31 de março de 2015

Rota do Êxodo

Manual Bíblico Unger

ROBERT B. CHISHOLM, JR. - Uma teologia dos Profetas Menores: Os Profetas do Século VIII a.C. (Oséias, Amós, Miquéias)

Os livros dos Profetas Menores são chamados assim por causa da brevidade relativa em comparação a Isaías, Jeremias e Ezequiel, e não porque sejam menos teologicamente importantes. Os doze livros que compõem os Profetas Menores variam em data entre os séculos VIII e V a.C.:













Século VIII a.C       Século VII a.C       Século VI-V a. C       Data Incerta

Oséias                         Naum                       Joel                          Jonas

Amós                        Habacuque               Obadias

Miquéias                     Sofonias                 Ageu

                                                                 Zacarias

                                                                  Malaquias

Embora os acontecimentos registrados em Jonas tenham ocorrido no sé-
culo VIII, a data da autoria do livro é incerta. Certos estudiosos datam Joel e
Obadias mais recentemente, mas a evidência interna de ambos os livros favorece
uma data no século VI ou V a.C. A passagem de Joel 3.2,3 menciona o exílio
como um acontecimento passado, ao passo que o texto de Obadias capítulos 10
a 14 denuncia o envolvimento de Edom na queda de Jerusalém (586 a.C.).[1]

30 de março de 2015

Mapa do Egito Antigo

Manual Bíblico Unger

Gerard Van Groningen: Literatura Sobre a Profecia Messiânica

Literatura Sobre a Profecia Messiânica

Uma revista geral da literatura sobre a profecia messiânica mostrará que sempre tem havido aqueles que aderem ao ponto de vista exposto no próprio Novo Testamento. Mas tem havido também aqueles que, em vários tempos e de diferentes modos, tentaram impor outro ponto de vista às apresentações tanto do Velho quanto do Novo Testamento. Uma visão geral dessa literatura evidencia também que há necessidade de atualizar a literatura que apresenta o ponto de vista bíblico enquanto leva também em conta a discussão moderna desses materiais bíblicos.[1]

Neste nosso estudo, referir-nos-emos primeiramente ao testemunho do Novo Testamento. A seguir, examinaremos alguns dos mais importantes dentre os primitivos pais da Igreja, os judaístas, os reformadores protestantes e os escritores modernos (isto é, do século XIX). Considerando que há dispo­níveis pelo menos três avaliações gerais da literatura produzida no século XIX, vamos sumarizá-las. Finalmente, examinaremos e classificaremos o material do presente século.

O Novo Testamento

28 de março de 2015

Egito

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Roland de Vaux - O Armamento

1. ARMAS DE ATAQUE

A arma de ataque por excelência era a hereb, que tornou-se o símbolo da guerra, Is 51.19; Jr 14.15; 24.10; Ez 7.15; 33.6, etc. A palavra designa ao mesmo tempo o punhal e a espada, as duas armas tendo a mesma forma e se distinguido arbitrariamente só por seu comprimento. A hereb de Eúde, Jz 3.16,21-22, é evidentemente um punhal, seja qual for o sentido preciso de gomed, que indica sua medida. Em todos os textos militares, pode-se tradu­zir hereb por “espada”, mas deve ser lembrado que trata-se de uma espada curta, medindo no máximo 50 centímetros, como a dos assírios. A longa espa­da manejada pelos Povos do Mar nas representações egípcias e encontrada nas escavações da Grécia e do Mar Egeu, não era empregada. Contudo, talvez o filisteu Golias tivesse uma, aquela que, segundo I Sm 21.9-10, foi conserva­da enrolada em um manto e que não tinha igual. A espada era levada em uma bainha, nadan ou ta'ar> I Sm 17.51; I Cr 21.57; Jr 47.6; Ez 21.8-10, presa à cintura, II Sm 20.8.

27 de março de 2015

Árvore genealógica patriarcal

Manual Bíblico Unger

EUGENE H. MERRILL - Uma teologia de Daniel

Uma Teologia de Daniel

A queda de Jerusalém, a destruição do templo de Salomão e a deportação
da liderança e classe alta de Judá, em 586 a.C., foram o acontecimento histórico
e teológico mais devastador de toda a longa história de Israel e Judá. E suscita
uma pergunta muito importante: Quem é verdadeiramente o soberano — Nabucodonosor e seus sucessores babilônios e persas, que ocasionaram o julgamento catastrófico, ou o Senhor de Israel, que ou permitira que acontecesse ou fora impotente em evitar semelhante julgamento?[1]

Coube a Daniel, um moço exilado na primeira fase da conquista babilónica
em 605 a.C., responder esta pergunta. Depois de uma vida de serviços prestados
nas cortes babilónicas e persas (de aproximadamente 605 a 530 a.C.), ele tomou
a pena em mão e, como escriba pronto para ação do Espírito de Deus, compôs o
tratado que leva o seu nome. Trata-se de uma reflexão teológica sobre o exílio de Israel (ou Judá), o tema central do qual emana a questão da soberania.[2]

26 de março de 2015

Terra dos Patriarcas

Manual Bíblico Unger

Gerard Van Groningen: A Fonte do Conceito Messiânico - O Caráter Profético da Revelação Messiânica

O Caráter Profético da Revelação Messiânica

A Bíblia, como o registro escrito da revelação e da relação pactual de Deus com a humanidade, tem um profético caráter. Para uma compreensão adequa­da desse fato é bom, a esta altura, fazer um breve exame da idéia bíblica de profecia. (Para um estudo acadêmico, ver os caps. 13 e 14). Várias fontes estão disponíveis para um estudo pormenorizado da profecia.[1]

O termo profecia tem vários significados ou gradações de significado. É preciso dar atenção cuidadosa a cada vim deles.

Toda profecia bíblica é revelação porque tem sua fonte última em Deus. Daí, a profecia bíblica não deve nunca ser confundida com a previsão, prognosticação, e antecipação humanas, ou com o julgamento baseado no cálculo ou na observação da continuidade das leis ou processos naturais. Além disso, a profecia bíblica não é "instrução religiosa", especialmente se essa instrução começa após sentir-se a sua necessidade.[2] A ênfase tomar-se-ia antropocêntri­ca, em vez de teocêntrica. A profecia bíblica é divina em sua origem. Ela é, por assim dizer, uma parte do autodesvelamento de Deus como Deus do pacto.

Gerard Van Groningen: A Fonte do Conceito Messiânico - A Bíblia Como o Livro do Pacto do Rei

O capítulo precedente esboçou o conceito messiânico assim como ele aparece no Velho Testamento. Um rápido exame dos antigos textos do Oriente Médio e das alegações dos eruditos a respeito desses textos alusivos às raízes, origens e temas de um conceito messiânico posterior, como aparece no Velho Testamento, levou à conclusão de que não há nada semelhante entre eles, nem há traços de uma posição inicial que se teria desenvolvido no conceito bíblico.

Antes de estudar passagens bíblicas específicas em que o conceito aparece, é necessário examinar (ainda que brevemente) vários pontos de vista sobre a Bíblia. A isto se seguirá uma breve discussão da colocação literária (profecia) específica em que o conceito aparece. Finalmente, apresentaremos uma visão de conjunto da pesquisa dos estudiosos sobre o conceito do Messias, como aparece na profecia bíblica.

A Bíblia Como o Livro do Pacto do Rei

25 de março de 2015

Canaã nos tempos de Abraão

Manual Bíblico Unger

Roland de Vaux - Cidades Fortificadas e Guerra de Cerco

CIDADES FORTIFICADAS E GUERRA DE CERCO 

As antigas cidades de Canaã, cada uma das quais era o centro de um minúsculo Estado, eram cercadas por muralhas e defendidas por torres e portões fortificados. As imagens que, nos monumentos egípcios, ilustram as campanhas dos faraós do Novo Império reproduzem sua aparência e as esca­vações da palestina permitem estudar o plano dessas defesas e a técnica de sua construção. Compreende-se o temor que inspiravam aos invasores israelitas essas cidades “muito fortes”, Nm 13.28, cujas muralhas subiam “até o céu”, Dt 1.28, esses “lugares fortes cercados de altas muralhas, munidos de portas e de trancas”, Dt 3.5. Quando os israelitas tendo conquistado ou ocupado essas cidades, se preocuparam em reconstruir suas defesas - o que não é atestado pela arqueologia senão a partir do tempo de Saul eles mantiveram as cons­truções que subsistiam, concertando-as quando necessário. Quando a destrui­ção era radical, eles reconstruíam as muralhas segundo novos métodos, que aplicaram também nas cidades fundadas por eles mesmos. São essas fortifica­ções transformadas ou construídas pelos israelitas que nos interessam aqui. 

1. AS CIDADES FORTES ISRAELITAS 

Roy B. Zuck - Uma Teologia de Eclesiastes

UMA TEOLOGIA DE ECLESIASTES

No transcurso dos séculos, muitos têm questionado se o livro de Eclesiastes pertence ao cânon da Bíblia, e especialmente ao corpo sapiencial. Considerando que realça a futilidade e inutilidade do trabalho, o triunfo do mal, as limitações da sabedoria e a impermanência da vida, Eclesiastes não se encaixa bem com a canonicidade bíblica.

Pelo fato de contradizer outras porções da Bíblia e apresentar uma perspectiva pessimista da vida, em estilo de desespero existencial, muitos vêem que Eclesiastes choca-se com os demais livros da Bíblia ou concluem que apresenta apenas raciocínio humano sem a revelação divina. Smith escreveu: “Não há exaltação espiritual nestas páginas. [...] Eclesiastes [...] só traz uma coisa: confusão. Ao longo da obra, a razão é elevada como a ferramenta com a qual o homem busca e acha a verdade”. Scott afirma que o autor de Eclesiastes “é racionalista, cético, pessimista e fatalista, f...] Em muitos aspectos, sua visão é contra os judeus tementes a Deus”. Crenshaw fala do “caráter opressivo” de Eclesiastes que transmite a visão de que “a vida é inútil; totalmente absurda”. Considerando que “a virtude não traz recompensa” e visto que Deus “está distante, abandonando a humanidade à própria sorte e à morte”, este livro, assevera Crenshaw, se diferencia “radicalmente dos ensinos expressos no livro de Provérbios”. “O Koheleth não discerne nenhuma ordem moral”, pois “a vida não vale nada” Estes são os elementos no livro que supostamente propõem esta perspectiva de

24 de março de 2015

Ur nos dias de Abraão

Manual Bíblico Unger

EUGENE H. MERRILL - Uma Teologia de Ezequiel

Uma Teologia de Ezequiel

Ezequiel, o grande profeta do exílio, entregou mensagens de calamidade e
consolação entre 592 a.C. e 570 a.C., de acordo com a informação cronológica
fornecida por ele.[1] Fora levado ao cativeiro babilónico na segunda onda de deportação em 598 a.C. e evidentemente passara o resto da vida entre os exilados na
Mesopotâmia junto ao rio Quebar.[2] Somente em visão ele voltou ocasionalmente
à pátria para testemunhar que o povo abandonara tragicamente as responsabilidades pertinentes ao concerto, deserção esta que resultou na destruição de Jerusalém
em 586 e na terceira e culminante fase de deportação da população judaica.

Como sacerdote bem como profeta, Ezequiel estava particularmente preocupado com questões sobre o templo e o culto como expressões da relação especial
de Israel com o Senhor. Teve encontros com o Senhor em epifania e teofania,
denunciou incisivamente a liderança religiosa de Jerusalém pelo abuso das estruturas e formas de adoração, lamentou a idolatria que se fazia até mesmo no

23 de março de 2015

A estrada Real dos tempos de Abraão

Manual Bíblico Unger

Gerard Van Groningen - O Conceito Messiânico na Literatura Extrabíblica

O Conceito Messiânico na Literatura Extrabíblica 

As Questões 

Nesta parte de nosso estudo formulamos três questões: (1) Encontram-se os termos mãSah e mãsiah na literatura dos egípcios, mesopotâmicos, hititas e cananeus, que viveram e escreveram antes de 1000 a.C.? (2) Encontram-se elementos afins à idéia messiânica em materiais extrabíblicos anteriores? (3) Se há elementos não-idênticos, mas semelhantes à concepção messiânica, haverá um desenvolvimento linear partindo desses elementos para as concepções bíblicas?[1]

As Respostas 

Não pretendemos aqui apresentar uma visão total do campo. Pelo contrário, serão citadas apenas umas poucas fontes para colocar as questões diante de nós tão claramente quanto possível e apontar as diferenças existentes.[2]

B.B. Warfield, citando Emst Sellin, argúi que não há paralelos reais entre os materiais bíblicos e os do antigo Oriente Médio que tratam do messianismo.[3]

22 de março de 2015

História mesopotâmica paralela a Gênesis

Manual Bíblico Unger




Walter Eichrodt - Teologia do Antigo Testamento: O Problema e o Método

TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO: 

O PROBLEMA E O MÉTODO 

Dentre todos os problemas conhecidos referentes ao estudo do Antigo Testamento, o de maior alcance e importância é o da teologia do Antigo Testamento. Por meio dela é construída uma imagem completa da fé veterotestamentária', trata ainda, em outras palavras, de dar alcance, em toda sua singularidade e autênticas proporções, ao que constitui o núcleo essencial do Antigo Testamento. Neste sentido, a teologia do Antigo Testamento vem a ser a coroação de toda a ocupação da ciência veterotestamentária; todos os demais ramos da ciência bíblica se empenham, a partir de sua tarefa específica, à consecução desta meta. 

Contudo, embora o domínio próprio da teologia do Antigo Testamento seja, comparativamente, restrito, ainda está intimamente ligado à prolífica variedade das religiões pagãs e ao reino exclusivo da Fé do Novo Testamento. Deste modo, ela exibe um aspecto duplo. 

21 de março de 2015

A Teologia da Libertação e a narrativa do Êxodo

Por: Steven Harris

Sobre a narrativa do êxodo: o tema dominante da teologia da libertação

Para a teologia da libertação, especialmente a teologia da libertação negra, o relato do Êxodo é o tema central em torno do qual a teologia se orienta. O ato de Deus libertar o seu povo da escravidão egípcia estabelece as expectativas e a agenda atual da teologia da libertação.

Aplicar a história de resgate do Êxodo ao mundo temporal das nações e da política não começou no meio do século XX. Escravos negros americanos nos séculos XVIII e XIX foram atraídos para a narrativa do Êxodo, uma vez que ela refletia sua condição. A narrativa servia como uma prova positiva de que Deus era capaz de e desejava resgatar um novo Israel (escravos negros) de um novo Egito (América). Olhando mais além, os puritanos do século XVII que atravessaram o Atlântico consideravam estar deixando um Egito (Inglaterra) em missão divina, embarcando no que um historiador chamou “uma peregrinação pelo deserto”. Não obstante, a teologia da libertação moderna foi a primeira a tomar essa narrativa e aplicá-la como normativa às comunidades oprimidas.

20 de março de 2015

Torre de Babel

Manual Bíblico Unger

Roland de Vaux - Os exércitos de Israel

OS EXÉRCITOS DE ISRAEL


Nós somos informados sobre a organização militar dos egípcios, dos assírio-babilônicos e dos hititas pelas representações figuradas que nos deixaram de seus soldados e das batalhas que travaram, de seus acampamentos e de suas fortalezas e pelas inscrições que narram suas campanhas, reproduzem os tratados que puseram fim às guerras, mencionam os títulos, as atribuições e a carreira deste ou daquele oficial do exército. 

Temos menos informações sobre Israel: nenhuma imagem militar - se é que houve alguma - nos chegou e as escavações da palestina nos informam mais sobre as fortificações e o armamento dos cananeus que sobre o equipamento dos israelitas que os venceram. Nós temos, sem dúvida, textos, e os livros históricos da Bíblia estão cheios de relatos guerreiros. Mas esses rela­tos raramente são contemporâneos dos eventos que narram. Há tradições anti­gas nos livros de Josué e de juizes, contudo, a história militar da conquista e das batalhas que se seguiram não recebeu sua última forma literária senão muito pouco antes do Exílio. Há, nos livros de Samuel e de Reis, narrativas escritas imediatamente após os fatos, mas o caráter vivo e verídico não compensa—para nosso tema atual — sua carência de precisão técnica, e as informa­ções mais detalhadas sobre a organização militar da monarquia são dadas em Crônicas, livros escritos em um época em que não havia mais independência nem exércitos para

19 de março de 2015

Quadro das nações de acordo com Gênesis 10

Manual Bíblico Unger

ROBERT B. CHISHOLM, JR. - Uma teologia de Lamentações de Jeremias

UMA TEOLOGIA DE LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS

O livro de Lamentações de Jeremias foi escrito em conseqüência da destruição de Jerusalém pelos babilônios em 586 a.C. Grande parte do povo de Judá ou foi morto ou levado em cativeiro. Em meio à fumaça do julgamento,
o autor, tradicionalmente identificado por Jeremias, lamentou a queda da nação, reconheceu os pecados como a razão para a tragédia e clamou a Deus por
misericórdia e restauração. Suas orações proporcionam aos crentes de todas as
eras um modelo de como o povo de Deus deve se aproximar do Senhor depois
de experimentar a disciplina. Embora não seja um tratado teológico, este livro
contém muitos insights teológicos profundos, ilustrando mais uma vez que é
no meio da dificuldade extrema que refletimos seriamente e aprendemos mais
sobre o caráter de Deus e a sua relação com o povo. Podemos resumir a mensagem teológica de Lamentações de Jeremias da seguinte forma: O julgamento
disciplinar irado de Deus sobre o povo, ainda que severo e merecido, não era
final. Até durante as conseqüências do julgamento, o Deus de Judá, amoroso,
compassivo e fiel, permaneceu a fonte de esperança futura da nação para a restauração.

O JULGAMENTO IRADO DE DEUS

18 de março de 2015

Dimensões da arca de Noé

Manual Bíblico Unger
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Gerard Van Groningen - Aspectos dos Termos Masah e Masiah

Aspectos dos Termos Masah e Masiah

Ato de ungir

Uma questão específica está diante de nós: com que intenção, nos tempos do Velho Testamento, o ato de ungir era praticado? Um estudo cuidadoso dos vários contextos e dos atos de unção praticados revela quatro intenções espe­cíficas.

Designar, apontar ou eleger. Se alguém considera a designação, o apontaento, a eleição como pré-requisitos ou como aspectos da unção depende de quão estritamente concebe a idéia de unção. Se o termo ungir refere-se estrita­mente ao ato de derramar óleo, esses são pré-requisitos. Se o termo é entendido como referindo-se ao fenômeno como um todo, os atos de designação, aponamento ou eleição estão incluídos no termo ungir. Uma das afirmações mais claras do Velho Testamento, que expressa a idéia de designação, é encontrada em 1 Sm 16.3.[1] Samuel foi enviado à casa de Jessé para preparar e oferecer um sacrifício e ungir um dos filhos de Jessé para ser rei. Samuel não foi informado a respeito de qual era o filho que ele deveria ungir. Pelo contrário, ele recebeu ordem de preparar o sacrifício e aguardar as instruções do Senhor, que no momento próprio "apontará" ou "designará" quem deve ser ungido (’ãmar, v. 12). Quando o Senhor tiver declarado o filho escolhido, o derramamento de óleo em sua cabeça indicará publicamente sua escolha como rei (1 Sm 16.1-13).

17 de março de 2015

A idade dos Patriarcas

Manual Bíblico Unger

Gleason L. Archer - A autoria do Pentateuco

A AUTORIA DO PENTATEUCO

Capítulos 6 e 7 já traçaram o desenvolvimento das teorias dos
estudiosos liberais quanto à autoria do Pentateuco. Começando com o triunfo do deísmo na década de 1790, e continuando através da época do dialeticismo hegeliano e do evolucionismo darwiniano no século dezenove, o veredito tem sido contrário à autoria mosaica.

Segundo a crítica, as primeiras porções escritas daquela mistura
literária conhecida como Livros de Moisés, não tinham uma data
anterior ao nono ou oitavo século a.C. No século presente, algumas concessões têm sido feitas por alguns estudiosos, quanto à possibilidade de alguns fios de tradição oral terem sido oriundos de Moisés, mas quanto à forma escrita, a tendência tem sido fazer do Pentateuco uma obra pós-exílica. No geral, porém, a autoria mosaica não tem sido considerada como uma opção genuína para as pesquisas liberais do século vinte; aquela batalha fora travada e ganha no distante começo do século dezenove, e foram principalmente os edificadores da Teoria Documental que fizeram a obra
de banir Moisés para as brumas iliteradas da tradição oral. Baseando-nos na descrição breve do surgimento da Hipótese Documental que já foi dada nos dois capítulos anteriores, podemos agora
indicar, pelo menos de maneira superficial, as fraquezas e falácias
mais óbvias que invalidaram a totalidade da abordagem Wellhausiana desde sua própria incepção.

Fraquezas e Falácias da Teoria Wellhausiana

Nelson Kilpp - A prática da justiça e a sabedoria

Nelson Kilpp

A prática da justiça

1.1. Introdução

Existe unanimidade em torno da idéia de que a prática da justiça é algo positivo, desejável e necessário para construir um mundo melhor. Em todas as religiões e culturas há um enorme anseio por justiça. Em diversos lugares, povos e grupos lutam por mais justiça. Também entre nós não é diferente. Sempre de novo, constatamos que as relações pessoais, sociais e políticas, tanto nacionais quanto internacionais, continuam extremamente injustas. Ficamos revoltados, por exemplo, quando um jogador de futebol, uma atriz de cinema ou um alto executivo ganha mil vezes mais que o salário de um cidadão comum; ficamos indignados quando pessoas são rejeitadas na entrevista de emprego por não terem “boa aparência”, apesar de sua capacidade profissional; ficamos perplexos quando os “espertos” da nação desviam para suas contas em paraísos fiscais milhões e milhões de reais destinados à saúde pública ou à educação. As histórias de fraudes, ganhos ilícitos, corrupção ativa e passiva, desvios e desmandos revelados praticamente não têm fim.

16 de março de 2015

Histórias da Criação

Manual Bíblico Unger

13 de março de 2015

Cópia do Antigo Testamento de 350 anos é doada para Universidade de Haifa

Uma edição rara do Tanach (Antigo Testamento) do século XVII, que chegou a Israel de uma forma tortuosa, foi doado para a Universidade de Haifa pelo produtor de cinema e diretor israelense Micha Shagrir, falecido no mês passado. O volume doado agora reuniu-se com um exemplar da mesma edição que já estava no Departamento de Livros Raros da biblioteca da Universidade de Haifa.

Quando Shagrir informou à equipe da dos Biblioteca Younes e Soraya Nazarian que queria doar uma cópia do Tanakh de 350 anos de idade, os funcionários ficaram muito entusiasmados com a ideia de adicionar mais uma edição antiga do Livro sagrado para a coleção da biblioteca. Eles ficaram surpresos ao descobrir que o volume, que tinha sido impresso na Alemanha em 1677, era muito parecido com um livro do Tanach que a biblioteca já tinha.

Tabletes da Criação

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Manual Bíblico Unger

Roland de Vaux - Pesos e Medidas


PESOS E MEDIDAS

1.    A “METROLOGIA” ISRAELITA
A metrologia é, por definição, uma ciência exata. Ela supõe a determinação matemática das unidades de extensão, volume e peso e sua rigorosa clas­sificação. No uso prático, ela exige a sanção de uma autoridade que impõe um sistema e verifica a conformidade das medidas empregadas por cada um com o padrão que ela estabelece. Isso, que é regra nos Estados modernos, já acon­tecia, mesmo que em graus variados, nos grandes impérios antigos. Pode-se duvidar que uma tal regulamentação tenha existido em Israel. Freqüentemente quis-se ver em II Sm 8.1 a menção a um “padrão do côvado”, que Davi teria emprestado dos filisteus, mas o texto está corrompido e talvez oculte um nome geográfico. Sem dúvida, fala-se de fraudadores que diminuíam as medidas e aumentavam o siclo, Am 8.5; de pesos “pesados” e “leves“, Dt 25.13; da medi­da diminuída e de pesos enganosos, Mq 6.10,11; cf. Pv 20.10. Em contras­te, Lv 19.35-36 prescreve pesos justos, uma medida justa, um sextário justo, cf. Ez 45.10. Tudo isso se refere a estimativas comumente admitidas e não a padrões oficiais. A tradição rabínica, segundo a qual os padrões do côvado eram depositados no Templo

12 de março de 2015

A dinastia dos Asmoneus

Manual Bíblico Vida Nova

ROBERT B. CHISHOLM, JR. - Uma teologia de Jeremias

UMA TEOLOGIA DE JEREMIAS

Jeremias viveu e profetizou durante os dias finais de Judá. Foi chamado
para ser profeta quando ainda era jovem, denunciou os pecados do povo e advertiu que em breve o julgamento acometeria a terra. Hostilidade intensa e
oposição ferrenha de reis, sacerdotes e profetas o levaram a clamar pelo Senhor
desesperadamente e às vezes com amargura. Contudo, permaneceu fiel à comissão profética e continuou exortando o povo de Deus mesmo depois da queda de
Jerusalém. Foi levado ao Egito contra a sua vontade por um grupo de refugiados
de Judá. Jeremias advertiu os exilados a viverem lá e a não colocar a confiança
no Egito.

Como tantos outros profetas pré-exílicos que deixaram escritos, a mensagem de Jeremias se concentra na relação de Deus com o povo do concerto,
incluindo ao mesmo tempo muitos oráculos de julgamento contra as nações
circunvizinhas. Jeremias acusou Judá de quebrar o concerto mosaico e anunciou
que as maldições do concerto cairiam sobre a nação. Em particular, chamou a

11 de março de 2015

O império de Alexandre o grande

Manual Bíblico Vida Nova

Gleason L. Archer - A alta crítica do Antigo Testamento no Século Vinte

A ALTA CRITICA DO ANTIGO TESTAMENTO NO SÉCULO VINTE

Talvez a maneira mais útil e conveniente de apresentar as
tendências das pesquisas vetero-testamentárias entre 1890 e 1950 seja demonstrar o efeito das suas contribuições sobre a estrutura da hipótese Graf-Wellhausen. Por este motivo, a ordem seguida será mais de tópicos do que cronológica.

Conforme já indicamos, a maior parte dos estudos modernos
tem seguido os métodos da análise documentária, e as inovações
têm sido principalmente limitadas a isolar mais alguns “documentos”, além dos quatro já tradicionais pelo decorrer do tempo, JEDP.
Assim, por exemplo, Otto Eissfeldt na sua Hexateuchsynopse (1922) pensou perceber dentro de J uma fonte leiga (L) — mais ou menos equivalente ao J1 de Smend (Die Erzählung des Hexateuchs auf ihre Quellen untersucht — As Narrativas do Hexateuco Pesquisadas segundo suas Fontes, 1912) — um componente de J em prol do qual Walter Eichrodt argumentara com eloqüência (Die Quellen der Genesis — As fontes de Gênesis, 1916). Este Laienshrift, Escrito Leigo, conforme Eissfeldt chamou, refletia um ideal nômade,
recabita (cf. a referência a Recabe em 2 Reis cap. 10), que era completamente hostil à maneira de vida cananítica. Concluiu que L surgiu na época de Elias (ca. de 860) e conseguiu penetrar em Juizes
e Samuel também.

10 de março de 2015

Os atos simbólicos dos Profetas


Manual Bíblico Vida Nova


Roland de Vaux - Divisões do Tempo

DIVISÕES DO TEMPO

1.    OS ANTIGOS CALENDÁRIOS ORIENTAIS
Segundo Gn 1.14, Deus criou o Sol e a Lua para fazerem separação entre o dia e a noite; e serem eles sinais para marcar festas, dias e anos. A contagem do tempo é, efetivamente, regida pelo curso desses dois astros. O dia é medido pela revolução aparente do Sol ao redor da Terra; o mês, pela revolução da Lua ao redor da Terra; o ano, pela translação da Terra ao redor do Sol. O dia, que é a unidade mais facilmente observável e que regula toda a vida pública e particular, foi tomado necessariamente como unidade de base para todos os sistemas, mas o mês lunar não conta um número completo de dias, e doze lunações somam apenas 354 dias, 8 horas e uma fração, enquanto que um ano baseado no Sol tem 365 dias, 5 horas e uma fração. O ano lunar tem, pois, quase onze dias menos que o ano solar. Em uma sociedade rudimentar, essas anomalias têm pouca importância e basta que, de tempos em tempos, sejam corrigidas mediante um reajuste empírico. Mas muito cedo no Oriente, o desen­volvimento das instituições civis e religiosas, as contribuições periódicas devi­das ao Estado, as festas cultuais, os contratos estabelecidos entre indivíduos exigiram que se fixasse a data de acontecimentos passados ou de prazos futu­ros, ou seja, que se estabelecesse um calendário oficial. Os sistemas varia­ram com o tempo e as regiões, e a história antiga do calendário é muito com­plexa.

9 de março de 2015

O Hebraico e o Aramaico

Manual Bíblico Vida Nova

ROBERT B. CHISHOLM, JR - Uma Teologia de Isaías 40 a 46

Uma Teologia de Isaías 40 A 46

DEUS E O SEU POVO

A resposta de Deus à condição dos exilados. Como já comentado, os capítu-
los 40 a 66 pressupõem o exílio do povo de Deus. Jerusalém e a Terra Prometida jazem em ruínas (40.1,2; 44.26,28; 45.13; 49.19; 51.3; 52.2; 58.12; 60.10; 61.4; 62.4; 63.18; 64.10,11), e pelo menos alguns israelitas estavam presos na Babilónia e em outras terras distantes, esperando libertação futura (42.7,22; 43.5,6,14; 45.13; 47.6; 48.20; 49.9-12,22; 51.11,14; 52.11,12; 56.8; 57.14; . Compreensivelmente, os exilados estavam desanimados com a situação e céticos quanto às perspectivas futuras (40.27; 41.17; 49.14). Alguns aparente-
mente pensaram que o Senhor já não estava interessado na situação difícil pela
qual passavam, enquanto outros até sugeriram que Ele os tratara injustamente.

8 de março de 2015

Gleason L. Archer - Histórico da Teoria Documental do Pentateuco

HISTÓRICO DA TEORIA DOCUMENTAL DO PENTATEUCO

Até o surgimento da filosofía deística no século dezoito, a
igreja crista sempre aceitou literalmente as declarações contidas no Pentateuco, que o livro foi composto pelo Moisés histórico do século quinze a.C. Alguns estudiosos judeus tinham sugerido a possibilidade duma autoria posterior de pelo menos partes da Torá, homens tais quais o judeu espanhol panteístico Benedito Espinoza, mas estas conjeturas tinham sido ignoradas em grande parte pelos estudiosos europeus, até que o movimento deístico criou uma atitude mais propícia para o ceticismo histórico e a rejeição do sobrenatural. (Espinoza exprimira em 1670, no seu Tractatus Theologico-Politicus, o ponto de vista que o Pentateuco dificilmente poderia ter sido escrito por Moisés, sendo que a narrativa é na terceira pessoa “ele”, e não na primeira “eu”; além disto, não poderia ter registrado sua própria morte, que se descreve no capítulo 34 de Deuteronômio. Por este motivo, postulou Esdras como compositor final da Torá. Apesar de esta sugestão ter sido geralmente desconsiderada na sua própria geração, constituía uma antecipa-
ção marcante daquilo que seria a formulação final da Hipótese Documental, feita por Graf, Kenen e Wellhausen na segunda metade do século dezenove).

Desenvolvimentos Primitivos

7 de março de 2015

Lista dos 50 nomes de personagens bíblicos confirmados pela Arqueologia Bíblica

Dr. Lawrence Mykytiuk, um acadêmico em pesquisa da Bíblia publicou um artigo onde mostra detalhadamente a confirmação de cinquenta nomes de personagens bíblicos ao longo da história da antiguidade, e isto pelo visto é somente o começo, muito mais ainda está para ser descoberto enquanto as escavações avançam por todo o Oriente Médio, em especial no Estado de Israel.
Vamos começar com os reis hebreus. Segundo a Bíblia, David governou no século X AC, usando a cronologia tradicional. Até 1993, no entanto, o nome pessoal David nunca tinha aparecido no registro arqueológico, e muito menos em uma referência ao rei Davi. Isso levou alguns estudiosos a duvidar de sua própria existência. De acordo com esta tese Davi era mítico, uma ancestral ou uma criação literária de autores bíblicos posteriores e seus editores. Em 1993, no entanto, a agora famosa inscrição de Tel Dan foi encontrada em uma escavação liderada por Avraham Biran.