29 de novembro de 2013

Os Calendários

Manual Bíblico Vida Nova

Roland de Vaux - Os elementos da população livre: O Povo da Terra

Os textos falam com freqüência do “povo da terra”, ‘am ha’ares, expressando que recebeu diferentes explicações. Muitos vêem nela a classe social infe¬rior, o comum do povo, a plebe em contraposição à aristocracia ou os campo¬neses em oposição aos habitantes da cidade. Outros, pelo contrário, querem descobrir nela os representantes do povo no governo, uma espécie de parla¬mento ou de câmara dos deputados. Outros, finalmente, reconhecem nela o Conjunto dos homens livres, que usufruem de direitos cívicos em um determi¬nado território.
A análise dos textos mostra que essa última explicação é a única aceitável para a época antiga, mas que o sentido da fórmula evoluiu posteriormente.

28 de novembro de 2013

Tempos e Estações

Manual Bíblico Vida Nova

Gleason L. Archer - Introdução ao livro de Jonas

O nome Jonas (Yõnãh) quer dizer “pombo”. Este profeta é
mencionado em II Reis 14:25 como sendo aquele que predisse que
as conquistas de Jeroboão II (7S3-753) teriam grande alcance —
profecia muito do agrado dum patriota tão sério como ele era. Sua
cidade natal era Gate-Hefer, na tribo de Zebulom, no norte de
Israel. Seu ministério profético parece ter começado pouco antes
do reinado de Jeroboão, ou pelo menos antes deste rerilhante ter
conseguido alguns dos seus triunfos militares mais marcantes. O
tema da sua profecia (que é realmente uma biografia mais do que
um discurso em forma de sermão) é que a misericórdia e a com-
paixão de Deus se estendem até às nações pagãs, na condição de se
arrependerem. É, portanto, obrigação dos israelitas testificar pe-
rante elas da fé verdadeira; negligenciar esta tarefa pode levar a

27 de novembro de 2013

Dinheiro no mundo antigo


Manual Bíblico Vida Nova

Homer Heater, Jr - Uma teologia de Samuel e Reis: A perspectiva teológica de Samuel e Reis

Devemos ler a teologia de Samuel e Reis em dois níveis. Os dois livros são
compilações de material histórico reunido a partir de certo ponto de vista edito-
rial. Muito semelhante a Lucas que teve a intenção de apresentar uma narrativa
do ministério e mensagem de Cristo e da Igreja Primitiva, assim o historiador
(ou historiadores) desconhecido, sob inspiração divina, nos oferece estas duas
composições maravilhosas que mostram o reinado de Deus entre os homens e,
mais especificamente, entre os homens e mulheres de Israel.

Encontramos o primeiro nível de teologia nos próprios acontecimentos e
declarações originais. A vida e ministério sacerdotal do piedoso Samuel como
juiz é um testemunho da fé (um tanto quanto rara, pois a palavra de Deus era

26 de novembro de 2013

Tabela de Pesos e Medidas

Manual Bíblico Vida Nova


Roland de Vaux - Os elementos da população livre: Os notáveis

Nos textos do Deuteronômio citados anteriormente, os assuntos municipais estão nas mãos dos zeqenint. De acordo com alguns eles seriam todos os homens adultos - os que usam barba, zaqan - reunidos em assembléia popu¬lar. \i muito mais provável que, segundo o sentido do adjetivo correspondente que significa “velho”, eles sejam os “Anciãos”, os chefes de família, que for¬mavam em cada cidade uma espécie de conselho, I Sm 30.26-31. Alternam com os sarím, os “chefes”, em Nm 22.7-14 e em Jz 8.6,16; são colocados lado a lado, como sinônimos, em Jz 8.14, onde nos é dito que em Sucote eles eram quarenta e sete. As duas palavras parecem ser também sinônimas em Is 3.14, a mesma palavra sarím designa os chefes de família, explicitamente em Ed 8.29 e provavelmente em Ed 8.24s. Em Jó 29.9, os sarím têm assento às portas da .cidade, como os “Anciãos” de Pv 31.23. Assim pois, os dois termos são, em parte, equivalentes.

22 de novembro de 2013

Pesos e Medidas


Manual Bíblico Vida Nova

Gleason L. Archer - Introdução ao livro de Joel

O nome Joel quer dizer “O SENHOR é Deus” (hebraico Yõ’êl).
O tema deste profeta era uma solene advertência do julgamento
divino que seria pronunciado contra Israel no Dia do Senhor. Este
dia de julgamento é tipificado pela praga devastadora de gafanhotos
que causou uma perda financeira estonteante na nação. Mas esta
praga, por sua vez, prenuncia uma época de destruição final que
será o quinhão de todas as forças da descrença.

Esboço de Joel

I. A Praga de Gafanhotos Tipifica o Dia do Senhor, 1:1 — 2:11.
A. A tremenda devastação causada pelas hordas de gafa-
nhotos, 1:1-7..
B. Esta invasão prefigurava os invasores humanos do fu-
turo (assírios e caldeus), 1:8-20.
C. O dia do Senhor, um dia de prestação de contas, 2:1-11.

II. Chamada ao Arrependimento, 2:12-19.

21 de novembro de 2013

O texto Bíblico e as Versões Antigas

Manual Bíblico Vida Nova

Homer Heater, Jr - Uma teologia de Samuel e Reis: Cenário histórico de Samuel e Reis

A data inicial dos acontecimentos constantes em 1 e 2 Samuel é princípios
do século XI a.C. Naqueles tempos, os reinos hitita, mitaniano e babilônico esta-
vam em declínio ou completamente derrotados. Os arameus ou sírios começaram
a habitar a área norte em grandes números, mas só se consolidaram no tempo
de Davi. O “povo do mar” (do mar Egeu) invadira todo o oriente no século an-
terior. Os egípcios os derrotaram, mas a grande custo, pois eram fracos durante
a época dos Juízes. O povo do mar tornou-se os filisteus.  É possível que tenham
trazido consigo o segredo de fundir ferro, o qual mantiveram para si e pelo qual
dominaram os israelitas. Os israelitas e filisteus conquistaram os cananeus. Um

19 de novembro de 2013

Listas Comparativas dos livros do Antigo Testamento


Manual Bíblico Vida Nova

Roland de Vaux - A evolução social

Na civilização nômade há famílias. Podem ser mais ricas ou mais pobres, mas não se dividem em diferentes classes sociais no interior da tribo. Só há tribos mais “nobres” que outras, e todos os beduínos se consideram “nobres” em comparação aos agricultores sedentários. Nem sequer os escravos formam classe à parte, mas formam parte da família. Segundo tudo o que podemos saber, essa situação foi a mesma em todo o tempo que Israel levou uma exis¬tência seminômade.
Mas a sedentarização produziu uma profunda transformação social. A uni¬dade não é mais a tribo, mas o clã, a mishpahah, instalada em uma cidade, que comumente não é mais que uma aldeia. A vida social tornou-se uma vida de pequenas cidades, e aqui é interessante notar que o pano de fundo antigo do Deuteronômio é, em grande parte, uma lei municipal, como por exemplo os estatutos sobre as cidades de refúgio, Dt 19, sobre o assassino desconhecido,

18 de novembro de 2013

O cânon hebraico do Antigo Testamento

Manual Bíblico Vida Nova

Gleason L. Archer - Introdução ao livro de Obadias

OBADIAS
Este Livro, o mais curto do Antigo Testamento, consistindo
apenas de 21 versículos, tem a distinção de ser a mais difícil de
todas as profecias quanto à data. Até os estudiosos conservadores
têm oferecido conjecturas conflitantes, desde uma data no reinado
de Jeorão filho de Josafá (848 — 841 a.C.), até 585, logo depois da
destruição de Jerusalém pelos Caldeus (data preferida por Lutero).
A maioria dos estudiosos liberais preferem 585 como sendo a data
da composição, conquanto alguns poucos, como Pfeiffer, dividam
a obra em duas fontes distintas, a segunda tendo sido composta
durante o Exílio ou pouco depois da queda da Babilônia em 539 a.C.

Esboço de Obadias

14 de novembro de 2013

Os livros da Bíbliua

Manual Bíblico Vida Nova

Nomes da Bíblia

Manual Bíblico Vida Nova

13 de novembro de 2013

Ptolomeus e Selêucidas



Thomas L. Constable - Uma teologia de Josué, Juízes e Rute: Tópicos especiais em Rute

Em Josué e Juízes, o foco da revelação está na terra que Deus prometeu
aos descendentes de Abraão. Em Rute, o foco passa para a semente que Ele
prometeu. Em particular, a semente em vista é a que viria da tribo de Judá para
dominar o povo de Deus (Gn 49.10).

Em geral, o principal tema teológico em Rute é o trabalho externo do propó-
sito divino pela instrumentalidade humana.  Mais especificamente, a soberania
irresistível de Deus e a sua graça ilimitada recebem muita atenção em Rute.

12 de novembro de 2013

O Império da Nova Babilônia


Roland de Vaux - Questões Demográficas

Seria importante poder determinar a soma da população de Israel, a fim de compreender melhor as instituições nas quais vivia. A demografia é um elemento necessário em toda investigação sociológica. Mas, como geralmen¬te para os povos da antigüidade, o problema é muito difícil, dado que faltam os documentos estatísticos.

É certo que há na Bíblia algumas indicações numéricas, mas não ajudam muito. Segundo Êx 12.37-38, teriam saído do Egito 600.000 homens de infan¬taria sem contar suas famílias e uma multidão heterogênea que se uniu a eles. Anles da partida do Sinai, Nm 1.20-46, uma contagem detalhada das tribos dá
como resultado 603.550 homens de mais de 20 anos (cf. Ex 38.26); os levitas são contados à parte: são 22.000 de mais de um mês, Nm 3.39, 8.580 entre trinta e cinqüenta anos, Nm 4.48. Nas planícies de Moabe, Nm 26.5-51, o total das tribos alcança

11 de novembro de 2013

Identificação dos quatro reinos no livro de Daniel


Gleason L. Archer - A Natureza do Ofício Profético

A responsabilidade dos profetas do Antigo Testamento não
era principalmente predizer o futuro no sentido moderno da pa-
lavra “profetizar”, era mais anunciar a vontade de Deus que Ele
comunicara através da revelação. A palavra hebraica “profetizar” é
nibba’ (a raiz do Nif׳al de nãbhã’), acerca de cuja etimologia há
muitas disputas. A explicação que tem a melhor fundamentação,
porém, parece relacionar esta raiz ao verbo acadiano nabü, que sig-
nifica, “chamar, anunciar, convocar”. No prólogo do Código de Ha-
murabi, o rei babilônio assevera que foi nibit Bei (“vocacionado de
Baal”) e que os deuses nibiü (isto é, “chamaram” ou “nomearam”)
a ele para ser seu vice-regente na terra. Por esta razão, o verbo
nibba’ significaria sem dúvida uma pessoa chamada ou nomeada
para proclamar como arauto a mensagem do próprio Deus. Deste
verbo se deriva a palavra característica nãbi’, profeta, pessoa cha-

8 de novembro de 2013

Templo de Ezequiel




Thomas L. Constable - Uma teologia de Josué, Juízes e Rute: Tópicos especiais em Juízes

Josué e Juizes lembram dois lados de uma moeda. Josué é essencialmente uma
revelação positiva e Juizes, uma negativa. Josué demonstra que vitória, sucesso e
progresso ocorrem quando o povo de Deus confia e lhe obedece consistentemen-
te. Por outro lado, Juizes demonstra que derrota, fracasso e retrocesso acontecem
quando o povo de Deus não confia e não lhe obedece consistentemente. Consi-
derando que Josué revela a fidelidade de Deus em dar a Israel a Terra Prometida,
Juizes enfatiza a infidelidade de Israel em subjugar a terra. Josué realça o ódio de
Deus contra o pecado, mas Juizes exalta a graça de Deus aos pecadores.

7 de novembro de 2013

Jerusalém e o retorno dos exilados


Roland de Vaux - A morte e os ritos fúnebres: Interpretação desses ritos


Tentou-se interpretar esses ritos fúnebres como manifestações de um culto aos mortos, seja considerando o morto como temível, procurando proteger-se dele ou fazê-lo propício, seja atribuindo aos mortos um caráter divino. O Antigo Testamento não oferece nenhuma base sólida para tais explicações.

Já foi dito, pelo contrário, que tais ritos eram apenas a expressão de dor causada pela perda de um ente querido. É verdade que muitos desses gestos eram usados, fora do luto, nos momentos de muita tristeza ou de desastre nacional. Mas essa explicação é insuficiente, pois alguns desses ritos são, ao mesmo tempo, ritos de penitência, assim, por exemplo, o vestir-se de saco, o jejum..., e podem, portanto, ter sentido religioso. Os cortes e as tonsuras reprovadas pela lei, Lv 19.27-28; Dt 14.1, tinham, certamente, significado religio¬so, que nos é ainda obscuro. As oferendas alimentícias

6 de novembro de 2013

Templo de Zorobabel


Gleason L. Archer - A Natureza da Profecia Hebraica

Deve ser lembrado que, segundo a terminologia da Bíblia
Hebraica, os Profetas Anteriores incluem quatro Livros que já ana-
lisamos: Josué, Juizes, Samuel e Reis. Conquanto estes Livros
tratassem da história de Israel, foram compostos do ponto de vista
profético, e possivelmente os próprios autores podem ter sido pro-
fetas. Os Livros tratados neste capítulo, e nos seis subseqüentes,
são classificados na Bíblia Hebraica como Profetas Posteriores.

Estes se subdividem em Profetas Maiores (Isaías, Jeremias e Eze-
quiel), e os doze Profetas Menores, cujas obras reunidas cabiam
num único rolo grande, que em grego veio a ser chamado Dõde-
caprophêton.

5 de novembro de 2013

Retorno do Exílio


Thomas L. Constable - Uma teologia de Josué, Juízes e Rute: Tópicos especiais em Josué

JOSUÉ

Os principais pontos teológicos acentuados no livro de Josué são dois.

Uma das suas grandes revelações é a fidelidade do Senhor em dar a Israel a Terra
Prometida. A outra é a revelação do ódio de Deus ao pecado.

A fidelidade de Deus em dar para Israel a terra. O livro de Josué tem duas
divisões principais: a conquista da terra (Js 1-12) e a divisão da terra (Js 13-
24). O registro da divisão da terra termina no capítulo 21. O que vem a seguir
são instruções para o assentamento na terra (Js 22-24). Claramente, o livro
trata da entrada de Israel na herança em Canaã que Deus prometeu. A terra

1 de novembro de 2013

Isaque e Rebeca: Base para Viver Juntos sem Casar?

por Augustus Nicodemus Lopes

Alguns queridos amigos têm apelado para o episódio do encontro de Isaque com Rebeca como base para sua posição de que, na Bíblia, o casamento é a decisão de duas pessoas de se unirem diante de Deus e terem relações sexuais. Não precisa de cerimônia pública, compromisso formal, testemunhas, pais, parentes, autoridades, etc. A passagem é esta aqui:

“Isaque conduziu-a até à tenda de Sara, mãe dele, e tomou a Rebeca, e esta lhe foi por mulher. Ele a amou; assim, foi Isaque consolado depois da morte de sua mãe” (Gen 24:67).

O argumento é que o casamento de Isaque e Rebeca foi simplesmente terem tido relações na tenda, sem nenhuma formalidade.

Cronologia de Esdras e Neemias



Roland de Vaux - A morte e os ritos fúnebres: Lamentações Fúnebres

A lamentação pelo morto era a principal cerimônia fúnebre. Em sua forma mais simples era um grito agudo e repetido, que Mq 1.8 compara ao do chacal e ao do avestruz. Gritava-se: “Ai, ai!”, Am 5.16, “Ai, meu irmão!” ou "Ai, minha irmã!”, I Rs 13.30, e se se tratava de uma personagem da realeza: "Ai, senhor! Ai, majestade!”, Jr 22.18; 34.5. O pai chamava seu filho pelo nome, II Sm 19.1,5. Pela morte de um filho único, a lamentação era mais dilacerante, Jr 6.26; Am 8.10; Zc 12.10. Esses gritos eram dados pelos homens c mulheres em grupos separados, Zc 12.11-14; era obrigação dos paren¬tes próximos, Gn 23.2; 50.10; II Sm 11.26, aos quais se uniam os assistentes, Sm 25.1; 28.3; II Sm 1.11-12; 3.31, etc., em que “ficar de luto” significa "lamentar”.

Essas exclamações de dor podiam transformar-se em uma lamentação, a composta em um ritmo especial, II Sm 1.17; Am 8.10. A mais antiga e
a mais bela foi a que Davi cantou por ocasião da morte de Saul e de Jônatas,