12 de dezembro de 2013

Homer Heater, Jr - Uma teologia de Samuel e Reis: O sacerdócio em Samuel e Reis

Três instituições forneceram liderança para Israel ao longo dos livros de Sa-
muel e Reis: o sacerdócio, ministério oficialmente estabelecido desde os dias de
Moisés; o ofício profético, ministério extra-oficial cheio de líderes levantados es-
pontaneamente (pelo menos na era mais primitiva); e a monarquia ou realeza.

O SACERDÓCIO EM 1 E 2 SAMUEL

Havia certa quantidade de sobreposição nos três ofícios. O próprio Sa-
muel, como desenvolveremos mais tarde, é um caso em questão. Ele agiu como
profeta, juiz e sacerdote. O rei, que em muitas formas suplantava o juiz, tinha a
tarefa de chefiar o povo na batalha e decidir-lhes as causas judiciais (2 Sm 15.1-
6).  Foi irônico que Davi, o protetor da justiça, pervertesse a justiça assim no
caso de Urias e Bate-Seba. O rei Davi também esteve envolvido nas funções sa-
cerdotais quando levou a Arca para Jerusalém (6.14), e alguns dos seus filhos são
chamados sacerdotes.  O papel de rei era muito limitado, como vemos quando
os sacerdotes reprovaram Uzias por ele ter feito um incensário e Deus o feriu de
lepra como castigo por intrometer-se no ofício sacerdotal (2 Cr 26.16-21).

O PAPEL DO SACERDÓCIO SILONITA

Eli, como sumo sacerdote em Siló, era homem piedoso que procurava agradar ao Senhor. Como sacerdote, a moralidade do povo era sua preocupação. Por conseguinte, reprovou Ana quando pensou que ela estivesse bêbada (1 Sm 1.12-14). Também reprovou os próprios filhos por conduta imoral no Tabernáculo. O pecado deles era particularmente notório e odioso, visto que as pessoas esperavam que eles ensinassem a elas princípios morais e representassem o povo de Deus (2.22-25; cf. 2 Cr 17.7-9). 

Primeiro, Samuel faz uma rápida recapitulação do ritual do sacrifício quan-
do Elcana e sua família iam a Siló para adorar ao Senhor. A refeição de comunhão
que acompanha o sacrifício é o cenário para o comportamento triste de Ana. Em
contrapartida, vemos a corrupção do sacerdócio silonita no comportamento arro-
gante dos filhos de Eli para com as pessoas humildes que iam ofertar ao Senhor.

Deus abençoou Ana e Elcana, mas julgou os filhos de Eli por conduta pouco ética.
Os sacerdotes, por vezes, eram conselheiros em assuntos militares e até
acompanhavam o povo em batalha (1 Sm 4.1-11; 2 Rs 3.11-20). Os dois filhos
de Eli foram mortos na guerra contra os filisteus, quando acompanhavam a
Arca. O jovem Abiatar seguiu Davi em todas suas vicissitudes depois de fugir de
Saul e o aconselhou sobre modos de ação (1 Sm 23.6-12; 1 Rs 2.26).

O sacerdócio silonita foi julgado por Deus, por causa da maldade de Ho-
fni e Finéias e o fracasso de Eli em discipliná-los. A família de Eli continuou
servindo durante os dias de Davi, mas quando Abiatar foi afastado, a linhagem
ministerial acabou. “E a Abiatar, o sacerdote, disse o rei: Para Anatote vai, para
os teus campos, porque és homem digno de morte; porém hoje te não matarei,
porquanto levaste a arca do Senhor O SENHOR diante de Davi, meu pai, e por-
quanto foste aflito em tudo quanto meu pai foi aflito. Lançou, pois, Salomão
fora a Abiatar, para que não fosse sacerdote do SENHOR, para cumprir a palavra
do SENHOR, que tinha dito sobre a casa de Eli em Siló” (1 Rs 2.26,27). E 1 Reis
2.35 declara: “E o rei pôs a Benaia, filho de Joiada, em seu lugar sobre o exér-
cito e a Zadoque, o sacerdote, pôs o rei em lugar de Abiatar”. Estes versículos
indicam que os livros de Samuel foram designados para mostrar que Davi se
tornaria o representante escolhido de Deus, e que a casa de Zadoque sucederia
a casa de Eli no sacerdócio. Temos de ver os primeiros quatro capítulos de 1
Samuel como escrito de julgamento para a família de Eli. O fim da linhagem
de Eli consta no capítulo 4. O exército foi derrotado duas vezes, os filhos de Eli
foram mortos e a Arca foi levada. Deus julga os que se recusam a obedecer-lhe.
O nome dado ao neto de Eli, Icabô, é significativo. A glória do Senhor partira
de Israel e, no que diz respeito ao assunto, da casa de Eli.

ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento : CPAD, 2009.