16 de janeiro de 2014

Gleason L. Archer - Introdução ao livro Sofonias

O nome deste profeta, Sepan-Yah, significa “O Senhor escon-
deu (-o)”. O tema da sua mensagem é que o Senhor a inda está
firmemente em controle do Seu mundo, apesar das aparências
contrárias, e que comprovará isto no futuro próximo ao aplicar um
castigo terrível sobre a nação desobediente de Judá, e completa
destruição sobre as nações pagãs gentias. Somente através dum
arrependimento em tempo é que haveria possibilidade de escape à
esta ira.

Esboço de Sofonias


I. O Dia do Senhor Prefigurado, 1:1 — 3:7.
A. No julgamento de Judá e Jerusalém, 1:1 — 2:3.
B. No julgamento das nações vizinhas, 2:4-15.
C. Ai de Jerusalém por causa do seu pecado, 3:1-7. 

II. O Estabelecimento do Reino Futuro, 3:8-20
A. O julgamento das nações, 3:8-13.
B. O remanescente jubiloso e o Rei Messiânico, 3:14-20.

A Data e a Autoria da Profecia de Sofonias

Sofonias, segundo seu Livro, era filho de Cusi e bisneto dum
certo Ezequias, que seria possivelmente o próprio rei Ezequias.
(Neste caso, seria o único profeta de sangue real). Aparentemente
vivia em Jerusalém, porque o chama: “este lugar” (1:4), e descreve
sua topografia com conhecimentos íntimos. Provavelmente entre-
gou sua mensagem durante a primeira parte do reinado de Josias,
sem dúvida antes do reavivamento de 621 a.C. As condições morais
e religiosas então prevalecentes eram baixas, devido à influência
maligna dos reinados de Manassés e Amom (cf. 3:1-3, 7).

Alguns críticos racionalistas desafiaram a autenticidade de
2:4-15 e 3:18-20, conjeturando que as passagens fossem de origem
pós-exílica. Seu critério principal para a data avançada é sua teo-
ria de como o pensamento religioso hebraico deve ter-se desenvol-
vido de estágio em estágio no progresso evolucionário. Eissfeldt e
outros optaram por uma data pós-exílica para o julgamento contra
Moabe e Amom (2:8-11) por causa da sua semelhança a Obadias
(que, segundo eles, era um profeta do começo do Exílio). Mas, con-
forme indica Moeller, esta passagem se harmoniza bem com a
denúncia de Jerusalém e de Judá, justapondo-se no texto.

A Mensagem de Sofonias

O profeta parece referir-se à invasão súbita e devastadora dos
citas, que fizeram um ataque rápido da região do Cáucaso cerca
de 630 a.C., e vieram enxameando na região da Média e da Assíria.

Então saquearam a Síria, e, segundo Heródoto, ameaçaram o Egito
de tal maneira que Psamético I teve que comprar a paz. (Deve
ser mencionado, porém, que esta narrativa de Heródoto não tem
o apoio de outras evidências antigas, e, além disto, é retocada com
tantos detalhes pouco plausíveis que não é seguro aceitá-la sem
alguma reserva). Este flagelo de nômades guerreiros servia como
uma advertência a Israel, avisando da proximidade do Dia do Se-
nhor, quando Judá ia ser devastada. O profeta declara que Filístia
também sentirá o peso do Seu juízo, e que ficará quase despovoada;
semelhantemente Moabe e Amom (que seriam aniquiladas como 
Sodoma), e Etiópia e Assíria. A capital assíria de Nínive vai ser
um deserto ululante ocupado apenas por animais selvagens.

Juntamente com esta advertência terrível, há o apelo ao ar-
rependimento, endereçado primariamente ao remanescente, mais
do que para a nação inteira: “Buscai o SENHOR, vós todos os man-
sos da terra, buscai a justiça, buscai (i.é. visai, praticai) a mansidão
(ou humildade)”, 2:3. Foi a este apelo que os simpatizantes de
Josias responderam, apesar de não terem ficado no poder depois
da morte súbita do seu herói, na batalha de Megido (609 a.C.).

Parece haver tons definidamente milenários na promessa da
bem-aventurança final de Israel em 3:13: “Os restantes de Israel
não cometerão iniqüidade, nem proferirão mentira, e na sua boca
não se achará língua enganosa; porque serão apascentados, deitar-
se-ão, e não haverá quem os espante”. (Nota-se que a reminiscên-
cia de Miquéias, de um século anterior, é clara, cf. Mq 4:4). A
era futura será de fé universal, e todas as nações, inclusive as de
além dos rios de Etiópia, servirão ao Senhor com consentimento
comum, falando a mesma linguagem da fé (3:9,10).

Fonte: ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? 4º ed. São Paulo : Vida Nova, 2003.