30 de janeiro de 2015

Gleason L. Archer - Introdução ao livro de Malaquias

MALAQUIAS

A explicação mais razoável pelo significado de “Malaquias”
(Hebraico MaTãkí) é que é uma forma hipocorística de Mal’ak-Yah,
ou “Mensageiro do Senhor”, ou possivelmente, tomada adjetiva-
mente, “pessoa encarregada de mensagem”. Nota-se que muitas
autoridades exprimiram sua incerteza quanto à conservação do
nome real do autor. Esta dúvida se fundamenta no fato que a LXX
traduz 1:1 “pela mão do seu mensageiro” (e não “pela mão de Ma-
laquias”). Esta discrepância indicaria uma variação textual; a
LXX deve ter entendido a última letra como sendo w (vav), sig-
nificando “dele”, no lugar de y (yod final) do TM. Do outro lado,
deve ser notado que a LXX dá ao Livro o nome de Malakhias, ou
Malaquias. A tradição dos Targuns indica uma falta de certeza,
sendo que a primeira expressão é parafraseada “pela mão do meu
mensageiro, cujo nome se chama Esdras o escriba”. Deve ser obser-

vado que cada Livro profético do Antigo Testamento contém o
nome do seu autor, e seria estranho se só este fosse deixado no
anonimato. Além disto, se o manuscrito utilizado pelos tradutores da
LXX tivesse um yod com cauda prolongada na soletração do nome
de Malaquias, facilmente se explicaria por que a palavra foi enten-
dida como sendo “seu mensageiro”. Ainda se o yod fosse devida-
mente entendido, conforme aparentemente foi o caso do Targum
de Jônatas, a palavra poderia ter sido entendida como sendo um
substantivo seguido pelo sufixo “meu”. Naturalmente é verdade
que um sem-número de nomes hebraicos terminavam com í (tais
como Palti, Buqui, Buzi, etc.) e que poderiam ser mal interpreta-
dos como significando “meu....”, já que a terminação í dos nomes
coincide com o pronome-sufixo, “meu”.

O tema de Malaquias, é que a sinceridade perante Deus e uma
maneira santa de viver são absolutamente essenciais aos olhos de
Deus, para que Ele derrame bênçãos sobre as colheitas e o bem-
estar econômico da nação. Israel precisa viver à altura da sua
alta vocação de nação santa, aguardando a vinda do Messias, que,
através dum ministério de cura e não somente de julgamento,
levará a nação a concretizar suas mais ternas esperanças.

Esboço de Malaquias

I. Apelo Introdutório: o Amor de Deus por Israel, 1:1-5.

II. Oráculo Contra os Sacerdotes, por Desonrarem ao Senhor,
1:6 —2:9. 

A. Sua negligência de funções litúrgicas, 1:6 — 2:4.
B. Seu ensino corrupto e insincero da Lei, 2:5-9.

III. Oráculos contra os Leigos, 2:10 — 4:3.
A. Traição contra Deus: casamentos mistos e divorcio,
2:10-16.
B. Ameaça de julgamento pelo Senhor vindouro, 2:17 — 3:6.
C. Arrependimento quanto aos dízimos trará prosperidade
abençoada, 3:7-12.
D. Vindicação dos justos contra a zombaria dos cínicos no
dia do Senhor, 3:13 — 4:3.

IV. Conclusão das Admoestações: Guardar a Lei, e Aguardar a
Vinda de Cristo, 4:4-6.

Autoria e Data da Composição

Conforme foi indicado acima, o nome do autor provavelmente
era Malaquias (a tradição des Targuns que era Esdras dificilmente
mereceria consideração), e além disto não temos conhecimento da
sua história e das suas circunstâncias. A julgar pela evidência in-
terna, parece claro que suas profecias foram entregues durante a
segunda metade do quinto século, talvez cerca de 435 a.C. Che-
gamos a esta conclusão por causa das seguintes indicações: 1) O
Templo já tinha sido reedificado e os sacrifícios mosaicos reinsti-
tuídos (1:7,10; 3:1). 2) Um governador persa (ou pehah — 1:8)
estava no governo na época, e portanto, não pode ter sido durante
um dos períodos de Neemias (445 e segs., 433 e segs.). 3) Os pe-
cados que Malaquias denuncia são os mesmos que Neemias tinha
que enfrentar durante seu segundo período de ofício, a saber, a) a
frouxidão moral dos levitas (1:6 e segs.; Ne 13:4-9); b) descuido dos
dízimos, causando a pobreza dos levitas (3:7-12; cf. Ne 13:10-13), c) muitos casamentos com mulheres estrangeiras (2:10-16; cf. Ne
13:23-28). É razoável supor que Malaquias já tinha protestado
contra estes abusos nos anos precedentes à volta de Neemias; assim,
uma estimativa justa seria cerca de 435 a.C.

Mesmo os críticos racionalistas, na maior parte, não têm obje-
ções contra esta data, embora que alguns poucos, como Pfeiffer,
prefiram uma data mais recuada, cerca de 460 (Pfeiffer, IOT 614).
Não levantam dúvidas contra o Livro por motivos estilísticos ou
ideológicos, sendo que concedem que a esperança messiânica pu-
desse ter sido alimentada pelos judeus já no fim do quinto século. 

Fonte: ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? 4º ed. São Paulo : Vida Nova, 2003.