21 de outubro de 2013

Roland de Vaux - A morte e os ritos fúnebres: Ritos de luto

Os parentes do falecido, os que assistiam à morte e aos funerais se submetiam a ritos, muitos dos quais se praticavam também em casos de grande tristeza, nas calamidades públicas ou em tempo de penitência.
À noticia da morte, o primeiro gesto era rasgar as roupas, Gn 37.34;
Il Sm 1.11 ; 3.31 ; 13.31 ; Jó 1.20. A isso se seguia o vestir-se de “saco”, Gn 37.34;
I Sm 3.31. Este era um tecido grosseiro que se usava em geral diretamente sobre o corpo, ao redor da cintura e abaixo do peito, cf. II Rs 6.30; II Mb 3.19. A nudez de que fala Mq 1.8 significa essa veste rudimentar, em vez da nudez total, apesar do paralelo de Is 20.2-4. Tirava-se o calçado, II Sm 15.30; Ez 24.17,23; Mq 1.8; e também o turbante, Ez 24.17,23. Em compensação se cobria a bar¬ba, Ez 24.17,23 ou colocava-se um véu sobre o rosto, II Sm 19.5; cf. 15.30. é provável que se pusessem as mãos sobre a cabeça: a Bíblia salienta esse gesto como expressão de dor ou de vergonha, II Sm 13.19; Jr2.37, atitude que adotam as carpideiras em certos baixo-relevos egípcios e no
sarcófago do rei de Biblos, Ahiram.
Punha-se terra sobre a cabeça, Js 7.6; I Sm 4.12; Ne 9.1; II Mb 10.25; 14.15; Jó 2.12; Ez 27.30. Rolava-se a cabeça no pó, Jó 16.15, ou rolava-se todo o corpo, Mq 1.10. Outro rito era deitar-se ou sentar-se sobre a cinza, lit 4.3; Is 58.5; Jr 6.26; Ez 27.30.
Raspava-se, completamente ou em parte, os cabelos da cabeça e a barba e faziam-se incisões sobre o próprio corpo, Jó 1.20; Is 22.12; Jr 16.6; 41.5;
47.5; 48.37; Ez 7.18; Am 8.10. Esses ritos são, não obstante, reprovados por Lv 19.27,28; cf. 21.5, e por Dt 14.1, como contaminações de paganismo. Evi¬tavam-se o lavar-se e perfumar-se, II Sm 12.20; 14.2; Jt 10.3.

VAUX, Roland de. Instituições de Israel no Antigo Testamento. Editora Teológica, 2003.