22 de outubro de 2013

Thomas L. Constable - Uma teologia de Josué, Juízes e Rute: Homem

Estes livros revelam muito sobre o caráter do homem. A rebeldia dos seres
humanos para com Deus se destaca em todos os três livros.

De acordo com Josué, os cananeus avançaram em tamanho estado de re-
belião que firmemente se opuseram ao instrumento disciplinar de Deus, ou
seja, Israel. Mesmo quando os gibeonitas se submeteram a Israel, eles tão só o fizeram para salvar a própria vida.  Acã se rebelou contra a vontade de Deus a
respeito da “proibição” (herem, Josué 7).
Em Juizes, as tribos israelitas em sua maioria se rebelaram contra Deus,
não expulsando os cananeus que restaram depois da conquista de Josué (Jz 1-2).

Até alguns juizes, incluindo Gideão e Sansão, não foram totalmente dedicados
a Deus. Nos dias de Sansão, nenhum israelita o apoiou como juiz de Israel nos
combates que ele empreendia contra os filisteus.

Em Rute, o tema de rebelião é fraco. A princípio, a atitude de Noemi é
de rebeldia (Rt 1.20), mas com o passar do tempo ela amoleceu (2.20). Ofra
também seguiu o seu próprio caminho (1.14). A rebeldia humana contra Deus
é outro modo de ver a infidelidade do homem a Ele.

O poder limitado dos seres humanos é outro tema destes livros. Sem a ca-
pacitação divina, a conquista israelita de Canaã teria fracassado. Sempre que os
israelitas esqueciam da sua impotência natural e ousavam ir contra os inimigos
confiando na própria força e sabedoria, eles fracassavam (ver Js 7.2-5; 9.14).
Quando Deus retirava o anjo como líder dos exércitos de Israel, o povo não po-
dia expulsar os inimigos (Jz 2.1-5). Todos os juizes eram indivíduos fracos que
só tinham poder pelo Espírito de Deus. Considerando que Gideão reconheceu a
sua vulnerabilidade extrema, Deus pôde conceder uma libertação milagrosa por
meio dele e um punhado de soldados. Rute não foi abençoada porque era inte-
ligente, agressiva e forte, mas porque se entregou ao Senhor, que então passou
a trabalhar a favor dela. Estes livros revelam consistentemente que o poder hu-
mano é limitado. Só como povo submisso à autoridade de Deus é que o Senhor
trabalha neles e através deles para demonstrar a força sobrenatural divina.

O homem não é somente fraco; é também escravizado ao pecado. A evi-
dência disto nestes livros, como em toda a Bíblia, é a incapacidade natural do
homem em superar as influências más e livrar-se do domínio da sua natureza
pecadora. No livro de Josué, os cananeus e os israelitas morriam constantemen-
te exceto pela graça de Deus. Nos últimos anos, esta tendência é revelada com
mais clareza nos israelitas e seus juizes. E embora a heroína Rute fosse resgatada
por outro, Boaz, ela não podia resgatar a si mesma.

Até o povo redimido de Deus precisava da revelação divina. O livro de
Josué mostra que eles necessitavam de revelação especial de Deus sobre como
relacionar-se com Ele, com os cananeus e uns com os outros. O povo redimido
permanecia dependente de Deus. Em Juizes, os israelitas perguntavam a Deus
quem deveria ir contra qual grupo de inimigos primeiro (Jz 1.1). Enquanto
procederam neste princípio, tiveram sucesso, mas quando deixaram de buscar a
direção de Deus, fracassaram. Os juizes que buscaram e seguiram a palavra de 
Deus prosperaram (por exemplo, Gideão), mas os que deram pouca atenção a
Deus, fracassaram (por exemplo, Sansão). Rute teve sucesso, porque ela estava
disposta e aberta a aprender e seguir a palavra de Deus que Noemi e Boaz lhe
mostravam.

A importância de amar e confiar em Deus é outro tema principal. Moisés
falara aos israelitas que eles deveriam amar a Deus, porque Ele os amou (Dt
4.32-40, etc.). Como vimos em Josué, quando os israelitas expressavam amor
a Deus permanecendo leais ao concerto mosaico, prosperavam, e quando des-
consideravam a sua vontade, tropeçavam. Observamos este mesmo padrão em
Juizes. Vemos o amor de Rute pelo Senhor e por Noemi no compromisso em
viver sob a autoridade deles. Por isso, ela foi abençoada. Alimentamos o amor
a Deus lembrando-nos da (dando atenção a) sua fidelidade e amor no passado.

Está baseado na confiança nEle. O amor é mais do que um sentimento para
com Deus. E basicamente o compromisso de honrá-Lo e glorificá-Lo. A medida
que buscamos este compromisso lealmente, os sentimentos de amor a Deus se
seguem. Estes livros enfatizam o compromisso mais do que os sentimentos, um
compromisso arraigado na fé (cf. Hb 11).

ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento : CPAD, 2009.