28 de abril de 2014

Gleason L. Archer - Introdução ao livro de Ageu

O nome Haggay quer dizer “festivo”, derivado de hag, “fes-
tival”. Possivelmente o profeta recebeu este nome por causa de ter
nascido na Festa da Páscoa ou durante alguma outra Festa im-
portante. O tema do seu Livro é que se o povo de Deus coloca em
primeiro lugar o programa de Deus, a casa de Deus e o culto de
Deus, então sua pobreza e fracasso seriam transformados em pros-
peridade abençoada à altura da sua fidelidade à aliança.

Esboço de Ageu

I. Primeira Mensagem: Descuido do Templo, a Causa da De-
pressão Econômica, 1:1-15.


II. Segunda Mensagem: Apesar de Menos Pretensioso, o Segun-
do Templo Será mais Glorioso do que o Primeiro, 2:1-9.

III. Terceira Mensagem: A Falta de Santidade Enfraquece o Sa-
crifício, e o Egoísmo Leva a um Fracasso na Agricultura,
2:10-19.

IV. Quarta Mensagem: Deus Finalmente Triunfará, 2:20-23.
Data e Autoria de Ageu

De todos os livros do Antigo Testamento, este goza o raro pri-
vilégio de ser incontestado por críticos em suas persuasões. É re-
conhecido como sendo obra do próprio Ageu, e a data que atribui
a cada mensagem é considerada verossímil. A primeira mensa- 
gem foi entregue no dia primeiro de Elul (agosto-setembro) no
segundo ano de Dario, ou seja, 520 a.C.; a segunda mensagem veio
no 21 de Tisri (setembro-outubro) do mesmo ano; a terceira e a
quarta mensagem vieram no 24 de Quislau (dezembro-janeiro) do
mesmo ano. Todos os quatro sermões, portanto, foram entregues
dentro de três meses.

Fundo Histórico de Ageu

Esta era uma época de severos testes para o remanescente
recém-voltado para Judá, vindo da Babilônia. As intrigas hostis
dos adversários de Judá durante o reinado de Ciro tinham parali-
sado a reconstrução do templo quatorze anos antes. Nada tinha
sido feito no projeto, depois daquela época, apesar de ter subido ao
trono em 521 um novo rei, Dario, filho de Histaspes. Os influentes
membros da comunidade estavam dispostos a deixar incompleto o
tão dispendioso empreendimento, enquanto gastavam seu dinheiro
em edificar mansões confortáveis para si mesmos. Mas, fracassos
repetidos nas ceifas vieram como advertência a eles, revelando-lhes
que tinham pecado ao deixar que a oposição política fosse uma des-
culpa para negligenciarem o santuário do Senhor. Em Esdras 5:1,2,
lemos: “Ora os profetas Ageu e Zacarias, filho de Ido, profetizaram
aos judeus que estavam em Judá e em Jerusalém, em nome do Deus
de Israel, cujo Espírito estava com eles”. Juntamente com esta
citação devemos também considerar Esdras 6:14,15: “Os anciãos
dos judeus iam edificando e prosperando em virtude do que pro-
fetizaram o profeta Ageu e Zacarias, filho de Ido... Acabou-se esta
casa no dia terceiro do mês de Adar, no sexto ano do reinado do
rei Dario” (516 a.C.). Conforme comenta Dods: “Nenhum profeta
tem aparecido numa encruzilhada mais crítica, na história dum
povo, e pode-se acrescentar que nenhum profeta tem tido tanto
sucesso”.

Do ponto de vista da nossa própria época, deve ser questionado
se o assunto do término do Templo era realmente tão vital como
queriam estes profetas; na era cristã estamos acostumados a ficar
sem um santuário central. Mas, deve ser lembrado que uma boa
parte da constituição mosaica pressupunha o culto num santuário
central deste tipo, e deixar de completar a obra de uma casa de ora-
ção condigna, poderia levar à paralisação da vida religiosa da comu-
nidade judaica. É igualmente necessário entender que o templo de-
sempenhava um papel importante na história da redenção, sendo
que este templo, remodelado e embelezado por Herodes, o Grande, 
veio a ser o foco do Ministério de Jesus em Jerusalém. Foi, é claro,
Sua vinda que cumpriu a promessa de Ageu 2:9, “A glória desta
última casa será maior do que a da primeira”.

Fonte: ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? 4º ed. São Paulo : Vida Nova, 2003.