29 de julho de 2015

Geografia Bíblica - Império Assírio

antigo-testamento-shema-israelAssíria

INTRODUÇÃO

Os assírios jactavam-se de descender de Assur, filho de Sem e neto de Noé (Gn 10.11). Esse ilustre patriarca deixou a planície de Sinear para estabelecer-se em uma ci­dade localizada na orla oriental do Tigre, que passou a le­var seu nome.

Durante muito tempo, os descendentes desse renomado semita tiveram uma tranqüila existência. Abstinham-se de conílitos abrangentes.


I - A GEOGRAFIA ASSÍRIA

O território assírio, no princípio, era inexpressivo. Perdia-se entre as grandes possessões dos países circundantes. Com o passar dos séculos, foi se estendendo e abarcando muitas nações vizinhas, transformando-se em um grande império. As fronteiras assírias, porém, nunca foram definidas. Variavam de conformidade com as vitórias ou derrotas dos soberanos de Assur.

No ápice de sua glória, a Assíria ocupava uma área que ia do Norte da atual Bagdá até as imediações dos lagos Van e Urmia. Na linha leste-oeste, ia dos montes Zagros até o vale do rio Habur. Tendo em vista a sua privilegiada posição geográfica, era alvo de constantes invasões dos nô­mades e nativos do Norte e do Nordeste.


II - A HISTÓRIA ASSÍRIA

Durante muitos séculos, Nínive manteve-se inexpres­siva no cenário assírio. Em 2.350 a.C, contudo, Sargão transformou-a na capital dos filhos de Assur. A partir de então, a cidade tornou-se participante das glórias e derro­tas da Assíria.

Nínive é a própria história do Império Assírio.

No Século XII a.C, os assírios começam a demonstrar suas intenções hegemônicas. Sob a poderosa influência do rei Tiglete-Pileser, encetam várias campanhas militares, visando à expansão de seu território. Nessa época, subju­garam facilmente os sidônios.

Os assírios, entretanto, não possuíam guarnições sufi­cientes para manter suas conquistas. Enquanto marcha­vam em direção ao Ocidente, os vassalos orientais rebela­vam-se. A Assíria, em conseqüência desses insucessos mili­tares, sofre clamorosas perdas territoriais.

O enfraquecimento do império assírio favoreceu a con­solidação do reino davídico.

Duzentos anos mais tarde, a Assíria fez novas tentati­vas para dominar o mundo. Salmaneser II, primeiro sobe­rano assírio a ser mencionado nas crônicas hebraicas, der­rotou, na batalha de ('arcar, na Síria, uma coligação mili­tar formada por sírios, fenícios e israelitas.

Passados doze anos, ele volta a enfrentar a aliança palestínica. E, à semelhança da primeira vez, vence-a. Ru­mores do Oriente, entretanto, fazem-no voltar à Assíria. Frustrado, abandona suas conquistas.

No Século VIII a.C, a Assíria começa a estabelecer-se, de fato, no Ocidente.

Tiglete-Peliser II estende as fronteiras de seu império até Israel. Mostrando quão ilimitada era a sua autoridade, obriga o rei israelita, Manaén, a pagar-lhe tributos.

Mais tarde, ajuda Acaz, rei de Judá, a livrar-se das in­vestidas do reino de Israel. Oportunista, toma dez cidades israelitas e translada sua população à Assíria. Como se isso não bastasse, desaloja as tribos de Rubem, Gade e Manas­ses das possessões que elas receberam de Josué, sucessor de Moisés.

A Assíria teve o seu apogeu entre 705 a 626 a.C. Perío­do que abrange os reinados de Senaqueribe, Esar-Hadom e Assurbanipal. Esse clímax de prosperidade e brilho é de­masiado efêmero. Aliás, o poder humano, por mais in­vencível que se mostre, não passa de vaidade, de tolas vaidades.

O império assírio desmorona-se!

Em 616 a.C, Nabopolassar, governador de Babilônia, subleva-se e declara a independência dos territórios sob sua jurisdição. Decidido a arrasar com o já minado poderio assírio, alia-se ao rei medo Ciaxares. Este, em 614 a.C, conquista e destrói totalmente Nínive, para onde Jonas fora enviado a proclamar os juízos do Eterno contra os reti­centes filhos de Assur.

Com a queda de Nínive, desaparece a glória da Assí­ria.


III - AS RELAÇÕES ENTRE A ASSÍRIA E ISRAEL

Visando atingir a hegemonia absoluta do Médio Oriente, a Assíria desencadeou várias crises com seus vizi­nhos ocidentais: sírios, fenícios e hebreus. Esses povos se­paravam Assur de seu terrível e ambicioso rival - o Egito.

Enquanto Nínive não se impõe no Ocidente, Davi soli­difica seus domínios, alargados e engrandecidos por Salo­mão.

Os filhos de Abraão estavam protegidos do imperialis­mo assírio por seus vizinhos setentrionais, cujos territórios formavam uma área defensável às suas possessões. Com a queda da Síria e da Fenícia, porém, os reinos de Israel e Judá tornaram-se mais vulneráveis, não bastassem o sec­tarismo e a rivalidade entre ambos.

Deportar para outras terras os povos subjugados e ar­refecer-lhes o ardor nacionalista. Esta era a política assí­ria; visava do extermínio moral das nações conquistadas. Povo cruel, os assírios esfolavam vivos seus prisioneiros: cortavam-lhes as mãos, os pés, o nariz e as orelhas; vaza­vam-lhes os olhos; arrancavam-lhes as línguas. Funéreos artistas, faziam montes de crânios humanos.

As hordas assírias tentaram apoderar-se, também, de Judá. Foram os assírios obrigados a se concentrarem nos levantes da ('aldeia, onde exalariam seu último suspiro como império.

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Geografia Bíblica, Rio de Janeiro : CPAD, 1987.