28 de fevereiro de 2015

As profecias messiânicas

Manual Bíblico Vida Nova

Roland de Vaux - Finanças e obras Públicas

FINANÇAS E OBRAS PÚBLICAS

I. RENDAS DO REI E RENDAS DO ESTADO

Sabemos pouco do sistema fiscal de Israel e dos recursos de que o Estado dispunha. Em princípio, deve-se admitir que não havia distinção alguma entre as rendas do rei e as do reino. A riqueza de um soberano expressava ao mesmo tempo seu poder e o do país que governava, cf. I Rs 10.23; II Cr 17.5; 26.8. O rei assumia todas as despesas, manutenção dos funcionários e do exército, defesa nacional e obras públicas, mas ao mesmo tempo desfrutava de todas as rendas, sem nenhum controle. Da mesma maneira, entre o tesouro público e o tesouro sagrado não havia nada mais que uma distinção teórica, cf. I Rs 14.26. O rei depositava no santuário o saque tomado do inimigo, cf. Js 6.19, e suas dádivas pessoais, II Sm 8.11; I Rs 7.51; 15.15; II Rs 12.19, ele controlava por meio de seus funcionários as oferendas que o povo fazia, II Rs 12.1 Os; 22.3-4, mas, para satisfazer exigências urgentes, recorria ao mesmo tempo ao tesouro do palácio e ao tesouro do Templo, I Rs 15.18; II Rs 12.19; 16.8; 18.15; cf. Jz 9.4.

27 de fevereiro de 2015

L. O’B. DAVID FEATHERSTONE - Introdução aos livros históricos

Introdução aos livros históricos

L. O’B. DAVID FEATHERSTONE

Na metade do século V a.C., Heródoto escreveu uma história das guerras entre a Grécia e a Pérsia que lhe conferiu o título de “Pai da História”, mas cerca de cem anos antes uma história de Israel foi publicada, que milhões de pessoas já leram com grande proveito. Os livros que na nossa Bíblia têm os títulos de Josué, Juízes, 1 e 2Samuel ele 2Reis já estavam na presente forma em hebraico logo após o último evento que registram (2Rs 25.27ss), que ocorreu no trigésimo sétimo ano do exílio, ou 561 a.C. Eles contêm uma oração a favor dos que estavam no exílio (lRs 8.46-53), mas não há pista alguma acerca da proclamação que Ciro fez em 538 a.C. (Ed 1.1-4) autorizando o retorno deles para Jerusalém, e isso nos leva a crer que a data em que esses livros foram publicados está situada no período de dez anos após 550 a.C.

Uma edição anterior desses livros quase certamente foi publicada logo antes da morte trágica do rei Josias em 609 a.C. (2Rs 23.29; segundo Snaith, IB), ou de qualquer maneira antes do exílio que começou em 597 a.C. (segundo a introdução de Gray ale 2Rs). Com base na suposição de que o livro encontrado no templo em 622 a.C. (2Rs 22.8) contivesse o que temos em Deuteronômio, a coleção

O Império Assírio

Manual Bíblico Vida Nova

Gleason L. Archer - Introdução ao livro de Cantares de Salomão

CANTARES DE SALOMÃO

O título hebraico deste Livro é Shír hash-shírím, i.é., “Cântico
de cânticos”, ou “O melhor dos cânticos”. A LXX traduziu literalmente asma asmatõn, e a Vulgata Canticum Canticorum, sendo que ambas estas expressões significam “cântico dos cânticos”. Do termo latino é que se deriva o título do livro.
O tema de Cantares é o amor de Salomão por sua noiva sulamita, e da profunda afeição dela por ele. Este amor é entendido como uma tipificação do caloroso relacionamento pessoal que Deus deseja ter com sua noiva espiritual, composta de todos os crentes redimidos que deram seu coração a Ele. Da perspectiva cristã, isto indica o compromisso mútuo entre Cristo e Sua Igreja, e a plenitude que deve haver entre ambos os lados.

Esboço de Cantares de Salomão

26 de fevereiro de 2015

A Assíria

Manual Bíblico Vida Nova


ROY B. ZUCK - Uma teologia de Eclesiastes

UMA TEOLOGIA DE ECLESIASTES

No transcurso dos séculos, muitos têm questionado se o livro de Eclesiastes pertence ao cânon da Bíblia, e especialmente ao corpo sapiencial. Considerando que realça a futilidade e inutilidade do trabalho, o triunfo do mal, as limitações da sabedoria e a impermanência da vida, Eclesiastes não se encaixa bem com a canonicidade bíblica.

Pelo fato de contradizer outras porções da Bíblia e apresentar uma perspectiva pessimista da vida, em estilo de desespero existencial, muitos vêem que Eclesiastes choca-se com os demais livros da Bíblia ou concluem que apresenta apenas raciocínio humano sem a revelação divina. Smith escreveu: “Não há exaltação espiritual nestas páginas. [...] Eclesiastes [...] só traz uma coisa: confusão. Ao longo da obra, a razão é elevada como a ferramenta com a qual o homem busca e acha a verdade”. Scott afirma que o autor de Eclesiastes “é racionalista, cético, pessimista e fatalista, f...] Em muitos aspectos, sua visão é contra os judeus tementes a Deus”. Crenshaw fala do “caráter opressivo” de Eclesiastes que transmite a visão de que “a vida é inútil; totalmente absurda”. 

25 de fevereiro de 2015

Profecias Messiânicas do Antigo Testamento


Manual Bíblico Vida Nova

Roland de Vaux - A administração do reino

A ADMINISTRAÇÃO DO REINO

1. O REINO DE DAVI

Não sabemos nada sobre a administração do reino de Davi, além do fato anteriormente destacado de que Israel e Judá eram separados nela. E certo que I Cr 26.29-32 menciona no tempo de Davi levitas aplicados aos assuntos não religiosos, como empregados ou como juizes, e atribui a esse rei a criação de uma força policial, composta também de levitas, que atendiam a todos os assuntos de Iahvé e do rei de ambos os lados do Jordão; mas não sabemos exatamente o que significam essas informações nem a que época se referem.

É certo também que I Cr 27.16-22 nomeia os chefes que comandavam as tribos no reinado de Davi, mas o caráter artificial dessa lista é óbvio: ela segue a ordem dos filhos de Jacó tal como aparece em I Cr 2.1-2, conserva ainda Simeão e Levi (para não falar de Rúben), que no tempo de Davi já não são tribos autônomas e, depois de dividir José em três -Efraim e as duas metades de Manassés —, omite os dois últimos nomes da lista, Gade e Aser, para não exceder a soma de doze. É, entretanto, provável que Davi mantivesse, no território propriamente israelita, a organização tribal tal qual a encontrou estabelecida e da qual Gn 49 e Dt 33 oferecem dois quadros ligeiramente diferentes. Fora dessas fronteiras, as regiões submetidas eram sujeitas a tributo e eram administradas por governadores, II Sm 8.6,14, ou ainda deixadas nas mãos de reis vassalos, II Sm 8.2; 10.19.

24 de fevereiro de 2015

A Síria


Manual Bíblico Vida Nova


Gleason L. Archer - Introdução ao livro de Eclesiastes

ECLESIASTES

O título Hebraico deste Livro é Qõhelet, que significa, segundo
parece, “o ofício do pregador”, que depois se tomou o título do
próprio pregador. É derivado da raiz qãnal, que significa “convocar uma assembléia”, ou então, “dirigir a palavra a uma assembléia”. O autor desta obra refere-se assim a si mesmo em
numerosas passagens, e, portanto, o nome é aplicável à obra. O
termo ecclêsiastês é uma boa tradução deste termo, e se deriva de ekklêsia, que significa “assembléia”.

O Propósito e o Tema de Eclesiastes

O propósito de Eclesiastes era convencer os homens da inutilidade de qualquer ponto de vista acerca do mundo (ou cosmovisão) que não se levante acima do horizonte do próprio homem. Pronuncia o veredicto de “vaidade de vaidades” sobre qualquer filosofia de vida que considera o mundo criado, ou o prazer humano, como sendo uma finalidade em si mesmo. Considerar a felicidade pessoal como sendo o sumo bem da vida é pura estultícia levando-se em conta o valor preeminente de Deus em contraste com Seu universo criado. Não se pode nunca obter a felicidade colocando-a como um alvo a atingir, e tal atividade envolve somente uma auto-deificação ridícula. Tendo demonstrado a vaidade que há em viver-se somente em prol de alvos mundanos, o autor prepara o caminho para uma cosmovisão que reconhece Deus como sendo o valor supremo, que só atenta para o significado real numa vida, se esta é dedicada ao Seu serviço. Só como veículo para a expressão da sabedoria, bondade e verdade de Deus é que o próprio mundo tem qualquer significado real. Somente a obra de Deus é que perdura, e só Ele pode conceder valor eterno à vida e às atividades do homem. “Sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente, nada se lhe pode acrescentar, e nada lhe tirar” (Eclesiastes 3:14).

Esboço de Eclesiastes

23 de fevereiro de 2015

Os Profetas na História


Manual Bíblico Vida Nova


ROY B. ZUCK - Uma teologia de Provérbios

UMA TEOLOGIA DE PROVÉRBIOS

A DOUTRINA DA SABEDORIA

Sabedoria e a ordem da criação. Como anteriormente declarado, sabedoria significa ser hábil e bem-sucedido nas relações e responsabilidades. Envolve observar e seguir os princípios de ordem no universo moral estabelecidos pelo Criador. Essa ordem manifesta a sabedoria de Deus que está disponível ao homem.

A medida que o homem a segue, torna-se sábio. Atender a sabedoria do livro de
Provérbios traz harmonia à vida. Em contrapartida, não atender o desígnio divino de Deus resulta em desordem. A não submissão aos caminhos sábios de Deus traz conseqüências desagradáveis e desastrosas para si mesmo e para os outros.

22 de fevereiro de 2015

A profecia no Oriente Próximo

Manual Bíblico Vida Nova

Roland de Vaux - Os altos oficiais do rei

OS ALTOS OFICIAIS DO REI

1. OS MINISTROS DE DAVI E DE SALOMÃO

Possuímos duas listas dos altos oficiais de Davi e uma dos de Salomão, lílas remontam certamente a documentos de arquivos, mas foram retocadas e seu texto deve ter sofrido alguma alteração. A primeira lista, II Sm 8.16-18 = I Cr 18.14-17, vem depois da profecia de Natã e do resumo das vitórias de Davi e antes da grande história da sucessão ao trono. Ela apresenta, pois, o estado do reino definitivamente constituído. O comando militar está dividido entre Joabe, chefe do exército e Benaia, chefe da guarda. Josafá é arauto, Seraías (Sausa em Cr) é secretário. Zadoque e Abiatar são sacerdotes, mas acrescenta-se, ao final da lista, que “os filhos de Davi eram sacerdotes”. A ordem, em seu estado atual, parece arbitrária: chefe do exército, arauto, sacerdotes, chefe da guarda e, finalmente, os filhos de Davi. Joabe e Benaia, Zadoque e Abiatar aparecem com as mesmas funções na história do reino. O arauto Josafá não desempenha nenhum papel, assim como os filhos de Davi, cuja menção é bem estranha: não são dados seus nomes, indicação que pare¬ce essencial nesse gênero de documentos, e sua qualidade de “sacerdotes” é enigmática: no máximo, pode-se imaginá-los como assistentes ou substitutos de seu pai nas funções sacerdotais, ocasionalmente desempenhadas pelo rei. 

21 de fevereiro de 2015

O caráter do Profeta


Manual Bíblico Vida Nova
Obs. Caso esteja com dificuldade de ler, salve a imagem e amplie.

Gleason L. Archer - Introdução ao livro de Provérbios

PROVÉRBIOS

O título hebraico deste Livro é Mishelêy Shelõmõh — “Os Provérbios de Salomão”. O termo de “provérbio” é mãshãl, que vem duma raiz que significa “paralelo” ou “semelhante”, e significa “uma descrição comparativa”. O termo então se aplica à linguagem epigramática ou de tipo profético, tais como os oráculos de Balaão (Nm 23:7).

Esboço de Provérbios

I - Título e Propósito, 1:1-6

20 de fevereiro de 2015

Pictograma Chinês aponta para veracidade do relato do diluvio

Os textos de (Gn 7.13; 1 Pe 3.20) declaram que entraram na arca 8 pessoas, e o pictograma chinês pra a palavra "barco" trás o significado de "uma embarcação com 8 pessoas". Isso demonstra que o relato do dilúvio espalhou-se através dos séculos em diversas culturas.


Descendentes de Noé


Regiões habitadas pelos descendentes de Nóe


Morte, Ressurreição e vida após a morte no Antigo Testamento


Manual Bíblico Vida Nova


ROY B. ZUCK - Uma teologia de Jó

UMA TEOLOGIA DE JÓ

DEUS

O livro de Jó trata essencialmente da relação do homem com Deus, centra-
lizando-se em duas perguntas. A primeira pergunta é: “Por que o homem adora
a Deus?”. Satanás sugeriu que o motivo por trás da adoração de Jó era engran-
decimento centrado em si mesmo (Jó 1.9-11). Esse assunto atinge o cerne da re-
lação entre o homem e Deus. O que Satanás queria dizer era que Deus não tem
meio de induzir o homem a adorá-lo, exceto subornando-o, recompensando-o
pela devoção oferecida. Se isso é verdade, então a adoração é adulterada; já não
é adoração voluntariosa do homem a Deus. Adoração egoísta não é adoração.

19 de fevereiro de 2015

Roland de Vaux - A Casa do Rei

A CASA DO REI

1. O HARÉM

Em uma sociedade que admitia a poligamia, ter um harém numeroso era sinal de riqueza e poder, mas era também um luxo custoso que poucos podiam permitir-se. Isto tornou-se um privilégio real. Saul tinha pelo menos uma con­cubina, II Sm 3.7, e se fala em outras passagens de “suas mulheres”, II Sm 12.8. Quando Davi reinava só em Hebrom tinha já seis mulheres, II Sm 3.2-5, e em Jerusalém tomou outras concubinas e esposas, II Sm 5.13; cf. II Sm 19.6, entre elas Bate-Seba, II Sm 11.27; em Jerusalém deixou dez concubinas quando teve que fugir de Absalão, II Sm 15.16; 16.21-22; 20.3. Roboão teve dezoito esposas e sessenta concubinas, segundo II Cr 11.21; Abias teve quatorze mulhe­res, segundo II Cr 13.21. Joás tinha pelo menos duas mulheres, II Cr 24.3, o mesmo tinha Josias, cf. II Rs 23.31,34,36. Ben-Hadade exige que Acabe lhe entregue suas mulheres, I Rs 20.3-7, e Nabucodonosor deporta a Joaquim e suas mulheres, II Rs 24.15. A mesma sorte alcança as mulheres de Jeorão, II Cr 21.14 e 17, e as de Zedequias, Jr 38.23. Segundo seus próprios Anais, Senaqueribe recebeu em tributo as mulheres do harém de Ezequias. O “rei” de Cantares tinha sessenta rainhas e oitenta concubinas, Ct 6.8. Mas tudo isto é eclipsado pelo fabuloso harém de Salomão que, segundo I Rs 11.3, tinha sete­centas esposas e trezentas concubinas. Independentemente do que se deva pensar desses últimos números, havia muitos motivos para que Dt 17.17 reco­mendasse ao rei não multiplicar suas mulheres.

18 de fevereiro de 2015

O casamento e a família em Israel

Manual Bíblico Vida Nova

DAVID J. A. CLINES - Introdução ao Pentateuco

Introdução ao Pentateuco

DAVID J. A. CLINES

Forma

Os cinco primeiros livros do AT, o Pentateuco, constituem basicamente uma narrativa que descreve o período desde a criação do mundo até a morte de Moisés. Essa forma imediatamente chama a nossa atenção para a natureza desses livros. Embora contenham uma grande porção de leis, não são essencialmente livros legislativos; embora contenham genealogias e discursos (este aspecto está principalmente em Deuteronômio), não servem simplesmente como um registro do passado ou uma fala dirigida ao presente. Basicamente, esses livros contam uma história em que as ações de Deus com a humanidade, e mais especificamente com o seu povo Israel, são relatadas. E essa história não existe para entretenimento, nem para satisfazer a curiosidade acerca do passado, mas para instruir o povo de Deus sobre a natureza do seu Deus com o qual eles ainda mantêm um relacionamento.

Os temas de Provérbios

Manual Bíblico Vida Nova

Gleason L. Archer - Introdução ao livro de Jó


Quanto ao significado do nome “Jó” (Iyyõb em Hebraico),
provavelmente é derivado duma raiz que significa “voltar” ou “arrepender-se”, e pode então significar “quem volta para Deus”. Està interpretação é baseada no Árabe ’ãba “arrepender-se”, ou “voltar para trás” (freqüentemente seguido pela frase ,ila ’llãhi, “para Deus”). A ortografia àrabe do nome seria ’Awwãbun; nas inscrições acadianas toma a forma Ayyabun, e.g., nos documentos de Marido século dezoito. Nas Cartas de Aniama o nome aparece como Ayab (um príncipe de Pela). É interessante que o nome até aparece nos Textos de Execração de Berlim (escritos no hierático egípcio) como pertencente a um príncipe na região de Damasco durante o século dezenove (cf. BASOR 82, 1941, p. 36). Outra etimologia possível de Tyyõb é “o perseguido”, do Hebraico ’ãyéb “odiar, estar em inimizade” (assim Koehler-Baumgartner), ou “objeto de inimizade” (segundo o Lexicon de Brown-Driver-Briggs). Vale a pena
notar, em favor da etimologia árabe, que Jó era nativo do norte
da Arábia, e todo o pano de fundo da história é mais árabe do que
hebreu.

14 de fevereiro de 2015

Cristo nos Salmos

Manual Bíblico Vida Nova

ROY B. ZUCK - Uma teologia dos livros Sapienciais e Cantares de Salomão: Introdução

INTRODUÇÃO

Jó, Provérbios e Eclesiastes são comumente chamados os livros sapienciais
da Bíblia. É por causa da freqüente ocorrência nestes livros de palavras como
hokmah (sabedoria) e hakam (sábio), e dos tópicos relacionados à sabedoria ou
do viver sábio. Cantares de Salomão, nem sempre considerado parte da litera-
tura sapiencial bíblica, é incluído no corpo da sabedoria porque a sua autoria,
como a de Eclesiastes e grande parte de Provérbios (ver Pv 1.1; 10.1; cf. Pv
25.1), é atribuída a Salomão, tendo em vista que o livro cita o sábio rei seis
vezes (Ct 1.5; 3.7,9,11; 8.11,12), e considerando que trata de como viver sa-
biamente no namoro e no casamento.

A ordem dos livros em muitas Bíblias hebraicas é Jó, Provérbios, Rute,
Cantares de Salomão e Eclesiastes. A ordem na Vulgata Latina é Jó, Salmos, Pro- 
vérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão. Talvez a Vulgata considerou esses
três livros uma coleção salomônica, seguindo uma ordem cronológica ligeira-
mente livre —Jó (nos tempos patriarcais), Salmos (principalmente escrito por
Davi) e Provérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão (compostos em grande
parte por Salomão, filho de Davi).

13 de fevereiro de 2015

HAROLD H. ROWDON - A Interpretação do Antigo Testamento

A interpretação do Antigo Testamento

HAROLD H. ROWDON 

O próprio nome “Antigo Testamento” pelo qual se tornaram conhecidos os primeiros 39 livros da Bíblia deveria nos alertar para a necessidade de cuidado que precisamos ter para interpretá-los. O fato de que foram escritos durante o período em que a “antiga” aliança (testamento) estava em vigor sugere que nós, que vivemos sob as condições da “nova” aliança, vamos vê-los em uma “nova” luz. Admitindo que se espere uma atitude de fé, como também atenção especial ao sentido gramatical, à forma literária e ao pano de fundo histórico, será que há outras exigências para uma compreensão cristã do AT?

E óbvio que o NT tem muita coisa a dizer que vai influenciar diretamente essa questão. Por exemplo, ninguém que assimilou o ensino do NT em geral e Gálatas e Hebreus em particular está propenso a seguir as instruções exatas dadas no AT acerca da prática da circuncisão. Como então devemos entender essas instruções? Será que elas contêm algum significado para o cristão, ou agora são supérfluas? E o que dizer do restante do AT?

A vingança nos Salmos

Manual Bíblico Vida Nova

Roland de Vaux - A Pessoa do Rei

A PESSOA DO REI

Em todo caso, Israel viveu durante vários séculos sob um regime monárquico, e esse é o período em que, graças aos livros históricos e proféticos, sua organização política é mais conhecida. Por outro lado, as instituições reais exerceram sobre certas concepções religiosas de Israel uma influência que é inegável, mesmo que ela tenha sido exagerada por uma recente escola de exegese. É preciso que nos detenhamos nisso um pouco. Infelizmente, nossa informação é desigual: refere-se sobretudo ao reino de Judá, do qual provêm a maioria de nossos documentos, e já vimos também que Israel havia tido outra concepção de poder real. Nossa informação é também incompleta, já que os autores bíblicos não se preocupavam especialmente com problemas institucionais. Pode-se, sem dúvida, suprir essa insuficiência comparando a organização de Israel com a dos países vizinhos, que às vezes nos é mais conhecida, e isto é certamente muito útil, mas também corre-se o risco de atribuir a Israel idéias ou costumes que lhe foram sempre estranhos.

11 de fevereiro de 2015

Descobert textos que relatam a vida dos Judeus no exílio Babilônico

A descoberta de antigas placas de argila no Iraque está esclarecendo a vida cotidiana dos judeus exilados na Babilônia, há cerca de 2.500 anos. São mais de 100 tabuletas, cada uma do tamanho da palma da mão de um adulto, que mostram os detalhes e acordos feitos entre judeus expulsos de Jerusalém e o rei Nabucodonosor, por volta de 600 a.C.

"Nós começamos a ler as placas e em poucos minutos estávamos absolutamente atordoados. Elas preenchem uma lacuna crítica na compreensão do que estava acontecendo na vida dos judeus na Babilônia mais de 2.500 anos atrás", disse Filip Vukosavovic, especialista na Babilônia antiga, Suméria e Assíria.

9 de fevereiro de 2015

As características humanas apresentadas nos Salmos

Gleason L. Archer - Introdução ao livro de Salmos

SALMOS

O título hebraico deste Livro é Tehillím ou “Cânticos de Lou-
vor”; a tradução grega Psalmoi na LXX literalmente significa “cânticos a serem acompanhados por instrumentos de cordas”. Os 150 Salmos que compõem esta coletânea tratam duma variedade de temas muito diferentes, e é difícil fazer generalizações válidas. Provavelmente não há dúvida em poder-se dizer que todos eles incluem pelo menos um elemento de resposta pessoal da parte do crente perante a bondade e a graça de Deus. Freqüentemente incluem um registro dos próprios sentimentos íntimos do salmista, de desencorajamento, ansiedade ou jubilosa gratidão por causa da oposição dos inimigos de Deus ou tendo em vista a variada providência de
Deus. Seja, porém, que o salmista se ocupe com um tema triste, ou seja de alegria sua canção, sempre se exprime como quem se sente na presença do Deus vivo. Há alguns salmos também, naturalmente, que contêm, na sua maior parte, os pensamentos e revelações do próprio Deus, tais como o Salmo 2, mas estes constituem uma exceção.

7 de fevereiro de 2015

As características de Deus apresentadas nos Salmos

ROBERT B. CHISHOLM.JR - Uma teologia de Salmos: A Resposta à realeza de Deus: Petição e Louvor

A RESPOSTA APROPRIADA À REALEZA DE DEUS: PETIÇÃO E LOUVOR

O livro de Salmos é a única coletânea de orações e hinos divinamente
inspirados que o povo de Deus possui. Fornece um padrão para o povo seguir 
em tempos de dificuldade e triunfo. Reconhecendo a soberania do Senhor, os
salmistas o buscavam com fé durante os tempos de necessidade e achavam con-
fiança no seu caráter e palavra revelados. Quando o livramento chegava, agrade-
cidamente louvavam o rei divino pela intervenção feita e exortavam as pessoas a
aprenderem com a experiência deles e a unirem-se a eles na exaltação às virtudes
de Deus. A confiança contínua em Deus em tempos de angústia levou o povo a
escrever hinos de louvor que proclamavam em termos gerais a bondade e gran-
deza divinas.

6 de fevereiro de 2015

Tipos de literatura do Antigo Testamento

Manual Bíblico Vida Nova


Roland de Vaux - A concepção de Estado

2. A COMUNIDADE PÓS-EXÍLICA
A queda de Jerusalém marca o fim das instituições políticas de Israel. A Judéia será daí em diante parte integrante dos impérios neobabilônico, persa, selêucida, que lhe imporão o estatuto habitual de suas províncias e, quando os hasmoneus reivindicarem o título de reis, estarão ainda sob tutela. Sem dúvida, os antigos costumes se perpetuam no plano da vida municipal, pelos clãs, mishpahôt, e seus Anciãos, zeqemmy), que representam o povo junto às autoridades, Ed 5.9; 6.7; mas já não há noção de Estado. Nos limites da autonomia religiosa e cultural que ainda conservam, os judeus constituem uma comunidade religiosa, regida por sua lei religiosa, sob o governo de seus sacerdotes. É um regime teocrático, e aqui volta a aparecer e se afirma uma velha idéia: Israel tem Deus como rei, Êx 15.18; Nm 23.21; Jz 8.23; I Sm 8.7; 12.12;| Rs 22.19; Is 6.5. É uma ideia que se expressa freqüentemente durante e depois do Exílio, na segunda parte de Isaías, Is 41.21;

4 de fevereiro de 2015

O conceito veterotestamentário de fé

Manual Bíblico Vida Nova

Gleason L. Archer - Introdução à Poesia Hebraica

Muitos críticos do século dezenove supuseram que os hebreus
fossem incapazes de cultivar a poesia de culto lírica ou didática
antes duma data bem avançada, e mesmo assim, só sob a influên-
cia dos seus vizinhos com mais cultura. Os representantes da es-
cola racionalista sentiam plena confiança não somente em negar
a autoria davídica de todo e qualquer Salmo, mas até em negar
que qualquer Salmo tivesse sido escrito antes do Exílio na Babilô-
nia. Não hesitaram em atribuir um número substancial deles ao
período dos Macabeus (cerca de 160 a.C.). O mesmo se diz também
dos demais Livros poéticos; Jó, Provérbios, Eclesiastes e Cantares
foram todos considerados como sendo obras indubitavelmente pós-
exílicas.

No século vinte, tem havido uma tendência de modificar este
ponto de vista, concedendo que pelo menos algumas das compo-
sições hebraicas remontassem até um período bem recuado, espe-
cialmente na sua forma oral. A descoberta de números considerá-