15 de janeiro de 2014

Homer Heater, Jr - Uma teologia de Samuel e Reis: O momento da reforma em Reis

Os reinados de Asa, Josafá, Joás, Uzias, Ezequiel e Josias viram contribui-
ções significativas ao estado espiritual do povo de Judá. 
O historiador de Reis caracterizou Asa como homem bom. Crônicas de-
dica a Asa mais de 30 versículos que não constam em Reis. Asa foi exaltado
por sua espiritualidade e criticado por, em vez de confiar no Senhor, confiar
em forças estrangeiras. Morreu na vergonha. Os livros de Reis têm uma de-
claração breve, mas positiva sobre ele: “Asa fez o que era reto aos olhos do
Senhor, como Davi, seu pai” (1 Rs 15.11). Removeu os prostitutos-cultuais
(parte da religião de fertilidade dos cananeus) e os ídolos que os seus anteces-
sores tinham feito. Crônicas declara que ele retirou os lugares altos das cida-
des de Judá (2 Cr 14.3-5). Este seria um grande empreendimento e explica
o historiador de Reis endossar Asa incondicionalmente, mas, ao que parece,
contradiz 2 Reis 15.14 e 2 Crônicas 14.17. Pelo visto, Asa tentou retirar os

lugares altos, mas foi só parcialmente bem-sucedido. Sabendo como estavam
encalacrados os lugares altos na religião do povo, não é surpreendente que ele
não tenha tido sucesso.

Josafá regeu por 25 anos e foi tratado com aprovação pelo historiador.
Crônicas tem uma longa seção sobre Josafá concernente ao ensino da lei do Se-
nhor por toda a nação como também muitas outras atividades da reforma (2 Cr
19-20). A principal ênfase teológica em Reis é o fato de que ele fez o que era reto
ao olhos do Senhor (1 Rs 22.42-44). Também removeu os prostitutos-cultuais
que restaram da purificação feita pelo seu pai Asa.

Joás subiu ao trono quando era menino sob a tutela do sacerdote Jeoiada. O
tema principal da reforma se centraliza no Templo (2 Rs 11-12). Estava em triste
estado de conservação, tendo sido desleixado por Atalia. Isto mostra a importância
dada à purificação do Templo, embora os lugares altos não tivessem sido retirados.
Amazias, Azarias (Uzias) e Jotao continuaram as reformas de Josafá e as
primeiras atividades de Joás. O historiador mostra que Amazias aderiu à lei mo-
saica no fato de que Amazias matou os assassinos do seu pai, mas não matou os
filhos dos assassinos (2 Rs 14.6). Azarias deu continuidade à ênfase no temor ao
Senhor em Judá. A intromissão de Azarias no papel sacerdotal é negligenciada
em Reis. O historiador escreveu laconicamente: “O Senhor feriu o rei, e este
ficou leproso até ao dia da sua morte e habitou numa casa separada” (15.5).
A reforma mais extensa foi feita por Ezequias. Reis e Crônicas detalham
atividade considerável em prol da verdadeira adoração ao Senhor. Crônicas,
com destaque no Templo e na adoração, fornece três capítulos sobre a reforma
litúrgica em Judá e Israel. Até Reis dedica quantidade incomum de espaço à
reforma. Desta vez, o rei tivera êxito em neutralizar os lugares altos. Tratamos
da fé e teologia de Ezequias em outro lugar (pp. 159,160).

A reforma sempre deve ter sido bastante superficial. Como é comum acon-
tecer, uma aura de religiosidade reveste a prática contínua do paganismo. Foi
bastante fácil Manassés inverter os sucessos espirituais do seu pai. Jerusalém,
a cidade do nome do Senhor, estava contaminada com idolatria (2 Rs 21.4,5).
Até o Templo sagrado estava contaminado. As deidades assírias (os exércitos dos
céus) eram adoradas em altares nos dois pátios do Templo (v. 5). 

O movimento final da reforma antes do exílio foi efetuado por outro rei-me-
nino, Josias. Embora o trabalho fosse abortado pela morte, a sua contribuição foi
significativa. Como o antepassado Joás, ele determinou consertar o Templo que
fora negligenciado durante os maus reinados de Manassés e Amom (2 Rs 22.3-7).
Enquanto faziam o conserto, os trabalhadores acharam uma cópia da Torá. Quan-
do Josias a leu, convenceu-se do fato de que a desobediência à lei de Deus estava
sujeita a represálias (estava, provavelmente, referindo-se aos últimos capítulos de
Deuteronômio). A profetiza Hulda reassegurou ao jovem rei aflito que, embora o
Senhor fosse realmente julgar a cidade, os desejos puros de Josias seriam honrados
e ele não veria o desastre que se abateria sobre a cidade (w. 15-19). Ciente de que a
obediência à lei do Senhor era essencial, ele levou o povo a um concerto para obe-
decerem ao “Senhor, e guardarem os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e
os seus estatutos, com todo o coração e com toda a alma, confirmando as palavras
deste concerto, que estavam escritas naquele livro” (23.3). Conseguiu até desfazer a
corporação dos sacerdotes na zona rural e forçá-los a ir para Jerusalém (v. 8). Vemos a importância da Torá nos esforços continuados de Josias em implementar as instruções relativas à pureza na adoração e a extirpação da religião pagã, a qual, por essa época, impregnava totalmente a vida do povo de Judá e Israel. 
Com a morte de Josias, a reforma cessou. Ervas daninhas do paganismo ra-
pidamente voltaram a crescer. Os filhos de Josias não compartilharam o interes-
se do pai nas coisas espirituais. O profeta Jeremias inexoravelmente confrontou
a prática religiosa do povo que não só adotou a religião da fertilidade cananéia,
mas também a religião astral dos assírios.

ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento : CPAD, 2009.