20 de janeiro de 2014

Homer Heater, Jr - Uma teologia de Samuel e Reis: A teologia do exílio segundo o Historiador

A grande questão do exílio era: Como pôde o Senhor abandonar o seu
povo e permitir que sofressem a repreensão da dominação por um povo que
adora deuses pagãos? A reflexão sobre essa pergunta levou os crentes a reconhe-
cerem a razão para o desastre de 722 e 586 a.C. Em 2 Reis 17.7-41, o historia-
dor resumiu as razões para a queda de Samaria em 722 a.C.

A primeiríssima razão para a queda de Samaria foi o pecado contra o Se-
nhor, seu Deus. Este é o mesmo Deus que os tirou do Egito e que se revelou a 
Moisés e ao povo, este “ensaio dos atos do Senivor” visa chamara atenção para a
tolice do povo em dar as costas àquEle que os resgatou (2 Rs 17.1-8). E surpreen-
dente que o pecado primário citado repetidas vezes neste capítulo seja o pecado

da idolatria. A idolatria ocorreu porque o povo rejeitara a Torá e o concerto do
Senhor (w. 14,15). Esperaríamos ver alguma referência a pecados horizontais
como vemos ao longo do livro de Oséias (maus-tratos aos pobres, embriaguez,
prostituição, abuso dos nazireus), mas foi bastante o historiador observar que
o pecado vertical da idolatria é o pecado fundamental. Disto emana todas as
abominações e abusos praticados pelos israelitas uns contra os outros. Rejeitar
o Senhor e o concerto era deixar um vazio na vida em comunidade, que seria
preenchida somente por maus-tratos e violência mútuos. O cativeiro de 722
a.C. era inevitável. A despeito da visão esperançosa do Reino do Norte como
parte do povo de Deus, as palavras finais do historiador são pessimistas. Mesmo
depois da deportação e da importação de estrangeiros, o povo da terra persistiu
no paganismo. As condições tornaram-se mais intensas pelos recém-chegados
que trouxeram consigo suas próprias religiões. E o historiador concluiu, dizen-
do: “Porém eles não ouviram; antes, fizeram segundo o seu primeiro costume”
(2 Rs 17.40).

Semelhantemente, disse o historiador, Judá sofreu as quedas de 605, 597
e 586 a.C., sendo a destruição do Templo o golpe mais humilhante de todos.
Apesar dos esforços de Josias para fazer com que Israel voltasse à lei de Moisés,
“o SENHOR se não demoveu do ardor da sua grande ira, ira com que ardia contra
Judá, por todas as provocações com que Manassés o tinha provocado. E disse o
SENHOR: Também a Judá hei de tirar de diante da minha face, como tirei a Is-
rael, e rejeitarei esta cidade de Jerusalém que elegi, como também a casa de que
disse: Estará ali o meu nome” (2 Rs 23.26,27). Não há longa peroração depois
da queda da cidade, como se deu com Samaria. Consta uma recitação superficial
sobre a queda e deportação, mas a nota final no livro pertence à elevação e honra
do último rei legítimo de Judá, Jeoaquim, uns 25 anos depois da queda. Um
raio de esperança transformou-se em uma luz brilhante com a volta de um gru-
po grande de judeus sob a tutela de Zorobabel em cumprimento das promessas
de o Senhor não abandonar o seu povo. 

ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento : CPAD, 2009.