26 de março de 2015

Gerard Van Groningen: A Fonte do Conceito Messiânico - A Bíblia Como o Livro do Pacto do Rei

O capítulo precedente esboçou o conceito messiânico assim como ele aparece no Velho Testamento. Um rápido exame dos antigos textos do Oriente Médio e das alegações dos eruditos a respeito desses textos alusivos às raízes, origens e temas de um conceito messiânico posterior, como aparece no Velho Testamento, levou à conclusão de que não há nada semelhante entre eles, nem há traços de uma posição inicial que se teria desenvolvido no conceito bíblico.

Antes de estudar passagens bíblicas específicas em que o conceito aparece, é necessário examinar (ainda que brevemente) vários pontos de vista sobre a Bíblia. A isto se seguirá uma breve discussão da colocação literária (profecia) específica em que o conceito aparece. Finalmente, apresentaremos uma visão de conjunto da pesquisa dos estudiosos sobre o conceito do Messias, como aparece na profecia bíblica.

A Bíblia Como o Livro do Pacto do Rei

Pontos de vista sobre a Bíblia são numerosos, mas podem ser classificados em quatro grupos básicos.[1] Primeiro, há o ponto de vista, com variações, de que a Bíblia é um livro sobrenatural, não somente no conteúdo, mas também em sua fonte, método, origem, apresentação, bem como no modo em que ele afeta a vida e produz (quase magicamente) profundas mudanças. Segundo, há o ponto de vista de que a Bíblia não é nada mais do que uma compilação de antigos escritos humanos, que se formaram através de um longo processo de correções. Como resultado, a Bíblia, como a temos hoje, é um documento através do qual podemos apurar o que as pessoas experimentaram (ou pensa­ram que experimentaram) e creram durante séculos. Terceiro, entre essas duas posições extremas há uma que é difícil de definir ou mesmo de descrever com certo grau de especificidade. O que é comum a este ponto de vista intermediá­rio é uma dupla ênfase mantida em tensão dialética. De um lado, o caráter humano da Bíblia é afirmado; de outro lado, diz-se que esse mesmo produto humano dá um testemunho divino de Jesus Cristo e do caminho da redenção. É freqüentemente dito que os adeptos deste ponto de vista intermédio têm uma abordagem cristológica (distinta de uma abordagem cristocêntrica ou teocêntrica). Outros adeptos deste ponto de vista falam do caráter "redentivo" da Bíblia, isto é, redentivo no sentido de que, se alguém busca uma resposta da Bíblia para uma questão que não se relacione diretamente com Cristo e com a salvação, a questão é errônea ou ilegítima.

A concepção histórica reformada da Bíblia difere das três posições mencio­nadas acima. É dentro desta perspectiva que este autor se coloca.[2] Os princípios mais importantes da perspectiva reformada são: (1) a Bíblia é o registro da revelação das relações pactuais; (2) este registro apresenta uma só mensagem, unificada, integrada e, a desdobrasse; (3) este registro tem uma estrutura pactual discemível; e (4) este registro tem qualidades singulares, discemíveis.

A Natureza Pactuai da Bíblia

O Registro Escrito. Na Bíblia encontramos registrada, por autores que escreveram na linguagem e dentro da cultura de seu tempo, uma variedade de materiais. Entretanto os materiais que os escritores puseram por escrito não resultam de suas próprias observações, experiências, pensamentos, avaliações e conclusões. Eles registraram palavras, feitos, respostas e avaliações como foram trazidas ou surgidas em vários tempos, no curso de circunstâncias históricas e em lugares específicos.

O registro escrito contém uma variedade de gêneros literários. Experiên­cias são registradas de um modo jornalístico. A maior parte do registro consiste de eventos históricos descritos, avaliados, interpretados, vários tipos de material legal, pronunciamentos proféticos, admoestações em forma de sermão, diálogos, hinos e orações. Mas incluídas em tudo isto, explícita ou implicitamente, estão as comunicações verbais de Deus. Tais comunicações são a fonte da unidade, harmonia, significado, propósito e valor do registro escrito.

Revelação. O conceito de revelação sugere tirar o véu, abrir, tomar acessível o que, de outra forma, permaneceria desconhecido. O conceito indica uma atividade intencional, inteligível e teleológica. Deus é a fonte final e o doador da revelação.

Esta revelação de Deus, posta por escrito por homens que empregaram uma grande variedade de gêneros literários, inclui quatro elementos distintos: as palavras divinas, os feitos divinos, a resposta humana em palavra e/ou ação, e a interpretação, significação, relevância e efeito da resposta humana.

A palavra divina refere-se, primeiro, às próprias palavras enunciadas por Deus. Ele falou ao longo dos seis dias da criação; a frase "e Deus disse" é um tema recorrente em Gn 1. Deus falou também palavras que pertencem à redenção. Ele proferiu sua vontade (a Lei), que deve ser seguida e executada em toda a vida humana. Ele articulou seus propósitos e metas e o modo de realizá-los. Essas palavras faladas foram transmitidas em linguagem humana inteligível, isto é, em palavras humanas, arranjadas em sentenças e parágrafos. Neste sentido, a revelação de Deus é proposicional. Os eventos são registrados em idêntica maneira.[3] Inseparavelmente relacionados com as palavras trans­mitidas por Deus estão os feitos ou atos de Deus. Normalmente, vemos que a palavra falada introduz o divino ato e prepara para ele e para os eventos concomitantes. O ato e o evento preparam o ambiente para a palavra subse­qüente.

O terceiro elemento, a resposta humana, está profundamente relacionado aos dois primeiros. Deus falou, agiu em favor da humanidade e envolveu-a diretamente. Ao provocar a resposta (da humanidade, a quem Ele sempre considera responsável), revelou qual era a resposta obediente, aceitável e que honra a Deus, bem como a resposta desobediente, inaceitável, a ser julgada como tal.

A resposta humana pode vir em várias maneiras e formas. Abraão e Moisés envolveram-se em diálogos com Deus, como o fizeram os discípulos com Jesus e Paulo com o Cristo exaltado. A resposta veio também em orações, cânticos e reflexões, que constituem grande parte da literatura da Sabedoria. Os profetas responderam pela proclamação das palavras e dos atos de Deus.

O quarto elemento não é tão distinto quanto os três primeiros. Pode haver divergência sobre se este elemento deve ser incluído na Palavra de Deus ou na resposta humana, particularmente na resposta verbal humana. Referimo-nos à interpretação, avaliação, elaboração e aplicação da palavra divinamente falada, ou de ato e evento divinamente iniciados e dirigidos. Esse elemento da revelação de Deus, apresentado no registro escrito, e freqüentemente referido como o aspecto teológico, é reconhecido por muitos, se não por todos os estudiosos bíblicos. De fato, não seria impróprio dizer que muitos estudantes do Velho e do Novo Testamento julgariam que a Escritura consiste quase inteiramente desse elemento. Insistir nisso, entretanto, é depreciar ou ignorar o elemento mais importante na Escritura: a palavra falada de Deus, comunica

da aos escritores da Bíblia de várias maneiras, tais como, por exemplo, em sonhos, visões, teofanias, percepções interiores e voz audível — aos israelitas no deserto (Êx 20), a Isaías (Is 6.8-13) e a Paulo (At 9.3-6). É também ignorar o registro divinamente controlado de eventos reais.

As Relações Pactuais. O terceiro conceito que requer alguma elaboração é o das relações pactuais. Este conceito é o tema central do registro escrito. Pode ser dito, com ênfase, que a Bíblia é o registro permanente das relações pactuais de Deus com a humanidade através dos séculos. A fim de evitar que esta discussão se tome demasiado exaustiva, apresentaremos somente cinco sub- temas principais.

Primeiro, uma discussão das relações pactuais como apresentadas na Bíblia requer uma referência ao conceito bíblico do reino de Deus. Falando do reino de Deus, alguém pode focalizar primeiramente o rei. Deus é o rei por virtude de quem e o que Ele é como Deus; porque Ele criou, sustenta, governa, controla e dirige todas as coisas na criação; porque Ele é o Senhor da redenção; e porque Ele é o Consumador e o Juiz final e absoluto de toda a humanidade, coisas e eventos.

Ao falar do reino, pode focalizar-se o domínio, isto é, tudo o que é criado, ou um aspecto desse domínio, por exemplo, toda a humanidade redimida.

O termo reino pode referir-se também ao trono, o reinado, o exercício da graça, do poder, da ira. Finalmente, falar do reino no sentido bíblico deve sempre incluir, mesmo se a ênfase é no rei, no domínio ou no trono, a idéia de vice-regente criado, nomeado e estabelecido por Deus—a humanidade, criada à sua imagem e designada para servir sob e com o Criador.

O segundo subtema (a natureza das relações pactuais) deriva diretamente do primeiro. Vários pontos de vista foram apresentados no passado a respeito da real natureza dessas relações; a maioria deles concentra-se num aspecto, seja uma dimensão formal, seja uma implicação, ou um resultado. Entretanto, o próprio cerne da relação pactuai é o laço vida-amor, estabelecido, mantido e implementado por Deus. Estar numa relação pactual com Deus é estar ligado a Ele por um laço de vida e amor. Este laço divinamente iniciado e mantido tem várias dimensões e aspectos; é expresso, estabelecido, mantido, desenvol­vido e aplicado de vários modos, dependendo, geralmente, de circunstâncias específicas, de tempos, e das partes com as quais Deus está tratando.

Terceiro, esse laço de vida-amor divinamente iniciado e exercido foi estabelecido no tempo da criação do cosmos, particularmente no tempo da criação da humanidade. Deus criou o cosmos como seu domínio e como ambiente para a humanidade servir como vice-regente. Então, criando o ser humano à sua imagem, Deus estabeleceu um laço de vida e amor entre Ele próprio e a humanidade. Esse laço é o pacto da criação. Quando Adão e Eva pecaram, tomaram-se quebradores do pacto; eles romperam o laço de vida e amor de seu lado. Deus, entretanto, manteve suas relações de vida e amor e, a fim de restaurar plenamente a humanidade no pacto da criação, iniciou uma segunda dimensão, ou aspecto. Ele tomou possível a renovação e restauração da huma­nidade no pacto da criação por meio do pacto da redenção. O registro escritural evidencia que o pacto redentivo, tendo sido determinado por e dentro da Trina Deidade, foi revelado e enunciado em forma embrionária no tempo da Queda e progressivamente revelado, exercido e aplicado através dos tempos.

O quarto subtema é que Deus, o Criador-Redentor, como soberano Senhor sobre seu domínio e exercendo prerrogativas reais, coloca seu vice-regente sob um mandado. Esse mandado é um aspecto integral das relações pactuais. A humanidade deve responder a seu Senhor de um modo vivo e amoroso, cumprindo os requisitos do mandado.

A Escritura registra um duplo mandado. Há um mandado do pacto da criação e um mandado do pacto da redenção (Gn 9.26,27; 12.1-3; Mt 28.18-20). Assim como os dois pactos são distintos, embora intimamente inter-relacionados, tais são também os mandados. O mandado da criação é o primeiro quando se considera o tempo em que foi dado. Depois da queda, o mandado da redenção é necessariamente prioritário, porque é o meio pelo qual a humanidade caída é restaurada às relações pactuais da criação e capacitada a servir aceitavelmente.

O mandado da criação tem três dimensões ou submandados. (1) Há a obrigação de comunhão, isto é, um íntimo exercício do laço de vida-amor entre o soberano e seu vice-regente. (2) Há o mandado da comunhão humana amorosa que encontra específica expressão no casamento e nas relações entre pais e filhos. (3) Há o mandado que expressa a relação da humanidade com o cosmos criado: ela deve ter domínio sobre o cosmos, descobrindo, cultivando, desenvolvendo, preservando e transformando num serviço maravilhoso toda a variedade de elementos e potencialidades existentes no cosmos.

O pacto da criação é o meio dentro do qual a vontade de Deus para a humanidade é conhecida e deve ser executada. É também o meio para a tarefa educacional e política da humanidade, tarefa essa inerente ao pacto da criação, mas decifrada à medida que o pacto da redenção é revelado e progressivamen­te desdobrado.

O segundo mandado pactual é o mandado redentivo. Ele inclui quatro aspectos. Primeiro, exige submissão pessoal à graça de Deus revelada na semente e Messias, Jesus Cristo. Segundo, ele requer uma vida santificada que reflita, em cada dia, a vontade de Deus, implantada no tempo da criação no coração da humanidade e enunciada e registrada depois da Queda. O mandado da redenção relembra e repete o que está contido no pacto da criação, a saber, que o redimido instrua e prepare seus filhos para o serviço. Terceiro, ele estabelece que a humanidade redimida seja uma bênção para toda a humani­dade — para todas as tribos, povos e nações. Isto será feito pela proclamação do evangelho da redenção e pela instrução nos caminhos que o Senhor desig­nou para o serviço que glorifica a Deus. Quarto, o mandado da redenção inclui a obrigação divinamente imposta à humanidade redimida de mostrar miseri­córdia e compaixão à viúva, ao órfão, ao aflito, ao oprimido, ao pobre, ao estrangeiro e refugiado.

Finalmente, o quinto subtema que a Escritura registra a respeito das relações pactuais é o alvo, o resultado, a meta final dessa relação. O registro toma bem claro que há uma alternativa: ou um ou outro resultado. A bênção de Deus seguramente virá sobre aqueles que vivem em comunhão, enriquecendo e capacitando aqueles que permanecem em seu serviço e desfrutam do laço vivo e amoroso que Deus estabeleceu. Mas há também a maldição de Deus, expressa de várias maneiras, para aqueles que respondem em relação aos mandados pactuais de Deus (relembre-se a inseparabilidade dos dois) com desobediência e rebelião.

Estes dois aspectos —o criador e o redentivo —não devem ser considerados separadamente, cada qual com abstração do outro. Eles são inseparavelmente ligados e inter-relacionados. Nem devem ser caracterizados como opostos, isto é, como um pacto da lei e um pacto da promessa; como um pacto de obras e um pacto de comunhão amorosa. Ambos são carregados com a vontade (lei) e promessa de Deus, a exigência de serviço obediente e comunhão amorosa.

A Mensagem Unificada, Integrada e Desenvolvida da Bíblia

A Bíblia é o registro escrito da revelação de duas relações pactuais. Essa revelação, como mencionamos antes, foi dada de muitas maneiras, numa variedade de circunstâncias e através de diferentes gêneros de literatura. A variedade desses aspectos formais tem atraído a atenção de muitos dos estudiosos da Bíblia. De fato, não é um exagero dizer que muitos eruditos têm dado mais atenção aos aspectos formais do que ao conteúdo material da mensagem. Além disso, muitos estudantes da Bíblia têm permitido que seu interesse no aspecto formal controle sua abordagem, seu estudo e sua avaliação da mensa­gem. Como resultado, a mensagem tem sido partida em segmentos não-relacionados, ou pouco relacionados, ou somente formalmente relacionados entre si. Alguns eruditos falam enfaticamente de uma série de mensagens e, portan­to, minimizam a mensagem única.

A Mensagem Unificada da Bíblia. A Escritura contém uma singular men­sagem unificada, que é melhor classificada sob o tema do reino e do pacto. Ela apresenta o registro da revelação que Deus faz de seu reino. Como afirmamos antes, o conceito do reino tem três aspectos inseparáveis: (1) o Rei, o Deus soberano; (2) o domínio, a criação inteira de Deus, inclusive a humanidade; (3) o trono, ou o exercício real da autoridade e do poder de Deus sobre seu domínio. Entretanto limitar a mensagem ao conceito do reino é omitir o fator mais central: o laço de vida e amor que dá ao reino seu caráter singular. Daí, o conceito do pacto está na essência do tema.

A Bíblia apresenta essa relação pactual como um laço rico, compreensivo, determinativo e controlador, que só pode operar plenamente no contexto do reino.

É importante que essa mensagem unificada do pacto e do reino seja compreendida, destacada, e que lhe seja permitido funcionar como o tema central e controlador do registro escrito.

A Mensagem Integrada da Bíblia. A mensagem do reino e do pacto que Deus revelou consiste de certo número de elementos integrados. Retirar um deles do seu lugar, relegar outro a um papel menos proeminente, ou ignorar um ou mais, é viciar a mensagem em alguns aspectos e, possivelmente, alterá-la no seu conjunto.

A mensagem unificada e integrada da Escritura consiste em que o Deus Trino, um Deus de amor, comunhão, poder e de intenção e atividade planejadoras e cheias de propósito, achou que era bom criar o cosmos e colocar nele a humanidade para gozar as suas bênçãos através da comunhão com Ele e do serviço a Ele. Pelo pecado a relação estabelecida por Deus entre Ele próprio, a humanidade e o cosmos foi tragicamente distorcida e quebrada. Deus mesmo providenciou os meios para uma restauração dessa memorável comunhão e serviço. Na essência mesma dos meios de restauração está o Filho Unigénito de Deus, que realizou tudo o que é necessário para redimir, restaurar, capacitar e dirigir a humanidade. A maior parte do registro escrito trata do plano, dos meios e do agente para a redenção, restauração, capacitação e direção da humanidade redimida. Isto é o mesmo que dizer que a maior parte trata do pacto redentivo. Entretanto, tratar somente deste aspecto redentivo é distorcer o contexto, a orientação e o propósito básico da redenção.

A Mensagem Desenvolvida da Bíblia. Há quatro características do desdobramento progressivo da revelação de Deus.[4]

Primeiro, a revelação da relação pactual é orgânica, isto é, essa revelação escrita não foi dada de uma só vez na forma plena que temos hoje. Entretanto, a mensagem inteira foi, não obstante, dada em forma embrionária. Todos os elementos integrantes estavam presentes ali como sementes.

Segundo, a revelação foi progressivamente manifestada. As sementes iniciais foram gradualmente sendo abertas e desenvolvidas. A natureza e o sentido básico dessas sementes não foram mudados, embora os aspectos externos ou formais possam aparentemente ter sofrido algumas alterações radicais. Esse caráter orgânico, progressivo da atividade reveladora de Deus é a base para discernirmos se um dado profeta falou verdadeiramente as pala­vras de Deus. Se qualquer mensagem recém-proclamada contradizia outra revelada previamente, ele era um falso porta-voz. Entretanto, qualquer men­sagem tinha de ser necessariamente uma reafirmação e amplificação de outra revelada anteriormente.

Terceiro, a revelação é histórica. Deus tem sempre tratado com a humanidade no curso de sua vida diária. Deus nunca retirou os seres humanos do ambiente da criação, do tempo ou das circunstâncias culturais particulares. A revelação de Deus vem à humanidade de acordo com o processo histórico, de modo que homens e mulheres possam compreender e aplicar a mensagem duradoura das relações pactuais ao tempo em que vivem. Entretanto, a própria mensagem nunca é fundamentalmente condicionada por tempos históricos específicos. Ao contrário, a revelação dada de modo significativo fala ao povo de sua própria era e o conduz, dirige, admoesta, encoraja e prepara para ser o vice-regente que Deus pretende que ele seja.

A natureza histórica da mensagem constitui sua quarta característica. A revelação de Deus sempre foi adaptável aos tempos em que foi dada. Não somente as pessoas podiam aplicar a revelação à sua própria vida, mas a revelação também foi dada de tal modo que se constituía em força integral,con­troladora e plasmadora nas circunstâncias em que os recipientes dessa revela­ção viviam.[5]

A Estrutura Pactual da Bíblia

Os Aspectos Formais de um Pacto. Nos tempos históricos em que a Bíblia, ou pelo menos grande parte dela, foi escrita, um pacto se revestia de algumas características específicas.[6] Cinco desses aspectos uniformemente presentes eram os seguintes:

Primeiro, a autodesignação do soberano, um relato do que ele tinha feito, qual a área do seu domínio, quem eram seus súditos ou vassalos, e qual a relação que se acreditava existir entre o senhor e seus vassalos, eram os tópicos incluídos na primeira parte do tratado.

Segundo, o ato de estabelecer ou formalizar um pacto era iniciado e completamente controlado pelo senhor. Os vassalos deviam ouvir, manifestar verbalmente sua aceitação e viver e servir de acordo com o que era estabelecido.

Terceiro, o senhor expressava por escrito, isto é, em forma permanente, a transação pactual toda. O documento escrito nunca deveria ser alterado, no sentido de ser editado ou reescrito. Se adições ou explanações fossem necessá­rias, eram acrescentadas ou um novo documento era escrito. Entretanto, ambos os registros eram preservados: o segundo assumia a legitimidade do primeiro.

Quarto, o pacto incluía estipulações muito específicas que o senhor espera­va que os vassalos cumprissem. Parte dessas estipulações eram provisões para a continuidade do pacto e incluía a vontade expressa do senhor concernente à descendência dos vassalos e sua instrução e preparação para o serviço.

Finalmente, o pacto incluía promessas e ameaças. As promessas eram para os que respondessem afirmativamente em palavras, vida e serviço. As ameaças eram expressões das terríveis conseqüências que viriam sobre os que fossem infiéis e desobedientes.

O Pacto Duplo. A Bíblia, de modo interessante, fala de si mesma em termos de um pacto—ou melhor, de dois pactos: o velho pacto (ou o Velho Testamen­to) e o novo pacto (ou o Novo Testamento).

O velho pacto informa-nos a respeito do soberano: seu domínio, seu reino, seus vice-regentes, seus preceitos para eles sobre como devem servir sob seu reinado, suas maravilhosas provisões, suas promessas quanto ao futuro, e as ameaças no caso de seus vice-regentes persistirem na infidelidade e rebelião. A relação do velho pacto era, em seu próprio âmago, uma relação de amor, graça e misericórdia. Esse amor foi revelado em palavras e atos, e acompanha­do de promessas e garantias de expressões, experiências e realizações ainda mais plenas, mais profundas e mais amplas. Esse amor seria revelado na aparição pessoal do Senhor no meio de seu povo e numa relação mais profunda de vida e amor, mais enriquecedora e mais pessoal. Assim, no tempo do velho pacto, havia também a promessa de uma vida mais rica e profunda.

O novo pacto não repete, é claro, tudo o que o antigo pacto registra, mas documenta o desenrolar contínuo da revelação de Deus sobre a relação pactual. Especificamente, ele informa como a relação é enriquecida e selada na pessoa e obra do seu mediador, o Messias encarnado. Também registra o que essa relação significará para a vida e serviço do povo, que é enriquecido e selado pelo cumprimento das promessas do velho pacto na vinda e obra do mediador.

À vista deste breve resumo, pode-se compreender porque a Bíblia não somente apresenta a mensagem de uma relação pactual, mas também as características formais de vim documento pactuai.

Documentos Pactuais. Várias partes da Bíblia podem ser consideradas como documentos pactuais completos, isto é, registros escritos de relações pactuais. Os primeiros cinco livros do Velho Testamento são exemplos especí­ficos deste fato. Os textos de Gn 1 a Êx 19 registram quem o Soberano é, o que Ele fez e quem são os seus súditos. Êx 20 a Nm 10 contêm, em sua maior parte, condições e provisões. Nm 11 a 27 registram a atitude dos súditos e o constante cuidado do Senhor, bem como a provisão para eles. Deuteronômio revela as circunstâncias históricas específicas em que o pacto é repetido e atualizado. Os textos de Josué a 2 Reis são comparáveis a Nm 17-27, que registram o compor­tamento do povo e sua interação pactual com o Senhor. Tanto as bênçãos dadas aos obedientes quanto as maldições aos desobedientes são registradas. Incluí­das no registro do Velho Testamento estão as mensagens dos profetas sobre as promessas do pacto e as advertências e resultados da desobediência. Alguns dos profetas referem-se especificamente ao contexto e tarefa pactuais falando, por exemplo, da ação judicial do Senhor contra seu povo infiel (Os 6.2). Isaías fala de um julgamento (Is 3.13; 28.7), enquanto Miquéias e Ezequiel falam de um "caso" ou uma "controvérsia" que o Senhor tem contra seu povo (Mq 6.2; Ez 44.24).

Características da Bíblia

Sua Singularidade. É importante, primeiro, dar ênfase à singularidade da Bíblia. Diversos fatos contribuem para esta singularidade. Primeiro, a Bíblia é um livro divino-humano. A mensagem é de origem divina; foi preparada sob a direção divina e apresenta a revelação que Deus faz de seu pacto, a qual não pode ser conhecida de outra fonte. A Bíblia é também humana, eis que foi escrita por homens que eram e permaneceram plenamente humanos enquanto escreviam. Expressavam-se em sua própria linguagem, no meio de suas pró­prias circunstâncias históricas e refletiam suas características pessoais.

Segundo, a Bíblia é um livro de pacto. É similar, de um modo formal e também de outros modos, aos documentos pactuais que foram produzidos nos tempos bíblicos. Ao mesmo tempo, entretanto, é inteiramente diverso. A relação pactual expressa na Bíblia é a do amor pessoal e incansável do Deus Soberano, de suas promessas surpreendentes de bênçãos e de sua garantia de uma vida rica e cheia de significado no tempo e na eternidade. Por outro lado, os julgamentos pronunciados contra os violadores do pacto são terríveis, por causa da intensidade e extensão da ira divina. Em comparação, as cruéis fulminações dos suseranos da época que fizeram tratados ou pactos refletem sua depravação.

Terceiro, a Bíblia foi escrita dentro da comunidade do pacto. Contudo, nunca se pretendeu que a mensagem bíblica do pacto soberano de Deus fosse possessão exclusiva da comunidade do pacto. Ela foi, pelo contrário, destinada a toda a humanidade. Os membros da comunidade do pacto deviam ser os primeiros beneficiários da mensagem transmitida por meio de homens sele­cionados na comunidade. Mas a comunidade inteira, à medida que foi reno­vada e moldada pela mensagem de Deus, devia ser o veículo para trazer essa mensagem a toda a humanidade. Isso estava, para dizer o mínimo, implícito nos tempos do Velho Testamento e foi, explicitamente, afirmado na era do Novo Testamento. A Bíblia era e é o livro para a comunidade do pacto, mas seu intento vai sempre além, de modo que essa bem-aventurada comunidade se amplie para incluir homens e mulheres de cada tribo, língua, povo e nação.

Quarto, a Bíblia é transcultural. Este fator, tanto quanto qualquer outro, contribui para a singularidade da Bíblia. Mencionaremos somente uns poucos aspectos deste fenômeno. Quando Deus lidava pactualmente com aqueles que Ele escolheu para serem os recipientes diretos e portadores de sua revelação, Ele o fez tendo em vista também o bem-estar e as reais condições de vida de outras pessoas. A atenção de Deus para com Isaque não exclui o seu cuidado com Ismael (Gn 17.20; 21.17-21). A conduta de Deus para com Jacó era tal que permitia que Esaú continuasse a ser objeto de suas bênçãos pactuais (Gn 36.1-8). Deus tratou com o Egito estando seu povo dentro de sua terra e Moisés falando a Faraó e realizando maravilhas diante dele. Jonas foi enviado a Nínive, a capital dos assírios, de quem Deus teve compaixão (Jn 3.10; 4.11). Daniel, Ezequiel, Esdras, Neemias, todos tiveram tarefas transculturais. A mensagem de relações pactuais entre o Soberano e seus vice-regentes era sempre a mesma. Vários aspectos recebiam ênfase em determinados tempos e lugares. Mas a mensagem era para todo o povo —povo em circunstâncias e culturas históricas particulares.

Na época do Novo Testamento não era diferente. De fato, o aspecto transcultural tomou-se até mais pronunciado. O Soberano teve sua mensagem do amor pactual proclamada a toda a humanidade. E essa mensagem pactual devia ser dirigida a todos os aspectos de uma determinada cultura —, ora requerendo alteração drástica em um caso, ora revisão em outro, ou aprofun­damento e avivamento num terceiro caso, conforme as circunstâncias.

Como nos dias em que a Bíblia foi escrita, ainda hoje a mensagem é transcultural. A mensagem de amor e vida pactuais deve superar todas as barreiras culturais e permear todas as áreas da vida. Esta proclamação deve ser dirigida a todos os povos e a todas as circunstâncias culturais. Por outro lado, as pessoas e as circunstâncias culturais não devem interpelar a Bíblia ou fazê-la acomodar-se a uma determinada época ou interesse.

Quinto, a Bíblia contém uma singular mensagem constante dirigida a um modo de vida que se toma cada vez mais evolvido e complexo. A Bíblia não assume um determinado estilo de vida. Pelo contrário, ela exige um contínuo processo de desenvolvimento. A humanidade era, é e será encarregada não somente de ter domínio sobre a terra, mas também de cultivá-la. Assim fazendo, a rica variedade de potencialidades dentro do cosmos, e não somente dentro da humanidade, deve ser descoberta, desenvolvida e empregada para a glória de Deus e para o bem de todo o cosmos.

Pode ser dito, então, que, enquanto a Bíblia pretende ser transcultural, ela também pretende alimentar o desenvolvimento extensivo e intensivo de cada cultura. A Bíblia certamente fornece luz e direção neste sentido. E assim faz porque o Senhor soberano, o criador e sustentador do cosmos, deseja que seus vice-regentes, que estão em aliança com Ele, façam isso.

Tendo examinado os cinco fatores que contribuem para a singularidade da Bíblia, seria útil a esta altura focalizar nossa atenção no propósito específico da Escritura. Uma compreensão adequada de seu propósito aumentará nossa apreciação por sua singularidade.

O Propósito da Bíblia. O Senhor soberano julgou necessário revelar explicitamente a natureza de sua relação pactual com a humanidade. Ele fez isto antes do homem cair em pecado. Depois da queda, isto se tomou ainda mais necessário devido aos efeitos do pecado. Logo que Israel se tomou um corpo pactual distinto, Deus proveu homens dentro dessa singular comunidade para começar os preparativos para um registro escrito permanente. Por que Deus quis que essa revelação fosse escrita? A resposta é, em parte, certamente para que a humanidade tivesse um registro permanente da revelação de Deus e que ninguém pudesse jamais alegar a inexistência de um registro digno de confian­ça sobre o procedimento de Deus para com a humanidade e sobre sua vontade. Desse registro escrito pode-se facilmente descobrir um propósito quíntuplo para sua preparação, preservação e uso contínuo.

Primeiro, a Bíblia foi dada para informar-nos. O homem pecador não poderia conhecer corretamente a Deus, ou seu lugar e sua obra, se não fosse informado nunca. A revelação de Deus no cosmos não nos informa a respeito da insigne natureza pessoal de Deus, de sua relação pactual, ou de seus métodos pactuais e suas promessas.

Segundo, a Bíblia foi dada para que pudéssemos ser redimidos. Depois de seu pecado, Adão e Eva estavam escravizados a Satanás, ao mal, e à sua própria natureza pecaminosa. Essa servidão foi quebrada. Os débitos da humanidade foram pagos. A ira de Deus foi apaziguada. Esta é mensagem realmente central da Escritura. O homem, tendo quebrado a relação pactuai com Deus, pode ter a relação antitética também quebrada. Deus tem a resposta de como isto pode acontecer.

Terceiro, a Bíblia foi dada para que pudéssemos ser restaurados. A humanidade redimida não é abandonada para arranjar-se por si própria — livre de Deus, de Satanás, do mal e de si mesma. Foi e é o intento de Deus restaurar a humanidade a uma relação pactual plena, duradoura e profunda. A Escritura fala eloqüentemente do povo redimido de Deus como sendo membros de sua família, herdeiros do reino eterno do céu, pertencentes a Cristo e a Deus.

Quarto, a Bíblia nos foi confiada para que pudéssemos corretamente interpretar o cosmos, nós mesmos, nossa obra e tudo o que acontece. A Bíblia apresenta o propósito inicial de Deus, que continua a ser sua meta. A Bíblia apresenta a vontade e o prazer de Deus em contemplar as experiências do dia-a-dia da humanidade. Assim, a Bíblia apresenta os contornos, os propósitos e as inter-relações da vida. Alguns desses propósitos podem ser discernidos da revelação geral de Deus no próprio cosmos, mas esta revelação é tênue e obscura para a humanidade pecadora, e mesmo para a humanidade redimida. Deus, portanto, proveu a luz através da qual a humanidade pode interpretar sua vida e seu ambiente cósmico.

Quinto, a Bíblia foi dada para dirigir homens e mulheres, velhos e jovens, a viverem suas vidas e servirem ao Senhor de todo o coração, de acordo com o propósito pactual e a vontade revelada de Deus.

Um comentário final é oportuno. Os cinco propósitos da Bíblia que acabamos de enumerar são interdependentes. Nenhum pode ser tomado por si mesmo nem selecionado e considerado como incluindo os outros. Cada pro­pósito deve ser claramente definido, mas nunca isolado dos outros, o que significaria rebaixar, ou obscurecer pelo menos em parte, o pleno intento, significação e relevância da relação pactual de Deus com a humanidade.

Qualidades da Bíblia

Esta discussão não seria completa sem uma breve referência às qualidades específicas da Bíblia como o registro escrito da relação pactuai de Deus. Primeiro, a Bíblia foi escrita por homens inspirados pelo Espírito de Deus. Esta inspiração é a vertente base das outras quatro qualidades. Daí ser importante compreender o conceito de inspiração divina. O Espírito Santo habitou em certos homens, inspirou-os, e assim dirigiu-os que eles, em plena consciência, expressaram-se na sua singular maneira pessoal. O Espírito capacitou homens a conhecer e expressar a verdade de Deus. Ele impediu-os de incluir qualquer coisa que fosse contrária a essa verdade. Ele também impediu-os de escrever coisas verdadeiras que não eram necessárias. Assim, homens escreveram como homens, mas, ao mesmo tempo, comunicaram a mensagem de Deus, não a do homem.

Segundo, o registro escrito tem autoridade. Sua autoridade divina (não humana) estende-se a tudo o que ele pretende dizer e fazer.[7] Daí, portanto, a informação é dada com autoridade divina. Rejeitar a informação é desafiar a autoridade de Deus. Rejeitar a luz para a interpretação e as direções que ela proporciona é desafiar a autoridade de Deus. Essa autoridade divina é atribuí­da ao registro escrito da revelação de Deus porque o Espírito Santo inspirou organicamente homens a escrever fielmente e com autoridade (cf. 2 Pe 1.21, "movidos pelo Espírito Santo").

Terceiro, o registro escrito é inerrante. Conduzidos pelo próprio sopro de Deus, os autores humanos não incluíram no registro da relação pactual de Deus qualquer coisa errada, contrária ao fato ou fafea. Pelo contrário, o registro foi feito de tal maneira que os homens poderiam usar as figuras de linguagem, ilustrações e sistemas numéricos de seus dias, e de tal maneira que nenhum erro foi incluído no documento que registra a história, bem como a continuativa expressão da relação pactual de Deus com a humanidade.

Quarto, o registro escrito é infalível e, portanto, inteiramente digno de confiança. Estes dois termos expressam a completa confiabilidade da mensagem da relação pactuai de Deus. Portanto, não há nenhuma razão para duvidar, de qualquer modo ou em qualquer tempo, do que o registro diz que Deus tem feito, está fazendo e há de fazer como um Deus soberano que guarda sua aliança com homens e mulheres em todos os tempos, em todas as circunstân­cias, em todos os aspectos da vida, e em cada experiência ou evento.

Quinto, o registro escrito é perspícuo (isto é, claro, que se poder ver nitidamente). Ele apresenta claramente a mensagem da relação pactual de Deus. Todos os que o lêem podem compreendê-lo. Assim, a Bíblia não é um livro esotérico; nem um livro de profundos, insondáveis mistérios (embora a extensão da relação pactual de Deus não possa ser plenamente conhecida e compreendida, porque o amor e a vida de Deus são infinitamente grandes e maravilhosos).

Como comentário final, queremos repetir que a inspiração é a fonte das outras quatro qualidades da Escritura. Entretanto, as quatro são inseparavel­mente ligadas. Postular a inspiração divina, orgânica, é incluir tudo o que flui dela. Devemos também notar que autoridade e infalibilidade são qualidades correlativas. Manter uma é manter a outra; tirar uma é essencialmente tirar a outra.

Deus achou conveniente dar expressão à sua relação pactuai com a humanidade. Ele fez assim quando criou o mundo. Ele fez assim quando criou o homem e a mulher, e imediatamente entrou em comunhão com eles e lhes deu o mandado de vice-regentes. Ele fez assim quando Adão e Eva caíram. Ele fez assim através dos tempos e continuará a fazer assim para sempre. Para que possamos viver uma rica e recompensadora comunhão pactual com Ele, deu- nos um registro escrito dessa relação pactual. E este registro escrito é a única fonte da qual podemos receber tal conhecimento.






[1] Esses grupos podem ser referidos de modo geral como: (1) fundamentalista, (2) crítico-liberal, (3) néo-ortodoxo e néo-evangélico e (4) histórico-reformado. 


[2] Não será feita nenhuma tentativa de dar, de maneira consistente, referências bíblicas ou razões teológicas para as afirmações feitas. Fazer isto significaria: (1) tomar esta obra longa demais; (2) desviar-nos em larga medida do assunto principal, a revelação messiânica no Velho Testamento; e (3) incluir nesta obra material planejado e em preparo para outro livro, que tratará da auto-revelação progressiva de Deus no curso da história. Além disso, grande parte do apoio bíblico e teológico sobre este ponto de vista será incluído na discussão das "passagens messiânicas" (caps. 3 e seguintes). 


[3] A completa revelação especial de Deus é dada em forma preposicional, apresentada em linguagem inteligível, isto é, em sentenças e afirmações (proposições que são verdadeiras). Entretanto, isto não implica dizer que a Bíblia é uma série de proposições teologicamente formuladas. 


[4] Geerhardus Vos, Biblical Theology: Old and New Testaments (Grand Rapids: Eerdmans, 1948), pp. 13-17. 


[5] Meredith Kline apresenta compreensão valiosa em seu livro, The Structure of Biblical Authority edição revista (Grand Rapids: Eerdmans, 1972). 


[6] Conferir George Mendenhall, "Covenant Forms in Israelit Tradition", em The BA Reader, eds. Edward F. Campbell, Jr. e Davi Freedman (Garden City: Doubleday, 1970); Kenneth Kitchen tem um valioso retrospecto (Andent Orient and the C7T[Chicago: Inter-Varsity, 1966]). Especialmente valiosa é sua comparação das formas pactuais do segundo milênio com as do primeiro milênio antes de Cristo. 


[7] Conferir o quíntuplo propósito da Bíblia: informativo, redentivo, restaurador, interpretativo e diretivo.

FONTE: GRONINGEN, Gerard Van. Revelação Messiânica no Antigo Testamento.Campinas : Luz para o Caminho,