28 de agosto de 2015

A economia do Antigo Oriente

A produção de alimentos era a base da economia da Antiguidade. A alimentação era monótona e muito mais simples que a de hoje. Cada região dependia principalmente da produção local. Embora houvesse lugares onde se vendiam cereais e outros alimentos, o escopo de tal comércio mantinha-se restrito.

No Antigo Oriente, a produção de cereais era feita nas planícies junto aos rios, Nas regiões circunjacentes, marginais, nas estepes e planícies do norte, era comum a criação de ovelhas, bem como a de gado e de cavalos em certas áreas. A criação de camelos em larga escala, principalmente no deserto da Arábia, não começou até fins do segundo milênio. O jumento era o animal de carga mais importante.


A Palestina também produzia cereais, embora a agricultura e a horticultura tivessem prioridade. Outro ramo da economia no Antigo Oriente era o trabalho com metais. Uma importante fonte de ouro encontrava-se na terra de Punt, ao sul do Egito. Esta pode ter sido a Ofir bíblica para a qual Salomão enviava os seus barcos (1 Rs 10.11 etc.). Os dois metais mais comuns, usados em armas e ferramentas, eram o cobre e o ferro, produzidos principalmente na Ásia Menor e no Cáucaso, assim como em Chipre. Segundo a Bíblia, o ferro e o cobre eram extraídos das montanhas da Terra Santa (Dt 8.9) — evidentemente uma referência às minas das áreas circunvizinhas: vale do Líbano, sul de Gileade e especialmente as minas de cobre de cada lado do Arabá.

Nas montanhas do Libano e no Antilíbano (Siriom), havia florestas de cedro e outras árvores, fonte importante de madeira para construção não só à Palestina e Síria, como também ao Egito e à Mesopotâmia. As florestas de Haurã e do monte Seir (Edom) só serviam provavelmente às necessidades locais.

As cidades costeiras tornaram-se centros da indústria têxtil por ficarem próximas à fonte das conchas murex usadas para fazer a "púrpura de Tiro", uma tinta reservada aos tecidos de maior valor. O nome
helenista para Canaã, Fenícia, está ligado ao termo grego para a púrpura vermelha — pboenix. Em documentos do século IV a.C. encontrados em Ugarite — cidade portuária ao norte da costa da Síria — é feita menção a tecidos importados de Aco, Asdode e Asquelom. Nos dois documentos ugaríticos e fontes acadianas posteriores, Asdode e talvez também Asquelom são mencionados como centros de exportação pesqueira. Desse modo, podemos supor que existia uma indústria de conservas de produtos da pesca nas cidades costeiras sulinas.

Parece que em vários períodos o sal era obtido do mar Morto e do monte Sodoma, como testemunhado pelo nome Ir-hammelah — a cidade do sal — na extremidade noroeste do mar Morto. O cultivo de vários tipos de resinas aromáticas na região do mar Morto, para o fabrico de perfumes, tinha igualmente certo destaque, já que a região possuía clima apropriado para isso. Os principais centros de produção de perfumes, porém, ficavam ao sul da Arábia.

Os vários ofícios permaneciam como segredos comerciais das famílias e das associações tribais em suas áreas particulares. Uma especialidade do vale do Jordão, perto de Sucote, era a fundição de utensílios de metal (1 Rs 7.46), como confirmado pelas escavações arqueológicas em Sucote. Uma arte bem desenvolvida em Canaã era a escultura em marfim, produto de luxo usado pelos ricos e pela realeza para ornamentação arquitetônica e de peças de mobiliário. As presas eram importadas de Cuxe (Núbia) e da terra de Nfi ao norte da Síria. Os centros desta indústria, no período cananeu, se localizavam ao longo da costa e, no período israelita, principalmente em Damasco, Hamate e talvez
Samaria.

O comércio ocupava então geralmente uma posição importante na economia da Palestina, especialmente naquelas áreas ao longo das principais rotas comerciais.

AHARONI, Yohanan et al. Atlas Bíblico. Rio de Janeiro : CPAD, 1999.