7 de janeiro de 2014

Gleason L. Archer - Introdução ao livro de Isaías (II)

A. ALEGADAS DIFERENÇAS DE TEMAS E DE ASSUNTOS (continuação)

1. Evidências internas da composição de Isaías II na Palestina
Um critério importantíssimo para datar documentos antigos
se acha naquelas referências ou alusões a acontecimentos ou con-
dições locais porventura neles contidos. O pano de fundo da geo-
grafia que se pressupõe neles exista, as condições de clima que
são indicadas como sendo aquelas nas quais vivia o autor — todos
estes são dados importantes para se determinar o local e a data
da composição de qualquer documento, antigo ou moderno. Um
exame cuidadoso de tais alusões em Isaias 40 — 66 indica sem
possibilidade de erro que foram compostos na Palestina e não na
Babilônia. Já notamos que Bernhard Duhm, partindo de premissas
racionalistas, chegou à mesma conclusão em 1892.

a. Isaías 40 — 66 demonstra pouco conhecimento da geo-
grafia da Babilônia, mas grande familiaridade com o cenário geo-

gráfico da Palestina. Desta forma, as árvores referidas são naturais
da Palestina, tais como o cedro, o cipreste, o carvalho (cf. 41:19;
44:14: “Um homem corta para si cedros, toma um cipreste ou um
carvalho, fazendo escolha entre as árvores do bosque; planta um
pinheiro, e a chuva o faz crescer”). O ponto de vista geográfico
do autor é inconfundivelmente palestiniano. Assim se declara que
o Senhor enviará inimigos contra a Babilônia (43:14). Israel é
chamado descendente de Abraão, a quem o Senhor “tomou das
extremidades da terra” (aparentemente uma referência à Babi-
lônia) em 41:9; 45:22. O mesmo se aplica a frases tais como “do 
oriente”, “dum país distante” conforme se emprega em 46:11, e
“de lá”, ao invés de “daqui” em 52:11 (“Retirai-vos, retirai-vos, saí
de lá, não toqueis coisa imunda”) — uma exortação aos futuros
exilados na Babilônia para que saíssem da Babilônia uma vez que
o futuro libertador, Ciro, havia oferecido a possibilidade.

b. O autor descreve as cidades de Judá como se ainda esti-
vessem em pé. Compare 40:9 “... Dize às cidades de Judá: Eis aí
está o vosso Deus!” Este versículo indica que Sião e as demais
cidades de Judá ainda existiam na época em que isso foi escrito,
ao invés de serem os sítios desabitados que sobravam depois da
devastação operada pelos caldeus. O mesmo se pode dizer de 62:6:
“Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus guardas...” Anti-sobrena-
turalistas não podem dar uma explicação que esta seria uma ante-
cipação ideal das futuras cidades que ainda haveriam de ser cons-
truídas. Tal defesa violaria a máxima principal deles, que segundo
Driver é (ILOT 224): “O profeta sempre fala, em primeira instância,
aos seus próprios contemporâneos; sua mensagem, em última aná-
lise, relaciona-se intimamente com as circunstâncias da sua pró-
pria época... O profeta nunca abandona sua própria posição his-
tórica, mas fala a partir dela”.

Só se pode postular que as cidades ainda estivessem de pé, e
os próprios israelitas ainda habitando-as na Palestina, quando o
autor destas profecias escrevia. Portanto lemos assim: “Porventura
não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impie-
dade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos
e despedaces todo jugo?” (58:6). Seria uma maneira muito es-
tranha de se dirigir a um povo que gemia sob o jugo dos caldeus,
como povo cativo. É evidente que os judeus ainda estavam morando
na sua própria terra, sendo competentes a ter suas próprias cortes
de justiça. Só assim seria possível haver juizes corruptos que per-
verteriam as leis, causando assim prejuízos às classes menos pri-
vilegiadas da sociedade.

2. Evidências pela composição pré-exílica de Isaías II
Já vimos que há pouco apoio para uma teoria da origem babi-
lónica de Isaías II. A evidência interna, conforme mencionada
acima, mostra que este elemento da teoria de Deutero-Isaías é in-
sustentável, na sua enunciação por Doederlein, Eichhorn e Rosen-
mueller. Estudiosos mais recentes tendem a considerar Isaías II
como tendo sido composto ou na Palestina ou no Líbano do norte.

Apesar disto, insistem em dizer que os capítulos 40 — 66 foram 
compostos numa data avançada, ou no período exílico, ou no pós-
exílico. Agora falta demonstrar que esta teoria não consegue es-
clarecer os dados das evidências internas, o que passaremos a fazer.
Em primeiro lugar, muitas maldades que se praticavam du-
rante o século oitavo ainda estavam em voga durante a geração
de Isaías II. A violência e o derramamento de sangue são denun-
ciados em 59:3, 7: “Porque as vossas mãos estão contaminadas de
sangue, e os vossos dedos de iniqüidade; e os vossos lábios falam
mentiras, a vossa língua profere maldade... Os seus pés correm
para o mal, são velozes para derramar o sangue inocente”. Em
ambas as partes do Livro, o Profeta clama contra a falsidade pre-
valecente, contra a injustiça e a opressão que se praticavam em
Judá. Compare-se 10:1, 2: “Ai dos que decretam leis injustas, dos
que escrevem leis de opressão, para negarem justiça aos pobres,
para arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo, a fim de des-
pojarem as viúvas e roubarem os órfãos!” com 59:4-9, onde a acusa-
ção é muito semelhante: “Ninguém há que clame pela justiça,
ninguém que compareça em juízo pela verdade; confiam no que
é nulo, e andam falando mentiras; concebem o mal, e dão à luz a
iniqüidade”.

Tanto em Isaías I como em Isaías II, uma hipocrisia revol-
tante caracteriza a vida religiosa da nação. Compare 29:13: “Visto
que este povo se aproxima de mim, e com a süa boca e com os seus
lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim e o seu temor
para comigo consiste só em mandamentos de homens....” com
58:2, 4: “Mesmo neste estado ainda me procuram dia a dia, têm
prazer em saber os meus caminhos; como povo que pratica a jus-
tiça, e não deixa o direito do seu Deus, perguntam-me pelos direitos
da justiça, têm prazer em se chegar a Deus... Eis que jejuais para
contendas e rixas, e para ferirdes com punho iníquo: jejuando
assim como hoje não se fará ouvir a vossa voz no alto”. Além
disto, em ambas as seções do Livro os judeus são descritos como
sendo praticantes dos seus ritos orgíacos nos jardins com carva-
lhos sagrados. Assim, em 1:29: “Porque vos envergonhareis dos
carvalhos que cobiçastes”; e em 57:5: “que vos abrasais na con-
cupiscência junto aos terebintos, debaixo de toda árvore frondosa”.

Apesar de prevalecerem certos tipos de pecado, supostos pelo
autor, em ambas as partes de Isaías, deve ser observado que há uma
diferença. Em 40 — 66 o autor se refere a uma degèneração e
colapso de moral que não condiz com nenhum período da história
de Israel como com a época de Manassés, que “derramou muitíssimo 
sangue inocente, até encher a Jerusalém de um ao outro extremo”
(II Reis 21:16). É só ler II Reis 21 e Isaías 59 para ver a seme-
lhança. Assim, em 59:10: “Apalpamos as paredes como cegos, sim,
como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao
meio-dia como nas trevas, e entre os robustos somos como mortos”.
Assim também os versículos 13 e 14: “Como o prevaricar, o mentir
contra o SENHOR, o retirarmo-nos do nosso Deus, o pregar opres-
são e rebeldia, o conceber e proferir do coração palavras de fal-
sidade. Pelo que o direito se retirou e a justiça se pôs de longe;
porque a verdade anda tropeçando pelas ruas e a retidão não pode
entrar”.

Uma objeção muito decisiva para uma data pós-exílica para
a composição de Isaías II se acha no número de passagens que se
referem à idolatria em Israel como sendo um mal muito espalhado
e prevalecente. Isaías 44:9-20 contém uma longa denúncia contra
a tolice de fazer imagens lavradas para adorá-las, como se este fosse
um problema principal de Judá contemporânea. Esta passagem
não pode ser desconsiderada, no sentido de aplicá-la às nações pagãs
contemporâneas, porque há muitíssimas passagens que falam da
idolatria como sendo praticada pelos patrícios do autor naquela
época (cf. 57:4,5: “De quem chasqueais? contra quem escancarais
a boca, e deitais para fora a língua? Porventura não sois filhos da
transgressão, descendência da falsidade, que vos abrasais na con-
cupiscência junto aos terebintos, debaixo de toda árvore frondosa,
e sacrificais os filhos nos vales, nas fendas dos penhascos?”).

Não somente se refere aqui à prostituição ritual, mas também
ao sacrifício de criancinhas a Moloque e Adrameleque, uma prática
infame da época do reinado de Manassés, levada a efeito no vale
dos filhos de Hinom (II Reis 21:6; II Crônicas 33:6). Assim tam-
bém em Isaías 57:7: “Sobre monte alto e elevado pões o teu leito;
para lá sobes para oferecer sacrifícios”. Esta é uma alusão óbvia
ao culto nos lugares altos (bãmõt), um tipo de culto que florescia
no período antes do Exílio, mas nunca mais depois disto. Também,
em 65:2-4: “Estendi as minhas mãos todo dia a um povo rebelde,
que anda por caminho que não é bom, segundo os seus próprios
pensamentos, povo que de contínuo me irrita abertamente, sacri-
ficando em jardins e queimando incenso sobre altares de tijolos;
que mora entre as sepulturas e passa as noites em lugares miste-
riosos; come carne de porco, e tem no seu prato ensopado de carne
abominável.” No último capítulo, descobrimos que a idolatria ainda
está sendo praticada. Em 66:17: “Os que se santificam e se pu- 
rificam para entrar nos jardins após a deusa que está no meio,
que comem carne de porco, cousas abomináveis e rato, serão con-
sumidos, diz o SENHOR”. É claro que todas estas coisas são os vícios
malignos que estavam sendo praticados quando o Profeta compôs
estas palavras.

Vamos considerar cuidadosamente a prevalecência da idolatria
em Judá. O terreno montanhoso referido completamente exclui a
possibilidade de haver um culto idólatra na Babilônia, que era
um terreno nivelado de aluvião. Os tipos de culto praticados, se-
gundo o texto, eram exatamente aqueles que se cultivavam durante
o reinado de Manassés, segundo a narrativa bíblica. Quanto ao
período pós-exílico, estudiosos de todas as convicções concordam
que os judeus que retornaram a Judá entre 536 e 450 não trouxeram
consigo nenhum vestígio de idolatria. O terrível sofrimento do
cativeiro na Babilônia produzira uma rejeição total das imagens
esculpidas entre os remanescentes dos judeus. Esta completa liber-
tação da idolatria no Judá de após Exílio, é comprovada além de
qualquer dúvida pelos escritores que são reconhecidamente pós-
exílicos, tais como os profetas Ageu, Zacarias e Malaquias, e os
historiadores Esdras e Neemias. Muitos e variados foram os males
que surgiram na nação restaurada, durante o século que transcor-
reu entre Zorobabel e Malaquias, e estes males são claramente
descritos e zelosamente denunciados tanto por Esdras como por
Neemias. O Livro de Malaquias contém uma lista de pecados nos
quais seus compatriotas tinham caído. Mas nenhum deles sugere
a mínima prática da idolatria. Havia casamentos com mulheres
estrangeiras com passado dentro da idolatria; havia opressão
dos pobres pelos ricos; havia quebra do sábado; havia a sonegação
dos dízimos — mas nenhum destes autores menciona sequer qual-
quer aparecimento da idolatria na terra de Judá. A única con-
clusão possível que se pode tirar é que não era conhecido o culto
às imagens na área inteira. Só na época de Antíoco Epifânio no
segundo século a.C., é que surgiu qualquer tentativa séria de rein-
troduzi-la entre os israelitas. Portanto, à luz desta evidência, é
impossível sustentar que Isaías II tenha sido composto durante
qualquer época depois do Exílio, ou até depois da queda de Je-
rusalém.

Alguns estudiosos liberais talvez se tenham sentido forçados
a fazer algumas pequenas concessões nesta direção, reconhecendo
a possibilidade de alguns trechos pré-exílicos em Isaías II. Assim, 
Bentzen anota que   “da mesma forma, 63:7 — 65:25 podem ser
vinculados com os acontecimentos de 587 a.C.”. W. H. Brownlee
comenta semelhantemente:  “Não é impossível que tenha havido
algumas profecias no meio dos oráculos do Volume II. Nota-se es-
pecialmente 56:9-57:13; 58:1-9 como sendo de origem possivelmente
pré-exílica”. Facilmente se pode ver como tais admissões como estas
danificam a teoria de Isaías II. Se passagens consideráveis, à base
das suas alusões contemporâneas, devem ser datadas antes da queda
de Jerusalém, surge a possibilidade que uitas outras seções que
porventura não contenham alusões contemporâneas possam tam-
bém ter sido de origem pré-exílica. Noutras palavras, se porções
destes vinte e sete capítulos exigem uma data de composição ante-
rior à queda da monarquia judaica, e se não há outras passagens
que exigem uma origem exílica ou pós-exílica (a não ser na base
duma filosofia a priori que exija que todas as predições cumpridas
sejam consideradas vaticinia ex eventu), então, a única dedução
razoável que se pode tirar é que a obra inteira foi composta antes
de 587 a.C. Isto significa que o argumento inteiro em prol de Deu-
tero ou Trito-Isaías cai por terra, simplesmente na base da evi-
dência interna do próprio texto.

B. ALEGADAS DIFERENÇAS DE LINGUAGEM E DE ESTILO

Proponentes da teoria do Deutero-Isaías afirmam que há con-
trastes de estilo definidos e marcantes entre Isaías I e Isaías II, e
que estas só podem ser explicadas através da teoria da diferença
de autoria. O propósito do debate que se seguirá será demonstrar
que as semelhanças estilísticas entre as duas partes são ainda mais
significativas do que as supostas diferenças, e que as poucas dife-
renças que há podem ser esclarecidas pela diferença da situação
com a qual Isaías se confrontava nos seus anos posteriores, e tam-
bém pelo amadurecimento do seu gênio literário. Há numerosos
casos paralelos na história da literatura mundial. Assim, no caso
de John Milton, achamos diferenças mais marcantes entre o Paraíso
Perdido de Milton, escrito numa idade mais amadurecida, e o es-
tilo de L’Allegro ou II Penseroso, que apareceram durante seu pri-
meiro período. Um contraste semelhante se observa entre suas
obras de prosa como Christian Doctrine (“Doutrina Cristã”) e
Areopagítica. Ou, tomando um exemplo da literatura alemã, a se- 
gunda parte de “Fausto” apresenta contrastes marcantes em con-
ceito, estilo e modo de tratar, comparado com a primeira parte.
Estes contrastes são muito mais óbvios do que aqueles que existem
entre Isaías I e Isaías II. Davis, no seu Dicionário da Bíblia (4.a
edição, p. 339a), indica que durante os vinte e cinco anos das ati-
vidades de Shakespeare, pode-se distinguir quatro períodos distin-
tos nas suas produções dramáticas, sendo que cada período é mar-
cado por uma nítida diferença de estilo.

Assim como no caso da crítica do Pentateuco, os dissecionistas
de Isaías apelaram para listas de palavras ou frases raras ou únicas,
para confirmar a diversidade de autoria. Mas este tipo de evidência
deve ser tratado com o máximo cuidado para produzir resultados
válidos. Meras listas podem comprovar pouco ou nada. No caso
do poeta latino, Horácio, algumas das frases mais conhecidas da
sua Ars Poética, tais como callida junctura, in medias res, ead un-
guem, não ocorrem em nenhum outro trecho nos escritos deste
poeta. Mas, longe de serem consideradas espúrias por causa de
ocorrer só ali, são citadas muito freqüentemente como sendo exem-
plos da perícia literária de Horácio. Quanto a Isaías, Nágelsbach
indica:  “Entre os capítulos de Isaías que são reconhecidos como
sendo genuínos, não há um sequer que não contenha pensamentos
e palavras que são novos, pertencendo unicamente àquele capítulo”.

1. As semelhanças estilísticas entre Isaías I e Isaías II são
numerosas e marcantes. Mais distintivo de tudo é o título carac-
terístico de Deus que ocorre freqüentemente em Isaías, e só cinco
vezes em outras partes do Antigo Testamento. Este título é “o
Santo de Israel” (qedõsh Yisrã’êl), que exprime uma ênfase central
teológica que domina todas as profecias contidas neste Livro. Uma
contagem estatística demonstra que ocorre doze vezes nos capí-
tulos 1 — 39, e quatorze vezes nos capítulos 40 — 66. Em outros
trechos do Antigo Testamento ocorre só em Jeremias 50:29; 51:5;
Salmos 71:22; 89:18. Se Isaías inventou este título ou não, ele tor-
nou-se um tipo de selo de autoridade para todas as suas profecias.

Assim, fornece evidência muito forte quanto à unidade da sua
produção inteira. A única outra possibilidade dos defensores da
teoria de Deutero-Isaías é asseverar que o profeta ou profetas des-
conhecidos que contribuíram para os capítulos 40-66 eram tão domi-
nados pela influência e pela mensagem do Isaías do oitavo século
que se sentiram constrangidos a empregar seu título favorito de
Deus ainda mais freqüentemente do que ele mesmo. Mas tal ex- 
plicação não esclarece a quase total ausência deste título nos es-
critos de outros autores pós-exílicos que decerto não desconheciam
o Isaías do oitavo século. Além disto, esse tipo de evasão rescende
a argumentação em círculo vicioso: Isaías deve ter sido escrito por
um autor diferente do que escreveu Isaías I, por causa das dife-
renças de estilo; mas onde se verifica as semelhanças de estilo mais
marcantes, então estas seriam apenas uma indicação que o autor
da segunda parte tenha sido um pupilo ou imitador do autor ori-
ginal. Assim é que os fatos são forçados a se confirmar com a
teoria, ao invés de se derivar a teoria dos fatos (isto é, dos dados
textuais).

Estudiosos conservadores indicaram no mínimo quarenta ou
cinqüenta frases que aparecem em ambas as partes de Isaías, indi-
cando que ambas pertencem ao mesmo autor.4 Destas, as seguintes
são exemplos típicos:

"Porque a boca do SENHOR o disse”, ocorre em 1:20; 40:5;
58:14.

“Agindo eu, quem o impedirá?” (43:13) é muito semelhante
a “Sua mão está estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?” (14:27).
“Os resgatados do SENHOR voltarão, e virão a Sião com cân-
ticos de júbilo; alegria eterna coroará as suas cabeças” ocorre tanto
em 35:10 como em 51:11.

“.. .ajuntará os desterrados de Israel” (11:12) é muito seme-
lhante a “... que congrega os dispersos de Israel” em 56:8.

“Porque será o dia da vingança do SENHOR, ano de retri-
buições pela causa de Sião” (34:8) é muito semelhante ao 61:2,
“... apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança
do nosso Deus”.

“... o leão comerá palha como o boi... Não farão mal nem
dano algum em todo o meu santo monte, diz o SENHOR”, aparecem
tanto em 11:6-9 como em 65:25.

“Águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo” (35:6)
está bem perto de “Tornarei o deserto em açudes de águas, e a
terra seca em mananciais” (41:18).

“Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sa-
bedoria e de entendimento” (11:2) é muito semelhante a, “O Es-
pírito do SENHOR está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu...”
(61:1). 

Em 35:8 encontramos a figura da estrada do Senhor que atra-
vessa o deserto, e o mesmo pensamento ocorre em 40:3.

“Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura dos
animais cevados. As vossas luas novas, e as vossas solenidades,
a minha alma as aborrece; já me são pesadas: estou cansado de as
sofrer” (1:11, 14) é muito semelhante a, “... nem com a gor-
dura dos teus sacrifícios me satisfizeste, mas me deste trabalho
com os teus pecados, e me cansaste com as tuas iniqüidades”
(43:24).

“Naquele dia o SENHOR dos Exércitos será a coroa da gloria
e o formoso diadema para os restantes do seu povo” (28:5) se asse-
melha a “Serás urna coroa de gloria na mão do SENHOR, um
diadema real na mão do teu Deus” (63:3).

Tendo em vista estes paralelismos, e muitos outros que pode-
riam ser citados, é difícil perceber como um observador sem pre-
conceitos poderia deixar de se impressionar com instâncias tão nu-
merosas de semelhança. Estas expressões tão distintivas, tendo
sinais tão óbvios de originalidade, mas que ocorrem em ambas as
partes do Livro, indicam que o mesmo autor deve ter produzido
todo o livro.

2. Seria necessário indicar que as semelhanças literárias
entre Isaías II e o Profeta Miquéias do oitavo século, são numero-
sas e notáveis. Isto dificilmente seria o caso dum autor que com-
punha sua obra no sexto ou no quinto século a.C. Eis aqui alguns
exemplos:

“Porquanto não saireis apressadamente, nem vos ireis fugindo;
porque o SENHOR irá diante de vós” (Is 52:12); “... e o seu Rei
irá adiante deles, e o SENHOR à sua frente” (Mq 2:13).

“.. .anuncia ao meu povo a sua transgressão, e à casa de Jacó
os seus pecados” (Is 58:1); “Eu porém, estou cheio do poder
para declarar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado”
(Mq 3:8).

“Diante de ti se inclinarão com o rosto em terra e lamberão
o pó dos teus pés; saberás que eu sou o SENHOR...” (Is 49:23);
“Lamberão como serpentes; como répteis da terra, tremendo, sairão
dos seus esconderijos, e tremendo virão ao Senhor nosso Deus; e
terão medo de ti” (Mq 7:17).

“Eis que farei de ti um trilho cortante e novo, armado de lâ-
minas duplas; os montes trilharás e moerás, e os outeiros reduzirás 
a palha” (Is 41:15,16); “Levanta-te e debulha, ó filha de Sião;
porque .farei de ferro o teu chifre... e esmiuçarás a muitos povos”
(Mq 4:13).

É difícil precisar se Isaías foi influenciado por Miquéias ou
vice-versa; é bem possível que cada um estivesse familiarizado com
a pregação do outro. É igualmente possível que o Espírito Santo
tivesse impulsionado ambos a exprimirem a mesma mensagem de
Deus à mesma geração em termos semelhantes. De qualquer manei-
ra, exprimem o mesmo ponto de vista geral, a mesma atitude, e em
grande parte, tratam das mesmas questões. Nesta conexão, podemos
mencionar Oséias 13:4: “Não conhecerás outro Deus além de mim,
porque não há salvador senão eu”. Esta frase aparece duas vezes
em Isaías II, em 43:11 e 45:21, indicando um estreito relaciona-
mento. (Sendo que Oséias era um pouco antes de Isaías, é bem
possível que o profeta mais jovem tivesse tomado emprestado do
mais velho).

C. ALEGADAS DIFERENÇAS DE IDÉIAS TEOLÓGICAS

Os defensores da teoria dos dois Isaías asseveram que Dêute-
ro-Isaías se detém no assunto da infinitude de Deus e Seu rela-
cionamento soberano com as nações pagãs duma maneira muito
mais desenvolvida e enfática do que em Isaías I. Do outro lado,
Isaías II não menciona o Rei Messiânico nem o remanescente fiel;
pelo contrário, o conceito dominante é o do Servo Sofredor. Po-
demos responder a estas alegações, que nenhuma contradição ge-
nuína na teologia das duas seções tem sido demonstrada até hoje,
e nenhum crítico tem provado que as novas ênfases que aparecem
nos capítulos 40 — 66 não se explicam suficientemente pelas con-
dições diferentes que imperavam durante o reinado do maldoso e
idólatra Manassés. Realmente, não há nenhuma doutrina exposta
em 40 — 66 que não esteja contida, pelo menos em princípio, em 1— 39. Com o influxo de idolatria no reino de Judá, e o culto aos
deuses pagãos, que veio a ser moda na época de Manassés, um
desafio à verdadeira fé foi oferecido de tal maneira que se exigiu
uma resposta, enfatizando a unicidade e a soberania de Deus, do
tipo que se acha em Isaías 40 — 48. Quanto à doutrina do Messias,
a inevitabilidade do julgamento de Israel apóstata levou de ma-
neira lógica ao desenvolvimento da expiação vicária, fora da qual
não haveria qualquer esperança razoável da sobrevivência espiri-
tual da nação. Por esta razão, o conceito do Servo Sofredor, ou
Servo do Senhor, em Isaías II se torna tão proeminente. 

Muito debate tem sido dedicado à questão da identidade do
Servo do Senhor, que é o centro de alusões desde o capítulo 41 até
53. Os racionalistas são compelidos pelas suas pressuposições filo-
sóficas a negar que o Servo Sofredor fosse uma descrição profética
de Jesus Cristo. Na sua busca duma figura mais contemporânea
com a qual o Servo poderia ser identificado, a maioria dos anti-so-
brenaturalistas apelam para a identificação favorecida pelo judaís-
mo moderno, que o Servo Sofredor é o equivalente à nação judaica.
Não há dúvida que esta identificação leva a dificuldades insupe-
ráveis naqueles “Cânticos do Servo” que se referem ao Messias.
Assim, em Isaías 53:4, 5, 8, 9, este tipo de exegese faria com que
Israel tivesse que carregar vicariamente seus próprios pecados; que
Israel fosse ferido em prol de Israel; que a nação de Israel não
abrisse sua boca perante seu juiz, e que a raça israelita inteira
fosse levada embora por um assassinato judicial, e que fosse en-
terrada com um certo homem rico.

A única explicação satisfatória que se pode oferecer para o con-
ceito de Servo em Isaías é aquela que tem três dimensões. Con-
forme Delitzsch explicou, o Servo pode ser simbolizado por uma
pirâmide. Na base da pirâmide, há a nação hebréia como um todo
(como em 41:8 e 42:19). Israel é considerada o povo escolhido por
Deus de maneira única, com a responsabilidade de testificar do
Deus verdadeiro perante as nações pagãs, servindo como guardiães
da Sua Palavra. No nível do meio, o remanescente dos verdadei-
ros fiéis dentro de Israel se constituirá em povo redimido de Deus,
para testificar aos seus compatriotas não espirituais. No ápice da
pirâmide há um único indivíduo, o Senhor Jesus Cristo, que é de-
monstrado como sendo o verdadeiro Israel em pessoa (porque, sem
Ele, não poderia existir a nação de Israel através da Aliança, e o
relacionamento da nação com Deus depende dEle). É este Servo
que surgirá como Redentor e Libertador do pecado, ao carregar na
Sua própria Pessoa a penalidade da morte no lugar dos pecadores.
Provas Adicionais da Genuinidade de Isaías 40 — 66

1. Os escritores do Novo Testamento consideram claramente
que Isaías I e Isaías II sejam uma única pessoa. Muitas das cita-
ções de Isaías no Novo Testamento poderiam ser interpretadas
como sendo referências ao Livro meramente através do seu título
tradicional, mas há outras referências que claramente se referem
à personalidade do próprio Isaías histórico. 

Mateus 12:17,18 cita Isaías 42:1 como sendo “aquilo que foi
falado por Isaías, o profeta”.

Mateus 3:3 cita Isaías 40:3 como sendo “referido por meio do
profeta Isaías”.

Lucas 3:4 cita Isaías 40:3-5 “conforme está escrito no Livro
das palavras do profeta Isaías”.

Atos 8:28 declara que o eunuco da Etiópia estava lendo o pro-
feta Isaías, ou seja, neste caso, Isaías 53:7,8. Na sua conversação
com Filipe (Atos 8:34) perguntou, “A quem se refere o profeta
(i.é., Isaías). Fala de si mesmo, ou de algum outro?”

Romanos 10:16 cita Isaías 53:1, declarando: “Isaías diz...”
Romanos 10:20 cita Isaías 65:1, declarando: “Isaías a mais
se atreve, e diz...”

A citação mais conclusiva no Novo Testamento é João 12:38-41.

Versículo 38 cita Isaías 53:1; versículo 40 cita Isaías 6:9,10. Então,
o Apóstolo inspirado comenta no versículo 41: “Isto disse Isaías
porque viu a glória dele e falou a seu respeito”. Obviamente foi
o mesmo Isaías que pessoalmente viu a glória do Senhor Jesus
Cristo na visão do templo em Isaías 6, que também fez a declaração
em Isaías 53:1: “Quem creu em nossa pregação? E a quem foi
revelado o braço do SENHOR?” Não sendo o mesmo autor que
compõe tanto o capítulo 6 como o capítulo 53 (e é isto que afir-
mam de maneira intransigente os defensores da teoria de Deutero-
Isaías), então o próprio Apóstolo inspirado estava errado no assun-
to. Segue-se portanto, como conclusão lógica, que os que defendem
uma teoria de dois Isaías são forçados a conceder, por implicação,
a existência de erros no Novo Testamento.

2. Uma teoria como a do Deutero-Isaías defronta-se com
dificuldades formidáveis pelo fato de que o nome do autor não foi
conservado. É totalmente inconcebível que seu nome tivesse sido
esquecido, se tivesse sido algum outro indivíduo, e não o próprio
Isaías do oitavo século. Os próprios críticos disseccionistas con-
cordam em dizer que não há passagens de profecia mais sublimes
em todo o Antigo Testamento do que as que se acham em Isaías II.

Comumente se reconhece que o autor destas passagens tem que
ser considerado o maior de todos os profetas do Antigo Testamento.
Como pode ser que um gênio tão proeminente tivesse diminuído
tanto de estatura, que até o terceiro século a.C., quando a Sep-
tuaginta foi traduzida, seu nome tivesse sido tão completamente
 esquecido? A mais antiga referência extra-bíblica que temos aos
escritos de Isaías se acha em Eclesiástico 49:17-25 (180 a.C.). Aqui,
o autor, Jesus ben Siraque, se refere ao fato que Isaías “consolava
os que choravam em Sião... Mostrava as coisas que aconteceriam
até ao fim do tempo, e as coisas escondidas antes que acontecessem”
(aqui há uma alusão a Is 48:6). Emprega-se aqui a mesma palavra
de “consolar” (parakalein) que foi empregada na Septuaginta ao
traduzir Isaías 40:1. É dificilmente concebível que o aluno pudesse
ter sobrepujado seu mestre tanto assim, e ainda ter permanecido
anônimo. Mas é esta a incrível pressuposição, sem paralelo no res-
tante da literatura universal, à qual são forçados os que insistem
em apoiar esta teoria de uma autoria dividida.

Neste assunto, convém ressaltar que há uma regra quase inva-
riável que os antigos hebreus seguiam quanto aos escritos dos
profetas: o nome do profeta era considerado essencial para se acei-
tar qualquer pronunciamento profético da parte dele. Isto é enfa-
tizado pelo fato de que até uma composição tão breve como a pro-
fecia de Obadias levava o nome do autor. Os hebreus davam a
máxima importância ao nome do autor, como condição sem a qual
sua mensagem não poderia ser recebida como sendo a declaração
autorizada dum verdadeiro porta-voz do Senhor. Conforme indica
A. J. Young (IAT 217), é completamente contrário ao ensinamento
e ao espírito da Bíblia postular a existência de escritos proféticos
da parte de profetas anônimos. E se o Profeta Menor cuja obra
era a mais breve e a menos brilhante de todas, recebeu o registro
do seu nome juntamente com suas mensagens escritas, é lógico
portanto que o mais sublime de todos os profetas que a nação pro-
duziu tivesse deixado seu nome para a posteridade. Temos, obvia-
mente, de concluir que o nome do autor de Isaías 40 — 66 tenha
sido conservado de fato, e que era o próprio profeta Isaías do
oitavo século.

3. A evidência lingüística é totalmente contrária à composi-
ção de Isaías II na Babilônia durante o sexto século. Nas escrituras
de Esdras e de Neemias, que vinham da região da Babilônia ou de
Susã (se não dos centros persas de Ecbátana e Persépolis), temos
uma boa amostra do tipo de hebraico falado dos judeus que volta-
ram do Exílio para a Palestina, passando a habitar na sua própria
pátria durante o quinto século. Estes escritos demonstram uma
certa quantidade de instrução lingüística do aramaico, e há termos
babilônios espalhados nas suas obras. Mas, na linguagem de Isaías
II, há uma completa ausência de tal linguagem. O Livro foi escrito 
em hebraico perfeitamente puro, livre de quaisquer características
pós-exílicas, bem semelhante ao estilo de Isaías I.

4. Isaías 13:1 fornece sérios embaraços a qualquer teoria dum
Deutero-Isaías exílico. O capítulo 13 contém uma mensagem de
julgamento divino contra a cidade da Babilônia, que, durante a
época de Isaías, era uma mera província pertencente ao império
assírio. Mesmo assim, o primeiro versículo declara: “Sentença, que,
numa visão, recebeu Isaías, filho de Amós, contra Babilônia”. Isto
constitui a mais forte evidência possível que o Isaías do oitavo
século previu a futura importância da Babilônia, sua devastação
da Palestina, e sua queda final perante os ataques dos medos (cf.
v. 17). Tendo em vista o argumento, que freqüentemente se repete,
de que o nome de Isaías não aparece nos capítulos 40 — 66, e que,
por esta razão, não deve ser considerado o autor das predições que
envolvem um conhecimento dos acontecimentos do sexto século,
é interessante observar que seu nome está especificamente escrito
no capítulo anterior no qual se implica tal conhecimento de ma-
neira claríssima.

Note-se que o capítulo 13 surge no meio duma série de senten-
ças pronunciadas contra nações estrangeiras que constituíam uma
ameaça contra Israel (caps. 13 — 23). É bem claro que o Isaías do
oitavo século escrevesse denúncias deste tipo, e que a linguagem
do capítulo 13 é perfeitamente semelhante ao restante dos capítulos
desta série. Só com o intuito de salvar a teoria do Deutero-Isaías
é que os críticos se sentiam forçados a atribuir uma data avan-
çada ao capítulo 13. Mas, conforme ressalta E. J. Young:5 “Se é
que o capítulo 13 tem que ser tirado de Isaías, é praticamente im-
possível explicar como apareceu nesta porção da profecia. Por que
um editor posterior teria pensado que Isaías tivesse profetizado
acerca da Babilônia?” Estas asseverações têm que ser levadas a
sério, tendo em vista que denúncias de Babilônia surgem em outras
partes do Livro (e.g. no cap. 48). É difícil entender por que o
capítulo 13 não foi colocado junto com as outras denúncias, se de
fato ele foi composto na mesma época.

5. Finalmente, chegamos ao relacionamento entre Isaías II
e os profetas pré-exílicos do sétimo século, Sofonias, Naum e Jere-
mias, que contêm versículos tão semelhantes aos de Isaías II que
indicam a possibilidade de um ter tomado emprestado do outro.
Assim, em Sofonias 2:15 lemos: “Esta é a cidade alegre e confiante, 
que dizia consigo mesma: Eu sou a única, e não há outra além de
mim”. A expressão é muito semelhante a Isaías 47:8: “Ouve isto,
pois, tu que és dada a prazeres, que habitas segura, que dizes con-
tigo mesma: Eu só, e além de mim não há outra”. Naum 1:15 diz:
“Eis sobre os montes os pés do que anuncia boas novas, do que
anuncia a paz!” Compare-se Isaías 52:7: “Que formosos são sobre
os montes os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a
paz!” Jeremias 31:35 declara: “Assim diz o SENHOR... que agita
o mar e faz bramir as suas ondas; o SENHOR dos Exércitos é o seu
nome”. A expressão é bem semelhante a Isaías 51:15: “Pois eu sou
o SENHOR teu Deus, que agito o mar, de modo que bramem as
suas ondas — o SENHOR dos Exércitos é o seu nome”.

Na comparação de tais semelhanças, poderia surgir o argu-
mento que Isaías II tivesse copiado de profetas do sétimo século, e
não vice-versa, más no caso de Jeremias 30:10 e segs. (que tem
um relacionamento com Isaías 43:1-6), tal explicação é pouco pos-
sível. Na passagem de Jeremias, o termo “Meu Servo” (’abdí) ocor-
re como título messiânico. Não aparece em nenhuma outra parte
de Jeremias, mas é um termo freqüente em Isaías II. Não se pode
tirar nenhuma outra conclusão razoável senão que foi Jeremias
que tomou emprestada esta expressão, que a passagem de Isaías é
que foi escrita numa época anterior à de Jeremias. 

Tendo em vista todas as evidências citadas acima, pode ser
dito, com toda a justiça, que seria necessária uma dose muito maior
de credulidade pata crer que Isaías 40-66 não fosse obra de Isaías
do oitavo século, do que para crer que era sua obra. A julgar pela
evidência interna somente, mesmo à parte dos autores do Novo Tes-
tamento, uma maneira equitativa de tratar o texto só pode levar
à conclusão que o mesmo autor fosse responsável pelas duas seções,
e que nenhuma parte foi composta numa data tão avançada como
era o Exílio. 

Fonte: ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? 4º ed. São Paulo : Vida Nova, 2003.