29 de janeiro de 2014

Roland de Vaux - Os escravos: A condição dos escravos

Temos muito poucas informações sobre o número dos escravos domésticos em Israel. Gideão toma dez de seus servos para derribar o santuário de Baal, Jz 6.27. Abigail, esposa do rico Nabal, tem escravos em número indeterminado e, quando vai casar-se com Davi, leva consigo cinco servas, I Sm 25.19-42. Depois da morte de Saul, os bens da família real eram avaliados por um gerente, Ziba, que dispunha de seus quinze filhos e de vinte escravos, II Sm 9.10. Alguns grandes proprietários da época monárquica puderam ter também uma criadagem relativamente numerosa, mas eram exceções. O censo da comunidade que havia regressado do Exílio, Ed 2.64; Ne 7.66, conta 7.337 escravos de ambos os sexos contra 42.360 pessoas livres. A situação era, pois, muito diferente da Grécia ou Roma, mas se parece à da Mesopotâmia, onde uma família de boa condição tinha um ou dois escravos em épocas antigas, e de dois a cinco na época neobabilônica; os números eram um pouco mais eleva¬dos na Assíria.


Não menos raros são os dados sobre o valor dos escravos. José é vendido por seus irmãos por vinte moedas de prata, Gn 37.28, que é também o preço médio de um escravo na Babilônia antiga; a mesma quantia se pagava por um boi. Na época neobabilônica os preços dobraram e se elevaram ainda mais sob os persas. Em meados do segundo milênio antes de nossa era, o preço corrente de um escravo era de 30 siclos de prata em Nuzu, de 40 siclos em Ugarit (Ras Shamra). Também em Israel, o escravo é avaliado em 30 siclos, Êx 21.32; é a quantia que receberá Judas por entregar Jesus, Mt 26.15. Entretanto, na época grega o preço tinha subido: quando Nicanor promete aos mercadores 90 cati¬vos por um talento, ou seja, uns 33 siclos por cabeça, II Mb 8.11, pede um preço irrisório, se comparado com os que indicam os papiros contemporâneos, mas queria atrair os comerciantes com a isca de um grande lucro.

VAUX, Roland de. Instituições de Israel no Antigo Testamento. Editora Teológica, 2003.