29 de agosto de 2015

R. K. HARRISON - A Queda de Judá

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A Queda de Judá 

CRONOLOGIA DESTE CAPITULO 

Ezequias .................................................. 716/15-687/86 a.C.

Terceiro Cativeiro de Judá................ ....................... 581 a.C. 



O COLAPSO DO REINO DO NORTE, ANTES DA VIOLENTA INVESTIDA DA Assíria, apresentou sérios problemas para Judá. Joacaz ainda estava pagando tributos substanciais para o império assírio, e embora a economia de Judá estivesse relativamente estável, a posição da nação em outros aspectos era extremamente vulnerável. Os assírios pareciam decididos a conquistar o Egito, ou no mínimo em reduzir o seu poder, e o reino do sul formou uma base avançada importante para esse objetivo. O fato de Judá se revol­tar contra os seus senhores assírios e buscar a proteção do Egito, serviria meramente para executar prontamente os planos assírios para a extensão dos interesses imperiais no oes­te. Visto que os recursos militares de Judá eram totalmente inadequados para enfrentar a ameaça de invasão, a maior segurança para o reino do sul pareceu estar na preocupação com assuntos domésticos e na desistência das alianças com os poderes estrangeiros. 

Estas eram as dificuldades com que Ezequias (716/15-687/86 a.C.), filho e sucessor de Joacaz I, se confrontou, quando ascendeu ao trono. Era um homem profundamente religioso que, no início de seu reinado, foi guiado pelo profeta Miquéias para empre­ender um programa de reforma religiosa destinado a reverter as políticas religiosas de seu pai e a erradicar a influência nociva do culto a Baal no reino do sul. Assim, destruiu todos os altos onde as cerimônias religiosas pagãs tinham ocorrido, e fez desaparecer todos os objetos de culto que poderiam ter qualquer significado pagão, incluindo a serpente de metal que Moisés tinha feito e que havia sido preservada no Templo (2 Rs 18.4). A queda recente de Israel acrescentou sanção às reformas, e a consequente puri­ficação da vida religiosa bem como o resgate da adoração a Jeová. 

Campanha de Senaqueribe em Judá (701 a.C.)

Com um exagero característico, as crônicas históricas de Senaqueribe descreveram o tributo exigido de Ezequias, que consistia de trinta talentos de ouro, oito¬centos talentos de prata, e uma ampla variedade de produtos valiosos. O relato em 2 Reis 18.14, no entanto, indica que Ezequias pagou somente trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro.
Enquanto Senaqueribe estava sitiando Laquis, ele enviou um de seus oficiais (cujo título, Rabsaque, foi o único a sobreviver), a Jerusalém a fim de persuadir os cidadãos a se renderem. Falando em hebraico, ele se dirigiu a todos os que pudes¬sem ouvi-lo, e declarou que a campanha que estava sendo travada por Senaqueribe tinha a aprovarão de Jeová, e que Ezequias, portanto, não poderia salvar o seu povo do desastre, Mas embora ele tenha prometido um bom tratamento para to-dos aqueles que se rendessem, o moral dos judeus permaneceu inabalado por esta tentativa de batalha psicológica. Ezequias foi assegurado independentemente por Isaías de que Deus livraria Jerusalém miraculosamente das forças assírias. Como resultado, ele ignorou as ameaças assírias (Is 36.1 — 37.38).
E significativo que Senaqueribe não tenha reivindicado a conquista de Jerusalém em vista da praga devastadora, provavelmente bubônica em natureza, que matou os assírios (2 Rs 19.35). Além disso, o fato de não ocorrer nenhuma menção desta revira¬volta nas crônicas históricas de Senaqueribe é uma característica daquela época, pois quando as crônicas estavam sendo compiladas pelas nações do Oriente Próximo, as derrotas e os fracassos eram invariavelmente ignorados. Após este episódio, Senaqueribe retornou a Nínive deixando a Judéia, e em 681 a,C. foi assassinado por seus filhos (2 Rs 19.37), sendo sucedido por Esar-Hadom (681-669 a.C).
A retirada do exército assírio de Jerusalém foi saudada como um livramento nacional, e isso encorajou Ezequias a iniciar a restauração da prosperidade mate¬rial de seu reino, O resto de seu reinado passou de forma rotineira, e por volta de 686 a.C. foi sucedido por seu filho Manasses. 

28 de agosto de 2015

A economia do Antigo Oriente

A produção de alimentos era a base da economia da Antiguidade. A alimentação era monótona e muito mais simples que a de hoje. Cada região dependia principalmente da produção local. Embora houvesse lugares onde se vendiam cereais e outros alimentos, o escopo de tal comércio mantinha-se restrito.

No Antigo Oriente, a produção de cereais era feita nas planícies junto aos rios, Nas regiões circunjacentes, marginais, nas estepes e planícies do norte, era comum a criação de ovelhas, bem como a de gado e de cavalos em certas áreas. A criação de camelos em larga escala, principalmente no deserto da Arábia, não começou até fins do segundo milênio. O jumento era o animal de carga mais importante.

25 de agosto de 2015

Gerard Van Groningen: A Revelação Messiânica de Josué a Samuel

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A Revelação Messiânica de Josué a Samuel 

Josué como Figura Messiânica 

"O Livro de Josué é uma das obras históricas e religiosas criticamente importantes da Bíblia." Assim Robert G. Boling começa seu comentário sobre Josué.[1] Uma leitura de várias introduções e comentários a Josué confirma a opinião de Boling. Questões relativas ao caráter histórico dos eventos registra­dos, autoria, tempo em que foi escrito (ou editado) e o lugar e função de Josué no cânon do Velho Testamento têm respostas variadas.[2] Marten Woudstra, embora revele plena consciência dessas várias posições, apresenta sua própria,
que difere radicalmente dos pontos de vista dos críticos (notadamente dos especialistas da crítica histórica e literária). A posição de Woudstra pode ser considerada uma reafirmação do ponto de vista historicamente aceito (isto é, a posição conservadora), e com razão. Ele, entretanto, rejeita a história bíblica, o uso moralístico de Josué, e apresenta o seu caráter profético ("Assim diz o Senhor") e programático. Corretamente, ele considera que o livro é parte integral da revelação de Deus para a humanidade e que expõe o programa de Deus para seu povo pactuai num momento crucial de sua história.[3]

Os variados pontos de vista sobre o livro de Josué têm uma influência direta sobre a resposta à questão da revelação do conceito messiânico. Se Josué for tomado como história do desenvolvimento religioso de Israel, será inaceitável o conceito da revelação de Deus a Israel através de seus servos escolhidos. Becker assume exatamente a abordagem crítico-histórica: "Consideramos que as profecias messiânicas não podem ser tidas como predições visionárias de um cumprimento em o Novo Testamento. Na verdade, não havia sequer algo parecido com uma expectativa messiânica até os últimos dois séculos antes de Cristo.[4] Os eruditos que vêem os livros de Josué a 2 Reis como obra teológica de um editor-comentador-teólogo, também respondem à questão da revelação divina de um conceito messiânico de forma diversa daqueles que aceitam esses livros como revelação de Deus. Deve ser dito, entretanto, que alguns desses eruditos que mantêm este ponto de vista "teológico" admitiriam que há traços ou pontos messiânicos nesses escritos.[5] Vários eruditos que sustentam o caráter revelatório dos "Profetas Anteriores"[6] relutam em mostrar toda a importância do conceito messiânico revelado nesses livros, a menos que se admita que eles não estão suficientemente cônscios das circunstâncias históricas dos livros e, ainda mais, que eles, influenciados pelo ensino do Novo Testamento, desco­brem esses fatos nos relatos do Velho Testamento. Devemos compreender que há uma tênue linha entre o que o Novo Testamento atesta a respeito do conceito messiânico contido no Velho Testamento e o que o Novo Testamento acrescen­ta através da expansão e do cumprimento desse conceito.[7] O primeiro está no Velho Testamento pela obra revelatória de Deus, o último não está. 

23 de agosto de 2015

Geografia Bíblica - As rotas internacionais no Antigo Oriente

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As estradas principais desempenharam um papel muito importante na história da Terra Santa. As povoações da Palestina se localizam nas encruzilhadas do Antigo Oriente. A rota mais importante era a estrada que ia da Mesopotâmia ao Egito, e nela fundaram-se destacados centros políticos. Desde os primeiros tempos as caravanas comerciais viajavam pelas principais estradas, levando seus produtos, objetos preciosos e artigos de luxo. Prover as necessidades das caravanas e a sua segurança tornou-se uma fonte constante de renda. Essas estradas, porém, não eram abertas apenas pura o comércio: campanhas e conquistas militares também as palmilharam no decurso da História, deixando na sua esteira destruição e desolação. Na maioria dos períodos, a Terra Santa foi dominada por poderes estrangeiros, do norte ou do sul, que procuravam principalmente tomar posse dessas rotas.

22 de agosto de 2015

John Bright - A monarquia de Israel: Rei Davi

A MONARQUIA UNIDA DE ISRAEL: REI DAVI
(Aproximadamente 1000-961) [1]

1. Ascensão de Davi ao poder

A queda de Gelboé deixou Israel à mercê dos filisteus,
que se aproveitaram da situação vantajosa em que se encontravam e ocuparam pelo menos a mesma extensão de terra
que possuíam antes que Saul entrasse em cena. Embora não
se aventurassem até a Transjordânia, e talvez não muito para o
interior da Galiléia, suas guarnições, mais uma vez, se esta-
beleceram nas montanhas centrais (2Sm 23,14)[2]. A situação
de Israel parecia sem esperança. Entretanto, ele ergueu-se
novamente com incrível rapidez, e dentro de poucos anos já
se havia tornado a principal nação da Palestina e da Síria. Isso
foi obra de Davi.

a. Davi e Isbaal: Reis rivais. — As pretensões da casa
de Saul foram perpetuadas por seu filho sobrevivente, Isbaal,
que tinha sido levado para Maanaim, na Transjordânia, por
seu parente Abner, que sobrevivera ao massacre de Gelboé e
que lá o proclamou rei (2Sm 2,8ss). Tratava-se de um governo
refugiado, se é que se pode chamá-lo de governo, como indica
sua localização fora do alcance dos filisteus. Embora pretendesse governar um território considerável (o centro da Palestina,
Esdrelon, Galiléia e Galaad) é difícil de ver nisto mais do que
uma pretensão.

Geografia Bíblica - Planícies da Terra Santa

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Planícies da Terra Santa

INTRODUÇÃO

Os geógrafos modernos, de modo geral, dividem a Ter­ra de Israel em cinco principais planícies: Acre, Sarom, Filístia, Sefelá e Armagedom. Um conhecimento mais de­talhado desses lugares faz-se necessário, em virtude de sua importância na História Sagrada. Lancemos mão, portan­to, de um importante ramo da Geografia para conhecê-los melhor.

"Topografia" significa, literalmente, descrição de um lugar ou de uma região. Essa palavra é formada por dois termos gregos: "topos" - região e "gráphein" - descrever. Essa ciência ocupa-se da medida e representação geomé­trica de uma determinada porção da superfície do globo.

Seu principal objetivo é fornecer dados para a confecção de cartas geográficas.

Gerhard Kremer, conhecido como Mercator, criou, no Século XVI, os postulados básicos dessa ciência.


I - PLANÍCIE DO ACRE

Geografia Bíblica - Israel: O solo sagrado por excelência

antigo-testamento-danilo-moraesIsrael, palmilhando a Terra Santa

INTRODUÇÃO

Quando lemos a Bíblia, deparamo-nos com centenas de nomes de lugares da Terra Santa, onde desenvolveu-se a maravilhosa História da Salvação. Movidos por irre­primível curiosidade, desejamos conhecer tudo isso "in lo­co". Nem sempre, porém, é possível fazê-lo.

- E por que não visitá-los, então, espiritualmente?

Apelemos, pois, à Geografia Bíblica. Nas asas de suas minuciosas e exatas descrições, voemos a Israel. Palmilhe­mos os lugares percorridos pelos patriarcas, profetas e apóstolos. Divisemos, em cada mapa, o meigo Salvador. Km cada acidente geográfico, a relevância do amor de Deus.


I - A HISTÓRIA DE ISRAEL COMEÇA NO CRES­CENTE FÉRTIL

O Crescente Fértil, não obstante sua vital importân­cia à História da Salvação, é um insignificante retângulo localizado na Ásia Ocidental. Encerrando uma área de 2.184.000 km , representa apenas a 234ª parte da superfície da Terra. Essa região estende-se em forma semicircular entre o Golfo Pérsico e o Sul da Palestina.

Geografia Bíblica - Império Romano

antigo-testamento-danilo-moraesO Império Romano

INTRODUÇÃO

Simbolizado pelo ferro, o Império Romano conquistou e subjugou muitos povos. Do Ocidente ao Oriente, o peso de seus punhos era conhecido e proverbial. Jamais houvera reino tão poderoso! A simples menção de seu nome era mais do que suficiente para amedrontar povos, derrubar reis e dilatar fronteiras.

Eis como Daniel viu esse férreo império: "Depois dis­to, eu continuava olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível,, espantoso e sobremodo forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres" (Dn 7.7).

As histórias de Roma e Israel estreitam-se em Jerusa­lém e na Eternidade. Em Jerusalém, porque foram os ro­manos que destruíram a amada e idolatrada capital do ju­daísmo. Na eternidade, porque foram os romanos, também, quem assinaram a sentença de morte de Cristo, o Fi­lho do Deus Vivo!

O Império Romano, portanto, será tratado com severi­dade no Dia do Senhor!


I - HISTÓRIA DO IMPÉRIO ROMANO

15 de agosto de 2015

Geografia Bíblica - Império Grego

claudionor-andrade-antigo-testamentoO Império Grego


INTRODUÇÃO

A Grécia é o berço da civilização ocidental. Dos gregos, herdamos a democracia, a concepção clássica das artes e, principalmente, a filosofia. Não obstante a exigüidade de suas possessões geográficas, a antiga Grécia continua a nos influenciar. Não fossem os helenos não haveria a tradicional divisão do mundo entre Ocidente e Oriente.

Amantes da liberdade e acostumados às discussões ao ar livre, os gregos legaram-nos um inestimável tesouro - as bases de nossa civilização. Eles, ao contrário dos indianos, chineses e outros povos orientais, discutiam racionalmente todos os assuntos pertinentes à "polis", - cidade, em grego. Acariciados pelos ventos elísios, deleitavam-se em perquirir e filosofar. Tornarem-se amigos da sabedoria - eis a sua maior ambição.

Sob essa atmosfera, tão propícia ao desenvolvimento do espírito, surgiram grandes gênios: Tales, Empédocles, Pitágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles e muitos outros. Visando ao desenvolvimento integral do ser humano, os gregos não se preocupavam apenas com a mente. Voltavam-se, com o mesmo afinco, ao aprimoramento físico. É comum, pois, vislumbrarmos nas esculturas áticas verdadeiros Adônis e Vênus.

Sob o comando de Alexandre Magno, esse ilustre povo conquistou o mundo influente de então e espalhou sua cultura por todas as terras. Foi esse soberano macedônio quem destruiu o Império Persa. As façanhas desse jovem e audaz monarca tornaram-se proverbiais.


I - HISTÓRIA DA GRÉCIA

Geografia Bíblica - Império Persa

claudionor-andrade-antigo-testamentoO Império Persa

INTRODUÇÃO

Com a destruição do Império Babilônico surge uma nova superpotência no Médio Oriente. A coligação medo-persa transforma-se, rapidamente, em um vastíssimo rei­no. No tempo de Assuero, por exemplo, a Pérsia dominava sobre 127 províncias, da índia à Etiópia. Jamais surgira reino de tão dilatadas possessões!

Durante o Império Persa, os judeus foram tratados com longanimidade e condescendência. Permitiam-lhes os soberanos persas, por exemplo, as manifestações de sua re­ligiosidade e tradições nacionais. Nesse período, obtêm os dispersos de Judá permissão para voltar à amada e ines­quecível Terra de Israel e reconstruir o santo Templo e suas casas.

Como todo o poderio humano é efêmero, o Império Persa não deixaria de exalar o último suspiro. Em seu lu­gar, outro reino emergiria. A História vai sendo escrita com a ascensão e queda dos impérios. A soberana vontade do Todo-poderoso, entretanto, permanece incólume e ab­soluta.


I - HISTÓRIA DO IMPÉRIO PERSA

Geografia Bíblica - Império Babilônico

claudionos-andrade-antigo-testamentoBabilônia


INTRODUÇÃO

Babilônia, nas Sagradas Escrituras, é sinônimo de po­der e glória. A história desse império, simbolizado pelo ou­ro, é antiquíssima. Trata-se de uma das primeiras civiliza­ções da Terra. As crônicas babilônicas estão intimamente associadas com as da Mesopotâmia - berço da raça huma­na.

Como não associar, também, a história babilônica à hebraica? Séculos de convívio, nem sempre belicosos, li­gam ambos os povos. Babilônios e hebreus, segundo alguns estudiosos, são oriundos de uma mesma família semita. O patriarca Abraão, a propósito, é originário de Ur dos Caldeus.

Conhecer Babilônia é, acima de tudo, vislumbrar as funestas conseqüências da soberba humana.

I - HISTÓRIA DE BABILÔNIA

2 de agosto de 2015

Geografia Bíblica - Regiões geográficas da Palestina

antigo-testamento-shema-israelREGIÕES GEOGRÁFICAS DA PALESTINA

O terreno da Terra Santa é bastante variado, principalmente devido aos fortes contrastes climáticos de região para região. A principal característica do relevo da Terra Santa e da Síria é a grande fenda que se estende desde, o norte, da Síria, atravessando o vale do Líbano, o vale do Jordão, o Arabá e o golfo de Elate, até a costa sudeste da África. Esta fissura divide a Palestina em ocidental — Cisjordânia — e a oriental — a Transjordânia. Há enormes diferenças de altitude em curtas distâncias.

A distância entre o Hebrom e as montanhas de Moabe em linha reta, não passa de 58 quilômetros, embora ao atravessá-la seja necessária uma descida de +915 metros para -396 metros abaixo do nível do mar (o ponto mais baixo na face da Terra), seguida de uma subida de mais de +915 metros, fisses contrastes formam o árido Arabá, na extremidade do deserto da Judéia, com suas escarpas irregulares, e, do lado oposto, os planaltos férteis e irrigados da Transjordânia. Essas variações de terreno e clima deram lugar a padrões extremamente diversos de povoados na Palestina, que resultaram em divisões políticas correspondentes na maioria dos períodos.

Em várias ocasiões, as regiões mais distintas da Terra Santa são claramente definidas e listadas na Bíblia segundo a topografia e o clima (Dt 1.7; Js 10.40; 11.16; Jz 1.9 etc.). Até mesmo uma lista da classificação geográfica administrativa das cidades de Judá é dividida em quatro regiões principais: Neguebe (sul), Sefelá (planícies), região montanhosa e estepe ou deserto (Js 15.21,33,48,61).

AHARONI, Yohanan et al. Atlas Bíblico. Rio de Janeiro : CPAD, 1999.



R. K. HARRISON - O reino unido e dividido

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O Reino Unido e Dividido 

CRONOLOGIA DESTE CAPITULO 

Davi.....................................1011/10-971/70 a.C.
Salomão.............................. 971/70-931/30 a.C.
Queda de Samaria ...............722 a.C. 

EMBORA A AMEAÇA IMEDIATA AO BEM-ESTAR DE DAVI TIVESSE SIDO removida pela morte de Saul, a vitória dos filisteus em Gilboa gerou um estado de crise na história política dos israelitas. Eles não só haviam perdido a liderança, mas também perderam o controle do fértil vale de Jezreel, que se estendia a sudeste do monte Carmelo até o rio Jordão. A estrada principal da Síria ao Egito, cruzava a parte norte deste vale, enquanto que no sul, se localizava a principal rota comer­cial entre Damasco e Jerusalém. O vale tinha, por muito tempo, sido cobiçado pelos invasores da Palestina por causa de sua importância estratégica, e com os fi­listeus no controle, o declínio da sociedade hebréia foi virtualmente assegurado. 

A Unção de Davi 

Ainda mais séria foi a rivalidade interna que se levantou sobre a questão de um sucessor para Saul. As tribos do norte permaneceram leais à casa do rei morto, e aceitaram o governo de Isbosete, o quarto filho de Saul. Com a ajuda de seu gene­ral, Abner, ele estabeleceu a sua capital em Maanaim na Transjordânia, enquanto Davi voltou para a tribo de Judá e se estabeleceu na antiga cidade de Hebrom. Aqui Davi foi ungido governante sobre a casa de Judá, e governou por sete anos. Sob tais circunstâncias, a guerra entre ele e os sucessores de Saul foi quase inevitável, e uma batalha entre os grupos opositores de guerreiros (2 Sm 2.15) iniciou o pro­cesso de deterioração que culminou na extinção da casa de Saul. Abner discutiu com Isbosete a respeito de uma das concubinas reais, e imediatamente transferiu a sua lealdade a Davi na esperança de que este gesto permitisse que Davi se tomasse governante das tribos israelitas do norte, bem como de Judá. Mas Abner descobriu que como um pré-requisito à aceitação de sua lealdade, Davi exigiu o retorno de sua ex-esposa Micai, casada naquela época com Paltiel (Palti). 

1 de agosto de 2015

Grant R. Osborne - Lei do Antigo Testamento

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Lei do Antigo Testamento

Poucas áreas na Bíblia são tão confusas para o cristão comum como a Torá (= a parte legal do Pentateuco). A razão pela qual Deus determina que certos animais e aspectos da vida sejam considerados impuros parece desconcertante, e os vários ri­tuais sacrificiais simplesmente não fazem sentido. Encaremos a verdade: a maioria de nós nunca ouviu um sermão feito sobre a Torá, e a maioria dos pastores nunca pensou de fato em fazer tal tipo de pregação. Por que é assim? Daniel Block oferece cinco motivos para os cristãos não estudarem as passagens da Torá, chamando-os de “con­cepções míticas” (2005:1): (1) o mito ritualista, que nos faz acreditar que as partes da lei se resumem em “trivialidades ritualistas enfadonhas” que foram negadas pela cruz; (2) o mito histórico, que estabelece que a Torá foi originada numa cultura antiga e tão distante da nossa, que só pode ser interessante para os antiquários; (3) o mito ético, que nos faz pensar que a Torá “reflete um padrão ético que deve ser rejeitado como grotescamente inferior à lei do amor”, conforme foi estabelecida no Novo Testamento; (4) o mito literário, que nos confunde por fazer acreditar que o gênero é tão diferente do estilo atual que nunca poderíamos compreendê-lo; e, por fim, (5) o mito teológico, que nos dá a impressão de que o Pentateuco “apresenta uma visão de Deus que é total­mente censurável para a sensibilidade moderna”. O resultado é uma completa aversão e confusão criadas apenas para nos levar a evitar as passagens da Torá. 

Devemos começar nos perguntando por que Deus faria tal coisa, isto é, desenvol­ver semelhantes regulamentos enigmáticos. Douglas Stuart se refere a “três narrativas que definem Israel como povo” no livro de Êxodo: (1) Deus o libertou da escravidão imposta pelo império mais poderoso do mundo; (2) a presença Shekinah de Deus voltou para Israel, distinguindo esse povo das outras nações; (3) Deus reconstituiu Israel como seu povo especial ao pé do monte Sinai (2006:163). Os israelitas haviam passado trezentos anos sob o domínio da cultura egípcia e agora se tomaram um povo separado sob o domínio de Deus. É difícil conceber a extensão dessa tarefa e do despreparo do povo para tal empreendimento. A Torá foi dada a Israel para ser guia nessa tarefa. 

USOS DO TERMO TÔRÂ NO ANTIGO TESTAMENTO 

Gerard Van Groningen: Os Três Ofícios de Moisés (Dt 17.14-18.22)

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Os Três Ofícios de Moisés (Dt 17.14-18.22)[1]

Moisés serviu em várias qualidades: como juiz, legislador, administrador, sacerdote e profeta. Sob sua liderança várias posições oficiais tomaram-se mais especificamente definidas e começaram a funcionar como um ofício distinto prescrito por Yahwéh. O ofício do sacerdócio foi o primeiro a ser definido, organizado e administrado.[2] Uma vez feito isso, Moisés não mais serviu na qualidade de sacerdote. O ofício de profeta tomou-se, no correr do tempo, mais e mais distinto. Por exemplo, Moisés servia como um porta-voz oficial (Êx 19.3-20.26); quando Miriam e Aarão desafiaram Moisés Yahwéh foi muito específico. Ele tinha chamado e nomeado seu porta-voz—nenhum outro senão Moisés (Nm 12.1-8). O ofício de rei não foi definido e estabelecido sob Moisés. Funções reais foram praticadas, como repetidas vezes temos indicado neste nosso estudo. O conceito de realeza esteve presente desde o princípio das relações de Yahwéh com a humanidade. O ofício de rei havia de tomar-se realidade, formalmente, oficialmente, no tempo devido; Moisés tomou isso inteiramente claro.

Durante os dias finais de sua vida, Moisés proferiu três discursos de despedida, que constituem o Deuteronômio. No primeiro discurso (Dt 1.1- 4.43), o servo de Deus relembra os atos de Yahwéh em favor de Israel, desta­cando algumas das atitudes de Israel, inclusive aquelas que não eram positivas. No segundo, um discurso mais longo (4.44-26.19), Moisés recordou a relação pactual que Yahwéh tinha estabelecido com Israel no Monte Sinai (caps. 5-11), reafirmou os preceitos para o culto (caps.12-16) e enunciou vários assuntos civis e cúlticos (caps. 17-27).[3] O último discurso (27.1-31.30) trata das bênçãos e maldições da lei mosaica.

Mapas Templo de Jerusalém

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