13 de janeiro de 2014

Gleason L. Archer - Introdução ao livro de Naum

O nome deste profeta (Nãhüm) significa “consolação”. Seu
tema trata da santidade de Deus, uma santidade que envolve tanto
a retribuição para os infiéis rebeldes com compaixão para com os
que pertencem a Ele, especialmente os que sinceramente crêem
nEle e que confiam exclusivamente nEle. O crente fiel é represen-
tado no seu regozijo à vista da justa vindicação da santidade de
Deus através da destruição do poderio da Assíria, que tanto zomba-
va de Deus.

Esboço de Naum

I. Um Salmo da Majestade de Deus, 1:1 — 2:2.
A. A vingança de Deus sobre os pecadores, e Sua bondade

para com Seu próprio povo, 1:2-11.
B. A futura restauração de Judá, 1:12 — 2:2.

II. A Profecia da Queda de Nínive, 2:3 — 3:19.
A. O cerco e a destruição da cidade, 2:3-13.
B. A razão para a queda de Nínive, 3:1-19.

Localidade da Origem do Autor

Declara-se que Naum era nativo da cidade de Elcós, mas há
largo debate quanto à identificação desta cidade. Há quatro teorias
em competição: 1) Jerônimo a identificou com Elkesi ou El Kauze
na Galiléia. 2) Outros a identificaram com Cafarnaum, sendo que
Cafarnaum (Kephar-Nãhüm) significa: “Vila de Naum”. Segundo
esta teoria, Elcós teria recebido este novo nome de acordo com o
nome do seu filho célebre. 3) Alguns a identificam com Alqush 
perto de Mosul na Assíria, se bem que esta conjectura tenha pouco
fundamento. 4) Ainda há outros que indicaram Elquesei, que,
segundo Pseudepifânio era uma vila de Judá perto de Bet Gabre
no território de Simeão, a metade do caminho entre Jerusalém e
Gaza. Eiselen, Ra ven e Young concordam em favorecer esta quarta
conjectura, porque a evidência interna do texto sugere que o autor
seria nativo do Reino de Judá.

Data da Composição

Sendo que Naum se refere à queda de Tebas perante os exér-
citos de Asurbanípal como sendo um acontecimento do passado,
evento este que ocorreu em 661 a.C., a profecia deve ter sido escrita
depois daquela data. Por outro lado, a queda de Nínive é predita
como sendo uma ocorrência futura, e, portanto, a obra deve ter
sido produzida antes daquela data, 612 a.C. Walter Maier no seu
livro póstumo The Book of Nahum: A Commentary (“O Livro de
Naum: Um Comentário”) (1959) alista muitas evidências para
indicar a data de 654 a.C., quando Nínive ainda estava no auge
da sua glória. Outros estudiosos preferem uma data mais perto
do cumprimento da profecia, talvez 625 ou 620 a.C. Críticos ra-
cionalistas que explicam a predição cumprida como vaticinium ex
eventu naturalmente atribuem uma data depois de 612. Alguns
deles, tais como Robert Pfeiffer, só aceitam 2:3 — 3:19 como sendo
obra original, explicando que o capítulo 1 era parcialmente ori-
ginal e parcialmente suplementado por editores (cerca de 300 a.C.i.
Pfeiffer alega que 1:2-10 não tem nada a ver com Nínive, sendo
um tipo corrompido de poesia acróstica que não se tornou popular
antes do quarto século a.C. Deve ser indicado, porém, que conforme
consta no texto, há virtualmente nada de acróstico nele. Ao invés
de ir seguindo a ordem das letras do alfabeto (que é o que um
poema acróstico teria que fazer), as primeiras letras dos versículos
2-10 aparecem na seguinte ordem no alfabeto hebraico: 1, 10, 3,
5, 12, 9, 6, 13 e 11. Somente através das emendas mais radicais,
e uma alteração da ordem dos versículos é que se pode imaginar
a teoria acróstica.

A Mensagem de Naum

Naum contém uma predição extraordinariamente exata em 2:6,
pois a história subseqüente revela que uma parte vital dos muros
de defesa de Nínive foi levada embora por uma grande inundação,
e que esta ruína do sistema defensivo permitia aos medos e caldeus 
que sitiavam a cidade, tomá-la por assalto sem dificuldade. Al-
guns têm levantado a objeção de que a atitude de júbilo com a
qual Naum saúda a futura queda da capital da Assíria, consiste
numa exibição de fanatismo nacionalista e vingativa malícia. Esta
objeção, porém, constitui um mal-entendido do ponto de vista do
profeta. Por causa de ser um homem de Deus, fala como quem
está totalmente preocupado com a causa do SENHOR na terra.
Seu desejo sincero é ver o Senhor vindicar Sua santidade aos olhos
dos pagãos, comparada com a tirania desumana do império pagão
que desafiava a Deus e que por tanto tempo havia pisoteado todas
as nações súditas com brutalidade desalmada. Somente através
duma destruição total e exemplar da Assíria é que o mundo pode
ser ensinado que a força, em última análise, não produz a justiça,
e que até o mais poderoso dos infiéis é absolutamente impotente
perante a ira judicial d'e Deus. O fato de que o Deus de Israel
podia predizer com exatidão tão marcante o fato e a maneira da
queda de Nínive era a melhor maneira de comprovar ao mundo
antigo a soberania do único Deus verdadeiro. Era um notável revés
da fortuna, para a orgulhosa capital pagã cair perante seus inimi-
gos dentro de menos de duas décadas depois do reinado do poderoso
Asurbanípal. Somente quatorze anos depois da sua morte em 626 C., o império, aparentemente tão invencível, que se mantinha com
tanto sucesso, caiu em ruínas, e nunca mais se levantou.

Fonte: ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? 4º ed. São Paulo : Vida Nova, 2003.