24 de fevereiro de 2015

Gleason L. Archer - Introdução ao livro de Eclesiastes

ECLESIASTES

O título Hebraico deste Livro é Qõhelet, que significa, segundo
parece, “o ofício do pregador”, que depois se tomou o título do
próprio pregador. É derivado da raiz qãnal, que significa “convocar uma assembléia”, ou então, “dirigir a palavra a uma assembléia”. O autor desta obra refere-se assim a si mesmo em
numerosas passagens, e, portanto, o nome é aplicável à obra. O
termo ecclêsiastês é uma boa tradução deste termo, e se deriva de ekklêsia, que significa “assembléia”.

O Propósito e o Tema de Eclesiastes

O propósito de Eclesiastes era convencer os homens da inutilidade de qualquer ponto de vista acerca do mundo (ou cosmovisão) que não se levante acima do horizonte do próprio homem. Pronuncia o veredicto de “vaidade de vaidades” sobre qualquer filosofia de vida que considera o mundo criado, ou o prazer humano, como sendo uma finalidade em si mesmo. Considerar a felicidade pessoal como sendo o sumo bem da vida é pura estultícia levando-se em conta o valor preeminente de Deus em contraste com Seu universo criado. Não se pode nunca obter a felicidade colocando-a como um alvo a atingir, e tal atividade envolve somente uma auto-deificação ridícula. Tendo demonstrado a vaidade que há em viver-se somente em prol de alvos mundanos, o autor prepara o caminho para uma cosmovisão que reconhece Deus como sendo o valor supremo, que só atenta para o significado real numa vida, se esta é dedicada ao Seu serviço. Só como veículo para a expressão da sabedoria, bondade e verdade de Deus é que o próprio mundo tem qualquer significado real. Somente a obra de Deus é que perdura, e só Ele pode conceder valor eterno à vida e às atividades do homem. “Sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente, nada se lhe pode acrescentar, e nada lhe tirar” (Eclesiastes 3:14).

Esboço de Eclesiastes


I. Primeiro Discurso: A Vaidade da Sabedoria Humana, 1:1 —
2:26.

A. Tema básico: a vaidade do esforço e da experiência meramente humanos, 1:1-3.
B. Demonstração do tema, 1:4 — 2:26.
1. O ciclo da vida e da história humana, sem sentido,
1:4-11.
2. A inutilidade final da sabedoria e da filosofia hu
manas, 1:12-18.
3. A vaidade do gozo, do prazer e da riqueza, 2:1-11.
4. A morte final até mesmo dos sábios, 2:12-17.
5. A futilidade de deixar o fruto de trabalhos árduos
a herdeiros indignos, 2:18-23.
6. A necessidade de ficar contente com a providência
de Deus, 2:24-26.

II. Segundo Discurso: Colocando-se em contacto com as Leis
que Governam a Vida, 3:1 — 5:20.

A. Atitude prudente, tendo em vista os fatos da vida e da
morte, 3:1-22.
1. É necessário reconhecer o tempo apropriado de cada
atitude e experiência, 3:1-9.
2. Só Deus garante valores eternos, 3:10-15.
3. Deus punirá os injustos, a morte virá para todos,
3:16-18.
4. O homem precisa participar da morte física dos ani-
mais, 3:19, 20.
5. Sem certeza da vida além, o homem precisa tirar
o melhor proveito da vida presente, 3:21,22.
B. As decepções da vida na terra, 4:1-16.
1. A crueldade e a miséria fazem da vida uma bênção
duvidosa, 4:1-3.
2. Revela-se as desvantagens do sucesso, da preguiça,
da cobiça insaciável, 4:4-8.
3. As provações da vida são melhor enfrentadas por
dois do que um sozinho, 4:9-12.
4. O sucesso político é instável, 4:13-16.
C. A futilidade duma vida em procurar seu próprio bem,
5:1-20.
1. Presentear a Deus com sacrifícios falsos, palavras
vãs, promessas não cumpridas, é coisa vã, 5:1-7.
2. A retribuição atinge os opressores, e a decepção che-
ga aos cobiçosos, 5:8-17.
3. Desfrutar das dádivas de Deus com gratidão traz
contentamento, 5:18-20.

III - Terceiro Discurso: Não há Satisfação nos Bens e Tesouros da
Terra, 6:1 — 8:17.

A. A insuficiência das realizações estimadas pelo mundo,
6:1-12.
1. Nem as riquezas nem uma família grande podem
oferecer satisfação final, 6:1-6.
2. Nem os sábios nem os tolos atingem a satisfação da
alma, 6:7-9.
3. Sem Deus, o homem não pode discernir a verda-
deira razão do viver, 6:10-12.
B. Conselhos de prudência neste mundo corrompido pelo
pecado, 7:1-29.
1. Os verdadeiros valores se aquilatam melhor da pers-
pectiva da tristeza e da morte, 7:1-4.
2. A alegria sem base, o ganho desonesto, e a falta de
controle são apenas obstáculos, 7:5-9.
3. A sabedoria é mais vantajosa do que a riqueza, ao
se enfrentar a vida, 7:10-12.
4. Deus é o autor tanto de boa como de má sorte,
7:13,14.
5. Tanto o farisaísmo como a imoralidade levam à des-
graça, 7:15-18.
6. A sabedoria tem poder supremo, mas o pecado é
universal, 7:19,20.
7. Não se deve fazer conta da malícia feita contra si
próprio, 7:21,22.
8. A busca humana pela sabedoria não pode atingir à
verdade espiritual profunda, 7:23-25.
9. Uma mulher maligna é o pior dos males, 7:26.
10. Mas toda a raça humana desviou-se da bondade ori-
ginal, 7:27-29.
C. Sabendo enfrentar um mundo imperfeito, 8:1-17.
1. O sábio reverencia a autoridade do governo, 8:1-5.
2. A lei divina opera em nossa vida apesar de angús-
tias, injustiças e a morte inevitável, 8:6-9.
3. Apesar de estimados, e não punidos, os maus serão
julgados por Deus, no final, 8:10-13.
4. A injustiça nesta vida encoraja um hedonismo in-
conseqüente, 8:14,15.
5. Mas os caminhos de Deus são inescrutáveis à sa-
bedoria humana, 8:16-17.]

IV. Quarto Discurso: Deus vai tratar das injustiças desta vida,
9:1 — 12:8.

A morte é inevitável a todos; faça bom uso desta vida,
9:1-18.
1. A morte é inevitável para os bons e os maus; a insa-
nidade moral prende a todos, 9:1-3.
2. A escolha moral e o conhecimento desta vida ter-
minam com a morte, 9:4-6.
3. Os fiéis devem fazer pleno uso das oportunidades e
bênçãos da vida, 9:7-10.
4. Até para pessoas dignas, o sucesso é incerto e o tem-
po de vida imprevisível, 9:11,12.
5. A sabedoria, por menos apreciada que seja, traz
mais sucesso do que a força, 9:13-18.
A. As incertezas da vida, e os prejudiciais efeitos da tolice,
10:1-20.
1. Mesmo um pouco de tolice pode arruinar a vida
dum homem; seja prudente na presença de prínci-
pes, 10:1-4.
2. A vida oferece reveses nas fortunas e golpes em re-
tribuição, 10:5-11.
3. Um tolo é marcado por sua conversa vã e pelos seus
esforços mal dirigidos, 10:12-15.
4. O bem estar das nações e dos homens depende de
aceitar a responsabilidade, 10:16-19.
5. O desprezo da autoridade traz a retribuição certa,
10:20.
B. Como investir melhor uma vida, 11:1 — 12:8.
1. A bondade volta com bênçãos ao benfeitor, 11:1,2.
2. A sabedoria do homem não pode mudar ou sondar
as leis divinas da natureza, 11:3-5.
3. A maneira mais sábia de viver, é ser sempre dili-
gente, aplicado e de bom humor, 11:6-8.
4. A juventude malbaratada nos prazeres recebe a
paga adequada, 11:9,10.
5. Começa a viver por Deus enquanto é jovem, antes
da chegada das aflições e da senilidade, 12:1-8.

V. Conclusão: A Vida à Luz da Eternidade, 12:9-14.

A. O propósito de Salomão era dar sábias instruções ao povo
acerca da vida, 12:9,10.
B. Estas admoestações agudas têm mais valor prático do
que qualquer literatura, 12:11,12.
C. Ponha a vontade de Deus em primeiro lugar, pois Seu julgamento é final, 12:13,14.



Autoria e Data da Composição de Eclesiastes

O autor desta obra se identifica como filho de Davi, rei em
Jerusalém. Embora não especifique que seu nome é Salomão, é
razoável supor que a referência seja feita mais ao sucessor direto
de Davi do que a qualquer descendente posterior. Esta suposição
é confirmada por numerosas referências internas, tais como as
referências à sua incomparável sabedoria (1:16), suas riquezas sem
igual (2:8), seu séquito de inúmeros servos (2:7), suas oportunidades para o prazer carnal (2:3), e suas atividades extensivas de
construções (2:4-6). Nenhum outro descendente de Davi se enquadra nestas especificações senão o próprio Salomão. O ponto de vista
tradicional tem sido, portanto, que Salomão, filho de Davi, escreveu
o Livro inteiro, segundo a crença de estudiosos judeus e cristãos.

A tradição judaica em Baba Bathra 15a declara que “Ezequias e
sua companhia escreveram Eclesiastes”, o que provavelmente significa que Ezequias e seu grupo simplesmente editaram e publicaram o texto (cf. Young, IAT, p. 363). Em outros trechos, a tradição judaica é bem explícita que Salomão fosse o autor (cf. Megilla 7a e Shabbath 30). Até o surto da crítica do século dezenove, foi geralmente aceito tanto pela sinagoga como pela igreja que
esta obra foi genuinamente da lavra de Salomão.

Em anos mais recentes, porém, a maioria dos críticos conservadores têm se ajuntado aos críticos liberais em considerar esta obra
pós-exílica. Compreendem que a figura de Salomão era apenas um
artifício artístico para apresentar de maneira mais eficaz a mensagem do autor desconhecido, de eras posteriores. Sabendo-se que
Salomão tinha experimentado a satisfação de cada ambição humana, tendo sorvido até ao fundo cada possibilidade de prazer
terrestre, este seria um caso ideal para testar o valor do prazer
hedonista e as vitórias do intelecto, em contraste com uma vida
inteiramente dedicada a Deus. Entre os conservadores que adotaram esta maneira de considerar o Livro, há Hengstenberg, Delitzsch,
W. J. Beecher (ISBE), Zoeckler no Comentário de Lange, Steinmueller, Raven e até E. J. Young. John Davis no seu Dicionário
da Bíblia não toma posição. No Novo Comeníáriò da Bíblia, de
Davidson, Stibbs e Kevan a autoria de Salomão nem é considerada
uma opção séria. Há, porém, um número significante de expositores conservadores que ainda sustentam a autoria salomônica, pelo
menos em forma modificada. No século dezenove, nos últimos anos,
podemos incluir A. R. Fausset, no Comentário de Jamieson, Fausset
e Brown; W. T. Bullock no The Speaker's Commentary — “Comentário do Preletor”; e Taylor Lewis, que traduziu para o Inglês o
comentário de Zoeckler. No século vinte, podemos acrescentar os
nomes de Wilhelm Moeller, L. Wogue e M. F. Unger. Entre os estudiosos católicos que favorecem a autoria salomônica há Gietman
(cujo artigo na Enciclopédia Católica (em inglês) V, 244-248, é
muito útil), Schumacher, Vigoroux, e Cornely-Hagen.
A evidência mais significante, levantada como demostração
da data avaçada da composição de Eclesiastes, é derivada dos dados
lingüísticos do próprio texto. É inegavelmente verdade que a linguagem desta obra é notavelmente diferente da de qualquer outro
texto hebraico do décimo século, que tem sido conservado na Bíblia.

Quanto a isso, é diferente dos demais Livros da Bíblia de qualquer
época, excetuando-se parcialmente Cantares. Apoiando a data do
quinto século, Franz Delitzsch alista nada menos do que 96 palavras, formas e expressões que não se acham em nenhuma outra parte da Bíblia a não ser nas obras exílicas ou pós-exílicas tais
como Esdras, Neemias, Crônicas — ou talvez no Misná. Descreve
muitas destas como sendo aramaísmos, basicamente por causa de
terminações do tipo üt, -õn, ou -ãn. Hengstenberg concedeu a presença de apenas dez aramaísmos no Livro; no outro extremo, Zoeckler alegou que havia aramaísmos em quase todos os versículos. Os
termos aramaicos ou de hebraico avançado que têm sido citados
mais freqüentemente, são: pardês, “parque” (achado só em Neemias
e Cantares); shãlat, “reinar” (achado só nos Livros pós-exílicos);
tãqan, “ser reto” (achado só em Neemias e no Talmude); zeman,
“tempo definido” (achado só em Neemias e Ester); pithgãm, “decisão oficial” (só em Ester e no trecho aramaico de Daniel); medínah,
no sentido de “província” (palavra achada em 1 Reis, Ester, Esdras,
Neemias, Ezequiel e Lamentações); e kãshêr, “ser correto” (achado
só em Ester,־ fora deste Livro). A inferência óbvia é que Eclesiastes
pertença a uma época quando os judeus faziam considerável uso
do Aramaico, o que, presumivelmente, se daria somente depois do
Exílio.

À parte do vocabulário, argumenta-se que há evidências de
estrutura gramatical que coloca o Livro num período posterior.
Por exemplo, o pronome independente (especialmente hü, M’ e
hêm) é empregado com verbo de ligação com maior freqüência do
que nos Livros pré-exílicos. Argümenta-se também que o imperfeito
conversivo é raro em Eclesiastes, sendo geralmente substituído pelo
vav-conectivo com o perfeito. Já que a última forma é mais comum
no Talmude, pensa-se que sua presença em Eclesiastes seja evidência duma data posterior. 

Respondendo a isto, porém, deve ser
mencionado que o vav conectivo com o perfeito só ocorre cinco vezes em Daniel (que, segundo os críticos, pertence aos meados do
segundo século a.C.) e só cinco vezes no texto hebraico existente
em Eclesiástico, cuja data é 180 a.C.). Se esta construção é sinal
de data posterior, Eclesiastes deve ser de ainda mais tarde do que o
segundo século a.C., sendo que as obras daquele período ainda
não empregavam esta forma com grande freqüência.
Esta última possibilidade, porém, de que a paleografia data do
meio do segundo século a.C., é eliminada pela descoberta de quatro
fragmentos de Eclesiastes na quarta caverna de Cunrã. Conforme
diz Muilenberg em BASOR 135: “Isto põe um ponto final a pontos de vista anteriores, tais como os de Graetz, Renan, Leimdörfer,
König e outros, fazendo que uma data do segundo século seja improvável”. R. H. Pfeiffer (IOT 731) sugeriu que o período de 170-160 a.C. estaria mais em harmonia com as características e a lin-
guagem de Eclesiastes. À luz da evidência de Cunrã só se pode concluir que aqui, mais uma vez, temos um exemplo da falácia demonstrável do método da alta crítica, praticado pelos racionalistas
da persuasão de Pfeiffer.

No artigo supra citado, Muilenberg (p. 135) declara em seguida: “Lingüisticamente falando, o livro é de tipo único. Não há dúvida que sua linguagem tem muitas peculiaridades notáveis; alguns
explicaram que estas seriam sinais de hebraico avançado (segundo
os debates de Margoliouth e Gordis) dizendo que a linguagem do
Misná apoia este argumento (mas Margoliouth, na Enciclopédia
Judaica — em Inglês — respondeu de maneira eficaz a esta idéia,
em V, 33, onde demonstra as afinidades lingüísticas entre Qõheleth
e as inscrições fenícias,, e.g. Eshmunazar, Tabnith). As matizes aramaicas da linguagem, já há muito, têm sido reconhecidas, mas só
em anos recentes é que tem sido alegado e argumentado com detalhes, que o Livro tivesse origens aramaicas (F. Zimmermann, C, Torrey, H. L. Ginsberg)... Dahood escreveu sobre as influências cananitas e fenícias sobre Qõheleth, defendendo a tese de que
o livro de Eclesiastes tivesse sido composto por um autor que o
escreveu em Hebraico, mas que foi influenciado pela ortografia
fenícia, com gramática e vocabulário fenícios, e uma considerável
influência literária fenício-cananita (Bíblica 33, 1952, págs. 35-52,
191-221).” Neste ponto, deve ser notado que nem um pano de
fundo aramaico, nem um pano de fundo fenício, necessariamente
excluiriam a autoria de Salomão, sendo que os vínculos comerciais
e políticos, tanto com os povos de língua fenícia como os de língua
aramaica nas áreas sírias, eram mais estreitos durante o reinado
de Salomão do que em qualquer outro período da história de Israel (com a possível exceção da época de Jeroboão II e seus sucessores
no oitavo século).

Ao aquilatar a força do argumento lingüístico, deve ser observado com cuidado que um exame compreensivo da evidência total,
incluindo o vocabulário, a morfologia, o sintaxe e o estilo, obtém-se
o resultado de que o texto de Eclesiastes não se enquadra em nenhum período conhecido da língua hebraica. Nenhuma afinidade
significante pode ser traçada entre esta obra e aquelas que a alta
crítica tem atribuído ao período grego (os Livros canônicos Daniel,
Zacarias II e porções de Deutero-Isaías). Quanto ao período pós-exílico, o Hebraico de Eclesiastes é bem diferente do de Malaquias,
Neemias e Ester, assim como do de qualquer livro pré-exílico. Isto
levanta uma dificuldade insuperável para a teoria de Delitzsch e
Young, que colocam a data cerca de 430 a.C., e a de Beecher, que
a coloca em 400. Se Eclesiastes pertence àquele mesmo período,
como é que há uma diferença tão grande em vocabulário, sintaxe
e estilo? O problema lingüístico não pode ser solucionado, ao se levar
a data até o posterior período intertestamental. Já vimos que os
fragmentos de Qõheleth achados na caverna quatro de Cunrã im-
possibilitam totalmente qualquer data depois de 150 a.C., fornecen-
do a probabilidade de sér do terceiro século ou antes, a data de
composição. Não há absolutamente nenhuma afinidade entre o
vocabulário e o estilo de Eclesiastes e o da literatura sectária da
Comunidade de Cunrã. Autores mais antigos, tais como Kenyon
(BAM, págs. 94, 95) falavam, de modo geral, em assim-chamados
elementos rabínicos que se descobrem neste texto. Mas qualquer
comparação real com o Hebraico do Talmude e do Midraxe demonstra de modo completo, uma diferença tão grande de Eclesiastes como de qualquer outro Livro do cânon do Antigo Testamento.

É verdade que o pronome relativo empregado em todo o Livro
de Provérbios é she e não a forma mais usual asher (que aparece
somente no versículo introdutório). Embora she apareça várias
vezes em Juizes, freqüentemente nos Salmos mais recentes, e ocasionalmente em Lamentações, Jó e Josué, o fato permanece que, em
Eclesiastes, este pronome aparece 68 vezes, nos 68 pontos nos quais
algum dos dois tipos seria necessário. É digno de nota, porém, que
este é o pronome relativo característico de Cantares de Salomão também (32 ocorrências) — fato embaraçante para aqueles que,
assim como Delitzsch e Young, colocam Cantares no décimo século
e Eclesiastes no quinto século. Se esta peculiaridade de estilo demonstra uma estreita semelhança entre as duas obras, só é razoá-
vel atribuir ambos ao mesmo período, senão ao mesmo autor. Se
Cantares pois, pertence ao décimo século, é difícil resistir-se à conclusão que Eclesiastes pertença ao mesmo período e à mesma
origem.

Se for verdade que a linguagem e o estilo de Eclesiastes não
correspondem a qualquer literatura que nos é conhecida, de qualquer estágio da história dos hebreus, mas apresenta contrastes
radicais com todos os outros Livros do Cânon do Antigo Testamento
(com a possível exceção de Cantares), sendo diferente de toda a
literatura inter-testamental que veio até nós, então logicamente
segue-se que, atualmente não há bases seguras para datar-se o Livro
em termos de lingüística (apesar que este não seja mais diferente
das obras do décimo século do que das obras do quinto ou do segundo século). Que teríamos a dizer acerca desta peculiaridade
de língua?

Parece óbvio que se trata aqui dum estilo convencional que
pertence ao mesmo gênero de literatura de Eclesiastes. Assim como
na literatura acadiana, há grandes contrastes de técnica e de
estilo entre códigos legais e placas de contratos, e estes também, por
sua vez, diferem grandemente da prosa epistolar ou histórica do
mesmo período, assim também surgiu na cultura hebraica uma
linguagem convencional e um estilo especialmente apropriado para
cada gênero literário. No caso da literatura grega, que nos fornece
muito mais dados do que o que obtemos da Palestina, descobrimos
que, uma vez que um certo gênero se desenvolve num certo ambiente, numa das cidades independentes, o dialeto e o tipo de vocabulário do autor original que ergueu este gênero a uma situação clássica, passaria a se impor em toda a matéria semelhante através da história da literatura grega (até ao triunfo do Koiné no período helenístico ou romano). Por exemplo, sendo que Homero foi o primeiro a desenvolver a poesia épica, desde sua época, toda a
poesia épica tinha que ser escrita dentro da linguagem do antigo
dialeto iônio, que ele mesmo empregara, apesar de os poetas mais
recentes falarem dialetos totalmente diferentes, tais como Ático,
Dórico ou Aeólico. Correspondentemente, sendo que os dóricos foram os primeiros a desenvolver poesia coral, a convenção exigia que
quando os escritores de tragédias em língua ática (tais como Sófocies e Ésquilo) introduziam uma passagem coral nas suas peças, os
atores tinham que mudar repentinamente do Grego ático para o
Grego dórico (ou pelo menos com um estilo dórico) com clichês e expressões que eram convencionais para aquele gênero. Acontece que
no caso do gênero ao qual pertence Eclesiastes, não temos qualquer
outro exemplar sobrevivente do mesmo tipo de literatura hebraica.
Senão, acharíamos indubitavelmente paralelos abundantes de todos
os fenômenos peculiares de Qõheleth nas composições pertencentes
ao mesmo gênero literário. Se este tipo de discurso filosófico fosse
praticado no norte de Israel antes do tempo de Salomão, isto expli-
caria os traços e influências do Aramaico e do Fenício sobre os
quais os críticos modernos têm feito tantas considerações. Também
explicaria a falta de freqüência do nome Yahweh neste texto.
Neste assunto, vale a pena mencionar a teoria de L. Wogue,
de que temos em nosso atual texto de Eclesiastes uma recensão moderna. Isto é, a versão original de Salomão foi escrita numa forma
de Hebraico mais antiga, que, no decorrer do tempo, tornou-se obscura demais para uma fácil compreensão das gerações de judeus de
após o Exílio. Por este motivo, segundo a teoria, foi publicado novamente com um vocabulário e estilo que tornariam o valor do livro
mais acessível a todos. Tomando-se uma analogia, a maior parte dos
leitores ingleses lêem os Contos de Cantuário numa versão moderna, sendo que o inglês do século XIV de Chaucer contém tantos
termos e expressões obsoletos, que só se pode ler como um glossário.

A fraqueza desta teoria, porém, se deriva da suposição incorreta
que o Hebraico de Eclesiastes possa claramente ser identificado
como um produto pós-exílico. Sendo que na realidade não se assemelha a nenhum documento conhecido do período pós-exílico,
parece não haver muita razão de ser na sugestão. Além disto, o
texto hebraico em si mesmo é tão difícil de entender, que é muito
improvável que seja uma popularização feita para haver uma compreensão mais fácil.
Além das considerações da lingüística, há a objeção, freqüentemente levantada, a que o autor pareça falar do ponto de vista dum
observador, e não o do próprio rei, sendo pois improvável que o próprio Salomão tenha sido o autor de Qõheleth. Pode ser dito, até,
que demonstra uma atitude crítica para com reis em geral, e isto
seria quase incompatível com o ponto de vista do Salomão histórico. Como cobrador de impostos excessivos, cujo reino foi dividido
por esse motivo, depois da sua morte, não se harmonizaria com seu
caráter esta expressão: “Ditosa tu, ó terra, cujo rei é filho de nobres, e cujos príncipes se sentam à mesa a seu tempo para refazerem as forças, e não para bebedice” (10:17); ou também “Nem
no teu leito amaldiçoes o rei” (10:20, que segundo os críticos, dá a
entender que o rei é tão antipático que seus súditos são fortemente
tentados a amaldiçoá-lo), e também: “Melhor é o jovem pobre e
sábio do que o rei velho e insensato, que já não mais se deixa
admoestar” (4:13).

A isto, podemos responder que nenhuma destas passagens é
decisivamente contra a autoria real. Salomão estava compondo
um discurso sobre o governo em geral, do ponto de vista dum filósofo, e não como propagandista do seu próprio reinado. Seria ingênuo supor que ele ignorasse a existência de reis glutões, beberrões, intratáveis e cabeçudos, e as tristes conseqüências incorridas por seus súditos por deixar que tais homens os governassem.

Eclesiastes 10:17 pode ser interpretado como sendo um pouco de
auto-satisfação da parte do autor real; 10:20 pode ter sido uma
admoestação aos insatisfeitos, para que devidamente respeitassem
ao governo; 4:13 pode ter sido um bom lembrete para ele mesmo.
De qualquer maneira, a composição inteira é escrita do ponto de
vista dum observador filosófico da vida política e social mais do
que do ponto de vista dum partidário do trono. As Meditações de
Marco Aurélio formam um paralelo à Qõhelet neste assunto, sendo
que o Imperador romano escreveu do ponto de vista dum filósofo
e não como propagandista do seu próprio governo.

Muitos críticos modernos, tais como R. H. Pfeiffer alegam que
Eclesiastes revela a influência da filosofia grega. O ceticismo para
com o judaísmo, ocasionais expressões de epicurismo ou eudemonismo, a noção do tempo como sendo um fluxo cósmico, e a tentativa
de compreender o mundo como um todo — tudo isto, pensa-se — é
de origem helenística (assim F. C. Grant na Encyclopaedia Americana; semelhantemente Cornill). R. Gordis dispõe-se a reconhecer
alguma influência grega, mas insiste (Twentieth Century Encyclopaedia — “Enciclopédia do Século XX” — I, 361): “Esforços feitos
no sentido de comprovar que o autor de Eclesiastes é aristoteliano,
estóico, epicureano, cínico, ou cirenaico não tiveram sucesso. Até
os alegados helenismos de estilo acabaram por provar que o livro
é autenticamente hebraico ou semítico”. Pederson demonstra que
as estimativas da raça humana, feitas na filosofia grega, são inteiramente diferentes das que aparecem em Eclesiastes. Galling demonstra que a suposta dependência de gnomistas gregos é apenas
uma semelhança superficial. Dornseiff indica a possibilidade que alguns apotegmas gregos fossem de origem oriental, e importados
para o pensamento grego (cf. W. Baumgartner, The Wisdom Literatura in Old Testament and Modern Study — “A Literatura Sapiencial no Antigo Testamento e no Estudo Moderno” — 1951).

Tentativas têm sido feitas para demonstrar uma autoria pós-salomônica através de vários anacronismos. Assim, em 1:16, o
Pregador declara ter recebido mais sabedoria do que “todos os que
antes de mim existiram em Jerusalém”. Os críticos querem interpretar que o autor está dizendo, “mais do que todos os reis”, que
seria estranha declaração para um rei que tinha sido precedido
por apenas um rei israelita em Jerusalém, que era Davi. É interessante observar que enquanto E. J. Young sente a força deste argumento no caso de Eclesiastes, apela para uma explicação alternativa, numa situação exatamente semelhante a I Reis 14:9. Nesta passagem, um profeta denuncia o rei Jeroboão I, comparando-o com todos os que vieram antes dele. Ao invés de considerar esta expressão como sendo um anacronismo, Young comenta: “Os que
vieram antes dele eram provavelmente anciãos e juizes” (IAT 201).

De uma maneira semelhante, podemos asseverar com confiança que
de fato tinha havido um grande número de reis antes de Salomão
em Jerusalém, e não somente seu pai Davi. Jerusalém tinha sido
uma cidade real muitos séculos antes, até o tempo de Melquisedeque, contemporâneo de Abraão.
Há, porém, uma outra explicação da frase em 1:16. O texto
não especifica “todos os reis”, mas apenas “todos”. No contexto, é
razoável deduzir que o autor quer dizer “todos os sábios que exis-
tiam antes de mim em Jerusalém”. A declaração em I Reis 4:31
concernente à superioridade de Salomão, o compara com Hemã,
Calcol e Darda, que podem ter sido sábios em Jerusalém antes do
tempo de Davi. Sem dúvida, o próprio Melquisedeque pode ter constado como sábio de categoria, tendo em vista seu encontro com Abraão em Gênesis 14.

Outro suposto anacronismo acha-se em Eclesiastes 1:12: “venho sendo (hayíti) rei... em Jerusalém”. Este tempo do perfeito
no Hebraico tem sido considerado uma indicação de que Salomão já
era uma figura do passado, talvez do passado remoto, quando esta
composição foi escrita. Alega-se que esta única palavra, traduzida
“fui”, bastaria para explicar ao leitor hebreu que a autoria salomónica fosse apenas uma ficção. Podemos responder que a forma
verbal pode ser mais corretamente traduzida: “Vim a ser rei sobre Israel”. Esta seria uma declaração muito natural para Salomão
fazer na sua velhice, enquanto olhava para os momentos-chaves
da sua carreira. É difícil imaginar qual outra forma do verbo pode
ter sido mais apropriada nessa conexão. O imperfeito ’ehyeh pode
ser interpretado pelo leitor como significando “eu reinava”, ou
“sou rei” ou “serei rei”.

É interessante, neste assunto, indicar a aplicação semelhante
deste verbo em Jonas 3:3: “Nínive era cidade muito importante”,
que Young (IAT, p. 276) explica como segue: “Além disto, 3:3 não
descreve Nínive como sendo uma cidade que existia muito tempo
antes, mas simplesmente indica sua condição ou área na época da
visita de Jonas”. À luz desta explicação clara e apropriada, é estranho que o mesmo autor (IAT, p. 363) insistisse que a clara
implicação de hãyltí em Eclesiastes 1:12 “é que o escritor tinha sido
rei, e já não o era”. Pelo contrário, é perfeitamente natural para
um homem na sua velhice, referir-se ao começo da sua carreira
fazendo uso deste tempo passado da língua Hebraica.

Finalmente, os que apoiam uma data posterior alegam que a
época contemporânea aludida por Eclesiastes é de infortúnio, miséria e opressão, e não a prosperidade sem igual que caracterizava
o reinado de Salomão (cf. I Reis 4:25). Por exemplo, há versículos
como este: “porém mais que uns e outros tenho por feliz aquele
que ainda não nasceu, e não viu as más obras que se fazem debaixo
do sol”, Eclesiastes 4:3, e ainda este: “Jamais digas: Por que foram
os dias passados melhores do que estes?”, Eclesiastes 7:10. Podemos
responder que uma interpretação acertada destes versículos só pode
ser feita à luz do contexto. Assim, 4:3 ocorre numa passagem que
descreve a opressão e o sofrimento como sendo vicissitudes entrando
na experiência humana em geral, apesar de intervalos de prosperidade e de segurança, do tipo que Israel estava gozando durante
o décimo século. Salomão decerto não ignorava o fato de que a experiência tanto de nações como de indivíduos normalmente inclui
tempos de dificuldade e de provações, que desafiam um conceito
otimista da vida. Certamente, com seu vasto conhecimento da
história e das atualidades no mundo, assim como a parte negra do
reinado de Saul em Israel, Salomão certamente deve ter conhecido
algo dos aspectos amargos da vida. Certamente tinha a inteligência
de reconhecer que se praticava muita maldade abaixo do sol”, mesmo no seu próprio reino e durante seu próprio reinado. Quanto a
7:10, deve ser indicado que os “dias melhores” mencionados podem
ter referência à vida dum indivíduo que assim se queixa, depois de ter que passar por algum infortúnio pessoal. Não há nada no contexto que daria a entender que iria descrever a situação corrente
do seu país como um todo.

Tendo em vista a discussão acima, é justo asseverar que os
assim-chamados anacronismos são todos passíveis duma interpretação reconciliável com a autoria salomónica. Já vimos que os
dados lingüísticos não permitem qualquer certeza em datar, ou
numa época recuada, ou num período mais recente, e que a explicação mais plausível é que Eclesiastes foi escrito num estilo
específico que era convencional para aquele gênero literário.
Deve, talvez, ser acrescentado que as palavras de assim-chamada
origem persa, pardês, “parque”, e pitgãm “oficial decisão” também
podem ser derivadas do Sánscrito (paridhis e pratigãma), uma língua da Índia antiga que se relacionava estreitamente com a Persa.

Apesar de não haver qualquer relatório explícito nas Escrituras
das viagens da marinha mercante de Salomão até a índia, saindo
de Elate, o porto no Mar Vermelho, há muitas possibilidades de
tais viagens terem sido feitas para importar especiarias e materiais
selecionados. Existe, portanto, a possibilidade de que as palavras possam ter entrado na língua corrente justamente na época em
que as relações comerciais dos israelitas foram mais extensivas do
que em qualquer outra época histórica. Noutras palavras, é razoável dizer-se que, até descobrirmos mais literatura hebraica do
mesmo gênero, e da época do próprio Salomão, simplesmente não
teremos suficientes dados para asseverar de maneira positiva que
Salomão não poderia ter sido autor do Livro. Sendo que a clara
implicação do texto é que ele foi o autor, e que deixou a obra como
legado final ao seu povo, na base das experiências da sua vida inteira, parece mais razoável conservar o ponto de vista tradicional
da sinagoga e da igreja, que esta obra foi o produto autêntico da
sua pena. Este ponto de vista é fortalecido pelo fato que há algumas semelhanças notáveis entre passagens tais como Eclesiastes
10:8,9,12,13,18 e as seções correspondentes em Provérbios.

Uma palavra deve ser dita acerca do assim-chamado pessimismo de Eclesiastes no que diz respeito à vida do porvir. Há, por
exemplo, freqüentes lembranças da inevitabüidade da morte para
todas as criaturas, homens e animais (3:19) — embora se reconheça
que o espírito dos homens se dirige para cima, e “o dos animais,
para baixo, para a terra” (3:21). Parece haver dúvidas sobre, se
a vida vale a pena ser vivida, em passagens como 4:2. “Pelo que tenho por mais felizes os que já morreram, mais do que os que ainda
vivem”. Mas esta declaração precisa ser interpretada dentro do
contexto. O versículo anterior declara que se a vida só consiste em
opressão, calamidade e tristeza, então é melhor nunca ter nascido.
Em 6:8, o Pregador pergunta, “Pois que vantagem tem o sábio
sobre o tolo? ou o pobre que sabe andar perante os vivos?” Este
comentário precisa ser entendido à luz do propósito básico do livro,
que é demonstrar que, à parte de Deus e da Sua santa vontade, a
vida não possui qualquer significado real, e não passa de vaidade.
Isto é tão verdade na vida de pessoas de cultura, de riqueza e de
saúde, quanto no caso dos menos privilegiados da raça humana.

Quando, porém, o homem tem um perfeito relacionamento com
Deus, tudo lhe irá bem (8:12). Sem o temor de Deus e uma disposição de fazer Sua Vontade, até os homens mais favorecidos têm
uma existência vergonhosa e depravada. Por isso, “Este é o mal
que há em tudo quanto se faz debaixo do sol; a todos sucede o
mesmo; também o coração dos homens está cheio de maldade,
nele há desvarios enquanto vivem; depois, rumo aos mortos” (9:3).

Muita ênfase, porém, tem sido dada à importância da vida
como sendo a única arena de oportunidade e de significante realização disponível ao homem antes de ele entrar para a eternidade. Portanto, “Para o que está entre os vivos há esperança; porque mais vale um cão vivo do que um leão morto” (9:4). Alguns têm derivado de 9:5 uma doutrina da alma pelo fato de os mortos
dormirem um sono profundo. — “Porque os vivos sabem que hão
de morrer, mas os mortos não sabem nada, nem tampouco terão
eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento”. Mas,
tomado dentro do seu contexto, o versículo simplesmente significa
que os mortos não têm mais conhecimento de um futuro pessoal,
com suas possibilidades de escolher em favor de Deus ou contra
Deus, e entre o bem e a vida ao invés de o mal e a morte, do que
tinham antes de ir para a sepultura. Não têm um conhecimento
superior do que acontece debaixo do sol (na terra, portanto) enquanto aguardam no Sheol o Dia de Julgamento. Neste estágio
da Revelação, na época de Salomão, seria prematura qualquer
coisa revelada acerca da glória dos céus, sendo que a mesma ainda não havia sido revelada para os fiéis que morreram, até a ressurreição de Cristo.

Concluindo, aqueles que interpretam a posição de Eclesiastes
como sendo de ceticismo agnóstico, interpretam mal, de maneira
grosseira a mensagem deste livro. Sentem-se compelidos a classificar como acréscimos posteriores os numerosos sentimentos de
fé reverente e de confiança em Deus que são abundantes nos doze
capítulos de Eclesiastes. Os interesses da sua própria teoria força-os
a excluir do texto original o final do último capítulo: “De tudo o
que se tem ouvido, a suma é: teme a Deus, e guarda os seus man-
damentos; porque este é o dever de todo homem” (12:13).

Fonte: ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? 4º ed. São Paulo : Vida Nova, 2003.