22 de agosto de 2015

John Bright - A monarquia de Israel: Rei Davi

A MONARQUIA UNIDA DE ISRAEL: REI DAVI
(Aproximadamente 1000-961) [1]

1. Ascensão de Davi ao poder

A queda de Gelboé deixou Israel à mercê dos filisteus,
que se aproveitaram da situação vantajosa em que se encontravam e ocuparam pelo menos a mesma extensão de terra
que possuíam antes que Saul entrasse em cena. Embora não
se aventurassem até a Transjordânia, e talvez não muito para o
interior da Galiléia, suas guarnições, mais uma vez, se esta-
beleceram nas montanhas centrais (2Sm 23,14)[2]. A situação
de Israel parecia sem esperança. Entretanto, ele ergueu-se
novamente com incrível rapidez, e dentro de poucos anos já
se havia tornado a principal nação da Palestina e da Síria. Isso
foi obra de Davi.

a. Davi e Isbaal: Reis rivais. — As pretensões da casa
de Saul foram perpetuadas por seu filho sobrevivente, Isbaal,
que tinha sido levado para Maanaim, na Transjordânia, por
seu parente Abner, que sobrevivera ao massacre de Gelboé e
que lá o proclamou rei (2Sm 2,8ss). Tratava-se de um governo
refugiado, se é que se pode chamá-lo de governo, como indica
sua localização fora do alcance dos filisteus. Embora pretendesse governar um território considerável (o centro da Palestina,
Esdrelon, Galiléia e Galaad) é difícil de ver nisto mais do que
uma pretensão.

Não há evidencia de que Isbaal realmente governasse
tcdo este territorio, ou que as tribos locais estivessem de seu
lado. O princípio da sucessão dinástica não era reconhecido
como vinculante. Embora muitos israelitas, sem terem em
vista nenhum outro líder, tivessem aceitado tacitamente Isbaal,
o fato dele ser filho de Saul não lhe concedeu automaticamente
a lealdade destes israelitas. Suas pretensões, sem base real na
vontade dos clãs, eram apoiadas sobretudo por Abner e outros,
leais à casa de Saul por razões pessoais [3].

Entrementes, Davi tornava-se rei de Judá em Hebron
(2Sm 2,1-4). É certo que isto aconteceu com o consentimento
dos filisteus, de quem era vassalo, e difícilmente ele poderia
ter dado tal passo sem sua aprovação. Os filisteus, contudo,
cuja política era “divide e reina”, desejavam tal coisa. Ao
mesmo tempo, os habitantes de Judá, com certeza, receberam
bem a Davi. Afinal de contas, ele era um deles, um forte
líder, que podia defendê-los e estava em condições de ser
mediador entre eles e seus senhores filisteus. Foi, portanto, aclamado rei por consenso popular e ungido no antigo santuário de
Hebron. Assim, como Saul, Davi foi um herói militar eleito rei.
E sua ascensão ao poder acarretava certas características novas.

Davi era um soldado experimentado, que devia muito de
sua reputação a suas tropas pessoais, que já era senhor feudal
com possessões privadas e que assumiu o trono como vassalo
de um poder estrangeiro. Além disso, aclamando-o, Judá,
necessariamente, agia sem consideração às demais tribos. Real-
mente, uma medida totalmente estranha aos padrões antigos!

Embora rei de Judá, Davi não era um chefe tribal. Sua
autoridade se estendia sobre uma área que incluía, além de
Judá, vários elementos tribais: simeonitas, calebitas, otonielitas, jeramelitas e quenitas (lSm 27,10:30,14; Jz 1,1-21). E tal
área recebeu então uma forma política permanente: surgiu um
Estado de Judá, como entidade separada, ao lado de Israel,
sobre o qual Isbaal tinha suas pretensões. Tanto “Israel” como
“Judá”, assim, começaram a assumir novas conotações.

b. O fim de Isbaal. — A carreira de Isbaal só durou
dois anos (2Sm 2,10). Durante este tempo, as relações entre
os reis rivais, embora hostis, nunca chegaram ao ponto de uma
guerra aberta. O único conflito de que se tem conhecimento
(vv. 12-32) foi a respeito de questões de fronteiras. E só
foi importante por causa da morte, às mãos de Abner, de um
irmão de Joab, parente de Davi e general, o que teve sérias
repercussões.

Isbaal certamente não era capaz de manter uma guerra, enquanto que Davi, relutando em aumentar irreparavelmente a
separação dentro do próprio Israel, preferiu levar avante seus
pontos de vista através da diplomacia. Para tanto, fez propostas aos habitantes de Jabes-Galaad, cuja lealdade a Saul
ele conhecia (vv. 4b-7); casou-se com a filha do rei de Gessur,
um estado arameu a leste do Mar da Galiléia (c. 3,3), possivelmente para ganhar um aliado às custas de Isbaal. E também —
provavelmente nessa época — começou a travar relações amigáveis com Amon (c. 10,2), sem dúvida com a mesma finalidade.

Isbaal, por seu turno, era fraco e ineficiente. Cada vez
mais começava-se a notar isto, e a colocar as esperanças em
Davi (2Sm 3,17). Finalmente, Isbaal acusou Abner de ter tido
relações com uma antiga concubina de Saul (vv. 6-11) —
acusações que, se verdadeira, pode ter significado que Abner
tinha pretensões ao trono.

O incidente mostra onde está o poder. Abner, furioso,
tomou medidas no sentido de transferir sua aliança para Davi
e insistiu com os anciãos de Israel para que fizessem o mesmo
(vv. 12-21). Aceitando o movimento, Davi exigiu somente
que Mical, filha de Saul, lhe fosse devolvida. Mesmo quando
Abner foi assassinado por Joab (vv. 22-39), o movimento a
favor de Davi não se deteve.

O povo compreendeu que se tratava de uma inimizade
entre famílias e acreditou em Davi quando ele protestou inocência — afinal de contas, ele não tinha nada a ganhar com
isto. Isbaal, sem mais nenhum apoio, foi logo assassinado por
dois de seus oficiais (c. 4), que levaram sua cabeça a Davi, esperando uma recompensa. Mas Davi, desejoso de livrar-se de
toda suspeita de cumplicidade neste acontecimento conveniente
(para ele), mandou-os executar sumariamente. E, mais uma
vez, acreditaram piamente nele.

b. Davi, rei de todo Israel. — Não havendo ninguém
mais para pretender à casa de Saul, o povo acorreu a Davi no
Hebron e lá, numa aliança solene, o aclamou rei de todo Israel
(2Sm 5,1-3). Todo este incidente ilustra a tenacidade da tradição carismática. O que decidiu a favor de Davi foi o fato
de que o povo via nele o homem em cujo espírito Iahweh
descansava. Isbaal arruinou-se precisamente porque, não sendo
reconhecido o princípio da sucessão dinástica, ele não deu mostras de possuir dons carismáticos. Entretanto, embora não se
tivesse salientado à maneira de Saul e dos juizes, Davi era um
homem de tipo carismático. Isto é, foi homem capaz de uma
liderança inspirada, cujos contínuos sucessos davam provas de
que Iahweh o havia designado[4]. Como Saul, pois, Davi era
um líder (nãgid) por designação divina, que tinha sido feito rei
(melek) em aliança pessoal com o povo (como Saul provavelmente o tinha sido) e por aclamação. Como Saul, ele foi
ungido num santuário de prestígio antigo.

Entretanto, o novo reinado representava um grande afastamento da ordem antiga. Não somente a ascensão de Davi
não foi feita da maneira clássica; a base do seu poder não
era a confederação tribal — que, como tal, não mais existia.
Pelo contrário, um chefe militar, já rei em Judá com consentimento dos filisteus, era agora designado rei de todas as tribos
do norte por mais uma aclamação. Em outras palavras, o reino
já governado por Davi no sul e a área pretendida por Isbaal no
norte estavam unidos na pessoa de Davi. A união que criava o
novo Estado, portanto, era, de certo modo, frágil.

Os clãs do sul, embora fossem parte da liga tribal e do
reino de Saul, estavam relativamente isolados, seguindo muitas
vezes o seu próprio destino. A rivalidade entre a casa de Saul e Davi deve ter levado as duas áreas a se afastarem ainda mais
uma da outra. Davi certamente sentiu isto, e fez todos os
esforços possíveis para que esta separação não se acentuasse.
Foi por isso que, provavelmente, ele não desencadeou hostilidades contra Isbaal e que, publicamente — e pode-se supor
que com sinceridade —, ele lavou as mãos quanto à cumplicidade nas mortes de Saul, de Abner e de Isbaal. Ademais,
sua razão para exigir a volta de Mical era certamente a esperança de um filho homem que unisse as pretensões de sua casa
e da de Saul — esperança vã, como se viu depois. Entretanto,
apesar de todos os esforços de Davi, as pretensões da casa de
Saul e as rivalidades regionais, para não se falar de outros
agravantes, continuavam. Eram problemas que a monarquia
jamais conseguiria resolver.

2. A segurança e a consolidação do Estado

O novo estado teve imediatamente que lutar para sobreviver. Os filisteus compreenderam perfeitamente que a aclamação
de Davi constituía uma declaração de independência por parte
de um Israel novamente unido. E isso eles não podiam tolerar.
Sabiam que tinham de destruir Davi, e destruí-lo imediatamente.

A última luta com os filisteus. — A primeira fase da
luta concluiu-se perto de Jerusalém (2Sm 5,17-25). A principal tropa dos filisteus dirigiu-se para as montanhas e ocupou
uma posição perto daquela cidade, que ainda se encontrava
nas mãos dos canaanitas e, provavelmente, era tributária dos
filisteus[5]. Seu objetivo, evidentemente, era isolar Davi das
tribos do norte, no seu ponto mais vulnerável e, ao mesmo tempo, ajudar suas guarnições militares de Judá, agora ameaçadas por Davi, que se encontrava na fortaleza de Adulam
(c. 23,13-17; cf. c. 5,17).

A natureza da estratégia dos filisteus ficou bem patente
pelo fato de que, mesmo depois de uma derrota às mãos do
pequeno mas poderoso exército de Davi, eles não viram outra
coisa a fazer senão empreender um novo ataque. Contudo, uma
vez mais, foram notavelmente derrotados e expulsos precipitadamente das montanhas (2Sm 5,25; lCr 14,16), aparentemente para nunca mais voltar.

A próxima seqüência da guerra não é muito clara. Supomos
que Davi, sabendo que a ameaça contra Israel não terminaria
por uma simples ação defensiva, aproveitou-se de suas vantagens
e estendeu a luta até o território dos filisteus, fato que se pode
comprovar em 2Sm 5,25 e nos incidentes do capítulo 21,
15-22, os quais, podemos afirmar, pertencem em parte a este
contexto. Mas, embora esteja claro que Davi acabou com o
poder dos filisteus, não se pode ser preciso quanto à extensão
de suas conquistas. Temos apenas o texto de 2Sm
8,1, que não pode ser esclarecido. Podemos considerar como
certo que Davi ocupou a planície costeira, até o sul de Jope,
pelo fato desta área ter sido dividida, mais tarde, em três
distritos administrativos de Salomão (lRs 4,9-11). É igualmente
certo que, no sul, ele expulsou os filisteus do solo israelita,
e expandiu suas fronteiras até bem dentro do território inimigo.
Gat foi tomada por Israel e, posteriormente, transformada em
cidade-forte por Roboão (2Cr 11,8)[6]. O território de Ecron,
que se localizava dentro das pretensões tribais de Dan (Js
19,40-46), foi provavelmente bem limitado, se não totalmente
ocupado. Por outro lado, parece que Davi não se apossou da
cidade canaanita de Gazer (cf. lRs 9,16), que esteve sob
controle filisteu[7]; e não há evidências de que ele se tenha apoderado das cidades costeiras de Ashdod, Ashkelon e Gaza.
Em vista de suas conquistas subseqüentes, é difícil acreditar que
Davi não teria deixado de se apossar dessas cidades se ele
realmente o tivesse desejado.

Talvez os filisteus tenham-se rendido, fazendo assim com
que as próximas campanhas se tornassem desnecessárias. Talvez, como muitos especialistas acreditam, Davi tenha evitado
avançar sobre tal área porque soubesse que o Egito ainda pretendia a soberania sobre ela e não desejasse envolver-se em
possíveis dificuldades com o faraó[8]. Não sabemos. De qualquer
forma, a ameaça dos filisteus tinha acabado: eles estavam reduzidos à impotência e obrigados a reconhecer a supremacia
israelita (2Sm 8,12). Os contingentes efetivos dos filisteus aparecem, mais tarde, como mercenários a serviço de Davi (2Sm
8,18; 15,18 etc.).

b, A nova capital: Jerusalém. -— Livre dos perigos externos, Davi já podia voltar sua atenção para a consolidação interna de seu poder. Foi com isto em mente que, após alguns anos
de governo em Hebron, ele se apossou da cidade jebusita de
Jerusalém e para lá transferiu sua residência. Com este ato, Davi não só eliminou o enclave canaanita do centro da região
como também ganhou uma capital, de onde poderia governar
toda a nação. Hebron, localizada no território de Judá, bem
ao sul, não poderia ter sido permanentemente aceita como
capital pelas tribos do norte. Já uma capital no norte seria
duplamente inaceitável por Judá. Jerusalém tinha uma excelente
posição, porque, além de estar localizada entre as duas regiões,
não estava no território de nenhuma delas.

Como Davi conquistou esta cidade, ainda não está bem esclarecido, pois o texto (2Sm 5,6-10) encontra-se excessivamente adulterado[9]. Mas o fato é que ele o fez com suas próprias tropas (v. 6), e não com as tropas das tribos. Jerusalém tornou-se possessão própria de Davi (“A Cidade de Davi”). A população jebusita não foi trucidada, nem desalojada (cf. 24, 18-25), o que significa que a cidade dificilmente teria
recebido, de imediato, influência israelita. Embora o número de
israelitas que afluía para a capital aumentasse cada vez mais
à medida que os anos passavam, é provável que no início
apenas poucas pessoas, além da própria família e da comitiva
de Davi (que era consideravelmente grande) tenham-se mudado
para lá.

A nova capital, incontestavelmente, serviu para elevar o
governo um grau acima da rivalidade das tribos. Mas o fato
de Israel ser governado de uma capital de tradições não-israelitas e que era possessão pessoal do rei certamente representava
um passo a mais no desligamento da antiga ordem.

a. O traslado da Arca para Jerusalém. — Em todas as
mudanças que introduziu, Davi sentiu bastante a força espiritual das velhas instituições de Israel. Isto pode ser observado
pela decisão que tomou — não muito depois de ter-se estabelecido em Jerusalém — de transferir de Cariat-jearim para
a capital a Arca da Aliança do Senhor, que se encontrava
desprezada por todos há mais de uma geração. Para tanto,
construiu uma tenda-santuário, onde a Arca deveria ser guardada. A Arca foi trazida com grande cerimônia e júbilo, apesar
de ter havido algum contratempo (2Sm 6).

a. Como sacerdotes do novo templo, Davi designou Abiatar,
da linha sacerdotal de Silo (cf. ISm 22,20;14,3) e Sadoc, cuja
origem é desconhecida[10]. O significado deste ato não deve ser
superestimado, pois era objetivo de Davi fazer de Jerusalém
a capital política e religiosa do reino. Através da Arca, ele
buscava unir o Estado recentemente criado à antiga ordem de
Israel, como seu legítimo sucessor, mostrando-se como o novo
patrono e protetor das instituições sagradas do passado. Davi mostrou-se muito mais sábio que Saul. Enquanto Saul negligenciou a Arca e afastou de si o sacerdócio, Davi estabeleceu a
Arca e o sacerdócio no santuário oficial nacional. Foi um golpe
de mestre. Isto deve ter contribuído mais do que se pode
imaginar para unir o sentimento das tribos a Jerusalém.

Contudo, pode-se ainda perguntar por que Davi, que logo
construiu um palácio para si em Jerusalém (2Sm 5,11 ;7,1),
nunca construiu um templo apropriado para guardar a Arca.
A Bíblia (2Sm 7) nos dá uma explicação para isto: Davi mudou de idéia quanto à construção devido a uma profecia do
oráculo. Embora pareça que a Arca tivesse sido guardada num
lugar permanente, em Silo (ISm 1,9;3,3), mantiveram-se, especialmente nos círculos proféticos, uma tenaz tradição da
natureza originalmente portátil do santuário da Arca e o
sentimento de que a construção de um tabernáculo permanente, sob proteção real, constituiria uma perigosa quebra de
tradição. É provável que Natan e os que eram da mesma opinião tivessem esperado que o novo santuário não seria mais
do que uma reativação e perpetuação do velho centro anfictiônico,
não desejando vê-lo substituído por um santuário dinástico,
à maneira canaanita, onde o rei desempenhava o papel principal[11]. Ou Davi era da mesma opinião ou, mais provavelmente,
sentiu que era mais prudente ceder. O projeto, portanto, foi
diferido.

d. Consolidação posterior do Estado. — Embora a Bíblia
relate somente a tomada de Jerusalém, Davi também conquistou
outras cidades-estados dos cananeus que ainda existiam na Palestina. Elas eram numerosas, tanto ao longo da planície litorânea, quanto ao norte e ao sul do monte Carmelo, em
Esdrelon e também na Galiléia (Jz 1,27-35). Apesar de algumas
delas já possuírem uma população parcialmente israelita, nenhuma estivera sob o controle de Israel, pelo menos de forma
permanente. De que maneira essas cidades-estados foram conquistadas por Israel, nós não sabemos. Mas certamente foram
tomadas por Davi, decerto no início de seu reinado, pois ele
dificilmente teria se aventurado em guerras externas enquanto houvesse território por conquistar dentro da sua própria terra.
É provável que a maioria dessas cidades tenham sido tributárias ou aliadas dos filisteus e que, com a derrota destes, tenham
transferido sua fidelidade sem resistência [12].

Isso representou uma grande expansão do território de
Israel. Foi realmente o término da conquista de Canaã. O
nome “Israel”, propriamente a designação de uma confederação
tribal, cujos membros ocupavam somente uma parte da área da
Palestina, representava agora uma entidade geográfica, abrangendo praticamente toda a região. Numerosos canaanitas passaram a integrar a estrutura de Israel, mas não foram, exceto
talvez em ocasiões isoladas, integrados no sistema tribal. Suas
cidades-estados eram anexadas a Israel e seus governantes e população tornavam-se súditos da coroa. É evidente que isto
significava mais um afastamento da ordem antiga, um reino
constituído de tribos. Também é evidente que o problema do
ajustamento e do atrito com a cultura e a religião dos canaanitas assumiu com isto novas dimensões.

3. A construção do Império

Com sua casa em ordem, Davi estava livre para atacar
seus vizinhos. Não sabemos se todo o sucesso de sua carreira
deveu-se a um “destino manifesto” ou se ele o conquistou
palmo a palmo. Como nossas fontes de informação (2Sm 8;
10-12) não estão em ordem cronológica, não podemos estar
sempre certos da ordem dos acontecimentos. Mas, no fim,
Davi era senhor de um imenso império.

A Guerra dos Amonitas: Intervenção dos Arameus. —
A primeira guerra de Davi foi contra Amon[13]. Talvez Davi
não tivesse desejado esta guerra, mas um imperdoável insulto
a seus emissários serviu de provocação (2Sm 10,1-5). Indignado,
Davi enviou um exército, sob o comando de Joab, contra Raba,
a capital dos amonitas (Rabat-amon). Os amonitas, entretanto, percebendo o erro que haviam cometido, buscaram a ajuda dos
Estados arameus, ao norte deles (vv. 6-8). Esses Estados, provavelmente, não tinham sido fundados há muito tempo, e provavelmente continham elementos ainda não inteiramente sedentários. Eles compreendiam o Estado de Maaca (ao sul do
monte Hermon), a terra de Tob (na Síria Meridional, ao leste
no mar da Galiléia) e também Beth-rehcb e Sobac[14]. Este último Estado, que era o líder da aliança, situava-se ao norte de
Damasco, a leste e oeste das cadeias de montanhas ante Líbano,
e exercia controle sobre todo o leste da Síria, de Hauran até
o vale do Eufrates.

Os arameus chegaram a tempo de alcançar o exército israelense pela retaguarda, quando ele investia contra Raba (2Sm 10.8-14) [15]. Mas Joab dispôs suas tropas em ordem de combate
diante dos arameus. A intervenção dos arameus, entretanto,
não terminou aí, pois Adadezer, rei de Sobac, não querendo
ser desfeiteado, reuniu uma nova força e enviou-a em auxílio dos
amonitas (vv. 15-19). Mas o exército de Davi marchou pelo
norte da Transjordânia adentro, derrotou os arameus e colocou-os em fuga, deixando o chefe do seu exército morto no
campo de batalha. Adadezer não tendo mais condições de lutar e tendo seus aliados (Maaca e Tob) se entregado a Israel,
o cerco de Raba estava terminado (c. 11,1). Foi tuna operação
difícil. Enquanto essas coisas aconteciam, Davi, que ficara em
Jerusalém, envolvia-se num caso amoroso com Betsabéia (c. 11,
2-12,25), que denegriria seu nome e atrairia sObre sua cabeça a violenta censura do profeta Natan. Entretanto, Raba
foi tomada (c. 12,26-31) e a população obrigada a trabalhos
forçados, provavelmente nos projetos reais em todo o reino.
A coroa amonita foi colocada na cabeça de Davi; sendo assim, já rei de Judá e de Israel, Davi tornou-se também rei de Amon, sendo representado provavelmente por algum oficial da região
(cf. c. 17,27).

a. A conquista do sul da Transjordânia. — Davi ampliou
ainda seu território a leste, com a conquista de Moab e Edom.
Pela nossa escassa fonte de informações (c. 8,2- 13ss), não
podemos dizer quando isso aconteceu, nem que provocação específica o impeliu a agir deste medo. É possível que ele não
precisasse de nenhum motivo, e tampouco conhecemos qualquer
detalhe das campanhas, a não ser que a batalha decisiva para
Edom parece ter ocorrido em Arabah, ao sul do mar Morto.
Ambas as regiões foram tratadas com brutal severidade. A
força de combate dos moabitas foi enfraquecida por execuções
em massa a sangue frio, e Moab tornou-se um Estado tributário a Davi [16]. Edom também foi visitado sofrendo represálias terríveis e sistemáticas (cf. lRs 11,15-18). A casa real
foi destruída. Salvou-se uma criança chamada Hadad, que foi
levada pelos soldados de Davi para o santuário no Egito. Davi
colocou então guarnições e governadores em Edom, passando a
governar a região como uma província conquistada.

b. Conquista de Davi na Síria. — Antes ou depois das
campanhas acima descritas, Davi voltou-se para vingar-se de
Adadezer, rei de Sobac (2Sm 8,3-8), por sua interferência na
guerra contra os amonitas. Adadezer talvez se tenha visto em
dificuldades depois das suas derrotas às mãos de Davi, mantendo as tribos seminômades das estepes da Síria submissas ao
seu controle.

De uma maneira que não está muito clara, Davi caiu sobre
ele, talvez de surpresa, e obteve uma vitória decisiva, capturando
a maior parte dos carros de combate arameus. Por mais incrível
que pareça, Davi não tinha nenhuma aplicação para tais equipamentos. Conservando apenas os cavalos suficientes para puxar
uma centena de carros, ele desatrelou os restantes. Os exércitos
israelitas, no passado, não tinham usado carros, combatendo sobretudo a pé[17]. Davi prosseguiu sua trajetória de vitórias derrotando os arameus de Damasco, que tinham marchado em ajuda a Adadezer. Em seguida, colocou guarnições em Damasco, passando a governar a cidade como uma província do império[18].

Esta campanha foi compensadora para Davi em termos de
presas de guerra, particularmente em abastecimento de cobre,
que foi tirado das cidades do reino de Adadezer, ao norte e da
Celessíria, onde o minério era explorado[19]. Além disso, Davi recebeu generosos presentes do rei de Hamat, cujo território fica
ao norte do de Sobac, ao longo do Rio Orontos (vv. 9ss). Este
rei, muito feliz por ver Sobac esmagado e impressionado com a
força de Davi, desejou estabelecer relações amigáveis com seu
novo vizinho[20]. Também como resultado indireto de suas conquistas, porém muito depois, Davi negociou no seu reinado um
tratado ccm Hiram, rei de Tiro (c. 5,1 lss)[21].

Tal arranjo, vantajoso para ambas as partes, durou todo
o reinado de Salomão e provou ser de inestimável significação
econômica, como veremos.

4. O Estado de Davi[22]

Com rapidez dramática, as conquistas de Davi transformaram Israel na maior potência da Palestina e da Síria. De fato, naquele momento, Israel foi provavelmente tão poderoso quanto qualquer potência do mundo de então. Com tudo isto, Israel passava irrevogavelmente para a nova ordem.

a. As Dimensões e a Composição do Estado. — O Império de Davi, embora não muito grande de acordo com os nossos padrões, era de um tamanho respeitável pelos padrões antigos.

O que os filisteus tentaram fazer, Davi o fez — e muito
mais. Seus domínios eram quase equivalentes às possessões
egípcias da Ásia, no apogeu do império. Incluíam toda a Palestina, de leste a oeste, do deserto até o mar, com suas fronteiras
ao sul bem dentro do deserto do Sinai, ao longo de uma linha
do Golfo de Acaba até o Mediterrâneo, no rio do Egito (Wadi
el-Arish). Os canaanitas da Palestina foram incorporados ao
Estado, os filisteus restritos a uma estreita faixa ao longo da
planície costeira meridional, enquanto que Moab, Edom e Amon,
por um acordo qualquer, pagavam tributo. Toda a Síria meridional e central estava unificada no império, sem dúvida sob a
administração provincial. As fronteiras de Davi dirigiam-se para
o norte juntamente com as de Tiro, ao longo das costas da cordilheira do Líbano até um ponto perto de Cades, sobre o
Orontes, de onde se dirigiam para o leste com a fronteira de
Hamat (que deve ter sido tributária a Davi) até dentro do deserto.

Davi provavelmente exercia um controle pouco severo, como o tinha feito Adadezer sobre as tribos araméias, do nordeste até o vale do Eufrates; certamente, tendo o controle de Sobac, nenhuma força poderia detê-lo.

A própria natureza de tal Estado determinava uma mu-
dança radical na antiga ordem. Israel não era mais uma confedera-
ção tribal, governada por um nãgid carismático que tinha sido
aclamado rei, mas um complexo império organizado sob a coroa.
A confederação tribal não correspondia mais a “Israel”, e nem
mesmo compreendia a maior parte dele; somente com algumas
limitações poderia dizer-se que era o centro de Israel. O centro
deste novo Israel era realmente o próprio Davi. A união do
norte de Israel com Judá, onde ele começou, era uma união
na pessoa de Davi.

A capital era possessão pessoal de Davi. A população canaanita anexada a Israel estava sujeita à coroa, não às tribos israelitas como tais. O império estrangeiro tinha sido conquistado
e era mantido graças sobretudo ao exército efetivo de Davi, não
aos contingentes tribais de Israel. Embora estes últimos fossem
utilizados (pelo menos na guerra dos amonitas), as conquistas
de Davi teriam sido impossíveis se contasse somente com eles.

Todas as terras subjugadas, por meio de vários acordos deviam submissão a Davi e tinham de ser administradas por ele.
Israel tinha sido transformado de acordo com o novo padrão.
Portanto, a concentração do poder na coroa era inevitável.

b)  Administração do Estado. — Sabemos muito pouco da
máquina administrativa de Davi, a não ser o que consta de duas
listas de seus oficiais de gabinete (2Sm 8,15-18;20,23-26). Uma
vez que não há nenhuma relação de vizir (primeiro-ministro),
devemos supor que Davi estivesse pessoalmente à frente do
seu governo. Os oficiais mencionados são: o comandante dos
contingentes israelitas (sãbã') e comandante-chefe do campo — que era Joab; o comandante das tropas estrangeiras mercenárias (cereteus e peleteus)[23]; o arauto real (mazkir); o secretário real ou secretário de estado (sophêr); os dois sumos sacerdotes Sadoc e Abiatar (e o c. 8,18 acrescenta que os próprios filhos de Davi eram sacerdotes). Uma segunda lista, posterior, acrescenta um oficial responsável pela corvéia — possivelmente
nomeado para supervisionar os estrangeiros obrigados a trabalhar
nos projetos reais. Sem tradição neste campo, Davi moldou a sua
própria burocracia, pelo menos em parte, sobre os modelos
egípcios (dos quais pode ter tido conhecimento através das cidades-estados de Canaã que ele absorvera, ou então diretamente) [24]. Além destes altos oficiais, havia, naturalmente, oficiais menores, na corte e em outras partes da região, assim como governadores e outro pessoal nos territórios conquistados. Entretanto, nada sabemos do seu número, de suas funções e organização. Tampouco estamos bem informados a respeito das
medidas administrativas tomadas por Davi neste terreno.

Embora não tenhamos conhecimento de nenhuma imposição sistemática de impostos, e embora Davi pudesse naturalmente arcar com as despesas do Estado, em parte, com os
tributos pagos pelos povos submetidos, podemos supor que seu
censo (c. 24) tenha lançado os fundamentos de uma reorganização fiscal radical e também presumivelmente, de um recrutamento. O fato dos círculos proféticos censurarem isto como um
pecado contra Iahweh, indica que havia drásticas inovações.
De fato, é provável que a organização militar tenha sido radicalmente revisada por Davi e Salomão[25], embora existam algumas evidências de que Davi possa ter dividido Judá em distritos para fins administrativos[26].

Se a lista das cidades de refúgio de que fala Js 20
pertence ao reinado de Davi[27] o fato pode refletir um esforço
para conter aquelas vinganças entre os clãs, às quais Israel,
como todas as sociedades tribais, estava freqüentemente sujeito.
Contudo, Davi parece ter interferido muito pouco ou nada em
questões judiciais, deixando que elas fossem tratadas localmente, como antes.. Embora os súditos tivessem o direito de
apelar para o rei (2Sm 14,1-24), o próprio fato de existir
insatisfação a esse respeito (c. 15,1-6) revela que não havia
uma máquina judicial eficiente.

A política de Davi em questões religiosas foi ditada pelo
desejo de dar ao Estado legitimidade aos olhos do povo, como
verdadeiro sucessor da antiga ordem de Israel. Assim, ele promoveu o novo santuário de Jerusalém, em que a Arca estava
guardada, como uma instituição oficial do Estado. Os assuntos
religiosos eram administrados por dois sumos sacerdotes, que eram membros do gabinete. De acordo com a tradição do Cronista, que não deve ser negligenciada, Davi foi um generoso
protetor do culto, tendo-o enriquecido de muitos modos, particularmente em relação à músicaM. Se a lista das cidades levíticas (Js 21) reflete condições do reino de Davi[28], ela
indica a existência de algum plano para o restabelecimento de
levitas em todo o reino, com a possível finalidade de fortalecer
a solidariedade nacional e promover a lealdade à coroa, através
da promulgação do culto oficial em áreas afastadas.

A corte de Davi, embora modesta em comparação com
a de Salomão, era, contudo, de um tamanho considerável.
Havia suas várias mulheres e seus muitos filhos (2Sm 3,2-5;
5,13-16) — embora se devesse esperar um harém considerável, com ciúmes e intrigas. Além de tudo isto, um número
crescente de vassalos e pensionistas “comiam à mesa do rei”
(cc. 9; 19,31-40). A guarda de honra de Davi o cercava, “a
terceira” (23,24-39), um corpo selecionado das próprias tropas do rei, que pode ter servido como uma espécie de conselho militar supremo[29]. Embora a corte de Davi não oferecesse
um quadro de luxúria sibarítica, estava longe de ser aquela
coisa rústica que havia sido a corte de Saul.

5. Os últimos anos de Davi

O fim das guerras de conquista encontrou Davi ainda no
vigor da sua idade[30]. Seu reinado continuou até uma idade
avançada. Entretanto, seus últimos anos não foram pacíficos,
mas atormentados por intrigas incessantes, pela violência e até mesmo por uma rebelião armada aberta, que colocou em
dúvida o futuro do Estado. As causas destas perturbações foram
várias, mas em seu fundo encontrava-se a questão da sucessão
ao trono, uma questão para a qual o Estado recém-constituído
não tinha precedentes, nem uma resposta preparada.

a. O problema da sucessão ao trono. — Israel tinha
estado todo esse tempo sob o domínio da monarquia. Mas não
somente isso. Este novo Israel era a tal ponto uma realização
de Davi e estava tão centralizado em sua pessoa, que muitos
pensaram que somente um herdeiro de Davi poderia governá-lo;
um dos fílhos de Davi deveria suceder ao pai. Mas qual? Não
havia resposta a esta pergunta. Como se poderia esperar, havia
rivalidades terríveis, e o palácio estava cheio de intrigas. O
próprio Davi, pai indulgente que havia estragado inteiramente
seus filhos (lRs 1,6), tinha uma parte de culpa. Aparentemente não querendo pronunciar-se, nada fez para melhorar a
situação e pôr fim às maquinações.

Além disso, Israel ainda não perdera seu hábito de seguir
uma liderança carismática. Se aparecesse um “novo homem”,
mesmo durante a vida de Davi, muitos estariam dispostos a
aclamá-lo. Os filhos ambiciosos fizeram todos os esforços para
convencer o populacho de que eles eram o “novo homem”
(2Sm 15,1-6; lRs 1,5). Mas, embora a maior parte dos israelitas provavelmente compreendesse que seu novo rei deveria ser um dos filhos de Davi, alguns não estavam preparados
para concordar com isto.

Por cutro lado, as pretensões da casa de Saul não estavam
de modo algum extintas. O comportamento de Davi para com
os familiares de Saul tivera uma aparência de certo modo ambígua, pois ele tentou por todos os meios ganhar os seguidores
de Saul, e teve até esperanças de unir sua casa à de Saul através de Mical, filha de Saul, como já vimos. Entretanto, esta
esperança havia sido frustrada quando ele e Mical brigaram e
se separaram (2Sm 6,20-23) sem terem tido filhos. Os familiares de Saul, lembrando-se quão oportunamente Davi se havia
aproveitado de sua queda, não podiam acreditar que ele fosse
inocente. E tampouco podiam esquecer que ele entregara o filho
homem de Saul, sobrevivente, para ser executado pelos gabaonitas (c. 21,1-10) poupando somente o filho coxo de Jônatas,
Mefiboset, a quem fizera prisioneiro de sua corte. Qual quer que fossem os motivos de Davi[31], os familiares de Saul
acreditavam que ele estava cinicamente tentando exterminá-los
(16,5-8). Por isso, ficariam muito satisfeitos se vissem a casa
de Davi destruída.

Além destas tensões, havia diversas queixas, com as quais
as pessoas astuciosas sabiam jogar. Embora não saibamos por-
menorizadamente quais fossem estas queixas, havia com cer-
teza ressentimentos pela intrusão do Estado na independência
tribal, ressentimentos pela corte florescente e pela posição
privilegiada dos vassalos de Davi. Havia sem dúvida milha-
res de pequeninos ciúmes pessoais entre os cortesãos ambicio-
sos, dos quais nada sabemos. Havia descontentamento com a
administração da justiça (c. 15,1-6). Além disso, a conquista
e a manutenção do império exigiam contingentes israelitas para
servir, ano após ano, a baixo custo, e como meros auxiliares
das tropas de Davi. Provavelmente eles reagiam com muito
pouco entusiasmo. Por isso é que, no fim, foi preciso fazer
um recrutamento dos que eram necessários. E, naturalmente,
os ciúmes regionais, já crônicos em Israel, continuavam o seu
curso. Havia combustível bastante para uma fogueira. E a
sucessão ao trono foi a fagulha.

b. A rebelião de Absalão (2Sm 13-19). — A primeira
e mais séria crise foi precipitada por Absalão, filho de Davi
com a princesa araméia de Gessur (c. 3,3). Tudo começou
quando a irmã de Absalão foi violada e, em seguida, humilhada por seu meio-irmão Amnon, o filho mais velho de Davi (v. 2).
Depois de ter aguardado uma oportunidade por dois anos, durante os quais Davi não tomou qualquer atitude, Absalão assassinou Amnon a sangue frio (c. 13,20-39). Possivelmente sejamos injustos ao suspeitar que ele queria uma desculpa para remover um pretendente ao trono — mas possivelmente não!

Absalão passou três anos exilado na terra de sua mãe,
e só lhe foi permitido voltar pelos bons ofícios de Joab,
para ser por fim perdoado — depois de mais dois anos —
por Davi (c. 14). Logo depois, Absalão começou a maquinar
apoderar-se do trono. Sem dúvida, ele ressentiu-se com Davi
por ter deixado Amnon sem castigo e tê-lo depois condenado 
por um ato que uma consciência comum teria perdoado. Sem
dúvida, embora estivesse ostensivamente perdoado e provavelmente fosse o filho mais velho vivo, ele sabia que seu pai
certamente o pretereria. Quatro anos foram passados em preparação[32], conquistando o favor do povo, ouvindo as suas
queixas e estabelecendo contatos com agentes, através de toda
a região (c. 15,1-12). Então, feitos os seus planos, Absalão
foi para Hebron, lá ungiu-se rei, e desfraldando a bandeira da
revolta, marchou contra Jerusalém com uma força considerável.
Davi, completamente tomado de surpresa, foi obrigado a abandonar a cidade e fugir (vv. 13-37).

Apesar dos familiares de Saul aceitarem com satisfação a
rebelião de Absalão, pensando que a sua hora de vingança
havia chegado (c. 16,1-8) [33], não hcuve nenhum golpe contra
a casa de Davi — à qual Absalão pertencia —, nem mesmo
uma revolta regional [34]. Antes, parece que ele se aproveitou da
grande quantidade de queixas indefiníveis e do fato de que
tinha adeptos em toda a região, não somente em Judá mas na
própria casa de Davi. O conselheiro de Absalão, Aquitofel,
(c. 15,12; cf. Js 15,51) era um familiar de Judá, cujo filho era
membro da guarda de honra de Davi (c. 23,34), enquanto que
seu general, Amassa, era parente próximo tanto de Joab quanto
de Davi (2Sm 17,25; lCr 2,15-17). Além disso, o fim da
revolta (que começou em Hebron!) encontrou Judá excessivamente relutante, até mesmo de aproximar-se de Davi (2Sm
19,11-15).

Entretanto, não é provável que a maioria dos israelitas
apoiasse Absalão. Além disso, a maior parte da corte de Davi,
as autoridades eclesiásticas e, acima de tudo, suas tropas pessoais, eram leais (2Sm 15,14-29). Davi fugiu para o leste do
Jordão provavelmente porque elementos do exército lá estivessem estacionados, assim como vassalos e amigos ccm os quais
ele podia contar (c. 17,27-29) — um dos quais, irmão de
Hanum, antigo inimigo de Davi (cf. c. 10,lss), era provavelmente seu representante em Amon.

Quando Absalão, que tinha ficado em Jerusalém, divertindo-se loucamente (c. 17,1-23), finalmente resolveu perseguir
Davi, Joab e suas tropas deram cabo de suas forças heterogêneas,
e o próprio Absalão morreu ignominiosamente às mãos de Joab
(c. 18). A rebelião foi sufocada. De todo Israel, o povo
acorria para fazer as pazes com Davi e restabelecê-lo em seu
trono.

c. A Rebelião de Seba (2Sm 20). — Porém, mesmo
antes de Davi poder voltar para Jerusalém, desencadeou-se uma
nova revolta, desta vez resultado de um ressentimento regional.
Davi comportara-se generosamente com os servidores de Absalão, evitando represálias e concedendo anistia até aos que tinham sido mais gravemente implicados (c. 19,11-30).[35]

Quando os anciãos de Judá voltaram, naturalmente temerosos de aproximar-se dele por causa de sua atitude passada
em relação a Davi, ele os tratou muito bem, com palavras
amáveis, e prometeu que Amassa, o general rebelde, iria substituir Joab como comandante do exército. Davi, naturalmente, não
podia perdoar Joab por ter assassinado Absalão contra suas
ordens expressas e, em seguida, alardear brandura (vv. 5-7).
Mas as tribos do norte consideravam a ação de Davi como um
favoritismo gritante e se irritaram (vv. 41 a 43). Depois de
palavras amargas de ambas as partes, desencadeou-se novamente
a rebelião.

Esta rebelião, que foi uma tentativa para afastar o norte
de Israel de sua união com Judá sob Davi, é uma ilustração
esplêndida da natureza frágil daquela união e um prognóstico de
sua eventual dissolução. Seu líder, o benjaminita Seba ben Bichri,
pode ter sido um parente de Saul (cf. Becorath: lSm 9,1).
Exigia-se uma ação rápida. Correndo para Jerusalém, Davi
mandou Amassa convocar imediatamente os contingentes de
Judá. Mas, na medida em que Amassa estava levando mais
tempo do que se esperava, Davi despachou suas tropas pessoais.
Quando Amassa apareceu com os contingentes, Joab atravessou-o com sua espada e retomou o comando.

A campanha foi breve. Aparentemente, Seba não tinha mais
apoio, e desde a chegada das forças de Davi ele se retirou para a região mais longínqua do norte. Batido completamente ali,
ele foi assassinado por cidadãos que não tinham muito entusiasmo por sua causa. Isso pôs fim à rebelião, deixando o
trono de Davi em segurança. Mais uma vez, tem-se a impressão
de que o exército de Davi teve um papel decisivo.

c. A ascensão de Salomão ao trono (lRs 1). — Mas o
problema da sucessão ao trono não ficou mais resolvido do
que antes. Supõe-se que Davi prometera a Betsabéia, que Salomão lhe sucederia (vv. 13.17), porém ele não havia feito
nada acerca disso, e já estava velho e fraco.

Sua ambiguidade encorajou Adonias, o mais velho dos filhos
vivos de Davi (2Sm 3,4) a tentar arrebatar o esperado prêmio.
Sem dúvida, sabedor de que Salomão estava sendo preparado
para a posição e sentindo que esta era legalmente sua, começou - como Absalão o fizera — a impressionar o povo, enquanto
negociava com Joab, não mais considerado pessoa da estima
de Davi, e com o sacerdote Abiatar. Então, chamando os irmãos e outros representantes para a festa da fonte sagrada de
Rogel, ele proclamou-se rei.

A festa de Salomão, que incluía Natan, o profeta, Sadoc,
o sacerdote, e Banaías, o chefe dos mercenários de Davi, tinha
que ser realizada rapidamente. Correndo até Davi, eles informaram-no do que estava acontecendo e pediram-lhe, encarecidamente, que tomasse uma decisão e a proclamasse. Davi, diante
disso, ordenou que Salomão fosse sagrado rei imediatamente.
Escoltado pelas próprias tropas de Davi (lRs 1,33.38), Salomão
foi trazido para a fonte sagrada de Gion, e lá foi ungido por
Sadoc e aclamado rei pela multidão. Adonias, ouvindo o movimento do povo, e sabendo que seu jogo chegara ao fim,
refugiou-se no altar, procurando asilo, e recusou-se a sair de
lá até que Salomão jurasse não matá-lo.

Todo o problema foi claramente uma intriga de corte. Com
Adonias estava o general Joab; com Salomão estava Banaías,
um oficial que, sem dúvida, desejava tornar-se general — e que
o conseguiu (lRs 2,35). Com cada um havia dois sacerdotes
rivais, para vantagem de um e imensa desvantagem de outro
(vv. 26ss.35). A palavra de Davi, sem dúvida, pesou para
resolver a situação. Mas o que é interessante, e certamente
não há nenhuma coincidência, é que a vitória foi obtida por
aquele que possuía tropas.


Embora o povo encorajasse o “fato consumado”, a aclamação popular foi uma ficção, e Salomão não podia nem
mesmo pretender a posse de dons carismáticos. O velho padrão
para seleção da liderança fora quebrado.



[2] Este incidente pertence quase certamente à guerra final de Davi contra os filisteus. Cf. mais abaixo, p. 258. 

[3] Afirmou-se que o reinado de Saul era entendido como dinástico:
por exemplo, Buccellati, o.c., pp. 195-200; W. Beyerlin, in ZAW,
73 (1961), pp. 186-201; M. Ottoson, Gilead: Tradiiion and History,
C. W. K. Gleerup, Lund (1969), pp. 200ss. Não resta dúvida de que
Saul e sua Casa queriam estabelecer uma dinastia; e Isbaal era certamente apresentado porque ele era o único filho vivo de Saul. Mas
deve-se fazer uma distinção entre uma pretensão dinástica e a aceitação
geral desta pretensão pelo comum do povo. O fato de Isbaal nunca ter
sido aclamado pelo povo (cf. 2Sm 2,8ss) e nunca ter reunido o povo
ao seu lado, mais o fato de, mesmo durante sua vida, ver-se o povo
bandeando-se para Davi (c. 3,17-19), mostram que suas pretensões
tinham pouco fundamento na vontade popular. Quando seu partidário
Abner o abandonou, Isbaal ficou indefeso. 

[4] Discordamos aqui da opinião de A. Alt (o.c., pp. 208-261) de que o carisma não teve nenhum papel real na eleição de Davi e que 2Sm 5,2, referindo-se a ele como nãgid de Iahweh, apresentava uma ficção, com a finalidade de fazer com que a elevação de Davi parecesse ter sido feita segundo os padrões antigos. Embora Davi não fosse carismático à maneira de Gedeão e Saul (tampouco o fora Jefté!), o povo com certeza voltou-se para ele porque seus feitos o convenceram de que Iahweh o havia escolhido. 

[5] Alguns estudiosos acreditam que Jerusalém já estava nas mãos
de Davi nessa época: por exemplo, Aharoni, in LOB, p. 260; Eissfeldt,
in CAH, II: 34 (1965), pp. 44-46. É impossível que esta suposição
esteja certa. Mas os acontecimentos de 2Sm 5, não estão em ordem
cronológica. De acordo com o v. 17, os filisteus atacaram assim que
ouviram falar da aclamação de Davi por Israel. Teria Davi arriscado,
ou teria ele tido tempo para arriscar operações ofensivas contra Jerusalém quando ele próprio estava esperando um ataque? Além disso,
Davi reinou sete anos e meio em Hebron (2Sm 5,5), portanto mais
de cinco anos depois de sua aclamação, que se seguiu imediatamente
à morte de Isbaal (cf. 2,10). É difícil de acreditar que ele tenha
esperado tanto tempo, depois de tomar a cidade, para transferir sua
residência para lá. 

[6] lCr 18,1 afirma que Davi tomou Gat. Embora este texto não deva ser preferido ao de 2Sm 8,1, está com toda a certeza correto. Não é contradito por lRs 2,39ss, pois o rei de Gat nele mencionado foi sem dúvida vassalo de Salomão. Tropas gatéias formavam um contingente especial dos mercenários de Davi (2Sm 15,18). Não precisamos supor, como fazem alguns, que a cidade de Gat tomada por Davi não fosse a mesma tão conhecida cidade-estado dos filisteus. 

[7] Isto, contudo, está longe de ser correto; cf. Aharoni, in LOB,
p. 272. Gazer deve ter-se submetido a Davi como o fizeram a maior
parte das cidades-estados canaanitas (veja abaixo, p. 263), razão pela qual o ataque do faraó àquela cidade (veja abaixo, p. 278)
teria constituído uma violação direta do território israelita. 

[8] Cf. especialmente A. Malamat, in JNES, XXII (196.3), pp. 1-17;
v. também G. E. Wright in BA, XXIX (1966), pp. 70-86; e igualmente O. Eissfeldt, Kleine Schriften, Vol. II, J. C. B. Mohr, Tubinga,
1963, pp. 453-456. Contudo, deve-se dizer que Davi mostrou pouco
interesse por uma possível pretensão egípcia em qualquer parte da
Palestina. 

[9] Pode-se concluir de EVV que os soldados de Davi penetraram na cidade através de seus aquedutos subterrâneos. E isto é possível, pois agora se sabe que a parte superior do aqueduto estava em conexão0020com as muralhas da cidade jebusita; cf. Kathleen M. Kenyon, Jerusalem, McGraw-Hill Book Company, Inc., 1967, c. II. Mas a palavra sinnôr (v. 8) é obscura: lCr 11,4-9 não a menciona. 

[10] As genealogias de lCr (6,4-8; 24,1-3; etc.) naturalmente dão a Sadcc uma descendência levítica (aarônica). Muitos acreditam que ele tenha sido sacerdote do templo de Jerusalém jebusita; cf. H. H. Rowley, in JBL, LVIII (1939), pp. 113-141; idem, Festschrift Alfred Bertbolet, J. C. B. Mohr, Tubinga, 1950, pp. 461-472. Isto é realmente plausível, porém incerto. Outros argumentam que ele tinha sido sacerdote em Gabaão (lCr 16,39); por exemplo, Schnuck, o.c., pp. 136ss. 

[11] Sobre o assunto, c£. J. A. Soggin, in ZAW, 78 (1966), pp. 182־188; R. de Vaux, /erusalem and the Prophets (The Goldenson Lecture of 1965, Hebrew Union College Press; texto francês revisado e ampliado, in RB, LXXIII [1966], pp. 481-509). De uma perspectiva um tanto diferente, cf. A. Weiser, in ZAW, 77 ,1965), pp. 153-168. 

[12] Cf. Alt, o.c., pp. 221-225. Jz 1,27-35 reflete a situação sob Davi e Salomão. 

[13] A guerra dos amonitas (2Sm 10), na qual interveio Sobac, pelo
menos precedeu a campanha de 2Sm 8,3-8, na qual Sobac foi esmagado.
Eu não estou convencido de que estas duas passagens se refiram à
mesma campanha, como sugere O. Eissfeldt, in JBL, LXXIX (1960),
pp. 371ss. 

[14] O nome do rei de Sobac, Adadeser ben Rehob (2Sm 8,3), sugere que ele era de uma casa real proveniente de Bet-rehob. Sobre estes Estados e sobre as relações de Davi com eles, cf. Albrjght, in CAH, II: 33 (1966), pp. 46-53; A. Malamat, in JNES, XXII (1963), pp. 1-6; B. Mazar, in BA, XXV (1962), pp. 98-120 (cf. pp. 102ss); idem, in JBL, LXXX (1961), pp. 16-28; Unges, o.c., pp. 42-46. 


[15] ICor 19,7, coioca esta batalha em Medeba. Mas esta parece muito
ao sul; entretanto, supomos que os arameus também estavam interferin-
do nas operações de Davi contra Moab (abaixo); cf. Aharoni, in LOB,
pp. 263. Se MT está correto em 2Sm 8,13, eles também vieram em
auxílio dos edomitas; mas a maior parte dos estudiosos segue LXX nesta
passagem e lê “Edom” em vez de “Aram”. 

[16] A linguagem de 2Sm 8,2, sugere isto. Sendo assim, o rei
moabita foi deixado em seu trono como vassalo de Davi: cf. Noth, in
Hl, p. 193; Alt, in KS, II, p. 70. 

[17] Mas cf. Yadin, o.c., (na nota 3), Vol. II, p. 285, que acredita
que Davi agiu dessa forma porque sua própria força em carros de com-
bate já estava apta para combater. Embora não tenhamos nenhuma informação sobre o assunto, Davi deve ter introduzido o carro de combate, ao menos em pequena escala. 

[18] Não sabemos como Davi governou o território de Sobac. Se ele não deixou Adadezer em seu trono como vassalo, então deve ter administrado esta área de Damasco ou ter colocado outras guarnições e governadores na região. Sobre o assunto, cf. A. Malamat, in JNES, XXII (1963), p. 1-6. Maaca e Tob ficaram certamente como Estados vassalos depois da derrota dos arameus na Transjordânia (cf. 2Sm 10-18ss). 

[19] As cidades mencionadas (2Sm 8,8; lCr 18,8) — Berotai, Tebá (Tebat), Cun (as ultimas duas conhecidas pelos textos egípcios do Império) — ficam no vale entre os Líbanos, ao sul de Hums: cf. Alrright, in ARI, pp. 127ss; Unger, o.c., p. 44. 

[20] Ê impossível ter certeza se este foi um tratado entre iguais
ou entre senhor absoluto e vassalo, embora esta última suposição seja
a mais provável; cf. A. Malamat, in JNES, XXII (1963), pp. 6-8. Por
outro lado, o tratado com Tiro (abaixo) foi certamente um tratado de
paridade; cf. F. C. Fensham, in VT. Suppl., Vol. XVII (1969), pp.
71-87. 

[21] Hiram (Ahiram) I governou aproximadamente em 969-936, sobrepondo-se assim ao reinado de Davi em apenas oito anos; cf. Albright, in ARI, p. 128; idem, in Mélanges Isidore Lévy (veja nota 28), pp. 6-8. Embora seja possível que Davi tenha feito anteriormente um tratado com Abibaal, pai de Hiram, não temos nenhuma informação a respeito. 

[22] Sobre toda esta seção, além das obras já citadas, cf. A. Alt, Das Grossreich Davids (cf. KS, II, pp. 66-75); v. também K. Galling, Die israelitische Staatsverfassung in ihrer vorâerorientaliscben Umwelt in Der Alte Orient, 28: III/IV (1929). 

[23] Freqüentemente compreendido como “cretenses e filisteus” (com o último nome assimilado ao primeiro); mas cf. a proposta de Albright, in CAH, II: 33 (1966), p. 29 (“cretenses armados à ligeira”). Parece que os filisteus constituíram o núcleo do exército permanente de Davi. Um contingente de gateus (homens de Gat) também aparece (2Sm 15,18). 

[24] Cf. R. de Vaux, Titres et fonctionnaires égyptiens à la cour
de David et de Salomon (1939) — reedição in Bible et Orient, Les
Éditions du Cerf, Paris, 1967, pp. 189-201; J. Begrich, Sõfér und M.azkír,
in ZAW, 58 (1940), pp. 1-29. O nome Susa (cf. lCr 18,16; lRs
4,3) e o de seu filho Helioref podem ser de origem egípcia; mas sobre
o primeiro cf. A. Cody, in RB, LXXII (1965), pp. 381-393. O “amigo
do rei” (cf. 2Sm 15,37:16,Í6; cf. lRs 4,5) também pode ter sido um
título oficial (conselheiro ou coisa semelhante), igualmente com paralelos egípcios; cf. H. Donneb, in ZAW, 73 (1961), pp. 269-277. 

[25] Sobre toda a questão do censo de organização militar cf. G. E. Mendenhall, in JBL, LXXVII (1958), pp. 52-66. 

[26] A lista de cidades constante de Js 15,21-62 reflete a organização administrativa de Judá nos dias da monarquia. Embora esta lista provavelmente date do século nono (veja abaixo, p. 335), o sistema é mais antigo e pode remontar ao próprio Davi; cf. F. M. Cross e G. E. Wright, in JBL, LXXV (1956), pp. 202-226. 

[27] Cf. Albright, in ARI, pp. 120ss; v. também M. Lõhr, Das Asylwesen im Alten Testament, M. Nyemeyer, Halie, 1930. A própria instituição, contudo, deve ser mais antiga. Cf. M. Greenberg, in JBL, LXXVIII (1959), pp. 125-132. 

[28] Scbre a antiguidade da música do templo em Israel, cf. Albright, in ARI, pp. 121-125. 


53 Assim, Yadin, o.c., Vol. II, p. 277. Já K. Elliger, Die dreissig
Helden Davids (1935) — reedição, Kleine Schriften zum Alten Testament,
Chr. Kaiser Verlag, Munique, 1966, pp. 72-118 — acredita que a
organização era decalcada no modelo egípcio; mas cf. B. Mazar, in
VT, XIII, (1963), pp. 310-320. 

[30] Salomão, que era adulto quando Davi morreu, nasceu durante as guerras (2Sm 12,24ss), o que as colocaria bem no começo do reinado de Davi. 

[31] Cf. H. Cazelles, in PEQ, 87 (1955), pp. 165-175; A. Malamat, in VT, V (1955), pp. 1-12; F. C. Fensham, in BA, XXVII (1964), pp. 96-100; v. também A. S. Kapelrud, La Regalitã Sacra/Tbe Sacral Kingship, E. J. Brill, Leiden, 1959, pp. 294-301. 

[32] Cf. 2Sm 15,7; veja os comentários. 

[33] O comportamento de Mefiboset é ambíguo. Embora ele mais
tarde negasse ter sido desleal, Davi certamente não acreditou nele (2Sm
19,24-30). 

[34] Com Noth, in Hl, p. 200, devemos discordar de Alt (q.c. — na
nota 1 — pp. 228ss) sobre este ponto. 

[35] Davi naturalmente não perdoou Semei (cf. lRs 2,8ss), nem acreditou em Mefiboset (cf. v. 29). Mas ele era bastante inteligente para ver que as represálias contra estes òois familiares de Saul só iriam piorar a situação.

Fonte: BRIGHT, John. História de Israel. São Paulo: Paulinas, 1978.