6 de fevereiro de 2014

Roland de Vaux - Os escravos: As mulheres escravas

Já pudemos notar que as mulheres escravas tinham uma situação parti¬cular. Estavam ao serviço pessoal da dona da casa, Gn 16.1; 30.3,9; I Sm 25.42; Jt 10.5 etc., ou eram amas-de-leite, Gn 25.59; II Sm 4.4; II Rs 11.2. O dono as casava à sua vontade, Êx 21.4. Ou ainda ele mesmo tomava uma escrava como concubina, com o que melhorava a condição desta. Abraão e Jacó tomam assim concubinas escravas, a pedido de suas mulheres estéreis. Conservam, contudo, sua condição de escravas, cf. Gn 18.16, se o dono não as liberta, cf. Lv 19.20. A antiga lei de Ex 21.7-11 prevê que um pai israelita, pobre ou endivida¬do, pode vender sua filha para que seja concubina de um dono ou de seu filho. Tal concubina não é posta em liberdade ao sétimo ano como os escravos mas¬culinos. Se desagrada a seu dono, este faz que seja resgatada
, mas não pode revendê-la a um estrangeiro. Se toma outra mulher, deve manter todos os direitos da primeira. Se ele a destina a seu filho, trata-a como uma filha da casa. A lei deuteronômica reserva uma situação parecida à cativa de guerra que o vencedor toma por esposa, Dt 21.10-14. Mas, contrariamente a Êx 21, ela não faz distinção entre homens e mulheres quanto ao tratamento dos escra¬vos israelitas: a mulher é libertada ao sétimo ano, como o escravo homem, e, como ele, pode renunciar a sua libertação, Dt 15.12 e 17. Jeremias tam¬bém não distingue entre homens e mulheres tratando-se de escravos. Isso parece significar que desde aquela época não havia mais concubinas escravas. A lei posterior de Lv 25 não leva em conta este caso e Ne 5.5 fala de moças israelitas violentadas por seu dono, mas não tomadas como concubinas.