência de um sistema provincial modelado no de Salomão, no século oitavo. Sendo assim, isto
significa que se pagavam impostos regulares, apesar de não
termos nenhum meio para dizer se eles eram pesados ou não.
Tampouco sabemos se Jeroboão recorreu a recrutamento de
serviço militar ou não — embora a exigência de tropas deva
ter sido premente e constante. É altamente provável (cf. lRs
15,22) que a corvéia tenha sido posta em prática para a construção das fortificações de Siquém, Penuel e Tersa, assim como
para outros projetos estatais, embora em escala modesta. Ainda
que não tenhamos notícias de descontentamento popular contra
Jeroboão, ele não levou Israel de volta às simples condições
pré-monárquicas — e nem pôde fazê-lo. Podemos suspeitar,
mas não provar, que isto possa ter ajudado a levar os elementos proféticos a se insurgirem contra ele.



b. Política religiosa de Jeroboão. — Mas a ação mais
significativa de Jeroboão foi o estabelecimento de um culto
estatal oficial, para rivalizar com o de Jerusalém (lRs 12,
26-33). Ele tinha de fazer isto. O problema da legitimidade
teológica, que todas as realezas antigas exigiam, era peculiarmente agudo neste caso. Muitos israelitas, considerando o templo de Jerusalém como sucessor do templo anfictiônico, ainda
sentiam a tentação de se dirigirem para lá. E isto, em si
mesmo, não só contribuía para enfraquecer sua lealdade para
com Jeroboão, como também salientava a característica principal do culto do templo, a celebração da eterna aliança de
Iahweh com Davi. Jeroboão não poderia consentir que seu
povo participasse de um culto que declarava que todos os
governos, exceto o de Davi, eram ilegítimos!

Assim, tanto para proteger-se a si próprio ccmo para dar
a seu Estado um apoio religioso apropriado, ele ergueu dois
santuários oficiais nas extremidades opostas do seu reino: Betel
e Dan[23]. Ambos eram de origem antiga: o primeiro tinha associações patriarcais e um clero que se dizia de origem levítica — provavelmente aarônica — (que [v. 31] os sacerdotes
de Jerusalém negavam); o segundo tinha um sacerdócio que se
vangloriava de descender de Moisés (Jz 18,30). Falaremos um
pouco mais a respeito de Dan. Mas Betel permaneceu “um
santuário real e um templo nacional” (Am 7,13) enquanto
durou o estado setentrional. Lá Jeroboão instituiu uma festa
anual no oitavo mês, com a finalidade de rivalizar com a
festa do sétimo mês em Jerusalém (lRs 8,2) e, sem dúvida,
modelada em parte sobre aquela, mas indubitavelmente envolvendo o ressurgimento de tradições arcaicas e práticas em
desuso por toda parte (talvez preservadas entre os grupos
Javistas que remontavam sua origem até Aarão: cf. os bezerros
e Ex 32) [24]. Jeroboão, assim, pode ser considerado mais como
reformador que como inovador.

O Livro dos Reis, que reflete a tradição de Jerusalém, tacha
o culto de Jeroboão como idólatra e apóstata. Particularmente
os bezerros de ouro que Jeroboão mandou fazer em Betel e
Dan foram considerados ídolos (lRs 12,28). Mas, naturalmente, embora seja provável que um povo inculto lhes oferecesse
adoração, eles não eram certamente destinados a representar
imagens de Iahweh (os deuses supremos não eram representados zoomorficamente pelos antigos semitas), mas como pedestais sobre os quais o invisível Iahweh ficava ou era entronizado.[25]

Portanto, conceitualmente, eles eram o equivalente ao querubim (esfinges de asas) do templo de Jerusalém. Mas, embora o símbolo do bezerro tenha tido, sem dúvida, um longo
uso em Israel, ele foi rejeitado pelo javismo normativo por
estar intimamente associado ao culto da fertilidade, sendo por
tanto um culto perigoso. Uma vez que muitos cidadãos do
norte de Israel eram mais ou menos canaanitas, tal símbolo
era extremamente perigoso, dando margem à confusão de
Iahweh com Ba‘al e à importação de características pagãs para
o culto de Iahweh.

O autor de Reis foi, sem dúvida, um pouco injusto; mas
o Israel do norte certamente não preservou a pureza religiosa!
Os círculos proféticos, mesmo no norte, achavam a política
religiosa de Jeroboão intolerável; seu primitivo protetor —
Aias, de Silo — logo rompeu com ele e rejeitou-o, como Samuel havia feito uma vez com Saul.[26]

Mudanças dinásticas em Israel: 922-876. — Nada é
mais característico do Estado do norte do que sua extrema instabilidade interna. Enquanto Judá permaneceu com a linha de
Davi durante toda a sua história, o trono de Israel mudou
de mãos por três vezes nos primeiros 50 anos, através da
violência. A explicação para isto está na presença de uma viva tradição anfictiônica, na qual a sucessão dinástica não era
reconhecida.

Como dissemos, Jeroboão tinha, como Saul, chegado ao
poder através de uma designação profética e uma aclamação
subseqüente por parte do povo, presumivelmente em aliança.
O sistema monárquico de Israel, em teoria, era carismático:
por designação divina e com o consentimento popular. Mas
uma volta real à liderança carismática era impossível. O novo
Estado não podia apoiar-se em tal instabilidade, e o ideal
carismático colidia com este fato. Quando Jeroboão morreu,
seu filho Nadab (901-900) tentou suceder ao pai (lRs 15,
25-31). Mas, quando se encontrava em campanha com o exército, foi logo assassinado por Baasa, provavelmente um de seus
oficiais, que, tendo exterminado toda a Casa de Jeroboão,
apoderou-se do trono. Baasa, como Jeroboão, teve designação
profética[27], e conservou-se no poder durante toda a sua vida
(c. 16,1-7), (900-877).

Mas quando seu filho, Ela (877-876), tentou suceder-lhe,
foi também assassinado por um de seus oficiais, Zamri, que exterminou a Casa de Baasa e se fez rei. Zamri certamente não
contava com nenhum apoio profético ou popular. Dentro de uma
semana (vv. 15 a 23), Omri, general do exército, marchou contra Tersa com suas forças. Vendo que tudo estava perdido,
Zamri suicidou-se. Em seguida, começaram os desentendimentos
e lutas entre facções rivais, de tal modo que só depois de
muitos anos é que Omri pôde estabelecer-se no trono — com
ou sem designação profética, isto não sabemos.

Isso ilustra o choque entre a tradição anfictiônica e o
desejo de uma estabilidade dinástica. O papel desempenhado
pelos profetas é instrutivo. Tanto Jeroboão como Baasa tinham
tido designação profética. Mas o desmoronamento de suas
respectivas casas tivera a aprovação dos mesmos profetas (cc. 14, 1-16; 15,29; 16,1-17.12). Não sabemos dizer até que ponto
estes profetas foram ultrajados por usurpação real de negócios
do culto e até que ponto foram ultrajados por outros fatores.
Mas eles representavam a tradição anfictiônica à maneira de
Samuel. De qualquer modo, estava preservado o estabelecimento
de uma dinastia; porém, permanece a dúvida: por quanto tempo Israel poderia suportar semelhante caos?



b. Negócios internou em Judá (922-873). — A história
interna de Judá só pode ser entendida através de comparações,
e não com uma simples leitura. Não houve mudanças dinásticas.
Embora houvesse uma oscilação entre as tendências sincréticas
e conservadoras — em virtude tanto de sua tradição cúltica e
dinástica estável quanto da homogeneidade de sua população —
o pêndulo de Judá nunca oscilou tão afastado de seu centro
que voltasse com tanta violência como a que se observava em
Israel. Havia, sem dúvida, uma tensão entre a aristocracia de
Jerusalém e a massa da população rural. Aquela, nascida no
luxo da corte de Salomão, e incluindo muitos antecedentes não-
-israelitas tinha uma visão internacional e apenas simpatizava
com a natureza essencial do Javismo. A última, na maioria
formada por agricultores e pastores, cuja vida era extremamente
simples, apegava-se tenazmente às tradições ancestrais, sociais
e religiosas.

Embora não seja muito seguro generalizar, estas tensões,
tais como existiam, representavam com toda probabilidade um
choque entre as duas tradições, estando os sacerdotes de Jerusalém do lado dos conservadores em tudo o que dizia respeito
a assuntos religiosos.

Durante os reinados de Roboão e Abia, o partido do internacionalismo e da tolerância esteve por cima, e as tendências paganizantes estimuladas ou toleradas por Salomão continuaram. Roboão era filho de Salomão com a princesa amonita
Naama (lRs 14,21.31); mas sua esposa favorita, a mãe de
Abia, era Maaca, da Casa de Absalão (c. 15,2), que era em
parte de origem araméia. Os nomes de ambas as mulheres
sugerem um antecedente pagão[28], e de Maaca se diz expressamente que adorava Asera (v. 12ss). Enquanto este partido
esteve no poder, os ritos pagãos, inclusive a prostituição sagrada e a homossexualidade, tiveram livre curso.

Tudo isto certamente desagradava os javistas tradicionais
e rigorosos, com o que foi se formando uma reação durante
o longo reinado de Asa (913-873). Asa, que era filho ou irmão
de Abia, sucedeu ao trono ainda em criança, quando seu
predecessor morreu prematuramente[29]. Durante sua menoridade, Maaca governou como regente, e tudo continuou a seu modo.
Mas, quando alcançou a maioridade, Asa passou para o partido mais conservador, depôs a rainha-mãe e instituiu uma reforma (vv. 11 a 15) que, durante seu reinado e o de seu
filho Josafá (873-849), libertou Judá, pelo menos oficialmente, de cultos pagãos (c. 22,43). Com a suspensão final da
guerra com Israel, no final do reinado de Asa, Judá entrou
num período de relativa paz — e, uma vez que controlava a
rota comercial para o sul via Acaba, podemos também supor
que havia certa prosperidade.



[1] Sobre a estrutura de Reis e de seu lugar no corpo deuteronômico,
cf. especialmente M. Noth, Ueberlieferungsgeschichtliche Studten 1, M.
Niemeyer, Halle, 1943, que coloca a composição da ebra no século sexto.


[2] Embora exija apreciação crítica, a história do Cronista não é de
modo algum para ser desprezada sem razão: cf. W. F. Albright, in
Alex. Max }ubilee Volume, Jewish Theological seminary (1950), pp.
61-82. Veja também os comentários de W. Rudolph, Chronikbücher, in
HAT (1955) de J. M. Myers, 3 Vols., in AB, (1965). As diferenças
entre as Crônicas e Samuel-Reis (nas partes dos sinóticos) não devem
ser explicadas sempre como alterações tendenciosas; cf. W. E. Lemke, in
HTR, LVIII (1965), pp. 349-363.


[3] Salomão tinha sido aclamado do mesmo modo? Não sabemos. Mas
Roboão não podia claramente esperar governar o norte sem um pacto.
Sobre o assunto, cf. G. Führer, Der Vertrag zwischen König und Volk
in Israel, in ZAW, 71 (1959), pp. 1-22. Sobre a função da assembléia
popular, cf. C. U. Wolf, in JNES, VI (1947), pp. 98-108.


[4] Mas Roboão e Jeroboão eram possivelmente nomes de trono; am-
bos são arcaicos e têm virtualmente a mesma significação (“possa o povo
expandir-se/multiplicar-se■"): cf. Albright, in BP, p. 59. Sobre nomes
de trono em Israel, cf. A. M. Honeyman, in JBL, LXVII (1948), pp.
13-25.


[5] É difícil de entender por que este incidente deve ser chamado
não-histórico (por exemplo, Osterley e Robinson, History of Israel,
Clarendon Press, Oxford, 1932, I, p. 274; Kittel, in GVI, II, p. 222;
J. A. Montgomery, The Book of Kings, in ICC (1951) p. 251. Ele não
contradiz IRs 14,30, o qual, como veremos, não encerra um ateatado por
parte de Roboão para reconquistar o norte.


[6] Sobre a história deste Estado, veja M. F. Unger, Israel and the
Arameans of Damascus, James Clarke & Company, Ltd., Londres, 1957;
v. também B. Mazar, The Aramean Empire and Its Relations with Israel,
in BA, XXV (1962), pp. 98-120.


[7] Provavelmente Tell el-melât, algumas milhas a oeste de Gazer.
Não sabemos nenhum detalhe, a não ser que houve duas campanhas,
com vinte e cinco anos de intervalo.


[8] Veja adiante, pp. 238ss. Alguns acreditam que Moab permaneceu
súdita do norte do Estado durante este período (por exemplo, Noth, in
Hl, p. 226); mas cf. R. E. Murph, Israel and Moab in the Ninth
Century B. C. in CBQ, XV (1953), pp. 409-417; A. H. van Zyl, The
Moabits, E. J. Brill, Leiden, 1960, pp. 136-139.

[8] Eu não concordo que “Judá” tenha substituído “Benjamim” neste
versículo (cf. Hoth, in Hl, p. 233), embora a “uma tribo” de lRs

11, 31-36 seja provavelmente Benjamim, refletindo o fato de que Benja-
mim estava realmente separado de Israel.


[9] As datas para esta dinastia seguem Albright, in BASOR, 130
(1953), pp. 4-11; cf. ibid. 151, 156, pp. 26ss.


[10] Sobre esta lista, cf. G. Beyer, Das Festungssystem Rehabeams, sido construídos depois da invasão de Susac, para prevenir novo ataque:
assim, por exemplo, Rudolph, o.c., p. 229; Kittel, in GVI, II, p. 223.
Vestígios dos muros de Roboão foram provavelmente encontrados em
Láquis; cf. Olga Tufnell et al., Lachish III: The Iron Age, Oxford
University Press. Londres, 1953, AOTS, p. 304.


[11] A inscrição foi discutida por vários estudiosos. Cf. especialmente
B. Mazar, The Campain of Pharaoh Shishak to Palestine, in VT supl.,
Vol. IV (l957), pp. 57-66; v. também Aharoni, in LOB, pp. 283-290.


[12] A destruição de Megiddo salomônico (VA-IVB) foi certamente
obra de Susac; cf. Y. Yadin, in BA, XXXIII (1970), pp. 66-96 (cf. p.
95). Tanac, também na lista, foi igualmente destruída; cf. P. W.
Lapp, in BASOR, 173 (1964), pp. 4-44 (cf. p. 8). Siquém (não listada)
o foi também por esse tempo, talvez por Susac: cf. G. E. Wright, in
AOTS, p. 366.


[13] Cf. Albright, in JPOS, IV (1924), pp. 146-148. As fortificações
em Garúen (Tell el Fár’ah) não devem ter sido construídas para guar-
nições de Susac; cf. ־^Iright in BAR, p. 150.


[14] Também chamado “Abian”, o que não é um erro, mas possivelmente um hipocorístico Abiya-mi (“Meu pai é verdadeiramente [Iah-
weh?]”): cf. Albright, Alex, Max }ubtlee Volume (na nota 3)
p. 81, nota 72.


[15] Cf. Rudolph, o¿., pp. 235-239; Kittel, in GVI, II, p. 224.


[16] A despeito dos números exagerados (um milhão de homens!), o


[17] 2Cr 16,1 a coloca no trigésimo sexto ano de Asa; mas lRs
16,8, data a morte de Baasa do vigésimo sexto ano de Asa. A cronolo-
gia do Cronista é defendida por Albright (in BASOR, LXXXVII
[1942], pp. 27ss); outros, contudo, discordam (cf. Rudoi.ph, in VT,

[1952] , pp. 367ss; B. Mazar, in BA, XXV [1962], p. 104).


[18] Talvez a evidência da destruição de Hazor (cf. Y. Yadin, in
AOTS, pp. 254-260) e de Dan (cf. A. Biran, in IEJ, 19 [1969], pp.
121ss) esteja ligada a esta campanha.


[19] A sugestão de que “Gabaa” deve ter sido “Geba” (cf. Albright
in AASOR, IV [1924], pp. 39-92) parece agora improvável; L. A.
Sinclair, in AASOR, XXXIV-XXXV (1960), pp. 6-9. Masfa, geral-
mente localizada em Tell en-Nasbeh, na estrada principal, umas sete
milhas ao norte de Jerusalém (cf. Sinclair, ibid, e as referências exis-


[20] Ver especialmente A. Alt, The Monarchy in the Kingdons of
Israel and Judah (1951), in Essays on Oíd Teslament History and Re-
ligión (Trad. ingi.: Basil Blackwell & Mot, Ltd., Oxford, 1966, pp.
239-259). Embora tenha sido criticada (por exemplo, T, C. G. Thorn-
ton, in JTS, XIV [1963] pp. 1-11; G. Buccellati, Cilies and Nalions
of Ancient Syria, Instituto cli Studi dei Vicino Oriente, Roma, 1967,
pp. 200-212). Parece-me que a tese de Alt está fundamentalmente correta.


[21] Cf. Wright, in BAR, p. 148.


[22] Susac pode ter atacado Penuel (acima) porque Jeroboão lá es-
tabeleceu temporariamente sua residência; cf. Aharoni, in LOB, p. 287.


[23] Sobre o prática de estabelecer santuários nas fronteiras do reino,
cf. Y. Aharoni, in BA, XXXI (1968), pp. 27-32. As escavações su-
gerem que Dan também era um centro administrativo e um ponto de
defesa contra os arameus: cf. A. Biran, in IEJ, 19 (1969), pp. 121-123.


[24] Sobre o culto de Jeroboão, cf. R. de Vaux, Ancient Israel, Darton Longmann & Todd, Ltd. Londres; McGraw-Hiil Book Company,

Inc, Nova Iorque, 1961; ed. em brochura, 1965), pp. 332-336; v. tam-
bém F. M. Cross, in HTR, LV (1962), pp. 256-258, que considera Jeroboão introduziu um culto antigo de El. Sobre calendários divergentes
de culto, cf. S. Talmon, in VT, VIII (1958), pp. 48-74.


[25] Cf. Albright, in FSAC, pp. 298-301; idem, in YGC, pp. 171ss.
Para ilusrtações deste tipo de iconografia (Um deus em pé sobre um
touro ou leão), cf. Pritchard, in ANET, pp. 163-170. 177-181.


[26] Tinha Aias de Silo desejado a restauração do culto anfictiônico
naquele local ou naquela tradição? Ou, como sugere Noth, in
Jerusalem and The Israelite Tradition (1950), in The Laws in the
Ventateuch and Other Studies (Trad. ingl.: Oliver & Boyd, Ltd., Edim-
burgo e Londres, 1966; Fortress Press, Philadelphia, 1967), pp. 132-144,
tinha provado a separação de Jerusalém, política mas não lilúrgica?


[27] Em lRs 16,2, ele é chamado Nãgid, título aplicado a Saul.


[28] Cf. Albright, in ARI, pp. 152ss e as notas do texto.


[29] Em lRs 15,8 e 2Cr 14,1, Asa é filho de Abia, enquanto que
em lRs 15,2 e 10; e 2Cr 15,16, ambos são filhos de Maaca; 2Cr 13,2
complica ainda mais as coisas. Uma vez que Abia reinou menos de três
anos, pode ser que Asa fosse um filho menor cuja mãe tinha morrido,

Fonte: BRIGHT, John. História de Israel. São Paulo: Paulinas, 1978.