29 de abril de 2015

DAVID J. ELLIS: O uso neotestamentário do Antigo Testamento

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O uso neotestamentário do Antigo Testamento

DAVID J. ELLIS


UMA CORTE DE APELAÇÃO NORMATIVA

O fato de que o Novo Testamento se refere constantemente ao Antigo Testamento, tanto direta quanto indiretamente, fica evidente até mesmo em uma leitura ocasional da Bíblia. Até o sistema tradicional de referências marginais, apesar de suas óbvias limitações, mostra com que frequência os autores do NT fizeram do AT sua corte de apelação normativa.

E axiomático o fato de que o NT depende grandemente do AT para a sua compreensão apropriada e que os livros do AT apontam para os do NT para o seu cumprimento definitivo, não só no âmbito prescrito da profecia, mas também em toda a sua missão e mensagem. H. H. Rowley disse que “[o NT] organiza o Antigo Testamento na unidade da Bíblia cristã, mas faz isso para iluminar o Antigo com sua luz própria. Pois o Novo Testamento deve ser definitivamente normativo para a compreensão cristã do Antigo” (The Re-discovery of the OT, 1945, p. 11).

Das mais de mil referências ou citações diretas do AT no NT, a grande maioria parece ter sido tomada da Septuaginta. B. F. C. Atkinson (The Textual Background of the Use of the OT by the New, Journal of Transactions of the Victoria Institute, 79, 1947, p. 39-60) estabelece o número em seis de cada sete, e outros não ficam longe disso na sua avaliação da questão. Além dessas referências diretas, no entanto, há muitas alusões ao AT no NT que podem não ser nada mais que um artifício retórico usado por algum autor do NT para dar vida a certo argumento ou linha de pensamento. Esse

28 de abril de 2015

Império Persa em sua máxima extensão

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Manul Bíblico Unger

Gerard Van Groningen: A Revelação Messiânica no Tempo de Moisés -1

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A Revelação Messiânica no Tempo de Moisés -1 

Na segunda parte cobrimos o conceito messiânico no Livro de Gênesis (caps. 3-6). Na terceira discutiremos os livros restantes do Pentateuco—Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Dada a importância de Moisés tanto no Velho quanto em o Novo Testamento, trataremos primeiro de Moisés, o homem e o mediador (cap. 7) e, em seguida, de Moisés, o mensageiro messiâ­nico (cap. 8). 

Os livros do Velho Testamento que tratam do êxodo de Israel, sua peregri­nação no deserto e a conquista da terra a leste do Jordão — livros que apresentam Moisés como figura chave[1] — formam uma porção da Escritura mais extensa do que os relatos dos Evangelhos sobre o ministério de Jesus na terra. Assim como a busca hodierna do Jesus histórico tem ocupado muitos estudiosos, assim ocorre também com o estudo relativo à historicidade de Moisés — o homem, seu ministério e sua influência. A similaridade na atitude quanto à historicidade de Moisés e de Jesus não surpreende qualquer estudante da Escritura. Foi por meio da pessoa de Moisés que Deus se revelou, em primeiro lugar por meio da palavra falada e dos feitos históricos como o Redentor e o que dá descanso a seu povo. Foi em e por meio de Jesus Cristo que essa revelação foi plenamente revelada como realidade cumprida e garantida para todo o verdadeiro Israel de Deus — todos os judeus e gentios que pela fé aceitam Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Em sentido muito real pode dizer-se que a avaliação que se faz de Moisés, servo de Deus no Velho Testamento, controla, e talvez determina, a avaliação final de Jesus Cristo. O inverso também é verdadeiro. O ponto de vista de alguém sobre Jesus Cristo determina grandemente seu ponto de vista sobre Moisés na organização divina nos tempos do Velho Testamento.[2]

27 de abril de 2015

G.C.D. Howley - Introdução aos livros proféticos

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Introdução aos livros proféticos 

G. C. D. Howley

Quando os inimigos do profeta Jeremias disseram: “Venham! Façamos planos contra Jeremias, pois não cessará o ensino da lei pelo sacerdote nem o conselho do sábio nem a mensagem do profeta” (18.18), eles resumiram as diferentes fontes de autoridade espiritual contidas no AT. Sacerdote, profeta e sábio representavam três meios pelos quais o Senhor falou a seu povo ao longo de séculos. Associava-se com cada um, respectivamente, a “lei”, a “mensagem” e o “conselho”. Os sacerdotes exerciam o ensino como também o ministério cerimonial (Ml 2.6,7), transmitindo a Lei. Os profetas declaravam os oráculos (palavra, mensagem) de Javé, enquanto os sábios transmitiam a sua sabedoria e reflexões acerca da verdade. As três categorias correspondem às três divisões do cânon do AT — Lei, Profetas e Escritos.

A profecia proclamava a palavra de Deus. Isso se expressava de duas maneiras, que se harmonizam com as duas seções dos livros proféticos no AT — os Profetas Anteriores (Josué, Juízes, Samuel e Reis), que interpretam a história à luz do propósito de Deus; e os Profetas Posteriores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e o Livro dos Doze), que registram o que foi transmitido ao povo pelos mensageiros do Senhor (Ag 1.13, RV).

Houve profetas em evidência ao longo de todo o período do AT, embora alguns tenham sido anônimos ou menos conhecidos. Anúncios da vontade de Deus eram raros no período final dos juízes (ISm 3.1). Samuel, no entanto, foi agraciado com uma mensagem pessoal de Deus, e à medida que crescia o Senhor se revelava a ele cada vez mais (ISm 3.19—4.1). Ele tornou-se o último e o maior dos juízes (At 13.20). Ele foi o grande reformador da ordem profética e estimulou as escolas proféticas, sendo ele mesmo participante de uma escola de profetas (ISm 19.20). Mais tarde, foi considerado a maior personagem após Moisés (Jr 15.1). A sua obra deu continuidade, estabilidade e eficiência às funções proféticas, e ele transformou-se no verdadeiro restaurador da religião de Israel. A partir de Samuel, Deus começou a falar diretamente à mente dos homens. O início da ordem profética pode ser datada, portanto, da época de Samuel. Há três referências a Samuel no NT, feitas por Pedro (At 3.24), Paulo (At 13.20) e Hebreus (11.32). “Parece que os dois grandes apóstolos consideraram Samuel o divisor de águas da história de Israel” (E. F. F. Bishop, Propkets of Palestine, London, 1962, p. 28).

Livro de Ester - Antiga Susã

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Roland de Vaux - Instituições Religiosas: O Templo de Jerusalém

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O TEMPLO DE JERUSALÉM 

Com a transferência da arca para sua nova capital, Davi quis fazer de Jerusalém o centro religioso de Israel, mas a arca continuava sob uma tenda e não havia santuário construído para ela. De acordo com II Sm 7.1-7, Davi sonhava em construir “casa” para Iahvé, mas ele foi desviado disso por uma ordem de Deus transmitida pelo profeta Natã. Segundo uma adição antiga ao texto dessa profecia, II Sm 7.13, Iahvé reservou essa realização ao filho e sucessor de Davi. Na redação deuteronômica dos livros de Reis, Salomão lem­bra essa promessa e se apresenta como o executor de um plano que seu pai linha feito mas que não realizou porque estava muito ocupado com suas guer­ras, I Rs 5.17-19; 8.15-21. O Cronista dá a Davi uma função muito mais impor­tante: ele não construiu o templo porque era um homem de guerra que tinha derramado sangue, enquanto que Salomão era predestinado para essa obra por seu nome de rei “pacífico”, I Cr 22.8-10; 28.3; mas Davi preparou tudo: ele lixou o projeto do Templo e fez o inventário de sua mobília, reuniu os mate­riais para construção e os lingotes de ouro para os objetos sagrados, formou as equipes de trabalhadores, regulou as classes e as funções do clero, I Cr 22-28. No fim do capítulo trataremos das idéias teológicas expressas nessas diversas tradições, aqui só afirmaremos o que elas têm de comum: Davi teve a idéia do Templo, mas foi Salomão que o construiu. 

1. O TEMPLO DE SALOMÃO 

26 de abril de 2015

Jerusalém no governo de Neemias (444 a.C.)

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R. K. HARRISON - O Período Patriarcal

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O Período Patriarcal 

CRONOLOGIA DESTE CAPÍTULO 

Meados da Idade do Bronze................................................................. 1959-1550 a.C. 

Última Fase da Idade do Bronze........................................................... 1500-1200 a.C. 

A Era de Mari 

DESDE OS TEMPOS DE SARGÃO, DE AGADE, UMA CONTÍNUA CORRENTE de povos semitas continuava chegando à Mesopotâmia, do deserto ocidental. Eram principalmente amorreus, e durante o período que se seguiu ao colapso da Terceira Dinastia de Ur, se instalaram na região norte do Crescente Fértil. Esta área tornou-se conhecida, posteriormente, como Assíria, e embora permanecesse, no aspecto políti­co, independente de Acade e Sumer, compartilhava das mesmas tradições culturais. Enquanto Babilônia e Larsa lutavam pela dominação na Mesopotâmia, os amorreus estabeleceram o controle sobre a extremidade norte do Crescente Fértil, e a sua capi­tal, Mari, tornou-se uma das mais brilhantes cidades do Oriente Médio. Sob Shamshi- Adad I (1813-1781 a.C.), um destacado contemporâneo de Hamurabi, o poder dos amor­reus foi dominante na Assíria, e somente foi contido depois de alguns anos de hábil atividade política, quando Hamurabi derrotou Zimri-Lim e destruiu Mari. 

23 de abril de 2015

O retorno dos exilados do cativeiro babilônico

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Gerard Van Groningen: O Discurso de Jacó (Gn 49)

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O Discurso de Jacó (Gn 49) 

Há uma passagem bíblica das mais importantes que trata do conceito messiânico na era patriarcal, isto é, o discurso de Jacó a seus filhos (Gn 49.2-27), particularmente a Judá (49.8-12). Suas palavras tratam do passado, do presente e do futuro de cada um dos doze filhos.[1] Como referimos antes neste capítulo, José recebeu reconhecimento como príncipe e abundantes bênçãos. Mas ele não foi designado primogênito dos filhos de Jacó; ele não recebeu os direitos de primogenitura. Nem os recebeu Rúben, o verdadeiro primogênito, nascido de Jacó e Lia. Coube antes a Judá tal designação, e em termos régios. Em verdade, a José tinha sido dada autoridade real e poder para servir como agente de redenção; nisto ele foi tipo de Cristo. Jacó, entretanto, designou Judá como o ancestral específico e precursor do rei prometido. 

Difículdades Textuais 

O material desta passagem é difícil de reunir e condensar. Poucas passagens bíblicas têm dado oportunidade para tanta discussão. Uma das razões disso é que a passagem tem vários elementos: histórico (referências ao passado); poético e simbólico (em forma literária e riqueza no uso de termos tomados ao mundo animal e vegetal); profético (referência ao último dia); de sabedoria (conseqüências advindas de eventos passados). O debate tem sido acalorado também sobre a autoria: é o discurso de mais de um autor ou vem de um só autor? Diferenças em relação ao tempo da composição também são grandes: tem sido colocado quase que em qualquer tempo desde 1800 a.C. até os tempos pós-davídicos. Mas a mensagem do texto, isto é, o discurso de Jacó, tem sido o ponto crucial nessa discussão. 

21 de abril de 2015

A volta do Cativeiro Babilônico

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Roland de Vaux - Instituições Religiosas: Os Primeiros Santuários de Israel

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OS PRIMEIROS SANTUÁRIOS DE ISRAEL 

1. OS LUGARES DE CULTO DOS PATRIARCAS 

Os israelitas atribuíam aos patriarcas a fundação de alguns santuários. Evidentemente, o historiador não pode verificar esse testemunho, mas ele deve reconhecer que essa tradição concorda com dois fatos: primeiro, esses lugares de culto estão todos na fronteira das terras cultiváveis e nas margens da zona onde os pastores transumavam o gado miúdo, o que corresponde ao estado social dos patriarcas. Depois, esses santuários não são os que foram mais fre­qüentados na época dos juizes e sob a monarquia, o que sem dúvida teria sido o caso se se quisesse inventar tardiamente uma origem ilustre para alguns santuários; deve-se excetuar o caso particular de Betel, que deve à política sua importância sob os reis de Israel. Parece até que todos esses santuários patriar­cais se tomaram, desde a monarquia, suspeitos para javismo ortodoxo: eles são certamente muito antigos. 

Sua fundação era de acordo com as regras da escolha de um lugar de culto. Eles são estabelecidos onde um elemento natural manifesta a presença do Deus dos patriarcas - perto de uma árvore, uma colina, uma fonte, mas principalmente onde Deus se manifestou em uma teofania. Esses santuários localizam-se ao longo da rota dos patriarcas. 

18 de abril de 2015

O Império Caldeu


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17 de abril de 2015

R. K. HARRISON - A Mesopotâmia Antiga

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A Mesopotâmia Antiga 

Esboço da Geografia

AQUILO QUE SE RECONHECE, GERALMENTE, COMO SENDO O BERÇO DA civilização humana, consiste de uma imensa porção de terra que, na terminologia moderna, é chamada de Oriente Médio. Uma breve investigação geográfica desta região nos mostra que as suas fronteiras são, ao norte, as montanhas do Cáucaso e a Ásia propriamente dita, enquanto que a leste se estendem os montes Zagros da Pérsia, levando ao Afeganistão e ao Baluquistão. No extremo sudeste deste terri¬tório quadrangular, está o Golfo Pérsico, e ao sul se encontram as enormes terras desérticas da Arábia. A Península do Sinai forma a conexão sudoeste com a África, e as fronteiras ocidentais se completam com o mar Mediterrâneo e o terreno montanhoso da Ásia Menor.

Durante alguns séculos, historiadores e geógrafos, igualmente, chamaram a atenção à existência, no Oriente Médio, daquilo que tem sido chamado de “Cres-cente Fértil". A extensão deste território pode ser avaliada se traçarmos uma linha imaginária para o norte e para o oeste, partindo do Golfo Pérsico, acompanhando o curso dos rios Tigre e Eufrates, e então para o sul, passando pela Síria e Canaã, terminando no Egito, Esta rica porção de terra viu o desenvolvimento da atividade humana na Nova Idade da Pedra (aprox. 6000-4500 a.C.), e deste berço tradicional da humanidade emergiu toda a variedade da antiga civilização, até o século V a.C., quando o florescimento da Idade do Ouro grega marcou o surgimento de uma cultura européia específica.

Os reinos de Israel e Judá

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16 de abril de 2015

O reino unido sob Salomão

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15 de abril de 2015

2 Samuel 5.8 e 1 Crônicas 11.6 - Diagrama do sistema municipal de àgua de Gibeom

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14 de abril de 2015

Israel e as rotas comerciais antigas

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13 de abril de 2015

Assíria

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Gerard Van Groningen: A Revelação Messiânica no Tempo de Jacó

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A Revelação Messiânica no Tempo de Jacó

Nos diversos estudos sobre o conceito messiânico pouca referência é feita a Jacó e seus filhos. Ernst Hengstenberg discute somente a profecia relativa a Judá.[1] Comentaristas de Gn 25-49 referem-se a vários eventos que eles consi­deram importantes. Kidner trata da importância da sucessão[2] e da "emergência de Israel".[3] A missão de Abraão foi continuada: Isaque a cumpriu fielmente;[4] Esaú provou ser inapto ao desposar duas mulheres hititas;[5] Jacó, a despeito de suas falhas de caráter, e José, por meio de suas provações, tomaram-se trans­missores da missão pactual de Deus às diversas nações por meio da semente de Abraão.

Neste capítulo incluiremos: (1) Uma seleção de acontecimentos básicos na vida de Jacó (Gn 25.19-49.33); (2) uma discussão da tipologia messiânica com referência específica a Jacó e José; e (3) um estudo da profecia de Jacó, especial­mente em relação a Judá (Gn 49.8-10).


O Relato do Gênesis a Respeito da Família de Jacó (Gn 25.19-49.33)

O Nascimento dos Filhos de Rebeca

12 de abril de 2015

Comparação entre 1 e 2 Reis

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Roland de Vaux - Instituições Religiosas: Os Santuários Semíticos

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OS SANTUÁRIOS SEMÍTICOS 

Sendo o culto a homenagem exterior que o fiel rende a seu deus, o lugar de culto é um lugar onde espera-se que esse deus receba essa homenagem e ouça a oração de seu adorador, logo, um lugar onde se supõe que a divindade esteja presente, de uma certa maneira e pelo menos enquanto se desenrola a ação cultual. Deve-se ver como essa noção comum a todas as religiões se expressou entre os semitas, e especialmente entre os cananeus e os israelitas. 

1. O TERRITÓRIO SAGRADO 

Parece característico da religião dos semitas que o lugar santo não seja somente a localização precisa onde se celebra o culto, o altar levantado ou o santuário construído, mas que ele compreenda também um certo espaço ao redor do templo ou do altar. Sem dúvida, isto não é exclusivamente semítico: os grandes templos gregos são cercados por um temenos, fechado por um períbolo, este é um espaço sagrado. Mas esse espaço sagrado parece ter tido entre os semitas uma importância particular. 

11 de abril de 2015

Arqueologia: Datação de Cerâmica

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Adoração no Templo de Salomão

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R. K. HARRISON - Recuperando a Antiguidade: do Oriente Médio

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Recuperando a Antiguidade: do Oriente Médio 

O Conteúdo Cultural do Antigo Testamento 

EM TODOS OS PERÍODOS DA HISTÓRIA DO ANTIGO TESTAMENTO, os antigos hebreus estiveram em contato com outras nações no Oriente Médio. Abraão mudou-se, com sua família e os seus bens, da Mesopotãmia para Canaã, durante o segundo milênio a.C„ e visitou rapidamente o Egito antes de se fixar no local que viria a ser a terra de seus descendentes. Nos tempos de Moisés, os israelitas, que aproximadamente dois séculos antes tinham se fixado na região de Gósen, junto ao delta do rio Nilo. se encontraram vivendo em condições de escra­vidão no Egito, e antes que ocupassem a Terra Prometida, tiveram conflitos com as nações da Transjordânia e com os habitantes pagãos da própria Canaã. 

Durante os tempos de Davi, os filisteus, que tinham emigrado anteriormente para o sul da Palestina, saindo da região do Egeu, representaram uma grave ame­aça à existência da nação israelita, e somente foram dominados depois de uma luta prolongada. Nos dias do rei Salomão, houve um grande contato — cultural e comercial — com os fenícios, no noroeste da Palestina, e a sua influência foi parti­cularmente evidente na atividade de construções daquela época. O reino do norte, Israel, mal tinha se tornado uma entidade independente, depois da morte de Salo­mão, quando o poder ascendente do regime sírio começou a desafiar a existência deste reino, enquanto o sul, Judá, tornou-se uma vítima involuntária da agressão militar dos egípcios. 

10 de abril de 2015

Jerusalém no tempo de Davi

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ROBERT B. CHISHOLM, JR. - Uma teologia dos Profetas Menores: Jonas

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JONAS

INTRODUÇÃO

O livro de Jonas é diferente dos outros livros dos Profetas Menores. Trata-se de uma narrativa bibliográfica das experiências do profeta, e não de uma coletânea de mensagens proféticas. O tema prioritário do livro é a graça soberana de Deus pelos pecadores, ilustrada na sua decisão de reter o julgamento sobre os culpados, mas arrependidos ninivitas. Há também uma lição teológica importante a ser aprendida observando as respostas de Jonas a Deus. O retrato do autor de Jonas é altamente depreciativo. Os padrões duplos de Jonas fizeram com que as suas ações lhe contradissessem os credos de tom espiritual. Pelo exemplo negativo de Jonas, o leitor aprende a não resistir à vontade e decisões soberanas de Deus.

A GRAÇA SOBERANA DE DEUS

9 de abril de 2015

2 Samuel 5.8 e 1 Crônicas 11.6 - Corte transversal através da fonte de Giom, em Jerusalém

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Gerard Van Groningen: A Revelação Messiânica no Tempo de Abraão e Isaque

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A Revelação Messiânica no Tempo de Abraão e Isaque 

Abraão não surgiu num vácuo não-histórico. Nem lhe foi dada uma posição proeminente na Escritura porque Israel como nação, ansiando por um progenitor nacional, criou Abraão como uma figura lendária.[1] O texto bíblico registra os fatos históricos reais referentes aos ancestrais de Abraão e inclui um rápido sumário do desenvolvimento da raça humana à qual Abraão foi cha­mado a servir de um modo peculiar.[2]

O Contexto do Chamado de Abraão (Gn 10,11) 

A estrutura literária da passagem que registra o chamado de Abraão (Gn 10,11) é governada pela frase hebraica ’êlleh tôledõt, "estas são as "gerações" ou "este é o relato de".[3] Registram-se três relatos: (1) o da raça humana como se desenvolveu imediatamente após o dilúvio (10.1-11.9); um relato mais pormenorizado dos descendentes de Sem (11.10-26); e (3) o relato da família de Abraão, isto é, seu pai Terá, seus irmãos, sua esposa (11.27-32). Essa estrutura literária capacita os leitores a captar o intento do escritor bíblico, isto é, primeiro o contexto humano universal de Abraão, depois a linha específica de seus ancestrais e, finalmente, o clã do qual ele próprio, com sua esposa Sarai ou Sara, foi separado. 

8 de abril de 2015

Gideão e os Midianitas

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Roland de Vaux - Instituições Religiosas: Preâmbulo

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PREÂMBULO

Instituições religiosas... O título dessa seção foi escolhido por distinção às instituições familiares, civis e militares estudadas até agora. Mas o título é imperfeito, pois a distinção não é clara: toda a vida social de Israel era permeada pela religião. A circuncisão tinha um sentido religioso; a realeza era, no senti­do que nós definimos, uma instituição religiosa, como era também a guerra, pelo menos no princípio da história de Israel; a lei, mesmo profana, sempre foi uma lei religiosa e o processo podia recorrer ao julgamento de Deus. Mas temos de tratar ainda das instituições cultuais, e aí a distinção é mais clara.

O culto é o conjunto dos atos sensíveis que a comunidade ou o indivíduo realizam para exteriorizar sua vida religiosa e entrarem relação com Deus, e o culto sem dúvida estabelece essa relação. Mas, Deus sendo necessariamente primeiro, a ação do homem é segunda, o culto é a resposta da criatura a seu Criador. O culto é essencialmente um fenômeno social: mesmo praticado pelo indivíduo, ele se realiza segundo regras determinadas, o mais possível em lugares determinados e geralmente em tempos determinados. Assim entendi­do, e este é seu sentido próprio, o culto não existe sem um ritual.

7 de abril de 2015

Canaã no tempo de Juízes

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ROBERT B. CHISHOLM, JR. - Uma teologia dos Profetas Menores: Os Profetas do Século VI e V a.C. (Joel, Obadias, Ageu, Zacarias e Malaquias)

Os Profetas do Século VI e V a.C.

(Joel, Obadias, Ageu, Zacarias e Malaquias)


INTRODUÇÃO

Como previsto pelos antigos profetas, os babilônios destruíram Jerusalém
em 586 a.C. e levaram muitos em cativeiro. Mas Deus não abandonou o seu
povo. Em 538 a.C., Ele moveu o persa Ciro, conquistador da Babilônia, para
permitir que um grupo de exilados voltasse a Judá e reconstruísse o templo de
Jerusalém, um projeto concluído em 516 a.C.

Os profetas menores dos séculos VI e V trataram de interesses e assuntos
que surgem das experiências do exílio e volta à pátria. Deus era realmente soberano sobre os assuntos dos homens e das nações? As nações pagariam pelos
maus-tratos feitos ao povo de Deus? Deus cortara a relação de concerto com
Israel? As promessas aos pais, que formavam a base das visões dos antigos profetas, realmente se cumpririam?

Algum dia depois da queda de Jerusalém, Obadias advertiu que Deus pagaria os opressores de Judá, em particular Edom, pela crueldade e maus-tratos
dados ao povo de Deus. Obadias também esperava a restauração dos exilados à
Terra Prometida.

6 de abril de 2015

O Resgate de Gibeão

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Gerard Van Groningen: A Revelação Messiânica no Tempo de Noé

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A Revelação Messiânica no Tempo de Noé 

O Desastre Social (Gn 6.14-7.24) 

A Queda da Família Real 

O "homem"que Eva recebeu alegremente com a ajuda do Senhor (Gn 4.1) tomou o seu lugar no grande conflito que o Senhor anunciara. Caim, ao assassinar seu irmão Abel, expressou a inimizade e hostilidade da serpente, ou seja, de Satanás e sua semente, contra a família real da qual ele desertou (4.5-16). Um traidor da causa da vitória da semente da mulher, Caim "esmagou a cabeça" de seu irmão (matou-o, 4.8), dando, desta maneira, expressão con­creta ao esforço satânico de reverter o pronunciamento do Senhor em relação ao esmagamento da cabeça da serpente-Satanás. Rebelião e desafio caracteri­zam a atitude e as ações de Caim. Quando chamado a confessar, ele recusa e procura evitar a punição que merece (4.9-14). Ele cometeu várias dimensões de pecado que Adão e Eva tinham introduzido na família real, embora seus em­preendimentos culturais indiquem que certa porção do prestígio, das prerro­gativas e da propensão reais permaneciam (4.16,17). O Senhor humilhou-o, baniu-o, mas também o protegeu (4.11,15).[1] Afastando-se da presença do Senhor, Caim empreendeu dominar, cultivar e encher a terra (4.16,17). O texto bíblico informa-nos que Caim não buscou a comunhão nem a bênção do Senhor. E certamente não se comprometeu a servir ao Senhor como vice-regente. De fato, ele quis construir seu próprio reino (4.17). A semente da serpente Satanás ganhou uma vitória, pareceria, no primeiro assalto de uma luta amar­ga. Entretanto, a vitória e a liberdade de Caim estão dentro da moldura da maldição pronunciada e do banimento que, no devido tempo, provariam ser a proclamação da destruição final.[2]

5 de abril de 2015

Danilo Moraes - História de Israel no Período Monárquico

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Introdução
 por Danilo Moraes

            A história de Israel começa há quatro mil anos com Abraão. Achados na Mesopotâmia, que datam da primeira metade do segundo milênio a.C., confirmam a vida nômade tal como relatada no livro de Gênesis. A descendência de Abraão com Jacó, que devido a fome emigram para o Egito, tendo em vista que já estava lá José, vendido pelos seus irmãos. No Egito tornam-se escravos depois da morte de José. A libertação do povo da escravidão egípcia, sob a liderança de Moisés, sem dúvida foi um marco na história. Originando aí a festa de Pêssah, Festa da Páscoa. Na seqüência temos a entrega da Lei (a Torah), de onde surge a festa de Shavuot, e posteriormente, devido ao fato de morarem em tendas, a festa de Sucot. Com Josué conquistam a terra.
         A organização tribal acabou por levar a monarquia.  Esta surge, com Saul, David e Salomão como Reis, isto em um período aproximadamente de 1020 a 930 a.C.. Com o término do reinado de Salomão, a monarquia é dividida. A expansão dos impérios da Assíria e Babilônia acabou colocando sob seu controle primeiro Israel, e depois Judá. O Reino de Israel foi massacrado pelos assírios em 722 a.C. e seu povo levado ao exílio. Cerca de cem anos depois a Babilônia domina o Reino de Judá, destruindo o Templo e levando-os ao exílio.

A Batalha de Ai

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Roland de Vaux - A Guerra Santa

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A GUERRA SANTA

Entre todos os povos antigos, a guerra tinha ligação com a religião: ela era travada por ordem dos deuses, pelo menos com sua aprovação demonstra­da por presságios; ela era acompanhada de sacrifícios, era conduzida com a ajuda dos deuses, que asseguravam a vitória e a quem se agradecia com a oferenda de uma parte do despojo. Toda guerra antiga é, pois, santa, no senti­do amplo. Mais propriamente, os gregos chamaram “guerras santas”, àquelas que a anfictionia de Delfos travou contra aqueles de seus membros que tinham violado os direitos sagrados de Apolo. Mais estritamen­te ainda, a guerra santa do Islã, a jihad, é o dever que incumbe a todo muçul­mano de difundir sua fé pelas armas.

Esta última concepção da guerra santa é absolutamente estranha a Israel: ela é incompatível com a idéia do javismo como a religião particular e o bem próprio do povo eleito. Mas, precisamente por causa dessa relação essencial entre o povo e seu Deus, todas as instituições de Israel foram revestidas de um caráter sagrado, tanto a guerra como a realeza e a legislação. Isto não significa que a guerra seja uma guerra de religião, esse aspecto só aparece muito mais tarde, sob os macabeus; Israel não combate por sua fé, ele combate por sua existência. Isto significa que a guerra é uma ação sagrada, com uma ideologia e ritos próprios, que a especificam, diferentemente das outras guerras antigas onde o aspecto religioso não era senão acessório. Tal foi a concepção primiti­va em Israel, mas, como para a realeza, esse caráter sagrado desapareceu e a guerra foi “profanada”. Porém, ela manteve por muito tempo uma marca reli­giosa e o ideal antigo sobreviveu, modificando-se, ou foi renovado em certos meios em certas épocas. E essa evolução que vamos tentar traçar.

4 de abril de 2015

F. F. Bruce - Introdução à literatura sapiencial

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O Antigo Testamento inclui três livros que são distintivamente conhecidos como livros “sapienciais”, livros de sabedoria: Jó, Provérbios e Eclesiastes. Além disso, o Saltério contém um grande número de composições que são chamadas “salmos sapienciais” (e.g., SI 4, 10, 14, 19, 37, 49, 73, 90, 112). A LXX inclui mais alguns livros “sapienciais” que não fazem parte da Bíblia hebraica: Eclesiástico (A Sabedoria de Jesus ben-Siraque, escrito em hebraico c. 180 a.C. e traduzido para o grego pelo neto do autor meio século mais tarde) e Sabedoria (escrito em grego por um judeu egípcio no século I a.C.). Baruque e 4Macabeus (que ilustra, com base no martirológio macabeu, o triunfo da razão correta sobre as paixões) também fazem uma contribuição à literatura sapiencial da LXX.

SABEDORIA PRÁTICA E PONDERADA

Ao considerarmos a sabedoria (hebraico hokhmãh) do AT no seu contexto mais amplo, podemos distinguir entre sabedoria prática e sabedoria ponderada ou refletida, embora não haja linha demarcatória claramente definida.

A invasão de Canaã

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Manual Bíblico Unger

ROBERT B. CHISHOLM, JR. - Uma teologia dos Profetas Menores: Os Profetas do Século VII a.C. (Naum, Habacuque, Sofonias)

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Os Profetas do Século VII a.C.

(Naum, Habacuque, Sofonias)

INTRODUÇÃO

Os profetas menores do século VII focalizaram a justiça de Deus conforme
se mostrou no julgamento poderoso em escala internacional. Naum anunciou
o julgamento bem merecido da Assíria, que por sua vez daria alívio ao povo de
Deus e a todos que sofreram sob o domínio deste opressor cruel. O diálogo entre Habacuque e o Senhor focou a questão da justiça. Para o extremo desapontamento do profeta, a solução de Deus para o problema da injustiça na sociedade de Judá era chamar os babilônios como instrumento divino de castigo. Não obstante, garantiu a Habacuque que ele também julgaria Babilônia pelos crimes cometidos e protegeria e, no final das contas, defenderia os seus seguidores fiéis. Sofonias previu que o julgamento de Judá e das nações circunvizinhas era parte de um cataclismo mundial parecido com o dilúvio de Noé. Mas por este julgamento purificador, Deus restabeleceria a justiça em Jerusalém e faria dos povos seus servos prontos a obedecer.

DEUS E O SEU POVO

3 de abril de 2015

Rota dos Espias

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Manual Bíblico Unger

Gerard Van Groningen: A Revelação Messiânica no Tempo de Adão

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A Revelação Messiânica no Tempo de Adão 

Revelação Divina ou "Confissão Religiosa"? (Gn 1-4) 

A opinião dos eruditos do século XX está dividida sobre se Gn 1-4 deve ser considerado revelação divina ou uma confissão de fé que surge de uma comunidade que crê. Devemos perguntar: é esta uma alternativa válida?[1] A convicção do autor é que, com base num estudo cuidadoso do texto da Escritura, não temos de fazer uma opção. Gn 1-4 não é uma confissão originada em círculos sacerdotais. Não é um credo israelita primitivo sobre as origens. Também não é uma afirmação poética destinada a corroborar fé em Deus, que sempre esteve, está e estará presente, exercendo domínio sobre todos os eventos e dando significado às experiências de todos os que buscam segurança existencial no meio das exigências da vida.[2] Pelo contrário, a passagem diante de nós tem de ser considerada revelação divina. Deus nos deu a mensagem apresentada em Gn 1-4 por meio de Moisés. 
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2 de abril de 2015

Disposição das tribos no acampamento

Manual Bíblico Unger

Roland de Vaux - A Guerra

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1. PEQUENA HISTÓRIA MILITAR DE ISRAEL 

As primeiras guerras de Israel foram guerras de conquista: a tradição representa o povo tomando posse, pelas armas e com a ajuda de Deus, da Terra que lhe foi prometida. A derrota de Seom, rei de Hesbom e de Ogue, rei de Basã Nm 21.21-35, a campanha contra Midiam, Nm 31.1-12, asseguram um território a Rúben, a Gade e à meia tribo de Manassés. O livro de Josué descreve a ocupação da Cisjordânia como uma operação militar em três ações de grande envergadura; o povo, tendo passado o Jordão, abre caminho até o centro do país, Js 1-9; uma coalizão de cinco reis cananeus do sul é derrotada e toda a parte meridional do país é conquistada, Js 10; os reis do norte são combatidos em Merom e suas cidades caem nas mãos dos israelitas, Js 11. É claro que essa apresentação simplifica muito a realidade e que a ação das tribos foi mais dispersa, mais lenta e coroada de sucesso desigual, cf. Js 15.13-17; Jz 1. É também verdade que os israelitas se infiltraram pacificamente em todo lugar onde puderam, mas também encontraram resistência e tiveram que superá- la de arma em punho.