16 de outubro de 2013

Thomas L. Constable - Uma teologia de Josué, Juízes e Rute: Deus

Martin Noth foi um dos primeiros estudiosos do Antigo Testamento a
mostrar que os livros de Josué a 2 Reis vêem a história de Israel da perspectiva
da revelação dada nos discursos de Moisés aos israelitas em Deuteronômio. 
Muitos estudiosos conservadores questionam a conclusão de que, de Josué a 2
Reis, foi produzido, na forma final, durante o exílio babilónico. Contudo, pou-
cos negam a alegação de que a história de Israel estava sendo avaliada segundo
o padrão da lei mosaica. Deuteronômio é em particular o sementeiro do qual
surgem as principais idéias teológicas em Josué a 2 Reis, no qual Moisés expôs
o concerto no estilo de sermão à geração de israelitas que estava prestes a entrar

na Terra Prometida. Não há dúvida de que as palavras de Moisés estavam na
mente dos escritores dos livros de Josué a 2 Reis. Há diversos temas principais
traspassando Josué, Juízes e Rute. 
DEUS
Quando Deus chamou Moisés e o comissionou na sarça ardente, Moisés
perguntou a Deus o que deveria dizer aos israelitas quando eles lhe perguntas-
sem quem o havia enviado (Ex 3.13). Deus respondeu que Moisés deveria lhes
dizer: “EU SOU me enviou a vós” (v. 14). A explicação é que o nome ambíguo
“EU SOU O QUE SOU” significa: “Eu sou aquele que me mostrarei ser à me-
dida que a história se desenrolar”. 
Conforme a história de Israel se desdobrava das pragas do Egito avançan-
do, Deus continuou se revelando ao povo. Na época em que os israelitas cruza-
ram o rio Jordão e entraram na Terra Prometida, eles já haviam aprendido por
experiência como também por instrução verbal que tipo de Deus eles serviam.
Josué 1 é teologicamente importante porque Deus, convocando Josué para
entrar na terra, lembrou ao seu general o que ele aprendera sobre o Senhor. Essa
lembrança lhe daria força e coragem (cf. Dt 31.23). Deus lembrou a Josué de que
a terra de Canaã era dEle, Deus, para dar aos israelitas, porque Ele é o possuidor
de todas as coisas (Js 1.2,3). Josué recebeu a garantia de que Deus cumpriria
fielmente a promessa feita aos patriarcas de dar a Israel esse território todo que
Ele prometera, e não só a terra que ele possuiria inicialmente durante a conquista
de setes anos (v. 4). Ele prometeu estar com Josué da mesma forma estivera com
Moisés; Deus não apenas o mandaria ir, mas o conduziria (v. 5; cf. 5.13-15). A
base da confiança e força de Josué era a presença e poder prometidos por Deus
. Mas a chave para o sucesso de Israel na conquista, a liderança eficaz de Josué e a presença salvífica de Deus com o povo seria a fidelidade de Israel ao livro da
lei — o concerto mosaico (Js 1.8). A estrutura quiasmática do encargo de Deus
para Josué elucida a importância essencial da obediência ao concerto.
A [Eu] serei contigo (1.5)
B Esforça-te e tem mui bom ânimo (w. 6,7)
C Para que sejas bem-sucedido (v. 7, ARA)
D O livro desta lei (v. 8)
C’ Então, [...] serás bem-sucedido (v. 8, ARA)
B’ Esforça-te e tem bom ânimo (v. 9)
A’ O SENHOR, teu Deus, é contigo (v. 9)
Josué, Juizes e Rute enfatizam repetidamente o poder de Deus. O Senhor
deu vitória sobre os cananeus na conquista da terra. Também capacitou os juizes
para vencer os opressores de Israel. Enviou fome, mas nos dias de Rute a retirou. 
Dirigiu providencialmente Rute à vida de Boaz; providenciou um redentor para
ela e subseqüentemente um rei para Israel.
A fidelidade de Deus às promessas recebeu notificação regular pelos escrito-
res destes livros, da mesma maneira que Moisés a acentuara em Deuteronômio.
Deus deu para o povo a terra que Ele prometera aos antepassados (Js 1.6; 11.23;
21.45; 24.2-13; Jz 2.1). Não quebrou o concerto com Abraão (Jz2.1; Rt 4.13,14).
Disciplinou o povo pela desobediência, mas o abençoou pela obediência (Jz 2.13-
18). Levantou libertadores para os israelitas quando clamaram por salvação (Jz
3.9; 6.6-8; 16.28-30; Rt 4.13,14). Entrou com eles na batalha (Jz 6.16).
Deus continuou se revelando como soberano sobre todo o universo. Toda
a Terra pertence a Ele (Js 1.3; 14.1,2; 21.43; 24.4). Esoberano sobre o seu povo
(Jz 1.1; 2.3), e soberanamente domina as decisões do povo (Rt 1.6-22; 2.3).
Considerando que a santidade de Deus não é questão de instrução especial
nestes livros, eles revelam a santidade de Deus e mostram as consequências de
Deus ser santo. Os cananeus foram julgados, em parte, porque a sua pecamino-
sidade extrema já não podia ser tolerada pelo Deus santo. Deus tratou com mais
severidade o pecado entre o seu povo do que com o pecado entre os cananeus (por
exemplo, Josué 7). Pelo fato de os israelitas terem chegado a um acordo com os
cananeus profanos, Deus os disciplinou, sujeitando-os aos opressores inimigos
como registrado em Juízes. E Deus abençoou Boaz e Rute por conduta santa.
A graça de Deus brilha nestes livros como em toda a Bíblia. Graciosamen-
te não abandonou o seu povo por causa do pecado, mas os disciplinou para
levá-los de volta ao lugar das bênçãos. Foi gracioso com os cananeus esperando
por séculos antes de julgá-los (cf. Gn 15.16). Tolerou seis ciclos de apostasia no
período dos juízes. Colocou a cananéia Raabe e a moabita Rute não só na nação
de Israel, mas também na linhagem de Davi e do Messias. A história de prati-
camente todo grande personagem em Josué, Juízes e Rute comprova a graça de
Deus nos seus procedimentos com este povo.
Além de ser gracioso, Deus também é amoroso. Encontramos evidência
repetida desta característica nestes livros. Vemos o amor (hesed) leal de Deus no
compromisso com todos os descendentes de Abraão. Deus jamais abandonou
completamente ou expulsou o povo que Ele escolhera amar. E até indivíduos
fora da nação de Israel, como Rute, foram amados por Ele. Vemos o seu amor
quando estendeu a mão para ajudar os que confiaram nEle. Foi dedicado ao
bem-estar e prosperidade daqueles em quem Ele fixou o seu amor. Em Josué,
Juízes e Rute estes aspectos do caráter de Deus recebem destaque principal.