1 de agosto de 2015

Gerard Van Groningen: Os Três Ofícios de Moisés (Dt 17.14-18.22)

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Os Três Ofícios de Moisés (Dt 17.14-18.22)[1]

Moisés serviu em várias qualidades: como juiz, legislador, administrador, sacerdote e profeta. Sob sua liderança várias posições oficiais tomaram-se mais especificamente definidas e começaram a funcionar como um ofício distinto prescrito por Yahwéh. O ofício do sacerdócio foi o primeiro a ser definido, organizado e administrado.[2] Uma vez feito isso, Moisés não mais serviu na qualidade de sacerdote. O ofício de profeta tomou-se, no correr do tempo, mais e mais distinto. Por exemplo, Moisés servia como um porta-voz oficial (Êx 19.3-20.26); quando Miriam e Aarão desafiaram Moisés Yahwéh foi muito específico. Ele tinha chamado e nomeado seu porta-voz—nenhum outro senão Moisés (Nm 12.1-8). O ofício de rei não foi definido e estabelecido sob Moisés. Funções reais foram praticadas, como repetidas vezes temos indicado neste nosso estudo. O conceito de realeza esteve presente desde o princípio das relações de Yahwéh com a humanidade. O ofício de rei havia de tomar-se realidade, formalmente, oficialmente, no tempo devido; Moisés tomou isso inteiramente claro.

Durante os dias finais de sua vida, Moisés proferiu três discursos de despedida, que constituem o Deuteronômio. No primeiro discurso (Dt 1.1- 4.43), o servo de Deus relembra os atos de Yahwéh em favor de Israel, desta­cando algumas das atitudes de Israel, inclusive aquelas que não eram positivas. No segundo, um discurso mais longo (4.44-26.19), Moisés recordou a relação pactual que Yahwéh tinha estabelecido com Israel no Monte Sinai (caps. 5-11), reafirmou os preceitos para o culto (caps.12-16) e enunciou vários assuntos civis e cúlticos (caps. 17-27).[3] O último discurso (27.1-31.30) trata das bênçãos e maldições da lei mosaica.


No segundo discurso, pouco depois da determinação de guardar a Páscoa e duas outras festas (16.1-21), Moisés enfoca diretamente várias posições e ofícios, alguns dos quais tinham de ser mais claramente definidos — notada- mente os ofícios de rei (17.14-20), sacerdote (18.1-8) e profeta (18.9-22).[4]

O Ofício de Rei

O ofício de administrador, governador, líder militar e árbitro final funcionaram durante o mandato de Moisés como chefe de Israel, mas ele nunca foi coroado rei. Yahwéh era o Rei de Israel e Moisés, seu digno representante. O conceito de rei e tudo o que ele abrange — trono, reino e domínio — permane­ceria historicamente abstrato, se nenhuma pessoa fosse realmente coroada como rei. Assim, o conceito de um Messias real não se tomaria historicamente realista. Moisés, portanto, preparou Israel para o tempo em que um verdadeiro rei lhe seria dado.

Algumas cláusulas temporais, introduzidas em hebraico pela conjunção ki (quando), preparam o palco para Israel ter um rei coroado em seu meio e depois estabelecido sobre o povo. Quando eles "entrarem" (bô’), "tomarem posse" (yãraS) e "habitarem" ali (Sabbat) (v. 14); quando o povo clamar: "estabeleça­mos um rei sobre nós" (we’ãstmâ), então terá chegado o momento histórico de fazer assim. Portanto, quando o povo tivesse atingido uma "nacionalidade normal" e quisesse ser reconhecido entre as demais nações como tal,[5] esse seria o tempo de dar expressão concreta ao conceito de realeza, que tinha estado presente e funcionado, de fato, embora de um modo abstrato.

As qualificações de uma pessoa digna de expressar o conceito real que viria a ter sua expressão plena no Messias prometido são a seguir relacionadas.[6] Duas estipulações positivas são dadas: (1) Yahwéh elegerá (bãhar) a pessoa; Yahwéh manterá essa prerrogativa e, portanto, o caráter teocrático da monar­quia a ser estabelecida e será a salvaguarda do programa messiânico que Ele está desenvolvendo (v. 15). (2) A escolha de Yahwéh, e, portanto, a do povo, seria de um entre eles (17.15). O escolhido seria um irmão, um filho da sua nação, da semente prometida. Nenhum estrangeiro seria elegível; somente uma pessoa nascida e criada dentro da comunidade do pacto poderia ser apta para servir como prefiguração, precursor, ancestral e tipo do Messias real prometido.

Acrescentam-se quatro advertências relativas ao ofício real: (1) O rei ungido não deveria multiplicar cavalos; Yahwéh proibia o multiplicar, ganhar, possuir e usar muitos cavalos (17.16).[7] (2) O rei ungido não encorajaria o povo a voltar ao Egito (v. 16b). Israel tinha repetidas vezes sido tentado a voltar ao Egito enquanto peregrinava pelo deserto. O drama da salvação não poderia ser revertido; pelo contrário, Israel teria de permanecer um reino separado de sacerdotes e uma nação santa. (3) Também não haveria a multiplicação de esposas (v. 17). Tomar muitas esposas era contrário à ordem inicial de Deus de que homem e mulher fossem uma só carne (Gn 2.22-24). A razão dada foi a tentação que esposas de várias culturas poderiam trazer com elas. O amor de um rei dividido entre muitas esposas dissiparia sua lealdade a Yahwéh (v. 17). E (4) o rei não deveria multiplicar ouro e prata "para si mesmo" (v. 17b). Não havia restrição contra a posse de riquezas (exceto pela razão errada) nem contra ter ou tentar obter riquezas para a nação como um todo. Essas quatro restrições sublinhavam o caráter de servo que o rei teria. O trono não era para auto-engrandecimento, mas para serviço honrado ao povo do pacto em nome de Yahwéh, seu Senhor e Rei.

Uma instrução final refere-se à relação do rei com a lei revelada e inscrita, a Torâ (lei) de Yahwéh (v. 18).[8] O rei deve ter uma cópia preparada para si mesmo; deve ler e obedecer. Assim fazendo, ele reverenciará Yahwéh e manterá uma relação própria com o povo sobre o qual reina. A Lei não deve ser usada para vantagem pessoal de alguém, mas para o bem-estar do reino (v. 20). O ponto principal, obviamente, é que o rei, representando o Soberano do céu e da terra, estará preparado e capacitado para representar e para realizar plenamente a vontade de Yahwéh.

Ao concluir a discussão bíblica do rei prometido a Israel, é importante destacar que a presente passagem põe diante dos leitores o conceito de uma pessoa que havia de ser rei, e somente isso. Não há nenhuma evidência de que o rei teria deveres ou responsabilidades sacras. Não há nenhuma sugestão de que a idéia de rei desenvolveu-se de outras fontes, por exemplo, das nações vizinhas.[9] O conceito de um rei foi posto diante de Israel antes que o povo pedisse tal rei — um semelhante aos das outras nações. A única conclusão válida que pode ser tirada do relato bíblico é que Yahwéh revelou progressi­vamente o conceito de uma pessoa real. Ele trouxe progressivamente à reali­zação histórica e ensinou progressivamente seu povo que o Messias prometido seria uma pessoa régia, com prerrogativas, responsabilidades e tarefas régias, que apontaria para a vinda real do Messias.

O Ofício de Sacerdote

A passagem que se refere ao ofício sacerdotal como distinto do de rei e de profeta (Dt 18.1-8) não define o ofício nem prescreve os deveres dos sacerdo­tes.[10] Isso pode ser prontamente compreendido; o ofício, a seleção, a unção, os deveres e os privilégios dos sacerdotes tinham sido claramente apresentados antes. No coração do papel sacerdotal estava a posição mediatorial.[11] Os sacerdotes servem no tabernáculo, e mais tarde no templo de Yahwéh e em outros lugares de adoração (Dt 12,16). Eles permanecem entre o Senhor Santo e um povo não santo. Eles oferecem sacrifícios — de animais, de cereal e incenso — em favor do povo. Eram intercessores perante Yahwéh em favor de seus adoradores e servos.

Moisés, quando descreveu os vários aspectos da vida civil de Israel, não somente reconheceu a presença do ofício sacerdotal como também estabeleceu que os detentores da posição sacerdotal tinham um papel legítimo na economia de Israel. Eles não possuiriam terra (18.1) nem a herdariam. Seriam ricamente providos, pois receberiam de todos os que tinham heranças. Israel recebeu ordens de trazer sacrifícios para atender as justas necessidades dos levitas e sacerdotes, muitos deles mestres e expositores da Lei.

O fato de o ofício sacerdotal ser distinto desde o início da vida de Israel como nação e regular comunidade cúltica não quer dizer que nenhuma pessoa tenha funcionado em dupla qualidade. Moisés o fez por um breve período (Êx 245-8); Melquisédeque também (Gn 14.18-20; cf. Hb 7.1,11-17), mas seu papel sacerdotal é único. O ponto a destacar é que o sacerdócio em Israel não evoluiu a partir da suposta realeza sacra das nações vizinhas.

A significação messiânica do ofício sacerdotal não é realçada diretamente nessa referida passagem bíblica. Mas as pessoas que o exerciam, tendo cumprido várias exigências rígidas para nele funcionar, tinham uma significação messiânica. Os deveres praticados tinham significação messiânica, especialmente à luz da revelação messiânica prévia sobre as promessas e a obra redentora e restauradora de Yahwéh. Portanto, os aspectos tanto estritos quanto amplos do conceito messiânico estão envolvidos na pessoa e na obra do sacerdote. No prosseguimento da revelação divina tal significação messiâ­nica do sacerdócio será esclarecida e seu estudo, desenvolvido. Se houver dúvida a respeito da significação messiânica do sacerdócio, um estudo de Hebreus a desfará.[12]

O Ofício de Profeta

G. Emest Wright estava certo quando escreveu que a profecia em Israel, como instituição, remonta ao Sinai, onde o povo pediu um porta-voz mediador.[13] Antes Yahwéh falara de vários modos (p. ex., por meio de Jacó, Gn 49.1-27), mas Moisés tomou-se o porta-voz oficial de Yahwéh a Israel (Nm 12). A profecia como instituição ou ofício não tinha sido estabelecida antes.[14] Moisés foi chamado para isto.

É importante examinar os elementos essenciais apresentados em Dt 18.9-22. Primeiro, Moisés advertiu os israelitas a não adotar, de maneira alguma, os "caminhos" das nações para apaziguar seus deuses ou apelar a eles para obter instruções e orientação. Buscar revelação para a vida — seja econômica, social ou cúltica — de fontes pagãs era praticar atos detestáveis diante de Yahwéh. Ele haveria de prover para eles. Ele levantaria sucessores entre os israelitas (assim como um rei) para servir como profetas. Isso estava de acordo com o próprio pedido do povo feito em Horeb. Yahwéh e seus profetas deveriam ser ouvidos, e eles somente, nenhum outro. Yahwéh responsabilizaria quem não os ouvisse. Mais ainda, um falso profeta deveria ser morto. A prova para um profeta verdadeiro seria a confirmação de suas palavras pela realização dos eventos preditos.[15]


Não há desacordo sobre a quem se refere a frase um profeta semelhante a mim (18.15). Moisés refere-se a si próprio; ele era um profeta e, como tal, funcionava como um agente messiânico (cap. 7). Há, entretanto, muito debate sobre a identidade desse profeta. Cinco respostas têm sido dadas. (1) Conside­rando principalmente as referências do Novo Testamento (At 3.22; 732; Hb 1.1,2), alguns autores têm dito que "o profeta" refere-se diretamente a Cristo.[16] Essa afirmação, entretanto, não toma a sério o próprio contexto e falha em considerar a necessidade que Israel tinha de um mediador profético em Canaã. (2) Outros, considerando o próprio contexto, isto é, a advertência contra os falsos profetas e atividades pseudoproféticas, encontram aí referência aos profetas que se levantariam em Israel.[17] É certamente verdade que Moisés tinha em mente a necessidade da instituição profética de Israel. Mas subestimar ou recusar-se a considerar a obra messiânica no Velho Testamento não é defensável. (3) Emst Hengstenberg crê que a referência é primariamente a Cristo e secundariamente aos profetas.[18] Isso é uma reversão da apresentação bíblica do processo histórico-redentivo. (4) Meredith Kline, seguindo Calvino, considera que a referência é dupla: tanto à linha profética quanto a Cristo, o Messias.[19] Esse ponto de vista separa Cristo, a culminação da profecia, da instituição profética. (5) A referência é diretamente à instituição profética, vista como instituição que serve no desdobramento do programa messiânico de Yahwéh no Velho Testamento e que culminaria em Jesus Cristo, o Messias prometido. Esse ponto de vista expressa mais plenamente o caráter profético do Velho Testamento e reconhece o desdobramento progressivo do plano messiânico de Yahwéh. Isto é afirmado claramente no Novo Testamento.[20]

Para concluir este capítulo alguns pontos devem ser repetidos. Moisés era um mediador messiânico no velho pacto. Ele cumpriu as três principais fun­ções do mediador messiânico — profeta, sacerdote e rei. Embora estivessem estreitamente entremesclados na obra de Moisés, os ofícios tomaram-se clara­mente distintos e definidos. A revelação a respeito desses ofícios e ao desdo­bramento do conceito messiânico veio de Yahwéh e não das religiões e cultos vizinhos. A revelação messiânica no tempo de Moisés foi única, singular, o precedente para toda revelação messiânica dada posteriormente a Israel por meio dos profetas e poetas que viriam.






[1] Já nos referimos a esses três ofícios antes (cap. 2), mas é necessário repetir certos aspectos da discussão. 


[2] Cf. especialmente Êx 28-29; 39; 40,12-16. O sacerdócio foi formalmente estabelecido quando o tabernáculo foi erguido e o sistema sacrificial inaugurado. 


[3] O fato de esses três ofícios serem descritos e definidos no contexto da discussão dos assuntce civis não quer dizer que sejam consideradosespecificamente ofícios civis. Pelo contrário, a vida civil, por causa de sua natureza abrangente, compreende todos os aspectos da vida, embora nem todos contenham deveres e funções especifi­camente civis. 


[4] A autoria mosaica do Deuteronômio tem sido largamente discutida. As referências a cavalos (17.16), mulheres (v. 17) e ricos (v. 17) têm levado escritores como Gerhard von Rad (Deuteronomy: A Commentary, trad. de Dorothea Barton [Filadélfia: Westminster, 1964], pp. 118-120) e Johan Pedersen (Israel: Its Life and Culture [Copenhague: n.p., 1940]) a crer que essa referida passagem foi escrita depois do reinado de Salomão, ou mais provavelmente, de acordo com muitos eruditos, no tempo de Josias (ver também G. Ernest Wright, Deuteronomy, em IB, 2.441). 

G. T. Manley,7?je Book ofthe Law (Grand Rapids: Eerdmans, 1957), discute o assunto de modo são e equilibrado; ele afirma que as alternativas à autoria mosaica levantam mais do que resolvem tais problemas (cf. pp. 114-117,164,177). 


[5] O pedido de um rei, por parte de Israel, "como todas as demais nações", não indica necessariamente que o povo repudiasse Yahwéh como Senhor. Quando os israelitas, por exemplo, pediram a Moisés que falasse por eles com Deus no Sinai (Êx 20.19), não estavam necessariamente rejeitando Yahwéh como seu Legislador. Quando, séculos mais tarde, os israelitas pediram um rei, sua motivação estava errada; Samuel compreendeu que eles estavam rejeitando Yahwéh (1 Sm 8.6). 


[6] A descoberta, decifração, e estudo inicial do "Rolo do Templo" do Mar Morto deu-nos algumas informações interessantes sobre o que os essênios ou a comunidade de Qumran esperava do rei-Messias prometido (cf. o artigo de Yigael Yadin, BAR 10/5, [1984]:32-49). Ver também sua edição em inglês, em três volumes, de The Temple Scroll (Jerusalém, 1983). 


[7] Para uma discussão informativa a respeito da atitude de Israel para com os cavalos ver Keil e Delitzsch, em sua resposta a E. Riehm [KD, sobre Nm 17.16, n. 1). São dadas cinco razões pelas quais o rei não deveria ter muitos cavalos: (1) A terra não poderia sustentar muitos animais grandes, usados somente para prazer ou poder; (2) os cavalos eram usados para tirania e opressão; (3) os cavalos eram um meio militar e levariam a "confiar na carne"; (4) os cavalos eram populares no Egito e poderiam levara relações proibidas com aquele país (17.16); (5) poucos cavalos realmente poriam o rei de Israel longe dos reis das outras nações. 


[8] O debate a respeito do significado de Tohrà nunca foi resolvido. G. Ernest Wright favorece o livro do Deuteronômio (JB, 2.441); Calvino pensa que é "toda a substância da doutrina" (ver Harmony ofthePentateuch, 2.99). 


[9] Cf. nossa discussão anterior da posição de Ivan Engnell (,Studies ofDivineKingshipin theNearEast[Oxford: Blackwell, 1943]), A. Johnson, e outros, que defendem que Israel adotou uma realeza sacra de outras nações e de outros sistemas religiosos. 


[10] Para uma obra atualizada sobre o sacerdócio ver Leopold Sabourin, Priesthood (Leiden: Brill, 1973; ver pp. 267-276 para uma excelente bibliografia). Esse estudo completo, lamentavelmente, apóia-se nos métodos da crítica da redação. Isso não quer dizer que toda a obra de Sabourin deva ser rejeitada. Pelo contrário, ele chega a algumas conclusões válidas: (1) tem sido dada ênfase demasiada ao papel mediador da realeza sacra, levando a negligenciar outros tipos de mediadores, sacerdotes e profetas (p. 227); (2) na religião de Israel a função mediadora do sacerdócio era vista como parte do grande planejamento da salvação divinamente instituída e oferecida ao povo (p. 227). Outras obras úteis para consulta sobre o sacerdócio são: R. de Vaux, Ancient Israel: Hs Life and Institutions (Londres: McGraw-Hill, 1961), pp. 345-405; Johan Pedersen, Israel: Its Life and Culture (Copenhague, 1940), 34.150-198; Aelred Cody, A History ofOld Testament Priesthood, Analytical Biblica 35 (Roma, 1969). 


[11] A alta crítica tem dedicado muita atenção à relação entre sacerdotes e levitas. A Escritura afirma que todos os sacerdotes eram levitas, mas nem todos os levitas eram sacerdotes, um ponto de vista aceito entre os críticos. G. Ernest Wright afirma que essa última perspectiva não é apoiada pela comprovação bíblica (Deuteronomy em IB, 2.444,413-414; cf. seu "The Levites in Deuteronomy", VT4 (1954):325-330). Alguns dos levitas eram mestres da Lei Mosaica (Dt 33.8-10). Mais tarde tornaram-se porteiros do templo (1 Cr 9.26,27; cf. 23.28 sobre seus deveres). Os sacerdotes e levitas eram distinguidos já no reinado de Davi (1 Cr 23.6-23; 24.1-18). 


[12] Ver a obra Epistle to theHebrews, de F. F. Bruce (Grand Rapids: Eerdmans, 1979). 


[13] G. Emest Wright, Deuteronomy, em IB, 2,449. 


[14] Entre os numerosos estudos sobre a origem e desenvolvimento da profecia está o de Edward J. Young, que examinou especificamente Dt 18.9-20 [MyServants, theProphets (Grand Rapids: Eerdmans, 1952), pp,56-59). 

A. C. Welch reflete um estágio nos estudos da alta crítica em Prophet and Príest in Old Israel (Oxford: Blackwell, 1953). Ele rejeita a idéia de Robinson de que os israelitas adotaram a cultura da Palestina en bloc{p. 13). Ele prefere pensar em termos de um culto em desenvolvimento. Os ancestrais de Israel tinham um culto. Moisés reformou-o, os profetas refinaram-no e os sacerdotes deram-lhe a forma final depois do exílio. Quanto ao movimento profético, ele ''brotou da vida da própria nação e tinha raízes profundas em seu passado" (p. 148). A relação entre o ofício de profeta e o de rei recebe a atenção de eruditos como A. C. Welch, Kings and Prophets of Israel (Londres: Lutterworth, 1952), e W. A. Meek, TheProphet-King(Leiáen', Brill, 1967). Este último estudo toma como ponto de partida a tensão que se supõe existir entre a reivindicação de Jesus de ser um profeta e seu reconhecimento como rei. Meek procura encontrar o fundo para isso na relação entre Davi e Moisés. 


[15] Profecia no sentido de predição de longo alcance não está incluída aqui; a referência é feita à revelação para um futuro imediato. 


[16] Cf. D. L. Cooper, The Eternal GodRevealingHímselfÇkíarnaburg: Evangelical, 1928), p. 70; C. H. Macintosh, Notes on the Book ofDeuteronomy (New York: Revell, 1974), pp. 299. Teeple, TheMosaicÉschatologicalProphet, SBL (1961), p. 669. 


[17] J. Barton Payne, The Theology ofthe Older Testament(Grand Rapids: Zondervan, 1977), p. 281; Roland K. Harrison, Introduction to the Old Testament (Grand Rapids: Eerdmans, 1974), p. 656; Edward. J. Young, An Introduction to the Old Testament (Grand Rapids: Eerdmans, 1975), p. 100). 


[18] Hengstenberg, Christology ofthe Old Testament, 1,40. 


[19] Meredith Kline, The Treaty ofthe Great King (Grand Rapids: Eerdmans, 1963), p. 101. 


[20] Esse ponto de vista é mantido por muitos eruditos, incluindo Paton J, Gloag, The Messianic Prophedes (Edimburgo: T. & T. Clark, 1879), pp. 137,138; Peter C. Craigie, The Book of Deuteronomy (Grand Rapids: Eerdmans, 1976), p. 262; E. Mack, lhe Christin the Old Testament (Richmond: Whillet and Shepperson, 1933), p. 68,

FONTE: GRONINGEN, Gerard Van. Revelação Messiânica no Antigo Testamento.Campinas : Luz para o Caminho, 1995.