9 de dezembro de 2013

Homer Heater, Jr - Uma teologia de Samuel e Reis: O concerto davídico

Dada esta teologia, é imperativo vermos que o lugar de Davi no progra-
ma de Deus para Israel foi exposto no concerto davidico. Este concerto forma
a base de todos os procedimentos de Deus com a monarquia depois de Davi
como também com o “Davi” escatologico.  Por conseguinte, será útil antecipar-
mos o concerto em 2 Samuel e desenvolvê-lo aqui.
O segundo livro de Samuel 5 a 8 resume e recapitula os feitos de Davi.

Incluem a coroação de Davi como rei, a captura da fortaleza dos jebuseus, a trans-
ferência da Arca, o concerto davidico e a derrota de todos os inimigos. A trans-
ferência da Arca para Jerusalém fez Davi contemplar o estado da habitação do
Senhor. Considerando que Davi tinha uma casa luxuosa, ele não aceitava o fato
de o Senhor estar morando em uma tenda (2 Sm 7.2). Abordou Natã, o profeta da
corte, sobre a possibilidade de construir um Templo. Para Natã, o plano parecia
nobre, e ele lhe deu a bênção. Durante a noite, porém, o Senhor informou a Natã
que Davi não construiria uma casa para Ele; totalmente o contrário, Ele (Deus)
é que construiria uma “casa” para Davi. O conteúdo do concerto é determinado.
(Outras referências ao concerto davidico são 1 Cr 17 e SI 89.)

A ESCOLHA DE DAVI (2 SM 7.8A)

O Senhor ressaltou a Davi o seu começo insignificante (referência seme-
lhante é feita a Saul em 1 Sm 15.17). Davi era um camponês, um pastor, um
ninguém. Deus enfatizou que escolheu Davi soberanamente. 

A ELEVAÇÃO DE DAVI (2 SM 7.8B)

O Senhor colocou Davi na posição de liderança sobre o povo do concerto.
A cláusula: “Tu apascentarás o meu povo de Israel e tu serás chefe [nagíd] so-
bre Israel”, estava na boca do povo quando fizeram Davi rei sobre todo o Israel
(2 Sm 5.2). É parte também da “exegese cumulativa” de Mateus 2.5, onde estão 
exegeticamente reunidos vários versículos do Antigo Testamento para apontar
o Messias (Gn 49.10; 2 Sm 2.5; Mq 5.2). Aqui está a sementeira da ideia de
um regente especialmente escolhido sobre a herança de Deus, que atingiu sua
culminação no Senhor Jesus Cristo.

AS VITÓRIAS DE DAVI (2 SM 7.9,10)

O Senhor prometeu que estaria com Davi. A sua presença garantiria as vitó-
rias de Davi sobre os inimigos (relatado em 2 Sm 8). Esta linguagem é semelhante
às palavras do Senhor a Josué (Js 1.1-5). Ele disse que faria Davi ser bem conhe-
cido. O regente do Senhor conheceria a presença de Deus no seu reino, e teria
vitória sobre todos os inimigos. Observemos isto com relação à profecia de Isaías
acerca do “renovo” (Is 11.1). Este governante davidico ideal saberá que o Espírito
do Senhor repousa sobre ele. Reinará sobre todo o povo e o lugar de descanso será
glorioso.  O motivo para colocar a análise do concerto davidico aqui em vez de
colocar em 2 Samuel é mostrar que só podemos entender 1 Samuel levando em
conta o concerto de Deus com este rei ideal. A teologia de 1 Samuel é formada em
torno de Davi, mas sutilmente vai além de Davi e chega a Cristo, o Davi maior.

O LUGAR DE DESCANSO PARA O POVO DE DEUS (2 SM 7.10)

A “teologia” davidica já está em vista em 2 Samuel 7, conforme se evidencia
pelo “lugar” prometido para o povo de Deus. Esta frase ecoa em Isaías 11.10,
que descreve o “segundo Êxodo”. O rei terá um lugar de descanso que é glorioso.
Deus também prometeu “plantar” o seu povo, frase também apanhada do novo
concerto (Jr 31.27,28). Há um movimento sutil em 2 Samuel 7 para o futuro
escatològico. Nestes versículos, está incipiente a esperança da restauração de Israel
das dificuldades e o estabelecimento glorioso no futuro sob a mão do Senhor.

A CASA DE DAVI (2 SM 7.11-16)

Esta unidade contém o cerne da promessa davidica. Davi não construiria
uma casa para Deus, mas Deus construiria uma casa para Davi. Até este tempo,
não tinha havido dinastia em Israel. O filho de Saul se submetera a Davi gene-
rosa e espiritualmente. Agora Deus prometeu para Davi uma semente eterna e
um trono eterno. Um dos próprios filhos de Davi o sucederia no trono, e o seu
trono, como o de Davi, seria estabelecido para sempre. Grande parte do restante
de 2 Samuel trata da identificação desse filho. Já no começo se sabe que seria
Salomão (Jedidias, “aquele a quem o Senhor ama/escolhe”). Este descendente
construiria o templo que Davi quis construir. Esta descendência seria tratada
com afeto filial, que incluiria disciplina. Em contraste com Saul, estes descen-
dentes jamais estariam fora do amor do concerto de Deus. A escolha soberana 
de Deus da linhagem de Davi nunca será ab-rogada, embora tenha de ocorrer
disciplina quando houver desobediência. Este tema forma a base de grande par-
te da discussão de 1 e 2 Reis. A declaração final leva a profecia a uma forma
crescente: “A tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu
trono será firme para sempre” (2 Sm 7.16).

O concerto davídico é o ponto central de Samuel e Reis. Davi, como tipo
do rei ideal (tanto em posição quanto na prática), aparece “nas entrelinhas” nos
capítulos 1 a 15 e domina as linhas nos capítulos 16 a 31. Ver a centralidade do
concerto davídico permite que o leitor apanhe o argumento de 1 Samuel e veja
como se orienta inexoravelmente para 2 Samuel 7.

ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento : CPAD, 2009.