6 de novembro de 2013

Gleason L. Archer - A Natureza da Profecia Hebraica

Deve ser lembrado que, segundo a terminologia da Bíblia
Hebraica, os Profetas Anteriores incluem quatro Livros que já ana-
lisamos: Josué, Juizes, Samuel e Reis. Conquanto estes Livros
tratassem da história de Israel, foram compostos do ponto de vista
profético, e possivelmente os próprios autores podem ter sido pro-
fetas. Os Livros tratados neste capítulo, e nos seis subseqüentes,
são classificados na Bíblia Hebraica como Profetas Posteriores.

Estes se subdividem em Profetas Maiores (Isaías, Jeremias e Eze-
quiel), e os doze Profetas Menores, cujas obras reunidas cabiam
num único rolo grande, que em grego veio a ser chamado Dõde-
caprophêton.


A Natureza da Profecia Hebraica

Por definição generalizada, uma profecia é uma revelação oral
ou escrita, em palavras humanas e através dum porta-voz humano,
transmitindo a revelação de Deus e esclarecendo aos homens Sua
divina vontade. Num sentido mais amplo, até eventos como a tra-
vessia do mar Vermelho ou o episódio da serpente de bronze, po-
dem ter um significado profético, sendo que sua importância não
se esgota na ocorrência histórica propriamente dita. Prenunciam
um cumprimento na época do Messias, seu antítipo. As ordenanças
do tabernáculo e do sacerdócio estavam repletas de significado
profético, pois muitas vezes incluíam tipificações que prefiguravam
a Pessoa e a obra de Jesus Cristo. Nesta classificação podem ser
incluídos o sacerdócio de Arão, o próprio tabernáculo, os vários ar-
tigos de móveis que continha, os rituais do sacrifício, e assim por
diante. Neste sentido mais amplo, portanto, uma grande parte 
do Antigo Testamento constitui profecia; mas no sentido menos
amplo, confina-se o termo aos discursos de homens especialmente
escolhidos e ungidos para ocupar o ofício profético.

Mesmo entre o número destes homens, porém, houve um nú-
mero considerável dos profetas cujas declarações nunca foram pre-
servadas por escrito, apesar de haver alusões indiretas às suas
mensagens nos vários Livros proféticos. Este foi o caso de homens
como Natã e Gade, da geração de Davi, e como, no período posterior,
Semaías, Aias, Elias, Micaías, Eliseu, Odede, e muitos outros. São
chamados “profetas orais”, visto que suas mensagens foram ape-
nas transmitidas pela palavra falada. Na maioria dos casos, suas
mensagens foram endereçadas a crises contemporâneas na vida de
Israel, não tendo nenhum significado permanente para as futuras
gerações, pelo menos não no mesmo grau e sentido como os escritos
do cânon profético. Mas, quando uma revelação de Deus continha
informações relevantes às épocas futuras, o Espírito Santo inspira-
va os autores a registrar suas mensagens por escrito. Estes, pois,
são os documentos que nos foram conservados na forma dos Pro-
fetas Maiores e Profetas Menores.

Fonte: ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? 4º ed. São Paulo : Vida Nova, 2003.