1 de fevereiro de 2015

ROBERT B. CHISHOLM.JR - Uma teologia de Salmos: As Características e Atributos do Rei Divino

As Características e Atributos do Rei Divino
A análise precedente sobre a posição e funções da realeza de Deus realça a sua so-
berania, incomparabilidade, justiça e poder. Entretanto, os Salmos também enfatizam
muitas das outras características ou atributos que exigem análise mais minuciosa.

ÓDIO E IRA

De acordo com os Salmos, Deus odeia “a todos os que praticam a malda-
de” e “o que ama a violência” (5.5; 11.5) Ele os rejeita e os destrói (cf. w. 4,6; 11.6). Direciona sua ira àqueles que se rebelam contra a autoridade soberana (2.5) e procuram destruir o seu povo (18.7; 69.24; 76.7). A compaixão e o
amor de Deus o levam a ser “longánimo” (86.15; 103.8) e a abster-se de enviar
o pleno poder da sua ira contra o seu povo (78.38; 103.9). Ainda que o pecado
do povo provoque a ira do Senhor às vezes (78.49,50; 95.10; 106.40), Deus res-
ponde favoravelmente aos seus clamores por misericórdia (cf. 86.3-6; 90.13-17

[cf. 90.7]). Os que experimentam a restauração divina podem afirmar que “não
passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira” (30.5, ARA).

BONDADE

Os Salmos afirmam que Deus é “bom” (tob). Este termo é superficialmente
bastante vago e geral. Mas, os contextos específicos nos quais aparecem dão um foco
mais concentrado. Por exemplo, a bondade de Deus é associada com a sua fideli-
dade e amor duradouros (100.5; 106.1; 107.1; 136.1) exibido em sua proteção e
provisão para o seu povo (34.8; 54.6; 69.16; 109.21; 118.1,29; 135.3). A bondade
de Deus também abrange a sua compaixão por todos que ele criou (145.9) e o seu
perdão misericordioso do pecado (25.7; 86.5). Para o salmista, a bondade de Deus é
como uma fonte da qual outras características mais específicas emanam. 

FIDELIDADE E AMOR LEAL

De acordo com os salmistas, um dos atributos de Deus mais fundamentais
e importantes é a fidelidade (cf. os termos hebraicos praticamente sinônimos
'emund e ’emet), que é estabelecida no céu e o cerca em sua regência desde o tro-
no celestial (89.1,2,5,8,14). Não conhece limitações geográficas (36.5; 57.10;
108.4; entretanto, cf. 88.11) ou temporais (100.5; 119.90; 146.6). A fidelidade
de Deus caracteriza as suas palavras e ações (33.4; 111.7,8). A sua lei é confiável
(119.86, 138) e as suas promessas a Davi, certas (89.25,33,49). A sua confiabi-
lidade se mostra claramente na proteção e libertação daqueles que clamam a Ele
em tempos de necessidade (31.5; 40.10; 57.3; 61.7; 69.13; 71.22; 91.4; 98.3;
138.2; 143.1).

Estreitamente relacionado à fidelidade de Deus estão o amor leal ou
a devoção (hesed), que Ele oferece ao povo do concerto de modo coletivo
e individual. Como a sua fidelidade, o amor leal de Deus não conhece
limites geográficos ou temporais (57.10; 100.5; 103.7; 138.8). Este amor
desempenha um papel tão importante na história de Israel que a declaração
“porque o seu amor dura para sempre” aparece como refrão em todos os
vinte e seis versículos do Salmo 136 (AEC; cf. NTLH, NVT), um recital
hínico das poderosas ações de Deus a favor da nação. Primariamente, Deus
exibe o seu amor leal libertando (6.4; 21.7; 31.16,21; 32.10; 44.26; 48.9;
66.20; 85.7; 86.13; 94.18; 98.3; 107.8, 15,21,31) e perdoando (25.7; 51.1;
103.8-11) aqueles que o reconhecem (36.11), confiam nEle (147.11) e o
temem (103.11,13,17).

MISERICÓRDIA E COMPAIXÃO

Os Salmos também declaram que o Senhor é “piedoso (ou misericordio-
so) e compassivo” (hannum uf rahum, 111.4, AEC; 145.8; cf. 86.15; 103.8;
116.5). Este par de palavras se refere à disposição favorável de Deus para com
aqueles cujas necessidades o movem emocionalmente. Os salmistas apelavam
para a misericórdia e/ou compaixão de Deus quando eram derrotados por
inimigos poderosos ou pela própria pecaminosidade (4.1; 6.2; 9.13; 25.6,16;
26.11; 27.7; 30.10; 31.9; 40.11; 41.4,10; 51.1; 56.1; 57.1; 79.8; 86.3,16;
119.58,77,132,156; 123.3).

ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento : CPAD, 2009.